BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Pode-se crer no “Antigo Testamento”?
    A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
    • Capítulo 4

      Pode-se crer no “Antigo Testamento”?

      Nos próximos capítulos, consideraremos algumas das acusações lançadas contra a Bíblia por críticos atuais. Alguns levantam a acusação de que a Bíblia se contradiz e que ela é “anticientífica”, e essas acusações serão consideradas mais adiante. Mas, primeiro, consideraremos a frequente acusação de que a Bíblia nada mais é do que uma coleção de mitos e de lendas. Será que aqueles que se opõem à Bíblia têm bases sólidas para tal crítica? Para começar, examinemos as Escrituras Hebraicas, o chamado Antigo (ou: Velho) Testamento.

      1, 2. Como foi o sítio de Jericó, e que perguntas se suscitam em conexão com ele?

      UMA cidade antiga está sendo sitiada. Seus atacantes haviam atravessado em massa o rio Jordão e estavam agora acampados diante das altas muralhas da cidade. Mas que estranha tática de guerra! Todos os dias, durante seis dias, o exército invasor marchara ao redor da cidade em silêncio, rompido apenas por um acompanhante grupo de sacerdotes que tocara buzinas. Agora, no sétimo dia, o exército marcha silencioso sete vezes ao redor da cidade. De repente, os sacerdotes tocam as buzinas com toda a força. O exército rompe o silêncio com um forte grito de guerra, e as altas muralhas da cidade desmoronam numa nuvem de poeira, deixando a cidade indefesa. — Josué 6:1-21.

      2 É assim que o livro de Josué, o sexto das Escrituras Hebraicas, descreve a queda de Jericó, que ocorreu há quase 3.500 anos. Mas será que aconteceu realmente? Muitos altos críticos responderiam confiantemente que não.a Eles afirmam que o livro de Josué, junto com os cinco livros precedentes da Bíblia, é composto de lendas escritas muitos séculos depois da ocorrência dos alegados eventos. Também muitos arqueólogos diriam o mesmo. Segundo eles, quando os israelitas entraram na terra de Canaã, Jericó talvez nem existisse.

      3. Por que é importante examinar se a Bíblia contém história verídica?

      3 Essas são acusações sérias. Ao passo que ler a Bíblia, notará que os ensinos dela se relacionam solidamente com a história. Deus lida com homens, mulheres, famílias e nações reais, e suas ordens são dadas a um povo histórico. Os eruditos modernos que lançam dúvidas sobre a historicidade da Bíblia também lançam dúvidas sobre a importância e a fidedignidade da sua mensagem. Se a Bíblia realmente é a Palavra de Deus, então a sua história tem de ser fidedigna, e não conter meras lendas e mitos. Será que esses críticos têm alguma base para desafiar a veracidade histórica dela?

      A Alta Crítica — Quão Confiável É?

      4-6. Quais são algumas das teorias da alta crítica, de Wellhausen?

      4 A alta crítica da Bíblia começou a sério durante os séculos 18 e 19. Na última metade do século 19, o crítico da Bíblia alemão Julius Wellhausen popularizou a teoria de que os primeiros seis livros da Bíblia, incluindo Josué, foram escritos no quinto século AEC — cerca de mil anos depois dos acontecimentos descritos. No entanto, ele disse que contêm matéria escrita anteriormente.1 Essa teoria foi apresentada na 11.a edição da Enciclopédia Britânica, publicada em 1911, que explicava: “Gênesis é uma obra pós-exílica, composta de fonte sacerdotal pós-exílica (P) e de anteriores fontes não sacerdotais, notadamente diferentes de P em linguagem, estilo e ponto de vista religioso.”

      5 Para Wellhausen e seus seguidores, toda a história registrada na primeira parte das Escrituras Hebraicas era “não história literal, mas tradições populares do passado”.2 Os relatos anteriores eram considerados apenas um reflexo da história posterior de Israel. Por exemplo, declarou-se que a inimizade entre Jacó e Esaú realmente não aconteceu, mas refletia a inimizade entre as nações de Israel e de Edom em tempos posteriores.

      6 Em harmonia com isso, esses críticos achavam que Moisés nunca recebeu ordem para fazer a arca do pacto, e que o tabernáculo, centro da adoração israelita no ermo, nunca existiu. Eles acreditavam também que a autoridade do sacerdócio arônico só foi plenamente estabelecida poucos anos antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios, a qual os críticos acreditavam ter acontecido no começo do sexto século AEC.3

      7, 8. Que “provas” apresentou Wellhausen para as suas teorias, e eram válidas?

      7 Que “provas” apresentaram para essas ideias? Os altos críticos afirmam que conseguem dividir o texto dos primeiros livros da Bíblia em diversos documentos diferentes. Um princípio básico que eles usam é presumir que, falando-se de modo geral, todo versículo da Bíblia que usa a palavra hebraica para Deus (’Elo·hím) sozinha foi escrito por um escritor, ao passo que todo versículo que se refere a Deus pelo nome dele, Jeová, deve ter sido escrito por outro — como se um mesmo escritor não pudesse usar ambos os termos.4

      8 De modo similar, sempre que um evento se encontra registrado mais de uma vez num livro, toma-se isso como prova de que mais de um escritor o produziu, embora a antiga literatura semítica apresente outros exemplos similares de repetição. Além disso, presume-se que toda mudança de estilo significa uma mudança de escritor. No entanto, até mesmo escritores, nas línguas atuais, frequentemente escrevem em estilos diferentes, em estágios diferentes de sua carreira, ou ao tratarem de matéria diferente.b

      9-11. Quais são algumas das destacadas fraquezas da moderna alta crítica?

      9 Existe realmente alguma prova que substancie essas teorias? Nenhuma. Certo comentador escreveu: “A crítica, mesmo no melhor dos casos, é especulativa e tentativa, algo sempre sujeito a ser modificado ou mostrado errado, e que tem de ser substituído por outra coisa. É um exercício intelectual, sujeito a todas as dúvidas e palpites que são inseparáveis de tais exercícios.”5 A alta crítica bíblica, em especial, é “especulativa e tentativa” em extremo.

      10 Gleason L. Archer Jr. mostra outra falha no raciocínio da alta crítica. O problema, segundo ele, é que “a escola de Wellhausen começou com a pura suposição (que praticamente não se incomodaram de demonstrar) de que a religião de Israel era de mera origem humana, como qualquer outra, e que devia ser explicada como mero produto da evolução”.6 Em outras palavras, Wellhausen e seus seguidores começaram com a suposição de que a Bíblia era apenas a palavra de homem, e seus argumentos partiram desse ponto.

      11 Lá em 1909, The Jewish Encyclopedia (A Enciclopédia Judaica) mencionou mais duas fraquezas da teoria de Wellhausen: “Os argumentos com os quais Wellhausen cativou quase que inteiramente todo o grupo de críticos contemporâneos da Bíblia baseiam-se em duas suposições: primeiro, que o rito fica mais apurado com o desenvolvimento da religião; segundo, que as fontes mais antigas necessariamente tratam dos estágios mais primitivos do desenvolvimento ritual. A primeira suposição é contrária à evidência das culturas primitivas, e a última não encontra nenhum apoio na evidência de códigos rituais, tais como os da Índia.”

      12. Como se revela a moderna alta crítica à luz da arqueologia?

      12 Existe um modo de testar a alta crítica, para ver se suas teorias são corretas, ou não? A Enciclopédia Judaica prossegue: “Os conceitos de Wellhausen baseiam-se quase que exclusivamente numa análise literal, e precisam ser suplementados por um exame feito do ponto de vista da arqueologia institucional.” Será que a arqueologia, com o passar dos anos, tendeu a confirmar as teorias de Wellhausen? The New Encyclopædia Britannica (A Nova Enciclopédia Britânica) responde: “A crítica arqueológica tende a substanciar a fidedignidade dos pormenores históricos, típicos, mesmo dos períodos mais antigos [da história bíblica] e a desconsiderar a teoria de que os relatos do Pentateuco [os registros históricos nos mais antigos livros da Bíblia] sejam meros reflexos de um período muito posterior.”

      13, 14. Apesar das suas bases fracas, por que ainda se aceita amplamente a alta crítica de Wellhausen?

      13 Em vista da fraqueza da alta crítica, por que é ela hoje tão popular entre os intelectuais? Porque lhes diz coisas que querem ouvir. Certo erudito do século 19 explicou: “Eu, pessoalmente, aceito mais este livro de Wellhausen do que quase qualquer outro; porque parece-me que o problema premente da história do Antigo Testamento por fim é solucionado dum modo consoante com o princípio da evolução humana, que me vejo forçado a aplicar à história de todas as religiões.”7 Evidentemente, a alta crítica concordava com os preconceitos dele qual evolucionista. E, de fato, as duas teorias têm uma finalidade similar. Assim como a evolução eliminaria a necessidade de se crer num Criador, assim a alta crítica de Wellhausen significaria que não se precisa crer que a Bíblia foi inspirada por Deus.

      14 Neste racionalista século 20, a suposição de que a Bíblia não seja a palavra de Deus, mas sim de homem, parece plausível aos intelectuais.c Para eles, é muito mais fácil crer que as profecias foram escritas depois do seu cumprimento, do que aceitá-las como genuínas. Preferem invalidar os relatos bíblicos dos milagres por classificá-los de mitos, lendas ou folclore, a considerar a possibilidade de que realmente aconteceram. Mas tal ponto de vista é preconceituoso e não oferece nenhuma razão válida para se rejeitar a Bíblia como verdadeira. A alta crítica tem sérias falhas, e seu ataque contra a Bíblia deixou de demonstrar que a Bíblia não é a Palavra de Deus.

      É a Bíblia Apoiada Pela Arqueologia?

      15, 16. A existência de que antigo governante, mencionado na Bíblia, foi confirmada pela arqueologia?

      15 A arqueologia é um campo de estudo de base muito mais sólida do que a alta crítica. Os arqueólogos, por escavarem os restos de civilizações passadas, aumentaram de muitas maneiras nosso entendimento sobre como as coisas eram nos tempos antigos. Por isso, não surpreende que o registro arqueológico repetidas vezes se harmonize com o que lemos na Bíblia. Ocasionalmente, a arqueologia até mesmo tem vindicado a Bíblia perante os críticos dela.

      16 Por exemplo, segundo o livro de Daniel, o último governante de Babilônia, antes dela cair diante dos persas, era chamado Belsazar. (Daniel 5:1-30) Visto que, fora da Bíblia, não parecia haver nenhuma menção de Belsazar, levantou-se a acusação de que a Bíblia estava errada e que esse homem nunca existiu. Mas, no século 19, em algumas ruínas no sul do Iraque, descobriram-se diversos cilindros pequenos, com inscrições cuneiformes. Verificou-se que incluíam orações pela saúde do filho mais velho de Nabonido, rei de Babilônia. O nome desse filho? Belsazar.

      17. Como podemos explicar que a Bíblia chama Belsazar de rei, ao passo que a maioria das inscrições o chamam de príncipe?

      17 Portanto, existia um Belsazar! Mas será que ele era rei por ocasião da queda de Babilônia? A maioria dos documentos encontrados subsequentemente referiam-se a ele como filho do rei, príncipe herdeiro. Mas um documento cuneiforme descrito como o “Relato Versificado de Nabonido” lançou mais luz sobre a verdadeira posição de Belsazar. Relatou: “Ele [Nabonido] confiou o ‘Acampamento’ ao seu (filho) mais velho, o primogênito, as tropas em toda a parte no país ele mandou pôr sob (o comando) dele. Largou (tudo), confiou-lhe o reinado.”8 De modo que se confiou o reinado a Belsazar. Certamente, para todos os fins e objetivos, isso fez dele um rei!d Esse relacionamento entre Belsazar e seu pai, Nabonido, explica por que Belsazar, durante aquele banquete final em Babilônia, ofereceu fazer de Daniel o terceiro governante no reino. (Daniel 5:16) Visto que Nabonido era o primeiro governante, o próprio Belsazar era apenas o segundo governante de Babilônia.

      Outra Evidência em Apoio

      18. Que informações fornece a arqueologia para confirmar a paz e a prosperidade resultante do reinado de Davi?

      18 De fato, muitas descobertas arqueológicas demonstram a exatidão histórica da Bíblia. Por exemplo, a Bíblia relata que, depois de o Rei Salomão ter assumido o reinado de seu pai, Davi, Israel usufruiu grande prosperidade. Lemos: “Judá e Israel eram muitos, em multidão, iguais aos grãos de areia junto ao mar, comendo e bebendo, e alegrando-se.” (1 Reis 4:20) Em apoio dessa declaração, lemos: “A evidência arqueológica revela que houve uma explosão populacional em Judá durante e depois do décimo século a.C., quando a paz e a prosperidade trazidas por Davi tornaram possível construir muitas cidades novas.”10

      19. Que informações adicionais fornece a arqueologia sobre a guerra entre Israel e Moabe?

      19 Mais tarde, Israel e Judá tornaram-se duas nações, e Israel conquistou a vizinha terra de Moabe. Em certa ocasião, Moabe, sob o Rei Mesa, revoltou-se, e Israel formou uma aliança com Judá e com o vizinho reino de Edom, para guerrear contra Moabe. (2 Reis 3:4-27) Notavelmente, em 1868, em Jordão, descobriu-se uma estela (uma esculpida laje de pedra), inscrita na língua moabita com o relato do próprio Mesa sobre esse conflito.

      20. O que nos revela a arqueologia sobre a destruição de Israel pelos assírios?

      20 Daí, no ano 740 AEC, Deus permitiu que o rebelde reino setentrional de Israel fosse destruído pelos assírios. (2 Reis 17:6-18) Falando sobre o relato bíblico desse evento, a arqueóloga Kathleen Kenyon comenta: “Poder-se-ia suspeitar que parte disso fosse uma hipérbole.” Mas será que é? Ela acrescenta: “A evidência arqueológica da queda do reino de Israel é quase mais vívida do que a do registro bíblico. . . . A completa obliteração das cidades israelitas de Samaria e Hazor, e a acompanhante destruição de Megido, é a evidência arqueológica fatual de que o escritor [bíblico] não exagerou.”11

      21. Que pormenores sobre a subjugação de Judá pelos babilônios são fornecidos pela arqueologia?

      21 Ainda mais tarde, a Bíblia nos conta que Jerusalém, sob o Rei Joaquim, foi sitiada pelos babilônios e foi tomada. Esse evento está registrado na Crônica Babilônica, uma tabuinha cuneiforme descoberta pelos arqueólogos. Lemos nela: “O rei de Acade [Babilônia] . . . sitiou a cidade de Judá (iahudu) e o rei tomou a cidade no segundo dia do mês de adaru.”12 Joaquim foi levado a Babilônia e encarcerado. Mais tarde, porém, segundo a Bíblia, ele foi solto da prisão e deu-se-lhe uma subsistência alimentar. (2 Reis 24:8-15; 25:27-30) Isso é apoiado por documentos administrativos encontrados em Babilônia, que alistam as rações dadas a “Yaukîn, rei de Judá”.13

      22, 23. De modo geral, que relação há entre a arqueologia e os relatos históricos da Bíblia?

      22 Referente à relação entre a arqueologia e os relatos históricos da Bíblia, o Professor David Noel Freedman comentou: “Em geral, porém, a arqueologia tende a apoiar a validez histórica da narrativa bíblica. O amplo esboço cronológico, desde os patriarcas até os tempos do N[ovo] T[estamento], correlaciona-se com os dados arqueológicos. . . . Descobertas adicionais provavelmente confirmarão a atual posição moderada, de que a tradição bíblica tem raízes históricas, e foi fielmente transmitida, embora não seja história no sentido crítico ou científico.”

      23 Daí, a respeito dos esforços dos altos críticos, de desacreditar a Bíblia, ele diz: “As tentativas de reconstituição da história bíblica por eruditos modernos — p. ex., o conceito de Wellhausen, de que a era patriarcal era um reflexo da monarquia dividida; ou a rejeição da historicidade de Moisés e do êxodo, e a consequente reestruturação da história israelita por Noth e seus seguidores — não sobreviveram aos dados arqueológicos tão bem como a narrativa bíblica.”14

      A Queda de Jericó

      24. Que informações nos fornece a Bíblia sobre a queda de Jericó?

      24 Significa isso que a arqueologia concorda com a Bíblia em todos os casos? Não, pois há diversos desacordos. Um deles é a conquista dramática de Jericó, descrita no início deste capítulo. Segundo a Bíblia, Jericó foi a primeira cidade conquistada por Josué, quando conduziu os israelitas à terra de Canaã. A cronologia bíblica indica que a cidade caiu na primeira metade do século 15 AEC. Depois da conquista, Jericó foi completamente queimada e foi deixada desabitada por centenas de anos. — Josué 6:1-26; 1 Reis 16:34.

      25, 26. A que duas conclusões diferentes chegaram os arqueólogos em resultado de escavações em Jericó?

      25 Antes da Segunda Guerra Mundial, o Professor John Garstang escavou o sítio que se acreditava ser Jericó. Ele descobriu que a cidade era bem antiga, e que ela havia sido destruída e reconstruída muitas vezes. Garstang constatou que, durante uma dessas destruições, os muros desabaram como que num terremoto, e a cidade foi completamente queimada. Garstang achava que isso ocorreu por volta de 1400 AEC, não muito longe da data indicada pela Bíblia para a destruição de Jericó por Josué.15

      26 Depois da guerra, a arqueóloga Kathleen Kenyon fez escavações adicionais em Jericó. Ela chegou à conclusão de que os muros desmoronados, identificados por Garstang, datavam de centenas de anos antes do que ele pensava. Ela, de fato, identificou uma grande destruição de Jericó no século 16 AEC, mas disse que não havia cidade no lugar de Jericó durante o século 15 — quando a Bíblia diz que Josué invadiu a terra. Ela passa então a relatar possíveis indícios de outra destruição que poderia ter ocorrido no lugar em 1325 AEC, e sugere: “Se a destruição de Jericó há de ser associada com uma invasão sob Josué, essa [última] data é a sugerida pela arqueologia.”16

      27. Por que não nos devem perturbar indevidamente as discrepâncias entre a arqueologia e a Bíblia?

      27 Significa isso que a Bíblia está errada? De modo algum. Temos de lembrar-nos que, ao passo que a arqueologia nos oferece uma janela para o passado, essa janela nem sempre oferece uma vista clara. Às vezes está decididamente fosca. Conforme observou um comentador: “A evidência arqueológica, infelizmente, é fragmentária, e, portanto, limitada.”17 Isso se dá especialmente com os primeiros períodos da história israelita, quando a evidência arqueológica não é clara. De fato, a evidência é menos clara em Jericó, visto que o sítio sofreu grande erosão.

      As Limitações da Arqueologia

      28, 29. Quais são algumas das limitações da arqueologia, admitidas pelos eruditos?

      28 Os próprios arqueólogos admitem as limitações da sua ciência. Por exemplo, Yohanan Aharoni explica: “Quando se trata de interpretação histórica ou histórico-geográfica, o arqueólogo sai do domínio das ciências exatas, e precisa depender de critérios e hipóteses para chegar a um quadro histórico compreensivo.”18 Sobre as datas atribuídas a diversas descobertas, ele acrescenta: “Sempre devemos lembrar, portanto, que nem todas as datas são absolutas e são em variados graus suspeitas”, embora ele ache que os arqueólogos de hoje podem ter mais confiança nas suas datas do que os do passado.19

      29 O Mundo do Antigo Testamento faz a pergunta: “Quão objetivo ou realmente científico é o método arqueológico?” Responde: “Os arqueólogos são mais objetivos quando desenterram os fatos, do que quando os interpretam. Mas as suas preocupações humanas afetam também os métodos que usam ao ‘escavar’. Não podem deixar de destruir sua evidência ao cavarem através de camadas de terra, de modo que nunca podem testar suas ‘experiências’ por repeti-las. Isso torna a arqueologia ímpar entre as ciências. Além disso, torna a reportagem arqueológica uma tarefa muito difícil e cheia de armadilhas.”20

      30. Como é a arqueologia encarada pelos estudantes da Bíblia?

      30 De modo que a arqueologia pode ser muito útil, mas, assim como qualquer outro empreendimento humano, é falível. Ao passo que consideramos com interesse as teorias arqueológicas, nunca devemos encará-las como verdades incontestáveis. Quando os arqueólogos interpretam seus achados dum modo que contradiz a Bíblia, não devemos automaticamente presumir que a Bíblia esteja errada e que os arqueólogos estejam certos. Sabe-se que as interpretações deles têm mudado.

      31. Que nova sugestão foi feita recentemente a respeito da queda de Jericó?

      31 É de interesse notar que o Professor John J. Bimson, em 1981, examinou de novo a questão da destruição de Jericó. Estudou de perto a ocorrência da destruição ardente de Jericó, a qual — segundo Kathleen Kenyon — ocorreu em meados do século 16 AEC. Segundo ele, a destruição não somente se ajusta ao relato bíblico da destruição da cidade por Josué, mas o quadro arqueológico de Canaã, como um todo, enquadra-se perfeitamente na descrição bíblica de Canaã quando foi invadido pelos israelitas. Por isso, ele sugere que a datação arqueológica está errada e propõe que essa destruição realmente ocorreu em meados do século 15 AEC, durante a vida de Josué.21

      A Bíblia É História Genuína

      32. Que tendência se tem observado entre alguns eruditos?

      32 Isso ilustra o fato de que os arqueólogos muitas vezes divergem entre si. Portanto, não surpreende que alguns discordem da Bíblia, ao passo que outros concordam com ela. Não obstante, alguns eruditos estão chegando a respeitar a historicidade da Bíblia de modo geral, se não em todos os pormenores. William Foxwell Albright representava uma escola de pensamento quando escreveu: “Tem havido um retorno geral ao apreço da exatidão da história religiosa de Israel, tanto no aspecto geral como nos pormenores fatuais. . . . Em suma, agora podemos novamente tratar a Bíblia do começo ao fim como documento autêntico de história religiosa.”22

      33, 34. Como fornecem as próprias Escrituras Hebraicas evidência de serem historicamente exatas?

      33 De fato, a própria Bíblia leva o marco de história exata. Os acontecimentos estão relacionados com tempos e datas específicos, dessemelhantes dos da maioria dos antigos mitos e lendas. Muitos acontecimentos registrados na Bíblia são apoiados por inscrições que datam daqueles tempos. Onde ocorre uma diferença entre a Bíblia e alguma inscrição antiga, a discrepância frequentemente pode ser atribuída à aversão dos antigos governantes de registrar suas próprias derrotas, e ao seu desejo de magnificar os seus êxitos.

      34 Deveras, muitas daquelas antigas inscrições são mais propaganda oficial do que história. Em contraste, os escritores bíblicos demonstram uma rara franqueza. Principais personagens ancestrais, tais como Moisés e Arão, são revelados em todas as suas fraquezas e em seus pontos fortes. Até mesmo as falhas do grande rei Davi são reveladas com honestidade. As faltas da nação como um todo são repetidas vezes expostas. Esse candor recomenda as Escrituras Hebraicas como verazes e fidedignas, e dá peso às palavras de Jesus, que disse, ao orar a Deus: “A tua palavra é a verdade.” — João 17:17.

      35. Que deixaram de fazer pensadores racionalistas, e a que recorrem os estudantes da Bíblia para provar a inspiração da Bíblia?

      35 Albright prosseguiu: “De qualquer modo, a Bíblia sobreleva-se em conteúdo a toda a primitiva literatura religiosa; e sobreleva-se de modo igualmente impressionante a toda a literatura subsequente na simplicidade direta da sua mensagem e na catolicidade [alcance abrangente] do interesse que desperta em homens de todas as terras e tempos.”23 É essa ‘mensagem sobrelevante’, em vez de o testemunho de eruditos, que prova a inspiração da Bíblia, conforme veremos em capítulos posteriores. Mas notemos nesse respeito que os pensadores racionalistas modernos deixaram de provar que as Escrituras Hebraicas não são história verídica, ao passo que esses próprios escritos fornecem toda a evidência de serem exatos. Pode-se dizer o mesmo das Escrituras Gregas Cristãs, o “Novo Testamento”? Consideraremos isso no próximo capítulo.

  • O “Novo Testamento” — história ou mito?
    A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
    • Capítulo 5

      O “Novo Testamento” — história ou mito?

      “O Novo Testamento pode hoje ser descrito como o livro mais investigado da literatura mundial.” Assim disse Hans Küng no seu livro “Sobre Ser Cristão”. E ele tem razão. Durante os últimos 300 anos, as Escrituras Gregas Cristãs foram investigadas ao máximo. Foram mais cabalmente dissecadas e mais minuciosamente analisadas do que qualquer outra literatura.

      1, 2. (Inclua a introdução.) (a) A que tratamento foram submetidas as Escrituras Gregas Cristãs nos últimos 300 anos? (b) A que conclusões estranhas chegaram alguns investigadores?

      AS CONCLUSÕES a que alguns investigadores chegaram são estranhas. Lá no século 19, Ludwig Noack, da Alemanha, concluiu que o Evangelho de João foi escrito em 60 EC pelo discípulo amado — o qual, segundo Noack, era Judas! O francês Joseph Ernest Renan sugeriu que a ressurreição de Lázaro provavelmente foi uma fraude elaborada pelo próprio Lázaro, para dar apoio à afirmação de Jesus, de fazer milagres, ao passo que o teólogo alemão Gustav Volkmar insistiu em que o Jesus histórico de maneira alguma podia ter feito reivindicações messiânicas.1

      2 Bruno Bauer, por outro lado, decidiu que Jesus nunca existiu! “Ele sustentou que as verdadeiras forças criativas no primitivo cristianismo eram Filo, Sêneca e os gnósticos. No fim, ele declarou que nunca houve um Jesus histórico . . . que a gênese da religião cristã ocorreu em fins do segundo século e procedeu de um judaísmo no qual o estoicismo se tornara dominante.”2

      3. Que opinião formam ainda muitos sobre a Bíblia?

      3 Hoje em dia, poucos sustentam tais ideias extremas. Mas, ao ler as obras de eruditos modernos, verificará que muitos ainda acreditam que as Escrituras Gregas Cristãs contêm lendas, mitos e exageros. Será que isso é verdade?

      Quando Foram Escritas?

      4. (a) Por que é importante saber quando foram escritos os livros das Escrituras Gregas Cristãs? (b) Quais são algumas das opiniões sobre o tempo da escrita das Escrituras Gregas Cristãs?

      4 Mitos e lendas levam tempo para se desenvolver. Por isso é importante fazer a pergunta: quando foram escritos esses livros? Michael Grant, historiador, diz que os escritos históricos das Escrituras Gregas Cristãs tiveram início “trinta ou quarenta anos após a morte de Jesus”.4 O arqueólogo bíblico William Foxwell Albright citou C. C. Torrey como chegando à conclusão de “que todos os Evangelhos foram escritos antes de 70 A.D. e que não há neles nada que não pudesse ter sido escrito dentro de vinte anos após a Crucificação”. A opinião do próprio Albright era que sua escrita foi completada “o mais tardar por volta de 80 A.D.”. Outros apresentam cálculos um pouco diferentes, mas a maioria concorda que a escrita do “Novo Testamento” estava completa por volta do fim do primeiro século.

      5, 6. O que devemos concluir do fato de que as Escrituras Gregas Cristãs foram escritas pouco depois dos acontecimentos registrados nelas?

      5 O que significa isso? Albright conclui: “Só podemos dizer que um período de vinte a cinquenta anos é limitado demais para permitir qualquer corrupção substancial do conteúdo essencial e mesmo da fraseologia específica dos dizeres de Jesus.”5 O Professor Gary Habermas acrescenta: “Os Evangelhos são de bem perto do período que registram, ao passo que as histórias antigas costumam descrever eventos que ocorreram séculos antes. Todavia, os atuais historiadores conseguem com bom êxito derivar os eventos mesmo de tais períodos antigos.”6

      6 Em outras palavras, as partes históricas das Escrituras Gregas Cristãs merecem pelo menos tanto crédito quanto as histórias seculares. Por certo, nas poucas décadas decorridas entre os acontecimentos do primitivo cristianismo e o tempo em que foram assentados por escrito, não houve tempo para se desenvolverem mitos e lendas, e para esses serem universalmente aceitos.

      Testemunho Ocular

      7, 8. (a) Quem vivia ainda enquanto as Escrituras Gregas Cristãs estavam sendo escritas e circuladas? (b) O que devemos concluir disso, em harmonia com o comentário do Professor F. F. Bruce?

      7 Isso se dá especialmente em vista do fato de muitos dos relatos falarem à base de testemunho ocular. O escritor do Evangelho de João disse: “Este é o discípulo [o discípulo a quem Jesus amava] que dá testemunho destas coisas e que escreveu estas coisas.” (João 21:24) O escritor do livro de Lucas diz: “[Os fatos] no-los transmitiram os que desde o princípio se tornaram testemunhas oculares e assistentes da mensagem.” (Lucas 1:2) O apóstolo Paulo, falando daqueles que testemunharam a ressurreição de Jesus, disse: “A maioria [deles] permanece até o presente, mas alguns já adormeceram na morte.” — 1 Coríntios 15:6.

      8 Nesse respeito, o Professor F. F. Bruce faz uma perspicaz observação: “De modo algum deve ter sido tão fácil, como alguns escritores parecem pensar, inventar palavras e atos de Jesus naqueles primeiros anos, quando ainda existiam tantos dos discípulos Dele, que podiam lembrar-se do que havia e do que não havia acontecido. . . . Os discípulos não podiam arriscar-se a cometer inexatidões (sem se falar em deliberadamente manipular os fatos), que seriam imediatamente expostas por aqueles que teriam muito prazer em fazer isso. Ao contrário, um dos pontos fortes da pregação apostólica original é o apelo confiante para o conhecimento dos ouvintes; eles não somente disseram: ‘Somos testemunhas destas coisas’, mas também: ‘Conforme vós mesmos também sabeis’ (Atos 2:22).”7

      É o Texto Digno de Confiança?

      9, 10. No que se refere às Escrituras Gregas Cristãs, que certeza podemos ter?

      9 Existe a possibilidade de que esses testemunhos oculares fossem registrados com exatidão, porém mais tarde corrompidos? Em outras palavras, introduziram-se mitos e lendas depois de se completar a escrita original? Já vimos que o texto das Escrituras Gregas Cristãs está em melhores condições do que qualquer outra literatura antiga. Kurt e Barbara Aland, peritos do texto grego da Bíblia, alistam quase 5.000 manuscritos que sobreviveram desde a antiguidade até agora, alguns deles já desde o segundo século EC.8 O testemunho geral dessa grande quantidade de evidência é no sentido de que o texto é essencialmente correto. Além disso, há muitas traduções antigas — as mais antigas sendo de cerca do ano 180 EC — que ajudam a provar que o texto é exato.9

      10 Portanto, não importa como encaremos isso, podemos ter a certeza de que não se infiltraram lendas e mitos nas Escrituras Gregas Cristãs depois de os escritores originais terem terminado seu trabalho. O texto que temos é substancialmente o mesmo que os escritores originais registraram, e sua exatidão é confirmada pelo fato de que foi aceito pelos cristãos contemporâneos. Então, é possível verificarmos a historicidade da Bíblia por compará-la com outras histórias antigas? Até certo ponto, sim.

      A Evidência Documentária

      11. Até que ponto apoia a evidência documentária externa os relatos históricos das Escrituras Gregas Cristãs?

      11 De fato, no que se refere aos eventos na vida de Jesus e de seus apóstolos, a evidência documentária fora da Bíblia é bastante limitada. Isso é somente lógico, visto que, no primeiro século, os cristãos eram um grupo relativamente pequeno, que não se envolvia na política. Mas a evidência que a história secular de fato provê concorda com o que lemos na Bíblia.

      12. O que nos diz Josefo sobre João, o Batizador?

      12 Por exemplo, depois de Herodes Ântipas ter sofrido uma esmagadora derrota militar, o historiador judaico Josefo, escrevendo em 93 EC, disse: “A alguns dos judeus parecia que a destruição do exército de Herodes era vingança divina, e certamente uma vingança justa, pelo tratamento que dispensou a João, apelidado de Batista. Porque Herodes mandara matá-lo, embora fosse um homem bom e tivesse exortado os judeus a levar uma vida justa, a praticar a justiça para com o seu próximo e a piedade para com Deus.”10 Josefo confirma assim o relato bíblico de que João, o Batizador, era homem justo, que pregava o arrependimento e foi executado por Herodes. — Mateus 3:1-12; 14:11.

      13. Como apoia Josefo a historicidade de Tiago e do próprio Jesus?

      13 Josefo menciona também o meio-irmão de Jesus, Tiago, que, segundo nos diz a Bíblia, no começo não seguiu Jesus, mas depois tornou-se um ancião de destaque em Jerusalém. (João 7:3-5; Gálatas 1:18, 19) Ele documenta a prisão de Tiago com as seguintes palavras: “[O sumo sacerdote Ananus] convocou os juízes do Sinédrio e levou perante eles um homem chamado Tiago, irmão de Jesus, que era chamado o Cristo, e certos outros.”11 Escrevendo essas palavras, Josefo confirma adicionalmente que “Jesus, que era chamado o Cristo”, era uma pessoa histórica, real.

      14, 15. Que apoio dá Tácito ao registro bíblico?

      14 Outros dos antigos escritores também se referem a coisas mencionadas nas Escrituras Gregas. Por exemplo, os Evangelhos nos dizem que a pregação de Jesus na Palestina teve ampla aceitação. Quando ele foi sentenciado à morte, por Pôncio Pilatos, seus seguidores ficaram confusos e desanimados. Pouco depois, esses mesmos discípulos, destemidamente, encheram Jerusalém com a mensagem de que seu Senhor havia sido ressuscitado. Em poucos anos, o cristianismo se espalhou pelo Império Romano. — Mateus 4:25; 26:31; 27:24-26; Atos 2:23, 24, 36; 5:28; 17:6.

      15 Testemunho a respeito da veracidade disso é dado pelo historiador romano Tácito, que não era amigo do cristianismo. Escrevendo logo depois do ano 100 EC, ele fala sobre a perseguição cruel que Nero movera aos cristãos e acrescenta: “O autor desse seu nome foi Cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava de novo a grassar não só por toda a Judeia, origem desse mal, mas até dentro de Roma.”12

      16. Que acontecimento histórico mencionado na Bíblia também é mencionado por Suetônio?

      16 Em Atos 18:2, o escritor bíblico se refere ao fato de que “[o imperador romano] Cláudio tinha ordenado que todos os judeus saíssem de Roma”. Suetônio, historiador romano do segundo século, também menciona essa expulsão. Na sua obra O Deificado Cláudio, o historiador diz: “Visto que os judeus causavam constantemente distúrbios às instigações de Cresto, ele [Cláudio] os expulsou de Roma.”13 Se o Cresto aqui mencionado se refere a Jesus Cristo, e se os eventos em Roma acompanhavam o que ocorria em outras cidades, então os distúrbios realmente não eram às instigações de Cristo (quer dizer, os seguidores de Cristo). Antes, eram a reação violenta dos judeus à fiel atividade de pregação dos cristãos.

      17. Que fontes estavam disponíveis a Justino, o Mártir, no segundo século, que apoiam o relato bíblico sobre os milagres de Jesus e a morte dele?

      17 Justino, o Mártir, em meados do segundo século, escreveu com referência à morte de Jesus: “Que essas coisas realmente aconteceram, podes averiguar dos Atos de Pôncio Pilatos.”14 Além disso, segundo Justino, o Mártir, os mesmos registros mencionavam os milagres de Jesus, a respeito dos quais ele diz: “Que Ele fez essas coisas, podes saber dos Atos de Pôncio Pilatos.”15 É verdade que esses “Atos”, ou registros oficiais, não mais existem. Mas eles evidentemente existiam no segundo século, e Justino, o Mártir, confiantemente desafiava seus leitores a verificá-los para confirmar a veracidade do que ele dizia.

      A Evidência Arqueológica

      18. Que apoio dá a arqueologia à existência de Pôncio Pilatos?

      18 As descobertas arqueológicas também têm ilustrado e confirmado aquilo que lemos nas Escrituras Gregas. Assim, em 1961, o nome de Pôncio Pilatos foi encontrado numa inscrição nas ruínas dum teatro romano em Cesareia.16 Até essa descoberta, havia apenas evidência limitada, à parte da própria Bíblia, da existência desse governante romano.

      19, 20. Que personagens bíblicos mencionados por Lucas (em Lucas e em Atos) foram confirmados pela arqueologia?

      19 No Evangelho de Lucas, lemos que João, o Batizador, iniciou seu ministério “quando . . . Lisânias era governante distrital de Abilene”. (Lucas 3:1) Alguns duvidaram dessa declaração, por Josefo mencionar um Lisânias que governou Abilene e que morreu em 34 AEC, muito antes do nascimento de João. No entanto, os arqueólogos descobriram uma inscrição em Abilene que menciona outro Lisânias, que era tetrarca (governante distrital) durante o reinado de Tibério, que governou como César em Roma quando João iniciou seu ministério.17 Este facilmente pode ter sido o Lisânias mencionado por Lucas.

      20 Lemos em Atos que Paulo e Barnabé foram enviados para fazer uma obra missionária em Chipre e que ali encontraram um procônsul chamado Sérgio Paulo, “homem inteligente”. (Atos 13:7) Em meados do século 19, em escavações feitas em Chipre, descobriu-se uma inscrição datando de 55 EC, a qual menciona esse mesmo homem. Sobre isso diz o arqueólogo G. Ernest Wright: “Essa é a única referência que temos a esse procônsul, fora da Bíblia, e é interessante que Lucas nos forneça seu nome e título corretos.”18

      21, 22. Que práticas religiosas, registradas na Bíblia, foram confirmadas pelas descobertas arqueológicas?

      21 Durante a estada de Paulo em Atenas, ele disse que havia observado um altar dedicado “A um Deus Desconhecido”. (Atos 17:23) Em outras partes do território do Império Romano descobriram-se altares dedicados em latim a deuses anônimos. Um deles foi encontrado em Pérgamo, com uma inscrição em grego, como seria o caso em Atenas.

      22 Mais tarde, enquanto Paulo estava em Éfeso, sofreu oposição violenta por parte dos prateiros, cujo rendimento provinha da fabricação de santuários e imagens da deusa Ártemis. Éfeso era chamada de “guardiã do templo da grande Ártemis”. (Atos 19:35) Em harmonia com isso, descobriram-se diversas estatuetas de Ártemis, de terracota e de mármore, no lugar da antiga Éfeso. No último século, escavaram-se os restos do próprio enorme templo.

      O Tom da Verdade

      23, 24. (a) Onde encontramos a prova mais forte da veracidade dos escritos das Escrituras Gregas Cristãs? (b) Que qualidade inerente no registro bíblico atesta sua veracidade? Ilustre isso.

      23 Portanto, a história e a arqueologia ilustram, e até certo ponto confirmam, os elementos históricos das Escrituras Gregas. Mas, novamente, a prova mais forte da veracidade desses escritos se encontra nos próprios livros. Sua leitura não dá a impressão de mitos. Eles têm o tom da verdade.

      24 Em primeiro lugar, são muito francos. Pense no que se registrou a respeito de Pedro. Pormenoriza-se seu embaraçoso fracasso quanto a andar sobre água. Depois, Jesus disse a esse altamente respeitado apóstolo: “Para trás de mim, Satanás!” (Mateus 14:28-31; 16:23) Além disso, depois de protestar vigorosamente que, mesmo que todos os outros abandonassem Jesus, ele é que nunca faria isso, Pedro adormeceu na sua vigília noturna e então negou ao seu Senhor três vezes. — Mateus 26:31-35, 37-45, 73-75.

      25. Que fraquezas dos apóstolos foram francamente expostas pelos escritores bíblicos?

      25 Mas Pedro não é o único cujas fraquezas foram expostas. O registro franco não encobre as discussões dos apóstolos quanto a quem seria o maior deles. (Mateus 18:1; Marcos 9:34; Lucas 22:24) Tampouco deixa de contar-nos que a mãe dos apóstolos Tiago e João pediu que Jesus desse aos seus filhos as posições mais favorecidas no seu Reino. (Mateus 20:20-23) O “forte acesso de ira” entre Barnabé e Paulo também é documentado fielmente. — Atos 15:36-39.

      26. Que pormenor sobre a ressurreição de Jesus só seria incluído se fosse verdadeiro?

      26 Digno de nota também é o fato de que o livro de Lucas nos informa que foram “as mulheres, que tinham vindo com ele desde a Galileia”, que primeiro souberam da ressurreição de Jesus. Esse é um pormenor bem incomum na sociedade dominada pelos homens, do primeiro século. De fato, segundo o registro, o que as mulheres disseram ‘parecia tolice’ aos apóstolos. (Lucas 23:55–24:11) Se a história das Escrituras Gregas não for verdade, então deve ter sido inventada. Mas por que inventaria alguém uma história que retratasse personagens tão respeitados de forma nada lisonjeira? Tais pormenores só teriam sido incluídos se fossem verdade.

      Jesus — Uma Pessoa Real

      27. Como confirma um historiador a existência histórica de Jesus?

      27 Muitos têm encarado Jesus, assim como ele é descrito na Bíblia, como ficção inventada. Mas o historiador Michael Grant observa: “Se aplicamos ao Novo Testamento, conforme devemos, o mesmo critério que devemos aplicar a outros escritos antigos que contêm matéria histórica, não podemos rejeitar a existência de Jesus assim como tampouco podemos rejeitar a existência duma multidão de personagens pagãos, cuja realidade como figuras históricas nunca é questionada.”19

      28, 29. Por que é significativo que os quatro Evangelhos apresentam um quadro uniforme da personalidade de Jesus?

      28 Não somente a existência de Jesus, mas também a sua personalidade se manifesta na Bíblia com um decidido tom de verdade. Não é fácil inventar um personagem incomum e depois apresentar um retrato coerente dele em todo um livro. É quase que impossível quatro escritores diferentes escreverem sobre um mesmo personagem e coerentemente apresentarem o mesmo quadro dele, se esse personagem realmente nunca existiu. O fato de que o Jesus descrito nos quatro Evangelhos é obviamente a mesma pessoa é evidência persuasiva da veracidade dos Evangelhos.

      29 Michael Grant cita uma pergunta bem apropriada: “Como é que, em todas as tradições evangélicas, sem exceção, surge um quadro de traços notavelmente firmes de um atraente jovem, que andava livremente no meio de todo tipo de mulheres, inclusive as decididamente mal-afamadas, sem qualquer traço de sentimentalismo, falta de naturalidade, ou melindre, e que, no entanto, em todo momento, mantinha uma integridade simples de caráter?”20 A única resposta é que tal homem realmente existiu e agiu assim como a Bíblia diz.

      O Motivo de Alguns Não Crerem

      30, 31. Por que é que muitos não aceitam as Escrituras Gregas Cristãs como historicamente exatas, apesar de toda a evidência?

      30 Visto que existe evidência irrefutável para se dizer que as Escrituras Gregas são história verdadeira, por que dizem alguns que não são? Por que é que muitos, embora aceitem partes delas como genuínas, não obstante recusam aceitar tudo o que elas contêm? Isso se dá principalmente porque a Bíblia registra coisas em que os modernos intelectuais não querem crer. Por exemplo, ela diz que Jesus tanto cumpriu como proferiu profecias. Diz também que ele realizou milagres e que, após a sua morte, foi ressuscitado.

      31 Neste céptico século 20, coisas assim são incríveis. A respeito de milagres, o Professor Ezra P. Gould observa: “Há uma ressalva que alguns dos críticos se sentem justificados a fazer . . . que milagres não acontecem.”21 Alguns aceitam que Jesus tenha feito curas, mas apenas do tipo psicossomático, do ‘domínio da mente sobre a matéria’. Quanto aos outros milagres, a maioria deles os rejeita, quer como invenções, quer como eventos reais que foram deturpados no relato.

      32, 33. Como tentaram alguns rejeitar a ocorrência do milagre de Jesus alimentar uma grande multidão, mas por que é isso ilógico?

      32 Como exemplo, considere a ocasião em que Jesus alimentou uma multidão de mais de 5.000 com apenas alguns pães e dois peixes. (Mateus 14:14-22) O erudito Heinrich Paulus, do século 19, sugeriu que o que aconteceu mesmo foi o seguinte: Jesus e seus apóstolos se viram acompanhados por uma grande multidão que estava ficando com fome. De modo que ele decidiu dar um bom exemplo aos ricos presentes. Tomou o pouco alimento que ele e seus apóstolos tinham e compartilhou-o com a multidão. Logo, outros que trouxeram alimentos consigo seguiram o exemplo dele e compartilharam o que tinham. Por fim, a multidão inteira foi alimentada.22

      33 Se isso foi o que realmente aconteceu, porém, então é uma notável prova do poder dum bom exemplo. Por que se deturparia uma história tão interessante e significativa para fazê-la parecer um milagre sobrenatural? De fato, todos esses esforços para explicar os milagres como não tendo sido algo miraculoso criam mais problemas do que solucionam. E baseiam-se em premissas falsas. Começam por presumir que milagres são impossíveis. Mas por que se daria isso?

      34. Se a Bíblia realmente contém profecias exatas e relatos de milagres genuínos, o que isso prova?

      34 De acordo com as normas mais razoáveis, tanto as Escrituras Hebraicas como as Gregas são história genuína, no entanto, ambas contêm exemplos de profecias e de milagres. (Veja 2 Reis 4:42-44.) Que dizer, então, se as profecias são mesmo genuínas? E que dizer se os milagres realmente aconteceram? Nesse caso, Deus, de fato, estava por detrás da escrita da Bíblia, e ela realmente é a palavra dele, não a de homem. Num outro capítulo consideraremos a questão das profecias, mas, primeiro examinemos os milagres. É razoável, neste século 20, crer que milagres realmente aconteceram em séculos anteriores?

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar