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Pode-se confiar na Bíblia?A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?
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Capítulo 17
Pode-se confiar na Bíblia?
1. (a) Que conceito têm muitos sobre a Bíblia, em contraste com a própria afirmação da Bíblia? (b) Que pergunta surge?
MUITOS encaram a Bíblia como simples livro escrito por homens sábios de priscas eras. Certo professor universitário, Gerald A. Larue, asseverou: “Os pontos de vista dos escritores, conforme expressos na Bíblia, refletem as idéias, as crenças e os conceitos correntes em suas próprias épocas e estão limitados pelo grau de conhecimento daqueles tempos.”1 Todavia, a Bíblia afirma ser um livro inspirado por Deus. (2 Timóteo 3:16) Caso isto seja verdade, ela certamente estaria isenta de conceitos errôneos prevalecentes na época em que suas várias partes foram escritas. Pode a Bíblia suportar o escrutínio, à luz do conhecimento atual?
2. Como é que novas informações muitas vezes influem nos escritos dos homens sobre assuntos científicos?
2 Ao considerarmos esta pergunta, tenha presente que, com o progresso em conhecimento, os humanos constantemente precisam ajustar seus conceitos às novas informações e descobertas. A revista Scientific Monthly (Mensário Científico) certa vez observou: “É esperar demais que artigos escritos, em alguns casos, tão [recentemente] quanto cinco anos atrás pudessem ser agora aceitos como representando as últimas idéias nos campos da ciência a que dizem respeito.”2 Todavia, a Bíblia foi escrita e compilada durante um período de cerca de 1.600 anos, e foi concluída há quase 2.000 anos. Que se pode afirmar hoje sobre a exatidão dela?
A Bíblia e a Ciência
3. Que conceitos tinham os povos antigos sobre a base de sustentação da Terra, mas o que diz a Bíblia?
3 Quando a Bíblia estava sendo escrita, havia especulação sobre como a Terra era sustentada no espaço. Alguns, para exemplificar, criam que a Terra se apoiava em quatro elefantes que estavam de pé sobre grande tartaruga-marinha. Todavia, em vez de refletir os conceitos fantasiosos e anticientíficos da época em que foi escrita, a Bíblia simplesmente declarava: “[Deus] estende o norte sobre o vazio, suspende a terra sobre o nada.” (Jó 26:7) Sim, há mais de 3.000 anos a Bíblia corretamente comentava que a Terra não tinha sustentação visível, fato que se harmoniza com as leis mais recentemente entendidas da gravidade e do movimento. “Como é que Jó sabia da verdade”, comentou certo perito religioso, “é uma questão não facilmente solucionada por aqueles que negam a inspiração da Escritura Sagrada”.3
4, 5. (a) Em que criam as pessoas outrora sobre o formato da Terra, causando que temor? (b) Que diz a Bíblia sobre o formato da Terra?
4 A respeito do formato da Terra, The Encyclopedia Americana afirma: “A imagem mais antiga que os homens tinham da Terra era que ela era uma plataforma plana, rígida, no centro do universo. . . . O conceito de uma Terra esferóide não era amplamente aceito até a Renascença.”4 Alguns dos primitivos navegadores até mesmo temiam velejar a ponto de caírem da beirada da Terra plana! Daí, porém, a introdução da bússola e de outros aprimoramentos tornaram possíveis as viagens oceânicas mais extensas. Tais “viagens de descobrimento”, segundo explica outra enciclopédia, “mostraram que o mundo era redondo, e não plano como cria a maioria das pessoas”.5
5 Todavia, muito antes de tais viagens, com efeito, há cerca de 2.700 anos, a Bíblia dizia: “Há Um que mora acima do círculo da terra, cujos moradores são como gafanhotos.” (Isaías 40:22) A palavra hebraica hhugh, traduzida “círculo”, pode também significar “esfera”, como mostram obras de referências tais como o Analytical Hebrew and Chaldee Lexicon (Léxico Analítico Hebraico e Caldeu), de Davidson. Outras traduções, por conseguinte, dizem “o globo da terra” (Versão do Pontifício Instituto Bíblico, de Roma) e “a redondeza da terra”. (Matos Soares) Assim, a Bíblia não foi influenciada pelo conceito errôneo de que a Terra era plana, predominante na época em que foi escrita. Ela era exata.
6. Que maravilhoso ciclo, em geral não entendido nos tempos antigos, descreve a Bíblia?
6 Os humanos há muito observaram que os rios deságuam nos mares e oceanos, e, mesmo assim, estes não se aprofundam. Alguns criam, até se aprender que a Terra era esferoidal, que isto se dava porque igual volume de água se derramava das beiradas da Terra. Mais tarde, aprendeu-se que o sol “bombeia” bilhões de litros de água dos mares a cada segundo, em forma de vapor d’água. Isto produz nuvens que são levadas pelos ventos para áreas terrestres, onde a umidade cai em forma de chuva e neve. A água então escoa para os rios e flui de novo para os mares. Este maravilhoso ciclo, embora fosse em geral desconhecido nos tempos antigos, é mencionado na Bíblia: “Os rios correm para o mar, mas o mar nunca fica cheio. A água volta para os rios e corre outra vez para o mar.” — Eclesiastes 1:7, A Bíblia Viva.
7, 8. (a) Como é que a Bíblia tem-se provado exata no que declara sobre a origem do universo? (b) Qual é a reação de alguns astrônomos a estas informações mais recentes, e por quê?
7 No que tange à origem do universo, a Bíblia declara: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1) Muitos cientistas, porém, consideravam isto anticientífico, asseverando que o universo não teve princípio. Entretanto, apontando informações mais recentes, o astrônomo Robert Jastrow explica: “A essência dos estranhos acontecimentos é que o Universo teve, em certo sentido, um princípio — que começou em dado instante de tempo.” Jastrow refere-se aqui à teoria, agora comumente aceita, da grande explosão, conforme indicada no Capítulo 9. Acrescenta: Agora vemos como a evidência astronômica leva a um conceito bíblico sobre a origem do mundo. Os pormenores diferem, mas os elementos essenciais no relato astronômico e nos relatos bíblicos de Gênesis são os mesmos.”6
8 Qual tem sido a reação a tais descobertas? “Os astrônomos acham-se curiosamente aborrecidos”, escreve Jastrow. “As reações deles fornecem interessante demonstração da resposta da mente científica — supostamente uma mente muito objetiva — quando a evidência revelada pela própria ciência leva a um conflito com os artigos de fé de nossa categoria profissional. Acontece que o cientista se comporta como o resto de nós quando nossas crenças colidem com a evidência. Ficamos irritados, fingimos que não existe tal conflito, ou o encobrimos com frases sem significado.”7 Mas, permanece a realidade que, ao passo que a “evidência revelada pela ciência” discordava daquilo que os cientistas há muito criam a respeito da origem do universo, ela confirmava o que há milênios foi escrito na Bíblia.
9, 10. (a) Que afirma a Bíblia a respeito dum grande dilúvio? (b) Que evidência comprova agora ser verdade aquilo que a Bíblia diz?
9 Nos dias de Noé, afirma a Bíblia, grande dilúvio cobriu as montanhas mais elevadas da Terra e destruiu toda a vida humana que estava fora da enorme arca construída por Noé. (Gênesis 7:1-24) Muitos zombam deste relato. Todavia, conchas marinhas são encontradas em elevados montes. E adicional evidência de que ocorreu um dilúvio de imensas proporções, no passado não muito distante, é o grande número de fósseis e carcaças acumuladas em jazigos glaciais de lama de paul. Observou a revista The Saturday Evening Post (Correio de Sábado à Noite): “Muitos destes animais estavam perfeitamente frescos, inteiriços e ilesos, e ainda, quer de pé, quer pelo menos ajoelhados eretos. . . . Eis um quadro realmente chocante — para o nosso modo antigo de pensar. Vastas manadas de animais enormes, bem-nutridos, não especialmente preparados para um frio extremo, pastando placidamente em prados ensolarados . . . De repente foram todos mortos, sem qualquer sinal visível de violência e antes de poderem mesmo engolir o último bocado de forragem, e depois foram congelados tão rapidamente que cada célula de seus corpos ficou perfeitamente preservada.”8
10 Isto se enquadra no ocorrido no grande Dilúvio. A Bíblia o descreve nas seguintes palavras: “Romperam-se todos os mananciais da vasta água de profundeza e abriram-se as comportas dos céus.” A chuvarada ‘predominou grandemente sobre a terra’, sendo acompanhada, sem dúvida, de ventos gélidos das regiões polares. (Gênesis 1:6-8; 7:11, 19) Ali, a mudança de temperatura seria a mais rápida e drástica. Várias formas de vida foram assim engolfadas e preservadas na glacial lama de paul. Uma de tais pode ter sido o mamute descoberto por escavadores na Sibéria e que é visto na ilustração acompanhante. Ainda havia vegetação em sua boca e em seu estômago, e sua carne ainda era comestível, quando descongelada.
11. O que mais, na Bíblia, foi confirmado pelo conhecimento incrementado, levando até mesmo alguns cientistas a que conclusão?
11 Quanto mais se examina a Bíblia, tanto mais surpreendente se torna sua notável exatidão. Conforme indicado nas páginas 36 e 37 deste livro, a Bíblia fornece os estágios da criação na mesmíssima ordem agora confirmada pela ciência, um fato difícil de explicar se a Bíblia tivesse, simplesmente, uma origem humana. Trata-se de outro exemplo dos muitos pormenores na Bíblia confirmados pelo crescente conhecimento. Com boa razão, um dos maiores cientistas de todos os tempos, Isaac Newton, disse: “Não existem ciências mais bem comprovadas do que a religião da Bíblia.”9
A Bíblia e a Saúde
12. Como é que um médico contrastou as superstições comuns quanto à saúde com as declarações da Bíblia?
12 No decorrer dos séculos, havia grande ignorância em questões de saúde. Um médico chegou mesmo a declarar: “Ainda crêem em muitas superstições grande número de pessoas, tais como a de que uma espécie de castanha norte-americana no bolso evita o reumatismo; que tocar em sapos causa verrugas; que usar flanela vermelha em volta do pescoço cura dor de garganta” e outras. Todavia, ele exclamou: “Mas não se encontram tais declarações na Bíblia. Isto, em si, é notável.”10
13. Que arriscado tratamento médico era prescrito pelos antigos egípcios?
13 A Bíblia também é notável quando se comparam os arriscados tratamentos médicos utilizados no passado com o que ela diz. Por exemplo, o Papiro Ebers, documento médico dos antigos egípcios, prescreveu o emprego de excremento para tratar várias enfermidades. Mandava que se misturasse excremento humano com leite fresco e o aplicasse como cataplasma sobre as lesões que ficam depois de cair a casca. E um remédio para remover estilhaços reza: “Sangue de minhocas, cozinhe e esmague em azeite; toupeira, mate e cozinhe, e escoe em azeite; estrume de jumento, misture com leite fresco. Aplique ao orifício.”11 Este tratamento, como é bem sabido hoje, pode resultar em graves infecções.
14. O que diz a Bíblia sobre a destinação final dos dejetos, e como isto tem servido de proteção?
14 Que diz a Bíblia sobre o excremento? Ela mandava: “Quando te abaixares lá fora, então tens de cavar um buraco com [um instrumento de cavar] e tens de virar-te e encobrir teu excremento.” (Deuteronômio 23:13) Assim, longe de prescrever o excremento como tratamento médico, a Bíblia mandava que se desse uma segura destinação final aos dejetos orgânicos. Até o presente século não se conhecia, em geral, o perigo de deixar o excremento exposto a moscas. Isto resultava na disseminação de doenças cujos vetores são as moscas, e na morte de muita gente. Todavia, o remédio simples sempre esteve registrado na Bíblia, e já era seguido pelos israelitas há mais de 3.000 anos.
15. Caso se tivesse seguido a recomendação bíblica quanto a tocar em cadáveres, que prática médica — que resultou em muitas mortes — teria sido evitada?
15 No século passado, as equipes médicas passavam diretamente da manipulação dos mortos, na sala de dissecação, aos exames na maternidade, e nem sequer lavavam as mãos. Transferia-se assim a infecção dos mortos, e muitos outros morriam. Mesmo quando se demonstrou o valor de lavar as mãos, muitos da comunidade médica se opuseram a tais medidas higiênicas. Sem dúvida, sem que o soubessem, rejeitavam a sabedoria contida na Bíblia, uma vez que a lei que Jeová deu aos israelitas decretava que quem tocasse um cadáver tornava-se impuro e tinha de lavar-se e também lavar suas roupas. — Números 19:11-22.
16. Como se demonstrou sabedoria, além do conhecimento humano, na orientação de se fazer a circuncisão no oitavo dia de vida?
16 Como sinal do pacto com Abraão, Jeová Deus disse: “Cada macho vosso, aos oito dias de idade, terá de ser circuncidado.” Mais tarde, este requisito foi repetido para a nação de Israel. (Gênesis 17:12; Levítico 12:2, 3) Não se deu nenhuma explicação por que o oitavo dia foi especificado, mas, hoje, nós compreendemos isso. A pesquisa médica revelou que a vitamina K, fator coagulante do sangue, só sobe a um nível apropriado nessa ocasião. Outro fator coagulante essencial, a protrombina, parece ficar mais elevada no oitavo dia do que em qualquer outro período da vida da criança. Com base nesta evidência, o dr. S. I. McMillen concluiu: “O dia perfeito para se realizar uma circuncisão é o oitavo dia.”12 Foi simples coincidência? De jeito nenhum. Tratava-se de conhecimento repassado por um Deus com conhecimento de causa.
17. Qual é outra descoberta da ciência que confirma a Bíblia?
17 Outra descoberta da ciência moderna é o grau em que a atitude mental e as emoções influem na saúde. Explica certa enciclopédia: “Desde 1940, tornou-se cada vez mais evidente que a função fisiológica dos órgãos e dos sistemas orgânicos estão intimamente vinculados ao estado mental do indivíduo e que até mesmo mudanças de tecido podem ocorrer num órgão assim atingido.”13 No entanto, esta íntima vinculação entre a atitude mental e a saúde física já fora há muito mencionada na Bíblia. Por exemplo, ela diz: “O coração calmo é a vida do organismo carnal, mas o ciúme é podridão para os ossos.” — Provérbios 14:30; 17:22.
18. Como é que a Bíblia orienta as pessoas a evitar emoções prejudiciais, e sublinha a necessidade de demonstrar amor?
18 A Bíblia, por conseguinte, orienta as pessoas para que evitem as emoções e atitudes prejudiciais. “Andemos decentemente”, admoesta, não “em rixa e ciúme”. Também aconselha: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade. Mas, tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos.” (Romanos 13:13; Efésios 4:31, 32) A Bíblia recomenda especialmente o amor. “Além de todas estas coisas”, diz, “revesti-vos de amor, pois é o perfeito vínculo de união”. Como o maior proponente do amor, Jesus disse a seus discípulos: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” Em seu Sermão do Monte, chegou mesmo a dizer: “Continuai a amar os vossos inimigos.” (Colossenses 3:12-15; João 13:34; Mateus 5:44) Muitos talvez zombem disto, chamando-o de fraqueza, mas eles pagam um preço. A ciência aprendeu que a falta de amor é um dos principais fatores de muitas doenças mentais e de outros problemas.
19. O que descobriu a ciência moderna sobre o amor?
19 A revista médica inglesa, The Lancet (O Bisturi), certa vez comentou: “A mais significativa descoberta da ciência médica é o poder do amor de proteger e restaurar a mente.”14 Num teor similar, famoso especialista em stress, o dr. Hans Selye, disse: “Não é a pessoa odiada ou o chefe frustrador que contrai úlcera, hipertensão, e doença do coração. É quem odeia ou quem se permite ficar frustrado. ‘Ama o teu próximo’ é uma das recomendações médicas mais sábias que já foram dadas.”15
20. Como foi que certo médico comparou os ensinos de Cristo, no Sermão do Monte, com conselhos psiquiátricos?
20 Deveras, a sabedoria da Bíblia está muito à frente das descobertas modernas. Como o dr. James T. Fisher certa vez escreveu: “Se tomasse a totalidade dos artigos de peso que já foram escritos pelos mais habilitados psicólogos e psiquiatras sobre o assunto da higiene mental — se os combinasse e os refinasse, eliminando o excesso de verbosidade — se tomasse toda a carne e nenhuma salsa, e se conseguisse que estas porções não-adulteradas de puro conhecimento científico fossem concisamente expressas pelo mais habilidoso dos poetas vivos, teria um resumo inexpressivo e incompleto do Sermão do Monte.”16
A Bíblia e a História
21. Há cerca de cem anos, como encaravam os críticos o valor histórico da Bíblia?
21 Depois que Darwin publicou sua teoria da evolução, o registro histórico da Bíblia ficou sob ataque generalizado. O arqueólogo Leonard Woolley explicou: “Perto do fim do século 19 surgiu uma escola extremista de críticos pronta a negar o alicerce histórico de praticamente tudo que é narrado nos mais antigos livros do Velho Testamento.”17 Com efeito, alguns críticos até chegaram a afirmar que a escrita não veio a ter utilização comum senão no tempo de Salomão, ou depois disso; e, assim sendo, as primitivas narrativas da Bíblia não mereciam confiança, uma vez que não foram assentadas por escrito senão séculos depois de ocorridos os eventos. Um dos exponentes desta teoria disse, em 1892: “A época de que tratam as narrativas pré-mosaicas constitui prova suficiente de seu caráter legendário. Era uma época anterior a todo o conhecimento da escrita.”18
22. O que se tem aprendido sobre a capacidade de escrever dos povos primitivos?
22 Nos tempos recentes, contudo, acumulou-se grande parcela de evidência arqueológica que mostra ser comum a escrita muito antes da época de Moisés. “Temos de sublinhar de novo”, explicou o arqueólogo William Foxwell Albright, “que a escrita alfabética hebraica era empregada em Canaã e nos distritos circunvizinhos desde a Época Patriarcal, e que a rapidez com que formas de letras mudaram constitui clara evidência de seu uso comum”.19 E outro destacado historiador e escavador comentou: “Parece-nos agora absurdo que alguma vez se fizesse a pergunta de se Moisés poderia ter sabido escrever.”20
23. O que se descobriu sobre o Rei Sargão, resultando em que revisão de conceitos?
23 Vez após vez o registro histórico da Bíblia tem sido substanciado pela descoberta de novas informações. Por exemplo, o rei assírio, Sargão, por longo tempo só era conhecido através do relato da Bíblia, em Isaías 20:1. Com efeito, na primeira parte do século passado, os críticos desconsideravam esta referência bíblica a ele como não tendo nenhum valor histórico. Daí, as escavações arqueológicas produziram as ruínas do magnífico palácio de Sargão, em Corsabad, incluindo muitas inscrições relativas à regência dele. Em resultado disso, Sargão é agora um dos mais conhecidos reis assírios. O historiador israelense, Moshe Pearlman, escreveu: “Subitamente, os cépticos, que tinham duvidado da autenticidade até das partes históricas do Velho Testamento, começaram a revisar seus conceitos.”21
24. Quão grande é a similaridade entre o relato assírio sobre Sargão e o relato da Bíblia sobre a conquista de Samaria?
24 Uma das inscrições de Sargão fala de um episódio que anteriormente só era conhecido através da Bíblia. Reza: “Eu cerquei e conquistei Samaria, levei como despojo 27.290 habitantes dela.”22 O relato da Bíblia sobre isto, em 2 Reis 17:6, reza: “No nono ano de Oséias, o rei da Assíria capturou Samaria e então levou Israel ao exílio.” A respeito da notável similaridade destes dois relatos, comentou Pearlman: “Aqui, então, acham-se dois relatos nos anais do conquistador e do conquistado, um quase espelhando o outro.”23
25. Por que não devíamos esperar que os registros bíblicos e seculares concordassem em todos os sentidos?
25 Devíamos esperar, então, que os registros bíblico e secular concordassem nos mínimos detalhes? Não, como Pearlman observa: “Este tipo de idêntico ‘relatório de guerra’ de ambos os lados era incomum no Oriente Médio dos tempos antigos (e, vez por outra, o é também nos tempos modernos). Só acontecia quando os países em conflito eram Israel e um de seus vizinhos, e somente quando Israel era derrotado. Quando Israel vencia, nenhum registro do fracasso aparecia nas crônicas dos inimigos.”24 (Grifo acrescentado.) Não é surpresa, portanto, que os relatos assírios sobre a campanha militar contra Israel, por parte de Senaqueribe, filho de Sargão, apresentem grande omissão. E qual é?
26. Como se compara o relato de Senaqueribe com o que se encontra na Bíblia a respeito da expedição militar dele contra Israel?
26 Descobriram-se relevos murais do palácio do Rei Senaqueribe que representam cenas de sua expedição contra Israel. Também se encontraram narrativas escritas dela. Uma delas, um prisma de argila, reza: “Quanto a Ezequias, o judeu, ele não se submeteu ao meu jugo, eu sitiei 46 de suas cidades fortes, . . . A ele mesmo fiz prisioneiro em Jerusalém, sua residência real, como a um pássaro numa gaiola. . . . Reduzi o país dele, mas ainda aumentei o tributo e os presentes-katrû (devidos) a mim (como seu) suserano.”25 Assim, a versão de Senaqueribe coincide com a Bíblia no que diz respeito às vitórias assírias. Mas, como era de se esperar, ele deixa de mencionar seu fracasso em conquistar Jerusalém e ser ele obrigado a voltar para casa, porque 185.000 de seus soldados foram mortos em uma só noite. — 2 Reis 18:13-19:36; Isaías 36:1-37:37.
27. Como se compara o relato bíblico sobre o assassínio de Senaqueribe com os relatos seculares antigos sobre isso?
27 Considere o assassínio de Senaqueribe e o que recente descoberta revela. A Bíblia afirma que dois de seus filhos, Adrameleque e Sarezer, mataram Senaqueribe. (2 Reis 19:36, 37) Todavia, tanto o relato atribuído ao rei babilônio Nabonido, como o do sacerdote babilônio Beroso, do terceiro século AEC, só mencionam um filho como envolvido na matança. Qual estava certo? Comentando a descoberta mais recente de um prisma fragmentar de Esar-Hadom, o filho de Senaqueribe que o sucedeu como rei, o historiador Philip Biberfeld escreveu: “Apenas o relato da Bíblia resultou correto. Foi confirmado em todos os mínimos pormenores pela inscrição de Esar-Hadom e resultou ser mais exato no tocante a este evento da história assírio-babilônica do que as próprias fontes babilônicas. Trata-se dum fato de suma importância para a avaliação até mesmo de fontes contemporâneas que não concordem com a tradição bíblica.”26
28. Como foi vindicada a Bíblia no que afirma sobre Belsazar?
28 Houve época em que todas as fontes antigas conhecidas também diferiam da Bíblia no tocante a Belsazar (Baltasar). A Bíblia apresenta Belsazar como o rei de Babilônia quando ela caiu. (Daniel 5:1-31) No entanto, os escritos seculares nem sequer mencionavam Belsazar, afirmando que Nabonido era o rei naquele tempo. Assim, os críticos pretendiam que Belsazar jamais existira. Mais recentemente, contudo, descobriram-se escritos antigos que identificavam Belsazar como um dos filhos de Nabonido, e co-regente de seu pai em Babilônia. Por este motivo, evidentemente, a Bíblia diz que Belsazar ofereceu-se a tornar Daniel “o terceiro governante no reino”, uma vez que o próprio Belsazar era o segundo. (Daniel 5:16, 29) Assim, o prof. R. P. Dougherty, da univ. de Yale, ao comparar o livro bíblico de Daniel com outros escritos antigos, disse: “Pode-se interpretar como excepcional o relato bíblico, uma vez que emprega o nome Belsazar, atribui poder régio a Belsazar, e reconhece que existia uma dupla regência no reino.”27
29. Que descoberta confirma o que a Bíblia diz a respeito de Pôncio Pilatos?
29 Outro exemplo de uma descoberta que confirma a historicidade de alguém mencionado na Bíblia é fornecido por Michael J. Howard, que trabalhou junto com a expedição a Cesaréia, em Israel, em 1979. “Por 1.900 anos”, escreveu, “Pilatos só existia nas páginas dos Evangelhos e nas vagas lembranças dos historiadores romanos e judeus. Quase nada se sabia sobre a vida dele. Alguns afirmavam que sequer existira. Mas, em 1961, uma expedição arqueológica italiana trabalhava nas ruínas de antigo teatro romano em Cesaréia. Um operário revirou uma pedra que tinha sido usada em uma das escadarias. No reverso havia a seguinte inscrição, parcialmente obscurecida, em latim: ‘Caesariensibus Tiberium Pontius Pilatus Praefectus Iudaeae.’ (Ao povo de Cesaréia, Tibério Pôncio Pilatos, Prefeito da Judéia.) Foi um golpe fatal nas dúvidas sobre a existência de Pilatos. . . . Pela primeira vez havia evidência epigráfica contemporânea da vida do homem que ordenara a crucificação de Cristo.”28 — João 19:13-16; Atos 4:27.
30. O que tem sido descoberto, quanto ao emprego de camelos, que substancia o registro bíblico?
30 As descobertas modernas chegam até a substanciar pequenos pormenores dos antigos relatos bíblicos. Por exemplo, contradizendo a Bíblia, Werner Keller escreveu em 1964 que os camelos não foram domesticados numa data antiga, e, por conseguinte, a cena em que “encontramos Rebeca pela primeira vez em sua cidade natural, Naor, precisa sofrer uma mudança de cenário. Os ‘camelos’ que pertenciam ao futuro sogro dela, Abraão, aos quais ela deu água junto ao poço eram — jumentos”.29 (Gênesis 24:10) No entanto, em 1978, o líder militar e arqueólogo israelense, Moshe Dayan, apontou evidência de que os camelos “serviam como meio de transporte” naqueles tempos primitivos, e, assim sendo, o relato da Bíblia é exato. “Um relevo do século dezoito AC, encontrado em Byblos, na Fenícia, representa um camelo ajoelhando-se”, explicou Dayan. “E montadores de camelos aparecem em selos cilíndricos recentemente descobertos na Mesopotâmia, que pertencem ao período patriarcal.”30
31. Que evidência adicional existe da exatidão histórica da Bíblia?
31 Avoluma-se inapelavelmente a evidência da exatidão histórica da Bíblia. Ao passo que é verdade que não se encontraram registros seculares da derrocada sofrida pelo Egito no mar Vermelho e também de outras derrotas, isto não nos deve surpreender, uma vez que não era costume dos governantes registrar suas derrotas. Todavia, descoberto nos muros do templo em Carnac, no Egito, acha-se o registro da bem-sucedida invasão de Judá pelo Faraó Sisaque durante o reinado de Roboão, filho de Salomão. A Bíblia fala sobre isto em 1 Reis 14:25, 26. Ademais, descobriu-se a versão que o Rei Mesa, moabita, apresentou de sua revolta contra Israel, estando registrada no que é conhecido como a Pedra Moabita. O relato também pode ser lido na Bíblia, em 2 Reis 3:4-27.
32. O que podem ver hoje os visitantes de museus que confirma os relatos da Bíblia?
32 Os visitantes de muitos museus podem ver relevos murais, inscrições e estátuas que confirmam os relatos da Bíblia. Os reis de Judá e de Israel, tais como Ezequias, Manassés, Onri, Acabe, Peca, Menaém e Oséias, ocorrem nos registros cuneiformes dos governantes assírios. O Rei Jeú, ou um de seus emissários, é representado no Obelisco Negro de Salmaneser como pagando tributo. Restaurou-se, para ser observado hoje, o décor do palácio persa de Susã, como os personagens bíblicos Mordecai e Ester o conheciam. Os visitantes dos museus podem também ver estátuas dos antigos Césares romanos — Augusto, Tibério e Cláudio, que constam dos relatos bíblicos. (Lucas 2:1; 3:1; Atos 11:28; 18:2) Encontrou-se um denário de prata que, efetivamente, estampa a imagem de Tibério César — moeda esta que Jesus solicitou ao discutir a questão de impostos. — Mateus 22:19-21.
33. Como é que a terra de Israel e seus acidentes geográficos fornecem evidência da exatidão da Bíblia?
33 Um visitante moderno de Israel, familiarizado com a Bíblia, não pode deixar de ficar impressionado com o fato de que a Bíblia descreve aquela terra e seus acidentes geográficos com grande exatidão. O dr. Ze’ev Shremer, líder duma expedição geológica à península de Sinai, disse certa vez: “Temos nossos próprios mapas e planos de pesquisa geodésica, naturalmente, mas, quando há discrepância entre a Bíblia e os mapas, optamos pelo Livro.”31 Exemplifiquemos como alguém pode experimentar pessoalmente a história apresentada na Bíblia: Atualmente, em Jerusalém, a pessoa pode caminhar através dum túnel de 533 metros, escavado em rocha maciça, há mais de 2.700 anos. Foi escavado para proteger o suprimento de água da cidade, por transportar a água da oculta e extramural fonte de Giom, até o Reservatório de Siloé, intramural. A Bíblia explica como Ezequias mandou construir esta adutora para fornecer água à cidade, antecipando o vindouro sítio por parte de Senaqueribe. — 2 Reis 20:20; 2 Crônicas 32:30.
34. Que disseram alguns respeitados peritos sobre a exatidão da Bíblia?
34 Estes são apenas alguns exemplos que ilustram por que é insensato subestimar a exatidão da Bíblia. Há muitos, muitos mais. Assim, as dúvidas sobre a fidedignidade da Bíblia geralmente se respaldam, não no que ela afirma ou em evidência sólida, mas, em vez disso, em desinformação ou em ignorância. O antigo diretor do Museu Britânico, Frederic Kenyon, escreveu: “A arqueologia ainda não disse a sua última palavra; mas os resultados já conseguidos confirmam o que a fé sugeriria, que a Bíblia não pode senão lucrar com o aumento do conhecimento.”32 E o bem-conhecido arqueólogo Nelson Glueck disse: “Pode-se afirmar categoricamente que nenhuma descoberta arqueológica jamais contradisse uma referência bíblica. Dezenas de descobertas arqueológicas têm sido feitas, as quais confirmam em nítido esboço, ou em pormenores exatos, as declarações históricas da Bíblia.”33
Honestidade e Harmonia
35, 36. (a) Que falhas pessoais admitiram vários escritores bíblicos? (b) Por que a honestidade destes escritores dá mais peso à afirmação deles de que a Bíblia procede de Deus?
35 Outra coisa que identifica a Bíblia como provinda de Deus é a honestidade de seus escritores. É contrário à natureza humana imperfeita admitir erros ou fracassos, especialmente por escrito. A maioria dos escritores antigos só narrava seus êxitos e suas virtudes. Todavia, Moisés escreveu como ele tinha “faltado ao dever”, e, assim, ficara desqualificado para liderar a entrada de Israel na Terra Prometida. (Deuteronômio 32:50-52; Números 20:1-13) Jonas falou de sua própria inconstância. (Jonas 1:1-3; 4:1) Paulo admite seus erros anteriores. (Atos 22:19, 20; Tito 3:3) E Mateus, apóstolo de Cristo, relatou que os apóstolos por vezes mostravam pouca fé, buscavam destaque e até mesmo abandonaram Jesus quando este foi preso. — Mateus 17:18-20; 18:1-6; 20:20-28; 26:56.
36 Se os escritores da Bíblia quisessem falsificar algo, não seriam as informações desfavoráveis sobre eles mesmos? Não é provável que revelassem suas próprias fraquezas e então fizessem falsas afirmações sobre outras coisas, não é mesmo? Assim, então, a honestidade dos escritores da Bíblia aumenta o peso de sua afirmação de que Deus os guiava, à medida que escreviam. — 2 Timóteo 3:16.
37. Por que é a harmonia interna da Bíblia uma evidência tão forte de que ela é inspirada por Deus?
37 A harmonia interna em torno dum tema central também testifica sobre a Autoria Divina da Bíblia. É fácil declarar que os 66 livros da Bíblia foram escritos por um período de 16 séculos por cerca de 40 escritores diferentes. Mas, pense só em quão notável é este fato! Digamos que a escrita de certo livro começasse na época do Império Romano, que a escrita prosseguisse no período das monarquias e até as modernas repúblicas, e que os escritores fossem pessoas tão diferentes como soldados, reis, sacerdotes, pescadores, e até um pastor, bem como um médico. Esperaria que cada parte desse livro seguisse o mesmo tema preciso? Todavia, a Bíblia foi escrita por um período similar de tempo, sob vários regimes políticos, e por homens de todas essas categorias. E constitui um todo harmonioso. Sua mensagem básica possui o mesmo impulso, do começo ao fim. Não aumenta isso o peso da afirmação da Bíblia de que tais “homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo”? — 2 Pedro 1:20, 21.
38. O que é preciso para que a pessoa confie na Bíblia?
38 Pode-se confiar na Bíblia? Se deveras examinar o que ela diz, e não aceitar simplesmente o que certas pessoas afirmam que ela diz, comprovará ter motivos para confiar nela. Todavia, existe evidência ainda mais forte de que a Bíblia foi deveras inspirada por Deus, que é o assunto do próximo capítulo.
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A Bíblia — é realmente inspirada por Deus?A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?
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Capítulo 18
A Bíblia — é realmente inspirada por Deus?
1. Que habilidade possui o Criador que os humanos não têm?
NENHUM homem pode predizer com exatidão o futuro nos mínimos detalhes. Isto está além da capacidade humana. Entretanto, o Criador do universo possui todos os fatos necessários, e pode até mesmo controlar os eventos. Assim, pode ser mencionado como Aquele que “desde o princípio conta o final e desde outrora as coisas que não se fizeram”. — Isaías 46:10; 41:22, 23.
2. Que notável evidência indicaria que a Bíblia é inspirada por Deus?
2 A Bíblia contém centenas de profecias. Cumpriram-se elas com exatidão, até o dia de hoje? Se se cumpriram, isso seria notável indício de a Bíblia ser “inspirada por Deus”. (2 Timóteo 3:16, 17) E geraria confiança em outras profecias a respeito de eventos ainda por vir. Assim, será útil recapitularmos algumas das profecias já cumpridas.
A Queda de Tiro
3. O que foi predito sobre Tiro?
3 Tiro era destacado porto marítimo da Fenícia que agira de forma traiçoeira para com o antigo Israel, seu vizinho meridional, que adorava a Jeová. Por meio dum profeta chamado Ezequiel, Jeová predisse a completa destruição de Tiro mais de 250 anos antes de isso acontecer. Declarou Jeová: “Vou fazer subir contra ti muitas nações . . . E elas certamente arruinarão as muralhas de Tiro e derrubarão as suas torres, e vou raspar dela o seu pó e fazer dela a lustrosa superfície escalvada dum rochedo. Enxugadouro de redes de arrasto é o que ela se tornará no meio do mar.” Ezequiel também mencionou nominalmente, de antemão, a primeira nação a cercar Tiro, e seu líder: “Eis que trago contra Tiro a Nabucodorosor, rei de Babilônia.” — Ezequiel 26:3-5, 7.
4. (a) Como se cumpriu a profecia sobre a conquista de Tiro, por parte de Babilônia? (b) Por que os babilônios deixaram de levar despojos?
4 Conforme predito, Nabucodorosor (Nabucodonosor) realmente derrubou mais tarde a Tiro continental, The Encyclopœdia Britannica relatando “um sítio de 13 anos . . . efetuado por Nabucodonosor”.1 Depois do sítio, relatou-se que ele não tomou nenhum despojo: “Quanto ao salário, não se mostrou haver nenhum para ele.” (Ezequiel 29:18) Por que não? Porque parte de Tiro se achava numa ilha defronte a um canal estreito.2 A maior parte dos tesouros de Tiro tinha sido transferida do continente para essa parte insulana da cidade, que não foi então derrotada.
5, 6. Como foi que Alexandre Magno destruiu a cidade-ilha de Tiro, e cumpriu nos mínimos detalhes o que fora profetizado?
5 Mas a conquista por parte de Nabucodorosor não ‘raspou o pó [de Tiro], fazendo dela uma lustrosa superfície escalvada’ conforme Ezequiel predissera. Nem se cumpriu a profecia de Zacarias, que dissera que Tiro seria lançada “dentro do mar”. (Zacarias 9:4) Mostraram-se inexatas estas profecias? De forma alguma. Mais de 250 anos depois da profecia de Ezequiel e cerca de 200 anos depois da de Zacarias, Tiro foi totalmente destruída pelos exércitos gregos comandados por Alexandre Magno, em 332 AEC. “Com os detritos da parte continental da cidade”, explica a Encyclopedia Americana, “ele construiu enorme [estrada elevada] em 332, para ligar a ilha ao continente. Depois de um sítio de sete meses . . . capturou e destruiu Tiro”.3
6 Assim, conforme Ezequiel e Zacarias predisseram, o pó e os detritos de Tiro acabaram deveras no meio da água. Tiro se tornou um rochedo escalvado, “um local para se estender as redes”, como comentou certo visitante do local.4 Assim, as profecias proferidas centenas de anos antes se cumpriram nos mínimos detalhes!
Ciro e a Queda de Babilônia
7. Que foi que a Bíblia predisse sobre os judeus e Babilônia?
7 Notáveis, também, são as profecias relativas aos judeus e Babilônia. A História registra que Babilônia levou os judeus ao cativeiro. Todavia, cerca de 40 anos antes de isto acontecer, Jeremias o predisse. Isaías o predisse cerca de 150 anos antes de acontecer. Também predisse que os judeus retornariam do cativeiro. E igualmente o fez Jeremias, afirmando que seriam restaurados à sua terra depois de 70 anos. — Isaías 39:6, 7; 44:26; Jeremias 25:8-12; 29:10.
8, 9. (a) Quem conquistou Babilônia, e como? (b) Como é que a História comprova a profecia sobre Babilônia?
8 Foi a derrubada de Babilônia, por parte dos medos e persas, em 539 AEC que tornou possível este retorno. Isto foi predito por Isaías cerca de 200 anos antes de ocorrer, e por Jeremias cerca de 50 anos antes de consumar-se. Jeremias disse que os soldados babilônios não oporiam resistência. Tanto Isaías como Jeremias predisseram que as águas protetoras de Babilônia, o rio Eufrates, ‘tinham de secar-se’. Isaías até mesmo forneceu o nome do general persa conquistador, Ciro, e disse que diante dele ‘os portões [de Babilônia] não se fechariam’. — Jeremias 50:38; 51:11, 30; Isaías 13:17-19; 44:27; 45:1.
9 Heródoto, historiador grego, explicou que Ciro realmente desviou o curso do Eufrates, e “o rio baixou a tal ponto que o leito natural da corrente se tornou vadeável”.5 Assim, durante a noite, os soldados inimigos marcharam pelo leito do rio e penetraram na cidade, cruzando portas que tinham sido negligentemente deixadas abertas. “Caso os babilônios tivessem avaliado o que Ciro pretendia”, prosseguiu Heródoto, “teriam cerrado todas as portas ligadas às ruas que [davam] para o rio . . . Mas, pelo visto, os persas caíram sobre eles de surpresa e, assim, tomaram a cidade”.6 Em realidade, os babilônios tinham caído numa bebedeira, como a Bíblia explica, e como Heródoto confirma.7 (Daniel 5:1-4, 30) Tanto Isaías como Jeremias predisseram que Babilônia, por fim, transformar-se-ia em ruínas desabitadas. E foi isso mesmo que aconteceu. Atualmente, Babilônia é um conjunto desolado de montes de terra. — Isaías 13:20-22; Jeremias 51:37, 41-43.
10. Que evidência confirma que Ciro libertou os judeus?
10 Ciro também restaurou os judeus à terra natal deles. Mais de dois séculos antes, Jeová predissera a respeito de Ciro: “Ele . . . executará completamente tudo aquilo em que me agrado.” (Isaías 44:28) Fiel à profecia, depois de 70 anos, Ciro fez que os cativos retornassem à sua terra natal, em 537 AEC. (Esdras 1:1-4) Encontrou-se uma antiga inscrição persa, chamada de Cilindro de Ciro, que declara meridianamente a política de Ciro de fazer os cativos retornar às terras natais. “Quanto aos habitantes de Babilônia”, registra-se Ciro como tendo dito, “(também) reuni todos os seus (anteriores) habitantes e devolvi(-lhes) as suas habitações”.8
Medo-Pérsia e Grécia
11. Como foi que a Bíblia predisse a ascensão ao poder da Medo-Pérsia, e sua queda diante da Grécia?
11 Enquanto Babilônia ainda era uma potência mundial, a Bíblia predisse sua conquista por um simbólico carneiro de dois chifres, que representava “os reis da Média e da Pérsia”. (Daniel 8:20) Segundo predito, a Medo-Pérsia tornou-se a seguinte potência mundial ao conquistar Babilônia em 539 AEC. Com o tempo, porém, “um bode dos caprídeos”, identificado como a Grécia, “passou a golpear o carneiro e a quebrar-lhe os dois chifres”. (Daniel 8:1-7) Isto se deu em 332 AEC, quando a Grécia derrotou a Medo-Pérsia e se tornou a nova potência mundial.
12. Que disse a Bíblia sobre o governo da Grécia?
12 Observe o que se predisse a seguir: “E o bode dos caprídeos, da sua parte, assumiu ares de grandeza, em extremo; mas, assim que se tornou forte, foi quebrado o grande chifre, e passaram a subir de modo proeminente quatro em lugar dele.” (Daniel 8:8) Que significa isto? Explica a Bíblia: “O bode peludo representa o rei da Grécia; e quanto ao chifre grande que havia entre os seus olhos, este representa o primeiro rei. E este foi quebrado, de modo que por fim se ergueram quatro em seu lugar, haverá quatro reinos que se erguerão de sua nação, mas não com o seu poder.” — Daniel 8:21, 22.
13. Mais de 200 anos depois de registrada, como se cumpriu a profecia sobre a Grécia?
13 A História mostra que este “rei da Grécia” era Alexandre Magno. Mas, após sua morte, em 323 AEC, o império dele foi por fim dividido entre quatro generais — Seleuco Nicátor, Cassandro, Ptolomeu Lago e Lisímaco. Assim como a Bíblia predissera, “por fim se ergueram quatro em seu lugar”. Todavia, como também foi predito, nenhum deles teve alguma vez o poder de Alexandre. Assim, mais de 200 anos depois de esta profecia ser registrada, começou a cumprir-se — outra confirmação notável da inspiração da Bíblia!
Predito o Messias
14. Que disse certo perito a respeito das muitas profecias cumpridas por Jesus Cristo?
14 Especialmente notáveis são as dezenas de profecias bíblicas a respeito de Jesus Cristo. Comentou o prof. J. P. Free: “As probabilidades de todas estas profecias se cumprirem em um só homem são tão enormemente remotas que fica impressionantemente demonstrado que, de modo algum, podiam ser conjecturas sagazes de meros homens.”9
15. Quais são algumas das profecias cumpridas em relação a Cristo que estavam além de seu controle?
15 O cumprimento de muitas destas profecias achava-se inteiramente além do controle de Jesus. Ele não podia, por exemplo, ter determinado nascer da tribo de Judá, ou ser descendente de Davi. (Gênesis 49:10; Isaías 9:6, 7; 11:1, 10; Mateus 1:2-16) Nem poderia ter manobrado os eventos que levaram a seu nascimento em Belém. (Miquéias 5:2; Lucas 2:1-7) Nem poderia ter programado ser traído por 30 moedas de prata (Zacarias 11:12; Mateus 26:15); para que seus inimigos cuspissem nele (Isaías 50:6; Mateus 26:67); para que zombassem dele enquanto estava pregado na estaca de execução (Salmo 22:7, 8; Mateus 27:39-43); para ser traspassado, mas não sofrer a fratura de nenhum osso do corpo (Zacarias 12:10; Salmo 34:20; João 19:33-37); e para que os soldados lançassem sortes para obter suas vestes (Salmo 22:18; Mateus 27:35). Estas são apenas algumas das muitas profecias cumpridas no homem Jesus.
A Destruição de Jerusalém
16. Que profetizou Jesus a respeito de Jerusalém?
16 Jesus foi o maior Profeta de Jeová. Primeiro, observe o que ele disse que aconteceria a Jerusalém: “Teus inimigos construirão em volta de ti uma fortificação de estacas pontiagudas e te cercarão, e te afligirão de todos os lados, e despedaçarão contra o chão a ti e a teus filhos dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não discerniste o tempo de seres inspecionada.” (Lucas 19:43, 44) Jesus também disse: “Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos acampados, então sabei que se tem aproximado a desolação dela. Então, comecem a fugir para os montes os que estiverem na Judéia.” — Lucas 21:20, 21.
17. Como se cumpriu a profecia de Jesus sobre exércitos cercarem Jerusalém? Assim, como puderam as pessoas fugir da cidade?
17 Veraz à profecia, os exércitos romanos, sob Céstio Galo, subiram contra Jerusalém em 66 EC. Estranhamente, contudo, ele não conduziu o sítio até o fim, mas como relatou o historiador do primeiro século, Flávio Josefo: “Ele se retirou da cidade, sem nenhum motivo plausível.”10 Uma vez levantado inesperadamente o sítio, ofereceu-se a oportunidade de acatar as instruções de Jesus de fugir de Jerusalém. O historiador Eusébio relatou que foram os cristãos que fugiram.11
18. (a) Que aconteceu em 70 EC, menos de quatro anos depois de os exércitos romanos se terem retirado de Jerusalém? (b) Quão completa foi a destruição de Jerusalém?
18 Menos de quatro anos depois, em 70 EC, os exércitos romanos, sob o general Tito, voltaram e cercaram Jerusalém. Abateram árvores por quilômetros em redor, e construíram uma paliçada em torno da cidade, “uma fortificação de estacas pontiagudas”. Em resultado disso, comentou Josefo: “Cortou-se então toda esperança de escape por parte dos judeus.”12 Josefo observou que, depois de cerca de cinco meses de sítio, além de três torres e uma parte da muralha, o que restava “ficou tão plenamente rente ao chão . . . que não sobrou nada que fizesse aqueles que chegavam até ela crer que houve época em que tinha sido habitada”.13
19. (a) Quão severa foi a aflição que sobreveio a Jerusalém? (b) De que é atualmente um lembrete silencioso o Arco de Tito?
19 Cerca de 1.100.000 pessoas morreram durante o sítio, e 97.000 foram levadas cativas.14 Até o dia de hoje, pode-se ver em Roma um testemunho do cumprimento da profecia de Jesus. Ali está o Arco de Tito, erguido pelos romanos em 81 EC para comemorar a captura bem-sucedida de Jerusalém. Tal arco continua sendo um lembrete silencioso de que deixar de acatar os avisos da profecia da Bíblia pode levar ao desastre.
Profecias Que Se Cumprem Agora
20. Foi em resposta a que pergunta que Jesus forneceu o “sinal” pelo qual poderíamos saber que se avizinha uma grande mudança mundial?
20 Segundo a Bíblia, avizinha-se uma assombrosa mudança mundial. Da mesma forma como Jesus predisse eventos pelos quais as pessoas, no primeiro século, podiam cientificar-se da iminente destruição de Jerusalém, ele também predisse eventos pelos quais as pessoas, hoje em dia, podiam saber que se aproxima uma mudança mundial. Jesus deu este “sinal” em resposta à seguinte pergunta formulada por seus discípulos: “Qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” — Mateus 24:3.
21. (a) O que é a “presença” de Cristo, e o que é “a terminação do sistema de coisas”? (b) Onde podemos ler a respeito do sinal fornecido por Jesus?
21 Segundo a Bíblia, esta “presença” de Cristo não seria em forma humana, mas, em vez disso, ele seria poderoso governante no céu que livrará a humanidade oprimida. (Daniel 7:13, 14) Sua “presença” se daria durante o que ele chamou de “terminação do sistema de coisas”. Bem, então, exatamente qual foi o sinal fornecido por Jesus para assinalar o tempo em que estaria invisivelmente presente como governante, e quando estaria perto o fim deste sistema de coisas? Na Bíblia, em Mateus, capítulo 24, em Marcos, capítulo 13, e em Lucas, capítulo 21, poderá recapitular os eventos que, juntos, constituem o sinal. Alguns dos principais são os seguintes:
22. Como é que as guerras desde 1914 constituem parte do “sinal”, e quão destrutivas têm sido?
22 GRANDES GUERRAS: “Nação se levantará contra nação e reino contra reino.” (Mateus 24:7) A partir de 1914, foi avassalador o cumprimento destas palavras. A Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, introduziu o emprego maciço de metralhadoras, tanques, submarinos, aviões, e também de gás venenoso. Quando terminou, em 1918, cerca de 14 milhões de soldados e civis tinham sido chacinados. Certo historiador observou: “A Primeira Guerra Mundial foi a primeira guerra ‘total’.”15 A Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, foi ainda mais devastadora, as mortes de militares e civis ascendendo a cerca de 55 milhões. E introduziu um horror totalmente novo — as bombas atômicas! Desde então, mais de 30 milhões de outras pessoas foram mortas em dezenas de guerras, grandes e pequenas. Comenta a revista alemã Der Spiegel (O Espelho): “Desde 1914, não houve um único dia de verdadeira paz no mundo.”16
23. Até que ponto a escassez de víveres aflige o mundo, desde 1914?
23 ESCASSEZ DE VÍVERES: “Haverá escassez de víveres.” (Mateus 24:7) A Primeira Guerra Mundial foi acompanhada de ampla fome. Depois da Segunda Guerra Mundial, a fome piorou. E hoje em dia? “A fome, atualmente, atingiu uma escala totalmente nova. . . . até uns 400 milhões de pessoas vivem constantemente à beira da desnutrição”, afirma o Times, de Londres.17 O jornal The Globe and Mail (O Globo e o Correio), de Toronto, Canadá, declara: “Mais de 800 milhões de pessoas estão subnutridas.”18 E a Organização Mundial de Saúde relata que “12 milhões de crianças morrem todo ano antes de seu primeiro aniversário” devido à desnutrição.19
24. Que aumento nos terremotos ocorre desde 1914?
24 TERREMOTOS: “Haverá grandes terremotos.” (Lucas 21:11) Um especialista em engenharia anti-sísmica, George W. Housner, chamou o terremoto de T’ang-shan, China, em 1976, de “a maior catástrofe sísmica da história da humanidade”, ceifando centenas de milhares de vidas.20 O jornal italiano Il Piccolo (O Pequeno) veiculou: “Nossa geração vive num período perigoso de intensa atividade sísmica, conforme mostram as estatísticas.”21 Em média, os terremotos desde 1914 causaram cerca de dez vezes mais mortes, a cada ano, do que nos séculos anteriores.
25. Que calamitosas epidemias têm havido desde 1914, a fim de cumprir parte do “sinal”?
25 DOENÇAS: ‘Haverá num lugar após outro pestilências.’ (Lucas 21:11) A revista Science Digest (Sumário de Ciência) veiculou: “A epidemia da gripe espanhola, de 1918, grassou sobre a Terra [e] ceifou 21 milhões de vidas.” Adicionava: “Em toda a história, nunca houve uma visita mais severa e mais rápida da morte. . . . caso a epidemia tivesse continuado em sua taxa de aceleração, a humanidade teria sido erradicada em questão de meses”.22 Desde então, as doenças cardíacas, o câncer, as doenças venéreas, e muitas outras pragas, mataram ou aleijaram centenas de milhões.
26. Como aumentou desde 1914 o que é contra a lei?
26 CRIMES: “Aumento do que é contra a lei.” (Mateus 24:12) O assassínio, o roubo, o estupro, o terrorismo, a corrupção — a lista é longa e bem conhecida. Em muitas localidades, as pessoas receiam andar pelas ruas. Confirmando esta tendência anárquica depois de 1914, declara certa autoridade sobre terrorismo: “O período até a Primeira Guerra Mundial era, ao todo, mais humano.”23
27. Que cumprimento tem hoje a profecia sobre o temor?
27 TEMOR: ‘Os homens ficarão desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada.’ (Lucas 21:26) O Die Welt (O Mundo), de Hamburgo, Alemanha, chamou a nossa época de “o século do medo”.24 Ameaças inteiramente novas sobre a humanidade instilam o medo como nunca antes. Pela primeira vez na História, coisas tais como a aniquilação nuclear e a poluição ameaçam ‘arruinar a terra’. (Revelação 11:18) O escalonamento do crime, da inflação, das armas nucleares, da fome, das doenças, e de outros males, alimentam os temores das pessoas no que concerne à segurança e a própria vida delas.
O Que o Torna Diferente?
28. Por que as particularidades do “sinal” que ocorrem agora identificam o nosso tempo como “a terminação do sistema de coisas”?
28 Todavia, alguns apontam que muitas destas coisas já aconteciam nos séculos passados. Portanto, o que torna diferente a sua ocorrência agora? Primeiro, uma única geração observa cada um dos eventos que constituem o sinal — a geração que vivia em 1914 — da qual ainda estão vivas milhões de pessoas. Jesus declarou que “esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram”. (Lucas 21:32) Segundo, os efeitos do sinal estão sendo sentidos em todo o mundo, “num lugar após outro”. (Mateus 24:3, 7, 9; 25:32) Terceiro, as condições tornaram-se cada vez piores durante este período: “Todas essas coisas são um princípio das dores de aflição”; “os homens iníquos e os impostores passarão de mal a pior”. (Mateus 24:8; 2 Timóteo 3:13) E, quarto, todas estas coisas foram acompanhadas pela mudança das atitudes e das ações das pessoas, conforme Jesus avisara: “O amor da maioria se esfriará.” — Mateus 24:12.
29. Como é que a descrição, feita pela Bíblia, dos “últimos dias” deste mundo se ajustam à condição moral das pessoas hoje em dia?
29 Sim, uma das fortes evidências de que vivemos agora no predito e crucial tempo do fim é observado no colapso moral que grassa entre as pessoas. Compare o que observa no mundo com as seguintes palavras proféticas a respeito de nossos tempos: “Toma conhecimento disto: nos últimos dias virão momentos difíceis. Os homens serão egoístas, avarentos, fanfarrões, orgulhosos, maldizentes, revoltados contra os pais, ingratos, ímpios, desnaturados, implacáveis, caluniadores, indisciplinados, desumanos, inimigos de todo o bem, traidores, atrevidos, cegos de orgulho, mais amigos dos prazeres que de Deus. Eles terão aparência de religiosidade, mas hão de renegar sua verdadeira força.” — 2 Timóteo 3:1-5, Bíblia Mensagem de Deus.
1914 — Momento Decisivo da História
30, 31. (a) Como encaravam as condições mundiais os que viviam já antes de 1914, e o que julgavam que o futuro lhes reservava? (b) Além do “sinal”, que mais provê a Bíblia para mostrar que estamos nos “últimos dias”?
30 Do ponto de vista humano, as dificuldades do mundo e as guerras mundiais preditas na Bíblia estavam muito longe de ser imaginadas pelo mundo anterior a 1914. Disse o estadista alemão, Konrad Adenauer: “Vêm-me à mente pensamentos e quadros, . . . pensamentos dos anos anteriores a 1914, quando havia verdadeira paz, tranqüilidade e segurança nesta Terra — tempo em que não conhecíamos o medo. . . . A segurança e a tranqüilidade desapareceram da vida dos homens desde 1914.”25 As pessoas que viviam antes de 1914 julgavam que o futuro ‘seria cada vez melhor’, narrou o estadista inglês, Harold Macmillan.26 O livro 1913: America Between Two Worlds (1913: Os Estados Unidos Entre Dois Mundos) observa: “O Secretário de Estado Bryan disse [em 1913] que ‘as condições promissoras duma paz mundial jamais foram mais favoráveis do que agora’.”27
31 Assim, até mesmo quando se estava à beira da Primeira Guerra Mundial, os líderes mundiais prediziam uma era de progresso social e de esclarecimento. Mas a Bíblia predissera o oposto — que a guerra sem precedentes de 1914-1918 sublinharia o início dos “últimos dias”. (2 Timóteo 3:1) A Bíblia também forneceu evidência cronológica de que 1914 assinalaria o nascimento do Reino celeste de Deus, a ser acompanhado por dificuldades mundiais sem precedentes.28 Mas, será que alguém que vivia lá naquele tempo estava cônscio de que 1914 marcaria tal momento decisivo da História?
32. (a) O que diziam sobre 1914, por muitas décadas antes dessa data, os que estavam a par da cronologia bíblica? (b) Segundo a ilustração acompanhante, que disseram outros a respeito de 1914?
32 Décadas antes dessa data, havia uma organização de pessoas que tornavam conhecido o significado de 1914. O jornal The World (O Mundo), de Nova Iorque, de 30 de agosto de 1914, explica: “O horrível irrompimento da guerra na Europa tem cumprido uma profecia extraordinária. No último quarto de século, por meio de pregadores e pela imprensa, os ‘Estudantes Internacionais da Bíblia’ [Testemunhas de Jeová] . . . têm proclamado ao mundo que o Dia da Ira profetizado na Bíblia amanheceria em 1914. ‘Olhem bem para 1914!’ — tem sido o brado dos . . . evangelistas.”29
Um Povo Que Cumpre Profecias
33. Que parte adicional do “sinal” cumprem as Testemunhas de Jeová?
33 A Bíblia também predisse que, “na parte final dos dias”, pessoas de todas as nações dirigir-se-iam, figuradamente, “ao monte de Jeová”, onde Ele ‘os instruiria sobre os seus caminhos’. A profecia afirma que, como resultado de tal instrução, “terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras . . . . nem aprenderão mais a guerra”. (Isaías 2:2-4) O registro bem-conhecido das Testemunhas de Jeová no que tange à guerra é um claro cumprimento desta profecia.
34. Que evidência existe de que as Testemunhas de Jeová ‘forjaram de suas espadas relhas de arado’?
34 Martin Niemöller, líder protestante da Alemanha antes e depois da Segunda Guerra Mundial, referiu-se às Testemunhas de Jeová como “sérios estudiosos da Bíblia, que, às centenas e aos milhares, foram mandados para os campos de concentração e morreram por se recusarem a servir na guerra e declinarem de atirar em seres humanos”. Em contraste com isso, escreveu: “As Igrejas Cristãs, através das eras, sempre consentiram em abençoar a guerra, as tropas e as armas, e . . . oraram de forma muito anticristã em favor do aniquilamento do seu inimigo.”30 Quem, então, se enquadra no sinal identificador de Jesus quanto aos verdadeiros cristãos? Disse ele: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) Como 1 João 3:10-12 torna claro, os servos de Deus não matam uns aos outros. São os filhos de Satanás que fazem isso.
35. (a) O que une as Testemunhas de Jeová? (b) Justifica-se biblicamente a sua lealdade ao Reino de Deus?
35 Lealdade comum ao Reino de Deus e apego fiel aos princípios da Bíblia é o que une as Testemunhas de Jeová numa fraternidade mundial. Aceitam plenamente o que a Bíblia ensina: que o Reino é um governo real, tendo leis e autoridade, e que, em breve, governará toda a Terra. Já possui crescentes milhões de súditos na Terra, os quais estão sendo moldados como o alicerce da vindoura civilização. A respeito do Reino, o profeta Daniel foi inspirado a escrever: “O Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. . . . Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos [hoje existentes], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” (Daniel 2:44) Jesus deu prioridade ao Reino, ao instruir: “Portanto, tendes de orar do seguinte modo: ‘Nosso Pai nos céus . . . Venha o teu Reino.’” — Mateus 6:9, 10.
36. (a) O que deseja Deus que seja anunciado? (b) Quem faz isso?
36 Os muitos eventos em cumprimento das profecias bíblicas, desde 1914, mostram que muito em breve o Reino de Deus ‘esmiuçará e porá termo a todos os outros governos’. E Deus deseja que este fato seja anunciado, como mostra a seguinte parte importante do sinal: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” (Mateus 24:14) Milhões de Testemunhas de Jeová, uma fraternidade mundial, cumprem agora esta profecia.
37. Por que o fim deste sistema de coisas no Armagedom constituirá boas novas?
37 Quando o Reino tiver sido pregado na medida desejada por Deus, então o mundo verá — disse Jesus — uma “grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo”. Esta culminará na batalha do Armagedom, e porá fim à influência maligna de Satanás. Limpará a Terra inteira das nações e dos homens iníquos e abrirá o caminho para o vindouro Paraíso, em que “há de morar a justiça”. — Mateus 24:21; 2 Pedro 3:13; Revelação 16:14-16; 12:7-12; 2 Coríntios 4:4.
38. (a) O que é confirmado pelo registro da Bíblia de profecias cumpridas? (b) O que merecem as profecias concernentes ao futuro?
38 A Bíblia, já tendo a seu crédito tantas profecias cumpridas, fica de fato confirmada como o livro ‘inspirado por Deus’. (2 Timóteo 3:16) Aceite-a, então, “não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus”. (1 Tessalonicenses 2:13) Também, visto que seu Autor, Jeová Deus, é “Aquele que desde o princípio conta o final”, poderá ter completa confiança nas profecias cujo cumprimento ainda é futuro. (Isaías 46:10) E o que está para vir é verdadeiramente maravilhoso. Ficará fascinado ao ler sobre isso no próximo capítulo.
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