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RomanoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Valéria (Lei Valéria) e Lex Porcia (Lei Pórcia) proibiam que se espancasse, açoitasse, torturasse ou infringisse qualquer castigo vergonhoso aos cidadãos romanos, e também lhes concedia o direito de recorrer de uma decisão dum magistrado perante um tribunal do povo, sob a república; numa data posterior, os recursos eram interpostos diretamente ao imperador. Ou, se certas ofensas que incorriam na pena capital estivessem envolvidas, os cidadãos podiam requerer serem enviados a Roma, para ali serem julgados perante o próprio imperador. (Atos 25:11, 12) Violar alguém as leis Valéria e Pórcia era uma questão seríssima, como foi demonstrado duas vezes em relação à Paulo. — Atos 16:37-40; 22:25-29.
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Romanos, Carta AosAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ROMANOS, CARTA AOS
Um livro das Escrituras Gregas Cristãs, escrito pelo apóstolo Paulo aos cristãos em Roma. Jamais se questionou seriamente que Paulo fosse o seu escritor, e a autenticidade deste livro, como parte do cânon sagrado, tem sido quase que universalmente reconhecida pelos peritos bíblicos, excetuando-se alguns que não conseguiram enquadrá-lo em suas próprias crenças doutrinais. Na realidade, a carta se harmoniza plenamente com o restante das Escrituras inspiradas. Efetivamente, Paulo cita de forma copiosa as Escrituras Hebraicas, e tece numerosas referências a elas, de modo que se pode dizer que tal carta se baseia mui solidamente nas Escrituras Hebraicas e nos ensinos de Cristo.
ÉPOCA E LOCAL DA ESCRITA
Esta carta foi escrita por volta de 56 EC, de Corinto. Tércio foi evidentemente o secretário de Paulo, escrevendo o que Paulo lhe ditava. (Rom. 16:22) Febe, que morava em Cencréia, a cidade portuária de Corinto, c. 11 km dali, foi possivelmente a portadora da carta. (Rom. 16:1) Paulo ainda não havia estado em Roma, como é evidente de suas observações, no capítulo um, versículos de nove a quinze. A evidência também indica que Pedro jamais havia estado ali. — Veja Pedro, as Cartas de.
O ESTABELECIMENTO DA CONGREGAÇÃO DE ROMA
A congregação talvez tivesse sido estabelecida por alguns dos judeus e prosélitos de Roma que visitaram Jerusalém no dia de Pentecostes de 33 EC, que testemunharam o derramamento miraculoso do espírito santo e ouviram o que falaram Pedro e outros cristãos ali reunidos. (Atos, cap. 2) Ou outros conversos do cristianismo talvez tivessem levado, mais tarde, a verdade até Roma, pois, visto que esta grande cidade era o centro do Império Romano, muitos se mudaram para lá com o tempo, e eram numerosos os viajantes e comerciantes que a visitavam. Paulo envia respeitosos cumprimentos a Andrônico e Júnias, seus ‘parentes e companheiros de cativeiro’, “homens notáveis entre os apóstolos”, que já estavam no serviço de Cristo há mais tempo do que Paulo. Tais homens bem que podiam ter tido parte no estabelecimento da congregação cristã em Roma. (Rom. 16:7) Na época em que Paulo escreveu, a congregação já existia, evidentemente por algum tempo, e era bastante vigorosa, a ponto de sua fé ser comentada em todo o mundo. — Rom. 1:8.
O PROPÓSITO DA CARTA
Pela leitura da carta torna-se patente que foi escrita a uma congregação cristã composta tanto de judeus como de gentios. Havia muitos judeus em Roma, naquele tempo, tendo retornado depois da morte do imperador Cláudio, que os banira de lá algum tempo antes. Embora Paulo não tivesse estado em Roma, para sentir pessoalmente os problemas que a congregação enfrentara, podia ter sido informado da condição e dos assuntos da congregação por seus bons amigos e colaboradores, Priscila e Áquila, e, possivelmente, também por outros a quem Paulo encontrara. Os cumprimentos dele, no capítulo dezesseis, indicam que conhecia pessoalmente um bom número de membros daquela congregação. Paulo sabia que a principal oposição contra o cristianismo, naquele tempo, provinha dos judeus. Estava bem a par dos ensinos e dos argumentos deles contra o cristianismo. Sem dúvida, as objeções a que ele fez alusão e refutou não eram hipotéticas, mas eram objeções realmente suscitadas pelos oponentes judeus. Na congregação de Roma, tais coisas talvez tenham sido uma fonte de contestações, ou até mesmo de disputas.
Nas suas outras cartas, Paulo atacou problemas específicos e lidou com questões que reputava mui vitais para aqueles a quem escrevia. Quanto à oposição judaica, Paulo já havia escrito às congregações da Galácia, refutando-a, mas esta carta tratava mais especificamente dos esforços feitos pelos judeus que professavam o cristianismo, mas que eram “judaizantes”, e que insistiam que os conversos gentios fossem circuncidados, e, em outros sentidos, que se lhes exigisse observassem certos regulamentos da Lei mosaica. Na congregação romana não parecia haver tal esforço conjugado neste sentido, mas, pelo que parece, havia inveja e sentimentos de superioridade da parte tanto dos judeus como dos gentios.
A carta, assim, não era simples carta geral, escrita à congregação romana, sem nenhum objetivo específico para com eles — como alguns supõem, mas tratava, evidentemente, das coisas de que eles precisavam, naquelas circunstâncias. A congregação romana podia captar o pleno significado e a plena força do conselho do apóstolo, pois sem dúvida enfrentava as próprias questões que ele, Paulo, respondia. Torna-se óbvio que o propósito dele era solucionar as diferenças de pontos de vista existentes entre os cristãos judeus e
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