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  • Está disposto a passar dificuldades?
    A Sentinela — 1975 | 1.° de dezembro
    • encontrar individualmente. Nem todos encontrarão as mesmas provações. O ponto vital é confiar em Jeová. “Deus é fiel, e ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar, mas, junto com a tentação, ele proverá também a saída, a fim de que a possais agüentar.” — 1 Cor. 10:13.

      Jeová quer que seu povo seja feliz. Não tem prazer em ver seu povo sofrer. Mas ele torna felizes mesmo os que passam dificuldades, porque eles têm agora a oportunidade de estabelecer evidência eterna de sua integridade para com o Soberano Universal, Jeová Deus. — Mat. 5:11, 12.

  • Alegria com a “luta excelente” da fé
    A Sentinela — 1975 | 1.° de dezembro
    • Alegria com a “luta excelente” da fé

      Conforme narrado por Väinö Pallari

      FUI criado na Finlândia, uma terra que é 92 por cento luterana. Quando me tornei testemunha cristã de Jeová, em 1930, meu emprego como professor ficou ameaçado.

      Isto se deu porque os Estudantes da Bíblia, como as Testemunhas eram então conhecidas, eram considerados como comunistas e foram informados de que seriam enviados para a Rússia. A diretoria da escola ameaçou-me com isso, se eu não abandonasse voluntariamente o distrito escolar.

      Mas, neguei-me a abandonar meu emprego. A diretoria tentou então fazer-me prometer não ir de casa em casa, pregando uma “nova doutrina” que a comunidade não podia tolerar. Naturalmente, eu não pude fazer tal promessa; de fato, era meu objetivo algum dia no futuro pregar as boas novas do reino de Deus por tempo integral.

      A seguir, a diretoria da escola evidentemente exerceu pressão sobre os pais de meus alunos. Tentaram induzir os alunos a uma greve. Mas, nem um único deles deixou de comparecer às aulas.

      Por fim, frustrada na sua tentativa de remover-me, a diretoria simplesmente aboliu o cargo que eu ocupava. No entanto, o resultado de tal proceder era que eu tinha direito a uma compensação considerável. Não levantei nenhuma objeção, visto que a ajuda financeira simplesmente me ajudaria a iniciar a obra de pregação por tempo integral — meu derradeiro alvo. Apresentou-se assim a oportunidade que eu esperava, e eu a aproveitei, alegrando-me de que, por fim, podia devotar toda a minha energia à “luta excelente” da fé, assim como Paulo fez. — 2 Tim. 4:7.

      Também por volta daquele tempo recebi uma carta da Sociedade Torre de Vigia, pedindo-me ajudar a organizar a obra de pregação de casa em casa. Este foi um tempo muito feliz. Eu me empenhava na obra de pregação com meus irmãos cristãos todos os dias e realizava reuniões à noitinha — contudo, não parecia cansar-me demais.

      OS ANOS DE GUERRA

      Em 1939, assomaram no horizonte as nuvens ameaçadoras da guerra. O povo da Finlândia estava numa disposição mental muito aflita. Visto que as testemunhas cristãs de Jeová eram neutras em assuntos políticos, eram consideradas com desfavor e não podiam mais trabalhar livremente. O primeiro processo jurídico contra as Testemunhas começou mesmo antes de a guerra irromper. Em certa ocasião, enquanto eu distribuía em Turku o folheto bíblico Governo e Paz, fui cercado pela polícia e acusado de “mascatear ilicitamente”, o que resultou num processo.

      Durante a guerra, tínhamos continuamente processos nos tribunais, e nossa obra de pregação estava oficialmente proscrita. Éramos considerados como comunistas, o que, naquele tempo, se achava ser a pior coisa imaginável. Visto que a Sociedade Torre de Vigia fora proscrita, não podia providenciar reuniões, mas estas foram realizadas apesar disso em nome dum cristão particular. Isto era possível, porque ainda vigorava a lei da liberdade de religião, apesar da guerra.

      Eu sempre tive saúde fraca, e por causa disso estava isento do serviço militar. Por isso pude continuar na minha pregação por tempo integral, o que eu agradecia profundamente a Jeová.

      O trabalho de superintendente de circuito, durante a guerra, não deixava de ter seus momentos aflitivos. Visto que A Sentinela e Consolação (agora Despertai!) estavam proscritas, tínhamos de levar conosco todo o alimento espiritual mimeografado numa mala. Isto era perigoso, visto que a polícia militar amiúde examinava a bagagem dos viajantes, para ver se tinham manteiga (todos os alimentos eram racionados) ou outra “bagagem proibida”.

      Em certa ocasião, eu tinha na minha maleta muitas revistas mimeografadas da Sentinela, quando um polícia militar me perguntou de que se tratava. Respondi que era literatura bíblica que dava às pessoas para ler. Felizmente, ele estava com pressa, de modo que não tomou o tempo para examinar mais o assunto. Se tivesse examinado a literatura que eu carregava, certamente me teria prendido.

      Os bombardeios aéreos das cidades eram algo extraordinário. Muitas vezes tínhamos de interromper a reunião, a fim de ir para o abrigo antiaéreo. Quando emergíamos do abrigo antiaéreo, costumávamos ver incêndios em volta de nós, mas os lares das Testemunhas raras vezes ficavam danificados.

      O acontecimento mais amedrontador da minha vida ocorreu no auge da guerra. Certa noite voltei tarde para casa, de bonde. Dois soldados um pouco embriagados também tomaram o mesmo bonde, e, vendo-me em trajes civis, começaram a ficar amargurados. Falaram entre si sobre mim e disseram que eu devia estar de uniforme. Saltamos no mesmo lugar, e os homens mandaram-me parar.

      Um deles perguntou-me por que eu havia criado uma confusão no bonde, o que, naturalmente, eu não havia feito. De repente, o outro tirou uma faca e disse: “O que diria se deixássemos sair o ar de você?” Tentei explicar-lhes as conseqüências desagradáveis para eles, se fizessem isso, mas eles responderam que haviam sofrido tanto na frente, que não se importavam mais com o que acontecia com eles. De repente, o soldado ergueu a faca, querendo golpear-me. Daí, com o coração palpitando, agarrei-lhe a mão, embora realmente não pudesse fazer frente a eles.

      Senti-me impotente nesta situação e suspirei uma oração a Jeová como fiz durante todo este episódio. Como que por milagre, o soldado afrouxou a mão e soltou-me. Segui caminho, chorando de alegria e agradecendo a Jeová por salvar-me a vida. Lembrei-me do reconforto bíblico: “O Deus da antigüidade é um esconderijo, e por baixo há os braços que duram indefinidamente.” — Deu. 33:27.

      ALEGRIA COM A “LUTA EXCELENTE” EM BETEL

      Em 1942, recebi o convite de servir em Betel, no escritório da Sociedade Torre de Vigia, onde desde então tive muitos privilégios de serviço. Durante a guerra, minha tarefa era conseguir mantimentos para a família de Betel, o que era realmente bastante difícil, visto que havia uma séria falta de tudo. Muitas vezes recebíamos o necessário de modo quase milagroso. Era como se maná caísse do céu, para nos ajudar a atravessar o tempo provador da guerra.

      Tive também o privilégio de tratar de assuntos jurídicos. Por exemplo, muitas Testemunhas que não tinham herdeiros de parentesco chegado queriam deixar todos os seus bens financeiros para a promoção da obra de Jeová, após a sua morte. Mas, na Finlândia, há uma lei que exige que, após o falecimento do testador, o beneficiário, segundo o testamento, tem de entrar em contato com todos os parentes do falecido. Isto exigia que eu entrasse em contato com todos os parentes dos irmãos cristãos falecidos que haviam feito tais testamentos, e não era tarefa fácil.

      Tínhamos também uma contínua batalha com a Companhia Finlandesa de Radiodifusão. Praticamente todas as outras organizações religiosas tinham permissão de fazer transmissões pelo rádio, mas nós não recebemos tal permissão. E não só isso, mas de vez em quando fizeram-se ataques contra nossa obra de pregação.

      Certo comentarista elaborou um programa desfavorável sobre as Testemunhas, e neste se trocavam palavras finlandesas muito vulgares. O programa foi gravado com antecedência, e tivemos a permissão de ouvi-lo antes de ser transmitido. Outra Testemunha e eu lutamos com o problema por cerca de uma semana, e conseguimos que o produtor eliminasse os piores insultos, mas ainda assim era bastante ruim. Logo depois disso, em resultado da tensão nervosa, tive uma síncope. Perdi parcialmente a minha visão e faculdade de falar, e perdi completamente a capacidade de ler e fazer contas.

      Depois de algumas semanas no hospital, restabeleci-me bastante bem, mas desde então sinto frio. O médico ordenou-me que me “aposentasse” e proibiu-me qualquer esforço especial. Tive de diminuir meu ritmo de atividade, para continuar no meu serviço, mas posso assegurar que não perdi o que os finlandeses chamam de sisu, ou firmeza.

      Às vezes, portanto, tenho trabalhado mais do que devia, mas tenho prazer nisso. Recentemente, tive outra síncope, que foi pior do que a primeira. Minha fala, que se havia restabelecido logo, agora parece estar num ponto morto. Novamente tive de reduzir meu ritmo, mas ainda quero fazer o melhor que posso para travar a “luta excelente” da fé.

      Recordando os quarenta e quatro anos em que gastei todo o meu tempo no serviço de Deus, posso dizer que não poderia ter usado minha vida melhor. Tal serviço de tempo integral, que se aprende a amar

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