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  • Algo melhor do que o destaque no circo
  • Despertai! — 1982
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Despertai! — 1982
g82 22/12 pp. 16-19

Algo melhor do que o destaque no circo

Conforme narrado por Anton Ivanoff

QUANDO Jovem, minha ambição era apresentar o melhor, número de circo do mundo. Queria ganhar destaque. Os anos passaram e consegui isso. Apresentei números perante reis da Romênia e da Iugoslávia, perante presidentes da Turquia e dos Estados Unidos e perante muitas outras figuras políticas bem conhecidas. Trabalhei também com muitas estrelas do cinema. Contudo, mais tarde, encontrei algo melhor do que o destaque no circo. Mas, antes de explicar isso, deixe-me contar-lhe minha vida no circo.

Nasci em 1906 numa família muito pobre. Morávamos na pequena cidade de Dragievo, no centro da Bulgária. Durante a Primeira Guerra Mundial, as condições econômicas se tornaram tão precárias que meus pais simplesmente não podiam sustentar meus quatro irmãos e irmãs e a mim. Portanto, em 1913, meu pai se viu obrigado a me entregar ao mosteiro, onde eu seria criado para me tornar monge.

Fiquei alguns anos no mosteiro, servindo os monges. Levantava-me cedo para tocar o sino, acender o fogo e o incenso. Acostumei-me com a vida no mosteiro. Os monges me diziam: “Você vai ser um bom monge quando crescer.”

Faltavam alguns meses para isso. Entretanto, as coisas mudaram quando meu irmão mais velho, Cristo, me visitou no mosteiro. Ao saber de meus planos de me tornar monge, ele exclamou:

“Você está louco?” “Você não vai querer ser um monge! Voltarei aqui e vou raptá-lo daqui!” Assim, quando ele veio buscar-me certa noite, eu escapuli com ele.

Mais tarde, em Sofia, capital da Bulgária, inscrevi-me num curso de ginástica. Tive êxito. O diretor do circo ficou sabendo a meu respeito, viu-me representar e disse:

“Você tem tão grande talento que pode ganhar muito dinheiro. Pode ser um grande astro. Pode viajar e visitar muitos lugares.” Palavras maravilhosas para um rapaz de dezesseis anos ouvir! Sem fazer perguntas, fui com ele para me tornar artista de circo.

A Vida no Circo

Esforcei-me muitíssimo. Estava decidido a me tornar famoso. Fui escolhido para ficar no alto de uma pirâmide humana e plantava bananeira nessa posição. Executava também um número em que me pendurava com os dentes, carregando ao mesmo tempo duas pessoas. Logo ganhei o maior destaque no circo.

A vida no circo, porém, não era tão brilhante como pensava. Os exercícios rotineiros, vez após vez, eram um trabalho árduo — todos os dias, das oito da manhã até as quatro horas da tarde. Também, havia grande competição entre os artistas. Alguns artistas eram capazes de tudo para ganhar destaque. Por exemplo, na Alemanha, um artista de circo, búlgaro, que tinha nome parecido com o meu, começou a usar realmente o meu nome, por causa de minha popularidade. Eu tive que instaurar processo contra ele.

Quando alguém executava melhor do que outro, era odiado e desprezado por esse. Se não executasse tão bem, então sua inferioridade era aumentada. Com efeito, lembro-me de dois números de trapézio em competição, em que existia tanta inveja e ódio entre os artistas que um que executava um dos números cortou parcialmente um dos fios, de modo que durante o número o fio rebentou, matando um dos artistas. Imagine só, cometer homicídio para não partilhar com o outro a fama!

Em 1926, passei a ter vida em comum com Greda, uma colega na carreira artística. O pai dela ameaçou matar-me. Portanto, partimos daquela região e viajamos juntos pelo Oriente e pelas fronteiras russa e iraniana, apresentando danças russas e acrobacias nos cabarés. Daí, certa noite, em 1935, enquanto estávamos apresentando um número, Greda olhou para a platéia e ficou surpresa de ver seu pai sentado na primeira fileira. Ela ficou muito perturbada e correu para seu vestiário, chorando. Eu a segui e pouco depois seu pai estava de pé junto à porta. Pensei que ele fosse matar-me, mas, em vez disso, ele disse: “Vou cuidar de que se casem aqui mesmo!”

No dia seguinte, um pregoeiro da cidade, com um desfile de elefantes, passou pela cidade, anunciando que, perante a platéia, naquela mesma noite, os dois melhores artistas do circo iam casar-se. Três circos naquela região se juntaram para uma apresentação especial para a ocasião. Todo o povo da cidade compareceu ao casamento.

Algum tempo depois, Greda ficou muito doente e por um período de três anos teve de internar-se várias vezes no hospital. Daí, em 1941, enquanto eu estava no exterior, apresentando meus números, recebi um telegrama que dizia que Greda tinha morrido. O que me deixou mais triste foi o fato de que já fazia algum tempo que não havia visto Greda, e que não estava junto dela nos seus últimos momentos. Não suportei mais ficar na Bulgária, de modo que me uni a um grupo de trapezistas e viajei pela Europa.

Apresentação de Números Perante as Tropas de Hitler

A esta altura, travava-se a Segunda Guerra Mundial, e comecei a apresentar números perante os oficiais do exército de Hitler. Certa noite até fiz apresentação diante de Hermann Göring. Durante meu desempenho naquela noite, cai e sofri ruptura muscular. Göring riu para valer. Pensou que fosse parte da apresentação.

Naquele tempo, achava que estava fazendo uma coisa boa, divertindo as tropas de Hitler. Eu sabia que era errado matar, de modo que não era a favor da guerra. Mas, por outro lado, quando ouvia os discursos de Hitler achava que ele era um homem bom, e ele parecia ter boas intenções. De fato, quando caí durante a apresentação perante Göring e tive de ficar hospitalizado por três meses, fui tratado como se fosse um soldado alemão. Não tive de pagar o tratamento médico.

Contudo, mudei meu conceito ao ficar sabendo do morticínio em massa nos campos de concentração. Jamais esquecerei o que vi quando proporcionava entretenimento aos oficiais do campo de Mauthausen. Ao nos aproximarmos, pudemos ver as pessoas de pé no pátio. De longe, pareciam meros esqueletos. “Que é isso?”, perguntamo-nos chocados. “Por que são tratadas essas pessoas como animais?”

Mais tarde, os nazistas acusaram-me de ter ouvido uma emissão radiofônica de Londres. Planejaram executar-me. Mas, antes que isso pudesse acontecer, chegou o exército americano, e eu passei a entreter as tropas americanas.

Em 1945, conheci uma moça que vinha da Alemanha Oriental num trem de refugiados. Seu nome era Gerda. Casamo-nos no ano seguinte e mais tarde tivemos um menino.

A Chegada aos Estados Unidos

Foi em 1950 que meus irmãos, que trabalhavam então no circo Irmãos Ringling, convidaram-me a vir aos Estados Unidos. Aceitei o convite, e trabalhamos juntos, sendo conhecidos como Os Três Ivanovs. Aparecemos no Radio City Music Hall, na cidade de Nova Iorque, no Big Top, na Filadélfia, no Super Circo, em Chicago, bem como nos espetáculos de televisão de Ed Sullivan e Jackie Gleason.

Depois, em 1956, durante uma apresentação em Toronto, Canadá, caí e quebrei a mão. Não era minha primeira queda. Na Turquia, em 1927, quando tinha quase vinte e um anos, estava apresentando um número em que, de cabeça para baixo e os pés presos por uma corda, eu segurava dois homens com os dentes. Durante um dos números a corda rebentou de repente, e nós três caímos no chão. Embora eu machucasse o pescoço e um ombro, em questão de um mês já estava trabalhando de novo. Depois, em Viena, quando eu tinha quase trinta e sete anos, caí de novo enquanto apresentava um número e quebrei a mão. Três meses depois, estava de novo no circo.

Dessa vez, porém, a idade já estava tomando conta de mim. Tive de deixar o circo. Senti que havia perdido todo o propósito de minha vida.

Mal sabia eu então que estava prestes a encontrar algo melhor do que a “glória” que havia tido no circo.

Encontrei Algo Melhor

Eu e Gerda fixamos residência na cidade de Nova Iorque, onde me tornei garçom num bem-conhecido restaurante da Broadway, e ela abriu uma loja de artigos de presentes. Do outro lado da rua, em frente da loja de artigos de presentes, havia um Salão do Reino das Testemunhas de Jeová. Gerda ficou curiosa de saber sobre as pessoas que ela via entrar e sair, e em pouco tempo estava estudando a Bíblia com elas. Gerda se emocionava com o que aprendia da Bíblia, e em 1958 foi batizada, tornando-se Testemunha de Jeová.

Eu criticava sua nova religião. Ela procurava falar-me das coisas que aprendia, mas eu não queria escutar. Eu criticava especialmente o nome “Jeová” para Deus. Daí, certo dia, Gerda me mostrou esse nome na minha Bíblia búlgara. Que surpresa! Esse nome estava ali todo esse tempo e eu nunca o ouvira, nem mesmo no mosteiro.

Fiquei curioso. “Por que têm essas pessoas uma crença tão diferente da de outras religiões?”, perguntava-me. “Não usam todas elas a Bíblia?” Portanto, quando ia apanhar Gerda no Salão do Reino, após as reuniões, costumava ir enquanto a reunião ainda estava sendo realizada, ficava de pé no fundo do salão e ouvia. As coisas que ouvi fizeram com que eu examinasse minhas próprias crenças.

Por exemplo, no mosteiro, ensinaram-me que, se eu confessasse meus pecados na igreja e desse dinheiro, seria absolvido. Eu cria e seguia isso. A vida no circo não era muito propicia para a abstenção do pecado, e eu participava em jogatina, bebedeira e imoralidade. Esperava realmente que, dando dinheiro para a igreja e confessando-me, limparia minha consciência pesada por causa da vida que levava.

Mas isto não se dava, e eu me perguntava: “Por que ainda me sinto infeliz?” Pelo que aprendi nas reuniões e pelo que ouvi Gerda dizer, comecei a compreender que tinha de mudar de vida. Com efeito, tinha de mudar todo o meu modo de pensar.

Nesse ínterim, compramos uma casa em Pensilvânia, e Gerda se mudou para lá enquanto eu continuava a trabalhar por mais um pouco como garçom para poder aposentar-me. Pedi a uma Testemunha de Jeová que estudasse a Bíblia comigo e fiz rápido progresso. Não contei para Gerda que eu estava estudando até que um dia, em 1968, ao telefonar para ela, contei que ia batizar-me na semana seguinte. Ela ficou extremamente contente, e no dia seguinte ela tomou o ônibus para Nova Iorque para se encontrar comigo.

Desde então, tenho podido levar as “boas novas” da Bíblia a alguns artistas de circo. Muitos me conheceram na Bulgária, quando eu levava uma vida dissoluta, e não podiam entender o que havia causado essa mudança em mim. Tenho tido muitas oportunidades de lhes explicar a maravilhosa esperança que tenho no futuro, de viver numa justa nova ordem de coisas aqui nesta terra. (2 Pedro 3:13) De fato, eu e Gerda pudemos iniciar um estudo bíblico com uma ex-artista de circo e ela também é agora Testemunha de Jeová, junto com seus seis filhos.

No tempo em que eu estava no circo, minha felicidade e satisfação provinham dos louvores e da honra que recebia por causa de meus desempenhos. Agora, como servo de Jeová, tenho uma satisfação e felicidade no íntimo que ultrapassam em muito a glória efêmera do circo, e tenho uma gloriosa esperança para o futuro. Portanto, em vez de procurar destaque perante as multidões, sinto hoje alegria de dar destaque à Palavra de Deus, a Bíblia, e à esperança que ela apresenta a toda a humanidade.

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