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  • Um livro para toda a humanidade
    A Sentinela — 1975 | 1.° de setembro
    • Um livro para toda a humanidade

      O QUE esperaria dum livro que é para toda a humanidade? Certamente, teria de estar disponível em todas as línguas principais. Sua mensagem devia ter significado para você, leitor, habilitando-o a tirar o melhor da vida, mesmo já agora. Existe realmente tal livro?

      Sim, existe. É um livro bem antigo, que chegou a cada país e até mesmo às ilhas distantes e isoladas. Pode ser encontrado em simples choupanas e em casas modernas. Este mesmo livro foi traduzido inteiro ou em parte em mais de 1.525 línguas e dialetos, de modo que quase todos podem lê-lo no seu próprio idioma. Nenhum outro livro jamais atingiu a tiragem que ele tem. Cada ano distribuem-se em toda a terra muitos milhões de exemplares dele. Este livro é a Bíblia.

      Mas, pode este livro realmente ajudá-lo a tirar agora o melhor da vida? Milhões de pessoas, hoje em dia, acham que simplesmente não pode ser assim. Julgam a Bíblia pelo que sabem a respeito dos que professam segui-la. Ficam abismadas com os antecedentes vergonhosos que a cristandade estabeleceu na forma de horríveis guerras, preconceitos, ódios, opressões e explorações. Acham que, se isto é o que fazem as pessoas e as nações que possuem a Bíblia, não querem ter nada que ver com ela.

      No entanto, conforme sabe, a mera posse dum livro não significa que seu dono adote os princípios que apresenta. Muitos têm na sua biblioteca livros que promovem idéias que eles não apóiam. Não se poderá dar isto também com os milhões que têm a Bíblia?

      Muitas organizações religiosas que afirmam representar a Bíblia deram pleno apoio pelas guerras egoístas violentas deste século vinte. Tiveram nisso o apoio da Bíblia? Alguns procuram justificar sua atuação por apontar para as guerras mencionadas na Bíblia. De fato, Deus usou certas pessoas e nações para guerrear contra outras, a fim de executar nelas seu julgamento, por causa da iniqüidade delas. Mas nenhuma pessoa ou nação pode hoje afirmar ser usada assim.

      A Bíblia condena fortemente os que travam guerras egoístas. Lemos:

      “Donde procedem as guerras e donde vêm as lutas entre vós? Não vêm disso, a saber, dos vossos desejos ardentes de prazer sensual, que travam um combate nos vossos membros? Desejais, e ainda assim não tendes. Prosseguis assassinando e cobiçando, contudo, sois incapazes de obter. Prosseguis lutando e guerreando. Não tendes porque não pedis. Pedis, e ainda assim não recebeis, porque estais pedindo com propósito errado, para que o possais gastar nos vossos desejos ardentes de prazer sensual.” — Tia. 4:1-3.

      O que é muitas vezes responsável pelas guerras egoístas são os sentimentos de superioridade racial, nacional ou tribal. Incentiva a Bíblia tais sentimentos? Não; ela mostra que aquilo que conta perante Deus não é a posição da pessoa na vida, nem sua raça ou origem nacional, mas aquilo que é como pessoa. Note as seguintes normas explícitas expressas na Bíblia: “Deus não é parcial, mas, em cada nação, o homem que o teme e que faz a justiça lhe é aceitável.” (Atos 10:34, 35) “Ele fez de um só homem toda nação dos homens.” — Atos 17:26.

      De modo similar, a Bíblia não toma o partido dos que oprimem e exploram seu próximo. Encontramos as seguintes palavras dirigidas a opressores e exploradores:

      “Chorai e lamentai a desgraça que descende sobre vós. Vossas riquezas apodreceram; vossas roupas finas estão carcomidas de traças; vossa prata e vosso ouro enferrujaram e sua própria ferrugem será evidência contra vós e consumirá vossa carne qual fogo. Acumulastes riqueza numa era que está perto de seu fim. Os salários que nunca pagastes aos homens que ceifaram os vossos campos clamam alto contra vós, e o clamor dos ceifeiros atingiu os ouvidos do Senhor dos Exércitos. Vivestes na terra em luxo devasso, cevando-vos qual gado — e o dia da matança já chegou.” — Tia. 5:1-5, Nova Bíblia Inglesa.

      O modo de vida recomendado na Bíblia é o de amor, de interesse altruísta no bem-estar dos outros. “Não devam nada a ninguém”, admoesta ela. “A única dívida que devem ter é o amor uns aos outros. Quem ama os outros obedece a Lei. Os mandamentos: ‘Não cometa adultério, não mate, não roube, não cobice’ — todos estes e ainda outros mais são resumidos num mandamento só: ‘Ame seu próximo como a você mesmo.’” — Rom. 13:8-10, A Bíblia na Linguagem de Hoje.

      Certamente tiraria proveito se as pessoas na sua vizinhança, aldeia ou cidade fizessem o máximo para aplicar esta admoestação excelente. Não se sentiria muito mais protegido e seguro no seu lar? Não seria um alívio viver entre pessoas que não se empenham em fraude, roubo, furto ou vandalismo? Por outro lado, também, os que mostram genuíno amor ao próximo são muito mais felizes. Estão livres das invejas e dos ciúmes que surgem de se querer o que os outros têm. Não sentem a angústia e dor dos solteiros ou casados que procuram satisfazer suas paixões fora do arranjo marital. Evitam as repugnantes doenças venéreas, a gravidez fora do matrimônio e o rompimento do lar.

      Apesar dos benefícios evidentes derivados da demonstração da espécie de amor que a Bíblia recomenda, muitos não querem mudar de proceder. Isto realmente poderá causar-lhe dificuldades e poderá tentá-lo a adotar atitudes egoístas. Mas, isso não melhoraria a situação, não é verdade?

      Não obstante, alguns talvez pensem: “Por que devo estudar a Bíblia? Não prejudico a ninguém. Procuro fazer o que é direito.”

      Talvez tenha ouvido outros expressar-se de modo similar. Mas, não seria valioso descobrir se a Bíblia lhe pode ajudar a ter maior alegria na vida? Milhões de homens e mulheres inteligentes estão convencidos de que a Bíblia fornece a melhor orientação para a vida. Será que têm razão? É a Bíblia apenas o produto de sábios da antigüidade ou origina-se duma fonte mais elevada do que os homens? Poderá ajudá-lo a usufruir agora o melhor da vida e a obter um futuro seguro para si e seus amados?

  • É a Bíblia apenas produto de sabedoria humana?
    A Sentinela — 1975 | 1.° de setembro
    • É a Bíblia apenas produto de sabedoria humana?

      PARA MUITOS, a Bíblia é apenas um livro escrito por homens sábios da antigüidade. Contudo, isso não é o que a própria Bíblia diz. Ela afirma ser livro inspirado por Deus. (2 Sam. 23:2; 2 Tim. 3:16; 2 Ped. 1:20, 21) Se esta afirmação for verdadeira, deveremos poder achar nas suas páginas evidência convincente de que não pode ser apenas produto de homens sábios de antanho.

      Encontramos tal evidência? É o fundo de conhecimento contido na Bíblia superior ao que se encontra em outras fontes antigas sobre os mesmos assuntos? Está livre dos conceitos errôneos que prevaleciam no tempo em que se escreveram as suas diversas partes? Como suporta a Bíblia o exame à luz do conhecimento atual?

      CONHECIMENTO SOBRE A TERRA

      Hoje sabemos como fato que a terra não repousa sobre nenhum apoio físico. Mas não foi isso o que as pessoas em geral acreditavam no tempo em que se escreveram as partes mais antigas da Bíblia. Um conceito comum daquele tempo era que quatro elefantes em pé sobre uma grande tartaruga marítima sustentavam a terra, a qual era descrita como prato circular.

      Foi a Bíblia influenciada por tais idéias? Não. Lemos em Jó 26:7: “[Deus] estende o norte sobre o vazio, suspende a terra sobre o nada.” Esta declaração exata tem impressionado os eruditos bíblicos por muito tempo. Um deles, F. C. Cook, escreveu no século dezenove: “Apresenta um protesto singularmente forte contra as superstições prevalecentes entre todos os pagãos . . . Jó não sabe nada sobre alicerces sólidos que sustentassem a vasta expansão da terra. Como Jó sabia da verdade, demonstrada pela astronomia, que a terra está suspensa no espaço vazio, é uma questão que não é facilmente solucionada pelos que negam a inspiração das Escrituras Sagradas.”

      Esta informação, na Bíblia, sobre a terra é apenas incidental na mensagem geral. O objetivo principal da Bíblia é fornecer orientação segura para se viver em harmonia com a vontade de Deus. Portanto, é lógico que aquilo que diz deve ser muito superior ao que homens imperfeitos, que não a seguem, têm recomendado e continuam a recomendar como orientação.

      MEDICAMENTE CORRETA

      Tome, por exemplo, a Lei dada mediante Moisés à nação de Israel há uns três milênios e meio atrás. Um dos seus objetivos era proteger a saúde e o bem estar do povo. A obediência a ela acarretava a promessa de que os israelitas passariam bem do ponto de vista da saúde. (Veja Êxodo 15:26; Levítico 26:14-16.) Estava esta promessa sem base? Ou se deu que as medidas da lei mosaica contribuíram definitivamente para ela?

      Até mesmo depois de se dar a Lei aos israelitas, as grandes civilizações não estavam muito adiantadas quanto aos conceitos médicos. O médico e erudito francês Georges Roux escreve: “O diagnóstico e prognóstico dos médicos mesopotâmicos eram uma mistura de superstição e observação exata.” A respeito dos médicos do Egito e seus remédios, lemos: “Dos antigos papiros médicos preservados, dos quais o maior é o Papiro Ebers, sabemos que o conhecimento médico desses médicos era puramente empírico, na maior parte mágico e inteiramente não-científico. Apesar de suas amplas oportunidades, não sabiam quase nada sobre a anatomia humana.” — The International Standard Bible Encyclopaedia, Vol. IV, p. 2393.

      A maioria das receitas no Papiro Ebers não só eram sem valor algum, mas muitas delas eram bastante perigosas. Isto se dava especialmente com remédios que envolviam o uso de excremento humano ou animal. Para tratar lesões remanescentes depois de cair a escara, devia-se aplicar como cataplasma excremento humano dum escriba, bem misturado com leite fresco. Um remédio para extrair lascas era: “Sangue de minhoca, cozinhe e esmague em Azeite; Toupeira, mate, cozinhe e coe em Azeite; esterco de Jumento, misture com Leite Fresco. Passe na ferida.” Tal uso de esterco, em vez de dar alívio, podia resultar numa variedade de infecções sérias, inclusive tétano ou trismo.

      Os regulamentos da lei mosaica não foram influenciados pelos conceitos errôneos encontrados no Papiro Ebers. Por exemplo, segundo aquela Lei, o excremento humano foi designado como algo impuro, a ser enterrado fora da vista. O regulamento que governava o acampamento militar declarava especificamente: “Terás fora do acampamento um lugar, onde vás satisfazer as necessidades da natureza, levando no cinto um pauzinho; e, tendo satisfeito a tua necessidade, cavarás, ao redor e cobrirás os excrementos com terra. (Deu. 23:12, 13, Matos Soares) O contraste entre a lei mosaica e o costume egípcio é realmente espantoso quando consideramos que Moisés, por quem Deus deu aos israelitas a lei, fora “instruído em toda a sabedoria dos egípcios”. — Atos 7:22.

      Se a sabedoria superior atrás de certas provisões da lei mosaica tivesse sido reconhecida em séculos mais recentes, poderiam ter sido impedidas muitas mortes. Há apenas um século atrás, só porque a classe médica na Europa não possuía nenhuma norma sanitária válida, a proporção das mortalidades era espantosa. Em muitas maternidades, cerca de uma em quatro mulheres faleciam de febre puerperal. Por quê? Os estudantes de medicina, depois de lidarem com cadáveres na sala de dissecação, iam diretamente para a maternidade e faziam exames sem mesmo lavarem as mãos. A infecção era transmitida dos mortos para os vivos. Um dos que notaram isso, o Doutor Semmelweis, na clínica obstétrica em Viena, na Áustria, mandou que os estudantes que faziam exames lavassem as mãos numa solução de cal clorada. As mortes na maternidade diminuíram drasticamente. Em vez de falecer cerca de uma em quatro, a proporção ficou sendo de um falecimento para cada oitenta mulheres.

      Mais tarde, Semmelweis trabalhou no seu país natal, a Hungria, e seus métodos obtiveram aceitação governamental. A classe médica da Europa, como um todo, porém, opôs-se à lavagem das mãos. O redator do jornal de medicina de Viena foi ao ponto de dizer que havia chegado o tempo de ‘parar com esta tolice de lavar as mãos com cloro’. Em 1861, Semmelweis publicou um registro de seus achados e métodos, enviando-o depois a destacados obstetras e sociedades médicas. O mundo da medicina respondeu desfavoravelmente. Numa conferência de médicos cientistas naturais alemães, a maioria dos oradores rejeitou a opinião médica, válida, de Semmelweis.

      Os médicos e cientistas da Europa do século dezenove consideravam-se como homens eruditos. Mas, sem que o soubessem, rejeitavam a sabedoria superior revelada milhares de anos antes nas provisões sanitárias da lei mosaica. Esta lei decretava que todo aquele que tocasse num cadáver tornava-se impuro e tinha de passar por um processo de purificação que incluía banhar-se e lavar as vestes. O período de impureza era estipulado em sete dias, durante os quais a pessoa impura devia evitar contato físico com outros. Todo aquele em que tocasse tornar-se-ia impuro até a noitinha daquele dia específico. Estas medidas serviram para proteger contra a transmissão de infecções mortíferas dos mortos para os vivos e de uma pessoa para outra. — Núm. 19:11-22.

      Pense nas muitas vidas que poderiam ter sido salvas se a profissão médica do século passado tivesse considerado a lei mosaica como procedente de Deus! Isto certamente teria resultado em terem muito maior cuidado ao lidarem com os vivos e os mortos.

      Em certos campos, a sabedoria atrás do que a Bíblia diz foi reconhecida apenas recentemente. Um caso pertinente é a injunção a respeito da circuncisão, dada a Abraão e mais tarde renovada na lei mosaica. Ela ordenava que a circuncisão só fosse realizada no oitavo dia após o nascimento do menino. (Gên. 17:12; Lev. 12:2, 3) Mas, por que o oitavo dia?

      Sabe-se agora que havia motivos físicos válidos que tornam o oitavo dia ideal. Só depois do quinto até o sétimo dia após o nascimento existe no organismo do bebê uma quantidade normal do elemento coagulador de sangue conhecido como “vitamina K”. Outro elemento coagulador, a protrombina, parece estar mais em evidência no oitavo dia do que em qualquer outro tempo durante a vida da criança. Baseado nesta evidência, o professor de medicina S. I. McMillen concluiu: “O dia perfeito para se fazer a circuncisão é o oitavo dia.” — None of These Diseases, p. 22, 23.

      Foi apenas por acaso que se escolheu o dia perfeito? É digno de nota que, embora outros povos tenham praticado por muito tempo a circuncisão, sabe-se definitivamente apenas dos influenciados pela Bíblia que eles circuncidam seus meninos no oitavo dia. Portanto, não é razoável aceitar a explicação da Bíblia, de que o Criador do homem prescreveu que este fosse o dia? Não é isto que devíamos esperar Daquele que indicou que a obediência à sua lei contribuiria para a preservação da saúde do povo?

      Que a Bíblia contém declarações de sabedoria notável não pode ser negado. Há definitivamente indicações claras de que a Bíblia não pode ser apenas produto da sabedoria humana. Ela contém declarações que revelam sabedoria não compartilhada pelos sábios do mundo no tempo em que foi registrada. Contudo, há um fator ainda mais forte que identifica a Bíblia como livro da parte de Deus. Qual é este fator?

      [Foto na página 517]

      Séculos antes de os homens verem a terra desde o espaço sideral, a Bíblia já declarava que ‘a terra está suspensa sobre o nada’.

      [Foto na página 519]

      Se a classe médica tivesse crido na Bíblia, teria-se poupado a vida de muitas mães.

  • Conhecimento que não pode vir de homens
    A Sentinela — 1975 | 1.° de setembro
    • Conhecimento que não pode vir de homens

      “NEM sabeis qual será a vossa vida amanhã. Porque sois uma bruma que aparece por um pouco de tempo e depois desaparece.” Estas palavras, citadas da Bíblia, expressam uma verdade inegável — que nós humanos não podemos dizer positivamente o que trará o amanhã. — Tia. 4:14.

      Em vista disso, não seria muito mais difícil, sim, impossível aos homens predizer eventos futuros com exatidão inerrante e em termos claros com séculos de antecedência? Não seria a presença de tais previsões ou profecias na Bíblia uma forte consubstanciação de sua afirmação de ser inspirada por Deus? Mas, existem tais profecias na Bíblia? Considere o seguinte:

      A SORTE DE BABILÔNIA E NÍNIVE

      Babilônia, construída em ambas as margens do rio Eufrates, era antigamente a capital impressionante do grande Império Babilônico. Cercada de palmeiras, equipada com um suprimento permanente de água e situada na rota comercial entre o Golfo Pérsico e o Mar Mediterrâneo, a cidade estava num lugar realmente ótimo. Não obstante, já mesmo antes de a condição de Babilônia mudar de mero satélite do Império Assírio para a da capital do Império Babilônico, conquistador do mundo, o profeta hebreu Isaías declarou no oitavo século A. E. C.: “Babilônia, ornato dos reinos, beleza do orgulho dos caldeus, terá de tornar-se como quando Deus derrubou Sodoma e Gomorra. Nunca mais será habitada, nem residirá ela por geração após geração. E o árabe não armará ali a sua tenda e os pastores não deixarão seus rebanhos deitar-se ali.” — Isa. 13:19, 20.

      Ninguém pode hoje negar o cumprimento destas palavras. Babilônia jaz em ruínas já por muitos séculos. Mesmo na primavera, não há ali nada para ovelhas ou cabras pastarem. Babilônia sofreu deveras um fim inglório. O administrador-chefe dos Museus Nacionais Franceses, André Parrot, disse:

      “A impressão que sempre me causou era de completa desolação. . . . [Os turistas] ficam em geral profundamente desapontados e quase que em uníssono exclamam que não há nada para ver. Esperam encontrar palácios; templos e a ‘Torre de Babel’; mostram-se a eles apenas massas de ruínas, a maioria delas de tijolos cozidos — quer dizer, blocos de argila secos ao sol, cinzentos e em desmoronamento e de nenhum modo impressionantes. A destruição efetuada pelo homem tem sido completada pelas devastações da natureza que ainda tira seu quinhão de tudo o que a escavação trouxe à luz. Desgastado ou minado pela chuva, pelo vento e pela geada, o monumento mais magnífico, se não for mantido em bom estado, voltará ao pó do qual foi recuperado. . . . Nenhum poder humano pode deter a incessante destruição. Não é mais possível reconstruir Babilônia; seu destino se cumpriu. . . . Babilônia . . . desapareceu completamente.” — Babylon and the Old Testament, págs. 13, 14.

      Do mesmo modo, Nínive, capital do Império Assírio, tornou-se ruína desolada. Isto também atesta o cumprimento exato da profecia bíblica. Falando sobre o que sobreviria a Nínive, o profeta Sofonias, no sétimo século A. E. C., declarou: “[Deus] reduzirá Nínive a uma solidão, árida como um deserto. Os rebanhos descansarão no meio dela.” — Sof. 2:13, 14, Missionários Capuchinhos.

      Ainda existe a evidência de que a vontade de Deus, conforme expressa nesta profecia, foi cumprida. Duas grandes elevações assinalam o lugar que antigamente era a orgulhosa capital assíria. No alto de uma destas elevações há um vilarejo, com cemitério e uma mesquita. Mas, na outra, com exceção de alguma grama e faixas de lavoura, não há nada. Na primavera, pode-se ver ali pastar ovelhas e cabras.

      Podia algum homem saber de antemão que tanto a poderosa Babilônia como Nínive acabariam assim? Podia algum homem saber de antemão que ovelhas e cabras pastariam no lugar da antiga Nínive, mas não seriam vistas no lugar da desolada Babilônia? Nem Isaías, nem Sofonias afirmavam ser os originadores de suas mensagens proféticas. Chamavam o que falavam de “palavra” ou mensagem do verdadeiro Deus, cujo nome é Jeová. (Isa. 1:1, 2; Sof. 1:1) Confrontados com o cumprimento exato de suas profecias, não temos bons motivos para aceitar o que disseram?

      Nenhum argumento quanto ao tempo da escrita ou coisa semelhante pode enfraquecer a força destas profecias cumpridas. Mesmo no primeiro século A. E. C., Babilônia ainda existia, embora não mais com a glória anterior. Não obstante, o Rolo de Isaías do Mar Morto (datado pelos eruditos como sendo do fim do segundo século ou princípio do primeiro século A. E. C.) contém a mesma profecia a respeito de Babilônia que os manuscritos posteriores. De modo que ninguém tem base alguma para afirmar que estas coisas foram registradas depois de acontecerem e se fez parecer como se fossem profecias. Tampouco pode alguém negar as ruínas a que Babilônia e Nínive foram reduzidas.

      AS PROFECIAS BÍBLICAS SÃO INCOMPARÁVEIS E PROPOSITADAS

      Naturalmente, alguns talvez tentem depreciar o testemunho da profecia bíblica, salientando que nos tempos antigos havia outros profetas que não afirmavam ser inspirados pelo Deus da Bíblia, Jeová. Mas o que prediziam tais outros profetas? Eram suas profecias de real valor? Note os comentários da Encyclopedia Americana (edição de 1956, Vol. 22, p. 664): “Não ficaram preservados nenhuns registros escritos, importantes, das pronunciações de quaisquer destes profetas fora do povo hebreu. . . . As profecias entre as outras nações, fora dos hebreus, eram comumente do tipo de clarividência, proferidas em resposta a perguntas específicas de pessoas, e, por isso, de nenhum valor geral ou permanente.” Portanto, a existência de outros profetas de modo algum desacredita o fato de que os profetas hebreus foram inspirados por Deus. Ao contrário, o grande contraste nos proferimentos proféticos serve para fortalecer a afirmação da Bíblia de ser mensagem de Deus.

      Além disso, as profecias registradas na Bíblia tinham um objetivo específico. Até mesmo quando indicavam uma vindoura destruição, como punição pela violação de normas justas de moral, as profecias inspiradas por Deus davam às pessoas e às nações a oportunidade de examinarem seriamente seus modos e tratos, fazer mudanças e escapar da calamidade. Foi assim com relação a todos os anúncios públicos, antecipados, do julgamento divino, como se evidencia na mensagem de Deus por meio de seu profeta Jeremias: “Em qualquer momento em que eu falar contra uma nação e contra um reino, para a desarraigar, e para a demolir, e para a destruir, e esta nação realmente recuar da sua maldade contra a qual falei, também eu vou deplorar a calamidade que pensei em executar sobre ela.” — Jer. 18:7, 8.

      Um caso pertinente é a profecia de Jonas, dirigida contra Nínive, no nono século A. E. C. Ele percorreu a cidade, dizendo: “Apenas mais quarenta dias e Nínive será subvertida.” (Jon. 3:4) Esta mensagem impressionou tanto os ninivitas, que se arrependeram de seus erros. O rei vestiu-se de serapilheira e decretou que todos os habitantes e animais domésticos jejuassem e também se vestissem de serapilheira. Por causa de seu arrependimento, os ninivitas escaparam da calamidade que de outro modo lhes teria sobrevindo no fim do período especificado de quarenta dias. — Jon. 3:5-10.

      Outro exemplo, neste respeito, envolve a profecia de Jesus Cristo predizendo que Jerusalém e seu templo seriam destruídos durante a vida da geração que ouviu suas palavras. Esta profecia indicava especificamente o modo de escape por meio de ação positiva. Jesus disse aos seus discípulos: “Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos acampados, então sabei que se tem aproximado a desolação dela. Então, comecem a fugir para os montes os que estiverem na Judéia, e retirem-se os que estiverem no meio dela, e não entrem nela os que estiverem nos campos.” — Luc. 21:20, 21.

      Como foram os discípulos de Jesus habilitados a acatar estas palavras proféticas? O raciocínio humano teria sugerido que, uma vez que as forças inimigas cercassem Jerusalém, seria perigoso demais para fugir. Mas, conforme indicado nos escritos do historiador judaico Josefo, do primeiro século, acontecimentos inteiramente inesperados abriram a via de escape.

      Foi no ano 66 E.C. que os exércitos romanos, sob o comando de Céstio Galo, vieram contra Jerusalém. A captura da cidade parecia certa. No entanto, estranhamente, Céstio não forçou o sítio até o fim. Josefo relata que ele “repentinamente mandou seus homens voltar, abandonou a esperança, embora não tivesse sofrido reveses, e agindo contrário a toda a razão, retirou-se da Cidade”. Esta virada inesperada dos acontecimentos forneceu aos que criam na profecia de Jesus a oportunidade necessária para abandonarem Jerusalém e a Judéia, achando segurança na região montanhosa ao leste do rio Jordão.

      Mas, o que aconteceu com os que não deram atenção à profecia de Jesus? Atravessaram um tempo de grande sofrimento. Por volta da época da Páscoa de 70 E. C., os exércitos romanos, então sob o comando de Tito, voltaram e sitiaram novamente Jerusalém. Embora o cerco durasse menos de cinco meses, os resultados foram medonhos. A cidade estava superlotada de celebrantes da Páscoa, e, visto que não havia meios de trazer alimentos à cidade, criaram-se condições de terrível fome. Dos cerca de 1.100.000 pessoas que, segundo os relatos, pereceram durante o cerco, a maioria caiu vítima da pestilência e da fome. Os 97.000 levados cativos (do começo ao fim da guerra) só tinham diante de si a degradação. Muitos foram sujeitos a trabalhos forçados no Egito e em Roma. Outros foram entregues para perecerem nas arenas das províncias romanas. Os de menos de dezessete anos de idade foram vendidos. Os jovens mais altos e bonitos foram reservados para a procissão triunfal dos romanos.

      Jerusalém e seu glorioso templo foram arrasados. Tudo o que restou em pé foi uma parte da muralha ocidental e três torres. “Todas as demais fortificações que rodeavam a Cidade”, escreveu Josefo, “foram tão completamente niveladas ao chão que ninguém, visitando o lugar, acreditaria que alguma vez fosse habitada”.

      É notável que a devastação fosse tão completa. Por quê? Porque não havia sido a intenção do General Tito. O historiador Josefo cita Tito como dizendo aos judeus: “Muito a contragosto assestei engenhos contra as vossas muralhas: contive os meus soldados, sempre sedentos de vosso sangue: depois de cada vitória, como se fosse uma derrota, apelei para vós por um armistício. Quando cheguei perto do Templo, de novo renunciei deliberadamente aos meus direitos de vencedor e apelei para vós que se poupassem os vossos próprios lugares sagrados e se preservasse o Santuário para o vosso próprio uso, oferecendo-vos liberdade para sair e garantia de segurança, ou, se quisésseis, uma oportunidade de lutar em outro campo.” Contudo, apesar das possíveis intenções originais de Tito, cumpriu-se a profecia de Jesus a respeito de Jerusalém e seu templo: “Não deixarão em ti pedra sobre pedra.” — Luc. 19:44; 21:6.

      Até o dia de hoje, na cidade de Roma, pode-se ver o Arco de Tito, comemorando sua captura bem sucedida de Jerusalém, em 70 E. C. O arco ergue-se como lembrete silencioso de que a falha de não dar ouvidos ao aviso da verdadeira profecia, preservada na Bíblia, resulta em desastre.

      Seja também notado que Jesus Cristo não afirmava ser o originador do que ele predizia. Igual aos profetas hebraicos antes dele, reconhecia a verdadeira fonte de inspiração como sendo Deus. Numa ocasião, ele disse a certos judeus: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou. Se alguém desejar fazer a Sua vontade, saberá a respeito do ensino se é de Deus ou se falo de minha própria iniciativa.” (João 7:16, 17) Portanto, o cumprimento das declarações proféticas de Jesus confirmaria serem elas a “palavra” de Deus.

      BENEFÍCIO ATUAL DA PROFECIA BÍBLICA

      Visto que atuar em harmonia com a palavra profética no passado muitas vezes resultou na preservação da vida, isso certamente salienta a importância de considerá-la hoje. Embora registradas há muitos séculos atrás, numerosas profecias ainda estão para cumprir-se e exigem ação positiva. Elas incluem profecias a respeito do iminente fim de toda corrução, injustiça e opressão.

      O mesmo que predisse a destruição de Jerusalém e de seu glorioso templo, Jesus Cristo, profetizou também sobre um grandioso livramento do atual sistema iníquo de coisas, presenciado pelos seus discípulos nos nossos dias. Quanto aos acontecimentos que marcariam a proximidade deste livramento, Jesus indicou que haveria um período muito desolador e tenebroso. Seria como se o sol, a lua e as estrelas não servissem mais quais luminares, deixando os homens andando às cegas na escuridão. (Mat. 24:29) “Na terra”, disse Jesus, “aflição dos povos, devido à confusão causada pelo bramido do mar e das ondas; os homens definharão pelo temor e pelo pressentimento do que estará para suceder ao mundo inteiro.” — Luc. 21:25, 26, José Dias Goulart.

      Enquanto tudo isso acontecesse, seus seguidores não precisariam deixar a cabeça cair em desespero e desânimo. Jesus continuou: “Quando isso tudo começar a suceder, olhai para o alto e levantai a cabeça, porque se aproxima a vossa libertação.” Daí, ele ilustrou esse ponto, dizendo: “Olhai a figueira e todas as árvores: Quando já brotam, ao contemplar compreendeis, por vós mesmos, que está perto o verão. Assim também vós, quando virdes que isso tudo se realiza, ficai sabendo que está perto o Reino de Deus.” — Luc. 21:28-31, J. D. G.

      Não se dá hoje que homens que se apercebem das tendências mundiais temem muito o que está à frente? Não se tornam a superpovoação, a escassez de víveres, o crime e a violência, a poluição da terra, do ar e do mar, bem como a insegurança econômica, problemas cada vez mais sérios, com os quais homens e nações são incapazes de lidar com bom êxito? Houve alguma vez um tempo antes do irrompimento da Primeira Guerra Mundial em que a humanidade se confrontava com tal multidão de problemas? Portanto, não há indícios claros de que definitivamente devemos estar vivendo no período de temor e tribulação sem precedentes predito por Jesus Cristo? Claro que sim!

      Isto significa que deve estar muito perto uma grandiosa libertação por meio do reino de Deus. Este reino, segundo a profecia bíblica, é um governo justo que livrará esta terra de todas as influências corrompedoras e trará uma era de verdadeira paz e segurança. — Dan. 2:44; 2 Ped. 3:13.

      A Bíblia o habilitará a aprender mais sobre este reino e como poderá chegar a estar entre os que compartilharão na grandiosa libertação que trará. Conforme se evidencia no cumprimento exato de suas profecias, pode-se confiar na Bíblia como a mensagem de Deus para toda a humanidade. Certamente, não desejará ser assim como os conterrâneos incrédulos de Jesus, que poderiam ter escapado da calamidade no primeiro século, se apenas tivessem agido em harmonia com a palavra profética. Deveras, que modo melhor poderia haver do que gastar parte de seu tempo em tomar ação positiva para se informar sobre assuntos que poderão levar a um futuro seguro e feliz para si e para os seus entes queridos?

      [Foto na página 522]

      Poderia algum homem ter sabido de antemão que a poderosa Babilônia se tornaria em ruínas onde nem mesmo rebanhos pastariam . . .?

      [Foto na página 523]

      . . . mas que Nínive, quando também em ruínas, se tornaria lugar de pastagem para rebanhos?

      [Foto na página 524]

      O Arco de Tito em Roma confirma a veracidade da Palavra profética de Deus.

  • A Bíblia — escrita por homens, contudo, mensagem de Deus
    A Sentinela — 1975 | 1.° de setembro
    • A Bíblia — escrita por homens, contudo, mensagem de Deus

      1. Do ponto de vista humano, que espécie de homens eram os escritores da Bíblia?

      A Bíblia foi escrita por cerca de quarenta homens, durante um período de uns dezesseis séculos. Estes homens eram imperfeitos, sujeitos a fraquezas e erros. Como homens, não diferiam em nada das outras pessoas. Um deles, Paulo, disse a homens que encaravam erroneamente a ele e seu companheiro missionário Barnabé como deuses: “Nós também somos humanos, tendo os mesmos padecimentos que vós.” (Atos 14:15) Do ponto de vista humano, muitos dos escritores bíblicos não eram homens de grande erudição e capacidade. Entre eles havia homens muito comuns, homens com ocupações tais como pastores e pescadores.

      2. Como foi possível que homens imperfeitos produzissem um registro que na realidade é a “palavra” de Deus?

      2 Então, como foi possível que tais homens imperfeitos produzissem um registro que na realidade é mensagem de Deus? Não escreveram de seu próprio impulso, mas foram inspirados por Deus. “Toda a Escritura é inspirada por Deus”, disse o apóstolo Paulo a respeito da parte das Escrituras Sagradas disponível no seu tempo. — 2 Tim. 3:16.

      3, 4. Por que são potencialmente perigosas as dúvidas sobre a inspiração da Bíblia?

      3 Talvez aceite a Bíblia como sendo a Palavra inspirada de Deus. Mas, quão forte é sua aceitação? Suportaria uma prova? O profeta Jeremias disse: “A palavra de Jeová tornou-se para mim uma causa para vitupério e para troça, o dia inteiro.” (Jer. 20:8) Estaria disposto a sofrer ultrajes verbais, maus tratos físicos e até mesmo a morte por causa dela? Sob a pressão do sofrimento e da oposição, até mesmo as dúvidas mais ligeiras a respeito da inspiração da Palavra de Deus podem dar margem para dúvidas maiores, minando a fé e enfraquecendo a resistência da pessoa à tentação. (Tia. 1:6) No entanto, se estiver realmente convencido de que a Bíblia é a Palavra de Deus e que viver segundo ela é a única coisa certa a fazer, estará em situação muito melhor para suportar a pressão e resistir a adotar um proceder de conveniência.

      4 Quem raciocinar que a Bíblia — pelo menos em parte — talvez seja simplesmente produto do raciocínio humano, poderá tentar justificar sua desconsideração do que ela diz na tentativa de escapar de dificuldades. Contudo, ao fazer isso, na realidade poderá sacrificar a perspectiva de vida eterna. Jesus Cristo disse: “Todo aquele que buscar manter a sua alma a salvo para si mesmo, perdê-la-á, mas todo aquele que a perder, preservá-la-á viva.” (Luc. 17:33) Portanto, é muito mais do que de interesse passageiro considerar agora como a Bíblia, livro escrito por homens, é realmente a Palavra de Deus. Nossa própria vida está envolvida nisso.

      COMO OS ESCRITORES BÍBLICOS RECEBERAM SUA INFORMAÇÃO

      5. Que papel desempenhava o ditado direto na produção do registro bíblico?

      5 Entre os “muitos modos” usados para transmitir a mensagem de Deus aos homens na terra estava o ditado direto. (Heb. 1:1, 2) As partes ditadas da Bíblia incluem os Dez Mandamentos (também supridos em forma escrita em duas tábuas de pedra) e todas as outras leis e regulamentos no pacto de Deus com os israelitas. Jeová Deus transmitiu este pacto da Lei mediante anjos. (Atos 7:53) Depois, mandou-se a Moisés: “Escreve para ti estas palavras.” (Êxo. 34:27) Outros profetas, além de Moisés, também receberam mensagens específicas, e estas foram depois assentadas por escrito. (Por exemplo, veja 2 Samuel 7:5-16; Isaías 7:3-9 e Jeremias 7:1-34.) Estas mensagens específicas usualmente foram proferidas pelo anjo representativo de Deus. — Gên. 31:11-13.

      6. Descreva a natureza dos sonhos, das visões e dos transes, e seu papel na transmissão da mensagem de Deus aos homens.

      6 Às vezes, Jeová Deus fazia uso de sonhos, visões e transes, para comunicar sua mensagem aos humanos. (Núm. 12:6; 1 Sam. 3:4-14; 2 Sam. 7:17; Dan. 9:20-27) Em caso de sonhos ou “visões noturnas”, sobrepunha-se à mente da pessoa adormecida um quadro animado que transmitia a mensagem ou o propósito de Deus. Outros que tinham visões estavam plenamente acordados e a informação gravava-se na mente consciente deles em forma pictórica. (Mat. 17:2-9; Luc. 9:32) Algumas visões eram dadas à pessoa depois de ela cair em transe. Embora consciente, a pessoa ficava tão absorta na visão, que não se apercebia de nada em volta dela. (Atos 10:10-16; 11:5-10) Depois, os escritores bíblicos que recebiam informações por meios tais como sonhos, visões ou transes, tinham de escolher palavras e expressões para descrever em termos significativos o que haviam visto. — Hab. 2:2; Rev. 1:1, 11.

      7. Como obtiveram os escritores bíblicos a informação para as partes históricas?

      7 Uma parte considerável da Bíblia narra história — o que se passou com pessoas, famílias, tribos e nações. Como obtiveram os escritores bíblicos esta informação? Às vezes presenciaram os próprios acontecimentos que registraram. Muitas vezes, porém, tiveram de recorrer a outras fontes, consultando relatos históricos e genealogias já existentes, ou mesmo pessoas em condições de fornecer informação fidedigna, de primeira mão ou de outro modo. Isto exigia pesquisa extensa e cuidadosa da parte do escritor. Esdras, sacerdote e copista perito, usou cerca de vinte fontes documentárias para compilar os dois livros de Crônicas. O médico Lucas, escrevendo a respeito de seu Evangelho, observou: “Tendo pesquisado todas as coisas com exatidão, desde o início, resolvi escrevê-los . . . em ordem lógica.” (Luc. 1:3) A matéria histórica (contida em Gênesis e no livro de Jó) a respeito da origem do homem e dos primitivos acontecimentos, palestras nos céus invisíveis, e coisas assim, foi revelada por Deus quer aos escritores, quer inicialmente a outros. Quando dada a conhecer a pessoas que não eram os escritores, deve ter sido transmitida verbalmente ou em forma escrita até a ocasião em que se tornou parte do registro bíblico.

      8. Qual era a fonte de muitas declarações sábias e de grande parte do conselho encontrado na Bíblia?

      8 A Bíblia contém, além de história, uma abundância de declarações e conselhos sábios. Os escritores recorriam às suas próprias experiências e às de outros, segundo o fundo de estudo e de aplicação das Escrituras que tinham disponíveis. Lemos na Bíblia vez após vez declarações que ilustram isso. O salmista Davi declarou a respeito do que tinha visto quanto ao cuidado de Deus para com seus servos: “Fui moço, e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão.” (Sal. 37:25, Almeida, atualizada) O escritor sábio de Eclesiastes, Salomão, filho de Davi, concluiu à base do que havia observado: “Para o homem não há nada melhor do que comer, e deveras beber, e fazer sua alma ver o que é bom por causa do seu trabalho árduo. Isto também tenho visto, sim eu, que isto procede da mão do verdadeiro Deus.” (Ecl. 2:24) O arranjo da matéria baseada na experiência humana exigia do escritor esforço diligente. Isto se evidencia em Eclesiastes 12:9, 10, onde lemos: “O congregante se tornara sábio, ele ensinou também ao povo continuamente o conhecimento, e ponderou e fez uma investigação cabal, a fim de pôr em ordem muitos provérbios. O congregante procurou achar palavras deleitosas e a escrita de palavras corretas de verdade.”

      O PAPEL DO ESPÍRITO DE DEUS

      9. Significa o envolvimento de muito esforço humano na escrita da Bíblia que as Escrituras Sagradas são a mensagem de Deus apenas de modo limitado?

      9 Visto que a escrita da Bíblia envolvia tanto esforço humano, significa isso que a Bíblia é a Palavra de Deus apenas de modo limitado? São apenas as partes divinamente ditadas que constituem a mensagem de Deus? Não, porque toda a Bíblia, não apenas partes dela, é inspirada por Deus. Isto se dá porque Jeová Deus, por meio de sua força ativa ou espírito, orientou os escritores da Bíblia. Reconhecendo isso, o salmista Davi declarou: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua.” — 2 Sam. 23:2.

      10. Ilustre o que se quer dizer com a expressão ‘Palavra de Deus’, conforme se relaciona com matéria bíblica.

      10 A “palavra” de Deus na língua de Davi não era uma única “palavra”, mas sim uma mensagem composta. Isto se torna claro do modo em que a Bíblia usa o termo “palavra”. Por exemplo, um dos ajudantes do profeta Eliseu disse ao chefe do exército israelita, Jeú: “Tenho uma palavra para ti, ó chefe.” (2 Reis 9:5) Esta palavra mostrou ser a mensagem de Deus. Nomeava Jeú como a escolha de Deus para o reinado do reino das dez tribos de Israel e o comissionava para executar o julgamento contra a casa real de Acabe. (2 Reis 9:6-10) De modo similar, com evidente referência a uma mensagem e não a uma única “palavra”, lemos em Jeremias 23:29: “‘Não é a minha palavra correspondentemente como um fogo’, é a pronunciação de Jeová, ‘e como o malho que despedaça o rochedo?’” Nenhuma única “palavra” pode ter tal efeito devastador, mas sim uma mensagem vigorosa, quando posta em vigor. Como usou Deus seu espírito para pôr mensagens tão poderosas na mente dos escritores da Bíblia e para garantir que continuassem a ser Sua “palavra”?

      11. Como se dá que a profecia bíblica não “procede de qualquer interpretação particular”?

      11 A Bíblia nos informa a respeito do papel que o espírito de Deus desempenhava com relação à profecia: “Nenhuma profecia da Escritura procede de qualquer interpretação particular. Porque a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.” (2 Ped. 1:20, 21) Isto significa que a profecia bíblica não era o resultado da própria análise e interpretação do escritor quanto aos eventos humanos e tendências atuais e do que pensava em que iam resultar. Antes, a mente do escritor foi estimulada pelo espírito de Deus e induzida a expressar a mensagem inspirada, em geral, nas suas próprias palavras. De modo que as palavras eram as do escritor, mas a mensagem era a de Jeová Deus.

      12. Que papel desempenhava o espírito de Deus em orientar o registro de acontecimentos passados?

      12 Mas, não se escreveu a matéria que se tornou parte da Bíblia muitas vezes anos depois de ocorrerem os acontecimentos descritos? Sim, isto é verdade, por exemplo, a respeito dos relatos sobre o ministério terrestre de Jesus. Não obstante, o espírito de Deus era responsável pela produção dum registro exato. Isto se evidencia nas palavras de Jesus aos seus discípulos: “O ajudador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar todas as coisas que eu vos disse.” (João 14:26) Portanto, o espírito de Deus era responsável pela recordação exata da informação incluída no registro bíblico.

      13. Que evidência há de que o espírito de Deus orientou a seleção de matéria que foi incluída na Bíblia?

      13 Jeová Deus, por meio de seu espírito, cuidou também que aquilo que era registrado fosse segundo o seu propósito, provendo instrução essencial aos desejosos de ser e permanecer seus servos aprovados. Orientou a seleção da matéria a ser incluída. É por isso que o apóstolo Paulo pôde dizer: “Todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras tivéssemos esperança.” (Rom. 15:4) E com referência específica ao que aconteceu com os israelitas no tempo de Moisés ele observou: “Estas coisas lhes aconteciam como exemplos [“em figura”, Mateus Hoepers] e foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas [judaicos] de coisas.” — 1 Cor. 10:11.

      14. “Montou” Jeová Deus a encenação de acontecimentos que envolviam a transgressão dos israelitas, para que tais coisas fossem registradas como aviso para os cristãos? Explique isso.

      14 Não devemos concluir disso que, em cada caso, Deus agiu como grande “Dramaturgo”, encenando deliberadamente acontecimentos que proveriam exemplos dos quais seus servos em tempos posteriores pudessem tirar lições de aviso e encorajamento. Não, mas assim como nos acontecimentos mencionados pelo apóstolo, os israelitas reagiam às situações segundo sua própria escolha e desejo, quando caíam vítimas de murmurações, idolatria e fornicação. (1 Cor. 10:1-10) Visto que os israelitas eram o povo pactuado de Deus, cederem à tentação reforça a advertência dada a seguir pelo apóstolo: “Quem pensa estar de pé, acautele-se para que não caia.” — 1 Cor. 10:12.

      15. Como mostra a carta de Judas que o espírito de Deus orientou a seleção da matéria?

      15 Portanto, em vez de causar muitos destes acontecimentos, Jeová Deus simplesmente deixou que muitas situações se desenvolvessem no seu rumo natural e depois fez com que os escritores registrassem aquilo de que Deus sabia que seria de valor no futuro. Que a seleção de matéria para o registro bíblico de fato foi orientada pelo espírito de Deus é bem ilustrado no caso da carta do discípulo Judas. Judas tencionava originalmente escrever sobre a salvação que os cristãos ungidos pelo espírito têm em comum. No entanto, sob a influência do espírito de Deus, discerniu que os concrentes precisavam de outra coisa para lidar com a situação com que se confrontavam. Explicando o motivo de ele se desviar de sua intenção original, escreveu: “Amados, embora eu tivesse feito todo esforço para vos escrever a respeito da salvação que temos em comum, achei necessário escrever-vos para vos exortar a travardes uma luta árdua pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos. A minha razão é que se introduziram sorrateiramente certos homens que há muito têm sido designados pelas Escrituras para este julgamento, homens ímpios, que transformam a benignidade imerecida de nosso Deus numa desculpa para conduta desenfreada e que se mostram falsos para com o nosso único Dono e Senhor, Jesus Cristo.” (Judas 3, 4) O que Judas apresentou a seguir, sob a direção do espírito de Deus, foi exatamente o que os concrentes necessitavam para resistir às influências corrompedoras.

      16. Tomavam os escritores bíblicos às vezes a iniciativa em apresentar matéria? Explique isso.

      16 Significa a orientação do espírito de Deus para a escolha de matéria para a narrativa bíblica que os envolvidos na escrita não tomavam nenhuma iniciativa pessoal quanto ao assunto de sua escrita? Não; muitas vezes tinham certos fins em mira e escreveram concordemente. Responderam a certas perguntas ou tentaram esclarecer pontos que haviam dado margem a mal-entendidos. Um exemplo disso é a segunda carta do apóstolo Paulo à congregação em Tessalônica. Alguns naquela congregação haviam concluído erroneamente que a presença de Jesus Cristo, no poder régio, era iminente. Também, havia uns que não tinham tomado a peito seu conselho anterior de ‘trabalharem arduamente e andarem decentemente para com os de fora da congregação’. A segunda carta de Paulo tocou nisso e revelou o conceito cristão correto sobre estes pontos. (1 Tes. 4:10-12; 2 Tes. 2:1-3; 3:10-15) Visto que os escritores bíblicos, tais como Paulo, eram dóceis para com a orientação do espírito de Deus, o que escreveram estava em plena harmonia com o propósito de Deus e por isso fidedigno.

      OPINIÕES HUMANAS — COM OU SEM APOIO DIVINO?

      17, 18. Como devemos entender as declarações do apóstolo Paulo sobre ‘dar a sua própria opinião’?

      17 Mas, que dizer das ocasiões em que os escritores bíblicos pareciam expressar a sua própria opinião? Por exemplo, tome as seguintes declarações do apóstolo Paulo: “Aos outros digo eu, sim, eu, não o Senhor . . .” “Agora, concernente às virgens, não tenho mandado da parte do Senhor, mas dou a minha opinião.” “Ela [a viúva] será mais feliz, porém, se permanecer assim como está [quer dizer, sem se casar], segundo a minha opinião. Acho certamente ter também o espírito de Deus.” (1 Cor. 7:12, 25, 40) O que queria Paulo dizer com tais declarações?

      18 O apóstolo não podia citar um ensino direto do Senhor Jesus Cristo sobre os pontos em consideração e por isso expressava sua “opinião”. No entanto, escrevia sob a direção do espírito de Deus, e, por isso, sua opinião tinha orientação divina e expressava o conceito do próprio Deus. Isto é confirmado por ter o apóstolo Pedro classificado as cartas de Paulo junto com as demais Escrituras, dizendo: “Considerai a paciência de nosso Senhor como salvação, assim como vos escreveu também o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando destas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas, porém, há algumas coisas difíceis de entender, as quais os não ensinados e instáveis estão deturpando, assim como fazem também com o resto das Escrituras, para a sua própria destruição.” — 2 Ped. 3:15, 16.

      19. Em que sentido é a Bíblia a mensagem de Deus?

      19 Assim se pode ver que a Bíblia, como um todo, é a “palavra” ou mensagem de Deus, visto que tudo foi registrado sob a direção de seu espírito para servir seu propósito e apresentar os assuntos fatualmente. Sempre que a Bíblia cita as declarações de homens ou narra o que fizeram sob certas circunstâncias, os textos bíblicos circundantes esclarecem se o proceder deles deve ser imitado ou evitado, se o raciocínio deles deve ser aceito ou rejeitado.

      20. Explique como alguém poderia usar a Bíblia de tal modo, que atribuísse a Deus os conceitos de homens imperfeitos.

      20 Tome como exemplo o livro de Jó. Grandes partes daquele livro tratam dos conceitos errôneos expressos pelos três companheiros de Jó e às vezes pelo próprio Jó. Tais conclusões erradas e aplicações errôneas dos fatos claramente não foram inspiradas por Deus. Como ilustração disso, Elifaz, companheiro de Jó, acusou Deus erroneamente: “Não confia nem nos seus santos, e os próprios céus não são realmente puros aos seus olhos.” (Jó 15:15) Jeová Deus repreendeu mais tarde a Elifaz e seus companheiros pelas deturpações deles. Disse a Elifaz: “Minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois companheiros, pois não falastes a verdade a meu respeito assim como fez meu servo Jó.” (Jó 42:7) Ao passo que Elifaz e seus companheiros obviamente não foram inspirados por Deus, o escritor do livro de Jó foi orientado pelo espírito de Deus para fazer um registro exato de suas declarações. Este registro serve para identificar e expor raciocínios errados sobre por que Deus permite a iniqüidade. Portanto, como um todo, é a palavra ou mensagem inspirada de Deus. Não obstante, isso mostra que temos de ter cuidado ao citarmos certas partes da Bíblia. Se tiradas de seu contexto correto em que se enquadram, algo que na realidade é o conceito de homens imperfeitos pode ser erroneamente atribuído a Deus.

      A SABEDORIA DE DEUS REVELADA NO USO DE HOMENS PARA REGISTRAR SUA PALAVRA

      21. Se Jeová Deus tivesse usado anjos para escrever a Bíblia inteira, teria ela sido realmente mais valiosa para nós, homens imperfeitos?

      21 Usar Deus homens para registrar a sua “palavra” é evidência de sua grande sabedoria em fornecer exatamente o que nós, homens imperfeitos, precisamos. Ele poderia ter usado anjos. Mas, teria sua “palavra” tido o mesmo atrativo? É verdade que os anjos poderiam ter relatado por escrito as maravilhosas qualidades de Deus e seus grandiosos tratos. Poderiam ter transmitido a profundeza de sua própria devoção a ele e seu apreço das ilimitadas dádivas dele. Mas, não teria sido difícil para nós, homens imperfeitos, associar-nos com um registro que apresentasse as expressões de criaturas espirituais perfeitas, cuja experiência e conhecimento são muito superiores aos nossos? A vida no domínio deles não poderia ter sido retratada pelo que nós conhecemos como vida — as alegrias dela junto com seus temores, desapontamentos e tristezas. Portanto, por ele usar homens, Jeová Deus cuidou de que sua “palavra” tivesse cordialidade, variedade e atrativo que só o toque humano podia dar.

      22. Se faltasse completamente o elemento humano na Bíblia, que problemas de entendimento teríamos talvez?

      22 Se faltasse completamente o elemento humano na Bíblia, talvez também tivéssemos grande dificuldade em entender sua mensagem. Talvez fosse também difícil de compreender como nós, homens imperfeitos, pudéssemos obter uma condição aprovada perante o Criador. Por exemplo, se o registro apenas nos dissesse que ‘Deus é misericordioso’, não bastaria para nos fazer compreender exatamente o que isto significa. Nós, humanos, necessitamos de que tais assuntos nos sejam expressos em termos que possamos compreender. Por ter sido escrita por homens, a Bíblia fornece ilustrações concretas da vida real, apresentando-as do ponto de vista humano. Ela nos fala sobre homens que, embora conhecendo a lei de Deus, sucumbiram a fraquezas e tornaram-se culpados de sérias transgressões, sendo que os relatos às vezes nos fornecem as próprias palavras das pessoas, quanto a como se sentiam e como reagiam. Ao mesmo tempo, aprendemos até que ponto se lhes mostrou misericórdia.

      23, 24. Conte o que aconteceu com Davi com relação a Bate-Seba, e mostre o que aprendemos disso sobre Jeová Deus.

      23 Tome o caso do Rei Davi. Ele se mostrara homem de notável fé. Mas, então, certas circunstâncias resultaram em ele se tornar vítima dum desejo errado. Davi passou a sentir-se atraído à esposa de Urias, o hitita, homem que lealmente apoiava a realeza de Davi. Deixou que seu desejo crescesse, e ele trouxe realmente a esposa de Urias, Bate-Seba, ao seu palácio. Embora talvez nem pensasse em ter relações sexuais com ela, suas paixões foram estimuladas ao ponto em que cometeu adultério. Sabendo que Bate-Seba se tornara grávida em resultado disso, apressou-se em ocultar isso por tentar fazer Urias voltar para casa e ter relações com sua esposa. Quando isso fracassou, Davi ficou desesperado. Só parecia haver um modo de impedir que Bate-Seba ficasse exposta como tendo adulterado com ele, e este era tirar o marido do caminho e depois tomá-la como sua própria esposa. Davi providenciou, assim, que Urias ficasse exposto numa posição em que morreria quase com certeza na batalha. Urias foi morto, e Davi tomou então a enviuvada Bate-Seba por esposa. — 2 Sam. 11:2-27.

      24 Quando o profeta Natã lhe expôs o seu grave erro, Davi sentiu-se compungido no coração e expressou a mais profunda tristeza pelo seu pecado. Exclamou: “Pequei contra Jeová.” (2 Sam. 12:13) Vendo o arrependimento de coração de Davi, Jeová o aceitou, e, embora o punisse, não o rejeitou como seu servo. Portanto, não foi exagero quando Davi disse num de seus salmos: “Tu, porém, ó Jeová, és um Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e veracidade.” — Sal. 86:15.

      25. O que aprendemos sobre a misericórdia de Jeová em vista de seus tratos com os israelitas no tempo de Jeremias?

      25 Por outro lado, a Bíblia nos fala sobre os habitantes infiéis de Jerusalém, nos dias de Jeremias. O povo, como um todo, havia feito ouvidos de mercador às repetidas exortações ao arrependimento. Persistiram em desafio na prática do que era contra a lei. Por isso, Jeová Deus cortou sua misericórdia, retirando deles sua proteção e permitindo que sofressem uma terrível calamidade às mãos dos babilônios. Recusou-se até mesmo a escutar seus clamores desesperados por ajuda. Por quê? Porque permaneceram impenitentes. Sobre isso, o profeta Jeremias escreveu: “Com ira impediste a aproximação e continuas a perseguir-nos. Mataste; não tiveste compaixão. Com uma massa de nuvem impediste a aproximação a ti, para que não passasse nenhuma oração.” — Lam. 3:43, 44.

      26. Como nos ajudam os exemplos da vida real a conhecer a Jeová?

      26 Contra o fundo de tais ilustrações da vida real, não podemos deixar de obter um quadro equilibrado da espécie de Deus que Jeová é e como lidará conosco. Não importa quão séria seja a transgressão cometida por homens imperfeitos, eles podem obter o perdão de Deus se realmente se arrependerem. Mas, se continuarem impenitentemente a violar as ordens justas dele, não escaparão do Seu julgamento adverso. Visto que a Bíblia revela o amplo alcance da personalidade de Deus em termos com que se pode apelar para nós humanos imperfeitos, podemos realmente chegar a conhecê-lo como pessoa.

      27. Como pode o modo em que a Bíblia foi escrita servir para testar corações?

      27 O modo em que a Bíblia foi escrita tem servido para revelar o que há no coração das pessoas. (Heb. 4:12) Os que querem achar o que parecem ser falhas e contradições na Bíblia, poderão encontrá-las. Um motivo disso é que a Bíblia não especifica todos os pormenores. Muitas vezes, ela relata raciocínios, palavras e ações de pessoas sem expressar qualquer aprovação ou desaprovação direta. Este é o motivo pelo qual alguns, ao lerem certo trecho, questionam se Deus foi realmente justo e eqüitativo no que fez. Depois usam isso como desculpa para não fazer mudanças no seu modo de vida, recomendadas pela Bíblia. Isto está em harmonia com o propósito de Deus, de ter por servos aprovados apenas os que realmente o amam e apreciam pelo que ele é. — Deu. 30:11-20; 1 João 4:8-10; 5:2, 3.

      28. Que conceito sobre aparentes contradições formarão os que apreciam o valor da Bíblia? Ilustre isso.

      28 No entanto, quem tiver dado séria consideração à Bíblia e tiver mesmo sentido quão maravilhosa ela é para orientar o modo de vida, não toma o que parecem ser contradições no empenho de desacreditá-la como mensagem de Deus para o homem. Não se cega para com aparentes problemas. De modo algum. Dá-se conta de que a Bíblia é uma unidade harmoniosa, e por isso tem cuidado para não desconsiderar o contexto em que a Bíblia, como um todo, apresenta determinado acontecimento ou situação. Como ilustração, digamos que tenha um bom amigo sobre quem sabe que é bom pai, homem que realmente cuida do bem-estar de seus filhos. Se soubesse que ele puniu severamente seu filho, concluiria disso imediatamente que nisso não tinha absolutamente nenhuma justificativa ou razão? Naturalmente que não; por causa de seu conhecimento dele, raciocinaria que ele deve ter tido motivos válidos para lidar com a situação do modo como fez. De modo similar, a Bíblia fornece bastante informação sobre a personalidade, os modos e tratos de Jeová, para habilitar-nos a saber que espécie de Deus ele é. Portanto, mesmo quando os pormenores não são especificados em dada situação, por que se deveria ficar perturbado, pensando que Deus não é amoroso, misericordioso ou justo? Fazer isso seria repudiar a evidência abundante na Bíblia como um todo, de que ele é Deus amoroso, misericordioso e justo. — Êxo. 34:6, 7; Isa. 63:7-9.

      29. Por que não devemos ficar surpresos de encontrar algumas aparentes contradições na Bíblia?

      29 Há ainda outro motivo pelo qual devemos esperar que a Bíblia contenha diferenças menores, aparentes contradições, ao tratar de matéria similar. Tome as narrativas sobre o ministério terrestre de Jesus. Foram escritas por quatro homens. Dos três, cuja profissão conhecemos, um era médico instruído, outro era cobrador de impostos e o terceiro era pescador. Visto que Jeová Deus não simplesmente ditou o que estes homens deviam escrever, mas só os orientou por meio de seu espírito, para garantir a exatidão do que registravam, naturalmente haveria variações. Cada escritor poderia ter incluído muito mais informação do que fez. Um deles, o apóstolo João, disse até mesmo: “De certo, Jesus efetuou muitos outros sinais, também diante dos discípulos, os quais não estão escritos neste rolo.” (João 20:30) De modo que as narrativas evangélicas são muito condensadas, encontrando-se numa delas pormenores que faltam em outra. Em vez de se contradizerem, as narrativas complementam-se mutuamente, ajudando-nos a obter um quadro mais completo. Ao mesmo tempo, as variações fornecem prova adicional de que a Bíblia é fidedigna. De que modo? Em que demonstram que não houve conluio entre os escritores, nem trama entre eles para apresentarem uma história fictícia.

      30. Em conexão com a Bíblia, por que não há motivo para tergiversar sobre diferenças menores?

      30 Portanto, realmente não há motivo para alguém envolver-se em tergiversação sobre assuntos menores. Não importa quão erudito ou bem instruído seja, realmente não está em condições para julgar assuntos que não presenciou pessoalmente. E mesmo que tivesse estado ali na cena, também apresentaria um relato enfatizando aspectos um pouco diferentes do que viu e ouviu. Na realidade, uma avaliação honesta das narrativas evangélicas torna claro que estes quatro testemunhos separados harmonizam-se em confirmar uma verdade vital: Jesus Cristo é o Filho de Deus. — João 20:31.

      FOI A MENSAGEM DE DEUS TRANSMITIDA DE MODO FIDEDIGNO?

      31. Que pergunta surge em vista da inexistência de manuscritos bíblicos originais?

      31 A mensagem de Deus, conforme contida nos quatro Evangelhos e no restante da Bíblia, não foi preservada na forma de manuscritos originais. Os manuscritos originais pereceram há muito, quer pelo uso, quer pelos efeitos deteriorantes do tempo. Então, como podemos ter certeza de que a mensagem de Deus não foi deturpada depois de muitos séculos de copiar e recopiar?

      32. O que diz a própria Bíblia sobre a qualidade duradoura da mensagem de Deus, e o que exigiu isso para a sua preservação?

      32 A própria Bíblia traz à atenção a qualidade duradoura da “palavra” de Deus. Lemos em Isaías 40:8: “Secou-se a erva verde, murchou a flor; mas, quanto à palavra de nosso Deus, ela durará por tempo indefinido.” Para estas palavras serem verazes em gerações futuras, seria necessário que a “palavra” de Deus ficasse livre de deturpações. Se ela se tornasse indigna de confiança por causa duma abundância de erros humanos em copiá-la, deixaria de ser a mensagem de Deus. Mas, há qualquer evidência de que a “palavra” de Deus perdurou em forma fidedigna? Certamente que sim!

      33. Como procediam os copistas da Bíblia, em geral, com o seu trabalho?

      33 Os que copiavam as Escrituras Sagradas usavam de muito cuidado. No seu trabalho, muitos dos escribas das Escrituras Hebraicas não só contavam as palavras que copiavam, mas também as letras. Sempre que se achava o mínimo erro — a escrita errada duma única letra — toda aquela parte era cortada fora e substituída por outra nova, sem defeito. Tornou-se costume dos escribas ler cada palavra em voz alta antes de escrevê-la. Escrever mesmo uma só palavra de memória era considerado por muitos um grave pecado. Os copistas das Escrituras Cristãs, embora nem sempre profissionais, fizeram um trabalho igualmente cuidadoso. Em resultado, é notável quão poucos erros ocorreram, e mesmo os feitos não afetavam substancialmente a mensagem.

      34. O que indicam os estudos comparativos dos antigos manuscritos sobre a fidedignidade do texto bíblico como o temos hoje?

      34 Os estudos comparativos de milhares de manuscritos bíblicos antigos, inclusive de alguns de uns 2.000 anos de idade, revelam que o texto deve ter sido transmitido com exatidão. A respeito do texto das Escrituras Hebraicas, o erudito W. U. Green observou: “Pode-se dizer com segurança que nenhuma outra obra da antiguidade foi transmitida com tanta exatidão.” O bem conhecido erudito Sir Frederic Kenyon, na introdução de seus sete volumes sobre os “Papiros Bíblicos de Chester Beatty”, declarou:

      “A primeira e mais importante conclusão a que se chega à base do exame deles [os papiros] é a satisfatória de que confirmam a exatidão essencial dos textos existentes. Não aparece nenhuma variação substancial ou fundamental quer no Velho quer no Novo Testamento. Não há nenhumas omissões ou adições importantes de trechos nem variações que afetem fatos ou doutrinas vitais. As variações do texto afetam questões menores, tais como a ordem das palavras ou as palavras precisas usadas . . . Mas a sua importância essencial é sua confirmação da integridade de nossos textos existentes pela evidência duma data anterior à disponível até agora.”

      De modo similar, no seu livro A Bíblia e a Arqueologia (em inglês) ele observou:

      “O intervalo, então, entre as datas da composição original e a mais antiga evidência existente se torna tão pequeno que é com efeito insignificante, e a última base para qualquer dúvida de que as Escrituras chegaram até nós substancialmente como foram escritas foi agora removida. Tanto a autenticidade como a integridade geral dos livros do Novo Testamento podem ser consideradas como finalmente estabelecidas.”

      35. Que efeito pode a Bíblia ter hoje sobre nós?

      35 Deveras, a mensagem de Deus, conforme escrita por homens sob a orientação do espírito dele, permaneceu em forma fidedigna até o dia de hoje. A preservação fidedigna não foi sem objetivo. A própria mensagem pode ter um profundo efeito para o bem sobre os que a aceitam como vinda de Deus. Até mesmo hoje, as palavras dirigidas aos cristãos em Tessalônica podem ser aplicadas a centenas de milhares de pessoas em toda a terra: “Quando recebestes a palavra [ou mensagem] de Deus, que ouvistes de nós, vós a aceitastes, não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus, que também está operando em vós, crentes.” (1 Tes. 2:13) Iguais aos tessalonicenses, muitos estão hoje dispostos a sofrer pela sua aderência fiel às Sagradas Escrituras, convencidos de que estas são realmente a “palavra” inspirada de Deus. (1 Tes. 2:14-16) Está igualmente convencido? Opera esta “palavra” ou mensagem em você, leitor? Tira proveito dela na sua vida diária?

      [Fotos nas páginas 526-527]

      Deus deu os Dez Mandamentos em forma escrita

      Anjos falaram aos homens a palavra de Deus

      O espírito de Deus orientou a seleção de fatos de registros anteriores

      Enquanto bem despertos, profetas receberam visões de Deus

      Mensagens divinas foram transmitidas por meio de sonhos

  • Proveito duradouro de viver como família segundo a Bíblia
    A Sentinela — 1975 | 1.° de setembro
    • Proveito duradouro de viver como família segundo a Bíblia

      1. Que evidência há de que milhões de famílias têm problemas sérios?

      HOJE podemos ver todo em volta de nós que milhões de homens, mulheres e crianças têm problemas sérios de conviver como grupo familiar. Em muitos países, os desquites, divórcios e lares desfeitos aumentam numa proporção alarmante. Embora ainda vivendo na mesma casa ou no mesmo apartamento, um considerável número de casados fazem pouco mais do que apenas tolerar seu cônjuge. Maridos, esposas e filhos muitas vezes têm bem pouco em comum, cada membro da família seguindo seu próprio caminho. Não é evidente, pois, que as pessoas, em toda a parte, precisam dum guia seguro?

      2. Qual é um dos principais objetivos da Bíblia?

      2 O objetivo principal da Bíblia é fornecer orientação para a vida, que seja de proveito duradouro para os que a seguem. Não há aspecto da vida em que o conselho bíblico não possa ser aplicado com real proveito. “Toda a Escritura é . . . proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” — 2 Tim. 3:16, 17.

      3. Por que podemos dizer que aquilo que a Bíblia apresenta para a nossa orientação é realístico?

      3 O que a Bíblia apresenta para nossa orientação é bem realístico. Ela não nos dá a idéia de que os que procuram seguir sua admoestação não tenham problemas. Não, a Bíblia reconhece francamente que haverá problemas. Mas não deixa o assunto só nisso, apenas recomendando que aceitemos as coisas assim como são e não fiquemos perturbados com elas. A Bíblia mostra o que podemos fazer de modo positivo para resolver problemas e usufruir boas relações com os outros, inclusive os de nossa própria família.

      A NORMA DA BÍBLIA PARA O CASAMENTO

      4. Quem é o originador do casamento e qual foi seu objetivo com respeito a este arranjo?

      4 Logo no primeiro livro da Bíblia aprendemos que Jeová Deus é o Originador do casamento. (Gên. 2:22-24) Sendo Deus de amor, propôs-se que o casamento contribuísse para a felicidade tanto do marido como da esposa, e provesse um arranjo estável para a criação de filhos. O casamento havia de ser uma união permanente, como se evidencia no que Jesus Cristo disse a certos fariseus, que o interrogaram

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