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    A Sentinela — 1982 | 15 de maio
    • Jeová é minha fortaleza

      Conforme narrado por Albert Olih

      EMBORA a noite de novembro fosse quente, uma leve brisa me pôs à vontade e me fez adormecer. Mas, acordei repentinamente e ouvi uma voz áspera perguntar: “O que está fazendo aqui?” Eu fora descoberto por um policial em sua ronda da meia-noite.

      Naturalmente, eu estava amedrontado. Levantei-me e expliquei com calma como aconteceu de eu estar dormindo debaixo duma mangueira, próximo ao pátio da escola. A isso ele disse: “Está bem, mas se houver qualquer confusão por aqui, vou procurar por você.” Quando ele se foi, deitei-me novamente e considerei os eventos que me levaram ali.

      Jovem, Porém Interessado em Religião

      Tudo começou na aldeia onde meu irmão morava. Estávamos em 1946, e eu tinha 15 anos. Deixara meu povoado às margens do rio Níger e passara a morar com meu irmão em Lagos, para continuar meus estudos. Outro habitante ali, chama do Young Umoh, atraiu minha atenção, pois era visitado com freqüência por pessoas que se dirigiam umas às outras como “irmão” e “irmã”. Eu queria saber quem eram elas, e por isso fui ao quarto do Sr. Umoh para perguntar-lhe. Logo fiquei absorto numa conversa muito interessante.

      Quando ele disse que eram Testemunhas de Jeová, meu interesse aumentou. Havia em minha escola um garoto e a irmã dele que se chamavam Testemunhas de Jeová. Eram tão bem comportados que eu amiúde me perguntava sobre que tipo de religião eles seguiam. Por isso estava ainda mais ansioso de ouvir sobre essas pessoas.

      O Sr. Umoh perguntou-me se eu cria na Bíblia e eu lhe disse que sempre fui bem em conhecimentos religiosos na escola. Pensava que conhecia a Bíblia. No entanto, quando começou a falar-me do reino de Deus e das bênçãos que este traria à humanidade, a Bíblia tornou-se como que um novo livro para mim.

      Ouvi atentamente ao passo que ele explicou como o governo do reino de Deus transformará a terra num paraíso, como a vontade de Deus será feita nesse paraíso e como os mansos receberão a vida eterna. (Mateus 6:9, 10; Lucas 23:43; Revelação 20:5) Estas coisas deixaram-me muito feliz, e resolvi visitar novamente o Sr. Umoh para aprender mais dele.

      É verdade que no começo não aceitei tudo o que ele disse. Temia que fosse um dos falsos discípulos contra os quais fôramos advertidos na igreja. Contudo, embora discutisse com ele, apreciava profundamente muitas das coisas que ele me ensinava da Bíblia.

      Daí, certo dia, disse-me que não acreditava na Trindade. Fiquei chocado e quis sair do quarto dele. Mas ele me disse: “Você não me perguntou por que não creio na Trindade.” Por isso, perguntei-lhe, e sua resposta iniciou o processo duma mudança religiosa total em minha vida.

      Começou por perguntar: “É você igual ao seu pai em tudo, inclusive na data do seu nascimento?” Depois, abrindo a Bíblia, mostrou-me onde Jesus disse que fora enviado pelo Pai e que o Pai é maior do que ele. (João 14:24, 28) Recorrendo ao relato do batismo de Jesus, mostrou-me quão desarrazoado é crer que Jesus é Deus, visto que foi a voz de Deus desde o céu que confirmou que Jesus era Seu filho. (Mateus 3:16, 17) O Sr. Umoh salientou também que a palavra “trindade” não se encontra na Bíblia. Aceitei essas explicações porque a prova tirada da Bíblia era válida.

      Naquela noite, ajoelhei-me para orar, mas descobri que não podia mais fazê-lo. Desde criança fora ensinado a iniciar a oração por dizer: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Mas visto que estava agora convencido de que não há nenhuma Trindade, descobri que não podia iniciar minha oração.

      No dia seguinte, fiquei muito infeliz e resolvi ler a Bíblia, a partir de Mateus. Fiz isso durante vários dias e li até o fim de Revelação. Quanto mais lia, mais eu descobria que aquilo que o Sr. Umoh me ensinava estava em harmonia com a Bíblia. Era a verdade!

      Visitei meu amigo, contei-lhe o que aconteceu e pedi-lhe que me ensinasse a orar. Ele ficou contente de que eu lera as Escrituras Gregas Cristãs e emprestou-me alguns livros e folhetos que disse que me ajudariam. De fato, estas publicações iriam afetar profundamente minha futura vida religiosa.

      Ajuda dum Missionário

      No início de 1947 fui morar com um meio-irmão. Então, com 16 anos e fora da escola, não tinha dinheiro para financiar meus estudos no colégio e tinha dificuldade de obter emprego.

      Certa noitinha, enquanto jantávamos, alguém bateu à porta, e, para a nossa surpresa, um homem branco entrou na sala. Era algo incomum um branco visitar os lares de africanos, especialmente os pobres. Ele se apresentou dizendo: “Sou Moreton, do Canadá. Sou Testemunha de Jeová e trago-lhes boas novas dum governo que regerá esta terra.”

      Meu irmão superou a surpresa e disse: “Entre e chop.” (“Entre e coma.”) Para sua completa surpresa, o Sr. Moreton tirou do prato um pedaço de inhame, mergulhou-o no molho vermelho e comeu, dizendo: “Este é um excelente alimento que Deus proveu para o homem.” Depois explicou sua mensagem.

      Meu irmão adquiriu três livros dele e me deu o intitulado “Seja Deus Verdadeiro”. Embora meu irmão e a esposa dele não estivessem interessados em nenhum estudo bíblico adicional, convidei o Sr. Moreton a voltar e ensinar-me.

      Com o passar do tempo, descobri que o alfaiate da minha família tinha o mesmo livro, mas ninguém o estava ajudando a estudá-lo. Portanto, depois de cada estudo com o Sr. Moreton, eu ia até a alfaiataria e estudava com ele o mesmo capítulo. Isto ajudou-me a progredir e logo tornei-me capaz de usar a Bíblia para defender a verdade.

      Disse certo dia ao Sr. Moreton que gostaria de ser missionário assim como ele. Ele sorriu e disse: “Você será. Mas há muitas dificuldades para as quais tem de se preparar.” Mostrou-me na Bíblia que teria de enfrentar perseguição, até mesmo da parte de parentes muito chegados. (Mateus 10:34-38) “Contudo”, disse ele, “Jeová não o abandonará se você permanecer fiel”. Mal sabia eu que em breve aprenderia a verdade do que ele dissera.

      Prova Inicial da Fé

      Certa noite, bem tarde, em outubro de 1947, meu irmão me acordou e me deu um ultimato: ‘Pare de estudar com as Testemunhas de Jeová e volte a Igreja Anglicana, ou então saia de casa.’ Fiquei atônito. Não tinha trabalho e nenhum lugar para onde ir. Meu povoado distava uns 500 quilômetros. Visto que meu irmão obviamente sabia disso, perguntei-me sobre onde ele esperava que eu fosse no meio da noite. Entretanto, fiz minha decisão. Neguei-me a deixar de servir a Jeová.

      Meu irmão ficou furioso e começou a golpear-me com tudo o que lhe vinha à mão. Sua esposa o ajudou. Ele me expulsou de casa e correu atrás de mim até certa distância. Fui até a casa de certos parentes achegados na cidade, mas negaram-se a acolher-me durante a noite. Um deles disse: “Você não afirmou que Jeová é seu Pai e a organização dele é sua mãe? Ora, vá para Jeová e que ele o acolha!”

      Foi aí que fiz uma resolução que mantive até hoje. Confiaria em Jeová como minha fortaleza e o serviria, aconteça o que acontecesse. — Salmo 27:1, 10.

      Não tendo aonde ir, fui para um campo perto da escola onde havia estudado e dormi debaixo duma enorme mangueira. Foi nesse local que o policial me encontrou, depois de ter dormido ali várias noites.

      Durante o dia eu ia ao bosque juntar lenha, a qual vendia para obter comida. Alguns dias depois, o Sr. Moreton encontrou-me. Quando ouviu minha história, falou animadoramente, lembrando-me do que havia dito sobre enfrentar dificuldades se eu quisesse servir a Jeová. Convidou-me a visitá-lo no lugar onde morava.

      Isto me deu a oportunidade de me associar com o grupo de missionários, chamado família de Betel, e de ajudar no trabalho no lar missionário. Apreciei também tomar minhas refeições junto com essa família. De fato, senti-me parte da família, e logo comecei a chamá-los de “irmão” e “irmã”.

      Pregação de Casa em Casa

      Certo dia, o irmão Moreton convidou-me inesperadamente para sair com ele na pregação de casa em casa. Na primeira casa, ele palestrou brevemente sobre um assunto bíblico e depois ofereceu um livro para ajudar a estudar a Bíblia.

      O irmão Moreton deu-me então sua pasta e disse: “Vê aquele homem em pé na esquina? Vá pregar a ele.” Meu coração começou a bater forte. Mas fiz uma oração silenciosa e me dirigi ao homem, lembrando-me do que fora dito ao primeiro homem, porque fora algo simples. Citei o mesmo texto da Bíblia, e ele aceitou bem. Eu fora iniciado no serviço de pregação e sabia que nada me deteria.

      Ao Batismo e ao Serviço de Pioneiro

      Aprendera que, tendo dedicado minha vida a Jeová, deveria ser batizado em água, assim como Jesus. Fui batizado em dezembro de 1947, exatamente na primeira assembléia das Testemunhas de Jeová a que assisti. Então, todos os membros deste crescente grupo de Testemunhas eram realmente meus irmãos e irmãs espirituais.

      Alguns meses depois, alistei-me como pioneiro (pregador por tempo integral). Isso abriu para mim muitas oportunidades na obra de pregação e acelerou o passo de meu progresso no testemunho de casa em casa.

      Uma das minhas palestras realmente difíceis ocorreu quando encontrei um pastor adventista do sétimo dia. Ele tomou rapidamente o assunto do sábado e me deu um sermão, argumentando que o sábado deve ser guardado cada semana. A situação se tinha invertido. Dei-me conta de que este morador estava pregando a mim, lendo os textos que ele citava e ouvindo sua explicação. Eu lhe disse que sabia muito pouco sobre o sábado, mas prometi fazer alguma pesquisa e voltar depois.

      Quando voltei, encontrei alguns dos membros de sua igreja com ele. Ele esperava usar a ocasião para impressionar sua congregação. Ao apresentar-me a eles, disse: “Este é um jovem Testemunha de Jeová que foi desencaminhado por alguns pregadores falsos. Estou contente de que escutou o que lhe ensinei e voltou para ouvir mais explicações.” Pedi permissão para falar primeiro. Principiando pelo mesmíssimo texto que ele citara da lei de Moisés, fiz referência às Escrituras Gregas Cristãs e expliquei por que os cristãos não estão sob a obrigação de guardar um sábado semanal. — Romanos 10:4; Gálatas 4:9-11; Colossenses 2:16, 17.

      Surpreso com meu conhecimento ampliado, o pastor disse: “Você manejou muito bem as Escrituras. Isto é o que os membros da minha igreja deviam ser capazes de fazer. Deviam poder ir de porta em porta e defender sua fé, assim como você fez.” Naquela noitinha, ele e os membros da sua igreja aceitaram 29 compêndios bíblicos.

      Jeová É Minha Fortaleza

      Para cuidar de certas obrigações financeiras, arranjei um emprego na Ferrovia Nigeriana, hospedando-me com outro meio-irmão. Então, enfrentei outra prova de minha confiança em Jeová.

      Havia aceitado uma designação no programa duma assembléia de distrito das Testemunhas de Jeová, a ser realizada no leste da Nigéria, no início de 1950. Esta seria minha primeira participação num programa de assembléia, e certamente não queria perdê-la. Portanto, dirigi-me, no meu trabalho, ao encarregado dos empregados do departamento e lhe pedi que me dispensasse por quatro dias, sem remuneração. Mas ele me negou isso. Fiquei tão desapontado que perdi o apetite. Não comi nada durante um dia inteiro, gastando o tempo em oração a Jeová, para que me desse uma saída.

      Na manhã seguinte, fui direto ao gerente do nosso departamento, embora isso fosse proibido aos novos empregados. Quando lhe contei que era Testemunha de Jeová, ele disse: “Eu já devia saber. Tenho observado como você trabalha conscienciosamente, e você me faz lembrar meu irmão na Inglaterra, que é o único membro das Testemunhas de Jeová em minha família. Nós o consideramos fanático porque ele se negou a ingressar no exército e lutar na guerra. Mas ele é o único na família em quem podemos confiar. É bom termos uma Testemunha de Jeová trabalhando conosco.”

      Daí, falei-lhe sobre meu desejo de assistir à assembléia e meu pedido de dispensa por quatro dias sem remuneração. Ele disse: “Certamente irá a assembléia. Mas você precisará mais do que quatro dias devido à viagem envolvida. Eu lhe darei uma semana inteira. Venha comigo.” Levou-me ao encarregado dos empregados e disse: “Ficará contente de saber que temos uma das Testemunhas de Jeová conosco. Elas são pessoas muito sinceras, honestas e diligentes. Por isso, conceda ao Sr. Olih sete dias para ir à assembléia dele, remunerados.”

      Algum tempo depois, recebi um convite para servir na filial da Sociedade Torre de Vigia em Lagos. Esta Sociedade é a entidade jurídica que serve as Testemunhas de Jeová. Assim, em abril de 1951 tornei-me membro da família de Betel em Lagos.

      Em desaprovação, meu irmão disse: “Agora que decidiu deixar seu emprego e ir servir seu Jeová, se algo acontecer a você no futuro, não venha a mim, pois certamente não lhe ajudarei.” Eu lhe assegurei que confiava em que Jeová cuidaria de mim. Isso é certamente o que Ele continuou a fazer durante os 30 anos em que tenho servido em Betel. Foram anos de grande alegria, cheios de oportunidades e privilégios.

      Fortalece a fé relembrar os anos passados e observar como Jeová tem sido minha fortaleza e como ele supriu progressivamente minhas necessidades. Foi numa das nossas assembléias em 1953 que conheci Francisca, uma jovem irmã togolesa. Depois de nos correspondermos durante três anos, casamo-nos. Ela tem continuado a servir a meu lado, e, apesar de ter problemas de saúde, tem sido de grande incentivo para mim. Meu serviço levou-nos a todas as partes da Nigéria. Tive o privilégio de falar a grandes assistências em nossas assembléias e de instruir ministros viajantes (superintendentes de circuito e de distrito) em escolas destinadas ao seu treinamento.

      Lembro-me da primeira vez que Francisca e eu viajamos para o ultramar. Foi para assistir a uma assembléia internacional em 1969, em Londres. Encarei isso como uma bolsa de estudos para mim da parte da organização de Jeová. Como poderia ter viajado a Londres, se a organização de Jeová não me abrisse essa oportunidade? Desde então, assistimos a assembléias em muitos países da Europa, América e África. Em 1976 e 1978, que alegria foi para nós morar temporariamente com a família de Betel de Brooklyn, na sede mundial da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados em Nova Iorque! Junto com outros membros de comissão de filial de outras partes do mundo, fui convidado para reuniões de especialização e programas de treinamento realizados sob a direção do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. O que mais poderia pedir, senão que devesse ser capaz de permanecer fiel ao nosso amoroso Deus, Jeová?

      O transcurso de meu serviço nem sempre foi fácil. Passei dificuldades, provas, doenças, e fiquei envolvido em acidentes que me amedrontaram. Minha fé foi provada. Mas recebi também abundância de conhecimento cristão e força espiritual, junto com incontáveis alegrias ao servir a Jeová e meus irmãos.

      Cumpriu-se no meu caso a promessa de Jesus: “Ninguém abandonou casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por minha causa e pela causa das boas novas, que não receba cem vezes mais agora, neste período de tempo, casas, e irmãos e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições, e no vindouro sistema de coisas a vida eterna.” Sinto-me assim como o salmista, que disse: “Vou dizer a Jeová: ‘Tu és meu refúgio e minha fortaleza, meu Deus, em quem vou confiar.’” — Salmo 91:2; Marcos 10:29, 30.

  • Está procurando um cônjuge?
    A Sentinela — 1982 | 15 de maio
    • Está procurando um cônjuge?

      Que qualidades num cônjuge contribuirão muito para um casamento feliz? Certa jovem, que se perguntava a respeito disso, escreveu uma carta de apreço:

      “Eu realmente não tinha onde recorrer para obter informações sobre a escolha dum cônjuge ou sobre que perguntas fazer a mim mesma ao considerar o casamento. Tinha orado continuamente a Jeová, pedindo sua ajuda na escolha de meu cônjuge . . . Quase não acreditei quando foi lançado o livro ‘Torne Feliz Sua Vida Familiar’. Foi realmente a resposta às minhas orações. E sei que me ajudará a ser uma boa esposa, uma de que meu marido terá orgulho. Quero agradecer-lhes por publicarem o novo livro. Eu o aprecio muito.”

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