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  • O livro de maior circulação mundial — sua luta pela sobrevivência
    Despertai! — 1980 | 22 de abril
    • O livro de maior circulação mundial — sua luta pela sobrevivência

      DE CADA mil livros publicados, apenas uns cinqüenta continuam em uso popular por pelo menos sete anos. Visto que as pessoas logo perdem o interesse, o tempo de vida de um livro é bem curto.

      O que acharia, então, de um livro que continua em uso popular já por mais de 3.000 anos? Acrescente a isto o fato de que sobreviveu à mais feroz oposição já experimentada por qualquer livro na história mundial. Tiranos, reis, príncipes, sim, até mesmo impérios inteiros esforçaram-se para destruí-lo. No entanto, atualmente ele é o “best-seller” ou o livro de maior circulação mundial!

      Às vezes, parecia aos opositores que estava assegurada a destruição da Bíblia. Governantes poderosos formularam editos e proibições condenando-a à fogueira, apenas para soar em vão o anúncio de sua morte. O livro sobreviveu. Sua preservação de uma onda de agressão após outra, através dos séculos, é qualificada como “um milagre da história”.

      Pense nisto! Não é extremamente estranho que um livro tão antigo como a Bíblia e que sofreu tamanha oposição seja o livro de maior circulação de todos os tempos? Em alguns aspectos, os livros são como as pessoas. Têm seu começo, talvez aumentem em popularidade, e geralmente caducam e morrem. As bibliotecas amiúde são cemitérios de milhões de livros mortos.

      Não obstante, a Bíblia, com sua origem escrita que remonta há 35 séculos, está bem viva e é legível nas línguas de 97 por cento da população da terra. Tão impressionante é a sua distribuição que mesmo antes de se cunhar o termo “best-seller”, a Bíblia era o livro mais procurado no mundo.

      Mais É Necessário do que a Mera Sobrevivência do Livro

      A Bíblia afirma conter as palavras de Deus, no sentido de que seus escritos foram inspirados diretamente por seu espírito. (2 Tim. 3:16; 2 Ped. 1:20, 21) Deus disse acerca de sua palavra: “Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente.” (Isa. 40:8, Almeida, atualizada.) Mas a ‘permanência eterna’ da palavra de Deus significaria mais do que sua mera existência como livro de longa data.

      Na verdade, existem “livros” atualmente que, na forma escrita, se mostram mais antigos do que a Bíblia. Por exemplo, existem tabuinhas de barro e outras obras literárias dos antigos babilônios e egípcios que se acredita terem sido escritos séculos antes de a Bíblia começar a ser compilada por Moisés, em 1513 A.E.C. Mas estes documentos antigos estão escritos em línguas mortas e tratam de assuntos que são de pouco interesse para os povos de agora. Em sentido prático, estes “livros” estão mortos.

      Ao contrário, a Bíblia diz que a Palavra de Deus continuaria “operando [nos] crentes”. (1 Tes. 2:13) A força de sua mensagem influenciaria a vida dos que a usassem. Ao render o mesmo versículo, A Bíblia de Jerusalém (em inglês) diz sobre a “mensagem de Deus”: “É, de fato, um poder vivo entre vós, os que credes.”

      Um Desafio Colossal

      Seria Deus capaz de preservar sua palavra como “poder vivo” para sempre? Em caso afirmativo, isto significaria superar obstáculos enormes. Em adição aos impedimentos naturais, haveria uma agressão que finalmente quase destruiria a Bíblia como uma força viva entre os que crêem.

      Como a Bíblia superou toda esta oposição constitui um exame absorvente. Os homens têm tentado queimá-la e enterrá-la já por séculos. Reis e imperadores poderosos concitaram o poder de impérios inteiros contra ela. E a Bíblia ainda permanece indestrutível até os nossos dias.

      Alguém talvez se pergunte: ‘Mas por que tanto esforço em preservá-la? Será simplesmente para que a Bíblia possa ter um bom efeito sobre minha vida? Não haveria uma razão mais extrema e profunda?’ Sim, por que é que se fez tremendo esforço no passado, e ainda se faz, para possibilitar a cada pessoa ter e ler a Bíblia?

      Encontrará uma resposta muito satisfatória a tais perguntas na matéria que segue. Também aumentará genuinamente seu próprio apreço pela preservação da Bíblia até os nossos dias.

  • A Bíblia sobrevive a obstáculos naturais
    Despertai! — 1980 | 22 de abril
    • A Bíblia sobrevive a obstáculos naturais

      A IMPONENTE biblioteca de Alexandria, no Egito, era, sem sombra de dúvidas, a maior coleção de livros que o mundo já vira. Houve tempo em que suas prateleiras seculares estavam arqueadas com mais de meio milhão de documentos.

      Menos de 350 anos após a sua construção, no terceiro século A. E. C., o fogo devastou alguns de seus livros. Pouco depois, o que sobrou de seus valiosos documentos foi pilhado e destruído. Estas “composições de gênios do passado”, declarou o historiador Edward Gibbon, foram “irrecuperavelmente perdidas”.

      Sim, esta extraordinária coleção de livros, escritos na maior parte em papiro (material semelhante ao papel, feito das fibras do abundante papiro egípcio), foi destruída por um obstáculo natural à sobrevivência de um livro — o fogo, junto com as devastações causadas pelo homem. Se os livros fossem de pedra ou de barro, ao invés do perecível papiro, talvez tivessem melhor sorte.

      No entanto, partes das Escrituras Gregas Cristãs podem ter sido escritas no primeiro século E. C. neste mesmo material perecível, o papiro. Na escrita da Bíblia, usava-se principalmente o pergaminho ou velino (material de escrita feito de peles de animais [2 Tim. 4:13]). Este também pode ser queimado e com o tempo se decompõe. Com quanta facilidade os originais da Bíblia, escritos à mão, poderiam perecer sem uma duplicata para repor sua mensagem inestimável! No entanto, foram feitas muitas cópias e estas circularam, de modo que a mensagem não se perdeu, embora escrita em materiais perecíveis.

      Confiada a Pequenas Minorias

      Outro obstáculo natural à sua sobrevivência foi o fato de que as Escrituras originalmente foram confiadas a minorias antipatizadas. O apóstolo Paulo reconheceu: “Aos judeus foram confiadas as escrituras de Deus.” (Rom. 3:2, tradução de Moffatt, em inglês.) Por um período superior a um milênio, certo número de judeus foram usados por Deus para registrar Suas palavras, e a nação empenhou-se em salvaguardar estes escritos sagrados.

      Imagine só! Quando teve início a escrita da Bíblia, esta nação foi descrita como sendo “o mínimo de todos os povos”. Sua pequenez foi contestada com o poderio maior das nações vizinhas, tais como os hititas, os amorreus e outros. Apesar disto, o que aconteceu à literatura daquelas nações mais fortes? Está morta. O que resta está enterrado ou se desintegra nos museus. — Deu. 7:1, 7.

      Os escritores e protetores das Escrituras Gregas Cristãs (o “Novo Testamento”) eram também pequeno grupo indefeso, odiado intensamente. Contemporâneos deste grupo falaram a seu respeito: ‘Em toda a parte se fala contra ele.’ — Atos 28:22.

      Agora, milhares de anos depois, os escritos destas minorias odiadas enchem o mundo inteiro. Tão contrário ao que se esperaria das circunstâncias naturais! Não parece que uma força mui superior agiu como protetora?

      Escrita em Línguas Esquecidas Pelas Massas

      Sabe ler o hebraico antigo? Poucos o sabem. E, no entanto, inicialmente a Bíblia foi escrita nele. Obviamente, se existisse agora apenas nesta escrita, seria um livro morto!

      No tempo em que se usava esta escrita, porém, todos os que utilizavam a Bíblia, bem como muitos nos países circunvizinhos, podiam ler com entendimento esse estilo de escrita. A escrita hebraica antiga foi compreensível por séculos aos adoradores do verdadeiro Deus.

      Daí, no crítico sétimo século antes de nossa Era Comum, com a destruição da capital judaica, Jerusalém, começou uma dispersão dos judeus para países com línguas estranhas. O grego se tornou a língua internacional. Embora pequeno segmento dos judeus, restabelecidos em Jerusalém, conseguissem conservar o hebraico como língua viva, logo muitos dos judeus “dispersos entre os gregos” não conseguiam ler a Bíblia em hebraico. — João 7:35.

      Cessaria a mensagem da Bíblia de ser um “poder vivo” na vida deles? Além disso, que dizer dos milhões de não judeus que falavam grego? Permaneceria oculto a estes o conhecimento da Palavra de Deus?

      A Primeira Tradução

      Cerca de 300 anos antes de nossa Era Comum, aproximadamente um milhão de judeus de língua grega viviam em Alexandria, no Egito, centro cultural do mundo helênico. Por meio de seus esforços, e provavelmente da cooperação do Rei Ptolomeu Filadelfo, finalmente foi feita uma tradução da Bíblia do hebraico para a língua grega

      Que dádiva isto foi! Nesse tempo os benefícios da leitura das Escrituras Hebraicas não se limitavam mais a umas poucas pessoas, mas, como comentou o filósofo judeu Filo, do primeiro século: ‘Toda a raça humana pode colher os benefícios do acesso às nossas leis excelentes, sábias e santas.’

      Visto que Alexandria tinha um longo histórico de “produção de livros”, não demorou muito para que cópias desta tradução, chamada de “Septuaginta”, fossem recopiadas e despachadas para os judeus de língua grega pelo mundo inteiro. Era realmente “a Bíblia do povo”. Pois se achava na língua do público em geral, e seu baixo custo, resultante das técnicas editoriais em Alexandria, habilitou muitos adoradores a possuírem seu próprio exemplar pessoal.

      Os Cristãos Primitivos Contribuem Para a Sobrevivência da Bíblia

      O uso das Escrituras Hebraicas pode ser visto pela ação do apóstolo Paulo. “Raciocinou com eles [judeus na sinagoga em Tessalônica] à base das Escrituras, explicando e provando com referências que era necessário que o Cristo sofresse e fosse levantado dentre os mortos.” (Atos 17:2-4) Para ‘provar com referências’, ele destacava várias passagens nas Escrituras Hebraicas, visando firmar uma base verídica para o cristianismo.

      O uso da Bíblia pelos cristãos primitivos, incluindo as Escrituras Gregas Cristãs, recém-escritas, conduziu a uma inovação que revolucionou completamente a indústria do livro. Até aquele tempo, os livros eram feitos em forma de rolo. Isto era excelente para a leitura descansada. Mas os cristãos estavam usando a Bíblia com empenho missionário, para ‘provar com referências’ a base de sua religião. Pode imaginar quão maljeitoso seria encontrar uma referência após outra em rolos que podem ter tido até 11 metros de comprimento!

      Mais ou menos um século antes, os romanos haviam experimentado nova forma de livro, com grossas páginas de couro. O volumoso invento nunca se tornou popular. No entanto, alguém usou esta idéia, mas fez as páginas de finas folhas de papiro. Este códice era ideal para prontas referências. Foi o precursor do formato dos livros atuais. Quem foi o responsável por este sensacional avanço tecnológico? O abalizado Cambridge History of the Bible (História da Bíblia de Cambridge) diz:

      “Alguém concebeu a idéia de fazer um códice, não de pergaminho, mas de papiro. Onde e por quem foi experimentada pela primeira vez a idéia, não o sabemos, mas sabemos que o novo formato está diretamente relacionado com os primeiros dias do cristianismo, e o inventor bem que pode ter sido cristão.”

      Atualmente, então, quando abre um livro, ao contrário de usar um rolo, pode lembrar a zelosa atividade de testemunho dos cristãos, que adotaram o códice como formato de seus livros. Assim, nos séculos inaugurais de nossa Era Comum, a mensagem contida na Bíblia estava bem viva e realmente “operando” no coração de muitos adoradores. Mas tal cena serena não duraria muito tempo, conforme veremos.

      [Foto na página 5]

      A Bíblia foi escrita em materiais perecíveis; vê-se aqui o mais antigo manuscrito bíblico do Museu Britânico.

      [Foto na página 6]

      A tradução do hebraico para o grego conservou viva a Bíblia para o homem comum.

      [Foto na página 6]

      O códice tornou mais fácil o uso da Bíblia pelos cristãos zelosos ao ensinarem outros.

  • A Bíblia — vítima de selvagem ataque
    Despertai! — 1980 | 22 de abril
    • A Bíblia — vítima de selvagem ataque

      COMO poderia destruir um livro? De vários modos. Para ilustrar, considere como poderia arruinar um copo de água pura. Pode (1) apanhar uma pedra e despedaçá-lo ou (2) simplesmente acrescentar à água alguma sujeira ou outra impureza, alterando seu conteúdo.

      Uma similar agressão bilateral ameaçou aplicar um golpe fatal à Bíblia. O encarniçado ataque contra o próprio livro combinou-se com tentativas de adulterar seu conteúdo, de alterar sua mensagem. Qualquer destes esforços, se obtivesse sucesso, inutilizaria o livro e provaria que Deus seria incapaz de preservar sua própria Palavra.

      Mas, Por Quê?

      Talvez ache estranho que tenha havido oposição tão intensa à Bíblia. Visto que ela ensina elevada moral e amor, por que alguém iria querer destruí-la? Com freqüência, também, os que desencadearam a maior violência contra a Bíblia afirmavam ter afeição por ela. É quase como se algum poder, mais forte do que a humanidade, estivesse manobrando os assuntos.

      Isto é precisamente o que a Bíblia mostra. Ela identifica uma criatura espiritual iníqua como aquele que faz tudo para impedir que a Palavra de Deus alcance os corações apreciativos. Não há dúvidas de que este opositor de Deus, a saber, Satanás, o Diabo, maquinou a trama inteira para eliminar a Bíblia. — 2 Cor. 4:4.

      Naturalmente, alguns leitores talvez objetem a tais conclusões. Mas o que mais pode explicar a contínua luta, através dos séculos, para impedir ou desencorajar o homem comum de usar a Bíblia e de torná-la uma força viva em sua vida? Nenhum outro livro na história ficou sujeito a tão prolongado ataque furioso.

      Ataque Brutal Durante o Império Romano

      Embora os cristãos fossem perseguidos por Roma já há anos, o primeiro ataque contra seus escritos sagrados veio no ano 303 E.C. O Imperador Diocleciano decretou então que todos os livros cristãos fossem entregues e queimados. A recusa resultaria na morte! Lamentavelmente, grande número de preciosos manuscritos bíblicos foram queimados nas ruas. Não obstante, alguns, como Félix de Tiabara (na África), se recusaram a entregar as Escrituras. Ele disse: ‘É melhor que eu seja queimado do que as Escrituras divinas.’ Pagou com sua vida.

      Esta selvageria contra a Bíblia manifestou-se por quase uma década. Mas todo o poder do Império Romano não pôde destruir este livro. Foram cuidadosamente escondidas cópias até que a perseguição parou. Mas isto foi mero vislumbre do que ainda estava por ocorrer.

      Livro Vivo Entre os Primeiros Cristãos

      Os primitivos cristãos mantiveram a Bíblia viva por usarem-na extensivamente em suas reuniões religiosas e em casa. Alguns judeus que mais tarde se tornaram cristãos foram elogiados por ‘examinarem cuidadosamente as Escrituras, cada dia’. Mesmo no segundo século, Irineu instou com todos a “lerem diligentemente as escrituras”. E Clemente de Alexandria sugeriu que todos fizessem a “leitura das Escrituras antes das refeições”. — Atos 17:11; 1 Tim. 4:13; 2 Tim. 3:15.

      Instava-se com todos para que obtivessem seu próprio exemplar. Os cristãos abastados até mesmo presenteavam as Escrituras a outros, como fazia certo Pânfilo, sobre quem disse Eusébio:

      “Ele sempre estava disposto a distribuir exemplares das Escrituras Sagradas, não apenas para leitura, mas até mesmo para uso pessoal. Não apenas aos homens, mas também às mulheres que verificava estarem interessadas em lê-las. Assim, preparou muitos exemplares, para que pudesse ofertá-los de presente.”

      Contudo, com o tempo surgiu algo que afetou adversamente a influência da Bíblia na vida dos que professavam exercer fé nela.

      A Apostasia Religiosa Quase Condena a Bíblia à Destruição

      O apóstolo Paulo predisse um abandono do verdadeiro cristianismo, uma “apostasia”, e o aparecimento do religioso grupo do “homem que é contra a lei”, que se exaltaria altamente. (2 Tes. 2:3, 4) Mostrou que este “homem que é contra a lei” surgiria de alguns anciãos ou superintendentes (“bispos”, Centro Bíblico Católico) que ‘surgiriam e falariam coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos’. — Atos 20:28-30.

      Fiel à profecia, após a morte dos fiéis apóstolos de Jesus, os cristãos falsos, de imitação, o “joio”, tornaram-se manifestos. (Mat. 13:24-30, 36-43) Alguns formaram grupos dissidentes e deturparam o significado das Escrituras. (2 Ped. 3:16) Isto conduziu ao que alguns podem encarar como manobra inconseqüente, mas causou efeitos ruinosos.

      “As Escrituras Sagradas, as quais nos inspiram fé, precursoras do conhecimento, lhes são inúteis a menos que as compreendam corretamente”, disse Agostinho, um líder da igreja do quarto século. Orígenes disse, em sua obra De Principiis:

      “Visto que o ensino da Igreja, transmitido por ordeira sucessão a partir dos apóstolos, e continuando nas igrejas até o presente, ainda está preservado, deve-se aceitar somente a este como verdade, que em nenhum respeito difere da tradição eclesiástica e apostólica.”

      O “ensino da Igreja” e a “tradição eclesiástica e apostólica” foram colocados no mesmo nível das Escrituras, para impedir heresias ou o ensino de pretenso erro religioso.

      Ao mesmo tempo, deu-se ênfase às cerimônias e aos rituais da igreja. Achava-se que isto seria de maior benefício para seus membros do que eles ficarem confusos por explorarem a “profundeza das Escrituras Sagradas”. Magnificentes edifícios religiosos, com cenas bíblicas esculpidas em suas paredes e abrigando imagens de personagens bíblicos, eram considerados ‘livros dos ignorantes’.

      Alguns líderes religiosos, como Crisóstomo, do quarto século, ainda eram defensores da leitura pessoal da Bíblia por todos. Mas a sorte estava lançada! O próprio povo, na maior parte, não mais via a importância de pessoalmente ler e estudar a Bíblia. Alguns discutiam com Crisóstomo, dizendo:

      “Não somos monges. Tenho de dar atenção a meu negócio secular; eu dirijo um comércio; tenho de tomar conta de minha esposa, meus filhos e meus criados, em suma: sou um homem do mundo; meu negócio não é ler a Bíblia; isso é negócio das pessoas que renunciaram ao mundo e se devotaram a uma vida solitária no topo das montanhas.”

      Assim, gradualmente prevaleceu a opinião de que ler e estudar a Bíblia era apenas para o clero e para os intelectuais altamente treinados.

      Uma Relíquia Sagrada?

      Com o tempo, a Bíblia foi traduzida para o latim, a língua do povo comum. As autoridades religiosas decidiram que o latim fosse considerado uma língua sagrada. A Bíblia devia permanecer em latim. Mas, tempos depois, ocorreu gradualmente uma mudança, e poucos do povo comum conseguiam ler o latim. Não mais desejando despender esforço para compreenderem a Bíblia, muitos acharam mais fácil simplesmente venerar suas páginas. A Bíblia foi usada como talismã mágico. Se uma pessoa estava para se envolver em algum empreendimento importante ou arriscado, abria a Bíblia e interpretava a primeira passagem que seus olhos encontrassem como mensagem divina para ela. Foram feitos exemplares magnificamente encadernados, escritos em pergaminhos purpúreos com letras em ouro e prata. Lamentavelmente, estes livros tornaram-se meros artigos de mostruário e quase não eram lidos. Sim, lentamente a Bíblia se tornava uma “relíquia sagrada”, ao invés de um livro vivo, significativo.

      Sem dúvida pode ver que a Bíblia estava em perigo. Até mesmo alguns sacerdotes ou ministros não mais conseguiam ler a Bíblia em latim. O que aconteceu a alguns dos escritos “sagrados” da antiga Roma ilustram o que ocorreu no caso da Bíblia. A Nova Enciclopédia Católica (em inglês) explica:

      “A Roma pagã preservou por séculos certos textos sagrados antigos, mesmo quando o sacerdote não os compreendia mais”. (O grifo é nosso.)

      Sim, ninguém mais os conseguia ler. Sagrados e altamente estimados — mas mortos! Poderia a Bíblia ter o mesmo destino?

      Traduções Para o Idioma do Homem Comum

      Embora a Igreja Católica Romana fizesse traduções para o vernáculo já há muito tempo, estas não se destinavam às massas. A respeito da atitude das autoridades da Igreja durante a Idade Média, o livro The Lollard Bible (A Bíblia de Lolardo) afirma:

      Se esta tradução fosse feita para algum Rei ou pessoa importante, ou por algum estudante solitário, e continuasse um volume sagrado, mas praticamente sem uso, numa biblioteca real ou dum mosteiro, não haveria objeção a tal tradução, mas se a tradução fosse usada para popularizar o conhecimento do texto bíblico entre os leigos [o povo comum], logo sobrevinha a proibição.”

      Tal tradução não foi feita senão no século 12. E quando isto ocorreu, voaram as centelhas!

      Os Valdenses da França

      Nos lindos vales ao sul da França, vivia um grupo religioso chamado de valdenses. Pouco antes de 1180, destacado membro deste grupo, Pedro Valdo, alegadamente pagou a dois padres para traduzirem partes da Bíblia para o vernáculo. Seus leitores fizeram verdadeiras mudanças em suas vidas. Até mesmo um de seus mais acirrados inimigos reconheceu notável contraste entre a conduta deles e a do povo em geral. Ele disse:

      ‘Os hereges [os valdenses] são conhecidos por suas boas maneiras e palavras; pois são ordeiros e moderados nos modos e no comportamento. Estão livres da falsidade e do engano. São castos, modestos, sóbrios, e não são dados à ira.’

      Animados com zelo por lerem pessoalmente as Escrituras, percorriam de alto a baixo a região rural da França, aos pares, lendo e ensinando as Escrituras aos outros. Tão zelosos eram eles que se relata de um ter “cruzado a nado um rio, à noite e no inverno, para ir até [certa pessoa] para ensiná-la”. O que encontraram nas Escrituras se tornara para eles uma “força viva”!

      Cheios de entusiasmo, viajaram para Roma, na Itália, a fim de obter a aprovação oficial do Papa Alexandre III para usarem a Bíblia deles para ensinar outros. Permissão negada! Um dos dignitários religiosos no Terceiro Concílio de Latrão, Walter Map, exclamou:

      “Portanto, que a Palavra não seja dada aos incultos, como pérolas aos porcos!”

      Imagine isto! Capacitar a pessoa comum a ler a Bíblia numa língua que podia entender era considerado ‘lançar pérolas aos porcos’!

      O Papa Inocêncio III organizou uma cruzada para “exterminar” os hereges. Os relatos dos que dirigiram a cruzada indicam que milhares de homens, mulheres e crianças foram cruelmente chacinados e foram queimados exemplares de suas Bíblias porque, como um juiz religioso, ou Inquisidor, daquele tempo expressou:

      “Eles traduziram o Velho e o Novo Testamentos para o vernáculo [língua comum], e assim eles o ensinam e aprendem. Ouvi falar e vi certo camponês ignorante recitar Jó, palavra por palavra; e muitos que conheciam perfeitamente todo o Novo Testamento.”

      A Bíblia se Espalha na Língua Comum

      O fogo e a espada fizeram os valdenses fugir para outros países. Logo em seguida apareceram traduções da Bíblia, que o homem comum podia ler, na Espanha, na Itália, na Alemanha e em outros países. Onde quer que aparecessem, usualmente seguiam-se proscrições e impiedosa perseguição. Na outra página aparecem várias proibições oficiais da Bíblia. Violar estas leis seculares e religiosas amiúde significava morrer queimado!

      Na Inglaterra, por volta de 1382, João Wycliffe e seus associados terminaram a primeira Bíblia completa em inglês. Mas muitos do povo comum não sabiam ler. De modo que ele organizou um grupo de homens, chamados de lolardos, para irem e lerem a Bíblia ao povo.

      Chocante Perseguição

      Estes “homens da Bíblia”, como às vezes eram chamados, fizeram grande sensação. As autoridades religiosas da Inglaterra reagiram com uma perseguição inacreditável. Em 1401, o parlamento inglês decretou que quem possuísse a Bíblia na língua comum deveria ficar “perante o povo, para ser queimado num lugar alto, para que esta punição possa infundir temor na mente dos outros”.

      E realmente causou este temor! Um possuidor da Bíblia em inglês, com medo de que isto o incriminasse, comentou que “preferia queimar os livros a deixar que seus livros o queimassem”. Mas muitos não se dissuadiram tão facilmente de ler a Palavra de Deus. Centenas destes foram queimados vivos por simplesmente, como mostram as atas do tribunal, “terem um certo livro pequeno das Escrituras em inglês”. Muitas vezes essas pessoas eram queimadas “com o livro de sua doutrina [as Escrituras] pendurado nelas”.

      Esta perseguição grassava em um país após outro. Em algumas terras, onde as pessoas persistiam em ler a Bíblia no vernáculo, vilas inteiras eram massacradas. Homem algum estava a salvo de seus vizinhos, de seus empregados ou mesmo de seus próprios filhos, já que todos, sob o temor de severas represálias, eram incentivados a delatar quem quer que vissem lendo a Bíblia em sua própria língua. Nem é preciso dizer que, para evitarem ser descobertas, havia muitas leituras da Bíblia à meia-noite.

      O que teria feito sob tais circunstâncias? Prezaria tanto a mensagem da Bíblia que arriscaria sua vida para lê-la?

      Entretanto, as Bíblias no vernáculo estavam sendo destruídas mais ligeiro do que podiam ser feitas, visto que tinham de ser copiadas à mão. Esta tarefa árdua também tornou a Bíblia extremamente cara, sem dúvida ao alcance apenas do rico. Segundo se diz, uma Bíblia completa em alemão custava 70 florins de ouro florentino. Naquela época, podia-se comprar um boi gordo por um ou dois florins. De modo que a Bíblia tinha o mesmo valor de uma manada de gado! Alguns pobres até mesmo ‘davam um carregamento de feno por alguns capítulos em inglês de Tiago e de Paulo’, segundo o historiador John Fox.

      Lentamente, segundo parecia, a Bíblia morreria como força viva entre o povo em geral. Mas na hora mais negra foi inventado algo que mudou grandemente o cenário.

      A Prensa Tipográfica com Tipo Móvel

      Com a prensa tipográfica, as Bíblias podiam ser reproduzidas mais rápido do que estavam sendo destruídas. O primeiro livro a sair do prelo, segundo dizem, foi a Bíblia em latim. Logo, porém, exemplares no que era então a língua comum estavam saltando das prensas.

      Visto que a Bíblia já podia ser produzida em massa, o preço de um exemplar ficou tão baixo que o homem mediano já podia dar-se ao luxo de possuir o seu próprio exemplar. Martinho Lutero e Guilherme Tindale, que fizeram traduções dos originais, não meramente do latim, tornaram a Bíblia mais fácil de ser lida. Tindale usou palavras que até mesmo ‘o rapaz que manejava o arado’ podia compreender. Ao invés de “caridade”, ele usou “amor”; ao invés de “igreja”, “congregação”; ao invés de “penitência”, “arrependimento”. Isto contribuiu para tornar viva a Bíblia para o ‘homem da rua’.

      Não obstante, a luta contra tais Bíblias estava longe de terminar. Durante décadas depois de se ter começado a produção da primeira Bíblia na prensa tipográfica, em 1456, houve uma verdadeira guerra para destruir exemplares no vernáculo. As Bíblias de Tindale eram queimadas tão ligeiro quanto podiam ser confiscadas pelo bispo de Londres. Este clérigo estava tão decidido a destruir todas as Bíblias de Tindale que se diz ter pago por exemplares, para que pudesse queimá-los! Em certa ocasião, através de um amigo, Tindale vendeu-lhe alguns exemplares com defeito e usou o dinheiro para terminar sua revisão. Isto resultou numa inundação maior de sua versão na Inglaterra!

      Durante anos, Tindale foi caçado como um animal. Finalmente foi traído e capturado. Seus esforços lhe custaram a vida, pois foi estrangulado e queimado numa estaca.

      Por Que se Opuseram às Traduções

      Acha difícil de entender por que tantas autoridades eclesiásticas se opuseram à tradução da Bíblia para a língua do homem comum? Não é que todos estes homens estivessem diretamente contra a Bíblia. Alguns a tinham em alta estima. Sem dúvida temiam que pessoas não autorizadas fizessem traduções imperfeitas e, desse modo, empregassem mal a Palavra de Deus. Manterem-na na nobre e estável língua latina era o modo deles de protegerem a Bíblia de ser “profanada” por traduções descuidadas para as línguas vernáculas em formação.

      Por que, então, não produziram uma tradução “autorizada”? Com o tempo produziram. Uma versão alemã feita por Emser foi publicada por volta de 1527, e o Novo Testamento, em inglês, de Rheims, foi editado em 1582. A razão dada para a vagarosidade foi expressa pela autoridade eclesiástica, católica romana, Geiler de Kaysersberg (da Alemanha), que disse por volta de 1500:

      “É perigoso colocar uma faca nas mãos das crianças para que elas cortem o pão pois podem cortar-se. Do mesmo modo, as Escrituras Sagradas, que contêm o pão de Deus, devem ser lidas e explicadas pelos que já estão bem adiantados em conhecimento e experiência, e que estabelecerão o significado incontestável. Pois as pessoas inexperientes facilmente se prejudicariam com sua leitura. . . . Portanto, se deseja ler a Bíblia, tome cuidado para não cair no erro.”

      Mas era o temor de que o leitor inculto ‘caísse no erro’ a única razão para não encorajarem a leitura da Bíblia? Não, pois o célebre erudito católico, Erasmo, candidamente ofereceu outras, dizendo:

      “A mulher que se ocupa em ler os volumes sagrados negligencia seus deveres domésticos, . . . e talvez o soldado fique mais vagaroso em sair para lutar! e isto seria um grande perigo! . . . Os vícios dos pastores e dos príncipes são reprovados em muitos lugares nos volumes sagrados, e se o povo viesse a lê-los, murmuraria contra os que se acham sobre ele.”

      Não importa que razões houvesse, o efeito foi que a Bíblia foi quase destruída como força viva na vida do homem comum. Se estas atitudes tivessem prevalecido, não importa quão bem intencionadas possam ter sido, a Bíblia realmente se teria tornado uma “relíquia sagrada”.

      Como podemos ser gratos de que, por meio dos esforços de alguns homens muito dedicados, bem como pelo uso da prensa tipográfica, a Bíblia foi publicada na língua viva e foi tornada disponível ao homem comum! E a um custo ao alcance da maioria. Realmente, a Bíblia resistiu ao mais selvagem ataque.

      Mas que dizer do segundo método de ataque — adulterar o seu conteúdo? Acrescentar sujeira a um copo de água pura pode arruiná-la. Como se saiu a Bíblia diante deste ataque sutil?

      [Destaque na página 8]

      O que pode explicar a contínua luta, através dos séculos, para impedir o povo comum de ter a Bíblia?

      [Destaque na página 13]

      O que teria feito se sua vida estivesse em perigo porque lia a Bíblia?

      [Destaque na página 13]

      ‘As pessoas inexperientes facilmente se prejudicariam por lerem a Bíblia’, explicou certa autoridade eclesiástica. Mas o erudito Erasmo declarou candidamente: “Os vícios dos pastores e dos príncipes são reprovados em muitos lugares nos volumes sagrados, e se o povo viesse a lê-los, murmuraria contra os que se acham sobre ele.”

      [Foto na página 8]

      O imperador romano decretou que as Bíblias fossem confiscadas e queimadas.

      [Foto na página 9]

      Foram produzidas Bíblias magnificentes e caras, mas eram tratadas como se fossem “relíquias sagradas”.

      [Foto na página 9]

      A leitura da Bíblia passou a ser encarada como algo apenas para o clero.

      [Foto na página 12]

      Autoridades eclesiásticas decretaram que quem possuísse a Bíblia na língua comum deveria ser queimado vivo.

      [Quadro na página 10]

      PROIBIDA A BÍBLIA

      “Homem algum deve possuir livros do Velho ou do Novo Testamento em romance [a língua comum].” — TIAGO PRIMEIRO, REI DE ARAGÃO (ESPANHA), 1223 A. D.

      “Leigos [o povo comum] não devem possuir livros das Escrituras, . . . além disso negamos a permissão para que os leigos possuam livros do Velho ou do Novo Testamento.” — SÍNODO RELIGIOSO DE TOULOUSE (FRANÇA), 1229 A. D.

      ‘Por isso, ordenamos estritamente a todos os arcebispos, bispos e a todos os clérigos, e a todos os duques, príncipes, etc., que ajudem os que se dizem inquisidores e que confisquem tais livros escritos no vernáculo de todos os homens. E deve-se tomar todos estes de todas as pessoas, seculares e sobretudo leigas [pessoas comuns] (e em especial porque não é lícito segundo a lei canônica que leigos de ambos os sexos leiam seja quais forem os livros da Santa Escritura escritos no vernáculo).’ — REI CARLOS IV, IMPERADOR DA ALEMANHA, 1369 A. D.

  • A pureza do texto bíblico é ameaçada
    Despertai! — 1980 | 22 de abril
    • A pureza do texto bíblico é ameaçada

      “A PEDIDO dos irmãos, eu escrevi cartas. Mas os apóstolos do Diabo encheram-nas de joio, removendo algumas coisas e acrescentando outras. A calamidade está reservada para eles. Visto que algumas pessoas se atreveram a adulterar até mesmo os escritos sagrados do Senhor, não é de surpreender que tenham feito ataques contra escritos menos importantes.” Assim Dionísio de Corinto, professo superintendente cristão do segundo século, lamentou o que se fizera a seus próprios escritos.

      Suas palavras mostram que alguns em seus dias “se atreveram a adulterar até mesmo os escritos sagrados”, as Escrituras. De fato, Tertuliano disse sobre Marcião, do mesmo período, que este havia “usado abertamente a faca, e não a pena de escrever, visto que fizera tamanha excisão nas Escrituras, conforme se ajustava ao seu assunto”. “Ele suprimiu tudo o que era contrário à sua própria opinião.”

      Talvez se surpreenda de que se fizeram tentativas para alterar o texto da Bíblia. Podemos ter certeza de que tal adulteração não obteve finalmente sucesso, alterando o significado da mensagem da Bíblia? Além disso, a Bíblia teve de ser copiada à mão por muitos séculos. Poderia a sua pureza ter sido arruinada por erros dos copistas? A resposta a estas perguntas nos ajudará a ver com quanta facilidade a mensagem viva da Bíblia poderia ter sido corrompida irreversivelmente. No entanto, por causa de algumas circunstâncias altamente excecionais, ela foi preservada.

      Nenhum Livro Foi Copiado com Tanto Cuidado

      Séculos antes da Era Comum, as Escrituras Hebraicas eram meticulosamente copiadas por devotados escribas. Estes eram chamados de soferins, termo derivado aparentemente da palavra hebraica “contar”. Por quê? ‘Os primitivos peritos eram chamados de soferins’, de acordo com o Talmude, ‘porque contavam todas as letras da Lei’.

      As letras em cada manuscrito novo eram cuidadosamente contadas e o número tinha de ser idêntico ao original. Quanto cuidado! Imagine a labuta de contar cada letra. Relata-se que contaram 815.140 letras hebraicas nas Escrituras. Tomava-se todo o cuidado para evitar alteração no texto.

      Entretanto, para não haver enganos nas cópias, era mister que Deus realizasse um milagre cada vez que um escriba pegasse numa pena de escrever. Isto simplesmente não aconteceu. Houve enganos. Foram bastante sérios para destruir o sentido da Bíblia? Ou há evidência que mostra que, apesar de milhares de anos de recópias, o texto hebraico seja virtualmente o mesmo? Estas perguntas continuaram sem resposta por muitos anos, porque os manuscritos hebraicos mais antigos remontavam a apenas por volta do ano 900 E.C.

      “Um Achado Absolutamente Incrível!”

      Perto do início de 1947, numa pequena gruta com vista para o Mar Morto, na Palestina, um rapazinho de 15 anos se deteve na luz difusa e, perplexo, arregalou os olhos diante dum volume de couro enrolado num pano de linho. A desgraciosa trouxa estava depositada num grande pote de barro, de uns 60 cm de altura. Quão decepcionante! Esperava encontrar um tesouro escondido na jarra.

      Entretanto, este jovem tinha em suas mãos o que tem sido qualificado desde então como “a maior descoberta de manuscritos dos tempos modernos . . . um achado absolutamente incrível!” Ali estavam partes da Bíblia que remontavam ao segundo século A. E. C., 1.000 anos anteriores às mais antigas cópias disponíveis até aquele tempo. Como se compararia com as cópias mais recentes? Millar Burrows, que trabalhou muitos anos com os rolos, analisando cuidadosamente o seu conteúdo, apresentou esta conclusão:

      “Muitas das diferenças entre o rolo de Isaías, de São Marcos, e o texto massorético [os manuscritos da Bíblia do nono século] podem ser explicadas como erros de cópia. À parte destes, há notável concordância, no todo, com o texto encontrado nos manuscritos medievais. Tal concordância num manuscrito tão mais velho dá testemunho tranqüilizador da precisão geral do texto tradicional.

      “É algo de admirar que, por uns mil anos o texto tenha sofrido tão pouca alteração.” — The Dead Sea Scrolls (Os Rolos do Mar Morto), pp. 109, 303, 304.

      Um rolo continha quase o livro completo de Isaías. Dos 1.292 versículos de Isaías, na Bíblia em inglês, os tradutores da Revised Standard Version (Versão Normal Revisada) ajustaram apenas 13, devido ao texto desse rolo. Isto não significa que não houvesse variações além dessas, mas a vasta maioria das outras eram meras mudanças na ortografia e na gramática. Lembre que estes rolos hebraicos foram anotados com uma diferença de mil anos.

      Que Dizer das Escrituras Gregas Cristãs?

      A questão da transmissão acurada é um debate aceso especialmente em conexão com as Escrituras Gregas Cristãs. Pois, conforme mencionamos anteriormente, houve tentativas de adulteração. A dúvida quanto à pureza do texto avultou por muitos séculos, semelhante a uma nuvem sombria, porque até o século 17, inclusive, as cópias autorizadas mais antigas do “Novo Testamento” na língua grega original remontavam apenas ao 10.º século — mais de 900 anos depois de os originais terem sido escritos. Ninguém podia provar que a adulteração ou a pena de escribas descuidados não tivessem destruído a mensagem cristã.

      Uma “Pérola” Escondida num Mosteiro Isolado

      Em 1844, Constantino von Tischendorf, à busca de antigas cópias da Bíblia, entrou na biblioteca do mosteiro ao pé do Mte. Sinai, ao sul da Palestina. Seus olhos foram atraídos para um grande cesto de páginas de livros. Uma olhada mais de perto o deixou estonteado!

      Ali estavam páginas de uma cópia da Bíblia em grego bem mais antiga do que qualquer outra que já vira. Mal se contendo, perguntou a respeito daquelas páginas. Seu coração foi a pique. Elas eram usadas para acender o fogo! Duas pilhas já haviam sido queimadas! Os monges lhe deram 43 páginas, mas se recusaram a cooperar mais do que isto.

      Ele fez uma segunda viagem ao mosteiro — sem sucesso. Uma terceira viagem — novamente tudo parecia perdido. Ele fez arranjos para partir, considerando perdida a procura. Três dias antes da partida, estava conversando com o ecônomo ou zelador do mosteiro quando este o convidou para ir ao seu quartinho. O zelador comentou que lera um exemplar antigo da Bíblia e abruptamente puxou uma pilha de folhas soltas enroladas num pano vermelho.

      Ao abrir a trouxa, ah!, ali estava a “pérola” que Tischendorf estava procurando há 15 anos. Este manuscrito bíblico, agora chamado de Códice Sinaítico, continha o “Novo Testamento”. Cridos como tendo sido escritos por volta do ano 350 E.C., eram mais de seis séculos mais antigos do que os manuscritos de peso até aquela época. Revelaram qualquer alteração no texto?

      Descobertas e Corrigidas as Alterações

      Desde o início era óbvio que o texto da descoberta de Tischendorf era basicamente idêntico ao que fora a base de nossas Bíblias atuais. Entretanto, revelou evidência de adulteração.

      Um exemplo é o familiar relato em João 8:1-11 (Almeida) sobre uma mulher adúltera prestes a ser apedrejada, e que fala sobre Jesus ter dito: ‘Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.’ Não estava nesse antigo manuscrito. Assim sendo, edições recentes da Bíblia têm-no removido ou posto como nota ao pé da página para refinar o texto bíblico. Outras adições foram também descobertas e omitidas. — Mat. 17:21; 18:11; Atos 8:37.

      Em casos mais sérios, fez-se uma alteração no texto para apoiar um ensino falso, tal como em 1 Timóteo 3:16. A versão Trinitária reza: “Deus se manifestou em carne”, em contraste com “Aquele que foi manifestado na carne”. (American Standard; veja A Bíblia de Jerusalém.) Quanta diferença! Qual é o certo? No primeiro caso, dá a impressão de que Jesus é Deus, contrário às passagens que dizem que ele é o Filho de Deus. — Mar. 13:32.

      Nos manuscritos mais antigos, as palavras para “Deus” e “aquele” (masculino) eram similares (Letras gregas — aquele, masculino) (Letras gregas — Deus). Manuscritos recentes usualmente apresentavam Letras gregas ou o equivalente. Mas no manuscrito encontrado por Tischendorf está Letras gregas, ou “aquele”, referindo-se a Jesus, e não a Deus. Um escriba mudou o termo para que se lesse “Deus”. O manuscrito Alexandrino, do quinto século, nos deixa em dúvida se foi um erro inocente. À primeira vista, parecia ser Letras gregas, mas por meio de um exame com um microscópio se descobriu que originalmente havia sido Letras gregas, e ‘bem depois uma mão’ acrescentou as linhas para alterá-lo. Versões recentes têm refinado o texto para rezar apropriadamente: “Aquele que foi manifestado na carne.” (Veja as versões interlineares, palavra por palavra, Interlinear Greek English New Testament, Nestle; também a Emphatic Diaglott.)

      Um exemplo gritante de adulteração também foi encontrado em 1 João 5:7, onde foi acrescentada a frase: “no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um”. (Almeida) Estas palavras não só não estavam no Sinaítico, como não se encontravam em nenhum manuscrito anterior ao século 16. A evidência indica que um manuscrito que se encontra agora na Faculdade Trindade, em Dublim, Irlanda, foi escrito propositalmente por volta de 1520 para inserir este versículo espúrio! Basicamente, todas as versões modernas omitem esta flagrante alteração.

      Uma Nuvem de Testemunhas

      Manuscritos ainda anteriores aos datados como do quarto século estavam para aparecer. No Egito foram descobertos exemplares da Bíblia escritos em papiro, alguns até mesmo enrolados em múmias! Estes foram cuidadosamente restaurados e remontam ao terceiro século da E. C. Um pequeno fragmento do livro de João remonta até mesmo a 125 E.C.! Como se comparam estes com os manuscritos do quarto século e, daí, com nossas Bíblias atuais? Não há exatidão em letra por letra, mas a mensagem é a mesma. Qualquer alteração é facilmente descoberta. A mensagem soa claramente.

      Mais de 5.000 manuscritos gregos provêm amplos meios para virtualmente reconstruir o texto original. Frederic Kenyon, que tem gasto praticamente a vida inteira estudando estes manuscritos, concluiu:

      “É realmente prova admirável da solidez essencial da tradição que, com todos estes milhares de cópias, remontando suas origens a partes tão diferentes da terra e a condições de natureza tão diversa, as variações do texto sejam inteiramente uma questão de detalhes, não de sentido intrínseco.

      “E é tranqüilizador descobrir, ao final que o resultado geral de todas estas descobertas e de todo este estudo vem fortalecer a prova da autenticidade das Escrituras e nossa convicção de que temos em nossas mãos, em real inteireza, a genuína Palavra de Deus.” — The Story of the Bible, (A História da Bíblia), pp. 136, 144

      A Bíblia se saiu duplamente vitoriosa! Sobrevive como livro e com um texto puro. Entretanto, parece razoável que sua sobrevivência com um texto refinado aconteceu meramente por acaso? É por simples acaso que um livro concluído há mais ou menos dois mil anos, e sujeito a intensas agressões, ainda exista, junto com milhares de cópias antigas, algumas remontando a talvez 25 anos de seus originais? Não é evidência abundante do poder Daquele de quem se diz: “A palavra de nosso Deus permanece eternamente”? — Isa. 40:8, Almeida, atualizada.

      Ainda em nosso relato sobre a luta da Bíblia pela sobrevivência, existe um capítulo final. Como este livro, que “nasceu” no Oriente, conseguiu ser distribuído em línguas vivas até às partes mais distantes da terra? Também, qual é a razão todo importante por que Deus providenciou que a sua Palavra estivesse disponível às pessoas em toda parte?

      [Foto na página 14]

      Os bem antigos rolos do Mar Morto confirmaram a precisão básica dos textos que são usados para a tradução da Bíblia.

      [Foto na página 16]

      Onde os copistas haviam alterado o texto, isto foi exposto por meio de descobertas feitas por homens tais como Tischendorf, que descobriu o manuscrito Sinaítico no Mosteiro de Sta. Catarina.

  • Um livro vivo alcança os confins da terra
    Despertai! — 1980 | 22 de abril
    • Um livro vivo alcança os confins da terra

      ELE conquistara a Europa e não temia ninguém. Nenhuma força oponente parecia invencível. Todavia, após considerar a história da Bíblia, Napoleão admitiu: “A Bíblia não é um mero livro, mas é um Ente Vivo, com poder que vence tudo o que se lhe opõe.”

      Na verdade, é um livro que revelou ser indestrutível! E sua poderosa influência não se limita à sua terra de origem. Embora nascesse no Oriente Médio, a Bíblia alcançou um país após outro. “Aprendeu a falar” em centenas de idiomas ao próprio coração da humanidade. Entretanto, tal avanço em países de línguas desconhecidas não foi feito sem sérios problemas.

      Nos Idiomas do Mundo

      Entre fins dos séculos 15 e 19, o número de línguas que a Bíblia “falava” aumentou de 30 para mais de 450. Isso não foi tarefa fácil, pois os tradutores depararam amiúde

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