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  • Cumprindo meu propósito na vida
    A Sentinela — 1964 | 1.° de setembro
    • Cumprindo Meu Propósito na Vida

      Conforme contado por uma môça grega

      NASCI em Ramallah, Palestina (agora Jordânia), mas me criei em Atenas, Grécia, sendo ortodoxa-grega a minha família. Logo que minha família se estabeleceu ali, meu irmão mais velho entrou em contato com a verdade, e se tornou uma das testemunhas de Jeová. Mamãe se mostrou interessada na verdade, mas morreu dois anos depois. Papai, no entanto, mostrou-se muito oposto e obrigou meu irmão a sair de casa. Papai sempre tinha o costume de me levar com êle à igreja. Assim, até mesmo após a morte dêle, um ano antes de terminar o curso ginasial, eu era assídua freqüentadora de igreja.

      Minhas idas à igreja não me ajudaram a achar aquilo que eu procurava: mais conhecimento a respeito de Deus e seus requisitos. Jamais ouvi, na Igreja Ortodoxa Grega, a admoestação de ler a Bíblia, e eu mesma nunca a tinha lido. Sempre sentia como que um vazio dentro de mim. Durante todos os anos em que freqüentei assìduamente a igreja, só me lembro de uma vez em que o sacerdote proferiu um sermão a respeito do Evangelho. O comportamento dos sacerdotes, como um todo, também não era nada inspirador.

      Decidi deixar de freqüentar a igreja, mas orei a Deus para que me ajudasse a achar a verdadeira adoração. Embora a resposta estivesse lá mesmo em nossa casa, mediante as numerosas publicações da Tôrre de Vigia, as quais meu irmão nos enviava, foi apenas depois da Segunda Guerra Mundial começar que eu, junto com minha irmã, começamos a ler e a estudá-las, bem como a Bíblia.

      O aumento progressivo de conhecimento da verdade veio encher o vazio que existia em mim com as revelações mais satisfatórias e que alegram o coração, a respeito da vontade e dos propósitos de Deus. Que maravilhosa proteção contra todos os laços do Diabo isto se provou ser, laços tão numerosos na Grécia, durante aquêles dias obscuros da Segunda Guerra Mundial!

      A dedicação e o batismo em 1943 foram os grandes passos que dei a seguir. Naquele tempo não havia na Grécia o serviço de pioneiro. Eu trabalhava no Ministério da Fazenda e, como os outros publicadores, tentei ao máximo dar testemunho às pessoas angustiadas com as condições da guerra. Então, em 1945, terminada a guerra, eu e minha irmã fomos para Chipre, para ali morar com nosso irmão.

      As condições em Chipre eram completamente diferentes. A ilha pouco havia sentido os efeitos da guerra e nela havia paz e grande liberdade de se trabalhar. Tivemos oportunidades excelentes de trabalhar de casa em casa, nas cidades e nas diversas vilas. Foi ali que vi pela primeira vez irmãos e irmãs no serviço de pioneiro, mesmo dentre os meus próprios parentes. Ao passo que considerei êste serviço muito bom para os outros, não me entrou na mente a idéia de que eu também poderia ser pioneira. Então, na reunião de serviço, foi lida uma carta da Sociedade. Apresentava o privilégio e a responsabilidade de tôdas as pessoas dedicadas se empenharem no serviço de pioneiro, se pudessem fazer arranjos nesse sentido. Aquela carta causou grande impressão em mim e o desejo de me tornar pioneira aflorou imediatamente em meu coração, tornando-se cada vez mais forte à medida que os dias passavam.

      A FELICIDADE DE SER PIONEIRO

      Em virtude de certas obrigações familiares, achei que, se começasse a ser pioneira imediatamente, não poderia continuar por muito tempo. O meu desejo era tornar o serviço de pregação de tempo integral a minha carreira na vida. De modo que levei o assunto a Jeová, em oração, e esperei com confiança a sua resposta. Não passou muito tempo, realmente, até que desapareceram os obstáculos semelhantes a montanhas. Apresentei minha demissão ao banco em que trabalhava e voltei à Grécia, a fim de começar o serviço de pioneiro. Considerando que em Chipre havia diversos pioneiros, achei que meu serviço seria mais proveitoso na Grécia. Não fiz qualquer preparativo financeiro ou qualquer estoque de roupas, mas não me preocupei com isso. Sabia que Jeová é fiel às suas promessas e que êle nos convida a prová-lo.

      Quando voltei à Grécia, tive a oferta de três diferentes empregos em Atenas, com salários atraentes, mas nem por um momento sequer pensei em adiar minha decisão de entrar no serviço de pioneiro de tempo integral. Portanto, em 1.° de novembro de 1947, comecei meu serviço de pioneiro em Atenas, seguindo assim o meu propósito na vida.

      A obra na Grécia atravessava então os seus dias mais difíceis. A Igreja Ortodoxa dera início à perseguição muito intensa, pelas mãos da polícia. A obra tinha de ser feita quase que de modo completamente oculto. Mas, tudo isto não diminuía em nada as alegrias do serviço. Muito ao contrário! Mais de uma vez, Jeová me deu território para pregar que abrangia diversas delegacias de polícia, tribunais e prisões. Pode o leitor imaginar a minha alegria na ocasião em que, dentro de uma delegacia de polícia, achei-me rodeada de mais de dez policiais que estavam ouvindo atentamente a esperança que há em mim? Ou, quando tive a oportunidade de pregar a mulheres prêsas e lhes mostrar a oportunidade de se arrependerem e a brilhante esperança da nova ordem? Não importa quão duras tenham sido estas experiências do ponto de vista físico, acham-se entre as memórias mais profundas e mais prezadas da minha vida.

      Tive muitas experiências felizes, durante o meu serviço de pioneiro em Atenas. Jeová abençoava meus esforços e um bom número das pessoas com quem estudei tomaram posição ao lado da sociedade do Nôvo Mundo; e ainda estão participando zelosamente no serviço do Reino.

      A FELICIDADE DE BETEL E GILEAD

      Certo dia, chamaram-me à filial da Sociedade em Atenas. Pediram que eu preenchesse a petição preliminar para a Watchtower Bible School of Gilead que forma missionários. Gilead era algo que eu considerava muito elevado, e não ousava pensar se Jeová em algum tempo me convidaria a ir para lá ou não. De modo que senti, por certo, uma alegria sacrossanta quando preenchi mais tarde a petição final.

      Fui convidada a cursar a décima sexta turma de Gilead, que se iniciou depois da Assembléia do Aumento da Teocracia, em 1950. Mas, visto que eu já estava em Nova Iorque, desde os princípios de abril daquele ano, foi-me estendido outro privilégio antes que cursasse a escola: o de servir no lar de Betel de Brooklyn, durante cinco meses.

      As palavras são inadequadas, a meu ver, para exprimir as bênçãos recebidas durante o tempo em que permaneci lá; acho que posso dizer, como Paulo, que me faltaria tempo para enumerá-las tôdas, neste breve relato. Os rostos amigáveis e puros de todos, o amor altruísta e bondoso das irmãs, que tudo fizeram para me sentisse em casa, a humildade e a mansidão dos irmãos mais idosos e dos responsáveis, o zêlo de todos na obra designada e a intensidade com que todos trabalhavam, junto com as palestras edificantes e estimulantes de textos diários e outras perguntas bíblicas à mesa de refeições — estas foram algumas das bênçãos que deixaram em mim uma profundíssima impressão e ajudaram-me a ter apreciação pela organização teocrática visível de Jeová. É um privilégio incomum ser membro da família de Betel de Brooklyn, por certo, e abençoadíssimo é o quinhão de todos os ministros que ali servem a Jeová!

      A Assembléia do Aumento da Teocracia foi para mim emocionante experiência, em especial porque foi também a primeira grande assembléia a que assisti. A Escola de Gilead começava um mês depois. Ainda me lembro das palavras do irmão Knorr, no seu discurso inicial: ‘Já tiveram alguma vez o desejo de ficarem em algum lugar bem sossegado e não terem preocupações, usando seu tempo só para estudar a Palavra de Jeová? Bem, essa oportunidade se apresenta agora. Aproveitem-na.’ Estas idéias penetraram-me até o coração, porque era isso mesmo que eu desejava desde que aprendi a verdade. A organização teocrática, semelhante a carinhosa mãe, ofereceu-me tal oportunidade.

      Todo dia estava repleto de instruções práticas e estudo detalhado de diferentes assuntos que me habilitavam a ver a verdade de modo cada vez mais claro. Êste treinamento teocrático adiantado apresentou-nos a organização de Jeová com tôda a sua ordem e beleza que inspiravam temor, e auxiliou-me a avaliar mais do que nunca antes o privilégio de servir a Jeová no serviço de tempo integral. Foi difícil partirmos de Gilead, depois da formatura.

      A FELICIDADE EM SERVIR ONDE HAVIA NECESSIDADE

      Todavia, ainda mais felicidade estava em reserva, ao passo que nós, os formandos, fomos enviados a trinta e oito países diferentes. Residir num país onde a pessoa nunca morou antes, onde a maior parte da população fala um idioma que ainda não se conhece, e em que o modo geral de vida é, às vezes, um tanto difícil de ser entendido, não era algo muito fácil de enfrentar de início. Mas, quão insignificantes são tôdas estas dificuldades quando se está no lugar em que Jeová deseja que a pessoa esteja. Se considerar as coisas dêste modo, creia-me, em breve aquêle mesmo lugar se tornará o mais bonito do mundo! O privilégio e a alegria que sentimos ao buscarmos, e alimentarmos as muitas pessoas semelhantes a ovelhas, numa cidade ampla e antiga, de mais de um milhão de habitantes, de muitas religiões e idiomas, fizeram com que eu e minha companheira logo ficássemos à vontade, e é assim que me sinto desde então.

      Dez anos repletos de trabalho árduo e intenso já passaram. Por meio da benignidade imerecida de Jeová e sua ajuda, ainda estou no mesmo lugar. Isto me faz ficar especialmente grata a Êle. Tantas bênçãos que jamais teria usufruído se tivesse sempre permanecido apenas como boa publicadora em Chipre ou na Grécia.

      Tem-me acalentado o coração observar, durante êstes anos, a bênção de Jeová sobre a obra de semear e regar, e de ver um pequeno grupo de quarenta pessoas aumentar a bem mais de trezentos proclamadores do reino de Deus!

      Jeová tem sido maravilhoso Provisor de minhas necessidades espirituais. Com sua ajuda, não perdi nenhuma das grandes assembléias desde 1950. De modo que, em 1953, tive o privilégio de assistir à Assembléia da Sociedade do Nôvo Mundo, em Nova Iorque, daí, a três das Assembléias do Reino Triunfante na Europa, em 1955, e, ainda mais emocionante de todas, a inesquecível Assembléia Internacional da Vontade Divina em Nova Iorque, em 1958! A fôrça espiritual que Jeová provê para seus servos mediante estas assembléias é grande estímulo para mim, de modo que continuo a seguir fielmente o meu propósito na vida.

      Minha confiança em Jeová, de que êle supriria minhas necessidades materiais, também não me desapontou. Durante todos êstes anos, por meio de parentes e irmãos amorosos, Êle provê de modo tão abundante.

      Conhecer a verdade da Palavra de Deus e servir a Jeová torna a pessoa feliz, mas, servir a Jeová todo o tempo como pioneiro torna a pessoa ainda mais feliz. Posso falar isso de experiência própria, porque a mudança que o serviço de pioneiro fêz em minha vida foi tão grande e tão abençoada quanto a mudança feita pelo próprio conhecimento da verdade.

  • Perguntas dos Leitores
    A Sentinela — 1964 | 1.° de setembro
    • Perguntas dos Leitores

      ● Devemos entender, ao ler Gênesis 8:22, que as estações tais como existem hoje, com suas condições extremas, existirão na nova ordem? — E. E., Estados Unidos.

      No coração, Jeová disse, conforme registrado em Gênesis 8:22 (Maredsous): “Enquanto durar a terra, não mais cessarão a sementeira e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite.” Há alguns anos atrás, certa pessoa inquiridora apresentou um problema em relação a isso, dizendo:

      “Minha pergunta é como se apresenta em Gênesis 8:22. Enquanto a terra durar, haverá inverno. Ora, sabemos que o inverno traz condições agravantes. As ruas se tornam cobertas de neve, os carros derrapam, há acidentes, as pessoas caem por causa do gêlo escorregadiço, molham os pés, apanham resfriado, e o inverno certamente que não é nada confortável. Será que poderiam considerar isso no sentido de se viver sob condições perfeitas? Ter que enfrentar tal coisa não seria como viver num paraíso, será que seria?”

      Bem, pode-se entender bem tais sentimentos. Todavia, mesmo agora, é sempre o inverno tão ruim assim? Depende do ponto de vista da pessoa. É emocionante contemplar a descida dos flocos de neve! Silenciosamente as montanhas, as árvores, os campos — sim, até mesmo as ruas da cidade — recebem uma camada macia e branca de neve. Na realidade, contemplar isso é um prazer! Muitos admiram a beleza da estação em suas cercanias, se viverem em localidades da terra onde ocorra êste espetáculo. Por certo, precisam equipar seus automóveis de modo adequado, a fim de dirigirem sob tais condições, ou talvez prefiram não usá-los de forma alguma quando as estradas se tornam escorregadiças. As pessoas adequadamente trajadas não se sentem desconfortáveis, nem molham os pés. A imperfeição humana desempenha sua parte em qualquer época do ano, e assim, no gêlo e na neve, alguns talvez caiam ou outros apanhem resfriado. Mas, até mesmo agora, sob as atuais condições do inverno, em regiões em que embeleza o terreno com a brancura da neve, o inverno pode ser uma época bonita e desfrutável do ano. Há, por certo, muitas localidades da terra onde não há nem neve nem gêlo durante o inverno, junto com as condições que produzem.

      A declaração em Gênesis 8:22, naturalmente, precisa ser considerada junto com as outras promessas relativas às condições perfeitas que existirão sob o reino de Deus. O que Jeová quer dizer em Gênesis 8:22 é que a condição de clima igualitário que prevalecia em tôda a terra, antes do Dilúvio, não mais existiria. Por quê? Por causa de que o grande dossel de água, responsável por tal condição, havia caído, resultando nas estações descritas em Gênesis 8:22. No entanto, assim como Deus produziu súbitas mudanças revolucionárias nas condições de vida da terra por meio do dilúvio dos dias de Noé, com os atuais extremos de calor e frio, assim também no Armagedom, e com a posse do seu reino messiânico, poderá produzir súbitas mudanças que amenizarão qualquer condição ruim do inverno ou modalidades dessatisfatórias de outras estações.

      Será que isto será feito pela restauração do dossel de água? Será que o Criador o erguerá novamente no espaço, de modo a produzir uma condição de estufa sôbre a terra, de modo que haja em todo o globo temperatura uniforme? A Bíblia não diz isso, ao passo que a formação do dossel de água antediluviano foi parte da obra criativa de Deus em um de seus dias de trabalho, antes de começar seu sétimo dia, com a cessação de tais obras criativas para a terra. O seu dia de descanso ainda tem mil ou mais anos à frente. É suficiente dizer que Jeová Deus, que já sabe o que fará, cuidará perfeitamente do assunto. Êle trará as condições mais desejáveis e desfrutáveis, mediante seu Rei, Jesus Cristo. Esta mudança, que acabará com as condições climatéricas desagradáveis, se harmonizará com a restauração, por parte de Deus, do paraíso e com a remoção da morte, da dôr, do clamor, da doença e das lágrimas. — Rev. 21:4; Deu. 32:4.

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