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  • É a Bíblia realmente veraz?
    Despertai! — 1984 | 8 de janeiro
    • É a Bíblia realmente veraz?

      ‘As pessoas nos tempos bíblicos eram ignorantes e supersticiosas. Não sabiam ler nem escrever. Elas simplesmente passaram a história de boca em boca. Assim, como pode a Bíblia ser realmente veraz?’

      Alguma vez já pensou assim a respeito da Bíblia?

      MUITAS pessoas sinceras já. Outras, naturalmente, simplesmente usam este raciocínio como meio de se evadir de responsabilidade. Mas, é verdade que a sociedade era tão primitiva e ignorante assim nos tempos bíblicos?

      Em anos recentes, escavações em Ebla, na Síria, desenterraram uma biblioteca de mais de 16.500 tábuas cuneiformes (escrita em barro, em caracteres em forma de cunha) e fragmentos retratando muitos aspectos da vida naquela região. Que período abrangem? As mais recentes estimativas dos arqueólogos indicam o terceiro milênio antes de nossa Era Comum (AEC).

      Que nos informam elas sobre aquela antiga sociedade humana? Era primitiva, ignorante e analfabeta? O filólogo Giovanni Pettinato diz: “Já podemos deduzir de um estudo preliminar do material que Ebla era um estado altamente industrializado, cuja economia não se baseava na agricultura e na criação de ovelhas, mas sim em produtos industriais e no comércio internacional.”

      Que tipo de informação estava armazenada naquela ampla biblioteca oficial? O perito Pettinato explica: “70 por cento dos textos preservados são econômico-administrativos . . . Outros 10 por cento são históricos e, contendo importantes tratados internacionais, deviam ser ciosamente guardados. Bem uns 20 por cento são literários.”

      Se esta biblioteca em Ebla lançará luz sobre eventos e lugares bíblicos, resta ver. Contudo, fica claro que a vida uns quatro mil anos atrás não era tão primitiva como alguns nos querem fazer crer.

      Existe Prova da Exatidão da Bíblia?

      A pergunta agora é: Será que algumas inscrições e escritos cuneiformes antigos lançam luz sobre o que a Bíblia apresenta como história? Examinemos alguns exemplos breves, do registro bíblico. Primeiro, considere um caso relacionado com a conquista israelita de Canaã, no século 15 AEC.

      1. “Naquele tempo Josué deu volta e capturou Hazor . . . e ele queimou Hazor com fogo.” — Josué 11:10, 11.

      Em 1928, o falecido professor John Garstang identificou Tel-el-Quedá, ao norte do Mar da Galiléia, qual sítio arqueológico da cidade cananéia de Hazor. Durante o período de 1955-58 uma equipe de arqueólogos escavou o sítio. Foi encontrada ali uma tábua cuneiforme que estabeleceu a identificação do sítio como sendo Hazor. E “na margem sudoeste da Cidade baixa foram encontradas casas cananéias . . . A superfície da cidade da qual estas casas faziam parte . . . mostrava sinais de destruição violenta e abandono. Agora isto se encaixa otimamente com a tradição de sua captura por Josué após o Êxodo”. (Illustrations of Old Testament History, R. D. Barnett) Isto claramente corrobora a exatidão da Bíblia.

      2. No livro de Esdras a Bíblia nos diz que Ciro, Rei da Pérsia e conquistador da Babilônia, baixou um decreto sobre liberdade religiosa que permitia os exilados judaicos retornar às suas ex-terras e restabelecer sua forma de adoração. (Esdras 1:1-3) Existe alguma prova desta política de tolerância religiosa que tão vividamente se contrasta com a anteriormente adotada pela Babilônia e pela Assíria?

      Em 1879, H. Rassam, escavando em Babilônia a serviço do Museu Britânico, descobriu o que é conhecido como o Cilindro de Ciro, inscrito em caracteres cuneiformes. Em 1970, um fragmento adicional foi identificado como pertencente àquele cilindro. Assim, outra parte do texto foi restaurada. O que indica a tradução da conclusão do texto?

      “Tão distante quanto Asur e Susa, Agade, Esuna . . . bem como a região dos gutis, devolvi a estas cidades sagradas, do outro lado do Tigre, os santuários que haviam ficado arruinados por longo tempo, as imagens que costumavam viver neles, e estabeleci para elas santuários permanentes. [Também] reuni todos os seus [anteriores] habitantes e devolvi[-lhes] suas habitações.”

      Este texto cuneiforme é uma notável confirmação da exatidão da Bíblia concernente à política tolerante de Ciro para com as religiões estrangeiras.

      3. A Bíblia diz que “no décimo quarto ano do Rei Ezequias subiu Senaqueribe, Rei da Assíria, contra todas as cidades fortificadas de Judá e passou a tomá-las”. Diante dessa ameaça Ezequias optou por pagar um tributo a Senaqueribe. “Concordemente, o Rei da Assíria impôs a Ezequias, Rei de Judá, trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro.” — 2 Reis 18:13-16.

      São estes eventos confirmados por alguma outra fonte? No período de 1847-51 o arqueólogo inglês A. H. Layard achou, nas ruínas do palácio de Senaqueribe, o que agora é conhecido como Prisma do Rei Senaqueribe, ou Prisma de Taylor. Em escrita cuneiforme ele apresenta a versão de Senaqueribe sobre suas proezas. Menciona-se Ezequias? Fala algo sobre o tributo? Uma tradução diz:

      “Quanto a Ezequias, o judeu, que não se submeteu a meu jugo, 46 de suas cidades fortes, muradas, bem como as cidadezinhas vicinais, . . . eu sitiei e capturei.” O relato continua: “Ele mesmo, como pássaro engaiolado, eu confinei em Jerusalém, sua cidade real.” Queira notar que Senaqueribe não afirma ter conquistado Jerusalém, o que se harmoniza com o relato bíblico. Mas, que dizer do tributo? “Eu majorei o tributo anterior, e impus-lhe que efetuassem como pagamento anual, um imposto . . . 30 talentos de ouro e 800 talentos de prata . . . [e] todo tipo de tesouros valiosos.” A versão bíblica se harmoniza claramente com o Prisma de Senaqueribe, exceto no valor do tributo em prata. Deve isso nos fazer duvidar da exatidão da Bíblia? Por que deveríamos crer na versão jactanciosa de Senaqueribe, em vez de no relato bíblico de estilo modesto?

      No relato do Prisma de Senaqueribe ele também afirma que levou 200.150 prisioneiros de Judá, ao passo que o registro bíblico mostra que ele mesmo sofreu uma terrível perda de 185.000 soldados numa só noite. (2 Reis 18:13 a 19:36) Como podemos explicar estas diferenças?

      Em seu livro Luz do Passado Remoto (em inglês), o professor Jack Finegan fala do “tom geral de jactância que permeia as inscrições dos reis assírios”. O professor Olmstead, em Historiografia Assíria (em inglês), dá esta opinião: “Quando Senaqueribe nos diz que tomou de . . . Judá nada menos do que 200.150 prisioneiros, e isso apesar do fato de que a própria Jerusalém não foi capturada, podemos descontar os 200.000 como fruto da fantasia exuberante do escriba assírio e aceitar os 150 como algo mais próximo do número real capturado.”

      Evidentemente, informes de guerra exagerados não são peculiares ao século 20! E deixar de reconhecer uma fragorosa derrota em anais oficiais não é nada novo. Mas o ponto é que a inscrição no Prisma de Taylor denota a exatidão da Bíblia!

      4. Tomemos mais um exemplo de história bíblica confirmada. Quando os israelitas ocuparam a Terra Prometida mais de 3.400 anos atrás, a tribo de Dã ocupou território ao norte da Galiléia. O registro bíblico diz:

      “E os filhos de Dã passaram a subir e a guerrear contra [a cidade cananéia de] Lesem [Laís], e passaram a capturá-la . . . e começaram a chamar Lesem [pelo nome] de Dã, de acordo com o nome de Dã, seu antepassado.” — Josué 19:47; Juízes 18:29.

      Existiu realmente esta cidade? Foi alguma vez chamada Dã? Em Tel-el-Quadi, em 1976, o arqueólogo Avraham Biran descobriu uma placa de calcário com uma inscrição em grego e aramaico. O texto grego refere-se a uma pessoa chamada Zoilos, que fez um voto ao “deus que está em Dã”. Assim, os arqueólogos sabem que estão trabalhando no sítio arqueológico da antiga cidade israelita de Dã, antes conhecida como Laís ou Lesem. De novo a Bíblia revela ser exata. Isto poderia ser ilustrado adicionalmente com muitos outros exemplos de achados arqueológicos, se o espaço permitisse.

      É a Bíblia Uma Base Confiável?

      Na verdade, vez após vez a Bíblia tem sido usada pelos arqueólogos para estabelecer a localização geográfica de muitos antigos sítios arqueológicos. O valor da Bíblia neste respeito é acentuado pelo arqueólogo Yohanan Aharoni, que escreveu: “A Bíblia continua sendo a principal fonte de geografia histórica da Palestina no período israelita. Suas narrativas e descrições refletem seu meio ambiente geográfico bem como os eventos históricos que ocorreram. Ela contém referências a uns 475 nomes geográficos locais, muitos deles em contextos que suprem detalhes pertinentes sobre a natureza, a localização e a história do lugar.” Isto se dá apesar de “a Bíblia não ser nem compêndio de geografia nem enciclopédia”.

      Quanto mais a pessoa se aprofunda no estudo dos fatos e artefatos (restos antigos) relacionados com a Bíblia, tanto mais forte se torna seu apreço pela sua exatidão. Mas, fatos e artefatos são uma coisa. Interpretações, teorias e especulações são outra. São os arqueólogos sempre unânimes em suas interpretações? São sempre absolutamente objetivos? Devem suas teorias ser preferidas, em detrimento do relato histórico da Bíblia?

  • Deve a arqueologia fazê-lo duvidar da Bíblia?
    Despertai! — 1984 | 8 de janeiro
    • Deve a arqueologia fazê-lo duvidar da Bíblia?

      POR QUE interessa hoje a arqueologia? Porque ela é um valioso instrumento na investigação do passado do homem. Por exemplo, por meio dela elucidam-se a geografia e a história das terras bíblicas e seus povos. Depende muito das ciências exatas e aspira alcançar o padrão de exatidão destas. Mas, existe um fator fundamental que age contrário a essa consecução — o fator humano. Todo arqueólogo tem crenças, quer seja ateísta, agnóstico, cristão, judeu ou muçulmano. Até que ponto tais crenças ou idéias preconcebidas influenciam suas interpretações? Pode isso impedi-lo de chegar a conclusões corretas?

      A pesquisa arqueológica é uma espécie de trabalho de detetive. Escava-se evidência circunstancial, em forma de artefatos e restos (cerâmica, fragmentos, ruínas, escombros de civilizações anteriores, esqueletos, etc). Daí começa a fase de deduções: O que era o original de onde este fragmento provém? Em que período podem sua forma, cor e composição ser enquadrados? Qual era seu uso? Qual o seu lugar de origem — o local em que foi achado — ou outro qualquer? Originou-se ele na camada de solo em que foi encontrado, ou afundou para um nível mais baixo, com o passar do tempo, devido às condições locais? Estes e muitos outros fatores podem influenciar uma interpretação. As conclusões, portanto, baseiam-se em evidência circunstancial e numa mistura de interpretações objetiva e subjetiva.

      Quão certo estava o arqueólogo judaico Yohanan Aharoni quando escreveu: “Quando se trata de interpretação histórica ou historiogeográfica, o arqueólogo sai do domínio das ciências exatas, e precisa depender de critérios e hipóteses [pressuposições] para chegar a um quadro histórico compreensivo.”

      Quais são algumas possíveis armadilhas ao se avaliar os achados de escavações? O professor Aharoni responde: “O escavador precisa distinguir cuidadosamente entre as várias camadas de seu tel [aterro que cobre as ruínas antigas de uma cidade] . . . Isto em geral não é tarefa fácil, porque os níveis reais num tel específico não estão uniformemente depositados um em cima do outro. . . . Usualmente as inscrições apenas fornecem um terminus a quo [ponto de partida] para a sua própria camada, porque sempre existe a possibilidade de que os objetos com inscrições tiveram um longo período de utilização, ou mesmo reutilização, após serem descartados pelos proprietários originais. . . . A comparação com outros países às vezes também é perigosa, porque a pessoa pode cair num círculo vicioso em que os objetos na outra cultura talvez tenham sido datados por causa de seu relacionamento com os palestinos, sem consideração suficiente das circunstâncias e das cronologias relativas pertinentes. É desnecessário dizer que as considerações históricas são especialmente arriscadas, visto que sempre acarretam certas pressuposições e atitudes subjetivas. Sempre devemos lembrar, portanto, que nem todas as datas são absolutas e são em variados graus suspeitas.” — O grifo é nosso.

      Como os Israelitas Cruzaram o Mar Vermelho?

      Os alertas acima são muito apropriados hoje, quando tantos arqueólogos publicam seus achados, teorias e cronologias conflitantes. Tomemos como exemplo o êxodo israelita do Egito e a fuga através do Mar Vermelho. O registro bíblico indica claramente que os carros e a cavalaria egípcios perseguiram os israelitas e chegaram perto deles quando estes alcançavam o Mar Vermelho. Como poderiam os israelitas escapar com o mar bloqueando o seu caminho? O registro bíblico responde:

      “Moisés estendeu então a mão sobre o mar; e Jeová começou a fazer o mar retroceder [como?] por meio dum forte vento oriental, durante toda a noite, e a converter o leito do mar em solo seco, e as águas foram partidas. Por fim, os filhos de Israel passaram pelo meio do mar em terra seca, enquanto as águas eram para eles como muralha à sua direita e à sua esquerda”. — Êxodo 14:21, 22.

      Queira notar os detalhes específicos deste relato. Não fala simplesmente de um vento forte, mas de um “forte vento oriental”. As águas foram partidas, e o leito do mar converteu-se em solo seco. Esta atenção a detalhes revela tratar-se dum relato de testemunha ocular, como é o caso também da versão poética do acontecimento, no cântico de Moisés, relatado em Êxodo capítulo 15. Quando os carros e as forças militares de Faraó se precipitaram na mesma abertura, em perseguição dos israelitas, “as águas empoladas passaram a cobri-los; como pedra desceram às profundidades”. — Êxodo 15:5.

      O método de partir as águas é confirmado no cântico: “E pelo sopro das tuas narinas amontoaram-se as águas; pararam como dique de enchentes; as águas empoladas solidificaram-se no coração do mar.” — Êxodo 15:8.

      Que Dizem os Peritos?

      Vários peritos têm apresentado teorias variadas para racionalizar este evento milagroso. Não tentam necessariamente dizer que os israelitas não cruzaram o Mar Vermelho, mas procuram descartar a intervenção divina. Por exemplo, as palavras hebraicas para Mar Vermelho são yam suph, “mar dos juncos ou canas”. Assim, alguns dizem que os israelitas cruzaram apenas uma região pantanosa. Mas uma região pantanosa dificilmente permitiria a formação duma parede de água à direita e outra à esquerda, como diz o relato. As águas de um pântano certamente não ‘cobririam os carros de guerra e os cavalarianos’ das forças militares do Egito. — Êxodo 14:28.

      Outra teoria foi proposta recentemente por Hans Goedicke, um egiptólogo. Sua explicação do relato de Êxodo é que em 1477 AEC houve uma tremenda erupção vulcânica na ilha de Tera, uns 800 quilômetros a noroeste do local que se supõe seja onde os israelitas cruzaram. Ela provocou um tsunami, ou enorme onda de mar, que poderia passar impetuosamente sobre o sudeste do Mediterrâneo e rolar pelo delta do Nilo adentro até a margem do planalto desértico. Isto, teoricamente, teria afogado os egípcios que se encontravam em terreno baixo, deixando a salvo os israelitas que supostamente estavam num terreno mais elevado.

      É por si mesmo evidente que esta teoria dá pouca atenção aos fatos conforme apresentados na Bíblia. Mas, que acharam da teoria do dr. Goedicke os outros peritos? Charles Krahmalkov, da Universidade de Michigan, EUA, rejeitou-a, parcialmente porque “em nenhuma das descrições bíblicas do Êxodo existe algo que remotamente sugira uma onda enorme”. Ele então apresenta uma teoria alternativa que consiste em que os israelitas se fizeram ao mar em barcos e que os egípcios os seguiram e foram afogados por ventos tempestuosos que afundaram as suas barcaças! Em seguida acrescenta: “É desnecessário dizer que a reconstrução é simples conjetura. Mas, está muito melhor fundamentada no texto bíblico do que a versão do professor Goedicke.” Isto certamente é uma questão de opinião.

      Um terceiro perito, Eliezer D. Oren, da Universidade Ben Gurion, do Negebe, argumenta fortemente contra a teoria de um tsunami e sugere ainda outra que considera mais realista. Contudo, ele acrescenta o seguinte comentário significativo: “Não podemos esquecer que [a teoria] . . . de modo algum pode ser fundamentada por evidência arqueológica. Pessoalmente, creio fortemente que o Milagre do Mar — uma obra-prima de composição literária — tem pouquíssimo a ver com história ou . . . ‘acontecimentos reais’.”

      Quem Está Certo?

      A observação do dr. Oren nos leva ao ponto crucial do assunto. Devem os cristãos crer que grandes partes da Bíblia são simplesmente ‘obras-primas literárias’ sem nenhuma ligação com “acontecimentos reais”? Ou podem confiar na Bíblia como a inspirada Palavra de Deus? Devemos vacilar por causa de teorias conflitantes de arqueólogos e peritos? Ou devemos aceitar como confiável o testemunho dos escritores da Bíblia e do próprio Jesus Cristo?

      O apóstolo Paulo escreveu a seu co-cristão Timóteo: “Desde a infância tens conhecido os escritos sagrados, que te podem fazer sábio para a salvação, por intermédio da fé em conexão com Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa . . . para endireitar as coisas.” Antes, para os crentes em Roma, ele declarou: “Qual é o caso, então? Se alguns não expressaram fé, porventura fará a sua falta de fé que a fidelidade de Deus seja sem efeito? Que isso nunca aconteça! Mas, seja Deus achado verdadeiro, embora todo homem seja achado mentiroso.” — 2 Timóteo 3:15, 16; Romanos 3:3, 4.

      Por que, então, crêem as Testemunhas de Jeová que a Bíblia é inspirada? Depende sua fé de achados arqueológicos? Resumidamente, a prova da inspiração é encontrada na própria Bíblia, não na arqueologia. Uma coisa é escrever história exata; outra coisa é escrever história exata com antecedência. Isto é profecia. A Bíblia contém centenas de profecias cumpridas, atestando sua autoria divina. Por exemplo, estima-se que só em Jesus Cristo cumpriram-se 332 diferentes profecias das Escrituras Hebraicas.

      Outra poderosa confirmação da autenticidade da Bíblia é que seu testemunho se baseia em relatos supridos por legítimas testemunhas oculares dos eventos, amiúde o próprio escritor. Dá-se isso no caso do relato de Êxodo, escrito por Moisés. Temos qualquer motivo para duvidar de sua honestidade qual testemunha? Não, não quando também reconhecemos que ele foi divinamente inspirado para escrever. (2 Timóteo 3:16) Sua autocrítica sincera é também um excelente testemunho em favor de sua confiabilidade. Ele não esconde o fato de que matou um egípcio em defesa de um co-israelita. Tampouco atenua sua falta de humildade e sua punição no incidente de fazer sair água da rocha. (Êxodo 2:11, 12; Números 20:9-13; compare com o caso de Davi em 2 Samuel 11; Salmo 51.) Para provas mais detalhadas, leia É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus?, distribuído pela Sociedade Torre de Vigia.

      Devem Teorias Abalar a Sua Fé?

      Os cristãos se sentem encorajados pelas evidências positivas trazidas à tona por pacientes e hábeis arqueólogos, evidências que amiúde confirmam e elucidam o conteúdo bíblico. Fatos e artefatos podem revelar-nos muito sobre o modo de vida nos tempos antigos. As inscrições podem trazer à luz informações valiosas. Naturalmente, visto que pouquíssimas pessoas alguma vez já escreveram uma autobiografia desfavorável, as inscrições devem ser analisadas com muito cuidado.

      Contudo, quando peritos passam a oferecer suas interpretações, conjeturas e teorias sobre o significado de certa descoberta arqueológica ou a datação de certo artefato, é sábio o cristão agir com cautela. Jeová inspirou homens fiéis a escreverem Sua Palavra, mas não para nos desencaminhar com fantasias literárias. Yohanan Aharoni estava certo ao dizer: “Várias passagens [da Bíblia] são consideradas por diferentes peritos como meramente criações utópicas ou literárias, sem qualquer base política, geográfica ou prática. Questionamos seriamente a validade desta opinião; parece que a maioria dos textos geográficos são tirados de situações da vida, ao passo que apenas nosso entendimento falho e nossa informação insuficiente nos impedem de estabelecer seu conteúdo histórico.” — O grifo é nosso.

      A arqueologia bíblica atual aparentemente está dividida em dois campos vagamente definidos. Por um lado, temos os investigadores pios e patriotas que buscam apoio para o registro bíblico e para suas próprias alegações nacionais ou étnicas. E, por outro lado, há o campo dos que, nas palavras do professor J. E. Barrett, inclinam-se “a desmascarar a beatice, o patriotismo ou a sabedoria aceita de colegas (em geral mais velhos)”. Este mesmo professor de arqueologia acrescenta: “Existe uma estranha espécie de farisaísmo (para não dizer prazer sádico) entre os que nos asseguram de que não são pios. . . . o estudante de arqueologia moderna deve precaver-se contra essas artimanhas profissionais, internas, de querer passar os outros para trás.”

      Devemos lembrar-nos de que os arqueólogos são meros humanos e, portanto, são assediados por todas as vulnerabilidades da natureza humana imperfeita. Ambição, desejo de glória, espírito competitivo, profundo envolvimento subjetivo — estes e outros fatores podem influenciar a opinião ou a interpretação de um especialista.

      Ilustrando este ponto: certo arqueólogo proeminente do século 19 exagerou seriamente suas alegações a respeito de antigas jóias que ele descobrira em Tróia e máscaras douradas encontradas em Micenas. Sobre essa exageração, um moderno professor de arqueologia ofereceu o seguinte comentário oportuno: “Estes dois exemplos ilustram a influência que um interesse romântico no mundo antigo pode exercer sobre o julgamento de um arqueólogo — a tentação de identificar o que achamos com o que queremos achar. O problema talvez acresça no caso de arqueólogos bíblicos, em que a beatice e o patriotismo amiúde nutrem e renovam o interesse romântico que primeiro motivou ele ou ela a se tornar arqueólogo(a).” (O grifo é nosso.) E, naturalmente, o mesmo problema pode também afetar o arqueólogo agnóstico ou ateu, não importa quão sincero(a) ele ou ela seja.

      Deve a fé cristã vacilar, então, por causa das teorias apresentadas por muitos peritos e arqueólogos? Lembre-se, são apenas teorias e opiniões humanas, sujeitas às mudanças e aos caprichos do tempo e da erudição. O elemento humano, incluindo seu orgulho e sua ambição, é também bem evidente. O que o professor Barrett escreveu em Análise da Arqueologia Bíblica (janeiro/fevereiro de 1981, em inglês) é verdade: “A religiosidade, o patriotismo, a ideologia, a instrução, e o oposto disso, influenciam o julgamento do arqueólogo, exatamente como influenciam o do historiador. Nos momentos de sinceridade todo arqueólogo profissional sabe disso muito bem — os melhores peritos sabem disso a respeito de si mesmos; outros sabem disso apenas a respeito de seus colegas.” — O grifo é nosso.

      Portanto, o cristão razoável não espera prova absoluta da arqueologia para tudo o que é declarado na Bíblia, especialmente não neste sistema de coisas imperfeito. Não obstante, sabe que em breve virá o tempo em que será possível conferir com exatidão muitos dos personagens e eventos relatados na Bíblia. Como? “Porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz [a de Jesus Cristo] e sairão.” (João 5:28, 29) Sim, na ressurreição será possível interrogar os que realmente vivenciaram a história bíblica. Quão fascinante será ouvi-los suprir os detalhes de tantos relatos que hoje nos intrigam! Não mais será uma questão de recorrer a teorias e especulações humanas para suprir tais detalhes. As próprias testemunhas oculares desses acontecimentos apresentarão os fatos! Estará lá para ouvi-las?

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