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Pode-se orar usando os Salmos?Despertai! — 1971 | 22 de julho
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qualquer poder sobrenatural e mágico. Foram escritos, como o foram todas as Escrituras, para nosso conforto e para edificar nossa esperança. (Rom. 15:4) Muitos dos Salmos contidos na Bíblia contêm profecias a respeito do reino de Deus sob Cristo. Tal reino, a respeito do qual Jesus ensinou seus seguidores a orar, dizendo: “Venha o teu reino”, é o reino que as testemunhas de Jeová proclamam em todo o mundo como a esperança para todos os que desejam usufruir a dádiva de vida da parte de Deus. — Mat. 6:9, 10.
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“Que mudanças!”Despertai! — 1971 | 22 de julho
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“Que mudanças!”
Do correspondente de “Despertai!” na Islândia
MUITAS são as mudanças que ocorrem no mundo. Na Islândia, como em outras partes, as pessoas comentam isso. Se os mais idosos partilhassem suas idéias com a geração mais jovem, a conversa seria mais ou menos assim:
“Vocês, jovens, mal podem imaginar quanto as coisas mudaram desde que nasci. Nem mesmo o novelista Júlio Verne pôde imaginar tantas mudanças, embora vivesse perto de nosso tempo. Vê aquele vulcão parecido ao Vesúvio lá no topo da península? Foi ali que iniciou sua ‘Viagem ao Centro da Terra’ por fazer com que seus heróis descessem por sua cratera na viagem que os levou bem dentro do nosso globo, vindo a sair no Estrômboli, na Itália. Escreveu essa fantasia há cerca de um século. Mas, muita coisa mudou desde então.”
“Oh, conte-me mais é sempre tão fascinante ouvir o Sr. falar sobre os tempos passados.’’
“Alguns jovens talvez não creiam que as coisas já foram tão diferentes de agora, mas estas cinco ou seis décadas passadas trouxeram mudanças sem precedentes.
Moradia
“Tome, por exemplo, a moradia. Vê aqueles apartamentos modernos lá? São feitos de concreto armado e possuem armações de aço e de alumínio nas portas e janelas. Dentro, há tapetes felpudos, fogões elétricos, geladeiras e outros aparelhos modernos. E veja só! Nenhum chaminé — são aquecidos com água de fontes termais! Bem, a casa onde fui criado era bem diferente.”
“Não viviam numa daquelas antigas casas de fazenda?”
“Certo. E se quer ver uma, pode ir ao pequeno museu ao ar livre lá na outra colina. Meu lar era o que chamamos de torfbœr, uma casa construída de céspede ou turfa, tanto as paredes como o telhado. Era forrada com pranchas de madeira por dentro. Os frontões eram estruturas de madeira com portas e neles ficavam as únicas janelas existentes na casa. O piso era apenas a velha e boa terra mesmo!
“Praticamente toda casa de fazenda era construída assim, até mesmo as casas nas cidades. Não tinham eletricidade, água encanada e outras comodidades. Tínhamos uma grande lareira aberta na cozinha. Além dela não havia nenhum outro aquecedor, mas obtínhamos algum calor do estábulo. Este era construído ao lado da casa e ligado a ela, de modo que não precisávamos sair no inverno para alimentares ordenhar as vacas. Realmente, era bastante acolhedora!”
“Mas, por que construíam as casas dessa maneira? Não podiam simplesmente usar madeira para a casa inteira?”
“A madeira a bem dizer era escassa demais. Tinha de ser importada, cada lasca dela. Os que moravam à beira-mar muitas vezes usavam madeira lançada pelas ondas. Era tudo o que tinham, e era preciso economizá-la para as necessidades mais urgentes.”
“Puxa, que casa! Nunca ansiavam algo melhor?”
“Não, não conhecíamos nada melhor. E desesperar-se ou protestar de nada adiantaria. As pessoas, e os mais jovens também, eram gente mais humilde naquele tempo, estavam mais contentes com a vida. Não faziam estardalhaço, protestando contra isso e mais aquilo. Os jovens não tinham tempo então para tais badernas. E por falar em trabalho, vê aquelas pessoas trabalhando lá no campo de feno?”
“Ah, sim; trabalham para valer, não trabalham?”
Trabalho
“Segundo os padrões modernos, diria que sim. Com aquele trator e equipamento moderno, deverão ter terminado ao escurecer. Mas, em meus dias, ceifávamos tudo com foices e revirávamos e recolhíamos tudo a muque, com o ancinho. Com nosso clima úmido, muitas vezes levávamos semanas para exemplar serviços que agora podem ser acabados em um só dia com maquinaria. Esta é uma grande mudança — a mecanização de quase tudo.”
“Mas, não é isso uma boa coisa — deixar que as máquinas trabalhem para a gente,”
“Naturalmente, não há nada de errado nisso. Mas, o trabalho não faz mal a ninguém, tampouco. Aprendíamos a trabalhar logo cedo na vida e a fazer tarefas variadas. Na fazenda de papai, tínhamos de aprender a fazer de tudo. E visto que a fazenda, não podia sustentar a todos nós, os filhos, também pescávamos bastante. Os fazendeiros possuíam um barco em comum de modo que podíamos ir remar e pesar. Também o usávamos para ir à cidade e transportar coisas para casa.
“Somente alguns barcos então eram bastante grandes para ter velas. Podia ser perigoso quando uma tempestade assolava. Ocorreram muitas tragédias quando tal barco aberto emborcava ou afundava, perdendo-se toda a tripulação. Pequenas comunidades podiam perder praticamente todos os seus homens vigorosos assim. Lembro-me de um pesqueiro que se perdeu, acho que em 1911, e vinte e sete homens se afogaram. Seus dependentes, contando as esposas, os filhos e os idosos, somavam uns oitenta e cinco. Pode calcular que catástrofe não foi esta!”
“Certamente que posso. Eu mesmo não creio que gostaria de viajar pelo mar, mas caso o fizesse preferiria um desses pesqueiros modernos a diesel que estão lá na baía Não são quase insubmergíveis, com todo aquele equipamento de radar e sonhar?”
“Insubmergível é um tanto exagerado de se dizer até mesmo hoje em dia. Lembra-se do Andrea Doria? Era um enorme transatlântico moderno, mas afundou depois de uma colisão. Mas, é verdade que um navio de mil toneladas, feito de aço, pode agüentar quase qualquer borrasca. Além disso, é uma máquina de pescar muito mais eficiente, por assim dizer, do que tudo que conheci em minha juventude.
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