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    A Sentinela — 1977 | 1.° de julho
    • Encontrei algo pelo qual vale a pena lutar

      Conforme narrado por Laurier Saumur

      O AR invernal estava gelado, seco e limpo. Os trenós rangiam e os cavalos fungavam ao seguirem pela trilha de madeireiros entre os abetos e os pinheiros. Enquanto cortávamos as árvores e as juntas retiravam as toras, agradecia a Deus, que fez esta maravilhosa terra.

      Esses eram meus pensamentos num típico dia de inverno, na fazenda de meu pai, nas colinas ondulantes de Gatineau, na parte oeste de Quebeque. A vida era dura, mas sadia. Eu era um dos quatorze filhos duma família franco-canadense, católica.

      A Igreja Católica dominava a vida em nossa pequena comunidade de língua francesa, assim como na maior parte de Quebeque. Eu ia regularmente à missa, à comunhão e a outras atividades católicas. Mas, embora desejasse servir a Deus, faltava alguma coisa.

      A educação secular estava então sob o controle da Igreja Católica, não do governo. E a orientação da Igreja era restringir a educação do povo, facilitando que os sacerdotes o controlassem. Em resultado, muitos eram analfabetos, inclusive meu pai e dois de meus irmãos. Esta atitude negativa para com a educação e a falta de livros e bibliotecas deixaram-me insatisfeito, sedento de conhecimento.

      Em 1939, à idade de dezoito anos, fui para Montreal, para melhorar minha educação. Por fim, ali havia bibliotecas e livros para ler! Muitas vezes, eu lia noite adentro. Isto levou a eu saber da horrível Inquisição católica. Comecei a encarar a Igreja por um prisma diferente.

      Não obstante, por intermédio de um primo, fiquei envolvido no movimento da Ação Católica. Tratava-se dum grupo político com inclinações fascistas e fortes sentimentos anti-semitas. Reunia-se na igreja católica sob a orientação de sacerdotes. A mensagem da Ação Católica era simples: ‘Hitler não é tão mau assim. São os judeus e os protestantes de língua inglesa que oprimem a nós católicos franceses.’ Ouvir as propostas violentas fez com que me sentisse desassossegado, e logo me retirei da Ação Católica.

      O ENCARCERAMENTO DE MEU IRMÃO ME AJUDOU

      Na primavera de 1943, um amigo em Montreal me entregou um artigo de jornal e disse: “Aqui fala dum homem com o mesmo nome que você. É parente seu?”

      Li a história. Atônito, eu disse: “Um parente — claro, é meu próprio irmão, Heitor!” Eu não havia tido notícias dele já por anos. Segundo o jornal, acabava de ser condenado a três meses de prisão, em Timmins, Ontário, por ser Testemunha de Jeová.

      “Quem são as Testemunhas de Jeová?” perguntei. “Nunca ouvi falar delas.”

      Meu amigo respondeu: “São um movimento religioso que foi proscrito pelo governo.”a

      Meu espanto aumentou. Um movimento religioso? Heitor era o membro mais irreligioso da família! Escrevi-lhe para saber o que aconteceu.

      Em resposta, Heitor enviou-me uma Bíblia e alguns folhetos das Testemunhas de Jeová. Esta foi a primeira Bíblia que já vi. Os sacerdotes sempre diziam: “Não leia a Bíblia — senão vai enlouquecer!” Por causa disso, ingenuamente, levei minha Bíblia a um sacerdote, para saber se era um exemplar autêntico. Ele a tomou, sob o pretexto de examiná-la, e depois se negou a devolvê-la.

      Os folhetos, porém, estimularam tanto o meu interesse, que obtive outra Bíblia em francês, numa livraria católica. Avidamente, comecei a lê-la. Duas vezes, durante o ano que se seguiu, li a Bíblia inteira. A vida de Jesus e a obra missionária dos apóstolos fascinavam-me especialmente.

      Mais tarde, em 1943, mudei-me de Montreal para Timmins, a fim de saber mais sobre as Testemunhas de Jeová e também para aprender inglês. Ali estudei com as Testemunhas, mas também continuei a freqüentar a igreja católica. Discuti com o pároco e com o bispo doutrines tais como o inferno, a Trindade e a imortalidade da alma. Certo dia, o bispo perguntou sobre onde eu obtinha os argumentos que destacava. “Das Testemunhas de Jeová”, respondi. Ele replicou: “Não tenho mais tempo para falar com você.”

      No domingo seguinte, ainda sendo católico obediente, eu estava na igreja, ouvindo uma violenta diatribe contra as Testemunhas. A grosseria de seus comentários e a falsidade das acusações aborreceram-me. Para mim, bastava, abandonei a igreja católica naquele mesmo dia e nunca mais voltei. Logo tomei minha decisão. Eu havia encontrado a verdade bíblica e estava decidido a gastar minha vida lutando para defendê-la, assim como haviam feito os primitivos seguidores de Cristo. Em 1.º de julho de 1944, fui imerso em símbolo de minha dedicação de servir a Jeová.

      QUEBEQUE TORNA-SE CAMPO DE BATALHA

      As dificuldades estavam aumentando em Quebeque, havendo prisões e hostilizações ao povo de Jeová por parte da poderosa aliança entre a Igreja Católica e seu aliado político, o Primeiro-Ministro Maurice Duplessis. Em junho de 1945, iniciei a obra de pregação por tempo integral em Montreal, cidade principal de Quebeque. Da primeira vez que ali fui dar testemunho de porta em porta, eu fui preso. Era uma indicação do que havia de vir.

      Começara a batalha de Quebeque, e que batalha! O Primeiro-Ministro Duplessis prometeu expulsar da província as Testemunhas de Jeová; anunciou “uma guerra sem quartel às Testemunhas”. Todo o poderio do Estado foi lançado contra nós. A província foi inundada por um macaréu de hostilidade desarrazoada. Eu, pessoalmente, fui preso mais de cem vezes.

      Um destacado jornal canadense descreveu a perseguição como “retorno à Inquisição” e disse: “A perseguição contra a seita religiosa conhecida como Testemunhas de Jeová, que agora tem lugar na Província de Quebeque, com entusiástica sanção oficial e judicial, tomou uma direção que sugere que a Inquisição voltou ao Canadá francês.” — Globe & Mail de Toronto, 19 de dezembro de 1946.

      Quando eu visitava as pessoas para falar sobre a Bíblia, muitas vezes era cumprimentado por uma invectiva das últimas acusações que o morador havia ouvido do pároco ou lido nos jornais franceses. Não era incomum ser preso duas ou três vezes por dia, e havia repetidos e intermináveis comparecimentos perante o tribunal. Isto era especialmente difícil para chefes de família, que perdiam muitos dias de trabalho e às vezes até o emprego. Mas, se as autoridades ainda não sabiam da perseverança das Testemunhas de Jeová, estavam para ter uma prova disso de primeira mão.

      A fim de evitar que chefes de família fossem presos, eu usava táticas diversivas. Quando aparecia um carro da polícia, eu me dirigia diretamente a ele, para falar com os policiais, dando assim aos chefes de família, trabalhando perto, tempo para desaparecerem. Naturalmente, o número de vezes que fui preso continuou assim a aumentar.

      Em setembro de 1945, houve dois terríveis distúrbios em Châteanguay, pequena cidade ao oeste de Montreal. Turbas católicas atacaram reuniões de Testemunhas de Jeová, realizadas em propriedades particulares, enquanto a polícia observava sem fazer nada. Eu fui severamente chutado e espancado. Um dos arruaceiros também ficou ferido — ele me bateu tão forte na parte de trás da cabeça, que quebrou o punho. Eu estava todo roxo e azul, e por alguns dias tinha dificuldades em andar e sentia dores.

      Lutávamos para conseguir dinheiro para fiança, a fim de ficar fora da cadeia; lutávamos esperando às portas, enquanto se lançavam contra nós invectivas de acusações falsas, esperando que no fim pudéssemos mencionar algumas palavras bondosas e vencer o preconceito; lutávamos para evitar as turbas; lutávamos para proteger os chefes de família contra serem presos; lutávamos para erguer o ânimo de nossos irmãos e irmãs cristãos; lutávamos para alugar locais para reuniões — os proprietários ficaram com medo por causa da ‘caça à bruxa’; lutávamos para impedir que as crianças fossem expulsas da escola; lutávamos para prover educação domiciliar às expulsas; lutávamos para enterrar nossos mortos, visto que os sacerdotes, em alguns casos, procuravam impedir que Testemunhas de Jeová fossem enterradas.

      Ser Testemunha de Jeová não era nada fácil, naqueles dias, mas fortalecia a fé. Quão maravilhoso era o espírito de fé, amor e determinação demonstrado por todas as Testemunhas! Sua experiência era semelhante à do apóstolo Paulo, que disse a respeito de sua hora de prova: “O Senhor . . . me infundiu poder, para que, por meu intermédio, se efetuasse plenamente a pregação.” — 2 Tim. 4:17.

      De fato, fomos ajudados e encorajados muitas vezes e de maneiras inesperadas. Em pouco tempo fiquei reanimado por poder dirigir vinte e dois estudos bíblicos. Um deles era incomum.

      Parado num cruzamento de ruas e oferecendo A Sentinela e Despertai!, chegou-se a mim uma senhora. Ela era analfabeta e as publicações não lhe eram de nenhuma valia, de modo que tomei nota de seu endereço e providenciei uma revisita. Iniciou-se imediatamente um estudo bíblico e este foi realizado duas ou três vezes por semana. Ela não só assimilou avidamente as verdades bíblicas, mas aprendeu também a ler. Laura Chabot tornou-se firme testemunha de Jeová, apesar do calor da perseguição, e tem continuado assim já por mais de trinta anos. No decorrer dos anos, ela dirigiu estudos bíblicos com umas quarenta e cinco pessoas, que agora são Testemunhas.

      CIDADE DE QUEBEQUE — NOVO CAMPO

      Não havia então nenhuma atividade organizada das Testemunhas de Jeová na cidade de Quebeque, capital da província. Assim, perto do fim de 1945, cinco de nós fomos designados para lá. O ambiente era bem diferente da cosmopolita Montreal.

      Na Cidade de Quebeque, a Igreja exercia domínio total; os sacerdotes, com suas batinas, estavam em toda a parte. O próprio ar parecia exalar medo e opressão. Ali moravam tanto o cardeal católico como o ditatorial Duplessis. Acharíamos ouvidos atentos neste baluarte do catolicismo?

      No começo, as pessoas da Cidade de Quebeque eram muito amigáveis e receptivas às nossas visitas de casa em casa. Meu companheiro, John How, e eu colocamos cada um mais de cem compêndios bíblicos durante nosso primeiro mês ali. Quando arranjamos uma reunião, no lar duma senhora interessada, dez membros da família estavam presentes. A longa palestra foi animada e muito franca. Embora nominalmente católicos, na realidade eram antagônicos à Igreja. Antes de partir, distribuí uma pasta inteira de publicações, inclusive vários exemplares do livro Inimigos. Um destes ficou com Alphonse Beaudet, irmão do dono da casa.

      Poucos dias depois, alguém falou comigo na rua. Era o mesmo Alphonse Beaudet. “Posso acompanhá-lo na visita a alguém para uma palestra bíblica?”

      “Sim, por que não?” respondi. Em caminho, ele me contou a sua história.

      Depois de minha visita à sua família, na noite do domingo anterior, Alphonse voltara para casa e passara a noite inteira lendo o livro Inimigos. Devorou-o em três dias de leitura. Terminando, ajuntou todas as suas imagens, crucifixos e estátuas da sua casa e os destruiu lá fora em plena vista de seus vizinhos católicos. Mas, não era só isso.

      A seguir, dirigiu-se ao bispo e mandou seu nome ser retirado do rol de membros da Igreja Católica. Depois veio procurar-me. Hoje, mais de trinta anos depois, Alphonse ainda ensina a Bíblia na Cidade de Quebeque, e seu zelo notável e sua devoção ajudaram muitas pessoas a servir a Jeová Deus com fidelidade.

      Em pouco tempo formou-se uma pequena congregação na Cidade de Quebeque, e começamos a realizar reuniões congregacionais, regulares. Mas, as condições pacíficas não duraram. Não demorou muito até que os sacerdotes começaram a usar os púlpitos e a imprensa católica para criar uma tempestade de ódio. Seguiu-se uma série de prisões e condenações.

      O Juiz Jean Mercier, na localidade, anunciou que a polícia recebera instruções para “prender à vista toda Testemunha conhecida ou presumida”. De repente, a perseguição na antiga Quebeque se tornou notícia de costa a costa. Isto produziu uma reação do resto do Canadá, escandalizado porque um juiz, supostamente imparcial, era tão injusto.

      Durante 1946 e 1947, houve tantas condenações, mandados, apelações e processos na Cidade de Quebeque, que a imprensa chamou isso de “batalha dos mandados”. Ao todo, passei quatro meses na prisão sob as acusações costumeiras de “perturbação da paz”, “mascatear sem licença”, e assim por diante.

      Fui convidado a cursar a nona classe da Escola Bíblica de Gileade, mas ainda estava na prisão quando chegou o tempo para me matricular, em fevereiro de 1947. Graças a Deus, fui liberto sob fiança bem na hora de se iniciar o curso. No entanto, antes de se completar o curso, o Supremo Tribunal do Canadá rejeitou minha apelação e cancelou a fiança.

      Lamentavelmente, tive de deixar a maravilhosa associação cristã em Gileade e voltar à cadeia em Quebeque. O matriculador da Escola enviou-me as folhas de prova à cadeia, onde respondi às perguntas e as enviei de volta, para receber as notas. Assim foi possível completar o curso, embora eu não estivesse presente no dia da formatura.

      Até mesmo a cadeia tinha suas compensações. No pátio de recreio muitas vezes pude proferir um discurso bíblico a tantos quantos vinte presos. Um deles, mais tarde, tornou-se Testemunha de Jeová.

      NOVA DESIGNAÇÃO

      No verão de 1947, recebi uma nova designação, como representante viajante das Testemunhas de Jeová, agora chamado superintendente de circuito. Servi na Província de Quebeque, onde havia apenas um circuito com uma dúzia de congregações, na maioria bem pequenas.

      As reuniões freqüentemente eram realizadas com grupos de missionários e um ou dois interessados. Quando fui enviado para animar os pioneiros, como são chamados os proclamadores do Reino por tempo integral, a firmeza deles em face de oposição foi para mim muito fortalecedora. Em 1949, casei-me com Yvette Ouellette, pioneira fiel em Montreal, e ela me acompanhou depois no serviço de circuito.

      O primeiro grupo que visitei como superintendente de circuito era a Estação Ste. Germaine, nos morros ao sul da Cidade de Quebeque. Ela se compunha de uma família, Aime Boucher, sua esposa e três filhos. Eles eram pobres, humildes e amáveis, morando num pequeno sítio rochoso. O irmão Boucher esperou por mim na estação com uma carroça de bois. Apesar da situação difícil, Aime Boucher era homem de coragem e testemunha muito eficiente da verdade.

      VITÓRIAS NO SUPREMO TRIBUNAL

      O ano de 1950 ficou assinalado pelas primeiras cinco grandes decisões judiciais ganhas pelas Testemunhas de Jeová no Supremo Tribunal do Canadá. A primeira vitória foi o caso de Aime Boucher. A decisão favorável foi a primeira vitória significativa contra a opressiva aliança entre Igreja e Estado que controlava Quebeque.

      Jeová frustrou adicionalmente o ataque inimigo por levar um dos meus próprios casos perante o Supremo Tribunal canadense. A decisão favorável neste caso de teste, em outubro de 1953, deu a vitória em mais 1.100 outros casos, em que o mesmo princípio de liberdade religiosa era o fator governante. Isto abriu uma nova era de edificação da verdadeira adoração de Jeová em Quebeque.

      Embora as decisões judiciais melhorassem nossa situação legal, ainda foi necessário muito trabalho para vencer o medo e o preconceito que se haviam criado. Alguns donos de salões ainda receavam alugar seus prédios às Testemunhas de Jeová. Por isso, um bondoso oficial da polícia me deu uma carta com timbre da polícia, declarando que as Testemunhas de Jeová eram uma organização legal e que os proprietários de salões podiam sentir-se à vontade para alugar-nos seus locais. Depois disso, as diretorias de escolas protestantes e católicas começaram a ceder-nos prédios para as nossas assembléias de circuito.

      EXCELENTE REAÇÃO À PREGAÇÃO DO REINO

      Depois de passar doze anos em Quebeque, foi-me pedido, em 1957, servir toda a parte oriental do Canadá como superintendente de distrito, trabalho que envolve visitar e servir circuitos das Testemunhas de Jeová, e proferir discursos nas suas assembléias de circuito. Depois, por três anos, servi como superintendente de distrito na Colúmbia Britânica, na parte ocidental do Canadá.

      Todavia, nunca perdi meu amor por Quebeque. De fato, eu me atarefava tanto em incentivar os irmãos a ir para Quebeque, onde havia grande necessidade de pregadores do Reino, que fui apelidado de “Gaiteiro de Quebeque”. Muitos daqueles a quem eu falei mudaram-se para Quebeque, aprenderam o francês e fazem agora bom trabalho para edificar as congregações do povo de Jeová ali.

      Em 1969, Yvette e eu voltamos a Quebeque, onde servi como superintendente de distrito até 1972. Naquele ano, responsabilidades familiares obrigaram-nos a nos estabelecer em Montreal, onde temos servido como pioneiros especiais já por quatro anos. Durante este tempo, quarenta e quatro pessoas com as quais temos realizado estudos bíblicos se batizaram como Testemunhas de Jeová.

      Em 1974, tive o privilégio de ir para St. Pierre e Miquelon, pequenas ilhas francesas no Atlântico Norte, com o objetivo de abrir ali a obra das Testemunhas de Jeová. Os sacerdotes ficaram sabendo da minha visita e anunciaram-na pelo rádio, para advertir os seus paroquianos. O anúncio foi um tiro pela culatra. Muitos moradores cumprimentaram-me cordialmente. “Oh! Sr. Saumur, já soubemos do senhor. Por favor, entre.”

      Em poucas semanas, iniciei oito estudos bíblicos e lancei o alicerce para maior atividade das Testemunhas de Jeová. Quando parti, dois missionários da França foram designados para lá, a fim de continuarem a divulgar as boas novas do reino de Deus.

      Tive uma experiência extraordinária, em 1975, quando me encontrei com alguns membros influentes dum pequeno grupo religioso francês, de umas 1.500 pessoas, chamado “La Mission de l’Esprit Saint” (A Missão do Espírito Santo). Depois duma longa palestra com um destes homens, ele perguntou se podia vir com uns amigos para falar comigo. “Claro que sim”, respondi. Alguns dias depois, ele chegou com outros membros e as esposas deles — quarenta pessoas ao todo!

      Com o tempo, eles fecharam sua igreja, fecharam sua escola, e todos os seus “servos” renunciaram. Daí, disseram aos seus membros que deviam estudar com as Testemunhas de Jeová. De repente, mil pessoas queriam estudos bíblicos!

      No período de dois meses, coloquei entre eles 1.300 compêndios bíblicos. Muitos dos estudos cessaram depois, mas perto de cem pessoas deste anterior grupo religioso foram imersas como Testemunhas de Jeová, e quatrocentas outras estão estudando ou freqüentando as reuniões nos Salões do Reino. Espera-se que mais sejam imersas em breve.

      Devo dizer que estes mais de trinta anos no serviço de pregação por tempo integral têm sido preciosos e satisfatórios. Tem havido problemas. Mas Jeová nos tem apoiado e ajudado a vencer todos os obstáculos. A Bíblia diz com exatidão a respeito dos servos de Deus: “Nenhuma arma que se forjar contra ti será bem sucedida.” — Isa. 54:17.

      Quão veraz foi isso em Quebeque! Onde havia 356 proclamadores do reino de Deus em 1945, há agora mais de 8.000. As oito congregações em Quebeque, em 1945, tornaram-se 149. O único pequeno circuito de 1947 tornou-se dez circuitos. Deveras, ‘o deserto espiritual floresceu como o açafrão’. (Isa. 35:1) Quando eu olho para trás, para estes anos fascinantes, eu não mudaria coisa alguma deles. Tem sido e ainda é um privilégio lutar para defender a verdadeira adoração.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja Despertai! de 8 de dezembro de 1973.

      [Foto na página 403]

      O escritor e sua esposa, hoje.

      [Foto na página 405]

      Antes analfabeta, ensinou a muitos as verdades bíblicas.

  • Por dentro das notícias
    A Sentinela — 1977 | 1.° de julho
    • Por dentro das notícias

      A Poligamia É Aceitável?

      ● Por um voto de quarenta contra seis, o Oitavo Sínodo Provincial da uma esposa pode ser aceito naquela organização religiosa, junto com suas esposas e seus filhos crentes. Isto é permitido em “casos excecionais e meritórios”. Segundo o periódico “The Christian Century”, os participantes do sínodo “concordaram que, ‘embora a poligamia . . . se choque com o pleno ideal do casamento cristão’, é às vezes impossível evitar situações em que existe tal choque”.

      À primeira vista, pode parecer a alguns que se trata dum arranjo que mostra consideração. Mas, o raciocínio e as normas do homem não são de interesse primordial em tais assuntos. A monogamia (de ter apenas um cônjuge vivo) foi a norma original que Jeová Deus estabeleceu para a família. Mais tarde ele tolerou a poligamia, até o seu tempo devido para restabelecer essa norma original. Isto ele fez na congregação cristã. Por conseguinte, exigia-se que os anciãos congregacionais e os servos ministeriais fossem “marido de uma só esposa”. (1 Tim. 3:2, 12) Além disso, o apóstolo Paulo declarou: “A mulher casada está amarrada por lei ao seu marido enquanto ele viver . . . enquanto o seu marido viver, ela seria denominada adúltera caso se tornasse de outro homem.” — Rom. 7:2, 3.

      Em harmonia com estes requisitos divinos, aqueles que desejaram dedicar sua vida a Jeová Deus, mas ficaram envolvidos em uniões polígamas, acabaram com tais arranjos. Tais homens fizeram as devidas provisões para os filhos que tiveram em resultado de casamentos polígamos. Mas, só depois de terem harmonizado sua vida com os requisitos justos de Deus puderam fazer uma dedicação a Deus e ser batizados como Testemunhas de Jeová.

      Desastre Econômico à Frente

      ● Citando a “Carta Macaskill”, impressa em Joanesburgo, na África do Sul, o periódico “Barron’s”, de 6 de dezembro de 1976, declarou: “Os governos, as cidades, as empresas e as pessoas do mundo estão em bancarrota. É agora uma corrida contra o tempo, antes de todo o sistema entrar em colapso. Não há saída desta enrascada. Inevitavelmente, o desastre econômico está à frente. Não há medidas que se possam adotar para salvar a situação.”

      Exatamente quão breve virá o temido “desastre econômico” está em dúvida. Mas a Bíblia indica um tempo muito próximo em que se cumprirão as seguintes palavras de Deus, por meio do profeta Ezequiel: “Nem a sua prata nem o seu ouro poderá livrá-los no dia da fúria de Jeová.” (Eze. 7:19) É sábio, então, que as pessoas piedosas que possuem riquezas não depositem sua confiança nelas, nem as usem para fins egoístas. Antes, devem seguir o conselho de Jesus Cristo, que disse: “Fazei para vós amigos por meio das riquezas injustas, para que, quando estas vos falharem, vos recebam nas moradias eternas.” — Luc. 16:9.

      Os donos das “moradias eternas” são Jeová Deus e Jesus Cristo. (João 6:37-40, 44) Aqueles que usam suas riquezas de modo correto, como em auxiliar os necessitados e em promover a pregação das “boas novas”, terão a Jeová Deus e seu Filho Jesus Cristo por amigos. — Gál. 2:10; Fil. 4:15.

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