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Eu queria ver por mim mesmoDespertai! — 1988 | 22 de julho
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cobra venenosa protegia a entrada da genizá, pronta a dar o bote sobre os pretensos colecionadores, ajudou a preservar seu conteúdo, até que o Dr. Salomon Schechter conseguiu permissão para levar seu conteúdo para Cambridge, em 1898. Encontraram-se ali documentos que tinham sido juntados por um período de quase mil anos. Um bibliotecário mostrou-me uma foto dos manuscritos, no momento em que chegavam, enfiados em caixas de chá como se fossem um montão de lixo.
Entre todos estes encontrou-se um palimpsesto, ou rolo reutilizado, de grande interesse. “Palimpsesto” significa “raspado novamente”, e refere-se a um documento cuja escrita original foi removida por lavagem ou raspagem, de modo a reutilizar-se o custoso material de escrita. Com freqüência, pode-se ainda divisar a escrita original.
Neste caso, por baixo de uma escrita posterior, encontrou-se uma cópia de parte das Escrituras Hebraicas, traduzidas para o grego por Áquila, prosélito judeu que viveu no segundo século EC. Fiquei fascinado de observar, em vários lugares do texto grego, que o nome de Jeová achava-se escrito em caracteres hebraicos antigos. Isto mostra que, mesmo no segundo século EC, o nome de Jeová, em hebraico, ainda era escrito nos manuscritos gregos. Por conseguinte, não existe motivo de dúvida de que os discípulos de Jesus também o empregaram ao escreverem originalmente as Escrituras Gregas Cristãs, sob inspiração divina.
O falecido perito em textos bíblicos, F. G. Kenyon, escreveu que “no caso dos livros da Bíblia, como também de todas as obras dos autores clássicos e de quase todas as obras medievais, desapareceram os autógrafos originais e todas as cópias iniciais deles”. Todavia, qual é o mais antigo manuscrito conhecido das Escrituras Gregas Cristãs?
Um Diminuto Tesouro em Manchester
É apenas um fragmento de João 18:31-34, 37, 38, e mede menos de 9 centímetros por 6 de largura. O Evangelho de João foi originalmente escrito por volta de 98 EC. Esta cópia fragmentária foi feita pouco depois disso. É datada de 100—150 EC. Onde pode ser encontrada? Em Manchester, a cidade da Inglaterra em que se deu o surto da indústria de tecelagem, no século 19. Ali, na Biblioteca John Rylands, este fragmento é exibido ao público apenas em ocasiões raras.
O bibliotecário explicou-me bondosamente como, à base de tal fragmento, era possível calcular as dimensões originais deste livro. Calcula-se que o fragmento provenha de um códice de 130 páginas do Evangelho de João, cujas páginas tinham um tamanho comparável ao desta revista. Colocado entre duas placas de vidro, o fragmento se parece com uma obreia extremamente frágil. Foi-me dito que mesmo assim, muitos pedaços do papiro são surpreendentemente flexíveis.
Como se determina sua idade? Fiquei sabendo que o tipo de papiro usado, seu aspecto geral, e também o estilo de escrita fornecem indícios. Até mesmo eu podia ver que o estilo, que não é considerado como dum escriba profissional, era diferente do usado no caso dos manuscritos de velino que eu havia visto, no qual os traços verticais eram mais grossos e os traços horizontais tinham densos pontos no fim.
Qual é o significado deste diminuto fragmento? Refuta a teoria de alguns críticos de que os Evangelhos são, na realidade, falsificações do segundo século, e não foram de modo nenhum escritos pelos discípulos de Jesus. No entanto, visto que existe concordância universal de que Mateus, Marcos e Lucas foram escritos antes de João, temos aqui evidência de que todos eles foram escritos no primeiro século. Nenhum grupo de fraudadores seria capaz de produzi-los no primeiro século, quando as testemunhas oculares dos acontecimentos que eles relatam poderiam ter refutado quaisquer histórias falsas.
Quão notável é que, depois de tantos séculos, dispomos de cópias exatas da Palavra de Deus, procedentes duma época tão próxima à da escrita! Como escreveu o famoso perito Sir Frederic Kenyon a respeito da Bíblia: “Nenhum outro livro antigo possui tamanho testemunho antigo e abundante sobre o seu texto, e nenhum perito sem preconceitos negaria que o texto que chegou até nós é substancialmente bem fundado.”
Como resultado de minhas visitas, senti ainda maior confiança nas palavras que Davi foi inspirado a registrar: “As declarações de Jeová são declarações puras, como prata refinada num forno de fundição de terra, depurada sete vezes.” (Salmo 12:6) — Contribuído.
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Por que não dizer “adeus”?Despertai! — 1988 | 22 de julho
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Por que não dizer “adeus”?
JÁ SE ouviu pessoas bem-intencionadas dizerem: “Não quero dizer adeus. Parece-me tão definitivo — é quase deprimente!”
Na verdade, a pessoa muitas vezes diz adeus quando ela, com tristeza, acha que talvez nunca mais volte a ver um ente querido ou um prezado amigo. Todavia, ainda é um termo apropriado de se usar, não só em tais ocasiões, mas também em outras. Por quê? A resposta se encontra em sua origem.
“Adeus” é o que atualmente ficou da expressão completa: “Encomendo-te a Deus.” Esta observação de despedida era uma forma calorosa de desejar que a bênção de Deus acompanhasse o indivíduo. Expressava interesse e preocupação com o bem-estar de outrem, sendo uma forma de amor ao próximo. “Passe bem”, é também uma expressão que demonstra “um desejo de que outrem passe bem, ao se despedirem”. Outros idiomas utilizam expressões similares. Adieu, em francês, e adiós, em espanhol, transmitem a mesma idéia básica de encomendar a outra pessoa a Deus.
Na verdade, estas observações podem ser usadas por alguém, sem refletir, sem nenhuma outra intenção que não a de dizer o que é costumeiro. Mas isso não deve desanimar a pessoa informada de utilizá-las dum modo sincero e significativo para expressar seus sentimentos honestos.
A própria Bíblia apresenta pessoas devotadas que utilizam apropriadamente a expressão “adeus”. Jesus despediu-se de (ou: “disse adeus” a] uma multidão de pessoas a quem ele estivera ensinando, ao chegar a hora de despedir-se delas, de modo a poder devotar-se à oração em particular. (Marcos 6:46) “Paulo despediu-se dos [“disse adeus aos”] irmãos” quando “passou a navegar para a Síria”. (Atos 18:18) Em Éfeso, ele também disse adeus quando se despedia dos seus irmãos dali, embora lhes dissesse: “Voltarei novamente a vós, se Jeová quiser.” (Atos 18:21) Assim, a expressão nem sempre é usada com o sentido de algo definitivo. — Veja também Atos 21:6 e; 2 Coríntios 2:13.
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