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    A Sentinela — 1960 | 15 de dezembro
    • A força da benignidade

      “Continuai a amar os vossos inimigos e a fazer o bem e a emprestar sem juros, sem esperar nada de volta, e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é benigno para com os ingratos e iníquos. Continuai a tornar-nos compassivos, assim como vosso Pai é compassivo.” — Luc. 6:35, 36, NM; Al.

      1. Por que e de que modo é a benignidade uma força?

      A BENIGNIDADE é uma força porque se origina de Jeová, o Deus Altíssimo, o grande Dador de “toda boa dádiva e todo presente perfeito”. Dando o supremo exemplo, Jeová mostra benignidade para com todos, até mesmo “para com os ingratos e iníquos”. Visto que a benignidade ajuda o cristão a ser semelhante a seu Pai nos céus, ela é uma força recompensadora. Quão grande é a recompensa de ser filho do Altíssimo! Deveras é conforme disse Jesus: “Grande será a vossa recompensa.” Estas palavras nos fazem lembrar a regra divina declarada há muito a respeito da força da benignidade: “O homem benigno faz bem à sua própria alma.” A pessoa benigna talvez pense que está desperdiçando a sua benignidade; em realidade, ela volta para recompensar aquele que ama e pratica a benignidade por querer ser igual a seu Pai no céu. — Tia. 1:17; Luc. 6:35, NM; Pro. 11:17, Al.

      2, 3. (a) Em que falham os escritos mundanos sobre a benignidade, e com que resultados? (b) Qual é o motivo correto para se mostrar benignidade?

      2 Os livros do mundo nos relatam muito sobre as recompensas da benignidade; é uma qualidade louvada pelos filósofos e escritores sobre as maneiras de comportar-se, a etiqueta e o encanto. Mas, os que se estribam nestas obras mundanas não produzem os frutos do espírito de Deus, e a sua aparência altamente aprimorada de cortesia e apuro encobre muitas vezes corações inteiramente antagônicos ao espírito de Deus. O que está errado? Faltam a cordialidade e o amor, porque Jeová e a sua vontade são deixados fora da questão.

      3 Visto que Jeová está sendo excluído destas considerações mundanas sobre a bondade, não é de admirar-se que alguns usem a benignidade para beneficiar a si próprios dum modo egotista. Paes mostram benignidade, mas esperam receber algo em troca. Usam a benignidade como o dinheiro — para comprar o que querem. Seu motivo está errado. Quando o cristão manifesta a sua benignidade de modo prático, ele não ‘espera nada de volta’. É bondoso porque ama o seu Pai celestial. Quando amamos a alguém, ficamos muitas vezes surpresos de ver como imitamos, aparentemente sem esforço, algumas das boas tendências e qualidades da pessoa amada. Quanto nos deve então estimular o alvor a cultivar propositadamente as qualidades que destacam a Jeová Deus! ‘Tornai-vos imitadores de Deus’ é a ordem divina. Somente por sermos imitadores de Deus podemos provar ser filhos do Altíssimo. A benignidade ajuda o cristão a imitar seu Pai que está no céu. — Efé. 5:1.

      4. Explique como se mostra benignidade.

      4 Como se manifesta a benignidade? De muitos modos: Por se estar disposto a fazer o bem a todos os homens, por ser misericordioso, por ser compassivo, por ser benevolente, por ser paciente, por ser amigável, por ser hospitaleiro, por ser generoso, por mostrar consideração, por ser gentil e por ser obsequioso. A benignidade se arraiga no amor. Paulo disse: “O amor é paciente, é benigno.” (1 Cor. 13:4, ARA) Ou, como o expressa a Tradução do Novo Mundo: “O amor é longânimo e obsequioso.” Além de amistosa e cortês, a benignidade é obsequiosa, sim, está disposta a dar-se o trabalho de ajudar outros tanto no temporal como no espiritual.

      UM REQUISITO DIVINO

      5, 6. Apresente razões mostrando por que praticar a benignidade é um requisito divino.

      5 A benignidade está ‘intimamente relacionada com o amor, nas Escrituras. Esta benignidade vem do amor, a espécie de amor que é firme e leal. A pessoa que tem tal espécie de benignidade mostra que reside nela o espírito santo, pois os frutos do espírito de Deus incluem “amor, gôzo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, autocontrole”. O espírito de Deus transforma a pessoa, capacitando-a a revistir-se da “nova personalidade” exigida dos verdadeiros cristãos: “Revesti-vos das ternas afeições da compaixão, benignidade, humildade da mente, mansidão e longanimidade.” Por isso, a benignidade é tanto uma evidência convincente do amor cristão como um requisito divino. — Gál. 5:22, 23; Col. 3:12, NM; NTR.

      6 Através de todas as Escrituras há abundante testemunho de que Jeová exige o amor da benignidade da parte de todos os que querem obter a sua aprovação: “Ele te tem mostrado, ó homem, o que é bom; e o que é que Jeová exige de ti senão que procedas com justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Não é estranho que Jeová exija de nós que amemos a benignidade. Quantas vezes louvam os escritores inspirados a benignidade amorosa de Deus! Quanto devemos reconhecer esta qualidade do Pai celeste! “Quão preciosa é a tua benignidade, ó Deus!” Jeová exige corretamente esta qualidade no homem: “O que faz um homem desejável, é a sua benignidade.” Não podemos agradar a Deus só com sacrifícios. Jeová disse por meio do profeta Oséias: “Quero benignidade, e não sacrifícios.” Poderiam ser grandes os sacrifícios feitos pelo cristão no serviço de Deus, contudo, sem benignidade amorosa não poderia provar ser filho do Altíssimo. Isto é algo para ponderar: que Jeová tem colocado a benignidade amorosa nesta posição destacada. Sem a motivação e a manifestação do amor, não se pode receber a recompensa de Deus, não importa quão grande o sacrifício: “Se eu der todos os meus bens para o sustento de outros, e se eu entregar meu corpo, para que possa vangloriar-me, mas não tiver amor, isso de nada me aproveita.” — Miq. 6:8, NA; Sal. 36:7; Pro. 19:22; Osé. 6:6, NA margem; 1 Cor. 13:3, NM.

      7. O que, principalmente, espera o Pai celestial do homem?

      7 Quão claro se torna que os motivos do homem e as qualidades do seu coração significam mais para Jeová Deus do que a capacidade cerebral. Se Jeová Ativesse principalmente interessado na capacidade cerebral, ele teria escolhido os sábios e intelectuais do mundo para cumprir a grande obra de pregar as boas novas do Reino em toda a terra. Mas, ele não deu seu espírito aos orgulhosos e sábios deste mundo; o apóstolo diz “não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; . . . a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.” Quem procura ser semelhante ao seu Pai celestial é o que pode ser usado por Deus e cuja ‘recompensa será grande’. — 1 Cor. 1:26-29, ARA.

      8. Que recompensa na vida diária traz a prática da benignidade?

      8 Muitas já são agora as recompensas por praticarmos a benignidade. Ela é uma força que nos ajuda a fazer o que é direito, em todos os assuntos da vida. O uso de tato, por exemplo, pode ser melhor entendido quando reconhecemos que se baseia na benignidade. Se fizermos o que é bondoso, verificaremos que estamos fazendo uso do tato. Quão desnecessárias são muitas das regras de etiqueta, semelhantes a um talmude, pois a base das boas maneiras é a benignidade! A cortesia pode ser definida como sendo benignidade em coisas pequenas. A benignidade é expressa tanto pela linguagem como pelos atos. Talvez pareça coisa de somenos importância dizer “por favor”, mas quando isso reflete benignidade amorosa em vez de etiqueta fria, tem um grande significado. Não podemos imaginar que Abraão, Lot e Jeová usaram esta expressão por mera formalidade. — Gên. 12:11-13; 19:1, 2, 18-20; 15:5; 22:1, 2, NM.

      9. Como ajuda a benignidade em seguir a paz?

      9 A benignidade é uma força porque ajuda os cristãos a seguir a paz e a manter a harmonia. Ela afugenta os mal-entendidos e prepara o caminho para o perdão. Na arte difícil da comunicação, nem sempre se expressam os pensamentos com a desejada exatidão; podem ocorrer mal-entendidos. É nisso que a benignidade vem em auxílio e preserva a paz. Por meio da paciência e da benignidade é fácil chegar à conclusão certa; é fácil perdoar à pessoa bondosa. Mesmo quando tratados com grosseria, a nossa própria benignidade tira a força da grosseria. A benignidade ajuda a todos a viver segundo o conselho do apóstolo: “Continuai a suportar-vos uns aos outros e a perdoar-vos uns aos outros livremente, se alguém tiver razão de queixa contra outro.” — Col. 3:13, NM.

      10. Pela aplicação de que principio bíblico se pode resolver problemas?

      10 A benignidade soluciona problemas. Quando confrontado por uma situação que talvez não seja diretamente abrangida pelas Escrituras, o cristão procura um princípio que lhe ajudará a solucionar o assunto. Ele o encontra em Efésios 4:32: “Sede uns para com os outros benignos.” (ARA) Portanto, quando surge a pergunta: ‘Que devo fazer?’ o proceder está claro: Faça a coisa benigna, bondosa, pois isto é o certo.

      A BENIGNIDADE NÃO É FRAQUEZA

      11. Que conceito errôneo se forma da benignidade, e por que não é fraqueza a benignidade?

      11 A fim de ser uma força a favor do que é direito, tanto aos olhos dos homens como aos olhos de Deus, a benignidade não pode ter fraqueza. É um erro imaginar que a benignidade é uma espécie de despreocupação que admite práticas ou condições erradas na congregação cristã. O superintendente cristão não pode concordar com o que é biblicamente errado, com o pensamento errado de que está sendo benigno. A benignidade não fecha os olhos ao mal, nem ao que está fora da harmonia com a vontade de Deus. Os pais não são realmente bondosos quando permitem que seus filhos façam o que bem entendem. A benignidade mal aplicada tem resultado em muita delinqüência juvenil. Numa congregação cristã pode surgir a delinqüência espiritual quando o superintendente considera a benignidade como falta de firmeza. A verdadeira benignidade é firme a favor do que está certo aos olhos de Deus; insiste na obediência aos mandamentos de Deus. A verdadeira benignidade não conduz à falta de respeito, induzindo outros a se aproveitar indevidamente duma pessoa. O Senhor Jesus Cristo exemplificou a perfeita harmonia entre a benignidade e a firmeza.

      12. O que se diz sobre a benignidade de Jesus Cristo?

      12 Houve jamais outro homem que tenha sido tão benigno como o Senhor Jesus? Sendo imitador de seu Pai no céu, ele deu o perfeito exemplo aos seus seguidores. Os reis e governantes deste mundo são raras vezes acessíveis; de qualquer modo, estão ocupados demais. Mas o Filho de Deus foi sempre acessível e nunca estava ocupado demais para ajudar os outros tanto de modo material como espiritual. Quanta compaixão ele demonstrou! Ao ver as multidões de pessoas, “sentiu terna afeição por elas, porque estavam sendo abusadas e maltratadas como ovelhas sem pastor”. Pessoas de todas as rodas da vida sentiam-se à vontade para se dirigir a Jesus. Os pais não hesitavam em trazer-lhe seus filhos: “As pessoas começaram a trazer-lhe pequenas crianças para que as tocasse; mas os discípulos as repreendiam. Ao ver isto, Jesus ficou indignado e lhes disse: ‘Deixai que venham a mim as pequenas crianças, não tenteis impedi-las, pois o reino de Deus pertence a tal espécie de pessoas: E ele tomou nos braços as crianças e começou a abençoá-las, impondo-lhes as mãos.” Benigno em todos os respeitos, Jesus ainda assim era firme quanto ao que era direito. — Mat. 9:36; Mar. 10:13, 14, 16, NM.

      13. Por que não era Jesus grosseiro ao expor os clérigos hipócritas, e repreender Pedro?

      13 Alguns talvez achem que o Senhor Jesus não foi nada bondoso, quando lêem o capítulo vinte e três de Mateus, onde se relata como Jesus expôs e denunciou os líderes religiosos hipócritas. Em realidade, os grosseiros foram os líderes religiosos que desprezaram a benignidade imerecida de Deus, por meio de seu Filho. Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, assassina dos profetas e apedrejadora daqueles que lhe são enviados, — quantas vezes quis ajuntar os teus filhos, como a galinha junta os seus pintos debaixo das suas asas! Mas vós, povo, não o quisestes.” Rejeitaram a benevolência de Deus! Mostrando-se firme a favor do cumprimento da vontade divina, Jesus repreendeu não só os clérigos hipócritas, mas também os seus próprios discípulos quando teria sido falta de bondade não repreendê-los. Quando Jesus falou aos seus discípulos que ele mesmo precisava “passar muitos sofrimentos e . . . ser morto”, expressando-se “com franqueza”, Pedro objetou a isso. “Pedro tomou-o à parte e começou a levantar-lhe fortes objeções, dizendo: ‘Sê benigno com ti mesmo, Mestre; de modo nenhum terás este destino.’ Mas Jesus respondeu: “Para trás de mim, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não tens os pensamentos de Deus, mas, sim, os dos homens.” Jesus não estava sendo grosseiro. A verdadeira benignidade é uma força porque age para incentivar a pessoa a fazer a vontade de Deus. Ninguém jamais está sendo bondoso se faz ou induz outros a fazer o que está fora da harmonia com a vontade de Jeová. Jesus tinha especificado a vontade divina de modo enfático; no entanto, apesar, disso, Pedro levantou fortes objeções. Estas mereciam uma firme repreensão. — Mat. 23:37; Mar. 8:31, 32; Mat. 16:22, 23, NM.

      14. O que achou Paulo necessário administrar de vez em quando, e por que foi isto realmente benignidade?

      14 Também o apóstolo Paulo deu uma forte repreensão, quando teria sido errado ou falta de bondade não o fazer. Paulo escreveu aos coríntios: “Alguns estão cheios de si, como se eu de fato não chegasse a vós. Mas eu virei a vós em breve, se Jeová quiser, e ficarei sabendo, não a linguagem dos que estão cheios de si, mas o seu poder. Pois o reino de Deus não está na fala, mas no poder. O que quereis? Devo chegar a vós com uma vara, ou com amor e mansidão de espírito?” Com os violadores da paz, os cheios de si e arrogantes, Paulo não adotou a atitude: ‘A benignidade exige que lhes permita fazerem o que bem entendem.’ Não, ele foi bastante corajoso para usar a vara de sua boca para administrar a devida disciplina; isto teria resultados benéficos tanto para a pessoa envolvida como para a congregação cristã. Os resultados da disciplina mostram que ela é benigna. O próprio Jeová não se refreia de disciplinar a todos os que querem ser seus filhos: “Deus está tratando convosco como com filhos. Pois qual é o filho ao qual o pai não disciplina? Mas, se estiverdes sem a disciplina da qual todos se tornaram participantes, sois realmente filhos ilegítimos, e não filhos. Além disso, costumávamos ter pais, que eram da nossa carne, para nos disciplinar, e nós costumávamos mostrar-lhes respeito. Não estaremos muito mais sujeitos ao Pai de nossa vida espiritual para vivermos? Deveras, nenhuma disciplina parece de momento ser alegre, mas é dolorosa; contudo, depois, para os que foram treinados por ela, produz fruto pacífico, a saber, a justiça.” — 1 Cor. 4:18-21; Heb. 12:7-9, 11, NM.

      15. Qual é a maneira correta de o superintendente tratar o rebanho de Deus, e como pode ele tratar dos ofensores?

      15 O superintendente cristão, na atualidade, tratará o rebanho de Deus com amor e mansidão de espírito. Isto não lhe impede, porém, tratar com firmeza os que poriam em perigo a pureza e a paz da congregação. Ele lidará com o ofensor de modo bondoso; no entanto, se não houver melhora, o superintendente talvez tenha de usar de linguagem forte. Se o ofensor persistir na sua injustiça, o superintendente precisará talvez falar com firme repreensão. Quando Jesus e Paulo repreendiam outros, eles não perderam o controle nem falaram de modo impróprio para o servo de Deus. Assim também hoje, o superintendente age de modo firme, mas benigno. Escrevendo a Tito, o apóstolo Paulo disse: “O superintendente tem de estar livre de acusação como mordomo de Deus, não obstinado, nem dado à ira, . . . mas alguém que ama os estranhos, que ama a bondade, são em mente, justo, tendo benevolência.” A felicidade e a saúde espiritual duma congregação cristã dependem em grande parte da benevolência do superintendente. — Tito 1:7, 8, NM.

      16. (a) Como tratou Paulo o rebanho de Deus, e que conselho deu ele a um superintendente sobre a maneira de mostrar benignidade? (b) Como são os idosos e doentios tratados corretamente pelo superintendente?

      16 O apóstolo Paulo teve muito a dizer sobre como se mostra benevolência na congregação. Ele mesmo deu um excelente exemplo para todos os superintendentes. Ele escreveu aos tessalonicenses: “Tornamo-nos gentis no meio de vós, como a mãe lactante acalenta seus próprios filhos. Vós sois testemunhas, Deus o é também, de quão fiéis à benevolência, e justos, e irrepreensíveis provamos ser para convosco, crentes.” Paulo, ao dar instruções sobre como se mostra benignidade para com cada pessoa na congregação, escreveu ao superintendente Timóteo: “Não critiques severamente um homem mais idoso. Ao contrário, insta-lhe como a um pai, aos homens mais jovens, como a irmãos, às mulheres mais idosas, como a mães, às mulheres mais jovens, como a irmãs, com toda a castidade. Honra as viúvas que são realmente viúvas.” Na roda familiar, onde existe verdadeiro amor, cada membro dela trata o outro com consideração e bondade. Assim deve ser na congregação cristã. A alguns é preciso que os superintendentes mostrem o mesmo respeito e benignidade como se fossem seus pais, a outras, como se fossem suas mães, e ainda a outros, como se fossem irmãos e irmãs naturais. Ao fazer isso, o superintendente saberá também como lidar bondosamente com os doentios e enfermos. Tais pessoas talvez não possam fazer o que gostariam de fazer no ministério cristão; só podem fazer o que a força lhes permite. Não devem ser tratadas pelo superintendente como se fossem infiéis à verdade de Deus; necessitam de encorajamento, não de serem desanimadas. O superintendente bondoso é assim ‘ternamente compassivo’; procura compreender as limitações dos outros. Pela sua própria benevolência, o superintendente anima a todos a fazer o que podem na divulgação das boas novas do reino de Deus. “Continuai a tornar-vos compassivos”, disse o Senhor Jesus, “assim como vosso Pai é compassivo”. Por procurar compreender os problemas dos mais idosos e doentios, e por oferecer toda a ajuda que puder, o superintendente mostra compaixão e benevolência. — 1 Tes. 2:7, 10; 1 Tim. 5:1-3; Efé. 4:32; Luc. 6:36, NM.

      A FORÇA ATRATIVA DA BENIGNIDADE

      17. Qual é. a reação correta à benignidade de Jeová?

      17 A benignidade atrai, a grosseria repele. Quanto se é atraído a Jeová por causa da sua benignidade! “A sua benignidade dura para sempre” — esta asseguração ocorre em cada versículo do Salmo 136. Assim, quando a pessoa lê a Palavra inspirada e chega a conhecer as qualidades benignas de Jeová, e seu arranjo bondoso para o perdão dos pecados, então se sente atraída a Jeová por intermédio do Filho dele. Tal benignidade faz que se arrependa e se desvie do proceder de mundanismo, conforme mostrou Paulo em Romanos 2:4 (NM; NTR): “Desprezas as riquezas da sua benignidade, e indulgência, e longanimidade, porque não sabes que a qualidade benigna de Deus está tentando guiar-te ao arrependimento?” Vendo que a benignidade tem tal poder atrativo, o cristão deseja ardente, fervorosa e intensamente ser igual a seu Pai no céu, para que, pela sua própria benignidade, possa atrair outros à adoração de Jeová Deus.

      18. Contraste a força da benignidade com a da grosseria? Portanto, como pode a esposa cristã convencer o marido descrente a respeito da verdade?

      18 A esposa cristã que tem um marido descrente pode atrair seu cônjuge à verdade de Deus por mostrar consideração e benignidade. Ela não procura impor a verdade ao seu marido, pois conhece a vontade divina conforme expressa por Pedro: “Do mesmo modo vós, esposas, estai em sujeição aos vossos próprios maridos, de modo que, se quaisquer deles não forem obedientes à palavra, sejam vencidos, sem palavra, por meio da conduta de suas esposas, por causa de terem sido testemunhas oculares de vossa conduta casta, junto com profundo respeito.” A esposa talvez tenha sido antes desrespeitosa para com a chefia de seu marido; talvez tenha agido com críticas e exigências, a toda hora importunando e censurando. É possível que não tenha sabido o que dizem os Provérbios inspirados, que “as contendas da esposa são como o teto gotejante que afasta a pessoa”, que “melhor é morar numa terra desértica do que com uma esposa contenciosa junto com vexação”. É provável que não tenha lido o comentário feito sobre estes textos pelo Dr. Philip Lai, médico australiano com doze anos de experiência em expedições polares. Noticiando um discurso que ele proferiu, o jornal Times de Nova Iorque, de 24 de novembro de 1959, disse: “As mulheres ralhetas, os casamentos impossíveis e a fadiga de se ‘manter em dia com os vizinhos’ foram hoje alistados como algumas das razões por que certos homens foram morar nos ermos gelados da Antártida.” A grosseria repele, repelindo alguns, como parece, tão longe, que foram morar na “terra desértica” do Pólo Sul! A benignidade opera de modo diferente; ela tem uma tremenda força de atração. A esposa que se reveste “da nova personalidade que foi criada, segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e benevolência” pode convencer seu marido da verdade “sem palavra”. Tal é a força da benignidade! — 1 Ped. 3:1, 2; Pro. 19:13; 21:19; Efé. 4:24, NM.

      19. Explique como as mulheres cristãs têm verdadeiro atrativo.

      19 O conselho que o apóstolo deu às mulheres cristãs mostra o que é básico para o atrativo. Em alguns países, as moças passam talvez uma temporada nas chamadas escolas de encanto, para aprenderem a ser encantadoras. E o resultado? Demasiadas vezes um encanto mundano chamado “glamour”. A sofisticação mundana talvez engane a alguns dos que se orientam segundo as normas do velho mundo, mas os que têm discernimento espiritual não são enganados; sabem que as qualidades do coração — o altruísmo, a compreensão, a benignidade, a compaixão e a mansidão — são básicas para o verdadeiro atrativo: “Não seja o vosso adorno o externo trançar do cabelo e o de usar ornamentos de ouro ou de trajar mantos, mas seja ele a pessoa secreta do coração, na vestimenta incorrutível do espírito quieto e manso, que é de grande valor aos olhos de Deus” — e aos olhos do homem. Por cultivar os frutos do espírito, a mulher cristã possui um encanto que nenhuma quantidade de “glamour” e etiqueta do mundo podem fornecer. Trata-se novamente de pôr a vontade de Deus em primeiro lugar, procurando sempre ser semelhante ao nosso Pai no céu. — 1 Ped. 3:3, 4, NM.

      20. Quais são as recompensas da força da benignidade?

      20 A benignidade é uma força remuneradora. É um dos frutos do espírito de Deus e parte da “nova personalidade”. É um requisito divino. Ajuda a resolver problemas. É uma força básica no uso de tato, de boas maneiras e do verdadeiro atrativo. Afugenta os mal-entendidos. Torna fácil perdoar aos outros. Mantém-se firme a favor do que é direito. Ajuda o cristão a seguir a paz e a atrair outros a Jeová e à Sua verdade. Ajuda-nos a obedecer à ordem: “Tornai-vos imitadores de Deus.” Se por esta razão seguirmos a bondade, a compaixão e a benignidade, será como Jesus disse: “Grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo.” — Efé. 5:1; Luc. 6:35, NM.

  • Mostrando benignidade para com todos
    A Sentinela — 1960 | 15 de dezembro
    • Mostrando benignidade para com todos

      1. Que efeito tem a falta de benignidade sobre este mundo e sobre os homens?

      VIVEMOS num mundo frio e inóspito, porque são muitas as pessoas que não têm benignidade ou bondade. Vivemos num mundo em que os estranhos são muitas vezes olhados com fria suspeita. O medo tem o efeito de esfriar a bondade, e, em muitas pessoas, o amor do dinheiro tem estrangulado o que restou de sua benignidade. Considerada como impedimento para o lucro financeiro; a benignidade é muitas vezes substituída pela falta de escrúpulos; de modo que a perspicácia mental não tem provido nenhuma garantia de benignidade. Observando este fato, Sir Robert Watson-Watt, principal inventor do radar, disse: “Nos meus negócios tenho sofrido mais de pessoas brilhantes e inventivas no seu próprio campo de técnica, mas que não foram educadas a serem seres humanos.” O brilho mental sem benignidade amorosa faz a pessoa parecer, não a Jeová Deus, que é “grande em benignidade”, mas antes àquele que “anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”, Satanás, o Diabo. Deveras, estamos “nos últimos dias [em que] haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, . . . sem benignidade”. — Jon. 4:2; 1 Ped. 5:8, Al; 2 Tim. 3:1, 2, NM.

      2. (a) Contraste os “filhos de Deus” com os “filhos do Diabo”, mostrando os seus respectivos frutos. (b) Podem os “filhos de Deus” corretamente deixar de usar a benignidade, a fim de promover os seus interesses pessoais ou os interesses cristãos?

      2 Visto que o cristão precisa provar ser filho do Altíssimo e não “filho do Diabo”, como poderá viver num mundo “sem benignidade”? Poderá permitir-se cair no lamaçal da falta de benignidade em que este mundo perverso se revolve? Poderá jamais permitir-se deixar de lado a benignidade, a fim de avançar nos negócios, nos interesses pessoais ou nos cristãos? Não! Não se desejar mostrar-se como filho do Altíssimo, conforme indicado pelo apóstolo João: “Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte fato: Todo aquele que não pratica a justiça não se origina de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão.” Os “filhos de Deus” não podem adotar as práticas rudes dos “filhos do Diabo”. Os filhos de Deus não podem produzir frutos podres, iguais aos “filhos da desobediência”, mas precisam continuar “andando como filhos da luz, pois os frutos da luz consistem em toda espécie de bondade, e justiça, e verdade”. Os “filhos da luz” certamente não podem empregar a falta de benignidade no afã de promover os seus próprios interesses pessoais ou os interesses de Jeová; antes, usam “toda espécie de bondade”. Portanto, a benignidade ou a falta dela identificam-nos quanto à nossa filiação. — Atos 13:10; 1 João 3:10; Efé. 5:6, 8, 9, NM.

      3, 4. Como podem os cristãos recomendar-se como ministros de Deus?

      3 A benignidade informa os outros quanto a se estamos imitando a Deus ou não; ela tem o poder de fornecer uma recomendação. Isto é até mesmo reconhecido pelo mundo, como no caso quando um homem famoso fez um esforço extra de carregar a mala duma senhora idosa, numa estação de estrada de ferro; e um espectador observou: “Esta é a primeira vez que eu vi um sermão andar.” Os cristãos, mais que todos os outros, precisam ser sermões andantes, recomendando-se como ministros de Deus na conversa e conduta diária. “Não dando nós escândalo em coisa alguma”, escreveu o apóstolo Paulo, “para que o nosso ministério não seja censurado; antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, . . . na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade.” — 2 Cor. 6:3-6, Al.

      4 A benignidade faz assim parte de “tudo” aquilo pelo qual os verdadeiros ministros de Deus se tornam sempre recomendáveis, provando assim aos outros que são “filhos da luz”. Isto significa que precisam ser “filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo”. Os cristãos precisam brilhar tanto com respeito à luz das verdades bíblicas como pela sua conduta moral; brilham assim de modo duplo como luzeiros no meio dum mundo pervertido que é “sem benignidade”. — Fil. 2:15, ARA.

      5. Como enfatizou Jesus a importância de se mostrar benignidade para com todos?

      5 Portanto, se o cristão há de recomendar-se como ministro de Deus, ele precisa estar disposto a mostrar benignidade para com todos. Isto inclui os seus irmãos cristãos, os estranhos, “os ingratos e iníquos” e até os seus inimigos. O Senhor Jesus disse: “Continuai a amar vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; para que proveis ser filhos de vosso Pai que está nos céus, visto que ele faz nascer seu sol sobre iníquos e sobre bons, e faz que chova sobre justos e sobre injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem também a mesma coisa os cobradores de impostos? E se cumprimentais apenas vossos irmãos, que coisa extraordinária estais fazendo? Não fazem também a mesma coisa as pessoas das nações? Concordemente, precisais ser completos, assim como vosso Pai celestial é completo.” — Luc. 6:35; Mat. 5:44-48, NM.

      A RESPONSABILIDADE DE MOSTRAR BENIGNIDADE AOS ESTRANHOS

      6. Como enfatizou Paulo que se deve mostrar benignidade para com todos?

      6 A benignidade para com todos, conforme explicado tão enfàticamente pelo Filho de Deus, é uma responsabilidade do cristão. O apóstolo de Jesus Cristo admoesta-nos a sempre termos em mente esta responsabilidade; Paulo escreveu: “Continue o vosso amor fraternal. Não esqueçais a benignidade para com os estranhos, pois, por meio dela, alguns, embora não o soubessem, acolheram anjos.” Que recompensa tiveram Abraão, Lot e Manoá por terem sido benignos para com todos! Acolheram anjos e receberam bênçãos do Altíssimo, porque nunca se esqueceram da “benignidade para com os estranhos”. — Heb. 13:1, 2; Gên. 18:1-10; 19:1-29; Juí. 13:8-20, NM.

      7. Como mostram os cristãos hoje em dia benignidade para com os estranhos, e por que são felizes nisso?

      7 Como podem os cristãos mostrar hoje benignidade para com os estranhos? Por seguirem o exemplo de Jesus Cristo. Ele mostrou benignidade para com todos, e do modo mais importante que ele fez isso foi convidar outros a se banquetearem do alimento espiritual, das verdades acerca do “reino dos céus”. Jesus mostrou bondade em todos os sentidos, a fim de promover os interesses do reino de Deus. Desde o início de seu ministério mostrou hospitalidade para com os estranhos, a fim de ajudar-lhes espiritualmente. Quando João Batista apresentou Jesus a dois de seus discípulos, eles seguiram Jesus e perguntaram-lhe: “Onde estás hospedado?” Jesus respondeu: “Vinde e vereis.” “Concordemente foram e viram onde estava hospedado, e ficaram com ele aquele dia.” A moradia de Jesus era assim um lugar hospitaleiro; usou-a como meio de ajudar outros a aprender algo sobre o reino de Deus. Mas, Jesus ia principalmente aos lares dos outros, não para pedir algo, mas para dar algo; mostrou benignidade para com os estranhos por ir aos seus lares para ensinar-lhes o reino dos céus. Assim também hoje, os cristãos não só fazem de seus lares lugares hospitaleiros, mas estão dispostos a ir aos lares de estranhos, para terem parte na grande obra de pregação predita pelo Senhor Jesus: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, com o propósito de dar testemunho a todas as nações.” Esta grande obra de pregação e de ensino é hoje feita mundialmente pelas testemunhas de Jeová, e felizes são os que tomam parte nela! A benignidade para com os estranhos traz assim a recompensa da felicidade agora. O apóstolo Paulo escreveu: “Precisais socorrer os fracos e lembrar-vos das palavras do Senhor Jesus, quando ele mesmo disse: ‘Há mais felicidade em dar do que há em receber.’” — João 1:35-39; Mat. 24:14; Atos 20:35, NM.

      8. Por que se sentem alguns relutantes em mostrar benignidade para como os estranhos, mas qual é a atitude correta?

      8 Por causa da atual falta de benignidade amorosa entre muitos dos donos de casa, alguns cristãos sentem-se relutantes em ir aos lares de estranhos com a mensagem do ‘Reino, assim como fizeram Jesus e os apóstolos. Eles acham, talvez, que a ingratidão e a falta de bondade da parte do povo em geral tornam difícil levar-lhes coisas espirituais. Mas, se o cristão for realmente benigno no seu coração, não se refreará de partilhar a bondade espiritual com estranhos, embora muitos deles sejam ingratos. Não é Jeová Deus benigno até mesmo para com os ingratos e iníquos? Jeová Deus tem mostrado a sua benignidade amorosa para com todos os homens por enviar seu Filho ao mundo, “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Isto é benignidade imerecida da parte de Deus. Apesar da pregação do reino de Deus e outras obras boas, o cristão não é perfeito; não pode ganhar por conta própria a salvação. Jeová nos trata por isso bondosamente. Quanto a benignidade de Deus nos deve inspirar a sermos semelhantes a ele! “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, não por obras de justiça que nós mesmos tivéssemos praticado, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou.” Visto que Jeová deu tal exemplo amoroso, como é que pode qualquer cristão que anseia ser filho do Altíssimo refrear-se de mostrar benignidade para com os estranhos? — João 3:16; Tito 3:4, 5, ARA.

      9. Por que é importante partilhar as boas novas do Reino com os estranhos, e fica o ministro de Deus desencorajado por causa da falta de hospitalidade de certos donos de casa?

      9 Se alguém receber a bondade de Deus e, por sua vez, não estiver disposto a mostrar benignidade para com os estranhos, por levar-lhes as boas novas do Reino, ele não se mostra semelhante ao Pai no céu, mas permite que o Diabo faça dele o que Jeová não quer que aconteça — ser desamoroso para com os estranhos. A vontade de Deus para os cristãos é que sejam benignos para com os estranhos. Por isso, o ministro de Deus visitará de bom grado os estranhos para lhes falar sobre o reino de Deus, embora possa às vezes ter de falar através dum postigo na porta. A falta de hospitalidade dos moradores não desanima o ministro de Deus; ele não desiste de fazer o que é bondoso. “Não nos desanimemos de fazer o bem.” — Gál. 6:9.

      10. Como mostra o cristão a benignidade para com seus inimigos e perseguidores, e que beneficio resulta deste proceder?

      10 Uma prova da benignidade do cristão e de seu amor aos estranhos é como ele reage em face de grosseria. Quando é tratado de modo grosseiro, ele “não precisa lutar mas precisa usar de tato para com tocos, estar qualificado para ensinar, refreando-se debaixo do mal, instruindo com mansidão os que não estão favoravelmente dispostos, visto que Deus talvez lhes dê arrependimento conduzindo a um conhecimento acurado da verdade”. (2 Tim. 2:24, 25, NM) O ministro cristão desfaz a hostilidade com a bondade: “Continuai a abençoar os que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. Mas, ‘se teu inimigo tiver fome, alimenta-o; se tiver sede, dê-lhe algo para beber; pois por fazer isto acumularás brasas na sua cabeça’. Não te deixes vencer pelo mal, mas continua a vencer o mal com o bem.” (Rom. 12:14, 20, 21, NM) Novamente lemos: “Quando injuriados, abençoamos; quando perseguidos, o suportamos; quando difamados, exortamos.” (1 Cor. 4:12, 13, NM) De modo que o cristão não revida com o mal quando é injuriado; ele abençoa. Quando perseguido, ele suporta a grosseria e não se deixa acabrunhar. Carcereiros e guardas de prisões têm chegado a um conhecimento da verdade porque os cristãos ‘continuaram a abençoar os que os perseguiam’. — Atos 16:25-34.

      BENIGNIDADE PARA COM OS IRMÃOS

      11. Que exemplo deu Gaio ao mostrar benignidade?

      11 O cristão tem o privilégio de mostrar benignidade não só para com os estranhos e perseguidores, mas também para com seus irmãos cristãos que ele não conhece pessoalmente. O apóstolo João escreveu ao seu amado amigo Gaio: “Amado, estás fazendo uma obra fiel naquilo que fazes para os irmãos, e estranhos ainda por cima, que deram testemunho do teu amor perante a congregação. Peço-te que os encaminhes dum modo digno de Deus. Pois foi a favor do seu nome que eles saíram, não tomando nenhum dinheiro do povo das nações. Nós, portanto, estamos sob a obrigação de receber a tais pessoas de modo hospitaleiro, para que possamos tornar-nos colaboradores deles na verdade. Amado, sê imitador, não do que é mau, mas do que é bom. Aquele que faz o bem origina-se de Deus.” Portanto, a benignidade não só se mostra na pregação e no ensino das verdades de Deus aos outros, mas também por se mostrar hospitalidade e benignidade, assim como Gaio fez. Ele estava “fazendo uma obra fiel”, e João o elogiou grandemente por isso; pois os que receberam a sua benignidade eram “estranhos ainda por cima”. Talvez prejudique às vezes financeiramente mostrar tal benignidade, mas Gaio não se lastimava de sua hospitalidade. A benignidade de Gaio trouxe-lhe muitas bênçãos. Além desta carta calorosa do apóstolo João, ele foi abençoado com o privilégio de se usar seu lar como local de reunião da congregação de Corinto e de acolher o apóstolo Paulo: “Gaio, meu hospedeiro, e o de todos os da congregação.” Cheio de benignidade e de amor, Gaio recebeu indizíveis bênçãos; e o testemunho de sua benignidade é preservado na Palavra duradoura de Deus. — 3 João 5-8, 11; Rom. 16:23, NM.

      12, 13. Que se diz da benignidade demonstrada por Filêmon e por Onesíforo?

      12 Quem também deu um bom exemplo de mostrar benignidade para com seus irmãos cristãos foi Filêmon. Escrevendo-lhe, Paulo disse: “Dou graças ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações, estando ciente do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus e todos os santos. Pois, irmão, tive grande alegria e conforto no teu amor, porquanto os corações dos santos têm sido reanimados por teu intermédio.” Não sabemos o que Filêmon fez para reanimar os corações dos santos, mas foi alguma forma de benignidade. Paulo agradeceu a Jeová, nas suas orações, tal evidência do amor de Filêmon. — Filem. 4, 5, 7, ARA.

      13 Onesíforo, também, alegrou muito o coração do apóstolo pela sua benignidade solícita. Em Roma, ele procurou Paulo e o achou, levando evidentemente algum sustento ao apóstolo. Paulo teve muitas vezes razão para agradecer a Jeová a benignidade de Onesíforo: “Que o Senhor lhe conceda achar misericórdia de Jeová naquele dia. E bem sabes de todo o serviço que prestou em Éfeso.” — 2 Tim. 1:16-18, NM.

      14, 15. Por que são Onesíforo, Filêmon e Gaio bons exemplos para os cristãos? Como mostraram também os filipenses que tinham o espírito cristão?

      14 Onesíforo, Filêmon e Gaio foram cristãos que estavam bem atentos quanto a mostrar benignidade. Não perdiam nenhuma oportunidade; não estavam tão enfronhados nos seus interesses pessoais que não pensaram nas necessidades dos outros. Neste respeito devemos lembrar-nos dos filipenses. Na carta amorosa dirigida aos filipenses, aprendemos o laço íntimo de simpatia que havia entre Paulo e a congregação. De fato, uma das razões de Paulo escrever a carta era expressar a sua gratidão ela benignidade dos filipenses. Em varias ocasiões diferentes tinham mostrado a Paulo simpatia e benignidade prática por meio de ajuda material, além de palavras de conforto e animação. Duas vezes mandaram dádivas a Paulo, enquanto ele estava em Tessalônica, e quando o apóstolo era prisioneiro em Roma, mandaram-lhe Epafrodito com um lembrete de seu amor. Paulo mandou Epafrodito de volta com esta carta que mostra que se lembrava muitas vezes dos filipenses nas suas orações:

      15 “Agradeço sempre ao meu Deus cada vez que me lembro de vós em cada súplica minha a favor de todos vós . . . É inteiramente correto que eu pense isto a respeito de todos vós, por causa de vos ter no coração.” “Vós, filipenses, sabeis também que ao começar a declarar as boas novas, quando parti da Macedônia, nenhuma congregação tomou parte comigo no assunto de dar e de receber, apenas unicamente vós, porque, mesmo em Tessalônica, vós me enviastes algo para a minha necessidade, tanto uma vez como uma segunda vez. . . . Estou suprido, agora que recebi de Epafrodito as coisas de vós, um cheiro suave, um sacrifício aceitável, que agrada bem a Deus. Por sua vez, meu Deus suprirá plenamente as vossas necessidades, ao alcance das suas riquezas, em glória, por meio de Cristo Jesus.” — Fil. 1:3, 4, 7; 4:15, 16, 18, 19, NM.

      16. Quem assume a obrigação de nos retribuir a benignidade mostrada para com todos?

      16 Os filipenses não deixariam de receber uma recompensa por esta benignidade, conforme indicou Paulo. Deus havia de ‘suprir plenamente’ todas as suas necessidades. Jeová Deus assume a responsabilidade de retribuir a benignidade, quer prestada a estranhos, quer a irmãos cristãos. A Palavra de Jeová assegura-nos disso: “Quem se compadece do pobre, empresta a Jehovah, que lhe retribuirá o seu beneficio.” “Lança o teu pão sobre as aguas, porque depois de muitos dias o acharás.” “Sabeis que cada um, qualquer que seja o bem que fizer, receberá isto de volta de Jeová.” — Pro. 19:17; Ecl. 11:1; Efé. 6:8, NM.

      RECOMPENSAS POR SE MOSTRAR BENIGNIDADE

      17, 18. Que bênçãos inesperadas resultaram da benignidade mostrada por Dorcas?

      17 Portanto, o que semearmos, voltará para nós. Se semearmos benignidade, receberemos de volta benignidade; “depois de muitos dias [a] acharás”. Os cristãos recebem bênçãos inesperadas por mostrar benignidade para com todos os homens. Tome, por exemplo, Dorcas. “Ela abundava nas obras boas e nas dádivas de misericórdia que fazia. Mas, aconteceu naqueles dias que adoeceu e morreu.” Os discípulos em Jopa, onde Dorcas falecera, ouviram que o apóstolo Pedro se achava em Lida, cidade vizinha. Mandaram dois homens a Pedro e lhe rogaram: “Por favor, não hesites em vir ter conosco.” Quando Pedro chegou a Jopa, “conduziram-no ao quarto superior, e todas as viúvas chegaram-se a ele chorando e mostrando muitas vestimentas internas e externas que Dorcas costumava fazer enquanto estava com elas.” Podemos bem imaginar a cena: Um grupo de viúvas, chorando e tristes com a perda duma querida amiga e irmã, exibindo as provas do amor e da benignidade de Dorcas, cada uma delas falando ao apóstolo sobre a benignidade que se lhe mostrara. Sabemos o que aconteceu: Pedro mandou que todos saíssem e orou a Jeová. “Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Dano-lhe ele a mão, levantou-a, e, chamando os santos e as viúvas, apresentou-a viva.” — Atos 9:36-41, NM.

      18 Que bênção inesperada! Levantada dos mortos! Este foi o primeiro milagre de ressurreição registrado como tendo sido realizado por um dos apóstolos, e as circunstâncias que conduziram a isso se arraigavam na benignidade. Quem pode dizer que este milagre teria acontecido mesmo que Dorcas não tivesse abundado em benignidade amorosa? Não só foi uma bênção para Dorcas e as viúvas, mas o acontecimento forneceu um testemunho da verdade e “muitos se tornaram crentes no Senhor”. — Atos 42, NM.

      19. Qual é a regra divina quanto à pessoa dura e cruel, e como foi isto ilustrado?

      19 Os que não mostram benignidade para com todos perdem muitas bênçãos. Assim como é verdade que “o homem benigno faz bem á sua alma”, assim também “quem é cruel faz mal a si mesmo”. (Pro. 11:17) Esta é a regra divina. Foi bem ilustrada por Abigail e Nabal. Abigail “tinha bom discernimento e era bela de forma, mas o marido era duro e mau nos seus tratos”. Davi tinha mostrado benignidade para com Nabal, e então, certo dia, mandou seus homens a Nabal para pedir um pouco de comida: “Apenas dá, por favor, aos teus servos e ao teu filho Davi o que achar a tua mão.” O cruel e avarento Nabal “insultou-os aos berros”. Isto irou Davi; ele se cingiu de sua espada, e tanto ele como seus homens estavam decididos a fazer Nabal pagar pela sua grosseria. A esposa de Nabal, Abigail, interceptou a Davi, levando lhe “duzentos pães e dois grandes jarros de vinho e cinco ovelhas preparadas, e cinco metidas de seá de grãos torrados, e cem bolos de passas, e duzentos bolos de figos comprimidos”. Abigail, numa petição arrebatada, que refletiu a sua própria benignidade e discernimento, persuadiu Davi a não ficar culpado de sangue. Quanto a Nabal, “Jeová feriu Nabal, de modo que ele morreu”. Davi reconheceu que Nabal recebera de Jeová o que tinha merecido: “Davi ficou sabendo que Nabal tinha morrido, e assim ele disse: ‘Bendito seja Jeová, que dirigiu o caso jurídico do meu vitupério . . . , e Jeová fez voltar a maldade de Nabal sobre a própria cabeça dele!’” Quanto à bondosa e sensata Abigail, ela teve uma bênção inesperada: “Davi passou a mandar e a propor a Abigail para tomá-la por sua esposa.” —1 Sam. 25:3, 8, 14, 18, 38, 39, NM.

      20. Por que receberá a pessoa perversa e cruel certamente em retribuição aquilo que merece?

      20 Receberemos de Jeová o que merecemos. A falta de benignidade vira-se contra a pessoa tão certamente como lhe volta a benignidade. A pessoa perversa e cruel perde as bênçãos resultantes de se demonstrar benignidade, e colhe — até mesmo de vários modos — só ‘o mal para si mesma’. Se a pessoa cruel escapa da retribuição por parte do homem ou não parece sofrer de emoções prejudiciais para o corpo, ela certamente não poderá escapar da retribuição da parte de Jeová, quem guarda acuradamente as contas. “Aquelle que faz injustiça”, declara Paulo, “receberá a paga do que fez injustamente, e Deus não se deixa levar de respeitos humanos.” Por outro lado: “Aquelle que segue a justiça e a benignidade, acha a vida, a justiça e a honra”. — Col. 3:25; Pro. 21:21.

      21. A que se opõe Deus, mas qual é o espírito cristão?

      21 Quão abundante é o testemunho de que Deus se opõe à falta de benignidade — à crueldade, à dureza, à avareza, à mesquinhez e ao egoísmo! O espírito cristão harmoniza-se com a gentileza, a compaixão, a longanimidade, a hospitalidade e a generosidade. A medida do cristão não é mesquinha, embora talvez não seja transbordante. Jesus disse: “Praticai o dar, e as pessoas darão a vós. Derramarão em vosso regaço uma boa medida, recalcada, sacudida e transbordante. Pois, com a medida com que vós medirdes, eles medirão para vós, por sua vez.” — Luc. 6:38, NM.

      22. Que medida de sua benignidade devem dar os cristãos, e qual será o resultado?

      22 Demos então uma medida generosa de nossa benignidade. Ao mostrarem benignidade para com os estranhos, por ensinar-lhes as verdades do Reino, os cristãos têm a oportunidade de mostrar generosidade, por concederem livremente o seu tempo. Medir o tempo de modo mesquinho no precioso ministério do Reino de Deus, quando poderíamos conceder uma boa medida, nos privará de bênçãos: “Aquele que semeia escassamente, também ceifará escassamente, e aquele que semeia abundantemente, também ceifará abundantemente.” Sermos generosos com a nossa benignidade para com todos os homens trará ricas recompensas e bênçãos inesperadas — sim, e ‘provaremos ser filhos de nosso Pai que está nos céus’. — 2 Cor. 9:6; Mat. 5:45, NM.

  • As ameaças falham em abalar um sique convertido
    A Sentinela — 1960 | 15 de dezembro
    • As ameaças falham em abalar um sique convertido

      OS MISSIONÁRIOS cristãos em países muçulmanos encontram muitos homens de boa vontade que aceitariam de bom grado o cristianismo, com a sua adoração do verdadeiro Deus, Jeová, se não fosse o medo da perseguição duma espécie ou doutra, indo desde o ostracismo social até ameaças de morte. No entanto, o sique que aceita o verdadeiro cristianismo sofre oposição e pressão ainda mais decididas. Em vista disso, é de interesse especial a seguinte experiência dum sique convertido. O Em Bancoc, na Tailândia, um missionário da Watchtower visitou o lar de alguém que mostrara interesse na Bíblia. Este homem não estava em casa, mas havia ali outro indiano sentado na sua pequena loja, vendendo especiarias, e que perguntou sorridente ao missionário sobre a finalidade de sua visita. Naturalmente, o missionário deu-lhe um testemunho, o que muito agradou ao indiano, que era hindu. Em pouco tempo iniciou-se um estudo bíblico, e depois de vários meses, este hindu participava com as testemunhas em contar aos outros o que tinha aprendido. Pregava também aos seus amigos, e, em resultado disso, um destes, um sique, tomou a sua posição ao lado de Jeová e do cristianismo.

      Este sique, por causa de seu zelo de lera Bíblia e de pregar aos outros o que aprende, tem sofrido muita perseguição dos seus patrícios indianos que moram na sua comunidade. Seu sogro ameaçou-o de dano físico, mas isso não o deteve de modo algum. Uma delegação de quinze indianos visitou-o e apelou para ele não abandonar a sua antiga religião e parar de trazer vergonha e vitupério sobre a sua comunidade indiana. Todavia, ele lhes disse que se surpreendia que apenas quinze deles vieram para

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