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A Bíblia — é apenas a palavra de homem?A Sentinela — 1986 | 1.° de abril
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seu modo de pensar, e, no século 19, o cepticismo desabrochou plenamente na escola da alta crítica. Os altos críticos insistem em que a Bíblia não é o que aparenta ser. Segundo eles, Moisés não escreveu o Pentateuco. Antes, este foi compilado bem mais tarde na história judaica à base de diversas fontes escritas séculos depois de Moisés. Qualquer profecia cumprida deve ter sido escrita após o cumprimento. Assim, Isaías supostamente foi escrito por diversas pessoas no decorrer dum período de centenas de anos. E Daniel foi escrito por volta de 165 AEC.
O efeito da alta crítica é visto no caso do erudito bíblico alemão David Friedrich Strauss: “Somos ainda cristãos? Não, disse Strauss, pelo menos não aqueles entre nós que absorveram a Alta Crítica, porque não podemos mais aceitar a Bíblia como a Palavra de Deus.” — Religion and the Rise of Skepticism, de Franklin L. Baumer.
A nova era secular produziu também novas descobertas científicas. Algumas delas apoiavam a Bíblia, mas outras pareciam ir de encontro a ela. Por isso, muitos foram levados a crer que a Bíblia é anacrônica. Esta idéia foi reforçada, em meados do século 19, quando se popularizou a teoria da evolução — teoria que redondamente contradiz o relato de Gênesis sobre a criação. Esta teoria foi avidamente aceita pela maioria da comunidade científica e pelos altos críticos. Hoje ela é aceita por muitos clérigos e é ensinada nas escolas como fato.
Significa tudo isso que a ciência conseguiu de algum modo refutar a Bíblia? Ou mostrou a alta crítica que a Bíblia não é a Palavra de Deus?
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A Bíblia é a Palavra de DeusA Sentinela — 1986 | 1.° de abril
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A Bíblia é a Palavra de Deus
É VERDADE que a ciência e a alta crítica, juntas, derrubaram a Bíblia de sua anterior posição de Palavra de Deus? Seria fácil pensar assim. Até mesmo líderes religiosos estão dispostos a dizer na imprensa que a Bíblia é anticientífica e que a alta crítica é tão respeitável, que é ensinada em seminários teológicos. Mas, o que mostram os fatos?
A Bíblia e a Alta Crítica
O fato a respeito da alta crítica é que, até agora, não se apresentou nenhuma prova sólida das suas idéias. Nunca foi encontrada nenhuma suposta fonte da matéria do Pentateuco ou do livro de Isaías. E descobriram-se antigos fragmentos de Daniel, sugerindo que este livro já era muito estimado apenas poucos anos depois da data em que os altos críticos afirmam ter sido escrito!
Certo professor de teologia declara: “Não se pode provar em nenhum caso específico que os livros bíblicos surgiram de maneira fraudulenta, conforme descreve a escola crítica. Uma coisa é essa escola afirmar algo assim, outra coisa, porém, e provar isso.” (Wick Broomall, em Biblical Criticism) Certo arqueólogo acrescenta: “Não é exagero enfatizar-se fortemente que, a bem dizer, não há nenhuma evidência, no antigo Oriente Próximo, de falsificação documentária ou literária.” (W. F. Albright, em From the Stone Age to Christianity) É verdade que a alta crítica continua a florescer. Mas isso se dá porque ela se harmoniza muito bem com a atual maneira secular de pensar, não porque tenha sido provada.
A Bíblia e a Ciência
Então, conseguiu a ciência de algum modo refutar a Bíblia? Ora, às vezes parecia que sim. Por exemplo, no século 18, o entendimento mais profundo da constituição da terra tornou claro que nosso planeta é muito antigo. Naquele tempo, muitos religionários insistiram em que, segundo a Bíblia, a terra tinha apenas 6.000 anos de idade. Parecia um caso claro de refutação do ensino bíblico. Acontece que a Bíblia em parte alguma diz quão antiga a terra é. O problema era um equívoco por parte desses religionários.
As primeiríssimas palavras da Bíblia são: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1) Esta declaração, de que houve um princípio, está em harmonia com as atuais observações científicas. Daí, segundo a Bíblia, houve um período em que a terra era “sem forma e vazia”, desabitada e inabitável. (Gênesis 1:2) Os geólogos que procuram reconstruir a primitiva história da terra sugerem que houve tempo em que era mesmo assim. Depois, a Bíblia descreve como os mares e os continentes foram formados. Apareceu a vida vegetal, depois as criaturas marinhas, as aves, e, então, os animais terrestres. Por fim, apareceu o próprio homem. De modo geral, isto é bem similar ao que os cientistas descobriram pelas escavações em antigos estratos geológicos da terra, até mesmo quanto à ordem geral do aparecimento da vida. — Gênesis 1:1-28.
Isto não quer dizer que a Bíblia esteja completamente em harmonia com o que se publica nos compêndios científicos. Mas há tantos pontos de concordância, que temos de perguntar-nos: ‘Como é que esses primitivos escritores da Bíblia sabiam tanto?’ Em vista do nível primitivo de conhecimento científico naqueles dias longínquos, só pode ter sido que alguém lhes contou isso — o que dá forte apoio ao fato de que a Bíblia realmente é a Palavra de Deus. Nos pontos em que há discordância entre as teorias científicas e a Bíblia, devemos logo presumir que a Bíblia está errada e que os cientistas sempre têm razão? Há muitos precedentes que mostram que a ciência, de vez em quando, pode estar seguindo um rumo errado.
Naturalmente, a teoria da evolução apresenta um grande ponto de discordância com a Bíblia. O que é digno de nota nesta teoria é quão rapidamente ela se tornou popular entre cientistas após a publicação do livro de Darwin, A Origem das Espécies. Ela foi aceita muito antes de haver tempo para testar as hipóteses do livro ou para achar prova delas no registro dos fósseis. Por quê? O evolucionista Hoimar v. Ditfurth faz a seguinte admissão franca: “A ciência, por definição, é a tentativa de ver até que ponto o homem e a natureza podem ser explicados sem recorrer a milagres.” (The Origins of Life, de H. v. Ditfurth) Portanto, deve surpreender que cientistas adotassem avidamente a teoria da evolução, gastando muito tempo e esforço na tentativa de prová-la, e muito pouco tempo para ver se pode ser refutada? A única alternativa, a criação,
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