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ArqueologiaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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que alguém que tivesse vivido muito mais tarde o apresentasse (como alguns críticos tentam afirmar que se deu com tal parte do relato de Gênesis). Conforme declara o livro New Light on Hebrew Origins (Nova Luz Sobre as Origens Hebraicas), de Garrow Duncan (p. 174), a respeito do escritor do relato sobre José: “Ele utiliza o título correto usado, e exatamente conforme era usado no período mencionado, e, quando não existe nenhum equivalente hebraico, simplesmente adota a palavra egípcia e a translitera para o hebraico.” Os nomes egípcios, a posição de José como encarregado da casa de Potifar, as casas da prisão, os títulos de “o chefe dos copeiros” e “o chefe dos padeiros”, a importância que os egípcios atribuíam aos sonhos, o costume de os padeiros egípcios carregarem cestos de pão na cabeça (Gên. 40:1, 2,16, 17), a posição de primeiro-ministro e administrador de alimentos concedida por Faraó a José, o modo de empossá-lo no cargo, como os egípcios detestavam os pastores de ovelhas, a forte influência dos magos na corte egípcia, a fixação dos israelitas peregrinantes na terra de Gósen, os costumes egípcios de sepultamento — todos esses, e muitos outros pontos descritos no registro bíblico, são claramente consubstanciados pela evidência arqueológica obtida no Egito. — Gên. 39:1 a 47:27; 50:1-3.
Em Carnac (antiga Tebas), centenas de km rio Nilo acima, amplo templo egípcio contém uma inscrição em seu muro S, confirmando a campanha do rei egípcio, Sisaque (Xexonque I), na Palestina, descrita em 1 Reis 14:25, 26 e 2 Crônicas 12:1-9. O gigantesco relevo que representa suas vitórias mostra 156 prisioneiros palestinos manietados, cada um representando uma cidade ou aldeia, cujo nome é fornecido em hieróglifos. Entre os nomes identificáveis acham-se os de Rabite (Jos. 19:20), Taanaque, Bete-Seã e Megido, (onde foi escavada parte de uma esteia, ou coluna inscrita de Sisaque) (Jos. 17:11), Suném (Jos. 19:18), Reobe (Jos. 19: 28), Hafaraim (Jos. 19:19), Gibeão (Jos. 18:25), Bete-Horom (Jos. 21:22), Aijalom (Jos. 21:24), Socó (Jos. 15:35) e Arade (Jos. 12:14). Ele até mesmo alista o “Campo de Abrão” como uma de suas capturas, sendo a mais antiga referência a Abraão nos registros egípcios. Encontrou-se também nesta área um monumento a Menepta, filho de Ramsés II, contendo um hino em que se pode encontrar a única referência ao nome “Israel” nos textos egípcios.
Em Tel El Amarna, cerca de 483 km ao N, junto ao Nilo, a partir de Carnac, uma camponesa descobriu acidentalmente tábuas de argila que levaram à descoberta de uns 377 documentos em acadiano, procedentes dos arquivos reais de Amenotep III, e seu filho, Aquenatão (Icnatão). As tábuas abrangem correspondência dirigida ao Faraó da parte de príncipes vassalos de numerosas cidades-reinos da Síria e da Palestina, inclusive algumas do governador de Urusalim (Jerusalém), e revelam um quadro de feudos e intrigas bélicas que se enquadram completamente na descrição bíblica daqueles tempos. Os “habirus”, a respeito dos quais são feitas numerosas queixas nessas cartas, têm sido relacionados por alguns com os hebreus, mas a evidência tende a indicar que eram, ao invés disso, simplesmente outros povos nômades que ocupavam baixa escala social na sociedade daquele período.
Elefantina, uma ilha do Nilo, perto do extremo S do Egito (próxima a Assuã), que tem esse nome grego, era o local duma colônia judaica depois da queda de Jerusalém, em 607 A.E.C. Grande número de documentos, mormente em papiro, foram descobertos aqui em 1903, datando do quinto século A.E.C. e do reinado do Império Medo-Persa. Escritos em aramaico, os documentos mencionam Sambalá, governador de Samaria. (Nee. 4:1) No entanto, são interessantes principalmente por serem quase que contemporâneos da escrita das cartas apresentadas no capítulo quatro de Esdras, como sendo trocadas entre o rei persa e os oponentes dos judeus, por volta do ano 522 A.E.C. Eminentes peritos haviam criticado anteriormente o registro bíblico sobre tais cartas como não sendo autêntico e nem representativo daquela época. Os Papiros Elefantinos, contudo, consubstanciam o registro da Bíblia, ao mostrar que o aramaico usado no livro de Esdras é característico daquele período, e que as cartas registradas acham-se escritas num estilo e numa linguagem similares aos de tais papiros.
Sem dúvida, os achados mais valiosos, feitos no Egito, têm sido os fragmentos e partes, em papiro, dos livros da Bíblia, tanto das Escrituras Hebraicas como das Gregas, remontando ao segundo e terceiro séculos E.C. O clima seco e o solo arenoso do Egito o tornaram excelente depósito para a preservação de tais documentos em papiro.
Palestina e Síria
Cerca de seiscentos sítios datáveis têm sido escavados em tais áreas. Muitos dos dados obtidos são de natureza geral, apoiando o registro bíblico numa base ampla, ao invés de se relacionarem especificamente a certos pormenores ou eventos. Como exemplo, fizeram-se esforços, no passado, de desacreditar o relato da Bíblia sobre a desolação completa de Judá durante o cativeiro babilônico. As escavações, contudo, consubstanciam coletivamente a Bíblia. Como declara W. F. Albright: “Não existe um único caso conhecido de uma cidade de Judá mesmo ter sido continuamente ocupada durante todo o período do exílio. Justamente para indicar o contraste, Betel, que jazia logo adiante das fronteiras setentrionais de Judá, nos tempos pré-exílicos, não foi destruída naquele tempo, mas foi continuamente ocupada até a parte final do sexto século.” — The Archaeology of Palestine (A Arqueologia da Palestina), p. 142.
Bete-Sã (Bete-Seã), antiga cidade-fortaleza que guardava a via de acesso ao vale de Esdrelom, do lado E, foi um sítio de escavações principais que revelaram dezoito níveis diferentes de ocupação, exigindo a escavação de mais de 21 m. O relato bíblico mostra que Bete-Sã não se achava entre as aldeias originalmente ocupadas pelos invasores israelitas, e que, no tempo de Saul, era ocupada pelos filisteus. (Jos. 17:11; Juí. 1:27; 1 Sam. 31:8-12) As escavações em geral apóiam este registro e indicam uma destruição de Bete-Sã algum tempo depois da derrota dos israelitas próximo de Silo. (Jer. 7:12) De interesse especial foi a descoberta de certos templos cananeus em Bete-Sã. Primeiro Samuel 31:10 declara que os filisteus colocaram a armadura do Rei Saul “na casa das imagens de Astorete e prenderam seu corpo morto à muralha de Bete-Sã”, ao passo que 1 Crônicas 10:10 afirma que “puseram a armadura dele na casa do seu deus, e o crânio dele prenderam à casa de Dagom”. Dois dos templos escavados eram do mesmo período e um deles fornece evidência de ser o templo de Astorete, ao passo que o outro, segundo se pensa, é o de Dagom, assim se harmonizando com os textos acima quanto à existência de dois templos em Bete-Sã.
Em Debir (Tel Beit Mirsim), na Judá meridional, os arqueólogos escavaram dez camadas dentro de uma área de 2,8 hectares. O sitio mostrava sinais de grande destruição, seguido pelo que se considera evidência da ocupação israelita. Camadas posteriores indicavam uma destruição parcial no tempo de Senaqueribe; sinais de duas invasões por Nabucodonosor foram encontrados, o segundo indicando completa destruição, após o que o sítio continuou desabitado. ( 2 Reis, caps. 24, 25) Debir, segundo se descobriu, também era um dos centros principais da indústria de tecelagem e de fingimento, possuindo cerca de vinte ou mais fábricas de tintura. Em um pilar escavado, que contém uma inscrição, representa-se uma deusa-serpente cananéia.
Eziom-Géber, cidade portuária de Salomão, no golfo de Acaba, escavada em 1937-1940, apresentou evidência de uma fundição de cobre, encontrando-se escória de cobre e pedaços de minério de cobre numa colina artificial em tal região. No entanto, as conclusões originais do arqueólogo Nelson Glueck, a respeito do sítio, foram radicalmente revistas por ele num artigo em The Biblical Archaeologist (O Arqueólogo Biblico; Vol. XXVIII, setembro de 1965). Seu conceito de que havia um sistema de “alto-forno” de fundição ali empregado baseava-se na descoberta do que se imaginava serem “buracos de chaminé” no prédio principal escavado. Ele chegou agora à conclusão de que tais orifícios nas paredes do prédio são o resultado da “decomposição e/ou da queima de vigas de madeira colocadas na largura das paredes, com finalidade de juntura ou escoramento”. O prédio, que anteriormente se imaginava ser uma fundição, é, segundo se crê agora, um depósito de cereais. Ao passo que ainda se crê que foram realizadas operações metalúrgicas ali, não se considera agora como tendo as dimensões anteriormente supostas. Isto sublinha que os dados arqueológicos dependem primariamente da interpretação individual do arqueólogo, interpretação esta que de forma alguma é infalível. A própria Bíblia não menciona nenhuma fundição de cobre em Eziom-Géber, descrevendo somente a fundição de itens de cobre num local no vale do Jordão. — 1 Reis 7:45, 46.
Em Jerusalém, em 1867, descobriu-se antigo túnel de água, que ia da fonte de Giom até a colina por trás dela, com um veio vertical ali dando para o que certa vez fora a cidade velha de Jebus. Isto talvez ilustre o relato da captura da cidade por Davi, em 2 Samuel 5:6-10. Em 1909-1911, foi limpo o inteiro sistema de túneis ligados com a fonte de Giom. Certo túnel, conhecido como o de Siloé, tinha em média 1,80 m de altura e foi aberto em rocha maciça, a uma distância de uns 533 m de Giom até o tanque de Siloé, no vale de Tiropeom (dentro da cidade). Parecia assim ser o projeto do Rei Ezequias, descrito em 2 Reis 20:20, e 2 Crônicas 32:30. De grande interesse era a antiga inscrição encontrada na parede do túnel, em antiga escrita hebraica monumental, descrevendo o corte do túnel e sua extensão. Tal inscrição é usada como comparação ao se datar outras inscrições hebraicas encontradas.
Em Laquis foi achada uma impressão dum selo de argila que se refere a “Gedalias, que está sobre a casa”. Gedalias é o nome do governador nomeado por Nabucodonosor sobre Judá, depois da queda de Jerusalém, e muitos consideram provável que a impressão do selo se refira a ele. — 2 Reis 25:22; compare com Isaías 22:15; 36:3.
Megido era uma cidade-fortaleza estratégica que dominava importante passagem para o vale de Esdrelom. Foi reconstruída por Salomão, sendo mencionada junto com as cidades de armazenagem e de carros de seu reinado.
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Processo LegalAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PROCESSO LEGAL
Veja CAUSA JURÍDICA (PROCESSO LEGAL).
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Procissão (Cortejo) TriunfalAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PROCISSÃO (CORTEJO) TRIUNFAL
A palavra grega thriambeúo, que significa “conduzir em procissão triunfal”, só ocorre duas vezes nas Escrituras, cada vez num contexto ilustrativo um tanto diferente. — 2 Cor. 2:14; Col. 2:15.
Nos Salmos, Davi descreveu o cortejo vitorioso de Jeová desde o Sinai até o local do santo templo em Jerusalém — carros de guerra de Deus, cativos, cantores e músicos, multidões congregadas que abençoavam o Santo de Israel. — Sal. 68:17, 18, 24-26.
CORTEJOS TRIUNFAIS ENTRE AS NAÇÕES
O Egito, a Assíria, e outras nações, comemoravam suas vitórias militares com cortejos triunfais. Nos dias da república romana, uma das mais altas honras que o Senado concedia a um general conquistador era permitir que celebrasse sua vitória por meio de um cortejo formal e custoso de triunfo, no qual não se despercebia nenhum pormenor de pompa e de glória. Este fato elucida a aplicação espiritual, feita por Paulo, da ilustração em 2 Coríntios 2:14-16.
Construíam-se arcos de triunfo em honra de alguns generais. O Arco de Tito, em Roma, ainda comemora a queda de Jerusalém em 70 EC. Tito celebrou sua vitória sobre Jerusalém por meio de um cortejo triunfal, acompanhado de seu pai, o imperador Vespasiano. Alguns arcos serviam como portas da cidade, porém, na maior parte, sua função era apenas monumental. O formato dos arcos pode ter representado o jugo de submissão sob o qual os cativos eram obrigados a marchar.
OS CRISTÃOS TOMAM PARTE NA PROCISSÃO TRIUNFAL
Foi de tais exemplos, e do conhecimento geral daqueles tempos, que Paulo teceu sua metáfora, ao escrever aos coríntios: “Graças, porém, a Deus, que sempre nos conduz numa procissão triunfal, em companhia do Cristo.” (2 Cor. 2:14-16) O quadro apresenta Paulo e seus co-cristãos como súditos devotados de Deus, “em companhia do Cristo”, como filhos, oficiais de alta categoria, e soldados vitoriosos, todos seguindo atrás de Deus e sendo conduzidos por Ele num grandioso cortejo triunfal ao longo de um trajeto perfumado.
Em Colossenses 2:15, a situação é bem diferente. Aqui, os governos e as autoridades inimigas (satânicas) são descritas como os cativos e prisioneiros numa procissão triunfal. A estes, Jeová, o Conquistador, desnuda e exibe em público como derrotados, aqueles que foram vencidos “por meio dela”, isto é, por meio da “estaca de tortura” mencionada no versículo anterior. A morte de Cristo na estaca de tortura não só proveu a base da remoção do “documento manuscrito”, o pacto da Lei, mas também tornou possível que os cristãos fossem libertados da escravidão aos poderes satânicos das trevas.
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