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    A Sentinela — 1971 | 15 de junho
    • Ser pioneiro — um modo de vida

      Conforme narrado por John T. Hemmaway

      MINHA esposa e eu já temos agora mais de setenta anos de idade; somos idosos, é verdade, mas possuímos uma abundância de lembranças que prezamos e que temos o prazer de transmitir aos que nos seguirão. (Sal. 78:6, 7) Por que são tão preciosas estas lembranças? Porque têm que ver com coisas que tivemos o privilégio de fazer pela benignidade imerecida de Jeová, o “Senhor da colheita”, e seu colaborador, Cristo Jesus. Gostaria de saber de algumas delas?

      Foi lá em 1922, nos anos difíceis depois da Primeira Guerra Mundial, que a minha busca de alguma explicação da turbulência do mundo me levou às prateleiras de nossa biblioteca em casa. Fui atraído a uma série de livros com letras prateadas, intitulados “Estudos das Escrituras”. Já os havia visto muitas vezes antes, mas agora decidi lê-los. E sabe de uma coisa, encontrei nas suas páginas exatamente o que eu precisava e mais queria na vida.

      Meu próximo passo foi indagar sobre o local de reunião dos Estudantes da Bíblia, como então eram chamadas as testemunhas de Jeová. No fim da primeira reunião a que assisti, fez-se uma chamada por voluntários, e logo no sábado seguinte saí para ajudar na distribuição de folhetos que tratavam dos conceitos bíblicos sobre os mortos e o espiritismo. Isso assinalou o início de uma vida satisfatória que resultou em indizíveis recompensas espirituais.

      Foi naquele mesmo ano que vim a conhecer aquela que seria minha futura esposa, Daisy Manning. Agradecemos a Jeová a sua bondade, de nos manter juntos e permitir que usufruíssemos uma vida em conjunto no seu serviço.

      Naquela década de 1920, não nos parecia haver muitos que prestassem atenção à mensagem de Deus para aquele tempo, mas desde então ficamos sabendo que deve ter havido muitos milhares que, naquele período, começaram uma vida de dedicação a Deus. Desde que entramos na atividade de pregação por tempo integral como “pioneiros”, em 1924, chegamos a conhecer e a amar muitos deles. Há outros que esperamos encontrar naquela grandiosa assembléia da “congregação dos primogênitos”, mencionada em Hebreus 12:23.

      Em 1928, partimos da Inglaterra para a América, a fim de assistir ao congresso internacional dos Estudantes da Bíblia, em Détroit, Michigan. Soubemos que havia muito território para alcançar com a mensagem do Reino, e por isso decidimos continuar nosso ministério como pioneiros neste continente. Depois de servirmos temporariamente na filial canadense da Sociedade Torre de Vigia, em Toronto, pedimos o ingresso nos Estados Unidos como residentes permanentes. Desde então, temos trabalhado como pioneiros, ou trabalhado na pregação por tempo integral do reino de Deus, em município após município e estado após estado, até abrangermos trinta municípios em oito estados.

      SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DOS PIONEIROS

      Sim, ser pioneiro tem seus problemas, mas pelo menos não incluem um patrão rabugento, nem colegas desagradáveis, nem péssimas condições de trabalho, nem trabalho desagradável. O ministério de tempo integral ou serviço de pioneiro, naqueles dias, mantinha a gente em movimento, pois significava na maior parte abranger território com literatura bíblica e parar brevemente para ajudar as pessoas a organizar seu próprio estudo bíblico familiar. Tínhamos de estar prontos para muitas mudanças e para viajar grandes distâncias.

      Soubemos que alguns pioneiros reduziam as despesas por construírem seu próprio lar sobre rodas, de modo que uma co-testemunha, de Youngstown, Ohio, nos ajudou a construir o nosso. Não era nada parecido aos aerodinâmicos lares móveis de hoje em dia. De fato, os motoristas o chamavam por outros nomes, quando nos queriam ultrapassar na estrada. Tinha cerca de cinco metros de comprimento, dois metros de largura e o teto a cerca de dois metros acima do chão. O teto era de uma vela antiga e os lados de folhas galvanizadas, tudo sobre um velho chassi de Ford. Serviu-nos de lar por quase quinze anos, e certamente tornou possível que continuássemos no ministério de tempo integral.

      Em Mateus 7:7, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas usa as formas verbais vigorosas “persisti em pedir”, “persisti em buscar” e “persisti em bate”. Muitos ministros pioneiros podem contar que isto é necessário quando se procura um lugar para ficar, em alguma cidade estranha. Depois de se procurar e perguntar o dia inteiro e a noite adentro, costumava achar-se finalmente o único lugar apropriado na localidade. Sem a persistência e a confiança em que Jeová, por meio de seus anjos, dirigia e está dirigindo os interesses de sua obra de pregação do Reino na terra, desistiríamos facilmente.

      REVIVENDO NOSSOS PRIMEIROS TEMPOS DE PIONEIROS

      Entre as experiências mais emocionantes de nossa vida se encontra o estudo de “Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus” e “Caiu Babilônia, a Grande!” O Reino de Deus já Domina!, publicações da Sociedade Torre de Vigia. Por quê? Porque ao lermos neles os fatos históricos que cumprem as visões do apóstolo João no livro bíblico de Revelação, nós realmente revivemos acontecimentos que observamos pessoalmente e nos quais participamos como ministros de tempo integral.

      Deve lembrar-se de que, nos nossos primeiros anos, todas as congregações dos Estudantes da Bíblia se compunham dos que tinham esperança celestial, que esperavam algum dia entrar no céu, como parte da classe da Noiva de Cristo. (Rev. 21:2) Mas depois, fiel às profecias bíblicas, começaram a aparecer as “outras ovelhas”, mencionadas especificamente pelo Senhor Jesus. (João 10:16) Isto nos faz lembrar de um encontro feliz com exatamente este tipo de pessoas.

      Foi em Clinton, Indiana, onde fomos encarcerados em 1934. Havíamos sido advertidos de sair e de nunca mais voltar com a nossa pregação da Palavra de Deus de casa em casa. Mas, a Sociedade pensou de outro modo, e fomos designados a voltar para lá. Esta vez, as coisas foram bem diferentes. Um casal idoso, bem conhecido das autoridades municipais e dos cidadãos, que leu a respeito de nosso caso no jornal, veio com uma fiança de propriedade para nos libertar. Nós nunca os havíamos encontrado antes, mas, fiel à descrição em Mateus 25:35, 36, eles nos visitaram na prisão e nos ofereceram hospitalidade, até se decidir o nosso caso.

      Observamos também a grande aceleração, predita, do grande ajuntamento que o Senhor faz de pessoas semelhantes a ovelhas. O que antes levava anos para conseguir, agora leva apenas alguns meses. Por exemplo, um lavrador, que visitamos certa manhã de verão, estava lá em cima de uma cerejeira, mas não tão alto que não pudéssemos falar com ele. Surgiu a questão do “fogo do inferno”, como costumava acontecer. Conforme ele mesmo disse depois: “Enquanto eu estava lá naquela árvore, eu cria no ‘fogo do inferno’, mas quando desci, não cria mais nele.” Naquela noite, ele nos foi procurar ‘só para ver que espécie de gente nós éramos’. No sábado seguinte, ele nos acompanhou na rua, oferecendo A Sentinela aos transeuntes. Nunca retrocedeu. Tanto ele como seus filhos entraram no ministério de pioneiro, pregando as verdades de Deus por tempo integral.

      Depois, mais recentemente, em Kentucky, tivemos outra experiência alegre. Preparamos um pedaço de terreno para o nosso lar, perto da estrada. Fazíamos isso entre as seis e oito horas cada manhã. Certa manhã chegou um policial estadual, virou o seu carro de frente para a estrada, deixou o motor andando e se aproximou. “Estou curioso de saber o que estão fazendo”, disse ele.

      A palestra logo se voltou para a mensagem bíblica, e, com um olho fixo na estrada, ele escutou. Ele confessou que, estar ele na situação de talvez ter de matar alguém no cumprimento do dever ou em defesa própria lhe pesava na consciência. Recomeçou a sua patrulha, mas voltou depois, e arranjou-se um estudo tanto para ele como para sua esposa. Eles fizeram excelente progresso. No tempo devido, ele renunciou à força policial e tem agora outro emprego no Texas, com a consciência tranqüila. Sua esposa foi batizada recentemente, e ele talvez o faça em breve, segundo esperamos. Eles nos escrevem como se fossemos mais achegados do que seus parentes.

      O tempo me faltaria para contar todas as coisas maravilhosas que aconteceram em resultado de fazermos do ministério de pioneiro nosso modo de vida. Vez após vez, nas assembléias, chegam-se pessoas a nós e dizem: “Não se lembram de nós? Vocês foram os primeiros a levar a mensagem do Reino à nossa porta.” E se não tivéssemos sido pioneiros, não teríamos tido o privilégio de sermos designados para o “serviço de zona”, em 1938. Este serviço é agora conhecido como “trabalho de circuito”, pois envolve visitar um circuito de congregações como representantes especiais da Sociedade Torre de Vigia, visando ajudar as congregações a progredir no seu serviço a Jeová.

      Foi neste campo de atividade que observamos de primeira mão a maravilhosa expansão dos interesses do Reino, e o início e o desenvolvimento de muitas congregações novas, especialmente depois das designações de superintendentes e de servos ministeriais nas congregações, de maneira teocrática. Até então, as designações haviam sido feitas de modo democrático, de cada um votar no seu escolhido. Imagine que caminho longo já percorremos desde aquele começo da organização teocrática até o tempo atual, quando temos agora o manual preciosíssimo “Lâmpada Para o Meu Pé É a Tua Palavra” e o mensário Ministério do Reino, cheios de sugestões para o nosso ministério.

      PIONEIROS EM CAMPOS ESTRANGEIROS

      Com a morte do segundo presidente da Sociedade, J. F. Rutherford, e a eleição de seu terceiro presidente, N. H. Knorr, veio uma era de expansão e de privilégios ainda maiores para os que haviam feito do serviço de pioneiro seu modo de vida. O que se nos apresentou a seguir foi a oportunidade de cursar a quinta classe da Escola de Gilead da Sociedade, para missionários. Depois do curso de estudo de cinco meses, fomos designados a Guiana Britânica. Quão emocionante foi isso! Sim e quão satisfatório também!

      Sentar-se no chão de terra duma choupana e falar a hindus ou ameríndios sobre o reino de Deus, ensinando-lhes um realmente novo modo de vida, dá uma satisfação além de comparação. Ver estas pessoas humildes aceitar o ensino bíblico e depois dedicar voluntariamente sua vida a Deus é uma experiência que nunca será esquecida por nós.

      Enquanto estávamos em Guiana, costumávamos passar os chamados períodos de férias dando testemunho a todos os que encontrássemos na mata do Distrito Noroeste, a uns 320 quilômetros da costa e junto à fronteira da Venezuela. Os habitantes eram caraíbas e de outras tribos índias, além da mistura de seis nações que constituem a maioria da população do país. Barcas, lanchas, trem e caminhão eram usados por nós, conforme necessário, para chegarmos ao nosso destino. Levávamos junto provisões, literatura, bagagem pessoal e uma bicicleta — esta era essencial para se viajar pelas estradas de terra, a fim de chegar às trilhas dos índios.

      Estas trilhas levavam em todas as direções, e precisava-se ter boa memória e quebrar alguns galhos nas encruzilhadas dos caminhos para se garantir a volta. Quando se encontra algum membro da família dos felinos na trilha, é costumeiro ficar parado sem se mexer e encará-lo com olhar fixo. O animal, por fim, sai quietamente do caminho. Há macacos nas copas das árvores, gritando seu protesto contra os intrusos, enquanto que a preguiça, pendurada de cabeça para baixo, olha indolentemente para a pessoa que passa. Não se pára para afagá-la, pois tem garras perigosas, e a aparência de movimento lento é apenas um disfarce. Cá e acolá, nas clareiras, pode-se ver os tucanos alimentar-se do fruto dum mamoeiro.

      Ao relembrarmos estas coisas, o que se salienta na memória é a avidez com que as pessoas vinham de grandes distâncias para ver nosso filme sobre um congresso internacional das testemunhas de Jeová. Imagine estar num lugarejo na floresta, onde há prédios oficiais, inclusive o posto policial. Lá, ao ar livre, nós tivemos uma grande multidão de espectadores ansiosos. Depois, no vapor fluvial, descendo o rio na volta, houve certa vez uma demanda popular para que se projetasse o nosso filme. Armamos uma tela no convés, com a aprovação do capitão, e projetamos o filme desde a janela duma cabine. Havia sacerdotes católicos e anglicanos a bordo. Embora não se tivessem dignado de ver o filme em terra, viram-no ali a bordo, talvez involuntariamente. De fato, foi da cabine deles que projetamos o filme. Os passageiros lhes fizeram depois muitas perguntas a que só as testemunhas de Jeová podem responder.

      Foi depressa demais que se passaram os nossos quinze anos em Guiana. Ali também tivemos muitas evidências da bênção do Senhor sobre o modo de vida de pioneiro, pois vimos multidões demonstrarem seu apreço pela grandiosa mensagem de esperança, de Deus, para todos os povos. A saúde fraca nos obrigou a voltar aos Estados Unidos, mas havíamos visto o número dos pregadores do Reino, em Guiana, aumentar de 50 para 800, e há agora bem mais de mil proclamadores alegres do nome de Jeová em Guiana.

      Sim, nosso modo de vida como pioneiros esteve cheio e transbordou de grandes alegrias, alegrias não ofuscadas pelo egoísmo da vida secular. Somos gratos pela medida de saúde e força que ainda temos, habilitando-nos a prosseguir no ministério de pioneiro, que dá alegria. Nosso modo de vida nos ajudou a sentirmos uma íntima relação pessoal com Jeová Deus e seu Filho, Cristo Jesus.

      Certamente soa alta e clara a chamada aos jovens livres, em todas as congregações do povo de Jeová! A chamada ao modo de vida de pioneiro é urgente. Os que responderem e trabalharem diligentemente durante os anos ainda à frente terão a grande satisfação tanto de fazer a vontade de Jeová como de armazenar lembranças preciosas que poderão contar aos filhos da ressurreição. Se não tiver tais lembranças, certamente não as poderá contar.

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