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  • O “canal do Panamá” da Europa
    Despertai! — 1977 | 8 de agosto
    • O “canal do Panamá” da Europa

      Do correspondente de “Despertai!” na Alemanha Ocidental

      SE ALGUÉM lhe pedisse que mencionasse os principais canais do mundo, quais deles teria em mente? É provável que citasse o Canal do Panamá, sim, e o de Suez também. Se morasse no norte da Europa, contudo, sua resposta influiria o “Canal do Mar do Norte ao Báltico”, também conhecido como Canal de Kiel.

      Já ouviu falar dessa via navegável? É grande a sua importância. O Canal do Mar do Norte ao Báltico atravessa a Península Cimbriana, faixa de terra de cerca de 450 quilômetros de comprimento. Da cidade marítima de Hamburgo, Alemanha, este istmo se estende para o norte, até o Cabo Skagen, na ponta mais setentrional da Dinamarca. Separa o Mar do Norte do Mar Báltico.

      O Canal do Mar do Norte ao Báltico atravessa essa massa terrestre desde Brunsbüttel, no Rio Elba, indo em direção nordeste para Kiel-Holtenau, nas margens da Baía de Kiel, que leva ao Báltico. Não fora esse canal, a travessia de um mar para o outro exigiria que os navios dessem longa volta ao redor do Cabo Skagen, numa distância de cerca de 460 quilômetros ou 250 milhas náuticas.

      Poderíamos chamar esta via navegável construída pelo homem de o “Canal do Panamá” da Europa. Mas, é ainda mais utilizado que esse canal mais conhecido. Até 85.000 navios utilizam cada ano o Canal do Mar do Norte ao Báltico. Isso é quase quatro vezes mais que o total dos que atravessam o Canal de Suez, e cinco vezes mais que os que utilizam o Canal do Panamá num ano. Um administrador do Canal do Mar do Norte ao Báltico calculou que, se o total anual de navios fosse alinhado de ponta a ponta, com o espaço necessário entre eles, o resultado seria um comboio de 44.000 quilômetros de comprimento, pouco mais do que uma volta da terra ao redor do equador. Este total não inclui barcos esportivos que usam esta via navegável.

      A Necessidade do Canal

      O Canal do Mar do Norte ao Báltico remonta agora a oitenta anos de serviço. Foi através da influência do Primeiro Ministro alemão, Otto von Bismarck que o projeto do canal foi iniciado. Bismarck o considerava como meio diplomático. Compreendendo que a marinha germânica precisava duma eficiente via navegável para o movimento da frota entre os Mares do Norte e Báltico, Bismarck granjeou o apoio do Kaiser Guilherme II para a construção do canal.

      O projeto se assemelhava a uma operação militar. As vezes, até 8.900 pessoas trabalhavam nele. A construção do canal com suas eclusas, pontes e instalações portuárias exigia que os operários movimentassem cerca de 82 milhões de metros cúbicos de terra. Os operários trabalharam nele de 1888 até 1895. O “Canal do Kaiser Guilherme”, como era então clamado, custou 156 milhões de marcos. A inauguração oficial se deu em 21 de junho de 1895, no meio de requintadas festividades.

      Mais tarde, tornou-se necessário expandir e modernizar o canal. Atualmente, tem 98 quilômetros de extensão e 11 metros de profundidade. Tem 162 metros de largura ao nível da água, e estreita-se para 90 metros no fundo.

      Para compensar os diferentes níveis de água do Mar do Norte e do Báltico, o Canal do Mar do Norte ao Báltico possui duplas eclusas em ambas as pontas. É possível receber navios de até 310 metros de comprimento. Dois centros de controle operam luzes de sinalização e transmitem comunicações pelo rádio que ajudam o trânsito seguro e rápido.

      Vista Panorâmica na Passagem

      Ir dum extremo ao outro do canal leva de sete a nove horas, dependendo do tipo de navio. A viagem permite que os observadores relanceiem a panorâmica região campestre do estado setentrional de Schleswig-Holstein, da República Federal Alemã. Recentemente fiz essa viagem num cargueiro. Deixe-me descrever-lhe algumas das coisas vistas na viagem.

      Durante a breve primeira etapa de nossa viagem, um prático especialmente treinado dirige o navio por entre as minas que estão no Mar do Norte desde a Segunda Guerra Mundial. Minas similares ainda existem na outra ponta do Canal, no Mar Báltico. Não é permitido que os navios naveguem em rotas escolhidas por eles mesmos nessas áreas, mas eles têm de seguir rotas específicas.

      Deixando o Mar do Norte, viajamos por curta distância pelo Rio Elba até o porto de Brunsbüttel. Uma luz verde nos diz que podemos penetrar pela eclusa. Mãos fortes, de marujos que trabalham nas docas, agarram pesadas cordas e prendem seguramente o navio aos postes de amarração da eclusa.

      Agora vem o breve período de espera em que o comandante cuida das formalidades e o navio recebe água e mantimentos. Os marujos que há muito estão no mar aproveitam a oportunidade para telefonar para casa ou escrever aos entes queridos. Alguns marinheiros da Europa encontram-se com suas esposas e filhos aqui, e os levam na viagem pelo canal.

      Por fim, é — hora de prosseguirmos. Orientado por um prático, nosso navio desliza até o canal. Estende-se diante de nós uma região alagada, plana, verdejante, pontilhada de fazendas. Nos primeiros vinte quilômetros, o Canal do Mar Norte ao Báltico atravessa regiões de sedimentos depositados pelo mar. Em alguns lugares, a terra se situa a 3 metros abaixo do nível de água do canal. Por causa disso, as pessoas que andam ou que guiam veículos pelo campo têm a estranha ilusão de que um navio desliza sobre campinas e campos.

      Perto do meio do canal, notamos que suas margens se tornam mais elevadas e estão recobertas de árvores e arbustos. Sebes plantadas em pequenos montes de terra cercam os campos e as campinas, servindo de proteção contra os ventos sempre presentes. O lilás entre algumas destas sebes aumenta a beleza e a doce fragrância da atmosfera. A parte oriental, contudo, é composta de solo margoso, o que contribui para que seja frutífera terra agrícola. Ao todo, o Canal do Mar do Norte ao Báltico atravessa um cinturão agrícola que ultrapassa, em importância econômica, a qualquer outro estado da República Federal Alemã.

      Os últimos quilômetros de nossa viagem pelo canal são deveras panorâmicos. Pouco antes de elevarmos às eclusas, vemos grandes propriedades com suas mansões abrigadas em ambientes semelhantes a parques. Isto nos recorda uma era do passado em que os cavaleiros e os nobres possuíam essa região. Logo depois, contudo, margens pavimentadas de tijolos, silos, guindastes, tanques de petróleo e pontes nos dizem que chegamos a Kiel-Holtenau, o fim de nossa viagem pelo canal.

      Centenas de veleiros saúdam nossos olhos, pois Kiel é conhecida como a meca dos entusiastas por veleiros. Ver velas brancas misturadas com coloridas velas ponteiras, chamadas velas de fortuna, serve como agradável fim de nossa viagem pelo famoso “Canal do Panamá” da Europa.

      [Mapa na página 10]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      DINAMARCA

      Schleswig

      Rendsburgo

      Baía de Kiel

      MAR DO NORTE

      MAR BÁLTICO

      Kiel

      CANAL DO MAR DO NORTE AO BÁLTICO

      Brunsbüttelkoog

      Lübeck

      Rio Elba

      ALEMANHA OCIDENTAL

      Hamburgo

      ALEMANHA ORIENTAL

  • Quando se estabeleceu o conteúdo da Bíblia?
    Despertai! — 1977 | 8 de agosto
    • Quando se estabeleceu o conteúdo da Bíblia?

      “A IGREJA Católica”, escreveu certo sacerdote a uma senhora que estudava a Bíblia com as testemunhas cristãs de Jeová, “decidiu de uma vez para sempre todo o conteúdo e a interpretação da palavra de Deus”. Sua declaração estava de pleno acordo com a Nova Enciclopédia Católica (em inglês), que declara: “Segundo a doutrina católica, o critério aproximado do cânon bíblico é a decisão infalível da Igreja. Esta decisão não foi feita senão em época um tanto posterior da história da Igreja (no Concílio de Trento).” — Vol. 3, p. 29.

      O Concílio de Trento foi realizado no século dezesseis. Será que a fixação do conteúdo da Bíblia realmente teve de esperar até essa data tardia?

      Jesus Cristo e seus discípulos do primeiro século certamente não tiveram problemas de determinar que livros eram inspirados por Deus. Como seus concidadãos, Jesus Cristo aceitava as três divisões básicas do que é atualmente chamado, de modo comum, de “Velho Testamento” — a Lei, os Profetas e os Salmos — como a Palavra de seu Pai. Depois de sua ressurreição, por exemplo, disse ele a dois de seus discípulos: “Estas são as minhas palavras que vos falei enquanto ainda estava convosco, que todas as coisas escritas na lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos, a respeito de mim, têm de se cumprir.” (Luc. 24:44) As Escrituras Gregas Cristãs (ou “Novo Testamento”) usam expressões tais como “as Escrituras”, as “sagradas Escrituras” e “os escritos sagrados” (Atos 18:24; Rom. 1:2; 2 Tim. 3:15) Estas eram, obviamente, denominações que tinham significado específico para as pessoas que então viviam. O que eram tais “sagradas Escrituras” certamente não continuaram em dúvida até o tempo em que os clérigos afirmaram tê-las definido, no século dezesseis.

      É digno de nota que o Concílio de Trento não acompanhou Jesus Cristo e seus primeiros discípulos em aceitar somente os livros do estabelecido cânon das Escrituras Hebraicas. Tal concílio aceitou livros apócrifos. Estes eram livros sobre os quais o erudito Jerônimo, tradutor da Vulgata latina, escreveu a certa senhora, em relação à educação de sua filha: “Todos os livros apócrifos devem ser evitados; mas, se ela quiser alguma vez lê-los, . . . deve ser informada de que não são as obras dos autores por cujos nomes se distinguem, que eles contêm muitas falhas e que é uma tarefa que exige grande prudência, achar ouro no meio do barro.”

      Ao declarar que certos livros apócrifos ou deuterocanônicos formavam parte do cânon da Bíblia, o Concílio de Trento também desconsiderou as palavras do apóstolo Paulo: “Foi [aos judeus] que foram confiados os oráculos de Deus.” — Rom. 3:2, A Bíblia de Jerusalém, católica.

      Que dizer das Escrituras Gregas Cristãs? Os escritos que constituem essa parte da Bíblia eram aceitos como inspirados desde o início. Naquele tempo havia cristãos que tinham os dons miraculosos de discernir declarações inspiradas. (1 Cor. 12:10) O apóstolo Pedro podia, por conseguinte, classificar as cartas do apóstolo Paulo junto com o restante das Escrituras inspiradas. Lemos: “ Assim como vos escreveu também o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando destas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas, porém, há algumas coisas difíceis de entender, as quais os não ensinados e instáveis estão deturpando, assim como fazem também com o resto das Escrituras.” — 2 Ped. 3:15, 16.

      Esta fixação logo de início do cânon das Escrituras Gregas Cristãs também é confirmada pelas listas dos livros inspirados que datam do segundo ao quarto século E. C.

      Em última análise, então, cada livro da Bíblia foi aceito como inspirado pelos crentes desde o próprio início. Quando terminou a escrita da Bíblia no primeiro século E. C., nada quanto à sua canonicidade ficou para ser determinado séculos mais tarde.

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