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Deve acreditar na Bíblia?A Sentinela — 1981 | 15 de maio
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Deve acreditar na Bíblia?
FÉ ou dúvida? Fidedigno ou duvidoso? Estas alternativas tornaram-se parte da vida cotidiana das pessoas. Tantas coisas que lemos e ouvimos são duvidosas. O autor Aldous Huxley escreveu certa vez sobre a sabedoria humana: “Encontrar motivos péssimos para aquilo que se crê por outros motivos péssimos — isto é filosofia.”
Quanto à ciência, as prateleiras de todas as grandes bibliotecas nacionais estão cheias de obras científicas e eruditas que ficaram antiquadas nos últimos 50 anos. Não é de admirar que as pessoas ficaram cépticas quanto ao que lêem.
DÚVIDA NEGATIVA OU PESQUISA POSITIVA?
Num mundo em que o cepticismo muitas vezes é um escudo necessário contra o engano e a fraude, pode-se cair facilmente no hábito de duvidar de tudo e de todos. “Gato escaldado de água fria tem medo”, diz o ditado, e com razão. Mas, satisfaz realmente viver num mundo de dúvidas? Pode-se ter firmes convicções, quando não se tem uma fonte fidedigna de informações?
As dúvidas negativas não levam a parte alguma. Por outro lado, perguntas sinceras e pesquisas positivas podem ser instrumentos úteis para quem busca a verdade. Isto se aplica também ao campo da ciência. Na sua obra-prima Introduction à l’étude de la médecine expérimentale (Introdução ao Estudo da Medicina Experimental), o cientista francês Claude Bernard declarou: “O requisito primário a ser satisfeito pelo cientista que investiga fenômenos naturais é manter uma completa independência de idéias. . . . Aquele que duvida é o verdadeiro cientista, tendo dúvidas sobre si mesmo e sobre a sua própria interpretação das coisas, mas tendo fé na ciência.”
De modo que, segundo este famoso fisiológico francês, a pesquisa científica requer tanto dúvidas como fé. O cientista pesquisador duvida de que já se aprendeu tudo em determinado campo, mas, na execução de suas experiências, ele tem a obrigação de ter fé no que é considerado como verdade científica em outros campos. Em outras palavras, ele não duvida da ciência como um todo. Suas dúvidas em certo campo são construtivas, visto que ele espera promover os interesses da ciência por fazer novas descobertas.
O mesmo pode ser aplicado ao campo da religião. Sem duvidar da existência de Deus, a pessoa pode justificavelmente ter dúvidas sobre algumas das doutrinas ensinadas pelas igrejas que afirmam ser cristãs. A pesquisa sincera pode resultar na rejeição de erros religiosos; pode também levar à descoberta da verdadeira adoração. Mas, em que base se pode realizar esta pesquisa?
A BÍBLIA — BASE DA FÉ
A base universalmente reconhecida para se examinar a religião cristã é a Bíblia Sagrada. O interessante é que a própria Bíblia não exige fé cega dos seus leitores. Advertindo contra a credulidade, ela diz: “Qualquer inexperiente põe fé em cada palavra, mas o argucioso considera os seus passos.” (Pro. 14:15) E novamente: “Certificai-vos de todas as coisas; apegai-vos ao que é excelente.” (1 Tes. 5:21) Isto subentende um exame cuidadoso, fazer distinção e usar a “faculdade de raciocínio”, apegando-se então ao que é achado verdadeiro. — Rom. 12:1, 2.
Raciocinar assim e provar algo para si mesmo habilita a pessoa a obter convicções. E essas convicções edificam a fé. Conforme definida na Bíblia: “A fé é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas.” (Heb. 11:1) A fé bíblica exige “demonstração”, prova. Requer conhecimento para ter a espécie de fé recomendada na Bíblia. Ninguém nasce com tal fé. Ela é algo que se desenvolve com conhecimento e experiência. A Bíblia declara adicionalmente: “A fé segue à coisa ouvida. Por sua vez, a coisa ouvida vem por intermédio da palavra acerca de Cristo.” (Rom. 10:17) E o único lugar em que se encontra a autêntica “palavra acerca de Cristo” é a Bíblia.
A FÉ — QUALIDADE DESEJÁVEL HOJE EM DIA
Para aumentar sua fé, precisa ter conhecimento e a capacidade de usá-lo. Tal capacidade é o que a Bíblia chama de “sabedoria” Que você pode fazer alguma coisa para obter essa sabedoria é corroborado pelo seguinte conselho bíblico: “Se alguém de vós tiver falta de sabedoria, persista ele em pedi-la a Deus, pois ele dá generosamente a todos, e sem censurar; e ser-lhe-á dada. Mas, persista ele em pedir com fé, em nada duvidando, pois quem duvida é semelhante a uma onda do mar, impelida pelo vento e agitada. . .. ele é homem indeciso, instável em todos os seus caminhos.” — Tia. 1:5-8.
Num mundo cheio de dúvidas e incerto quanto ao seu destino, um mundo que rejeitou os valores morais comprovados pelo tempo, não é evidente que o homem precisa duma bússola espiritual pela qual possa orientar-se? Quem duvida é deveras “semelhante a uma onda do mar, impelida pelo vento e agitada”, virtualmente lançado de um lado para outro pelas filosofias mutáveis de homens instáveis. Tal pessoa não tem certeza de nada. Não tem convicções. Não há argumento, não importa quão lógico, que possa convencê-la. Não consegue crer porque não quer crer.
PONHA A BÍBLIA À PROVA
Tais cépticos duvidam de que a vida tenha algum significado. Contentam-se com viver a sua vida (que é mais curta do que a de certos animais) e morrer, sem esperança de viver para sempre. Esperamos que você, prezado leitor, esteja entre os que acham ser ilógico conceber que o homem viva apenas 70 ou 80 anos, só para morrer, desaparecendo para sempre o conhecimento e a experiência que acumulou. Esperamos que esteja na categoria dos que buscam a vida, dos que também buscam a verdade. A Bíblia disse sobre tais pessoas, que viviam no primeiro século: “Todos os corretamente dispostos para com a vida eterna tornaram-se crentes.” — Atos 13:48.
Para ajudá-lo a crer que a Bíblia é capaz de prover conhecimento vitalizador, convidamo-lo a considerar a seguir a prova arqueológica e científica da fidedignidade da Bíblia.
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A arqueologia confirma a BíbliaA Sentinela — 1981 | 15 de maio
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A arqueologia confirma a Bíblia
JESUS disse a homens orgulhosos, que se recusavam obstinadamente a reconhecer o seu messiado e que desprezavam seus discípulos: “Se estes permanecessem calados, as pedras clamariam.” (Luc. 19:40) Felizmente, Jesus teve e ainda tem discípulos que se negam a ficar calados. Contudo, de certo modo, as pedras que eram testemunhas silenciosas dos eventos bíblicos foram levadas a clamar e a atestar que a Bíblia é fidedigna. A ciência que permitiu que tais pedras falassem a favor da Bíblia chama-se arqueologia, definida como “o estudo científico dos restos materiais do passado”.
Jack Finegan, na sua obra erudita Luz do Passado Remoto, em inglês, nos informa que “a arqueologia moderna pode ser considerada como tendo tido seu começo em 1798, quando quase cem eruditos e artistas franceses acompanharam Napoleão na sua invasão do Egito”. Em 1822, o egiptólogo francês Champollion conseguiu decifrar os hieróglifos da pedra de Roseta. Por volta do fim do século 19, as escavações arqueológicas estavam sendo feitas sistematicamente no Egito, na Assíria, em Babilônia e na Palestina, e elas têm continuado até hoje. Será que a pá dos arqueólogos confirmou o registro bíblico?
A ORIGEM DO MUNDO E DO HOMEM
Uma descoberta feita nos túmulos egípcios permite-nos comparar a explicação bíblica sobre a origem do homem com o relato da criação contido num antigo Livro dos Mortos dos egípcios, um dos quais pode ser visto numa longa vitrina no Museu do Louvre, em Paris. Escrevendo no Supplément au Dictionnaire de la Bible, obra de autoridade, Louis Speleers, curador do Museu Cinquantenaire de Bruxelas, na Bélgica, explica: “O Livro dos Mortos conta que, certo dia, [o deus-sol] Rá deixou seu Olho divino brilhando no céu. Xu e Tefnut trouxeram-lhe de volta o Olho, o qual começou a chorar, e das lágrimas de Rá surgiram os homens.”
Outra descoberta arqueológica que torna possível uma interessante comparação com a narrativa bíblica é uma série de sete tabuinhas de argila que contêm Enuma elish, ou a “Epopéia da Criação”, sumério-babilônica. Segundo este registro antigo, Marduque, deus padroeiro da cidade de Babilônia, derrotou Tiamat, deusa do mar primevo, cortando-a em dois. “De uma metade formou a abóbada dos céus, da outra, a terra sólida. Feito isso, organizou o mundo. . . . Daí, ‘para que os deuses vivessem num mundo para alegrar seus corações’, Marduque criou a humanidade.” — Larousse Encyclopedia of Mythology.
Acredita que o homem procede das lágrimas de Rá? Muitos egípcios altamente civilizados e educados acreditavam nisso. Ou está disposto a aceitar a asseveração de que o corpo partido duma deusa deu origem aos céus e à terra? Estes são apenas dois exemplos de mitos da criação, cridos por gerações sucessivas de pessoas da antiguidade.
Hoje em dia, muitos homens altamente instruídos nos pedem que creiamos que o universo e todas as formas de vida surgiram espontaneamente, sem a intervenção dum Ser superior, vivente, apesar de o cientista francês Luís Pasteur ter provado conclusivamente que a vida procede de outra vida. Não é mais lógico aceitar o relato bíblico, que declara simplesmente que o universo material é expressão da “energia dinâmica” de Deus (já que Einstein e outros mostraram que a matéria é uma forma de energia)? E não é mais razoável acreditar nas Escrituras Sagradas, que mostram que todas as formas de vida devem sua existência a Deus, a grande Fonte de vida, e que o homem foi criado “à imagem de Deus”? — Gên. 1:27; Sal. 36:9; Isa. 40:26-28; Jer. 10:10-13.
A ARQUEOLOGIA E ABRAÃO
Um dos principais personagens da Bíblia é Abraão. Ele não é somente o antepassado de todos os escritores bíblicos, dos judeus e de muitos árabes, mas é também chamado de “pai de todos os que têm fé”. (Rom. 4:11) Além disso, os povos de todas as nações deveriam estar interessados em saber se o relato bíblico sobre Abraão é autêntico. Por quê? Porque foi a ele que Deus prometeu: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente.” (Gên. 22:16-18) Se quisermos estar entre “os que têm fé”, que serão abençoados por meio do descendente de Abraão, a evidência que mostra a exatidão dos pormenores fornecidos na Bíblia sobre a vida e os tempos de Abraão devia ser do máximo interesse para nós.
A Bíblia nos informa que Abraão (então chamado Abrão) foi criado em “Ur dos Caldeus”. (Gên. 11:27, 28) Trata-se duma localidade lendária? O que revelaram as picaretas e as pás dos arqueólogos? Já em 1854, J. E. Taylor identificou tentativamente Ur com Tel el-Mucaiir (“Monte de Betume”), que fica apenas alguns quilômetros ao oeste do Eufrates. Em 1869, o orientalista francês Jules Oppert apresentou um relatório ao Collége de France, em Paris, identificando definitivamente a localidade com Ur, à base de cilindros de argila com inscrições cuneiformes encontrados ali por Taylor. Daí, muito mais tarde, de 1922 a 1934 o arqueólogo britânico Sir Leonard Woolley não somente confirmou esta identificação, mas descobriu também que a cidade de Ur, abandonada por Abraão, fora uma cidade florescente e altamente civilizada, com casas confortáveis e um enorme templo-torre, ou zigurate, dedicado à adoração do deus-lua Nana, ou Sin. Por muito tempo, os historiadores haviam expressado dúvidas sobre a cidade de Ur, mencionada na Bíblia em conexão com Abraão. Mas a pá dos arqueólogos provou que a Bíblia está certa.
Os arqueólogos confirmaram também muitos dos costumes mencionados no relato bíblico a respeito de Abraão. Por exemplo, em Nuzu, ou Nuzi, antiga cidade hurriana ao sudeste de Nínive, foram encontradas tabuinhas de argila que autenticam costumes tais como: Escravos tornarem-se herdeiros de pais sem filhos (veja as observações de Abraão sobre o seu escravo Eliézer — Gênesis 15:1-4); a esposa estéril ser obrigada a prover ao marido uma concubina (Sara, ou Sarai, deu Agar a Abraão — Gênesis 16:1, 2); e as transações comerciais serem feitas junto ao portão da cidade (veja a compra do campo e da caverna de Macpela, perto de Hébron, por Abraão — Gênesis 23:1-20). Exemplos de como as escavações em Nuzi apóiam a Bíblia enchem mais de oito colunas de tipo pequeno na erudita obra francesa Supplément au Dictionnaire de la Bible. (Volume VI, colunas 663-672) A Encyclopœdia Britannica declara: “Este material de Nuzi esclareceu muitas passagens difíceis nas narrativas patriarcais contemporâneas de Gênesis.”
CONFIRMADOS OS NOMES PRÓPRIOS
O arqueólogo francês André Parrot fez extensas escavações no lugar da antiga cidade real de Mari, a meio percurso do Eufrates. A cidade-estado de Mari foi uma das potências dominantes da Alta Mesopotâmia no começo do segundo milênio A.E.C., até que foi tomada e destruída pelo rei babilônico Hamurábi. Nas ruínas do enorme palácio descoberto ali, a equipe francesa de arqueólogos encontrou mais de 20.000 tabuinhas de argila. Algumas destas tabuinhas cuneiformes mencionam cidades com o nome de Pelegue, Serugue, Naor, Tera e Harã. É interessante que todos estes nomes ocorrem na narrativa de Gênesis como sendo os nomes de parentes de Abraão. — Gên. 11:17-26.
Comentando esta similaridade dos antigos nomes próprios, John Bright escreveu na sua História de Israel: “Em nenhum destes casos temos . . . uma menção sequer dos patriarcas bíblicos. Mas a profusão de tal evidência dos documentos contemporâneos mostra claramente que seus nomes se enquadram perfeitamente na nomenclatura da população amorita dos começos do segundo milênio, de preferência à de qualquer outro período posterior. As narrativas patriarcais são assim sob todos os respeitos inteiramente autênticas.”
Tão recentemente como em 1976, arqueólogos italianos e sírios identificaram no norte da Síria a antiga cidade-estado de Ebla. Igual a Mari, Ebla não é mencionada na Bíblia, mas ambos os nomes aparecem em textos antigos que remontam ao período patriarcal. Portanto, o que foi descoberto pela pá dos escavadores neste novo lugar? Na biblioteca do palácio real foram encontrados milhares de tabuinhas de argila remontando ao fim do terceiro ou ao começo do segundo milênio antes da Era Comum. O semanário francês Le Point, numa reportagem sobre esta descoberta, no número 19 de março de 1979, declarou: “Os nomes próprios são espantosamente similares [aos das Escrituras]. Na Bíblia encontramos ‘Abraão’, nas tabuinhas de Ebla, ‘Ab-ra-rum’; Esaú; — E-sa-um; Miguel — Mi-ki-ilu; Davi — Da-u-dum; Ismael — Ish-ma-ilum; Israel — Ish-ra-ilu. Os arquivos de Ebla também contêm os nomes de Sodoma e Gomorra, cidades mencionadas na Bíblia, mas cuja historicidade por muito tempo foi questionada pelos eruditos. . . . Ainda mais, as tabuinhas alistam cidades na ordem exatamente igual em que são mencionadas no Antigo Testamento: Sodoma, Gomorra, Adma, Zeboim e Bela [Gên. 14:2].” Segundo Boyce Rensberger, escrevendo no Times de Nova Iorque, “alguns eruditos bíblicos acreditam [que as tabuinhas de Ebla] rivalizam com os Rolos do Mar Morto quanto a autenticar e a aumentar o conhecimento da vida nos tempos . . . bíblicos.”
COSTUMES E LEIS
A arqueologia fez muita coisa para explicar os costumes aludidos na Bíblia, mostrando assim a exatidão do registro bíblico. Um caso em pauta é o relato de Gênesis, capítulo 31, onde se menciona que Raquel, esposa de Jacó, “furtou os terafins que pertenciam a seu pai”, Labão.(V. Gênesis 31:19) Declara-se o motivo de Labão dar-se ao trabalho de ir no encalço de sua filha e o marido dela durante sete dias. Foi para recuperar os seus “deuses” (Vv. Gênesis 31:23, 30) É interessante que uma descoberta arqueológica na antiga cidade mesopotâmica setentrional de Nuzi revelou a existência duma lei patriarcal, segundo a qual a posse dos deuses da família davam ao homem o direito aos bens de raiz do seu falecido sogro. Quando é lembrado que Labão era nativo do noroeste da Mesopotâmia e quão traiçoeiramente ele havia lidado com Jacó, o conhecimento desta lei lança luz sobre o estranho furto de Raquel e sobre os esforços frenéticos de Labão para recuperar os seus “deuses”. O Museu do Louvre, de Paris, exibe diversos de tais “deuses domésticos”, descobertos em diversas cidades da Mesopotâmia. Seu tamanho pequeno (de 10 a 15 centímetros) também ajuda a explicar como Raquel pôde ocultar os terafins sentando-se no cesto da sela em que estavam e negando-se a se levantar, quando Labão fez a busca. — Vv. Gênesis 31:34, 35.
Um dos bens mais prezados do Museu do Louvre é um bloco de pedra preta de exatamente 2,25 metros de altura, comumente conhecido por “Código de Hamurábi”. Sob um relevo mostrando o Rei Hamurábi de Babilônia recebendo autoridade do deus-sol Xamaxe, há 282 leis em colunas escritas em letras cuneiformes. Visto que se diz que Hamurábi reinou de 1728 a 1686 A.E.C., alguns críticos da Bíblia afirmaram que Moisés, que registrou as leis de Israel mais de um século e meio depois, apenas plagiou o código deste rei babilônico. Desmentindo esta acusação, W. J. Martin escreveu no livro Documentos dos Tempos do Antigo Testamento (em inglês):
“Apesar das muitas similaridades, não há nenhuma base para se presumir qualquer apropriação direta pelos hebreus dos babilônios. Mesmo nos pontos em que as duas séries de leis diferem pouco na letra, divergem muito no espírito. Por exemplo, no Código de Hamurábi, o furto e a aceitação de produtos furtados eram punidos com a pena capital (Leis 6 a 22), mas nas leis de Israel a punição era a compensação. (Êxo. 22:1; Lev. 6:1-5) Ao passo que a lei mosaica proibia a entrega dum escravo fugitivo ao seu amo (Deut. 23:15, 16), as leis babilônicas puniam com a morte aquele que acolhesse um escravo fugitivo. — Leis 15, 16, 19 .”
No Supplément au Dictionnaire de la Bible, o orientalista francês Joseph Plessis escreveu: “Não parece que o legislador hebreu tenha feito uso dos diversos códigos de Babilônia e Assíria. Nada na sua obra pode ser provado como tendo sido apropriado. Embora haja similaridades interessantes, elas não são tais que não possam ser facilmente explicadas pela codificação de costumes compartilhados por pessoas da mesma origem.”
Ao passo que o Código de Hamurábi reflete o espírito de retaliação, a lei mosaica diz: “Não deves odiar teu irmão no teu coração. . . . Não deves tomar vingança nem ter ressentimento contra os filhos do teu povo; e tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Lev. 19:17, 18) Isto não somente prova que Moisés não se apropriou de nada de Hamurábi, mas a comparação entre as leis bíblicas e as inscritas nas tabuinhas e nas estelas escavadas pelos arqueólogos mostram que as leis bíblicas são muito superiores àquelas que governavam outros povos antigos.
A ARQUEOLOGIA E AS ESCRITURAS GREGAS
Que dizer das Escrituras Gregas, comumente chamadas de “Novo Testamento”? Confirmou a arqueologia a exatidão desta parte importante da Bíblia? Escreveram-se livros inteiros mostrando que há tal confirmação. Já em 1890, o erudito bíblico francês F. Vigouroux publicou um livro de mais de 400 páginas intitulado “Le Nouveau Testament et les découvertes archéologiques modernes” (O Novo Testamento e as Modernas Descobertas Arqueológicas). Ele fornece nele prova abundante em apoio dos Evangelhos, de Atos dos Apóstolos e das cartas contidas nas Escrituras Gregas. Em 1895, W. M. Ramsay publicou seu livro agora já clássico S. Paulo, o Viajante, e o Cidadão Romano (em inglês), fornecendo muita matéria valiosa sobre a autenticidade das Escrituras Gregas Cristãs.
Mais recentemente, publicaram-se muitos outros livros e artigos eruditos, mostrando como a arqueologia tem demonstrado a veracidade da Bíblia inteira. E. M. Blaiklock escreveu no seu livro A Arqueologia do Novo Testamento, publicado em inglês pela primeira vez em 1970: “As notáveis vindicações da historiografia bíblica ensinaram aos historiadores o respeito pela autoridade tanto do Antigo como do Novo Testamento, e a admiração pela exatidão, a profunda preocupação com a verdade e a perspicácia histórica, inspirada, dos diversos escritores que deram à Bíblia seus livros de história.”
Sim, a arqueologia claramente apóia a Bíblia. Mas, que dizer de outros campos de ciência?
[Foto na página 6]
Zigurate descoberto em Ur, da antiga Caldéia.
[Fotos na página 7]
Deus doméstico (encontrado em Lágaxe).
O Código de Hamurábi.
[Mapa na página 6]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Harã
Ebla
Nuzi
Mari
Babilônia
Lágaxe
Suméria
Ur
Golfo Pérsico
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A ciência atesta a exatidão da BíbliaA Sentinela — 1981 | 15 de maio
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A ciência atesta a exatidão da Bíblia
É A BÍBLIA contestada pelas descobertas científicas? Em resposta, precisa-se primeiro dizer que a Bíblia não é livro de ciência. Todavia, quando toca em assuntos científicos, ela refuta especulações e teorias humanas não provadas. A descoberta de leis universais tem vez após vez confirmado a exatidão das Escrituras Sagradas e a veracidade do escritor do salmo bíblico, que disse a respeito de Deus: “A substância da tua palavra é a verdade.” (Sal. 119:160) Examinemos os campos da astronomia, da medicina, da botânica, da anatomia e da fisiologia, para ver se estas ciências realmente confirmam a exatidão da Bíblia.
A ASTRONOMIA
É um fato bem conhecido que os capítulos iniciais de Gênesis têm sido alvo de zombarias e de ataques especialmente causticantes. Em flagrante contradição às afirmações de muitos clérigos da cristandade, de que Gênesis é apenas uma coleção de poesias e de lendas, no quinto século, o católico “pai da igreja” e erudito Agostinho declarou que a “narrativa [de Gênesis] não é a espécie de estilo literário em que as coisas são declaradas de modo figurativo, . . . mas, do começo ao fim, ela relata fatos que realmente ocorreram, como no livro dos Reis e em outros livros históricos”. (De Genesi ad litteram, VIII, 1, 2) O exame do primeiro capítulo de Gênesis revela que a Bíblia estava muito à frente dos conceitos contemporâneos.
Muito antes de Aristóteles (384-322 A.E.C.), que acreditava que as estrelas estivessem fincadas no céu assim como pregos, Gênesis (1:6-8) descreveu a abóbada celeste como “expansão” (Tradução do Novo Mundo) ou “firmamento” (Matos Soares). A palavra “firmamento” vem da latina firmare, que significa dar consistência, firmar, fazer sólido. Jerônimo usou esta expressão na Vulgata latina ao traduzir a palavra hebraica raqia, a qual, ao contrário, significa “superfície estendida”, “expansão”. Segundo T. Moreux, ex-chefe do Observatório de Bourges, na França, “esta expansão, que para nós constitui o céu, é designada no texto hebraico por uma palavra que a Septuaginta [grega], influenciada pelas idéias cosmológicas prevalecentes na época, traduziu por stereoma, firmamento, abóbada sólida. Moisés não transmite nenhuma idéia assim. A palavra hebraica raqia apenas transmite a idéia de extensão, ou melhor ainda, de expansão.” Portanto, a Bíblia descreveu com mais exatidão a expansão ou atmosfera acima de nós.
Gênesis fala sobre os luzeiros que brilham sobre a terra “para fazerem separação entre a luz e a escuridão”. (Gên. 1:14-18) Ora, estas palavras foram escritas por Moisés no século 16 antes de nossa Era Comum. Note apenas um dos conceitos fantasiosos então existentes sobre este assunto. Paul Couderc, astrônomo do Observatório de Paris, escreveu: “Até o quinto século antes de nossa era comum, os homens estavam enganados a respeito da questão fundamental sobre o dia e a noite. Para eles, a luz era um vapor luminoso, ao passo que a escuridão era um vapor negro, o qual, à noite, ascendia do solo.” Que contraste com a declaração sucinta, mas cientificamente exata, feita na Bíblia a respeito da causa do dia e da noite no nosso planeta!
Os que viveram na época em que a Bíblia foi escrita tiveram idéias estranhas sobre a forma e a base da terra. Segundo a antiga cosmologia egípcia, “o universo é uma caixa retangular, colocada na posição norte-sul, igual ao Egito. A terra fica no fundo, como planície ligeiramente côncava, com o Egito no centro. . .. Nos quatro pontos cardeais, cumes muito elevados sustentam o céu. O céu é uma cobertura metálica, chata ou curvada para fora, cheia de buracos. Dela ficam suspensas as estrelas, iguais a lâmpadas penduradas de fios.”
Será que tais teorias infantis foram abandonadas séculos mais tarde? Longe disso. O astrônomo e filósofo grego Anaximandro (do sexto século A.E.C.) sustentava: “A Terra é cilíndrica, três vezes mais larga do que funda, sendo habitada apenas a parte superior. Mas esta Terra encontra-se isolada no espaço, e o céu é uma esfera completa, em cujo centro se encontra, sem apoio, o nosso cilindro, a Terra, situada numa distância igual de todos os pontos do céu.” Um século mais tarde, Anaxágoras cria que tanto a terra como a lua eram chatas.
A Bíblia estava muito à frente dos conceitos científicos ensinados naquele tempo. No século 15 antes de nossa Era Comum, ela descreveu o Criador como aquele que “suspende a terra sobre o nada”, e no oitavo século A.E.C. falou sobre o “círculo da terra”. (Jó 26:7; Isa. 40:22) Não é exatamente assim que a terra lhe pareceu na tela da televisão, quando os astronautas a fotografaram desde a lua?
A MEDICINA E A BOTÂNICA
A Bíblia menciona plantas e árvores que cresciam em diversas terras. Por exemplo, menciona com exatidão os poderes curativos do bálsamo, tirado de diversas árvores sempre-verdes. C. E. Martin, escrevendo no Dicionário Enciclopédico da Bíblia, em francês, explica: “Pequenas quantidades de mástique [resina] gotejam de modo natural da árvore, mas, para conseguir mais, fazem-se incisões longitudinais no tronco, permitindo o fluxo livre da resina. . . . Ele tinha a reputação de mitigar a dor e de sarar feridas; bálsamo de Gileade, recomendado para feridas, é mencionado em sentido figurativo por Jeremias (8:22; 46:11; 51:8); é também mencionado proverbialmente na linguagem moderna.” Muitos historiadores romanos e gregos, tais como Plínio e Diodoro da Sicília, fizeram menção deste bálsamo.
Segundo o registro bíblico, no nono século A.E.C., o profeta hebreu Jonas viajou para Nínive, antiga capital da Assíria. Em resultado de sua atividade missionária, “os homens de Nínive começaram a depositar fé em Deus”. (Jonas 3:5) Mais tarde, ele acampou ao leste da cidade e obteve alívio contra o sol debaixo dum cabaceiro, que cresceu da noite para o dia, para prover sombra para a cabeça de Jonas. (Jonas 4:6, 10, 11) É verdade que o cabaceiro-amargoso (Cucurbita lagenaria) se desenvolve tão rapidamente? O Dicionário da Bíblia, em francês, publicado sob a direção de F. Vigouroux, diz o seguinte: “Sabe-se que o cabaceiro cresce bem rapidamente em países quentes e que é usado para recobrir de verde as paredes das casas e dos abrigos aos quais se apega, igual à trepadeira de Virgínia, dando proteção contra o calor por meio de suas folhas grandes. . . . Em pinturas simbólicas, encontradas nas catacumbas, baseadas na história de Jonas, sempre se retrata esta planta.” Portanto, é bem coerente com o fato de que um cabaceiro de crescimento normalmente rápido fosse feito crescer milagrosamente numa só noite, pelo poder de Jeová, para proteger Jonas contra os raios quentes do sol.
Descrevendo a sorte de grupos nacionais que se opõem à soberania de Deus, a Bíblia declara que serão “como o remoinho de cardos [em hebraico: galgal] diante do tufão”. (Isa. 17:13) A Encyclopœdia Judaica diz: “O galgal bíblico tem uma maneira extraordinária de espalhar suas sementes. No fim do verão, desprende-se do solo, e suas folhas espinhosas, parecendo velas, voam com o vento e espalham as sementes.” Nogah Hareuveni, autor do folheto intitulado “Ecologie dans la Bible” (Ecologia na Bíblia), menciona o cardo galgal, escrevendo: “A planta que leva este nome começa seu crescimento rápido em março. . . . Em poucas semanas, este aparentemente inocente galgal torna-se um monstro espinhoso, com folhas e flores recobertas de espinhos afiados. No verão, a planta começa a secar, mas parece tão firmemente arraigada e tão ameaçadora, que parece ser impossível livrar-se dela. Quando o galgal fica plenamente desenvolvido, acontece algo estranho debaixo do solo, entre o caule e as raízes: ocorre uma separação celular entre o caule e as raízes, e só é preciso a mínima brisa de verão para arrastar a planta inteira.” Portanto, igual a este cardo, que parece temível, mas que o vento pode levar tão facilmente, aqueles que se opõem à soberania divina serão eliminados. A comparação bíblica, ‘como o cardo’, é exata.
A ANATOMIA E A FISIOLOGIA
Se a Bíblia é originária do Criador do homem, devemos poder encontrar nas suas páginas prova convincente de que ela não é produto da sabedoria humana. Conforme já vimos, as pessoas da antiguidade tinham algumas idéias bem esquisitas sobre a origem do homem. De modo similar, textos de medicina do antigo Egito revelam grande ignorância no campo da medicina. Embora Moisés fosse “instruído em toda a sabedoria dos egípcios”, escreveu que o homem foi formado, não das lágrimas de Rá, mas “do pó do solo”. (Gên. 2:7; Atos 7:22) Confirmou a ciência médica moderna que o homem foi formado dos elementos minerais do solo da terra?
Na sua obra conjunta, Les oligoéléments (Os Oligoelementos), Andrée Goudot e Didier Bertrand, membro da Academia Agrícola Francesa, informa-nos: “Em todos os organismos vivos estudados, além de carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio, fósforo, cálcio, enxofre, cloro, magnésio, potássio e sódio, a presença dos seguintes elementos pode ser considerada como fato provado: seis elementos não-metálicos: flúor, bromo, iodo, boro, arsênico e silício; um elemento de transição: vanádio; e treze metais: ferro, zinco, manganês, cobre, níquel, cobalto, lítio, rubídio, césio, alumínio, titânio, cromo, molibdênio e provavelmente também estanho, chumbo, prata, gálio, estrôncio e bário.” Todas essas substâncias são encontradas na crosta da terra, provando que o homem foi deveras formado do solo, assim como diz a Bíblia.
Durante muitos séculos, a Bíblia tem declarado que o sangue da criatura representa sua vida, ou alma. “A alma de todo tipo de carne é seu sangue.” (Lev. 17:14) É tal posição válida na medicina? É um fato científico que o sangue está intimamente envolvido nos processos da vida. Além disso, a ciência descobriu bastante recentemente que o sangue de cada pessoa é específico e singular. Léone Bourdel, professor da Escola Superior de Antropobiologia, francesa, escreveu o seguinte: “As combinações genéticas na procriação são tais que nosso sangue é singular, nunca idêntico ao de qualquer de nossos pais, nem ao de nossos filhos. E produzimos este mesmo sangue durante toda a nossa vida. De fato, não importa quantas transfusões recebamos, nunca assimilamos o sangue recebido do doador; é sempre nosso próprio sangue que prevalece e que se renova perpétua e identicamente.”
MOTIVOS PARA SE ACREDITAR NA BÍBLIA
Parafraseando Aldous Huxley, já citado, ‘encontrar bons motivos para aquilo que crê por outros bons motivos’ foi o objetivo desta consideração da pergunta: “Deve acreditar na Bíblia?”
Primeiro, vimos que a própria Bíblia não pede que tenhamos fé cega. Ela convida-nos a usar nossa “faculdade de raciocínio” e a ‘certificar-nos de todas as coisas’. (Rom. 12:1, 2; 1 Tes. 5:21) Vimos que a arqueologia apóia a exatidão histórica da Bíblia. Além disso, mostrou-se, por meio de uns poucos exemplos, que o registro bíblico, mesmo nos mínimos detalhes, é cientificamente válido.
Estes são “bons motivos” para acreditar na Bíblia. Mas, há “outros bons motivos” — de fato, motivos ainda melhores, porque é bastante claro que a fé em Deus e a confiança na sua Palavra não podem depender apenas das descobertas arqueológicas e das investigações científicas. Além de ter seu valor intrínseco como guia moral, a Bíblia é o único livro que nos apresenta a Revelação da vontade e do propósito de Deus para com a humanidade. Sim, este divinamente inspirado Livro dos Livros fornece-nos uma esperança real para o futuro de nossa terra e da humanidade sobre ela, conforme mostrará o artigo concludente desta série.
[Foto na página 11]
O conceito egípcio sobre o universo.
[Foto na página 12]
O cardo “galgal”.
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A Bíblia — livro de esperançaA Sentinela — 1981 | 15 de maio
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A Bíblia — livro de esperança
WILLIAM GLADSTONE, reputadamente o “maior estadista britânico do século 19”, escreveu certa vez: “A ciência e a pesquisa têm feito muito para apoiar a credibilidade histórica do Antigo Testamento: . . . fazendo isso, deram força adicional ao argumento que afirma que encontramos neles a Revelação divina; . . . a evidência, encarada racionalmente, tanto do conteúdo como dos resultados, obriga-nos a adotar a posição de nossos antepassados, sobre a rocha inexpugnável das Escrituras Sagradas.”
A Bíblia deveras suportou a tempestade dos tempos, igual a uma rocha imóvel. Quem estiver de pé sobre esta rocha poderá olhar de sua altura elevada não só para trás, para o passado, mas também muito para dentro do futuro. Examinemos agora a evidência interna que prova que a Bíblia é um livro de esperança em que se pode confiar.
HARMONIA INTERNA EM TORNO DUM TEMA CENTRAL
Os 66 livros da Bíblia foram escritos durante um período de 16 séculos, por uns 40 escritores diferentes. Esta declaração é fácil de ler. Mas pense nela. Conhece algum outro livro que tenha sido iniciado, digamos, por volta do quarto século de nossa Era Comum, e que tenha continuado a ser escrito por dezenas de homens diferentes, de todas as rodas da vida, até os nossos dias?
Não existe tal livro. Mas, se existisse e se tivesse sido escrito desde o tempo do Império Romano, seguindo durante o período das monarquias e até o tempo das repúblicas hodiernas, por pessoas tão diferentes como soldados, reis, sacerdotes, pescadores, e até mesmo por pastores e por um médico, esperaria que cada parte desse livro tivesse a mesma maneira básica de tratar do assunto e que seguisse o mesmo tema central? Dificilmente!
No entanto, a Bíblia foi realmente escrita durante um período similar, sob diversos regimes políticos, por todas aquelas categorias de homens, e mais outras, e em três idiomas. Não obstante, ela é inteiramente harmoniosa. Sua mensagem básica tem o mesmo impulso do princípio ao fim. Não é isso espantoso?
Essa harmonia interna teria sido impossível sem algum espírito perene, unificador, permeando toda a equipe de escritores. Este espírito é a força ativa de Deus. O apóstolo Pedro atestou isso, dizendo: “Nenhuma profecia da Escritura procede de qualquer interpretação particular. Porque a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.” — 2 Ped. 1:20, 21.
Sob a exclusiva editoração divina, esses escritores bíblicos desenvolveram um único tema central: A vindicação da soberania de Jeová e o derradeiro cumprimento de seu propósito para com a terra, por meio de seu reino sob Cristo, o “Descendente” da promessa. (Veja o destaque na página 16.)
LIVRO DE PROFECIA
Talvez o maior motivo para se acreditar que a Bíblia não é a palavra de homem, mas sim de Deus, é que se trata dum livro de notáveis profecias. Os homens, com todo o seu sofisticado equipamento científico, ainda são incapazes de fazer regularmente previsões exatas do tempo, muito menos ainda de predizer centenas de acontecimentos. No entanto, a Bíblia contém literalmente centenas de profecias que se mostraram assombrosamente exatas. Não indica isso que o grande Mentor atrás de tais profecias é Aquele que declarou: “Eu sou Deus sem rival, Deus que não tem igual. Desde o princípio eu predisse o futuro, e predisse de antemão o que há de ser”? — Isa. 46:9, 10, The Jerusalem Bible.
Muitas das profecias mais importantes da Bíblia relacionam-se com o seu tema central: a vindicação de Deus por meio do reino do “Descendente” prometido. Para evitar toda a dúvida sobre a identificação correta do “Descendente”, Deus inspirou muitos profetas diferentes, para prover pormenores sobre o nascimento, a vida e a morte deste libertador prometido. Estas profecias sobre o “Descendente” ou “Messias” — das quais se contaram mais de 300 — cumpriram-se todas em Jesus Cristo.a
Alguns livres-pensadores tentaram sugerir que Cristo enquadrou-se a si mesmo nessas profecias e assim manipulou fraudulentamente seu cumprimento. Os livres-pensadores costumam orgulhar-se de serem bem lógicos. Mas, é válido afirmar que Jesus manipulou fraudulentamente seu próprio nascimento em Belém (Miq. 5:2; Mat. 2:1, 5, 6), da tribo de Judá (Gên. 49:10; Luc. 3:23, 33) e como descendente do Rei Davi? — Isa. 9:7; Mat. 1:1.
Outros talvez repliquem que, se Jesus era o Filho de Deus e viveu anteriormente no céu, podia ter programado seu nascimento humano para cumprir tais profecias. É verdade, mas usarem os livres-pensadores tal argumento anula o objetivo dele, que é precisamente negar que Jesus fosse outra coisa senão um homem normal.
E que dizer das circunstâncias da morte de Jesus: de ele ser golpeado, de se cuspir nele, de ser pregado numa estaca, e (algo bem excepcional para alguém executado numa estaca) de não se lhe quebrar nenhum dos ossos? (Isa. 50:6; Miq. 5:1; Isa. 53:5; Sal. 34:20; Mat. 27:26, 30; Luc. 23:33; João 19:33-36) Será que Jesus manipulou fraudulentamente também essas coisas? Impossível! De modo que se tratava de profecias verdadeiras, escritas mais de 700 anos antes de seu cumprimento. Este é, de fato, um poderoso testemunho em favor da fidedignidade da Bíblia!
Uma das profecias mais notáveis, e cujo cumprimento foi amplamente confirmado pela história secular, foi Jesus predizer a destruição de Jerusalém. Não se tratava apenas duma predição assim como qualquer prognosticador político astuto poderia ter feito, visto que os judeus jaziam sob o domínio romano. Ela incluía pormenores que nenhum futurólogo poderia ter previsto. Quem poderia ter imaginado que, em 66 E.C., o comandante romano, Céstio Galo, retiraria suas tropas de Jerusalém “sem qualquer motivo no mundo”, conforme o expressou Josefo, justamente quando a cidade estava prestes a cair nas suas mãos qual fruta madura? Mas Jesus havia predito tal oportunidade, para que pessoas fugissem da cidade assediada. (Luc. 21:20-22) Seus discípulos, que estavam esperando este sinal, puderam assim escapar. Daí, quase quatro anos mais tarde, em 70 E.C., ocorreu a destruição total de Jerusalém e de seu templo, assim como Jesus também predissera. — Luc. 19:41-44; Mat. 24:2.
A profecia de Jesus sobre a destruição da Jerusalém do primeiro século é do maior interesse para nós, visto que está interligada com a sua profecia sobre o fim do atual sistema iníquo e o estabelecimento do reino de Deus nas mãos do “Descendente” prometido. Assim como Jesus deu aos cristãos do primeiro século um sinal que os habilitou a saber que o fim de Jerusalém estava próximo e a fugir para a segurança, assim ele deu aos cristãos que vivem hoje o sinal pelo qual podem saber que seu reino está próximo.
Depois de falar sobre guerras internacionais, grandes terremotos, pestilências, escassez de víveres e a perseguição dos verdadeiros cristãos, Jesus mencionou “angústia de nações [e não só dos judeus]”, predizendo que os homens ficariam “desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada [não só sobre Jerusalém]”. (Luc. 21:10-19, 25, 26) Só estas expressões já desmentem a alegação de que sua profecia se cumpriu completamente na destruição de Jerusalém em 70 E.C. Sua profecia tinha obviamente um alcance muito mais amplo e estende-se ao tempo em que não só a Jerusalém apóstata, mas todas as religiões falsas e o restante do sistema iníquo de coisas de Satanás serão destruídos, para dar lugar à justa “nova terra que aguardamos segundo a sua promessa [i. e., a de Deus]”. — 2 Ped. 3:13.
Isto é confirmado pela própria pergunta que os discípulos de Jesus lhe fizeram, a saber: “Dize-nos: Quando sucederão estas coisas [que ele acabava de mencionar sobre a destruição de Jerusalém] e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas [do fim do mundo, Almeida, rev. e corr.]?” — Mat. 24:3.
Mostrando adicionalmente que o pensamento de Jesus ia muito além da destruição de Jerusalém e até o tempo em que voltaria novamente com poder, e se estabeleceria o reino de Deus, ele declarou: “Então verão o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. . . . Reparai na figueira e em todas as outras árvores: Quando já estão em flor, sabeis por vós mesmos, observando isso, que já está próximo o verão. Deste modo também vós, quando virdes estas coisas ocorrer [guerras, terremotos, pestilências, escassez de víveres, perseguição de cristãos, angústia de nações], sabei que está próximo o reino de Deus.” — Luc. 21:10-31.
Tão certamente como a profecia de Jesus sobre a destruição de Jerusalém mostrou-se veraz nos seus mínimos detalhes, assim também se cumprirá sua profecia sobre o fim do atual sistema iníquo de coisas. Vemos desde 1914 evidência abundante de que as profecias de Jesus, registradas em Mateus, capítulos 24 e 25, Marcos, capítulo 13, e Lucas, capítulo 21, estão em via de cumprimento. Depois de declarar que “todas essas coisas são um princípio das dores de aflição”, Jesus acrescentou: “E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” — Mat. 24:8, 14.
Sim, o atual tempo de “aflição” pressagia o cumprimento duma gloriosa esperança. “Estas boas novas do reino” estão sendo pregadas atualmente “em toda a terra habitada” pelas Testemunhas de Jeová. Elas estão proclamando em toda a parte as notícias mais maravilhosas, de que a soberania de Jeová Deus será em breve vindicada e de que Seu propósito para com a terra será cumprido, quando o Reino do “Descendente”, Jesus Cristo, destruir Os iníquos e cuidar de que se faça a vontade de Deus na terra, assim como no céu. (Mat. 6:9, 10) Então, todos os homens e mulheres que amarem a justiça, tanto os que sobreviverem ao fim do atual sistema como os milhões de ressuscitados, terão a oportunidade de viver para sempre na terra paradisíaca. — João 5:28, 29.
Esta é a maravilhosa esperança oferecida à humanidade na Bíblia. Os filósofos, os cientistas e os políticos deste mundo não lhe poderão oferecer nenhuma esperança assim. Então, por que rejeitar o único livro de esperança hoje existente, A BÍBLIA? As Testemunhas de Jeová terão prazer em ajudá-lo a conhecer melhor a Bíblia.
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As cidades encravadasA Sentinela — 1981 | 15 de maio
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As cidades encravadas
HAVIA cidades de determinado povo ou tribo que ficavam encerradas no território duma tribo diferente, chamadas em hebraico de mivdalóhth, ou “lugares separados”, “enclaves”. Exemplos modernos de enclaves são Berlim Ocidental, cercada pelo território da Alemanha Oriental, e a propriedade doada às Nações Unidas, encravada na cidade de Nova Iorque. Parte da antiga Jerusalém permanecia um enclave jebuseu dentro do território de Israel por quatro séculos, até que Davi finalmente a capturou. — Jos. 15:63; Juí. 1:21; 19:11, 12; 2 Sam. 5:6-9.
Na divisão da Terra da Promessa entre as doze tribos, havia cidades dentro do território geral de uma tribo que pertenciam a outra tribo. De acordo com Josué 16:9, “os filhos de Efraim possuíam cidades encravadas no meio da herança dos filhos de Manassés” (NM), quer dizer, “as cidades que se separaram para os filhos de Efraim, que estavam no meio da herança dos filhos de Manassés”. (Almeida, atualizada; veja também Josué 17:8, 9.) Alguns dos filhos de Manassés moravam em cidades dentro das fronteiras de Issacar e de Aser. — Jos. 17:11; 1 Crô. 7:29.
A herança de Simeão consistia em cidades que todas se encontravam no território de Judá, visto que a parte desta última tribo “mostrou ser grande demais para eles”. (Jos. 19:1-9) As quarenta e oito cidades administradas pelos levitas, inclusive as seis cidades de refúgio, eram todas enclaves no território de outras tribos. (Jos. 21:3-41) Assim se cumpriu a profecia de Jacó, no seu leito de morte, a respeito de Simeão e de Levi, de que ‘não teriam parte em Jacó, mas seriam espalhados em Israel’. — Gên. 49:7. — Tirado de Ajuda ao Entendimento da Bíblia, p. 517, em inglês.
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