-
Separar-se-ia de seu filho?A Sentinela — 1971 | 1.° de junho
-
-
vida’? Não há nenhuma garantia de que a situação econômica melhor do filho resulte em ele obter a aprovação de Deus.
Quando os pais se vêem confrontados com a questão de “emprestar” seus filhos ou não, por um ou dois meses, ou mais tempo, deviam examinar cuidadosamente sua motivação e se perguntar: É isto o que Deus desejaria que eu faça? Mesmo que o filho esteja disposto, sim, ávido de deixar os pais por algum tempo, constitui isto qualquer motivo válido para se concordar com tal arranjo? Não é incomum as crianças quererem coisas que não são proveitosas.
Os pais e as mães talvez achem que estão justificados em separar-se de seus filhos quando as oportunidades de uma instrução elementar se encontram longe de seu lar. Mas, não seria melhor pensar em mudar-se com a família inteira para mais perto da escola, em vez de ceder a outro o privilégio e a responsabilidade dados por Deus de supervisionar o desenvolvimento de um dos próprios filhos?
Também, nos países em que se realizam regularmente aulas de alfabetização nas congregações das testemunhas de Jeová, muitos pais se aproveitaram delas, e aprenderam ali, sem custo, a ler e a escrever, e a inculcar nos filhos as verdades valiosas da Palavra de Deus, a Bíblia, a melhor fonte de educação que há. Assim, os pais, as mães e os filhos têm ficado mais unidos pela verdade bíblica e têm usufruído uma vida familiar mais abundante e mais feliz. E agora, estes pais simplesmente não querem separar-se de seus filhos por preço algum!
Se viver na Europa, na América do Norte ou em outro lugar onde não há tais “empréstimos”, reconhece algumas práticas às quais se podem aplicar os mesmos princípios? Alguns pais mandam seus filhos a internatos ou a acampamentos de verão, por muitos meses a fio, embora os filhos talvez fiquem assim privados do amor, da proteção e da orientação espiritual e moral que são tão vitais para eles. Os perigos e as desvantagens destas práticas amiúde são simplesmente tão grandes como os envolvidos em “emprestar” um filho. Portanto, há bons motivos para os pais amorosos, em todas as partes da terra, usarem de muito cuidado quando confrontados com algum costume ou arranjo que significaria separar-se de seu filho. A recompensa da cautela e de se fazer uma decisão baseada na Palavra de Deus pode ser a felicidade duradoura de todos, pois, “as ordens de Jeová são retas, fazendo o coração alegrar-se”. — Sal. 19:8.
-
-
Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1971 | 1.° de junho
-
-
Perguntas dos Leitores
● Como devemos entender Mateus 1:17, que fala de três séries de gerações (quatorze em cada série), de Abraão a Jesus Cristo, embora os versículos precedentes alistem apenas quarenta e uma gerações? — Bélgica.
Há uma explicação simples desta aparente dificuldade. É evidente que Mateus contou Davi duas vezes, não tomando em consideração o total, mas apenas a uniformidade dos três grupos de quatorze nomes ou gerações, como ajuda à memória. Conforme o expressa o próprio Mateus: “Assim, todas as gerações, desde Abraão até Davi, foram quatorze gerações, e desde Davi até à deportação para Babilônia, quatorze gerações e desde a deportação para Babilônia até ao Cristo quatorze gerações.”
Quando se tomam em consideração listas genealógicas tais como as encontradas em 1 Crônicas, capítulos 1 a 3, parece que houve pelo menos quarenta e seis gerações de Abraão a Jesus Cristo. Mateus abreviou a lista por omitir três reis de Judá, que eram descendentes do Rei Jeorão (Jorão) e da assassina Rainha Atalia. Ela era filha da iníqua Rainha Jezabel e usurpou o trono de Judá por sete anos. Depois de alistar Jorão (Jeorão), ele omite as próximas três gerações ou frutos desta aliança iníqua, a saber, Acazias (que reinou apenas um ano), Jeoás (que começou a reinar à idade de sete anos) e Amazias (que reinou por vinte e nove anos). Em vez disso, ele menciona a seguir Uzias, que teve um reino longo e próspero, até que presumiu ocupar o lugar dum sacerdote e oferecer incenso no templo, sendo atacado de lepra. Mateus omite também o nome de Jeoiaquim, filho de Josias, de sua genealogia, bem como o de Hananias, filho de Zorobabel, que por sua vez se tornou pai de Abiúde.
Tais omissões da parte de Mateus, porém, não são nada de se admirar, pois as listas genealógicas eram às vezes abreviadas. Por exemplo, Esdras alista vinte e três nomes na sua genealogia sacerdotal, em 1 Crônicas 6:3-14, mas alista apenas dezesseis para o mesmo período, quando fornece a sua própria genealogia em Esdras 7:1-5.
Quando se consideram listas bíblicas de genealogia, há diversas coisas a lembrar. Em primeiro lugar, convém notar que as variações não se deviam a alguma negligência. Os israelitas se preocupavam muito com a história e eram muito cuidadosos em manter registros. Somos assim informados a respeito da Tabela de Nações em Gênesis (Gên. 10:1-32), que ela é “exclusiva na literatura antiga. Este interesse nas nações reflete com exatidão a ênfase bíblica na história. . . . Tal preocupação com a história não pode ser encontrada em nenhuma outra literatura sagrada do mundo”. — The Interpreter’s Dictionary of the Bible, Vol. 3, p. 515.
Seja notado, além disso, que todos os escritores bíblicos eram homens honestos, guiados pela elevada norma de moral estabelecida na Bíblia. E, além disso, escreviam sob a influência do espírito santo de Jeová. — 2 Tim. 3:16; 2 Ped. 1:21.
Convém também lembrar que o modo em que os homens registravam as coisas na antiguidade era diferente da maneira como se faz isso hoje. Por exemplo, certos termos abrangiam mais significado do que hoje. Assim, Abraão falou a Ló, dizendo: “Nós homens somos irmãos.” (Gên. 13:8) No entanto, Abraão era realmente o tio de Ló. Igualmente, a rainha babilônica referiu-se a Nabucodonosor como sendo o pai de Belsazar, ao passo que Nabonido era evidentemente o pai dele, e Nabucodonosor seu avô. (Dan. 5:11) De fato, muitas vezes se usa “pai” para se referir a um antepassado mais longínquo. Nas Escrituras Gregas Cristãs, Abraão é assim repetidas vezes chamado de “pai de nós”, quando realmente era antepassado longínquo. — Atos 7:2; Rom. 4:12; Tia. 2:21, Tradução Interlinear do Reino, em inglês.
Tomarmos em consideração tais fatores nos ajudará a compreender por que os escritores bíblicos se expressavam desta maneira ao registrarem certas listas genealógicas, e assim se removem aparentes dificuldades.
● Como podemos explicar Lucas 22:44, a respeito de o suor de Jesus se tornar como sangue? — L. G., França.
Jesus se achava sob forte tensão emocional no Jardim de Getsêmani, e foi durante a oração agonizante que aconteceu este evento incomum. Lucas 22:44 diz: “Ficando em agonia, continuava a orar mais seriamente; e seu suor tornou-se como gotas de sangue caindo ao chão.” Não diz que seu suor se tornou sangue literal, mas apenas que se tornou “como gotas de sangue”. A Sentinela de 15 de fevereiro de 1901, em inglês, declarou sob o título “Getsêmani — Vigiar e Orar”: “Lucas, que era médico, diz que ele [Cristo] estava ‘em agonia’ numa luta, num esforço, sendo que a linguagem usada em grego dá a entender uma luta de crescente força e severidade, de modo que ‘seu suor se tornou como que grandes gotas de sangue’; e tal suor sangrento não é desconhecido dos médicos atuais, embora seja raro. Assinala um sentimento de extrema tensão — um pesar próximo à morte.”
A ciência moderna lança mais luz sobre isso, sendo que ela, longe de contradizer o que a Bíblia diz sobre este assunto, mostra que seu suor se podia ter tornado “como gotas de sangue”. Por exemplo, o número de 30 de agosto de 1952 de Science News Letter noticiou: “Algumas pessoas realmente parecem ‘suar sangue’. A cor vermelha de seu suor procede dum pigmento produzido pelas suas glândulas saprocríneas. Estas glândulas da pele exsudam um fluido branco, leitoso, mas às vezes segregam um pigmento ou corante no fluido costumeiramente incolor. Quando a transpiração seca, o pigmento permanece e atrai a atenção. . . . O suor vermelho ou em qualquer outra cor é conhecido por cromidrose. Alguns casos são evidentemente causados pela assimilação de substâncias químicas ou farmacêuticas pelo organismo. Já por centenas de anos se sabe que os trabalhadores nas minas de cobre podem ter transpiração verde e que os pacientes podem ter suor vermelho depois de tomarem certos remédios. Nestes casos, porém, a transpiração no corpo inteiro é colorida e a origem externa da cor já é por muito tempo evidente. O tipo de cromidrose que não teve explicação até agora se limita a pequenas áreas do corpo. Ocorre usualmente nas axilas, mas pode ocorrer em qualquer parte da pele. Só é observado em adultos, muitas vezes como reação à emoção. O suor pode ser verde, azul, negro, amarelo, marrom ou da cor do sangue. Neste último caso, esta condição tem sido às vezes considerada pelos leigos como literalmente ‘suar sangue’.”
Que esta seja a explicação específica do que aconteceu no caso de Jesus, quer não, naturalmente, é impossível de se saber. Mostra, porém, que há evidência científica definida da possibilidade de o suor ser “como gotas de sangue”. E a notícia científica citada mostra que esta ocorrência incomum ocorre “muitas vezes como reação à emoção”. Por certo, quando Jesus orou de modo agonizante, em Getsêmani, existia suficiente perturbação emocional para se tornar o suor “como gotas de sangue”.
-