-
Pode demonstrar mais benevolência?Despertai! — 1977 | 8 de agosto
-
-
Pode demonstrar mais benevolência?
UMA enfermeira de 22 anos caiu nas águas do Lago Michigan. Ao lutar para escapar, um senhor idoso tentou socorrê-la, mas não conseguiu agarrá-la. Pediu a outro homem que o ajudasse, mas este continuou passando, recusando-se a ajudar de qualquer modo. A enfermeira se afogou.
Um grupo de estudantes de teologia foi designado a gravar em fita magnética breves discursos sobre vários assuntos. A caminho de sua sessão de gravação, os estudantes encontraram uma pessoa tombada no vão duma porta, tossindo e gemendo. Sem que os estudantes soubessem, contudo, a “vítima” fazia parte da experiência. Qual foi o resultado? Sessenta por cento dos estudantes passaram correndo para gravar seus discursos, alguns dos quais se referiam à parábola do “Bom Samaritano” de Jesus. — Luc. 10:29-36.
Já esteve seriamente precisando de ajuda, vindo porém a ser ignorado pelos transeuntes? Tal experiência se torna cada vez mais comum, hoje em dia. Segundo o psiquiatra Daniel X. Freedman, tal comportamento reflete “a falta de comunhão em nossa sociedade, a falta de confiança e crédito, e a falta de se saber como se comportar”.
Quão revigorante seria viver num mundo em que as pessoas considerassem o bem-estar de seu próximo como sendo mais importante do que o delas próprias! Mas, será isso possível? Sim, é. Primeiro, porém, as pessoas têm de aprender a “se comportar”, para usarmos as palavras do Dr. Freedman. Neste respeito, a Bíblia, que fornece o conselho mais excelente sobre as relações humanas, sublinha importante qualidade. Como assim?
Em Provérbios 19:22, lemos: “A coisa desejável no homem terreno é a sua benevolência.” A qualidade da benevolência é uma necessidade para se obter a aprovação de Deus. — Pro. 3:3, 4.
Que querem dizer as Escrituras com benevolência? Será prática esta qualidade num mundo tão repleto de hostilidade?
A palavra hebraica traduzida benevolência é hhesedh, que significa mais do que a simples bondade que emana do amor ou da afeição. Trata-se de bondade que amorosamente se liga a pessoas, tornando-se evidente por contínuos atos de bondade. O perito judeu, Samson Raphael Hirsch, observa em seus comentários sobre Gênesis: “O que [o amor] é em sentimentos, hhesedh é em ações, amor traduzido em ações.” O Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento) indica que tal palavra subentende um relacionamento anterior entre as pessoas. Esta obra de referências afirma quanto a hhesedh:
“É a atitude que uma pessoa espera da outra neste relacionamento, e à qual está comprometido em relação a ela. Assim, o relacionamento de mútua hhésedh surge entre parentes e amigos, anfitriões e convidados, amos e súditos, ou outros em relação pactuada. Hhésedh não é, primariamente, uma disposição, mas uma ação prestimosa que corresponde Q um relacionamento de confiança.”
Um ato de benevolência, portanto, é evidência de lealdade a um relacionamento adrede estabelecido. Com efeito, uma tradução alternativa desta palavra hebraica é “amor leal”. Gostaria de melhorar em demonstrar tal qualidade? Como poderá fazê-lo? Consideremos sucintamente algumas áreas em que se podem fazer melhoras.
Tem hábitos pessoais que sabe que desagradam aos membros de sua família ou a outros com os quais se associa regularmente? Se tiver, que deve fazer? Adota o ponto de vista: “Farei o que quiser. Não me importo com que os outros pensem”?
A benevolência exige diferente atitude. À guisa de ilustração: Embora indicasse que todos os tipos de carne e de bebidas alcoólicas usadas com moderação são permissíveis aos cristãos, o apóstolo Paulo escreveu: ”É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer algo que faça teu irmão tropeçar.” (Rom. 14:21) Naturalmente, isto não significa tentar agradar pessoas que são queixosos crônicos. No entanto, se ficar cônscio de que alguns de seus hábitos pessoais incomodam a consciência de outros, não seriam as mudanças que fizesse um ato de benevolência?
Inversamente, será que seu problema talvez é o de ser sensível demais, ficando facilmente ofendido? Quando ferido por alguém, sente o impulso de retaliar, ou a tendência de ‘fechar-se’, recusando-se a falar com a pessoa durante considerável período? Se sentir isso, há necessidade de aplicar a benevolência em sentido especial. Como ajuda neste sentido, a Bíblia delineia o perfeito exemplo do próprio Deus, afirmando: “Tu, porém, és um Deus de atos de perdão, clemente e misericordioso, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência.” (Nee. 9:17) Se Deus, que jamais ofende a ninguém, perdoa liberalmente os atos ofensivos de outros, quanto mais deviam fazê-lo os humanos imperfeitos!
Uma coisa que o ajudará a ser perdoador é compreender quão freqüentemente ofendeu outros. Sabiamente, a Palavra de Deus aconselha: “Não entregues teu coração a todas as palavras que se falam, para que não ouças teu servo invocar o mal sobre ti. Pois o teu [próprio] coração bem sabe, até muitas vezes, que tu, sim tu, tens invocado o mal sobre outros.” — Ecl. 7:21, 22.
A benevolência envolve também aspectos positivos. Exemplificando: Como reage quando alguém sofre necessidade? É como o sacerdote e o levita da parábola do amigável samaritano, de Jesus? Ambos passaram ao largo, ignorando a sorte do compatriota judeu que fora atacado e espancado por salteadores, a ponto de ficar inerme. Foi um homem dum povo desprezado pelos judeus, um samaritano, que ajudou a infeliz vítima. Sem considerar a animosidade entre os dois povos, este samaritano obviamente sentiu-se relacionado ao judeu afligido como concriatura humana. O samaritano deu evidência disso por ações de benevolência. (Luc. 10:29-37) Como reage quando vê alguém aflito?
Pode ter certeza de que tais atos benévolos não animarão simplesmente a outros a aproveitar-se do leitor? Infelizmente, isso talvez aconteça, às vezes. Mas, não é assim que as pessoas normalmente reagem a ações bondosas. Por exemplo, Jesus garantiu: “Praticai o dar e da-vos-ão. Derramarão em vosso regaço uma medida excelente, recalcada, sacudida e trasbordante. Pois, com a medida com que medis, medirão a vós em troca.” (Luc. 6:38) Assim, dá-se que “o homem de benevolência age de modo recompensador com a sua própria alma”. (Pro. 11:17) Milhões de pessoas que crêem na Bíblia podem testificar a veracidade destas declarações bíblicas.
Como pode o leitor demonstrar mais benevolência? O primeiro passo é aumentar seu conhecimento dos ensinos bíblicos. Deste modo, aprenderá qual é o ponto de vista de Deus sobre as ações que constituem verdadeira expressão de benevolência. A associação regular com pessoas que aplicam os princípios bíblicos em sua vida também é importante. Vale a pena desenvolver esta qualidade piedosa, pois a benevolência adornará sua vida de felicidade e bênçãos contínuas.
-
-
Para onde vão as OlimpíadasDespertai! — 1977 | 8 de agosto
-
-
Para onde vão as Olimpíadas
Do correspondente de “Despertai!” no Canadá
OS PRÓXIMOS Jogos Olímpicos estão programados para Moscou, no verão setentrional de 1980. No entanto, num sentido diferente, muitos ficam pensando para onde vão os Jogos. As pessoas perguntam se este evento esportivo poderá sobreviver em sua forma atual.
Por que isto acontece? Por várias razões. Uma delas tem que ver com o âmbito ampliado dos Jogos. Com o decorrer dos anos, muitos novos eventos foram acrescentados. Mais países e atletas do que nunca estão envolvidos. Por causa disso, exigem-se cada vez maiores instalações para a realização de todos os eventos e para o alojamento de milhares de participantes, de repórteres e de assistentes. Torna-se impraticável que qualquer nação, exceto as mais ricas, patrocine os Jogos em sua forma atual.
Outra razão tem que ver com a política. As diferenças que os países têm com outros são refletidos nos Jogos Olímpicos. Quando os antagonismos são bastante profundos, algumas nações até mesmo boicotam o evento.
As animosidade causa das pelo extremo nacionalismo sempre existem. Cada país tenta ganhar tantas medalhas quantas for possível, quase a qualquer custo para o atleta. Vários países dispõem de amplos programas esportivos, que começam na infância, destinados a produzir ‘super atletas’, primariamente para obter prestígio nacional. Algumas rivalidades beiram quase a uma guerra, em especial entre várias nações comunistas e ocidentais.
Daí, há as rivalidades pessoais. Os atletas ficam submetidos a intensa pressão pessoal e nacional para vencer, e, não raro, sentem profundo antagonismo para com os outros atletas. Alguns tapeiam ou tomam drogas para obter vantagens.
Todos esses problemas, e outros, vieram
-