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    Despertai! — 1979 | 8 de julho
    • O maior privilégio que já tive em dar

      Conforme contado por Vicki Johnson a um redator

      Não raro é difícil conseguir que pessoas com ouvidos e olhos saudáveis dêem ouvidos e vejam as verdades a respeito do reino de Deus. Daí, vi-me confrontada com o desafio de ensiná-las a uma jovem surda e cega de nascença!

      EU E meu marido moramos numa casa adjacente ao Centro Nacional Helen Keller Para Surdos e Cegos, situada em Sands Point, Long Island, Nova Iorque, EUA. Ao observarmos o prédio que estava sendo terminado, ficávamos imaginando como seriam as pessoas cegas e surdas, algumas de nascença. Nunca viram as belezas da terra, nem ouviram seus sons alegres! A simples idéia nos deixava perplexos; imaginar uma vida em tal escuridão e silêncio era algo impossível para nós! Sabemos da promessa de Jeová, de que a terra paradísica, sob a regência de seu Reino, restaurará a visão e a audição dos cegos e surdos, mas como poderíamos transmitir essa esperança aos que, dentro em breve, seriam nossos vizinhos? Oramos para que se abrisse um caminho para fazermos isso.

      Em setembro de 1977, abriu-se tal caminho. Nossa congregação de Testemunhas de Jeová recebeu uma carta de Georgine Dilts, de Seattle, Washington. Ela estava dirigindo um estudo bíblico em braile com Debbie Curry, de 25 anos, uma jovem cega e surda de nascença. Foi Dallas Talley, uma Testemunha cega, a primeira a contatar Debbie. Ele estudava com ela e a levava às reuniões, mas, por fim, transferiu-a para Georgine Dilts, que conhecia a linguagem dos surdos. E, agora, Georgine nos informava que Debbie estava sendo enviada ao Centro Helen Keller, vizinho de nossa casa. Pediu-se que nossa congregação designasse alguém para continuar o estudo bíblico com ela. Eu fui a solicitada a fazê-lo! Como poderia? Meu mundo estava cheio de imagens e sons. Eu considerava algo corriqueiro ver e ouvir. Como poderia relacionar-me com Debbie no seu mundo escuro e silencioso? Como poderia comunicar-me com ela? Eu não sabia soletrar pelos dedos — e mesmo se soubesse ela não poderia vê-lo!

      Quando me encontrei com Debbie no instituto, meus temores diminuíram, para não dizer que desapareceram por completo. Eu não precisava conhecer a soletração pelos dedos para falar com ela. Eu falava normalmente, e ela usava as mãos como ouvidos. À medida que eu falava, ela colocava seu polegar sobre meus lábios e os outros dedos sobre meu maxilar e garganta. Por sentir os movimentos de meus lábios e maxilar, e as vibrações da minha garganta, ela sabia o que eu estava dizendo! Isto é chamado de método Tadoma. A palavra ainda não consta dos dicionários. É formada pela combinação dos primeiros nomes do irmão e da irmã surdos-cegos que foram os primeiros a ser treinados por ele — Tad e Oma. Debbie falava comigo usando sua própria voz, embora eu tivesse alguma dificuldade, de início, em compreender tudo que ela dizia. Sua habilidade de expressar vocalmente é deveras surpreendente, visto que nunca ouviu quaisquer palavras serem proferidas!

      Sua primeira pergunta foi: “Quando é que posso ir ao Salão do Reino?” Nessa mesma semana, ela me acompanhou a um dos estudos de livro da congregação, e fiz arranjos para dirigir com ela um estudo bíblico domiciliar. Ela também começou a freqüentar certas reuniões semanais no Salão do Reino. A primeira é uma escola que nos treina a pregar, e a segunda nos ajuda a organizar-nos para a obra de pregação.

      Passos Dados Para Ajudar Debbie

      De início, levei publicações em braile para que ela lesse durante as reuniões, mas isso foi apenas temporário. Eu e outra senhora na congregação fizemos cursos de soletração pelos dedos, bem como da linguagem de sinais, e, dentro de algumas semanas, nos revezávamos em interpretar as reuniões para Debbie. Ela segurava nossa mão levemente sobre a dela, ao soletrarmos com os dedos, ou transmitirmos por sinais o que estava sendo dito. Ela se sentia feliz em fazer parte de tudo que acontecia. Mais tarde, eu tinha um discurso de estudante na escola de treinamento. Debbie queria tomar parte nele. Planejei minha apresentação de modo que ela pudesse dizer algumas palavras, e isto a deixou imensamente emocionada. Ela também comenta no estudo de livro de congregação.

      A Sociedade Torre de Vigia está cônscia das necessidades dos deficientes. Possui livros sobre a Bíblia em braile, muitos dos quais foram emprestados a Debbie. Em seu departamento de braile, a Sociedade (nos EUA) imprime em relevo muitas de suas publicações para leitores cegos. No estudo bíblico pessoal de Debbie usamos o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, em inglês. Ela possui o livro em braile, lê em voz alta cada parágrafo junto com sua pergunta, e então dá a resposta. Os artigos de estudo de cada número alternado da revista A Sentinela são publicados em braile-inglês. Isto fez com que Debbie se tornasse ansiosa de comparecer à reunião de domingo no Salão do Reino, quando se estuda tal revista.

      O Centro Helen Keller, onde Debbie vive, tem de dar permissão para isso. O Centro não se opõe às Testemunhas de Jeová, mas é superprotetor quanto a seus clientes. Jack, um dos voluntários, costumava levar Debbie à Igreja Católica nos domingos de manhã. Ele era muito bondoso com ela, levava-a para nadar, a restaurantes e a outros lugares. O pessoal do Centro achava que este era um bom arranjo e mostrava-se relutante em modificá-lo. Assim, o Centro mostrou-se a favor de o tempo de Debbie ser dividido entre nós — o Salão do Reino, junto comigo, durante a semana, e a Igreja Católica, com Jack, aos domingos.

      No entanto, Debbie continuamente pedia para ir ao Salão do Reino no domingo. Sua assistente social por fim concordou que ela poderia fazer tal mudança, caso avisasse a Jack do seu desejo de fazê-lo. Isto foi difícil para ela. Ela gostava muito dele. Ele tinha sido muito bom para ela. Ela também queria que ele aprendesse sobre a vida no paraíso terrestre de Jeová.

      Ela convidou Jack a assistir seu estudo bíblico pessoal. Ele é um católico devoto, mas não podia dizer não a Debbie. Assim, lá estava ele, sentado para presenciar o que pensava ser algo como uma reunião da Ku Klux Klan. No Centro, haviam palestrado sobre ‘aquela gente que leva Debbie a várias reuniões religiosas cada semana’ dizendo que ‘uma reunião por semana já era extremamente religioso’, de modo que ‘tal gente deve ser deveras estranha’. Jack nos contou isto, mas acrescentou: “Vocês são gente normalíssima, hospitaleira, e realmente se interessam por Debbie.” Ele retornou ao Centro com a recomendação de que se permitisse que Debbie passasse conosco todo o tempo em que nós quiséssemos tê-la conosco. Ela começou de imediato a assistir aos estudos dominicais da Sentinela.

      “Não Tenho Problemas”

      Uma das lições da Sentinela era sobre ‘lançar seus fardos sobre Jeová’. Depois disso, recapitulei com Debbie alguns dos pontos.

      “Quando temos problemas”, disse eu, “podemos sempre nos dirigir a Jeová Deus em oração, e conversar com ele a respeito dos mesmos. Nunca deveríamos hesitar em nos dirigir a Ele com quaisquer problemas que surjam em nossa vida.”

      Esta jovem, que gastara os 26 anos de sua vida em total escuridão e em total silêncio, respondeu: “Não tenho problemas.” Comparada com ela, sou eu que não tenho problemas!

      Em certa ocasião surgiu pequeno problema. Dirijo um estudo bíblico com Denise, uma adolescente que também assiste às reuniões no Salão do Reino. Ela estava designada a proferir um discurso de estudante, e eu repassava com ela suas anotações. Debbie colocou a mão sobre as anotações. Eu a removi, mas ela as cobriu de novo. Na terceira vez que isto aconteceu, eu retirei a mão dela e a segurei por breves instantes. Debbie me virou as costas. Depois de terminar de falar com Denise, voltei-me para Debbie. Ela retirou da bolsa uma velha carta de sua avó e me entregou para ler — eu já a tinha lido várias vezes para ela. Quando cheguei ao ponto em que sua avó lhe dizia que ela não precisava ser batizada de novo, porque já tinha sido batizada na igreja pentecostal Betânia quando era menininha, Debbie tirou a carta de mim. Ela me estava dizendo algo.

      “Então você não quer ser batizada como uma das Testemunhas de Jeová?”, perguntei.

      “Não.”

      “Você me disse antes que queria. Agora não quer mais?”

      “Não.”

      “Quando é que mudou de idéia?” Ela não respondeu.

      “Você quer ser pentecostal ou Testemunha de Jeová?”

      “Pentecostal.”

      “Ainda quer estudar a Bíblia comigo?”

      “Não.”

      “Quer que eu lhe apanhe na quinta-feira para irmos ao Salão do Reino?”

      Ela hesitou, mas finalmente disse: “Quero.”

      Compreendi qual era a questão. Ela estava com ciúme porque eu gastara tempo com Denise. Ela me queria ferir por rejeitar as Testemunhas. Deixei as coisas morrerem, mas as suscitei de novo em nosso próximo encontro. Ela não queria falar sobre o assunto.

      “Da última vez que conversamos”, eu disse, “você não queria mais ser Testemunha de Jeová. Falava sério?”

      “Não.”

      “Estava com raiva.”

      “Não!” Ela se mostrava inflexível. Não queria que eu pensasse que estava com raiva.

      “Estava, sim”, disse eu, “você estava com raiva. Isso é compreensível. Queria minha atenção. Mas era a vez de Denise. O fato de dar atenção a Denise não significa que não ame você. Compreende isto?”

      Ela não respondeu, e eu continuei:

      “É como a mãe que tem mais de um filho. Ela ama a todos os seus filhos, mas dá atenção a diferentes filhos em horas diferentes. No outro dia, era a vez de Denise. Agora é a sua vez. Se você vai ficar com raiva, fique com raiva de mim, mas nunca fique irada com Jeová ou com sua verdade. Às vezes eu fico com raiva. É uma fraqueza humana, e tentamos vencê-la.”

      Debbie entendeu o ponto. Ela nunca mais mostrou ciúme. Fiquei sabendo, em primeira mão, o que a avó dela, no estado de Washington, me disse numa carta: “Ela é uma moça muito feliz e estou certa de que notou isso, e muito raramente fica irada.” A avó de Debbie também proveu informações interessantes, como segue:

      “O filme ‘Um Dia com Debbie’ achava-se na biblioteca do Congresso. Foi feito como filme educativo, a fim de ajudar outros deficientes. Ela tinha, nessa época, de 8 a 9 anos. Ela tem comparecido a programas de TV, a classes universitárias e a muitos outros programas de grupo. Isto visava instilar nos pais o fato de que uma criança deficiente pode e deve ter oportunidades de ser educada e também de ter parte nas atividades comunitárias.”

      A carta que a avó dela me enviou termina mui cortesmente: “De novo quero agradecer-lhe, bem como a seu marido e seus amigos, por serem tão bondosos e amorosos para com nossa Debbie.” Eu apreciei muitíssimo a carta dela. Ela está interessada no bem-estar de Debbie. Quando comecei a estudar com Debbie, a avó dela verificou isso junto ao Centro. A assistente social lhe assegurou de que era bom para Debbie, que as Testemunhas de Jeová são “um grupo muito coeso que realmente se interessa por aqueles que estudam com eles”.

      Alegrias Partilhadas com Debbie

      Logo no início de meu relacionamento com Debbie, eu quis deixá-la bem à vontade comigo. Eu lhe disse: “Quero que você se sinta à vontade comigo. Não hesite em fazer quaisquer perguntas que deseje fazer.” Para minha surpresa e deleite, ela me correspondeu de imediato, “Podemos sair para comer pizza?” Ela gosta de comer em restaurantes, e se não é pizza, são hamburgos e batatas fritas. Ela me tem pedido para levá-la a nadar. Ela é engraçadinha no modo de fazer seus pedidos. Ao invés de perguntar diretamente, ela usualmente diz: “O que vai fazer sábado de manhã? De tarde? Sábado de noite? Domingo de tarde?” Ela vai a alguns bailes, possui um vibrador no braço que capta as vibrações, e, desta forma, aprecia a música.

      Outra alegria que partilhamos é falar a outros sobre o reino de Jeová. Depois de estudar a Bíblia por alguns meses, ela quis sair comigo no testemunho de porta em porta. Preparei breve mensagem escrita para ela apresentar aos moradores. Ela lhes diz que não vê nem ouve, mas gostaria que considerassem o seguinte texto — eu então leio o texto e segue-se uma palestra. Debbie conhece a importância de partilhar este conhecimento com outros, e deseja fazer sua parte. Depois da primeira vez em que saiu de porta em porta comigo, ela disse: “Quando é que poderei dirigir um estudo bíblico com alguém? Quero ensinar a Bíblia às pessoas.” Por meio de Debbie e de sua assistente social, todos os do Centro Nacional Helen Keller sabem sobre a obra das Testemunhas de Jeová.

      Quando eu e meu marido a levamos a sede mundial da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Brooklyn, ela mostrou interesse em tocar nas coisas. Em geral, tentáramos fazer com que ela tocasse nos objetos, pensando que isto a ajudaria a aprender como são. Mas, estranhamente, ela reluta em fazer isto. No entanto, quando excursionava pela gráfica, ela queria tocar em tudo — no papel, na tela, na cola flexível, na maquinaria. Sob cuidadosa supervisão, ela até mesmo sentiu as vibrações das grandes rotativas, ao produzirem milhares de livros ou revistas.

      Nossa maior alegria partilhada com Debbie veio no Congresso Internacional “Fé Vitoriosa”, realizado em julho no Estádio Shea, em Nova Iorque. Ali, diante de 55.000 congressistas, Debbie, junto com outras 486 pessoas, simbolizou sua dedicação a Jeová Deus pela imersão em água! O evento foi televisionado no telejornal daquela noite.

      A Suprema Alergia Adiante

      Debbie aguarda ansiosamente o tempo, na terra paradísica de Jeová, quando ela verá e ouvirá como as demais pessoas. Imagine sua emoção quando abrir pela primeira vez os olhos e vir montanhas, florestas, rios borbulhantes e oceanos encapelados, flores e aves, e animais graciosos, homens e mulheres — bem como a si mesma! Espero ter o privilégio de estar ali para ver isto, e ver sua admiração e surpresa ao ouvir o canto dum tordo-dos-remédios, o som do vento, o zumbido dos insetos, o estrondo duma queda-d’água, as vozes humanas — inclusive a sua própria! Tendemos a considerar tudo isso como corriqueiro. Debbie Curry não o fará. Apreciamos plenamente nossos olhos e ouvidos? Debbie Curry os apreciará.

      Às vezes é cansativo trabalhar por horas a fio com Debbie, mas vale a pena todo esforço quando ela diz: “Orei a Jeová, à noite passada, para obter forças”, ou quando ela sorri e literalmente tirita de felicidade por causa de uma coisinha qualquer, ou quando ela pára, no meio de seu estudo bíblico, para me abraçar e dizer: “Eu gosto tanto do meu estudo bíblico.” Na verdade, em meus 40 anos como Testemunha este tem sido meu maior privilégio que já tive em dar!

  • Nichos sepulcrais para os mortos
    Despertai! — 1979 | 8 de julho
    • Nichos sepulcrais para os mortos

      O costume de dispor dos mortos humanos por meio duma cerimônia é universal. Mas o modo em que se cuida dos restos mortais varia. O que é bem comum para pessoas em uma parte do mundo é incomum para pessoas que vivem em outras partes. Um caso em pauta são os nichos sepulcrais para os mortos, encontrados no Havaí e na América Latina.

      Na América Latina é costumeiro fazer escorregar um caixão por um longo buraco, semelhante a um túnel, numa parede, empilhar tijolos em frente do caixão e então selar a abertura com argamassa fresca. Para identificar o morto, coloca-se uma plaqueta sobre a abertura já fechada, em cuja base há uma bandeja para se colocarem flores frescas. Os próprios muros de sepultamento podem ter muitos metros de comprimento, e serem bastante largos a ponto de caberem dois caixões no mesmo nível. Até oito caixões podem ser empilhados verticalmente.

      No Cemitério Universal de Barranquilha, Colômbia, há três classes de nichos — uma para os ricos, outra para a classe média e uma terceira para trabalhadores comuns. Com a exceção dos ricos, que possuem seus próprios sepulcros, a maioria das pessoas paga um aluguel durante alguns anos. Daí, compram um nicho em outra estrutura vertical, em que os restos são guardados num pequeno receptáculo de metal do dobro do tamanho duma caixa de sapatos. Novamente, os restos são identificados por meio duma plaqueta.

      É digno de nota que as Escrituras não prescrevam o proceder a ser seguido ao se cuidar dos restos dos mortos, visto que isto nada tem que ver com eles serem trazidos de volta à vida pela ressurreição. De máxima importância é edificar um excelente nome ou reputação perante Jeová Deus durante o período de vida da pessoa, de modo que Ele a considere digna de ser levantada dentre os mortos. — Ecl. 7:1; Atos 24:15.

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