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Como retribuiremos a Jeová?A Sentinela — 1988 | 1.° de dezembro
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desejava promover a verdade com os seus bens.” Também nos agrada ouvir de jovens desejosos de usar seus bens materiais em favor da obra de Jeová. Certa carta recebida na sede da Sociedade na Inglaterra veio duma publicadora em idade escolar. Ela conta que tirou o primeiro lugar num concurso de redação. Enviou o inteiro valor do prêmio em dinheiro. As publicações da Sociedade foram a única fonte de matéria para a sua redação sobre “Compromisso Cristão”, assim, ela achou que o dinheiro pertencia de direito a Jeová.
Depois de indagar o que retribuiria a Jeová, o escritor do Salmo 116 continua, nos Sal. 116 versículos 13 e 14: “Levantarei o copo da grandiosa salvação e invocarei o nome de Jeová. Pagarei meus votos a Jeová, sim, diante de todo o seu povo.” Apreciando essa preciosa dádiva de salvação da parte de Jeová por meio de seu Filho, sentimo-nos movidos, como o salmista, a invocá-Lo e a cumprir as nossas promessas para com Ele.
Jeová nos tem beneficiado tanto que, o que quer que possamos fazer em troca parece pouco em comparação. Portanto, quão apropriado é que, como expressão de gratidão, façamos tudo ao nosso alcance, em todos os sentidos! “Oferecer-te-ei o sacrifício de agradecimento e invocarei o nome de Jeová.” — Salmo 116:17.
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Recorremos à fonte da verdadeira justiçaA Sentinela — 1988 | 1.° de dezembro
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Recorremos à fonte da verdadeira justiça
Conforme narrado por Erwin Grosse
NÃO muitos anos atrás, o raiar do dia me apanhava nos portões de um enorme estaleiro em Kiel, Alemanha, distribuindo panfletos e vendendo Rote Fahne, a revista do KPD/ML.a Ao mesmo tempo, eu tentava atrair trabalhadores e aprendizes para debates. Era uma tarefa ingrata tentar convencê-los de minhas opiniões comunistas.
Contudo, eu não desanimava. Eu descobrira um objetivo na vida: ajudar a implantar condições justas por meio de uma revolução mundial. Como cheguei a ter esse ponto de vista? Satisfaria tal objetivo na vida a minha fome de justiça?
À Procura da Justiça
O estilo de vida de meus pais era dedicar-se integralmente à prosperidade material, e isso de modo algum me atraía. Nós, jovens, procurávamos algo melhor. Experimentavam-se novos estilos de vida e proclamavam-se novos objetivos na vida. Naquele tempo, a Guerra do Vietnã e os protestos estudantis faziam as manchetes. Parecia-nos que pessoas inocentes estavam pagando com a vida pela megalomania de políticos e capitalistas. Essa situação pesava na minha mente, e passei a odiar o sistema capitalista.
Também virei as costas para a religião convencional. Uma experiência que tive ao servir no exército alemão ocidental ajudou-me a tomar essa decisão. As manobras militares que fazíamos foram interrompidas para um culto religioso, e os soldados foram divididos em grupos católico e protestante. Ao final do culto, os clérigos de ambas as denominações abençoaram a pesada artilharia! Fiquei chocado. Não foram essas armas fabricadas para matar? E, ao aprender religião na escola não me fora ensinado: “Não matarás”? — Êxodo 20:13, Almeida.
Eu achava que Karl Marx tinha razão ao chamar a religião de “ópio do povo”, porque ela deixava as pessoas sem ação diante dos interesses do capitalismo. Assim, depois de dar baixa no exército, demiti-me da igreja e tomei lições de marxismo-leninismo. Li também as obras de Mao Tse-Tung. Tudo isso fortaleceu a minha convicção de que apenas a revolução mundial poderia erradicar o mal. Somente assim, pensava eu, poderia surgir uma nova sociedade humana caracterizada pela justiça.
O KPD/ML treinou-me para atrair trabalhadores aos ensinamentos de Lênine e oferecer-lhes panfletos e a Rote Fahne. Eu também carregava faixas e dirigia carros com alto-falantes em manifestações. Não obstante, eu era tido apenas como simpatizante do partido. Antes de o comitê central me admitir como membro eu teria de mostrar que o merecia, por servir ao partido por algum tempo e apoiá-lo financeiramente.
Diferente na Prática — Amargo Desapontamento!
Eu era formado como engenheiro desenhista, mas meu interesse maior era na arte de pintores socialistas, e eu desejava ser tão criativo como eles. Assim, tentei uma vaga na Escola de Artes de Berlim Ocidental. Fui aceito, e comecei a estudar arte em fevereiro de 1972.
Contatei o partido localmente e logo estava de novo postado na frente de portões de fábricas vendendo Rote Fahne. Eu também desenhava cartazes e pintava retratos de Marx, Engels, Lênine e Mao Tse-Tung em bandeiras vermelhas.
Eu estava decidido a nunca me casar — isto é, até que conheci Linda. Descobri que ela possuía uma rara qualidade, a fidelidade, e isso me fez mudar de idéia. Cinco meses depois estávamos casados, iniciando o que veio a ser um casamento harmonioso.
Antes, eu morara com um grupo de jovens que tinham variados conceitos esquerdistas. Dialogávamos sobre uma ampla gama de assuntos, mas havia também fricção e animosidade. Mais ou menos o mesmo acontecia nos diferentes partidos comunistas. Cada qual sustentava que os outros haviam desvirtuado o ideal comunista e deveriam juntar-se ao “verdadeiro” partido. Traçavam-se linhas de batalha!
No meu próprio partido, as lutas entre as alas esquerda e direita eram comuns. Membros proeminentes tentavam derrubar uns aos outros. Cansei-me das lutas e insultos, o que fez com que eu gradativamente cortasse todas as ligações com o partido. Não via sentido em envolver-me em algo que na realidade não poderia trazer mudança alguma. O ideal comunista se mostrara inatingível na prática! Mas, no coração eu continuava marxista.
Linda Fala-me Sobre Deus
Certa noite, ao irmos de carro de Kiel para Berlim, Linda disse algo que me chocou. Ela disse: “Estou convencida de que existe um Deus, e, bem lá no fundo, eu creio nele.” Esta era a última coisa que eu esperava ouvir! Linda havia apoiado os meus ideais marxistas.
Seguiu-se uma acesa discussão sobre materialismo dialético e marxismo. O marxismo apresenta a tese de que o homem deriva a inteireza de sua vida espiritual, intelectual e moral de sua ambiência social. Como conseqüência, o “novo” homem emerge como resultado da educação na ideologia comunista e por uma mudança positiva na ambiência. Linda, contudo, era técnica de laboratório formada e sabia melhor! Ela pôde provar que o comportamento do homem é também influenciado por sua formação genética. Interrompemos a nossa discussão para evitar uma altercação.
Numa outra viagem, Linda novamente sentiu desejo de falar-me sobre Deus. Ao meu ver, a teoria da evolução confirmava que tudo teve sua origem em coisas materiais e era o resultado de mero acaso. Linda evocou os princípios da termodinâmica, a lei da inércia e outras leis físicas para provar que deve existir um originador inteligente da vida. Eu fiquei com as minhas opiniões. No entanto, a minha filosofia de vida e os meus ideais já estavam em frangalhos!
Passou-se um ano. Certo domingo de manhã Linda de repente apanhou um livro grosso e passou a ler um trecho dele para mim. Falava de certo homem que cortara uma árvore, usara metade dela para fazer um ídolo sem vida e, daí, lhe implorava: “Livra-me.” Esta notável descrição de religião impressionou-me muito. Imagine minha surpresa ao saber que isso vinha da Bíblia. — Isaías 44:14-20.
Pedi à minha esposa que me falasse mais a respeito. Ela fez isso por cinco horas — começando com a queda do homem no Éden e terminando com a restauração do Paraíso descrita no livro de Revelação (Apocalipse). Linda ficou totalmente exausta, mas para mim, parecia que me haviam tirado um véu dos olhos, e que pela primeira vez na vida eu podia enxergar com clareza. Naturalmente, eu queria saber onde Linda aprendera tudo isso. Ela me disse que aos 14 anos de idade ela estudara a Bíblia com as Testemunhas de Jeová em Berlim, e que chegara até mesmo a ser batizada. Aos 18 anos teve de se mudar para bem longe por causa do emprego e, infelizmente, abandonou o caminho da verdade. Daí, ao voltar a Berlim, ela se envolvera em política esquerdista. A felicidade que ela sentia no casamento moveu-a a buscar novamente a Deus. Mas, será que ele perdoaria os seus erros? Ela sabia que a única maneira de preservar a nossa vida e a felicidade no casamento era retornar a Deus com arrependimento. Mas, eu ainda não havia chegado a esse ponto. Eu precisava de mais tempo.
Virada na Direção Certa
Certa tardinha de verão nós contemplávamos um dourado pôr-do-sol sobre a cidade. Linda disse: “Talvez possamos usufruir tais coisas por algum tempo, Erwin. Mas, será que Deus nos manterá vivos quando agir? Que razão estamos-lhe dando para que faça isso?” Isto me fez cair em mim. Eu havia aprendido algo sobre Jeová, mas naturalmente não o suficiente. Assim, decidi definitivamente recorrer a ele. Pouco depois, estávamos num mercado e avistamos uma senhora idosa numa cadeira de rodas segurando A Sentinela. Pedimos a ela que nos desse o horário das reuniões no Salão do Reino local, e os olhos dela começaram a brilhar. Ela segurou as nossas mãos e disse repetidas vezes: “Estou muito contente que pessoas jovens como vocês querem conhecer a Bíblia.” Tomada de alegria, ela sentou-se ereta na cadeira de rodas e abraçou Linda. Adquirimos algumas revistas e prometemos ir à próxima reunião.
Chegamos pouco antes de esta começar. Eu usava cabelo comprido e barba, e vestia uma calça jeans e camiseta. Linda usava um vestido de casamento azul-marinho usado por sua tia 30 anos antes. Vi um homem de paletó e gravata em pé na entrada, e pensei: ‘Um tremendo quadradão! Que começo!’ Mas, ele foi amistoso, e disse: “Estávamos à sua espera.” Fui colhido de surpresa, mas disse-lhe: “Gostaríamos de ter um estudo bíblico.” Mesmo isso não o surpreendeu. “Já está providenciado”, respondeu. Um pouquinho irritados, entramos.
Durante a reunião, várias vezes parecia-me que o orador falava pessoalmente a mim. E alguns na congregação ficaram surpresos quando Linda apanhou A Sentinela que havia preparado antecipadamente para o estudo. Depois das duas horas de reunião, a irmã idosa veio e nos abraçou, com o rosto radiante de alegria. Era ela quem espalhara a notícia sobre a nossa vinda. Providenciou-se um estudo regular da Bíblia com o irmão que nos dera as boas-vindas, e, nove meses depois, em 4 de abril de 1976, simbolizei minha dedicação a Jeová pela imersão em água.
Quão feliz me sentia de ter conhecido Aquele que prometeu: “Eis que faço novas todas as coisas”! (Revelação 21:5) E como é que o Criador produzirá a verdadeira justiça? Provérbios 2:21, 22 responde: “Pois os retos são os que residirão na terra e os inculpes são os que remanescerão nela. Quanto aos iníquos, serão decepados da própria terra; e quanto aos traiçoeiros, serão arrancados dela.” Ao passo que antes eu me postava com Rote Fahne em frente a portões de fábrica, agora me postava aos sábados na Rua Karl Marx, em Berlim-Neukölln, com A Sentinela. Agora podia falar sobre algo que nenhum sistema criado pelo homem pode oferecer: a vida eterna. (João 17:3) Eu aprendi que “os retos” estão sendo agora mesmo treinados para se revestirem da “nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada”. (Colossenses 3:10) Esta educação para um novo mundo não falhará!
Quanto a Linda, ela estava agora determinada a nunca mais se desviar da Fonte da verdadeira justiça. Peter e Reni, que nos ensinaram os caminhos de Jeová, discerniram o que ela precisava espiritualmente e ajudaram-na a fazer progresso.
Novos Objetivos no Caminho da Justiça
Na Escola de Artes, havia franca desaprovação das crenças que eu agora tão zelosamente defendia. Meu professor, um renomado pintor, disse que eu teria de decidir entre a arte e a minha nova fé. Assim, parei de pintar e procurei um serviço que nos ajudasse a atingir o nosso novo objetivo: o serviço de pioneiro. Com isso em mente, eu e Linda repetidas vezes mencionamos esse nosso desejo a Jeová em oração. Enviamos as nossas petições meio ano antes da planejada data para começar, 1.º de setembro de 1977.
Bem, não foi fácil, mas, com a ajuda de Jeová, atingimos o nosso objetivo. No ínterim, desde 1.º de janeiro de 1985, eu e Linda servimos como pioneiros especiais — assim, mais um desejo ardente se tornou realidade. Usar toda a nossa energia em ajudar pessoas a aprender o caminho da verdadeira justiça nos gratifica muito. E que dizer de meu anseio de justiça? Foi satisfeito? Foi. Hoje eu conheço o verdadeiro significado das palavras de Jesus em Mateus 5:6: “Felizes os famintos e sedentos da justiça, porque serão saciados.”
[Nota(s) de rodapé]
a Kommunistische Partei Deutschlands/Marxisten-Leninisten (Partido Comunista Alemão/Marxista-Leninista).
[Foto de Erwin Grosse na página 31]
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