BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Em busca das raízes — um filho adotivo ansiava saber
    Despertai! — 1979 | 8 de maio
    • Em busca das raízes — um filho adotivo ansiava saber

      Muralha do Segredo de Justiça

      EM 1977, eu e minha esposa vimos capítulos do programa especial de televisão, de uma semana, intitulado “Roots” (Negras Raízes). Talvez, mais do que a maioria dos telespectadores, eu podia entender plenamente por que muitos desejam conhecer suas origens. É somente natural a gente ficar imaginando de onde veio, como são seus pais e outros parentes. É interessante que, recentemente, um número cada vez maior de pessoas procura suas raízes ou identidade.

      “A busca das origens pessoais tem sido fenomenal”, comentou um artigo de destaque de Newswesk. O porta-voz duma biblioteca genealógica comentou a respeito desta busca crescente: “A razão que as pessoas fornecem é, quase que invariavelmente: ‘Simplesmente quero saber quem sou,”’

      Há um segmento da população, contudo, que possui interesse especial em suas origens. Somos nós, os adotados por pais fictos. A maioria de nós, porém, sente-se frustrada diante de cada tentativa de descobrir a identidade dos nossos pais biológicos.

      Sabe o que é responsável por este segredo? Existem bons motivos para isso?

      A Muralha do Segredo de Justiça

      As leis, nos Estados Unidos, exigem o segredo de justiça. Quando um menor é adotado, faz-se nova certidão de nascimento; a idéia, com efeito, é de que a criança obtém ‘novo nascimento’. Os registros originais dos adotados são arquivados, com lacre, e permanecem lacrados em segredo de justiça apesar de quase todas as petições dum adotado para examiná-los. As pessoas que violam o segredo de justiça, contrário às estipulações legais, às vezes recebem multas e detenção.

      Virtualmente em todos os estados dos EUA, mesmo quando os filhos adotivos atingem a maioridade, proibe-se-lhes de examinar seus registros de nascimento. As leis em outros países são diferentes. Em países tais como Israel, Finlândia e Escócia, por exemplo, os adotados adultos podem obter suas certidões originais de nascimento.

      As leis de adoção, nos EUA, atingem literalmente milhões de pessoas, inclusive cerca de três a cinco milhões de nós, filhos adotivos, bem como nossos pais naturais e adotivos. Diz-se que o número de adoções, aqui, é maior do que o total do resto do mundo! Em 1970, atingiu-se um auge de 175.000 adoções nos EUA, mas, daí, o número começou a declinar.

      Desenvolvimento das Leis de Adoção

      Há alguns anos, interessei-me em aprender mais sobre o assunto da adoção. Pela leitura da Bíblia, ficou evidente que o processo era, evidentemente, bem antigo. Exemplificando: o bebê israelita, Moisés, foi levado do rio Nilo e adotado pela filha de Faraó “de modo que se tornou filho para ela”. (Êxo. 2:5-10) Li, mais tarde, que as provisões para adoção foram incorporadas no antigo Código de Hamurábi, babilônico, na Lei ou Código de Manu, hindu, bem como nas leis assírias, egípcias, gregas e romanas.

      Uma finalidade específica destas leis de adoção era impedir a extinção das linhagens familiares e criar herdeiros legítimos. Assim, é interessante recordar que Abraão, pai da nação israelita, evidentemente considerava seu escravo, Eliézer, como em linha para uma posição similar à dum filho adotivo. Pois Abraão disse: Eu “me vou sem filhos e quem possuirá a minha casa é um homem de Damasco, Eliézer”. — Gên. 15:2-4.

      Nos tempos mais recentes, a adoção era desconhecida na lei comum inglesa, em que se baseia a lei dos Estados Unidos. Assim, a adoção legal não existia nos EUA senão depois que os estados, de per si, começaram a promulgar leis que a permitiam, em algum tempo por volta de meados dos Oitocentos. Não foi senão em 1926 que a Lei da Adoção de Filhos tornou possível, na Inglaterra, a adoção. Quando um filho é adotado, ele não está mais, legalmente, vinculado a seus pais biológicos, mas somente tem vínculos de filiação com seus pais adotivos.

      Provisão Humana

      Posso pessoalmente testemunhar os benefícios da moderna legislação de adoção. No passado, as crianças que os pais não queriam ou não podiam sustentar eram comumente criadas em instituições. Em geral, tais menores passavam mal, e os índices de mortalidade eram elevados. É muito melhor quando os casais que realmente desejam filhos podem adotar os bebezinhos e lhes dar a amorosa atenção de que eles carecem!

      Meus pais adotivos foram muito amorosos comigo, e sempre lhes serei muito grato. Criaram-me como se eu fosse seu próprio filho. Ao mesmo tempo, contudo, logo em tenra idade, me informaram que eu era um filho adotivo. Os pais adotivos serão sábios em contar isto aos filhos. Quando as crianças ficam sabendo disso por meio de outros — e provavelmente virão a saber— usualmente não só ficam abaladas, mas também sentem que foram enganadas por seus pais adotivos, que tentaram guardar segredo da adoção. No entanto, a melhor ocasião de lhes explicar que foram adotadas é quando podem compreender isso um pouco melhor, talvez quando já tenham de seis a oito anos.

      Nos anos recentes, comprovei a grande importância do ambiente no desenvolvimento da criancinha, o que me tornou ainda mais apreciativo para com meus pais adotivos. Por exemplo, nos Estados Unidos, as crianças negras tipicamente não recebem a mesma instrução e as mesmas vantagens culturais que as brancas. Assim, as crianças negras criadas em lares de brancos, onde dispõem de mais vantagens educacionais, usualmente possuem maiores escores de QI do que outras crianças negras.

      Fonte de Bebês Adotáveis

      Durante os fins dos anos sessenta e o início dos setenta, muitos pais brancos adotavam crianças negras. Com efeito, mais de um terço de todos os filhos adotivos negros eram, por certo tempo, adotados por pais brancos. Mas, daí, os líderes negros começaram a protestar vigorosamente. Diziam que, a longo prazo, tais crianças teriam maiores problemas quando crescessem e tivessem de enfrentar a realidade do mundo. Seriam rejeitados pelos brancos, diziam os críticos, por causa da cor de sua pele, e, pelos negros, por causa de seus valores e comportamento muitíssimo diferentes.

      Mas, talvez fique imaginando, por que há muitos brancos ansiosos de adotar bebês negros e birraciais? É por causa da grave escassez de bebês brancos adotáveis. As listas de espera das agências envolvem anos, e há agências que não aceitam mais novos interessados. Mas, por que existe escassez? Visto que a fonte principal de adotados sempre foram os filhos ilegítimos, por que, com as avolumantes taxas de filhos ilegítimos, há menos menores a ser adotados?

      Especialmente isto se dá porque a mãe solteira não é mais desprezada pela hodierna sociedade em transformação. Famosas estrelas do rock e do cinema criam seus filhos ilegítimos, e canções de sucesso, tais como “Having My Baby” (Terei Meu Bebê) encheram de encanto tal tendência. Assim, há alguns anos, cerca de 80 por cento das mães solteiras, nos EUA, davam seus bebês para adoção. Mais recentemente, contudo, apenas cerca de 20 por cento os têm abandonado — daí haver menos bebês a serem adotados.

      Será que as mães que desistem de seus filhinhos ficam pensando no que acontece com eles? Por que os adotados desejam encontrar seus pais biológicos?

      O Desejo de Saber

      Desde que eu era criança, ficava imaginando como eram meu pai e minha mãe, e isto apesar do ótimo relacionamento com meus pais adotivos. Desde então, verifiquei que a maioria dos outros filhos adotivos pensam de modo similar, como se “estivesse faltando um pedaço de si mesmos”. É como afirma o Dr. Arthur D. Sorosky, que estudou extensivamente o assunto:

      “Temos verificado que a curiosidade do filho adotivo não depende de se tem ou não um bom relacionamento com seus pais. Trata-se duma necessidade simples, universal, de conhecer as raízes ou identidade da pessoa. O desejo do filho adotivo de ter informações genealógicas — ou até mesmo de conhecer seus pais naturais — é uma necessidade que realmente não pode ser compreendida por uma pessoa que não seja filho adotivo. Nem pode ser atribuída como só ocorrendo em indivíduos emocionalmente perturbados.”

      Também, desde então comprovei que as mães biológicas amiúde anseiam saber sobre a criança que relegaram. Posso lembrar-me de minha mãe adotiva, uma senhora mui sensível e sensata, mencionar em meu aniversário: ‘Sua mãe, não importa onde esteja, está provavelmente pensando em você hoje.’ Sou grato de que Mamãe e Papai sejam tão compreensíveis. Quando finalmente decidi encetar tal busca, eles me ajudaram nela.

      Um estudo revelou que a maioria dos adotados que encontraram seus pais biológicos estão contentes de terem feito tal busca. Mesmo quando o que encontraram não era agradável, não saber de nada era considerado ainda mais desagradável. Eu posso atestar isto.

      Entretanto, eu compreendia que encontrar minha identidade física não era de importância primária para obter verdadeira felicidade. Pois, afinal de contas, quando remontamos bem atrás dás raízes da inteira família humana, chegamos ao patriarca Noé, que sobreviveu ao dilúvio global. Assim, o que é deveras vital é encontrar, não nossas raízes físicas, mas uma relação favorável para com Deus, nosso Pai espiritual. Embora prezando esta relação com Jeová Deus como muitíssimo importante, ainda assim desejava encontrar meus pais naturais. Deixe-me contar-lhe agora os resultados da busca das minhas raízes.

  • Minha busca paciente foi recompensada
    Despertai! — 1979 | 8 de maio
    • Minha busca paciente foi recompensada

      TODAS as informações sobre mim mesmo e minha família, pelo que eu sabia, estavam contidas num conjunto de documentos judiciais. A primeira vez que meus pais adotivos me mostraram os mesmos, eu tinha cerca de sete ou oito anos. Eles os haviam recebido ao me adotarem legalmente quando bebê. Mais tarde, quando eu me tornei adulto, eles me forneceram tais documentos. O legado de minha família eram dois nomes numa folha de papel, o nome da minha mãe e o meu.

      Embora, desde tenra idade, desejasse saber mais sobre minhas origens, não foi senão quando tinha trinta e poucos anos que me senti movido a fazer algo quanto a tal desejo. No ínterim, minha vida tomou rumo inteiramente novo como resultado dum estudo da Bíblia.

      Em 1967, tinha ajustado meus assuntos de modo a poder partilhar mais plenamente com outros aquilo que eu estava aprendendo. Por fim, servi por quase quatro anos como missionário nas Ilhas de Truk, Cosrai e Ponape, no Pacífico. Daí, em 1973, fui convidado a trabalhar na equipe da sede mundial das Testemunhas de Jeová em Brooklyn, Nova Iorque, EUA.

      Esta foi uma época de retrospectiva para mim — perguntas sobre minha formação começaram a incomodar-me. Quem era minha mãe e meu pai? Será que tenho irmãos e irmãs? Sou de origem espanhola, francesa ou de alguma outra? Também dispunha de uma razão mais importante para encontrar minha família biológica — partilhar com ela as “boas novas do reino”. — Mat. 24:14.

      Mas, por onde deveria começar a procura?

      Início da Busca

      Dos documentos recebidos, eu sabia pelo menos o seguinte: O nome completo da minha mãe, o nome que me fora dado quando nasci, o nome da agência de adoção, a data do meu nascimento, e o hospital onde nasci. Iniciei minha busca por escrever uma carta à agência de adoção no estado em que nasci, a Califórnia, EUA.

      Isso se provou meu primeiro encontro frustrador com a muralha de intenso segredo de justiça. Estando limitada por lei, a agência não pôde confirmar nem negar o nome de minha mãe. No entanto, disseram-me o estado do qual viera a mulher sobre a qual eu indagava — Oregon. Também forneceram outros poucos fatos sobre ela, inclusive que era de origem teuto-francesa, teve notas medianas na escola e tinha tocado um instrumento na banda de música do ginásio.

      Em seguida, escrevi ao Departamento de Estatísticas Vitais em Portland, Oregon. Inclui uma taxa, além da pouca informação de que dispunha sobre minha mãe. Em questão de dias, obtive a resposta. Uma pessoa com o mesmo nome tinha deveras nascido naquele estado 24 anos antes do meu nascimento. No entanto, disseram-me que me seria impossível obter uma cópia da certidão de nascimento dela — era contra a lei fornecerem a mesma.

      Depois de alguns dias de dar tratos à bola e efetuar buscas, decidi escrever novamente e solicitar uma cópia da lei que me proibia de ter a certidão dela. No devido tempo, enviaram-me um exemplar. A lei dizia que só se expediria uma certidão de nascimento a um parente consangüíneo, à própria pessoa ou a um causídico. Felizmente, enviaram-me uma cópia da página inteira em que aquela lei estava impressa. Examinando a página, descobri outra lei que dizia que a pessoa poderia fazer uma petição ao tribunal do condado pedindo qualquer registro vital que lhe fosse negado.

      Aproveitando tal cláusula, fiz uma cópia dos meus papéis de adoção, autentiquei-os e enviei-os ao tribunal, junto com um pedido da certidão de nascimento Com que resultado? Dentro de poucas semanas, recebi a certidão de nascimento que desejava. A pessoa citada — Grace Faulman — era a mesma pessoa alistada nos documentos de adoção como sendo minha mãe! Também, os nomes dos pais dela foram fornecidos

      Eu tinha todo motivo de crer que Grace Faulman era minha mãe, pois era improvável que outra pessoa desse à luz um bebê, com o mesmo nome que o meu, no mesmo dia, 23 de maio de 1939. Todavia, como poderia ter certeza? E como poderia localizar Grace Faulman ou os pais dela, presumindo que ainda estivessem vivos? Afinal de contas, passaram-se cerca de 60 anos desde que se expediu aquela certidão de nascimento. Determinei continuar minha busca.

      Escrevi ao superintendente escolar em Astória, Oregon, lugar onde Grace nasceu. Também, indaguei do diretor dos correios ali se tinha informações sobre a família Faulman. Mas foram infrutíferos todos os meus esforços de remontar à minha mãe, desse modo. Pelo que parece, a família tinha deixado aquela área logo após o nascimento de Grace. Assim, precisava encontrar outro meio de chegar até ela.

      Um Grande Passo à Frente

      Significativamente, a colonização dos Estados Unidos realizou-se numa expansão de leste para oeste. A partir do ano 1790, quando foi realizado o primeiro Recenseamento Federal, as famílias, de per si ou em grupos, emigraram para o oeste. Assim, embora Grace Faulman tivesse nascido no estado bem ocidental de Oregon, sua certidão de nascimento revelava que o pai e a mãe dela tinham nascido em Michigan.

      Tentei, sem êxito, obter uma certidão de nascimento do pai de Grace Faulman — pelo que parece ela não existia. No entanto, tive êxito em obter a certidão de nascimento da mãe dela. Isto me forneceu o nome dos avós de Grace, visto que os nomes deles, naturalmente, apareciam na certidão de nascimento da filha deles.

      Em seguida, mandei outra taxa e solicitação da certidão de casamento dos avós de Grace Forneci os nomes, tirando-os da certidão de nascimento da mãe de Grace. Com o tempo, a certidão de casamento, datada de 3 de fevereiro de 1894, me foi enviada. Agora consegui tirar proveito duma peculiaridade do Recenseamento Federal de 1880. Um índice foi feito daquele Recenseamento Federal de 1880. Assim, todos os chefes de família que tinham filhos com 10 anos de idade, ou menos, em 1880, tiveram seus nomes, junto com outras informações sobre eles, incluídos no índice.

      Enviei uma solicitação aos Arquivos Nacionais em Washington, D. C., EUA, onde se guardam tais cópias do recenseamento. Forneci o nome do avô de Grace, Henry Monroe (ele nasceu em 1371 e, assim, tinha menos de 10 anos em 1880), solicitando uma pesquisa do índice. Pouco depois, foi galardoado com uma cópia da página do recenseamento em que estavam enumerados os nomes dele e de sua família. Importante é que essa página também continha o nome do povoado em que Henry então vivia, East Jordan, Michigan.

      Mais tarde, este único documento e ato ímpar de bondade resultaram ser as chaves que abriram meu passado. No entanto, na ocasião, não percebia como tais informações me poderiam ser de ajuda. Assim, comecei a rebuscar outros ramos do que eu cria ser minha família, escrevendo vintenas de cartas no ínterim.

      Morando em Brooklyn, bem perto da Sociedade Histórica de Long Island, comecei a gastar algum tempo, cada sábado de tarde, em examinar velhos registros do recenseamento e outros documentos históricos. Com o tempo, por rebuscar os parentes de Henry Monroe, descobri uma senhora que eu cria ser uma das minhas bisavós. Ela vivera em Cobleskill, pequeno povoado no norte do estado de Nova Iorque. Curioso em saber se algum membro de sua família ainda morava ali, escrevi uma carta ao pequeno semanário local. Para minha surpresa, uma semana depois, recebi uma carta A senhora que escrevia era sobrinha de minha suposta bisavó!

      Foi-me dito, por esta senhora, que eu seria bem recebido numa visita a Cobleskill. Ali passei um fim-de-semana muito agradável, aprendendo sobre a família e a história de seus 200 anos prévios nessa localidade. Evidência adicional que eu estava deveras na pista certa estava surgindo — as damas da família comentaram todas que eu tinha herdado o nariz da família! Outro fato acalentador era que três dos netos daquela senhora e eu partilhávamos a mesma fé.

      Infelizmente, a família no norte do estado de Nova Iorque não estava em contato com a parte de Grace Faulman da família já por mais de 50 anos, e não tinham idéia alguma de onde estavam. Assim, ao passo que tinha feito algum progresso, as perspectivas de encontrar minha mãe ainda não eram muito brilhantes. Mas, daí, ocorreu-me uma idéia.

      Indício Que Me Abriu o Passado

      Lembrei-me das informações enfiadas em minha gaveta, do Recenseamento Federal de 1880, a respeito de Henry Monroe, avô de Grace Faulman Pensei: ‘Se consegui resultados por escrever ao jornal a respeito da família em Cobleskill, Nova Iorque, por que não escrever ao diretor dos correios naquele pequeno povoado de East Jordan, Michigan, onde viveram Heury e sua família?’

      Foi isto que eu fiz. Disse ao diretor dos correios que tentava localizar parentes distantes. Perguntei se sabia de alguém com o nome de Monroe na cidadezinha, e, em caso afirmativo, se faria o favor de passar minha carta para tal pessoa. Tendo enviado a carta, prontamente me esqueci de tudo.

      Verificando a correspondência, ao meio-dia de um certo dia, umas duas semanas depois, encontrei um envelope para resposta à minha espera. (Sempre enviava solicitações com um envelope já endereçado e selado a mim mesmo como remetente.) Abrindo-o, para minha surpresa, verifiquei que o escritor não era outro senão a prima em primeiro grau da mãe de Grace. Aquele diretor dos correios o havia remetido bondosamente a ela. Dificilmente consegui concentrar-me no meu trabalho, no restante daquele dia, tão eufórico estava.

      Cultivando uma amizade por correspondência com esta senhora, de quem quase que certamente era um parente, fiz, de forma gradual, certas indagações cautelosas quanto à mãe de Grace. Sim, disse-me, ela ainda estava viva. E ela possuía um neto que vivia no Alasca. Eis ai verdadeiras novidades! Eu tinha um irmão! Mas, através de correspondência, soube que Grace havia morrido. E então?

      Senti a necessidade de ser discreto, visto que não sabia das circunstâncias que cercaram o meu nascimento. Finalmente decidi contar tudo à prima de minha avó. Inclui uma cópia dos meus documentos de adoção e perguntei se gostaria de servir como minha intermediária. ‘Gostaria de revelar minha identidade à minha avó?’, perguntei.

      Reunião

      Os dias se passaram lentamente. Por fim, veio uma carta de minha avó. Ela ficou jubilante Sim, havia um “neto que faltava” — mas ela o imaginava morto, a sua filha lhe tendo dito que ele morrera quando bebê. Sim, a filha dela era a pessoa alistada nos documentos do tribunal. Eu deveria telefonar para meu irmão no Alasca imediatamente, instou ela comigo. O número do telefone dele estava alistado. ‘E quando, ó, quando, eu poderia ir à Califórnia, para que ela me visse?’, ela queria saber.

      O telefonema para meu irmão foi dado. Minha primeira palavra para ele foi “Irmão!” Suas primeiras palavras foram: “Mal posso crer nisso!”

      Ele, também, soubera por nossa mãe que eu morrera quando criança, mas daí, há cerca de 15 anos atrás, nosso pai lhe contara que eu tinha sido adotado. Ele tentou encontrar-me, mas todos os esforços dele se frustraram devido à muralha do segredo de justiça.

      A viagem à Califórnia e o encontro com minha família foi, sem dúvida, uma das ocasiões mais satisfatórias da minha vida! Na verdade, fiquei desapontado de saber que minha mãe e meu pai (que vim a saber chamava-se John Rapoza-Vierra) já tinham morrido há alguns anos. Mas, eu, minha avó e meu irmão passamos horas juntos, também com meus pais adotivos, os quais, desde o início, apoiavam todos os meus esforços. Com efeito, eles mesmos tinham feito grande empenho para verificar o que puderam. É interessante que consegui também conhecer a família natural de meu pai e saber de suas emigrações das Ilhas dos Açores para o Havaí, e daí para a Califórnia. Ele era português.

      Eu tinha conseguido! Minha busca paciente foi recompensada. ‘E que dizer do custo no sentido de esforço?’ talvez pergunte. Mais de 400 respostas somente às cartas que eu enviara, além do custo dos selos, taxas e tardes de sábado na biblioteca

      Esperança Para o Futuro

      Eu estava especialmente feliz de poder partilhar com estes membros de minha família a confortadora esperança que a Bíblia fornece para o futuro. Disse-lhes que havia boas razões para crermos que Grace e John serão favorecidos por Jeová Deus com uma ressurreição à vida de novo na terra. (João 5:28, 29; Atos 24:15) Que ótimo, então, será familiarizar-nos com eles! Compreendo que cometeram graves erros, até mesmo vivendo uma vida imoral. Mas, para os que forem ressuscitados, haverá a oportunidade de aprender os requisitos de Deus e ajustar-se à administração justa do Reino que estará então no controle das coisas.

      Para mim, conhecer minhas raízes físicas valeu bem todo o esforço. É interessante que a Bíblia contém extensivas informações sobre as genealogias de várias pessoas. Evidentemente, é natural que os humanos se preocupem com suas origens físicas. Mas, eu compreendo que isto não é de capital importância, e que há perigo em se dar ênfase demais a tais assuntos. — 1 Tim. 1:3, 4; Tito 3:9.

      Jesus Cristo mostrou vigorosamente os relacionamentos que são ainda mais importantes do que os físicos. Certa vez, quando se mencionou os parentes dele, disse: “‘Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?’ E, estendendo a mão para os seus discípulos, disse: ‘Eis minha mãe e meus irmãos! Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está no céu, este é meu irmão, e minha irmã e minha mãe.’” — Mat. 12:48-50.

      Verifiquei que isto era verdade. Partilhar a mesma fé em Deus e ter a mesma esperança em suas promessas faz com que as pessoas se acheguem mais nos vínculos do amor do que até mesmo nos vínculos consangüíneos. Eu e minha esposa acabamos de cursar a 65.a turma da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia Temos agora o grandioso privilégio de ir para outro país, compartilhar com as pessoas ali a fé cristã que pode habilitá-las a usufruir uma relação tão excelente com suas concriaturas humanas e, especialmente, uma boa relação com Jeová Deus. — Contribuído.

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar