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  • Os ciganos — marítimos de Mindanau

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  • Os ciganos — marítimos de Mindanau
  • Despertai! — 1977
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g77 22/3 pp. 9-12

Os ciganos — marítimos de Mindanau

Do correspondente de “Despertai!” nas Filipinas

QUANDO ouvimos falar em ciganos, a primeira idéia que nos vem à mente é de pessoas nômades, de pele morena e olhos escuros da Europa continental, com seus costumes exóticos e trajes coloridos. Mas, já ouviu falar de seus correspondentes marítimos, os ciganos marítimos do Oriente?

Poderá passar os olhos neles aqui nas Filipinas, na linda Zamboanga, ou, mais para o sul, entre as ilhas ensolaradas do Arquipélago de Sulu. Aqui estão eles, os bajaus, um dos oitenta e um, mais ou menos, dos grupos étnicos deste país. São romanticamente chamados de ciganos marítimos devido a seu modo de vida flutuante, nômade. Durante séculos, suas únicas moradas foram barcos e casas sobre palafitas junto às praias arenosas e aos recifes coralinos.

Na Malásia, Indonésia e Birmânia também se encontram os ciganos marítimos, e os daqui das Filipinas também são considerados como tendo origem indomalaia. Os antropólogos crêem que seus ancestrais emigraram das planícies costeiras de Borneu. Um bajau típico possui uma aparência desgastada. A longa e constante exposição ao sol descorou seus cabelos, deixando-os castanhos-avermelhados. Sua face é magra, com ossos malares protuberantes e nariz arrebitado.

Diz-se que, em 1521, Fernão de Magalhães, em busca de novas rotas para o Extremo Oriente, avistou povoados flutuantes entre Borneu e nossas ilhas. Mas, mesmo antes desse tempo, os bajaus já se mudavam de um ancoradouro para outro, remando para a praia apenas para vender ou comercializar peixes e pérolas, e obter suas necessidades básicas: mandioca, arroz, cana-de-açúcar, cocos ou algumas frutas tropicais como o durião, o marang, o rambotã e o mangostão. Alguns deles permanecem em solo seco por apenas algumas horas; outros, por semanas ou meses, caso em que se desenvolve uma comunidade temporária.

A Comunidade Bajau

Construídos em águas rasas, seus barracos de palafitas estão ligados entre si por pontes frágeis e precárias, amiúde uma única tábua ou pedaço de bambu, sem corrimão. As escadas são incomuns — basta uma única tábua que vai da ponte comunal até à porta ou que sobe do nível da água. Em redor e embutido desses barracos há canoas, conhecidas localmente como lipalipa, bem como embarcações com flutuadores, canoas escavadas em troncos e outros barcos que são casas em si mesmos. Os bajaus são um povo muito unido. Um barraco ou um único barco-moradia pode abrigar inteiro clã, inclusive os genitores, os filhos casados e os netos.

As crianças, amiúde nuas, nadam e brincam na preamar. As mulheres lavam roupas e banham-se, cozinham ou passam o tempo nas portas, no meio de animado bate-papo. Outras cuidam dos filhos, consertam as redes de pesca ou tecem esteiras. Algumas estão pegando conchas, algas-marinhas, ouriços-do-mar, e outros comestíveis marinhos. Por outro lado, os homens se empenham em construir e consertar barcos ou em aprontar seus instrumentos de pesca. Escavar uma canoa pode levar três meses, e talvez três anos depois precise ser substituída. Seus implementos são rudimentares — talhadeiras de madeira, ferramentas parecidas a machadinhas e outras de estilo primitivo. As vezes os homens saem em grupo para pescar. Cerca de dez barcos formam uma linha horizontal e, quando se avista um cardume de peixes, faz-se um barulhão para levá-los para um recife rochoso ou outro local conveniente para pescá-los facilmente com lanças. Amiúde conseguem pegar tubarões, arraias, polvos e atuns.

Quanto ao seu temperamento, os bajaus são um povo pacífico e preferem ficar a sós. Ao primeiro sinal de dificuldades ou de interferência de gente da terra simplesmente se fazem ao mar. Para eles, o mar é um abrigo, um amigo. Quando partem, a inteira comunidade desaparece.

Filhos do Mar

A maioria dos bajaus nascem em casa. “Em casa” significa num barco, talvez um barco feito de grande tronco de árvore trazida de Borneu ou arrancado do mar, e pacientemente escavado, entalhado e então recoberto com frondes de palmeiras. Pontões flutuantes de bambu, como patins de trenó formam arcos dos lados, para reduzir a possibilidade de afundar.

Há histórias que narram como as crianças bajau, em idade muito tenra, são lançadas na água. Se flutuarem, são consideradas verdadeiros filhos do mar. Sua capacidade de natação os torna os melhores mergulhadores de pérolas da localidade. Podem mergulhar mais que outros nativos, e podem ficar submersos durante vários minutos sem contar com equipamento de mergulho.

Navegadores Peritos

Para os bajaus, as trilhas marítimas do Arquipélago de Sulu são tão familiares como as linhas nas palmas de suas mãos. A distância e a escuridão não constituem barreiras para tais navegadores. Calculam sua posição a qualquer tempo. Não usam bússola nem instrumentos similares de navegação. Simplesmente seguem as estrelas, mergulham a mão no mar e provam sua água. Como é que isto ajuda? Bem, explica-se que a dosagem de sal da água varia dum lugar para outro, e, por conhecerem seu sabor, podem determinar a localidade. Daí, por calcularem a velocidade da corrente no canal, podem calcular a distância da terra e podem estimar a hora da chegada.

Seu notável conhecimento do mar se baseia em fatos acumulados, na familiaridade com as ondas, ventos e vagas, que são transmitidas de uma geração para outra. Com tal conhecimento, diz-se que sabem com antecedência quais serão os dias de tempestades. Assim, até mesmo quando o céu está límpido, o vento calmo, e a água tranqüila, seu recolhimento à baía em busca de abrigo é tomado pelos moradores da terra como sinal de tempestade.

Crenças Religiosas

Os bajaus não são nem “cristãos” nem muçulmanos, e não aderem a qualquer crença particular ou forma tradicional de adoração. Alguns dos mais idosos professam ter certo conhecimento da Bíblia e um pouco do Alcorão, e são do consenso de que ambos são ótimos. Variadas são suas respostas às perguntas sobre Deus, seus propósitos e coisas parecidas. Alguns ilhéus locais crêem que os bajaus reverenciam de forma irrestrita o mar, daí, sentem-se irresistivelmente atraídos por ele.

As Testemunhas de Jeová em Mindanau e Sulu ficam contentes de partilhar com os bajaus “estas boas novas do reino”. (Mat. 24:14) Às vezes, quando lançam âncora em Jolo ou no porto de Zamboanga, Testemunhas jovens aproveitam esta rara oportunidade para falar com eles. Saltam de uma casa flutuante para outra, falando em hesitante tausog e oferecendo publicações em árabe. Amiúde a barreira lingüística é transposta por meio de sinais e sorrisos, e eles aceitam publicações.

Costumes de Casamento

Patrocinado pelo Centro de Pesquisas de Ciências, Humanidades e Cultura da Universidade do Oriente, Abdul Mari Imao fez um estudo desta tribo minoritária. Seu relato, conforme publicado na Chronicle Magazine, de 28 de setembro de 1968, é um relato vívido do casamento e de outros rituais. Ele diz que o casamento é um assunto precoce para os jovens entre os bajaus, até com treze ou quatorze anos. Ou a jovem talvez se case antes disso, mas a família não lhe permite o sexo até à puberdade. O cônjuge é arranjado de antemão e a escolha cabe aos pais.

Os casamentos são sempre realizados na casa do chefe, ocorrendo em grande número nos “meses de altar”, outubro e novembro, e especialmente nas luas cheias. As atividades pré-nupciais incluem o tradicional banho de casamento ou “chuveiro nupcial”. O imam, ou sacerdote nativo, realiza os ritos de chuveiro nupcial auxiliado por uma jovem que leva um guarda-chuva embandeirado por cima da cabeça da noiva. Recitam-se orações, derrama-se água e há danças rituais.

À medida que o noivo se aproxima da entrada da casa da noiva, no dia das núpcias, acendem-se fogos de artifício para saudar o par. No meio de incenso que queima, ocorrem os ritos iniciais. Daí, o imam abençoa o noivo e lhe pede o anel. Um intermediário então corre até à noiva e lhe pergunta se aceita esse homem como seu legítimo esposo. Se a resposta for Sim, o anel do noivo é colocado no dedo dela. A informação é então transmitida ao noivo que, por sua vez, é indagado se aceita as plenas responsabilidades dum marido. Se aceitar, o imam conduz o noivo e leva a mão dele até à testa da noiva. Isto os declara marido e mulher.

Os casamentos são baratos. A singeleza, e não a ostentação, torna-os incomuns. Não se fornece à noiva nenhum panulong, ou presente financeiro. Não se serve nenhuma comida, mas são enviados convites, não para uma recepção, mas para a participação na parada marítima. Esta parada ocorre antes da cerimônia de casamento. Pela aldeia segue o barco, no meio dos sons dum kulintanga, anunciando o evento. Pegam-se os convidados pelo caminho. Seu êxito é medido em termos do comparecimento de pessoas que tenham alta categoria na camada social da aldeia, bem como de aldeias vizinhas e distantes.

O divórcio é comum. Algumas jovens, de apenas dezesseis ou dezessete anos, talvez já se tenham casado treze vezes. Os casamentos às vezes fracassam com apenas duas semanas de duração; outros duram um mês ou dois. As causas do rompimento são variadas: preguiça e incapacidade do marido em sustentar a esposa, aproveitar-se da riqueza da esposa, crueldade mental e física, e outras.

Futuro Incerto

Apesar do progresso do século vinte e de maior atenção por parte do governo, os bajaus são uma raça desvanecente. As duras realidades da ignorância, doenças e subnutrição continuam a assolar tal povo, colhendo pesado tributo. Até mesmo em Tawitawi e Si Tangkay, os derradeiros bastiões deste modo de vida ímpar e flutuante, esta evanescente cultura étnica entra em lento colapso e os baluartes de resistência ao mundo exterior, que preservaram seus costumes e suas tradições durante séculos, estão sucumbindo. A geração mais jovem dos bajaus está se tornando civilizada. Seu mundo marítimo, seus majestosos ocasos, suas aves marinhas e seu horizonte azul, aparentemente infindável, talvez permaneçam, mas a beleza de sua forma de vida marítima simples, calma e despretensiosa, talvez desapareça para sempre em breve.

[Nota(s) de rodapé]

a Um instrumento de percussão que consiste em oito gongos de bronze, de tamanhos graduados, dispostos em fileira. Alojado numa armação semelhante a um barco, de motivo intricado, é tocado por se bater os gongos com um par de varetas de madeira coloridas e enfeitadas.

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