Os Jovens Perguntam . . .
Quando a música termina, como resolvemos os problemas?
FINALMENTE acabou mais um dia de aula. Susana, feliz da vida, podia então ir para casa, recolher-se ao retiro de seu quarto, mergulhar na música e esquecer o mundo!
É essa uma descrição perfeita do que acontece no seu caso? Um estudo a respeito dos gostos musicais dos jovens, realizado em Berlim e em Hamburgo, Alemanha, revelou que eles gastam de uma e meia a três horas por dia ouvindo música. Seis de cada dez colocaram a música de ritmo forte e a música pop no alto de suas listas. Por que é maior o interesse nesse tipo de música?
Jovens entrevistados disseram que isso se dava por causa do seu desapontamento com o mundo que os cerca e do seu desejo de espairecer seus problemas. Essa era uma razão essencial, no caso de Susana. Professores apoquentadores, ansiedade a respeito de deveres escolares e exames, tudo era esquecido ao som dos primeiros acordes. Amiúde esquecidos, também, eram as tarefas e os deveres de casa.
Susana tinha pouco contato com os seus pais. Raramente via seu pai, talvez rapidamente nos fins de semana. “Ele trabalha muito”, explicou a mãe dela. Susana não tinha tanta certeza disso. Mas, duma coisa tinha certeza: não era a espécie de casamento que queria para si. O marido dela teria tempo para ela e para os filhos, como decantava uma de suas músicas preferidas.
Sua mãe, que também trabalhava fora, parecia sempre nervosa. Parecia estar sempre sob tensão, sempre correndo, não disposta a ouvir a ninguém que talvez quisesse falar com ela. Preparava às pressas o jantar, fazia algum serviço caseiro e em seguida ou afundava-se diante da TV ou caía na cama, morta de cansada.
Susana conhecia muitos outros jovens que também tinham queixas contra seus pais. É um fato que, nos anos recentes, o vínculo entre pais e filhos enfraqueceu consideravelmente. Muitos pais não mais escutam o que seus filhos lhes querem dizer, e grande número de filhos não mais recorrem a seus pais em busca de orientação na solução de seus problemas da vida.
Os jovens, contudo, em geral querem ajuda para planejar seu futuro. Precisam de alguém que lhes possa mostrar compreensão, alguém que os escute falar a respeito de planos futuros ou desapontamentos passados. Visto que a música é parte tão importante de suas vidas, não é de admirar que muitas vezes eles olhem para os músicos e cantores como exemplos a seguir. Sim, as vezes eles até os idolatram.
Que Têm a Oferecer os Astros da Música “Pop”?
As canções modernas amiúde tratam dos temores e desapontamentos contemporâneos. Assim, os jovens que realmente têm esses problemas sentem-se compreendidos pelos intérpretes que cantam a respeito desses.
Naturalmente, simplesmente queixar-se da deplorável situação das coisas hoje — mesmo quando feito sob a estrutura da música — realmente não muda as coisas nem resolve os problemas. De modo que não é estranho que os que cantam a respeito de seu mundo aparentemente saudável, ou que pelo menos sonham com ele, são afligidos pelos mesmíssimos problemas comuns a todos nós.
As realidades da vida servem como teste de estilos de vida, revelando se são ou não exeqüíveis. A vida que levam os astros da música é amiúde uma distorção da vida livre e tranqüila a respeito da qual cantam. Os astros do rock freqüentemente são incapazes de formar relacionamentos equilibrados, tipo parceria. Chrissie Shrimpton disse sobre seu relacionamento amoroso com Mick Jagger, membro dos Rolling Stones: “Era simplesmente um absurdo querer partilhar a vida com um homem que, por um lado, queria pertencer a todo mundo, mas que, por outro lado, não queria pertencer a você, mesmo quando tinha tempo para isso.”
Por mais de duas décadas Elvis Presley foi um superastro. Numa biografia de Presley lemos que embora tivesse tido “uma carreira inacreditável . . . ele não era feliz. Tinha poucos amigos genuínos. Vivia rodeado, como muitas vezes se queixou, ‘quer de fãs, quer de parasitas’. Ele não tinha paz mental”.
Que fim levou Elvis? A biografia prossegue: “Ele era incapaz de enfrentar essa situação. Recorreu a drogas, a estimulantes e a calmantes, ficou cada vez mais implicante, não mais era o rapaz polido que costumava ser. Os que o conheciam bem ainda o admiravam, mas não mais o amavam. Viveu sozinho, embora não em retiro, e morreu sozinho.”
A popularidade e o prestígio, no fim, não são substitutos para uma vida significativa e satisfatória. George Harrison, membro do ex-conjunto dos Beatles, disse: “Não mais havia nisso qualquer satisfação.”
Talvez esse vazio da fama e o descontentamento com a vida que esse acarreta sejam parcialmente responsáveis pelo comportamento de alguns dos expoentes do mundo artístico. Quartos de hotel têm sido estragados, carros demolidos e, freqüentemente, pessoas têm sido feridas. Tal comportamento não é indicativo de equilíbrio e compostura. Ao contrário, denota um espírito de frustração.
Um amigo de Mick Jagger disse certa vez: “Mick sempre teve um conflito íntimo. Ele nunca desejou a imagem negativa que pesava sobre ele e os Stones. Mas, a fim de enfrentar a situação, ele . . . tornou-se o homem mau, agressivo, que é a imagem que a imprensa fez dele. . . . Por outro lado, sempre sonhava a respeito dum mundo saudável, em que a malícia e os mecanismos do poder não imperassem.”
O mundo de felicidade e harmonia, que os astros da música pop decantam, parece atraente. E talvez sejam muito bons em entoar o que há de errado com o nosso mundo atual. Mas, o conhecimento duma situação não a muda. E o estilo de vida deles está em contradição com os seus sonhos de um mundo saudável, um que eles não podem criar para os outros, nem mesmo para si próprios. Mais cedo ou mais tarde a música termina, deixando tanto o cantor como o ouvinte ainda sobrecarregados de problemas.
A Opção por um Exemplo Melhor a Seguir
Em resultado, muitos jovens chegaram à conclusão de que olhar para os astros da música pop, como exemplos pelos quais modelar sua vida é olhar na direção errada. Um desses é o rapaz alemão de quatorze anos, que escreveu o seguinte à Sociedade Torre de Vigia:
“Até os meus doze anos, parecia que a música tinha pouca influência sobre mim. Naturalmente, eu ouvia música no rádio, mas isso era tudo. Mas isso mudou de repente, quando fomos morar em outro lugar e minha avó deu a mim e a meu irmão um toca-discos. Fiquei pensando que tipo de discos deveria comprar. Meus pais sugeriram Elvis Presley e eu concordei. Comprei um de seus álbuns. Após ouvi-lo, fiquei entusiasmando. Comprei outro. Mas não parou aí. Comecei a colecionar recortes de jornais sobre ele e fotografias. Mais tarde, comprei alguns de seus posters. Mas isso ainda era apenas o começo. Passei a usar um corte de cabelo igual a um que Elvis usava e comecei a imitar seus modos. Tentei vestir-me do jeito dele. Quando completei quatorze anos, que é que eu tinha? Pelo menos quinze álbuns de Elvis, posters, pilhas de recortes e uma consciência pesada.”
Por que uma “consciência pesada”? Porque, embora jovem, esse garoto veio a compreender que imitar ou idolatrar humanos imperfeitos é insensato e autofrustrador. Seu conceito agora é bem mais equilibrado, e ele conclui sua carta dizendo: “Que isso sirva de alerta para outros jovens não irem tão longe.”
Muitas pessoas, incluindo esse rapaz, decidiram modelar sua vida segundo um outro personagem. É um homem que viveu uns 1.900 anos atrás e que fez o seguinte convite a seus ouvintes: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei.” (Mateus 11:28) O autor dessas palavras foi Jesus de Nazaré.
O jovem que respeita a Palavra de Deus, como Jesus respeitou, e que permite que ela seja seu guia em todos os campos do empenho humano, descobrirá que ela oferece conselho prático sobre como levar uma vida feliz e como enfrentar os problemas da vida. Adicionalmente, ela prega a maravilhosa perspectiva de que esta terra algum dia será limpa da corrupção, da violência, do crime, da injustiça e da poluição.
Optar por modelar sua vida segundo esse homem, Jesus, e segundo seus seguidores modernos, não significa que você precisa levar a vida dum piedoso asceta. Observe as testemunhas cristãs de Jeová. Verificará que são pessoas felizes, normais. Pela experiência verificaram ser impossível achar conselhos melhores sobre como enfrentar os problemas da vida do que os contidos na Bíblia. Teriam prazer em convidá-lo a examinar pessoalmente o assunto.
[Destaque na página 24]
Mais cedo ou mais tarde a música termina, deixando tanto o cantor como o ouvinte ainda sobrecarregados de problemas.
[Foto na página 23]
Suas canções tratam dos temores e desapontamentos da vida moderna.