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Atos Dos ApóstolosAjuda ao Entendimento da Bíblia
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D. Apóstolo apresenta defesa perante rei Agripa (25:13 a 26:32)
E. Viagem para Roma é marcada por naufrágio em Malta (27:1 a 28:16)
F. Prisioneiro em Roma, Paulo prega a Cristo e o Reino (28:17-31)
O ESCRITOR
As palavras iniciais de Atos se referem ao Evangelho de Lucas como “o primeiro relato”. E visto que ambos os relatos são dirigidos à mesma pessoa, Teófilo, sabemos que Lucas, embora não assinasse seu nome, foi o escritor de Atos. (Luc. 1:3; Atos 1:1) Ambos os relatos têm estilo e palavreado similares. O Fragmento Muratoriano, de cerca de 170 E.C., também atribui a autoria a Lucas. Outros escritos eclesiásticos do segundo século E.C., de Irineu de Lião, Clemente de Alexandria, e Tertuliano de Cartago, quando citaram de Atos, mencionaram Lucas como o escritor.
QUANDO E ONDE FOI ESCRITO
O livro abrange um período de aproximadamente vinte e oito anos, desde a ascensão de Jesus em 33 E.C. até o fim do segundo ano da prisão de Paulo em Roma, por volta de 61 E.C. Durante este período, quatro imperadores romanos regeram em seqüência: Tibério, Calígula, Cláudio e Nero. Visto que relata eventos até o ano 61, não poderia ter sido concluído antes disso. Caso o relato tivesse sido escrito depois de 61, é razoável esperar-se que Lucas teria fornecido mais informações sobre Paulo; se escrito depois do ano 64, certamente teria mencionado a violenta perseguição de Nero, que começou então; e, se escrito depois de 70 E.C., como alguns argúem, esperaríamos encontrar o registro da destruição de Jerusalém. O escritor Lucas acompanhou Paulo em grande parte do período de suas viagens, inclusive na perigosa viagem para Roma, o que é evidente do seu uso dos pronomes (ou verbos) na primeira pessoa do plural, “nós”, “nosso”, “nos”, em Atos 16:10-17; 20:5-15; 21:1-18; 27:1-37; 28:1-16. Paulo, em suas cartas escritas de Roma, menciona que Lucas também estava ali. (Col. 4:14; Filêm. 24) Foi, por conseguinte, em Roma que foi escrito o livro de Atos.
Conforme já observado, o próprio Lucas foi testemunha ocular de grande parte do que escreveu, e, em suas viagens, ele contatou concristãos que participaram de certos eventos descritos ou os observaram. À guisa de exemplo, João Marcos podia contar-lhe sobre o miraculoso livramento da prisão que Pedro obteve (Atos 12:12), ao passo que os eventos descritos nos capítulos de seis a oito poderiam ter sido relatados pelo missionário Filipe. E Paulo, naturalmente, como testemunha ocular, podia suprir muitos pormenores dos eventos que aconteceram quando Lucas não estava com ele.
AUTENTICIDADE
A exatidão do livro de Atos tem sido comprovada, no decorrer dos anos, por meio de várias descobertas arqueológicas. Por exemplo, Atos 13:7 diz que Sérgio Paulo era o procônsul de Chipre. Ora, sabe-se que, pouco antes de Paulo visitar Chipre, esta era regida por meio dum propretor ou legado, mas a descoberta de moedas cipriotas prova que, quando Paulo esteve ali, a ilha estava sob a regência direta do Senado romano, na pessoa de um governador provincial chamado procônsul. Ademais, uma inscrição encontrada em Soli, na costa setentrional de Chipre, datada do “proconsulado de Paulo” testifica a exatidão e precisão de Lucas. Similarmente na Grécia, durante a regência de Augusto César, a Acaia era uma província sob a regência direta do Senado romano, mas, quando Tibério era imperador, ela era regida diretamente por ele. Mais tarde, sob o imperador Cláudio, tornou-se novamente uma província senatorial, segundo Tácito. Descobriu-se um fragmento dum rescrito de Cláudio aos délficos da Grécia que se refere ao proconsulado de Gálio. Por conseguinte, Atos 18:12 está correto ao falar de Gálio como “procônsul” quando Paulo estava ali em Corinto, na capital da Acaia. (Veja GÁLIO.) Também, uma inscrição numa passagem em arco em Tessalônica mostra que Atos 17:8 é correto ao falar dos “governantes da cidade” (“poliarcas”, governadores dos cidadãos), muito embora este título não seja encontrado na literatura clássica.
Até o dia de hoje, em Atenas, o Areópago, ou colina de Marte, onde Paulo pregou, situa-se como testemunha silenciosa da veracidade de Atos. (Atos 17:19) Termos e expressões médicas encontrados em Atos estão de acordo com os escritores médicos gregos daquele tempo. Os modos de se viajar, usados no Oriente Médio, no primeiro século, eram essencialmente conforme descritos em Atos: por via terrestre, por caminhadas, a cavalo ou em carros puxados a cavalo (23:24, 31, 32; 8:27-38); por via marítima, por navios de carga. (21:1-3; 27:1-5) Aqueles barcos antigos não possuíam um leme único, mas eram controlados por dois grandes remos, daí serem mencionados com exatidão no plural. (27:40) A descrição da viagem de Paulo de navio até Roma (27:1-44), quanto ao tempo utilizado, à distância percorrida e aos lugares visitados, é reconhecida pelos marujos modernos, familiarizados com a região, como sendo inteiramente fidedigna e confiável.
Os Atos dos Apóstolos eram aceitos sem dúvida como Escritura inspirada e canônica pelos catalogadores das Escrituras do segundo até o quarto século E.C. Trechos do livro, junto com fragmentos dos quatro Evangelhos, encontram-se no manuscrito de papiro Chester Beatty N.° 1 (P45), do início do terceiro século E.C. O manuscrito Michigan N.° 1571, do terceiro ou quarto século, contém trechos dos capítulos 18 e 19, e um manuscrito do quarto século, Aegyptus N.° 8683, contém partes dos capítulos 4 a 6. O livro de Atos foi citado por Policarpo de Esmirna, por volta de 115 E.C., por Inácio de Antioquia, por volta de 110 E.C., e por Clemente de Roma, talvez já em 95 E.C. Atanásio, Jerônimo e Agostinho, do quarto século, confirmam todos as listas anteriores que incluíam Atos.
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 191-196.
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AugustoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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AUGUSTO
[O Augusto; aplicado às coisas mais nobres, veneráveis, sagradas; lat., augere, “aumentar”; gr. , Sebastós, “O Reverente”].
Este título, que subentende a divindade, foi dado a Caio Otávio. Posteriores imperadores romanos também assumiram tal título (Atos 25:21, 25), mas, por si mesmo, quando usado como nome, refere-se a Otávio, o primeiro imperador do Império Romano.
Otávio nasceu em 23 de setembro de 63 A.E.C., sendo filho de Otávio e de sua esposa Átia, ambos de famílias nobres. A morte de seu pai, quatro anos depois, levou à adoção secreta de Otávio por parte do tio de sua mãe, Júlio César. Após a morte de Júlio, a adoção se tornou pública e o jovem Otávio logo veio a participar dum triunvirato, junto com Marco Antônio e Lépido. Estes três agiram rapidamente de forma implacável para mandar assassinar 300 senadores e 2.000 cavaleiros. Eles então, com êxito, derrotaram os assassinos de César em Filipos, em 42 A.E.C., e Otávio concedeu a cidadania romana ao povo dessa cidade, onde Paulo pregou, cerca de um século mais tarde. (Atos 16:12) Lépido foi enviado à África, e Antônio fez uma aliança com Cleópatra, rainha do Egito. As relações tensas entre Otávio e Antônio culminaram numa demonstração de força na batalha de Actium, em setembro de 31 A.E.C., onde Antônio e Cleópatra foram derrotados. Otávio assim emergiu como o regente indisputável do Império Romano.
Otávio declinou dos títulos de “rei” e “ditador”, mas aceitou o título especial de “Augusto”, que lhe foi concedido pelo Senado, em 16 de janeiro de 27 A.E.C. Após a morte de Lépido, em 12 A.E.C., Augusto assumiu o título de “Pontifex Maximus”, ou Sumo Pontífice. Com o aumento do seu poder, fez reformas no governo, reorganizou o exército, estabeleceu a Guarda Pretoriana (Fil. 1:13), construiu e restaurou muitos templos.
Em 2 A.E.C., “saiu um decreto da parte de César Augusto, para que toda a terra habitada se registrasse; . . . e todos viajaram para se registrarem, cada um na sua própria cidade”. (Luc. 2:1, 3) Este decreto resultou em Jesus nascer em Belém, em cumprimento da profecia bíblica. (Dan. 11:20; Miq. 5:2) Além desse recenseamento do povo para fins de impostos e de recrutamento para o exército, da nomeação de regentes como o Rei Herodes, e da execução da pena de morte, Augusto interferia pouquíssimo nos governos locais. Suas diretrizes, que continuaram após sua morte, concediam ao Sinédrio judaico amplos poderes. (João 18:31) Esta tolerância imperial fornecia aos seus súditos menos motivos provocativos para rebelarem-se.
Augusto tinha poucas escolhas para seu sucessor. Seu sobrinho, dois netos, um genro e um enteado morreram todos, deixando apenas seu enteado Tibério, a quem fez co-regente um ano antes de sua morte. Augusto morreu em 19 de agosto de 14 E.C., calendário juliano (17 de agosto, calendário gregoriano), mês que ele assim denominou em honra a si mesmo. Este evento é tão universalmente reconhecido que é considerado uma data básica no cálculo da cronologia das Escrituras Gregas. Augusto reinou por 44 anos e gozou duma popularidade não igualada por nenhum outro imperador romano. Um mês após sua morte, foi deificado pelo Senado.
[Foto na página 175]
Troféu naval mostrando a efígie de Augusto.
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Augusto, Destacamento DeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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AUGUSTO, DESTACAMENTO DE
Quando, em resultado de seu recurso a César, o apóstolo Paulo foi mandado para Roma, foi colocado sob a custódia dum oficial do exército (centurião) do “destacamento de Augusto” chamado Júlio. (Atos 27:1) A transferência de Paulo e outros presos à custódia do oficial do exército se deu em Cesaréia. — Atos 25:13; 26:30 a 27:1.
Não é possível identificar positivamente o “destacamento de Augusto” do qual Júlio provinha. Os léxicos gregos (veja o de Vine; Liddell e Scott) mostram que a palavra speíra (“agrupamento”), quando usada no sentido militar, em geral representava um manipulus romano, um destacamento igual a três “centúrias”, ou até trezentos homens. No entanto, mostram que o termo é também usado para um grupo maior de homens e, conforme usado nas Escrituras Gregas, crê-se que representa uma “coorte” romana (a décima parte de uma legião, tendo de 400 a 1.000 homens). Em aditamento às legiões romanas regulares, compostas de cidadãos romanos e divididas em coortes, havia também tropas de segundo grau, ou auxilia, formadas de coortes recrutadas dentre os súditos (não-cidadãos) romanos. Tratava-se de unidades independentes de infantaria e geralmente serviam ao longo das fronteiras do império. Ao passo que as coortes dentro das legiões romanas regulares não recebiam nomes característicos, estas coortes auxiliares amiúde tinham nomes. Encontraram-se inscrições de um Cohors I Augusta (latim) e Speíra Augoúste (grego), embora não necessariamente se identifique com o destacamento aqui considerado. The Interpreter’s Bible (A Bíblia do Intérprete, Vol. 9, p. 332), comentando Atos 27:1, afirma sobre o destacamento de Augusto: “Mui provavelmente é uma coorte auxiliar que sabemos ter estado sediada na Síria por volta dessa época.”
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