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Reino De DeusAjuda ao Entendimento da Bíblia
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época significaria que Jesus Cristo então tomaria todas as medidas necessárias para eliminar a oposição à soberania de Deus, tanto no céu como na terra. — Rev. 11:15, 17.
A medida inicial ocorre no domínio celeste; Satanás e seus demônios são derrotados e expulsos para baixo, para o domínio terrestre. Isto resulta na proclamação: “Agora se realizou a salvação, e o poder, e o reino de nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo.” (Rev. 12:1-10) Durante o curto período de tempo remanescente para este principal adversário de Deus, Satanás, ele continua a cumprir a profecia de Gênesis 3:15, por guerrear contra os “remanescentes” da “semente [descendente]” da mulher, os “santos” que devem governar junto com Cristo. (Rev. 12:13-17; compare com 13:4-7; Daniel 7:21-27.) Os “justos decretos” de Jeová se tornam manifestos, todavia, e Suas expressões de julgamento sobrevêm como pragas aos opositores dele, resultando na destruição da mística Babilônia, a Grande, a principal perseguidora, na terra, dos servos de Deus. (Rev. 15:4; 16:1 a 19:6) Depois disso, o reino de Deus, tendo a Cristo Jesus como o Governante ungido, envia seus exércitos celestes contra os governantes de todos os reinos terrestres e seus exércitos numa luta no Armagedom, levando-os ao fim. (Rev. 16:14-16; 19:11-21) Trata-se da resposta à petição feita a Deus: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mat. 6:10) Satanás é então lançado no abismo, e inicia-se um período de mil anos em que Cristo Jesus e seus associados governam como reis e sacerdotes sobre os habitantes da terra. — Rev. 20:1, 6.
O apóstolo Paulo também descreve o governo de Cristo durante sua presença. Depois que Cristo ressuscita seus seguidores da morte, ele passa a ‘reduzir a nada todo governo, e toda autoridade e poder’ (referindo-se, logicamente, a todo governo, toda autoridade e todo poder em oposição à vontade soberana de Deus). Ele então ‘entrega o reino ao seu Deus e Pai’, sujeitando-se “Àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja todas as coisas para com todos”. — 1 Cor. 15:21-28.
Depois disso, contudo, faz-se uma prova final da integridade e da devoção de todos estes súditos terrestres. O adversário de Deus é solto de sua restrição no abismo. Os que cedem à sedução dele, fazem-no com base na mesma questão suscitada no Éden: a justeza da soberania de Deus. Pode-se depreender isto de seu ataque contra o “acampamento dos santos e a cidade santa”. Uma vez que aquela questão já foi judicialmente resolvida e declarada concluída pelo Tribunal do céu, não se permite nenhuma rebelião prolongada neste caso. Os que falham em permanecer lealmente do lado de Deus não poderão apelar para Cristo Jesus como ‘ajudador propiciatório’, mas Jeová Deus será “todas as coisas” para com eles, não sendo possível nenhum apelo ou mediação. Todos os rebeldes, sejam espirituais, sejam humanos, receberão a sentença divina de destruição na “segunda morte”. — Rev. 20:7-15.
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Reis, Livros DosAjuda ao Entendimento da Bíblia
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REIS, LIVROS DOS
Livros das Santas Escrituras que narram a história de Israel, desde os derradeiros dias do Rei Davi até a libertação do Rei Joaquim da prisão na cidade de Babilônia.
Os dois livros dos Reis, originalmente, constituíam um só rolo, chamado “Reis” (Heb., Melakhím), e, na Bíblia em hebraico da atualidade, ainda são contados como um só livro, o quarto na seção conhecida como “Profetas Anteriores”. Na Septuaginta, os Livros dos Reis foram chamados de Terceiro e Quarto Reinos, tendo os Livros de Samuel sido chamados de Primeiro e Segundo Reinos. Na Vulgata latina, estes livros eram conhecidos, em grupo, como os quatro livros de ‘Reis’, porque Jerônimo preferiu o nome Regum (“Reis”), em harmonia com o título hebraico, à transliteração do título da Septuaginta, Regnorum (“Reinos”). A divisão em dois livros, na Septuaginta, tornou-se prática porque a tradução para o grego, com vogais, exigiu quase que o dobro do espaço do hebraico, em que não se empregavam vogais até a Era Comum. A divisão entre Segundo Samuel e Primeiro Reis não tem sido sempre feita no mesmo lugar nas versões gregas. Luciano, aliás, em sua recensão da Septuaginta, fez tal divisão de modo que Primeiro Reis começasse com aquilo que é 1 Reis 2:12 em nossas Bíblias hodiernas.
A ESCRITA DOS LIVROS
Embora o nome do escritor dos Livros dos Reis não seja fornecido nos dois relatos, as inferências bíblicas e a tradição judaica apontam para Jeremias. Muitas palavras e expressões hebraicas encontradas nesses dois livros só aparecem, em outras partes da Bíblia, na profecia de Jeremias. Os livros dos Reis e o livro de Jeremias se complementam, os acontecimentos sendo cobertos apenas brevemente num deles, por via de regra, se são descritos de forma plena no outro. A ausência de qualquer menção de Jeremias nos Livros dos Reis, embora ele fosse um profeta de grande destaque, já era de se esperar, caso Jeremias fosse o escritor, porque suas atividades foram pormenorizadas no livro que leva seu nome. Os Livros dos Reis contam as condições de Jerusalém após o início do cativeiro, indicando que seu escritor não tinha sido levado para a cidade de Babilônia — assim como Jeremias não o fora. — Jer. 40:5, 6.
Alguns peritos vêem nos Livros dos Reis o que reputam ser evidência do trabalho de mais de um escritor ou compilador. No entanto, excetuando-se as variações, devido às fontes empregadas, deve-se observar que a linguagem, o estilo, o vocabulário e a gramática são sempre uniformes.
Primeiro Reis abrange um período de c. 129 anos, a contar dos derradeiros dias do Rei Davi, c. 1040 AEC, e indo até a morte do Rei Jeosafá, de Judá, em 911 AEC. (1 Reis 22:50) Segundo Reis começa com o reinado de Acazias (ou por volta de 920/919 AEC), e prossegue, pelo menos, até o trigésimo sétimo ano do exílio de Joaquim, 580 AEC, um período de c. 340 anos. (2 Reis 1:1, 2; 25:27-30) Por isso, os relatos conjugados dos Livros dos Reis abrangem cerca de quatro séculos e meio da história dos hebreus. Visto que os eventos neles registrados incluem os que chegam até 580 AEC, tais livros não poderíam ter sido concluídos antes dessa data, e, visto não haver menção do término do exílio babilônico, tais livros, como um só rolo, sem dúvida foram concluídos antes desse tempo.
O local da escrita de ambos os livros parece ter sido, na maior parte, Jerusalém e Judá, porque a maioria das fontes de matéria estaria ali disponível. No entanto, Segundo Reis foi logicamente concluído no Egito, para onde Jeremias foi levado, depois do assassínio de Gedalias, em Mispá. — Jer. 41:1-3; 43:5-8.
Os Livros dos Reis sempre ocuparam um lugar no cânon judaico, sendo aceitos como canônicos. Há boas razões para isso, porque tais livros dão prosseguimento ao principal tema da Bíblia, o Reino do prometido Descendente. Ademais, três profetas destacados — Elias, Eliseu e Isaías — obtêm proeminência, e mostra-se que as profecias deles tiveram inerrável cumprimento. Os eventos registrados nos Livros dos Reis são mencionados e elucidados em outras partes das Escrituras. Jesus se refere três vezes ao que está escrito nestes livros — a respeito de Salomão (Mat. 6:29), da rainha do sul (Mat. 12:42; compare com 1 Reis 10:1-9), da viúva de Sarefá, e de Naamã. (Luc. 4:25-27; compare com 1 Reis 17:8-10; 2 Reis 5:8-14.) Paulo menciona o relato sobre Elias e os 7.000 homens que não curvaram o joelho a Baal. (Rom. 11:2-4; compare com 1 Reis 19:14, 18.) Tiago fala das orações de Elias, pedindo seca e chuva. (Tia. 5:17, 18; compare com 1 Reis 17:1; 18:45.) Tais referências às ações das pessoas descritas nos Livros dos Reis atestam a canonicidade de tais escritos.
Os Livros dos Reis foram compilados mormente à base de fontes escritas, e o escritor indica meridianamente que consultou tais fontes externas para colher algumas informações. Refere-se ao “livro dos assuntos de Salomão” (1 Reis 11:41), ao “livro dos assuntos dos dias dos reis de Judá” (1 Reis 15:7, 23), e ao “livro dos assuntos dos dias dos reis de Israel”. — 1 Reis 14:19; 16:14.
Um dos mais antigos manuscritos hebraicos ainda existentes, que contém os Livros dos Reis em sua plenitude, data de 1008 EC. O Ms. Vaticano N.º 1209 e o Ms. Alexandrino contêm os Livros dos Reis (em grego), mas o Ms. Sinaítico não os contém. Fragmentos dos Livros dos Reis, datando evidentemente do período AEC, foram encontrados nas cavernas de Qumran, e apresentam apenas variações menores, quando comparados com textos posteriores.
Os Livros dos Reis são mais do que simples anais ou uma relação de eventos, como acontece numa crônica. Relatam fatos históricos com uma explicação de seu significado. Pelo visto, foi eliminado do relato o que não tinha diretamente que ver com o propósito de Deus em desenvolvimento, e o que não ilustrava os princípios pelos quais Jeová lida com seu povo. As falhas de Salomão e dos outros reis de Judá e de Israel não são ocultadas, mas são relatadas com a máxima candura.
A EVIDÊNCIA ARQUEOLÓGICA
A descoberta de numerosos artefatos supriu certa confirmação de que os Livros dos Reis são histórica e geograficamente exatos. A arqueologia, bem como as provas vivas da atualidade, confirmam a existência de florestas de cedros do Líbano, das quais Salomão obteve madeira para seus projetos de construção em Jerusalém. (1 Reis 5:6; 7:2) Evidência de atividade industrial tem sido encontrada na bacia do Jordão, ao N do vale da torrente do Jaboque, onde certa vez se erguiam Sucote e Zaretã. — 1 Reis 7:45, 46.
A história secular confirma os tratos entre um Faraó egípcio (Psinaches) e Hadade, o edomita (1 Reis 11:19, 20), e o ter Sisaque se tornado rei do Egito, perto do fim do reinado de Salomão. (1 Reis 11:40) A invasão de Judá, por parte de Sisaque, no tempo de Roboão (1 Reis 14:25, 26), é confirmada pelo próprio registro do Faraó, constante das paredes do Templo de Carnac, no Egito.
Um obelisco de calcário negro, do Rei Salmaneser III, da Assíria, encontrado em Nimrud, em 1846, apresenta, pelo que parece, um emissário de Jeú curvando-se perante Salmaneser, incidente este que, embora não seja citado nos Livros dos Reis, se soma ao testemunho da historicidade do Rei Jeú, de Israel. As extensivas obras de construção de Acabe, incluindo “a casa de marfim que construiu” (1 Reis 22:39), são bem atestadas pelas ruínas encontradas em Samaria, Hazor e Megido.
A Pedra Moabita relata alguns dos eventos que envolveram a revolta do Rei Mesa contra Israel, fornecendo a versão do monarca moabita sobre o ocorrido. (2 Reis 3:4, 5) Esta inscrição alfabética também contém o Tetragrama.
O nome “Peca” encontra-se numa jarra encontrada em Hazor, no nível evidentemente destruído por Tiglate-Pileser. (2 Reis 15:27) A campanha de Tiglate-Pileser III contra Israel é mencionada em seus anais régios, e numa inscrição dum prédio assírio. (2 Reis 15:29) O nome de “Oséias” também foi decifrado à base de inscrições da campanha de Tiglate-Pileser III. — 2 Reis 15:30.
Algumas das campanhas do rei assírio, Senaqueribe, são mencionadas em seus anais, mas não a destruição angélica de seu exército de 185.000 homens, ao acampar contra Jerusalém (2 Reis 19:35), nem devíamos esperar que se encontrasse, nos seus registros jactanciosos, um relato deste tremendo revés. Notável confirmação arqueológica da última declaração dos Livros dos Reis tem sido encontrada em tábuas cuneiformes escavadas em Babilônia. Estas indicam que Joaquim estava preso na cidade de Babilônia, e mencionam que lhe eram fornecidas provisões vindas do tesouro real. — 2 Reis 25:30.
CUMPRIMENTOS DE PROFECIAS
Os Livros dos Reis contêm várias profecias e apontam para notáveis cumprimentos. À guisa de exemplo, 1 Reis 2:27 mostra o cumprimento da palavra de Jeová contra a casa de Eli. (1 Sam. 2:31-36; 3:11-14) Profecias sobre Acabe e sua casa foram cumpridas. (Compare 1 Reis 21:19-21 com 1 Reis 22:38 e 2 Reis 10:17.) O que foi predito a respeito de Jezabel e seus restos mortais provou-se verídico. (Compare 1 Reis 21:23 com 2 Reis 9:30-36.) E os fatos históricos confirmam a veracidade da destruição profetizada de Jerusalém. — 2 Reis 21:13.
Entre os muitos pontos sublinhados nos Livros dos Reis acha-se a importância de apegar-se aos requisitos de Jeová, e as nefastas conseqüências de se ignorar Suas leis justas. Os dois Livros dos Reis comprovam vigorosamente as consequências preditas, tanto da obediência como da desobediência a Jeová Deus.
ESBOÇO DO CONTEÚDO 1 REIS
I. Adonias, filho de Davi, almeja o trono, mas seus esforços são baldados pela unção de Salomão como rei (1:1-53)
II. Instruções finais de Davi a Salomão, e a execução destas, após a morte de Davi (2:1-46)
III. Reinado de Salomão; suas atividades e realizações (3:1 a 11:43)
A. Salomão faz aliança matrimonial com o Faraó do Egito, mas continua a amar a Jeová (3:1-3)
B. Pede sabedoria quando Jeová lhe aparece num sonho, em Gibeão; tal pedido é concedido e evidência é vista no julgamento de Salomão no caso de duas prostitutas (3:4-28)
C. Oficiais de Salomão e suas funções; o poder, a fama e a sabedoria dele (4:1-34)
D. Seus tratos com Hirão quanto a materiais de construção (5:1-18)
E. Construção do templo e de seus utensílios e mobiliário; também a construção de outras estruturas (6:1 a 7:51)
F. Israel é reunido para a dedicação do templo (8:1-66)
1. Arca é trazida ao templo por sacerdotes; aceitação do templo por Jeová é manifestada por enchê-lo de nuvem, depois que sacerdotes saem (8:1-13)
2. Salomão fala ao povo, ora pedindo favor de Deus, abençoa povo, oferece sacrifícios e finalmente despede assembléia no oitavo dia (8:14-66)
G. Jeová aparece a Salomão pela segunda vez, assegurando-lhe que obediência trará bênção, desobediência levará ao desastre nacional (9:1-9)
H. Outros negócios de Salomão com Hirão (9:10-14)
I. Salomão convoca pessoas para trabalhos forçados; os interesses comerciais e marítimos, a riqueza, a sabedoria dele, e a impressão causada na visitante rainha de Sabá (9:15 a 10:29)
J. Apostasia de Salomão, pelo casamento com mulheres estrangeiras, e resultantes dificuldades perto do término de seu reinado (11:1-25)
L. Jeová torna conhecido Seu propósito de retirar dez tribos de Salomão e as dar a Jeroboão; Salomão morre e sucede-o Roboão (11:26-43)
IV. Início do reinado de Roboão, e divisão do reino (12:1-24)
V. Jeroboão reina sobre dez tribos, introduz infielmente a adoração do bezerro, e o julgamento adverso de Jeová é proferido contra ele e sua casa (12:25 a 14:20)
VI. Marcado pela idolatria o reinado do Rei Roboão, de Judá, e, em seu quinto ano, Sisaque, rei do Egito, invade Judá (14:21-31)
VII. Abijão, de Judá, rege por três anos, enquanto Jeroboão reina sobre Israel (15:1-8)
VIII. Governo do Rei Asa, de Judá, presencia campanha contra idolatria e contínua luta entre Israel e Judá, durante o reinado de Baasa, terceiro rei do reino das dez tribos (15:1-24)
IX. Reinado de dois anos de Nadabe, como rei de Israel, e a conspiração de Baasa (15:25-31)
X. Governo de Baasa e o julgamento de Jeová contra ele (15:32 a 16:7)
XI. Reinado do Rei Elá, de Israel, e a conspiração e o reinado de seu sucessor, Zinri (16:8-15)
XII. Onri obtém trono por guerrear com êxito contra Zinri, e, com a ajuda de seus apoiadores, vence seu rival, Tibni; ultrapassa em iniquidade seus predecessores (16:16-28)
XIII. Eventos do reinado do Rei Acabe, de Israel, a partir do trigésimo oitavo ano de Asa (16:29 a 22:40)
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