BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • g77 8/4 pp. 16-19
  • A noite em que os assassinos incendiaram sua casa

Nenhum vídeo disponível para o trecho selecionado.

Desculpe, ocorreu um erro ao carregar o vídeo.

  • A noite em que os assassinos incendiaram sua casa
  • Despertai! — 1977
  • Subtítulos
  • Matéria relacionada
  • Quem Fez Isso e Por Quê?
  • “Não Odeio e não Odiarei”
  • Fé e Fraternidade Surpreendentes
  • Pessoas Extravasam Seus Corações
  • Sensação de Perda, mas Esperança Segura
  • O que significa ser um bombeiro duma grande cidade
    Despertai! — 1972
  • O que podemos aprender com o irmão mais novo de Jesus?
    A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová (Estudo) — 2022
  • Tomé
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
  • Tomé
    Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
Veja mais
Despertai! — 1977
g77 8/4 pp. 16-19

A noite em que os assassinos incendiaram sua casa

“O BARULHO de vidro quebrado das janelas e um berro me fizeram ficar sentada, ereta, na cama”, dizia Jeannette Thomas.

“A porta que dá para o corredor estava aberta e vi aquela massa de luz que partia da sala de estar. Gritei e saí tão às disparadas que James acordou gritando do seu sono profundo. Corremos para o corredor e a fumaça tomou conta de nós tão quente e escura que nos sufocava e asfixiava . . . ”

“Era irritante”, interrompeu James, o marido dela. “Deve ter sido a gasolina mais barata — talvez misturada com querosene. As crianças não conseguiriam viver nem dois segundos se a aspirassem.”

Os assassinos tinham atirado três latas de uns dezenove litros de combustível na sala de estar. É ali que a filha de 18 anos do casal Thomas via televisão; os quatro filhos menores já tinham ido deitar-se.

Da sala de estar não vinha nenhum som, e não havia meio possível de chegar até lá passando no meio de tanta fumaça e chamas. “Corremos para as escadas — as três meninas estavam lá em cima”, explicou James.

No entanto, o calor e a fumaça já eram intensos, mantendo-os afastados. Desceram correndo pelo corredor e, ao dobrarem-no, Jeannette foi para a cozinha à esquerda e James dirigiu-se direto ao quarto da filha mais velha, esperando que talvez estivesse ali — mas que nada. “Podia sentir meus cabelos sendo tostados e meus olhos ardiam no fogo”, recorda James, “e eu sabia que se respirasse muito fundo esse seria meu último suspiro”.

Nesse instante, James rebentou com o punho uma vidraça e mergulhou de cabeça no meio da explosão fumacenta. Logo se levantou e correu para os fundos da casa.

Na cozinha, Jeannette retinha o fôlego, torcendo com violência a maçaneta da porta, e esquecendo-se do trinco. “Fiz pressão contra a porta”, disse ela, “e estava tão quente que descascou a pele do meu braço”. No último momento de desespero, ela conseguiu desajeitadamente abrir o trinco e, quando a porta se escancarou, algo passou uivando por perto dela — um de seus cães.

James: “Eu a vi titubeante no pórtico de trás. Agarrei-a. Ela gritava os nomes dos filhos. Eu também. Mas não havia jeito de subir ao andar de cima. Ouvia-se o estrépito do fogo e a casa estava toda em chamas.”

“Tire Steven pela garagem!”, bradou Jeannette.

Ao correrem para a garagem, James tropeçou numa lata de gasolina, ainda cheia. “Alguém quer queimar-nos vivos!” bradou.

Já então ele lançava todo o seu peso contra a porta trancada do quarto de Steven, e sua esposa lançava seu peso sobre ele. A porta caiu, mas uma muralha de fogo e fumaça os fizeram recuar. Não era possível que um mortal entrasse ali.

Do lado de fora das janelas do fundo, James arrancou as persianas de seus encaixes com suas próprias mãos. Conseguiu alcançar a parte interna e sentiu a colcha que ardia lentamente, mas Steven, de 12 anos, não estava ali.

Em completa histeria, rondaram a casa, gritando os nomes dos filhos — Jeannette, Cynthia, Steven, Karen, Allison. Os incendiários haviam ensopado a frente da casa, até seu Cadillac que estava na frente — tudo era um só lençol agitado de chamas.

“Vi os faróis de carros que vinham pela rua”, lembra-se James. “’Nossos filhos estão sendo queimados lá dentro’, gritei. O senhor disse que iria buscar socorro.”

O holocausto continuou crepitante. Não sobraria nada vivo, exceto os dois e um cachorro. “Encontraram-no chorando no meio do mato um dia depois”, disse Jeannette. “Eram bons cachorros, todos os três. Naquele dia havia chovido e esfriado, e eu disse, ‘Tragam os cachorros para dentro.’ Se eu não tivesse feito isso, eles nos teriam avisado.”

Os bombeiros de Monroe, Geórgia, chegaram, bem como o delegado de polícia. Os bombeiros andavam confusos, de um lado para o outro. Um delegado lamentava: “Oh, meu Deus!” Chegou uma ambulância, que levou James e Jeannette.

Quem Fez Isso e Por Quê?

Dez dias depois, Jeannette ainda estava no Hospital das Clínicas de Athens. As queimaduras de primeiro grau que cobriam seu rosto deixaram sua pele recoberta de diminutas vesículas. Seu braço esquerdo estava coberto de enormes cataplasmas e nova pele crescia das queimaduras de segundo grau. James não sofrera danos físicos.

O Condado de Walton ainda estava abalado com a tragédia. Os veículos noticiosos, as autoridades locais e estaduais indagavam: ‘Quem teria feito isso e por quê?

“Eles Saíram de Nova Iorque Para Evitar Todos Aqueles Crimes”, rezava uma manchete do Daily News de Gwinnett. “James Thomas mudou sua família para cá em junho a fim de fugir dos crimes na cidade de Nova Iorque e para melhorar a saúde de sua esposa. Na sexta-feira, ele enterrou cinco de seus filhos, vítimas inocentes dum aparente incêndio provocado pelo mundo do crime.”

Noticiou o Journal de Atlanta: “O casal Thomas é de cor, e alugou a casa a cerca de cinco quilômetros a leste de Monroe, havendo um bom número de gente branca da zona rural que morava ao redor deles. Mas, não havia nenhum antagonismo para com a família, disse Thomas. Os investigadores concordaram.”

Adicionava o jornal: “O que interessou aos investigadores . . . foi que a dona da casa possuía outra casa, vazia, que foi incendiada duas horas mais tarde, no adjacente Condado de Barrow.”

Ambas as casas eram duma senhora cujo marido tinha sido assassinado há algum tempo, depois de ter sido convocado para depor num processo. Outro membro da família dela, dizia-se, era um fabricante ilegal de bebidas já condenado. Pelo que parece, os recém-chegados, como o casal Thomas, ficariam chocados de verificar que o crime no estilo dos gangsteres florescia até mesmo na zona rural do norte da Geórgia.

Assim, evidentemente, a família de Thomas fora vítima de alguma luta entre bandos. Como observou certo escritor: “Eles simplesmente moravam na casa errada na época errada.”

“Não Odeio e não Odiarei”

Uma das provas mais duras naquela noite foi avisar os três filhos mais velhos, já casados, lá em Nova Iorque. James Jr., de 22 anos, recorda: “A pessoa é despertada no início da manhã e lhe dizem que cinco membros de sua família morreram queimados — de início quase fiquei louco. Daí, pensei em minha irmã, Helene, grávida de oito meses, e como contar isso a ela.”

No dia seguinte, o xerife do condado e membros da imprensa ficaram observando enquanto James Jr. observava as ruínas. John York do Journal de Atlanta escreveu:

“Embora já se tivessem passado cerca de 12 horas desde que se recebera o aviso do incêndio, pequeninas chamas ainda saltitavam à luz do sol onde uma parede ainda estava em pé. Ocasionalmente, o cheiro caraterístico de carne queimada era levado pela brisa e chegava à estrada, onde os observadores ficaram no decorrer do dia.”

Em determinado momento o jovem Thomas esmurrou a madeira queimada. “Viram-me fazer isso e imaginaram que eu era um nova-iorquino que viera até lá para vingar-se”, explicou o jovem Thomas. “Mais tarde, porém, no gabinete do xerife, eu lhes disse que eu havia esmurrado a madeira, não por ira, mas por frustração. Não odeio e não odiarei as pessoas que fizeram isso.” Sua mãe concordou.

Fé e Fraternidade Surpreendentes

Os presentes ao enterro ficaram tomados de espanto quando o pai, James, e seus filhos que restavam não romperam em pesar e desespero histérico. A história já havia cessado depois daquela primeira hora do holocausto. “Não conseguiam entender que nossa fé é real”, explicou o pai. Era como a incredulidade das pessoas nos dias do apóstolo Paulo, quando ele exclamou: “Por que se julga incrível entre vós que Deus levante os mortos?” — Atos 26:8.

James Jr. quedava-se imaginando: “Se as pessoas nas igrejas, que dizem crer que seus filhos que morrem estão no céu — se elas realmente crêem nisso — por que ficam desesperadas de pesar?”

A mãe balançou com a cabeça, de pleno acordo. “As lágrimas que eu derramo agora são fruto da emoção humana, não da tristeza que padecem outros, que não têm nenhuma esperança. Por nos achegarmos a Jeová, obtenho a garantia que Ele fornece em sua Palavra, a Bíblia. Agora sei quão imensa realmente é minha família. Não só os filhos e netos, mas centenas e milhares de irmãos e irmãs cristãs. Eles chegam, telefonam e escrevem para nós. Informam-me que sentem tanto quanto nós.”

O marido dela acrescentou: “É verdade aquilo que Jesus disse sobre obter às centenas irmãos e irmãs.” — Mar. 10:30.

Mesmo nas primeiras horas da manhã depois do incêndio, constante fluxo de Testemunhas de Jeová de localidades próximas ou distantes começou a afluir aos corredores do hospital. A direção dele jamais tinha visto nada igual. Admirou-se um repórter: “A metade são de cor, a metade são brancos, não faz diferença, isso não importa, exceto que alguns dos seus estavam sofrendo.” Os atônitos responsáveis pelo hospital fizeram uma concessão surpreendente para que os visitantes pudessem chegar a qualquer hora do dia. “Parece ser a melhor terapia para a Sra. Thomas”, explicou uma enfermeira-chefe.

Pessoas Extravasam Seus Corações

“Meu médico estava aqui em pé, com lágrimas nos olhos”, explicou Jeannette. “Ele pensava em seus próprios filhos, que dormiam na parte de cima de sua casa de Cape Cod. Fez arranjos para a colocação de uma cama extra, de modo que meu marido pudesse ficar aqui o tempo todo. Disse que não nos preocupássemos se o nosso seguro de hospitalização não cobrisse tudo — ele mesmo cuidaria disso.”

Arranjou-se um apartamento para o casal Thomas perto de outras Testemunhas em Monroe. Já na primeira semana, tantas roupas e móveis foram trazidos que não havia lugar para se colocar tudo. Organizações locais eclesiásticas e de caridade perguntaram se poderiam ajudar. O “Pilot Club” de Monroe enviou seus membros às ruas para coletar um fundo para a família. Professores e estudantes nas escolas onde os filhos dos Thomas estudavam angariaram fundos. Um Fundo para a família Thomas foi estabelecido no “National Bank” do Condado de Walton, em Monroe. As contribuições chegaram até mesmo do Kansas e do Novo México.

Sensação de Perda, mas Esperança Segura

Naturalmente, houve os momentos difíceis. “A noite é a hora mais dura”, confessou Jeannette. “Quando começo a pegar no sono, passo a viver de novo aquele horror. Não vou tomar tranqüilizantes. Mas uma Testemunha trouxe um gravador e uma mala cheia de fitas. Adormeço ouvindo discursos de nossas assembléias cristãs.”

Dormir não era o problema do marido dela. “É na hora das refeições que fico abatido. Naquela casa, nossos filhos se sentiam mais felizes do que nunca em toda a sua vida. Era a primeira casa em que moravam. Cortaram o mato por toda a volta e transformaram-no num gramado. Mas, na hora das refeições, era quando nossos filhos eram mais lindos. A pessoa nunca conseguiria ouvir um burburinho igual ao deles.”

O casal Thomas espera reviver tais momentos felizes, aqui mesmo na terra, quando seus filhos forem trazidos de volta à vida. Jesus Cristo disse: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão.” (João 5:28, 29; Atos 24:15) E a Bíblia descreve como será a vida naquele tempo: “E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” (Rev. 21:3, 4) Estas são promessas bíblicas em que o casal Thomas deposita completa confiança.

Tal esperança segura é o que torna possível um saudável ajuste em face da tragédia.

“Não queremos que sejais ignorantes no que se refere aos que estão dormindo na morte, para que não estejais pesarosos como os demais que não têm esperança.” — 1 Tes. 4:13.

    Publicações em Português (1950-2026)
    Sair
    Login
    • Português (Brasil)
    • Compartilhar
    • Preferências
    • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
    • Termos de Uso
    • Política de Privacidade
    • Configurações de Privacidade
    • JW.ORG
    • Login
    Compartilhar