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Deve ser proibida a visita aos lares sem convite?Despertai! — 1972 | 22 de junho
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Deve ser proibida a visita aos lares sem convite?
Do correspondente de “Despertai!” na Dinamarca
O QUE pensa das pessoas que visitam seu lar sem serem convidadas? Acha que se trata duma liberdade que prefere ver preservada, embora talvez lhe cause alguma inconveniência às vezes?
Ou acha que gostaria de ver serem promulgadas leis que proíbam a qualquer pessoa de visitar os lares sem convite prévio? Na verdade, a promulgação de tais leis nos livraria de visitantes indesejados. Mas, pôr em vigor todas as conseqüências de tal proscrição torna claro que isto não seria desejável.
Por exemplo, uma vizinha talvez a visite sem ser convidada para pedir emprestado açúcar ou café; mas, daí, talvez seja a leitora quem precisa pedir emprestado tais itens. Um motorista cujo carro sofra um estouro de pneu ou um acidente talvez queira usar seu telefone; ou poderia ser aquele que precisa de tal ajuda. Talvez alguém na vizinhança precise de ajuda por causa duma doença, ou devido à chegada dum bebê antes que a mãe antecipava; ou, talvez, se trate de sua própria doença, de seu bebê chegar antes do que esperava e precisar fazer uma visita sem ser convidada.
O que dizer, também, de convidados inesperados, tais como parentes ou velhos amigos a quem não tenha convidado, mas que passavam pela vizinhança e pararam ali por alguns instantes? Nunca fez isso? Daí, há os vendedores que oferecem itens que talvez deseje, poupando-lhe a ida até a loja. Outros oferecem serviços ou fazem coletas talvez de roupas usadas, jornais ou de dinheiro para obras de caridade. Talvez até receba um visitante, sem convite, que lhe diga que sua casa está pegando fogo!
Assim, pode ver que, quando uma pessoa visita outra, embora sem ser convidada, há vantagens bem como desvantagens. E, ao passo que talvez pense primariamente nas desvantagens quando outros visitam a sua porta, ponha-se no lugar deles e lembre-se de que talvez tenha necessidades semelhantes alguma vez. Isso realmente coloca o assunto numa luz diferente, não coloca?
Método Antigo
Visitar outros sem convite é um costume milenar. Tem sido permitido por quase toda comunidade civilizada através da história. Por milhares de anos, as pessoas visitam outras para lhes pedir ajuda, para vender-lhes algo ou para proferir uma mensagem — política, religiosa ou de outra natureza.
Jesus Cristo usou este método, também, há mais de 1.900 anos atrás. Visitou pessoas sem convite prévio, incentivando-as a ouvir a mensagem mais grandiosa que os humanos sofredores já ouviram. É também o método que ensinou seus seguidores a usar. Instruiu-os a fazer sistemática cobertura de povoados e aldeias por irem de casa em casa, visitando todos os habitantes da área, e isto sem convites prévios. — Mat. 10:11-14.
Deste modo, de porta em porta, o conhecimento do Cristianismo se espalhou por quase toda a área do Mediterrâneo no decorrer de uma única geração. Aqueles que receberam com hospitalidade tais mensageiros da liberdade e da vida foram ricamente recompensados por sua hospitalidade.
Assim, quando as testemunhas cristãs de Jeová visitam a sua casa, usam o método que Jesus mandou que seus seguidores usassem.
‘Movimento de Porta em Porta’ da Dinamarca
Entrar em contato com as pessoas em seus lares entrou em foco recentemente de outro modo. Na Dinamarca, em princípios de 1971, viu-se o início duma campanha conhecida como ‘movimento de porta em porta’.
O jornal Politiken devotou considerável espaço a este movimento, usando manchetes tais como “COMO TOCAREMOS A CAMPAINHA DO NOSSO VIZINHO”, e “50.000 UNIDOS NAS AÇÕES DE PORTA EM PORTA”. Esta campanha visa satisfazer uma necessidade definida que muitos têm, em especial nas metrópoles, necessidade geralmente não satisfeita pela comunidade. Qual é?
Tem de ver com os muitos solitários nas metrópoles. Nas áreas citadinas congestionadas, muitos tendem a ficar isolados devido à idade avançada, enfermidade, timidez ou por outros motivos. Tornam-se estranhos até mesmo para seus vizinhos achegados. Isto acontece muito mais nas cidades do que nas áreas rurais ou pequenos povoados. Assim, tais pessoas realmente não obtêm muita coisa da vida. Dispõem de poucas oportunidades de comunicar-se e usufruir a companhia de outros.
Politiken mencionou um incidente para ilustrar como as pessoas podem ficar isoladas. Escreveu sobre um “senhor de 80 anos que não conseguia tocar a campainha do vizinho, embora se tivesse trancado fora de casa e a temperatura externa fosse de cerca de 12,2°C abaixo de zero. Perambulou por cerca de uma hora e meia antes de um policial vir ajudá-lo e chamar um serralheiro.” Não é triste?
O que os ativistas de porta em porta instam com as pessoas é que visitem mais seus vizinhos e se comuniquem com eles. Como declarou certo membro do movimento: “Sei que aqueles que moram sozinhos em cada andar se sentiriam especialmente felizes com a comunicação.” Isto se dá certamente com muitas pessoas solitárias, em especial as mais idosas e enfermas.
“Portas fechadas deixam as pessoas doentes”, afirmou outro artigo em Politiken durante 1971. O médico do condado, Vagn Christensen, declarou: “Resultam em crianças cronicamente cansadas que ficam tão desinteressadas em seu ambiente que seu desenvolvimento é retardado. . . . Com os adultos, as portas fechadas podem ser a causa de grande estado doentio. O minuto em que se remove a função, o significado e o contato das pessoas, elas se tornam inválidas.”
Assim, no decorrer de alguns meses, cerca de 50.000 pessoas na Dinamarca se tornaram membros do movimento de porta em porta para ajudar as pessoas solitárias. Alguns afirmavam que o rol de membros chegava a perto de 75.000. Uma proscrição da visita aos lares sem convite seria diretamente contrária ao propósito desta campanha de porta em porta. Seria contrária a comunidades mais saudáveis.
Alguns Desejam a Proscrição
Em Brønshøj-Husum News, de 23 de outubro de 1969, foram dadas instruções sobre como os regulamentos policiais de Copenhagen podiam ser usados pelos residentes para impedir a chegada de visitantes. Observava que se poderia colocar um letreiro na porta, dizendo: “PROIBIDAS as visitas sem convite!”
No entanto, alguns gostariam de ir mais longe e fazer com que o governo decretasse uma lei específica proibindo tais visitas. Afirmam que tais visitas violam sua paz e privatividade. Mas, neste respeito, declara o parágrafo 263 do Código Penal da Dinamarca: “Pune-se com multa ou prisão alguém que viole a paz de outro 1) por abrir uma carta ou, de outra forma, obter uma mensagem fechada para outrem, ou impedir a sua entrega, 2) por obter acesso aos bens pessoais de outrem sem motivos razoáveis, 3) por tornar pública a vida particular, doméstica de outrem, 4) por tornar públicas outras partes da vida particular de outrem”, e idéias similares.
O propósito de tal lei é, entre outras coisas, proteger as pessoas de serem espionadas ou de se tornarem públicas as coisas pertinentes a suas vidas privadas. Realmente nada tem a ver com as visitas aos lares sem convite.
Ainda outro aspecto daquele código penal, o parágrafo 264, declara isto com respeito à paz doméstica da pessoa: “Alguém que violar a paz doméstica por forçar sua entrada na casa, no quarto ou no navio de outrem, ou em outro lugar não acessível ao público, será punido com multa ou prisão. A mesma punição se aplicará a alguém que se recuse a abandonar a propriedade de outrem ao lhe ser solicitado isto.”
Mas, isto não torna uma violação visitar alguém o lar de outro e tocar a campainha da porta sem convite prévio. É somente quando alguém recusa sair que tal pessoa viola a lei.
Parecer da Comissão
O que traz a lume este assunto agora é a recomendação de uma comissão designada pelo Ministro da Justiça dinamarquês em 1968. Em seu parecer, publicado em 1970, os membros da comissão sugeriram que fosse proibido por lei que as pessoas fizessem o que chamaram de “visitas pessoais sem convite aos lares particulares”.
O parecer se dirigia primariamente a proibir visitas de natureza comercial, para proteger os compradores de vendedores desonestos. Mas, se a lei se acha formulada de tal modo que se torne impossível, por exemplo, a idéia de um movimento de porta em porta para ajudar os solitários, então a lei seria muito mais ampla do que seu propósito declarado.
Além disso, a lei proposta expressa a tendência que deve ser motivo de preocupação para as pessoas inteligentes. Afirma, realmente, que o governo deve decidir quem deve ou não ter permissão de visitar a sua casa. Mas, será verdade que tantas pessoas são incapazes de fazer esta decisão? Não são capazes, como adultos, de simplesmente dizer “Não” aos visitantes indesejados? E não lança tal lei suspeita sobre todos que visitarem um lar sem convite?
O conselho dos consumidores noruegueses favorece as “vendas de porta em porta” porque as casas se acham espalhadas na maior parte daquele país. Não se aplicaria a mesma coisa a certas áreas da Dinamarca? E o que dizer da venda de revistas ou livros? Muitos verificam ser muito mais fácil assinar uma revista, ou comprar livros, tais como uma coleção de enciclopédias, em sua casa, ao invés de passarem pelas inconveniências de ter de ir a uma loja ou de escrever cartas aos editores.
Perigam Liberdades Vitais
Se fazer visitas pessoais às portas das pessoas sem convite prévio deva ser proibido por lei, isso poderia ser aplicado a muitas coisas que poriam em perigo a liberdade. Por exemplo, poderia ser aplicado ao método de pregação usado por Jesus Cristo e pelos cristãos do primeiro século.
Assim, tal lei poderia ser aplicada contra as testemunhas de Jeová hoje. Mas, não só a elas. Poderia ser aplicada a todas as obras religiosas e de caridade que usam tal método. Atingiria os clérigos da Igreja Nacional Luterana da Dinamarca que fazem visitas domiciliares. Sim, tal lei atingiria duramente a liberdade religiosa. Imitaria algumas das piores características do comunismo, nazismo e fascismo.
A lei em projeto também atingiria duramente a liberdade de expressão. Por exemplo, a Constituição dinamarquesa declara: “Todos têm o direito de tornar públicos os seus pensamentos pela página impressa ou escrita e pela palavra oral, embora sejam tidos por legalmente responsáveis. A censura e outras restrições preventivas não podem ser iniciadas de modo algum.”
Mas, simplesmente ter o direito de ser ouvido é algo vão se os meios de fazê-lo forem tirados da pessoa. E um meio é por fazer visitas sem convite aos lares das pessoas. Assim, a liberdade de expressão envolve o direito de todas as pessoas que não podem ser ouvidas no rádio, na televisão ou nos jornais, e que se têm de fazer ouvidas de outro modo, de porta em porta. A liberdade de expressão não deve ser negada àqueles que não dispõem das grandes quantias de dinheiro necessárias para se usar esses outros métodos de comunicação.
Com o direito de expressar-se livremente vem o direito de distribuir impressos. Se a pessoa desejar alcançar grande número de pessoas, não pode limitar a distribuição apenas às livrarias. Ademais, o dono duma livraria talvez tenha preconceitos e impeça que certas publicações sejam vistas. E nem todos vão às livrarias.
Também, desde que a publicação de tais impressos custa dinheiro, o direito à liberdade de expressão tem de incluir o direito do editor de ter suas despesas cobertas. Se isto não for permitido, então a liberdade de imprensa estaria limitada aos ricos. É por isso que, na Suécia, tem-se expresso a idéia de que a proscrição contra as visitas pessoais “estaria presumivelmente em conflito com a lei da liberdade de imprensa, que tem caráter constitucional”.
Contra tudo isto, alguns argumentam que, se a pessoa desejar saber certas coisas, pode tomar a iniciativa e dirigir-se aos editores. Mas, este argumento não é razoável. Como podem as pessoas ficar a par de certas coisas se não lhes forem trazidas à atenção? Como saberiam para onde se dirigir a fim de ser esclarecidas sobre o assunto, se ainda não foi levado à sua atenção?
Em aditamento, tal lei proposta restringiria a liberdade política. Qualquer pessoa que tenha que ver com assuntos políticos, tais como obter assinaturas para uma petição, sabe que é necessário o contato pessoal. É por meio dele que se pode dar uma explicação, e exercer-se certa dose de persuasão.
O Que Se Pode Fazer?
A liberdade tem seu preço. Isto talvez inclua algumas inconveniências. Isto talvez inclua também o risco de se ser enganado por um vendedor desonesto. As leis que proíbem tais fraudes são necessárias, mas não podem proibir todas as transações comerciais só porque são concluídas à porta.
Proibiria todas as transações comerciais nas lojas e supermercados só porque alguns donos de lojas são desonestos? Por que proscrever uma forma de venda e não outra? É óbvio que uma lei contra uma e não contra outra é altamente discriminatória e abala os próprios alicerces da liberdade.
Na verdade, a liberdade de visitar pessoas sem convite prévio significa que algumas visitas podem ocorrer em ocasiões inconvenientes e perturbar o que se estava fazendo. Mas, não vale a pena pagar-se este preço para a preservação das liberdades básicas? Será algo tão tremendamente difícil abrir a porta e dizer àquele que nos visita: “Não é uma hora conveniente”, ou: “Não estou interessado em conversar com o senhor”? Será esse um preço alto demais a pagar pela valiosa liberdade de decidir por nós mesmos a quem receberemos ou não em nossas portas?
Pense nisso da próxima vez que alguém chegar à sua porta sem convite. Pergunte a si mesmo se não é melhor sofrer um pouco de inconveniência com bom humor ao invés de se viver num país ditatorial. Deve regozijar-se de viver num país que lhe dá o direito de decidir a visita de quem aceitará, bem como lhe concede o direito de fazer também uma visita assim.
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Já fez seu testamento?Despertai! — 1972 | 22 de junho
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Já fez seu testamento?
DESEJARIA que seus bens lhe fossem tirados de forma arbitrária e distribuídos a outros de forma contrária a seus desejos? Bem, efetivamente, isso pode acontecer — se não tiver feito um testamento!
Um testamento é uma declaração legal que explica como deseja que seus bens sejam manejados depois de sua morte. É a expressão final de sua mente, sua vontade, quanto a seus bens.
Tecnicamente, o termo “vontades” na expressão “últimas vontades e testamento” tem que ver com imóveis (tais como terrenos), ao passo que “testamento” se refere a bens pessoais. Falando-se de modo amplo, contudo, atualmente “testamento” é usado para abranger ambos os termos. Já fez seu testamento?
Se morrer sem um, o governo não terá outra escolha senão interferir e dispor de sua propriedade segundo a lei. E isto talvez seja inteiramente contrário à forma que gostaria que fosse distribuída. Assim, seu testamento é importantíssimo.
Todavia, a maioria das pessoas deixam para depois a feitura do testamento. Isso as faz lembrar da morte. E a morte, para elas, é um assunto em que preferem não pensar. No entanto, o cristão deve dar especial consideração àqueles que deixará para trás ao morrer.
É verdade que os cristãos aguardam viver em breve na nova ordem de Deus, onde “não haverá mais morte”. Mas, daqui até lá a vida é insegura e a morte encara a todos. Não se pode ignorar isto. (Ecl. 3:19; Rev. 21:4) O chefe de família cristão, em especial, sabe que tem a responsabilidade de prover para os mais achegados, em especial para sua própria família.
Quando vivo, trabalha arduamente para fazer provisões espirituais e materiais para sua família. (1 Tim. 5:8) Caso morra, não desejaria estar seguro de que ainda ficarão bem cuidados? Um testamento ajudará nesse sentido. Alguns, por conseguinte, referem-se a fazer um testamento como um privilégio legal.
Seu Testamento — Um Privilégio Legal
Sim, fazer testamentos é um privilégio. Nem todas as nações fazem concessões nesse sentido. Sir William Blackstone, o famoso jurista inglês do século dezoito, observou que “o direito de fazer testamentos, e de dispor da propriedade após a morte, é simplesmente algo criado pelo estado civil . . . que o tem permitido em alguns países e o negado em outros”.
Em certas sociedades feudais, o costume obrigava o homem a testar o melhor de suas propriedades pessoais a “seu senhor [feudal] e à igreja”. Na Inglaterra, a Igreja Católica controlou os assuntos relativos a testamentos durante séculos.
Atualmente, contudo, ao passo que insistem que o cônjuge sobrevivente seja beneficiado, a maioria das nações permitem
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