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Encontre a chave para a felicidade da famíliaTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 1
Encontre a chave para a felicidade da família
1, 2. Quais são as boas coisas que a vida familiar, salutar, pode prover? Portanto, que perguntas talvez surjam?
MUITAS necessidades humanas de felicidade podem ser satisfeitas no circulo familiar. Ali podemos encontrar as coisas que todos nós, normalmente, anelamos: sentir-se necessário, ser apreciado, ser amado. A cordial relação familiar pode satisfazer esses anseios de modo maravilhoso. Pode produzir um ambiente de confiança, entendimento e compaixão. O lar se torna então verdadeiro abrigo contra as dificuldades e a confusão do lado de fora. As crianças podem sentir-se seguras, e sua personalidade pode desenvolver-se plenamente.
2 Este e o tipo de vida familiar que gostaríamos de ver realizado. Mas, nada disso vem automaticamente. Como pode ser conseguido? Por que se encontra a vida familiar em tão profundas dificuldades, hoje em dia, em muitas partes do mundo? Qual é a questão-chave que faz a diferença entre a felicidade marital e a angústia matrimonial, entre a família cordial e unida, e a que se mostra fria e dividida?
3. O que revelam os fatos da história sobre a importância da família?
3 Se você estiver preocupado com o bem-estar e o sucesso de sua família, tem bons motivos para isso. A Enciclopédia do Livro Mundial (1973, em inglês) diz, ao descrever a importância do arranjo familiar:
“A família é a mais antiga instituição humana. De muitas maneiras, ela é a mais importante. É a unidade básica da sociedade. Civilizações inteiras sobreviveram ou desapareceram, dependendo de se a vida familiar era forte ou fraca.”
4, 5. Que atitudes indesejáveis tem observado em muitas famílias?
4 Mas, quantas famílias, hoje, são bem unidas com os vínculos fortes do amor? Quantas usufruem a cordialidade trazida por expressões mútuas de bondade, gratidão e generosidade? Quantas aprenderam a veracidade do ditado: “Há mais felicidade em dar do que há em receber”?
5 Atualmente, espalha-se pela terra um espírito bem diferente. Embora se destaque no mundo ocidental, tem também penetrado no Oriente e em outros lugares, onde a vida familiar tradicionalmente tem sido bastante estável. Os atuais conceitos incluem: ‘Faça o que quiser, e deixe os outros cuidarem de si mesmos.’ ‘A disciplina está fora da moda; deixe as crianças escolherem seu próprio rumo.’ ‘Não julgue o que é certo ou errado.’ São cada vez mais os países em que o divórcio, a delinqüência juvenil e a imoralidade dos adultos estão aumentando, numa proporção alarmante. Psicólogos, psiquiatras, clérigos e outros conselheiros estão dando conselhos. Mas, em vez dum fortalecimento da unidade familiar, muitos conselheiros toleram ou até mesmo recomendam a imoralidade como meio para aliviar as frustrações. A safra ruim colhida de tudo isso confirma o ditado: “O que o homem semear, isso também ceifará.”
A HISTÓRIA APÓIA O ARRANJO DA FAMÍLIA
6. Como é a importância da família ilustrada pelo que aconteceu na antiga Grécia e Roma?
6 As lições que a história ensina sobre a importância da família merecem séria atenção Na Parte II de A História da Civilização (publicado em inglês), o historiador Will Durant descreve o colapso da família na antiga Grécia e então diz: “A causa essencial da conquista romana da Grécia foi a desintegração interna da civilização grega.” Daí, ele passa a mostrar que a força de Roma era a família, mas, quando o arranjo familiar entrou em colapso, por causa da imoralidade sexual, o império passou a declinar.
7. Por que usufruíam certas pessoas, no Império Romano, uma vida familiar, salutar, ao passo que outras tinham sérios problemas?
7 Na realidade, a história confirma o antigo ditado: “Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” Mas ela indica também que há uma fonte superior à sabedoria humana em que se pode procurar orientação, com a resultante prosperidade da unidade familiar. Os historiadores relatam que, enquanto o Império Romano decaía, “a vida familiar dos judeus era exemplar, e as pequenas comunidades cristãs atribulavam o mundo pagão, louco por prazeres, com a sua piedade e decência”. (A História da Civilização, Parte III, p. 366) O que distinguia essas famílias? Elas tinham uma fonte diferente de orientação, a Bíblia. Ao ponto em que aplicavam os conselhos dela como sendo a Palavra de Deus, a tal ponto tinham famílias sadias e pacíficas. Esses resultados deram ao decadente mundo romano sentimentos de culpa.
8. Quanto a solucionar problemas familiares, por que é a Bíblia merecedora de nossa atenção? (Salmo 119:100-105)
8 As declarações citadas nos parágrafos precedentes também são da Bíblia. Neste livro encontramos as palavras de Jesus Cristo sobre haver mais felicidade em dar do que em receber, a declaração inspirada do apóstolo Paulo, de que ceifaremos aquilo que semearmos, e a declaração do profeta de Deus, Jeremias, de que não é do homem que anda o dirigir os seus passos. (Atos 20:35; Gálatas 6:7; Jeremias 10:23) Estes princípios bíblicos têm-se mostrado verdadeiros. Jesus disse também: “A sabedoria é provada justa pelas suas obras.” (Mateus 11:19) Visto que o conselho bíblico realmente funciona na solução de problemas familiares, não merece receber nossa respeitosa atenção?
9, 10. (a) Por que não bastam sugestões úteis e a atenção natural para se poder usufruir uma vida familiar feliz? (b) O que mais e necessário? (Revelação 4:11)
9 Hoje em dia, há milhares de publicações que tratam do casamento e da vida familiar. A maioria delas contém pelo menos alguma informação útil. Contudo, a vida familiar continua a degenerar. Precisa-se de algo mais, de algo que dê força para resistir às pressões que agora ameaçam o círculo familiar. A afeição natural entre marido e mulher, e entre pais e filhos, provê força. Mas, mesmo ela não mostra ser suficiente para manter a família unida em tempos de crise. De que mais se precisa?
10 Não basta apenas haver o senso de responsabilidade e devoção para com o cônjuge, os filhos ou os pais. Além disso, precisa haver um senso ainda maior de responsabilidade para com Aquele a quem a Bíblia chama de “Pai, a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome”. Este é o Originador do casamento e da vida familiar, o Criador da humanidade, Jeová Deus. — Efésios 3:14, 15.
O INTERESSE DE DEUS NO ARRANJO DA FAMÍLIA
11-13. Qual é o propósito de Deus para com a terra e a família humana?
11 Jeová Deus conhece as necessidades da humanidade e quer que sejamos felizes, de modo que nos dá conselho sobre a vida familiar. Um objetivo maior do que este, porém, reflete-se na sua preocupação com as famílias. A Bíblia explica este objetivo. Mostra que a terra não veio a existir por mero acaso. Nós não viemos a existir por mero acaso. Jeová Deus criou a terra, e ele tomou por propósito que ela existisse para sempre e fosse habitada para sempre. O profeta Isaías registrou: “Aquele que a estabeleceu firmemente, que não a criou simplesmente para nada, . . . a formou mesmo para ser habitada.” — Isaías 45:18.
12 A fim de realizar este seu propósito, Deus criou o primeiro casal humano e lhe disse que constituísse família: “Macho e fêmea os criou. Ademais, Deus os abençoou e Deus lhes disse: ‘Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra.’” (Gênesis 1:27, 28) Seu propósito exigiu adicionalmente que eles e seus descendentes lhe obedecessem e que tomassem conta da terra. Gênesis 2:15 declara: “Jeová Deus passou a tomar o homem e a estabelecê-lo no jardim do Éden, para que o cultivasse e tomasse conta dele.” Finalmente, esta condição ajardinada se estenderia sobre o globo inteiro. Tomar conta da terra e usar seus recursos forneceria à família global da humanidade oportunidades infindáveis de aprender e encontrar satisfação no uso de suas capacidades.
13 Agora já existem mais de 4.000.000.000 de pessoas na terra, mas essas multidões não cumprem o propósito de Jeová para com a terra. A maioria não lhe obedece, nem cuida da terra. Antes, os homens a arruínam, poluem seu ar, sua água e seu solo. Em harmonia com o propósito original de Deus, ele não só predisse que acabaria com tudo isso, mas também que iria “arruinar os que arruínam a terra”. — Revelação 11:18.
QUESTÕES QUE TEMOS DE ENFRENTAR
14. Por que podemos confiar em que o propósito de Deus a respeito da vida familiar não falhara?
14 O propósito de Deus para com a terra e a vida familiar não falhará. ‘Minha palavra que sai da minha boca não voltará a mim sem resultados, mas certamente fará aquilo em que me agradei’, diz ele em Isaías 55:11 Deus instituiu o arranjo familiar e deu conselho sobre o seu funcionamento Sua orientação responde às questões realmente importantes sobre a vida familiar — algumas das quais você talvez esteja enfrentando.
15-17. (a) O que considera ser algumas das perguntas realmente importantes sobre a vida familiar’ (b) Por que convém achar respostas satisfatórias a estas perguntas?
15 Por exemplo: Como encontrar um cônjuge compatível para o casamento? No matrimônio, como se pode chegar a um acordo sobre problemas espinhosos? Duas mentes valem mais do que uma, mas, após as deliberações, quem deve tomar as decisões? Como pode o marido obter o respeito da esposa, e por que é isso importante para ele? Por que precisa a esposa do amor do marido, e o que pode fazer para garanti-lo?
16 Como encara você os filhos? Alguns os encaram como símbolo de condição social, como fonte de trabalho barato ou como garantia para a velhice; outros os encaram como fardos. Mas a Bíblia chama-os de bênção. O que decide se eles a serão, ou não? Quando deve começar a instrução deles? Devem ser disciplinados? Em caso afirmativo, quanto e de que modo? Precisa haver um conflito de gerações na família? Pode ser sanado? Melhor ainda, pode ser prevenido?
17 Achar respostas satisfatórias a estas perguntas fará muito para assegurar a felicidade de sua vida familiar. Mais do que isso, pode dar-lhe confiança em que existe Alguém de insuperável força, bondade e sabedoria, a quem pode recorrer em qualquer hora de necessidade e que pode conduzir sua família a uma infindável felicidade.
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Lance um bom alicerce para o seu casamentoTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 2
Lance um bom alicerce para o seu casamento
1-3. Segundo Mateus 7:24-27, de que depende o verdadeiro sucesso na vida?
UMA casa, uma vida ou um casamento são apenas tão bons quanto o alicerce em que se fundam. Numa de suas ilustrações, Jesus falou sobre dois homens — um sábio, que construiu sua casa sobre a rocha sólida, e um tolo, que a construiu sobre solo arenoso. Subindo um temporal, com o aguaceiro e o vento se abatendo sobre as casas, aquela sobre a rocha sólida resistiu, mas a construída sobre a areia desabou.
2 Jesus não estava ensinando às pessoas como construir casas. Ele estava salientando a necessidade de edificarem sua vida sobre um bom alicerce. Como mensageiro de Deus, ele disse: “Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica” é semelhante ao homem que construiu sobre rocha sólida Mas “todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica” é como aquele que construiu sobre a areia — Mateus 7:24-27.
3 Note que Jesus, em ambos os casos, mostrou que não é simplesmente uma questão de ouvir conselho sábio e saber o que fazer. A diferença entre o sucesso e o fracasso é fazer o que o conselho sábio diz. “Se sabeis estas coisas, felizes sois se as fizerdes.” — João 13:17.
4. Quais são algumas das coisas que podemos aprender do casamento do primeiro par humano? (Gênesis 2:22 a 3:19)
4 Certamente é assim com o casamento. Se edificarmos nosso casamento num alicerce como de rocha, então suportará as tensões da vida. Mas, donde provém este bom alicerce? Do Criador do casamento, Jeová Deus. Ele iniciou o casamento quando juntou o primeiro casal humano como marido e mulher. Daí, ele lhes deu instruções sábias para o seu bem. Seguirem ou não estas instruções sábias determinaria se tinham diante de si um futuro glorioso e eterno, ou nenhum futuro. Ambos conheciam as instruções de Deus, mas, lamentavelmente, deixaram que seu egoísmo os impedisse de obedecer a esta orientação. Decidiram não fazer caso do conselho, e, em resultado, seu casamento e sua vida entraram em colapso como uma casa construída sobre a areia e solapada pelo temporal
5, 6. Que ajuda provê Deus aos casados e aos que pretendem casar-se?
5 Jeová Deus juntou este primeiro casal em matrimônio, mas hoje ele não faz, pessoalmente, os arranjos matrimoniais para os casais. Seu conselho sábio para um matrimônio feliz, porém, ainda está disponível. Cabe hoje a cada pessoa que pretende casar-se decidir aplicar o conselho. A Palavra de Deus mostra também que podemos pedir que ele nos ajude em fazer uma decisão sábia com respeito a um prospectivo cônjuge. — Tiago 1:5, 6.
6 As situações, naturalmente, variam grandemente nas diversas partes da terra. Em muitas regiões, hoje em dia, os homens e as mulheres fazem sua própria escolha do cônjuge. Mas, entre uma parte considerável da população da terra, os pais elaboram o casamento, às vezes por intermédio dum “casamenteiro”. Em certas regiões, o homem obtém uma esposa só depois de pagar o “preço da noiva” aos genitores dela, e o montante do preço pode até mesmo pôr o casamento fora do alcance do homem. Todavia, não importa qual a situação, a Bíblia provê conselho que pode ajudar a tornar o matrimônio duradouramente bem sucedido.
PRIMEIRO, CONHEÇA A SI MESMO
7-10. (a) O que precisa saber sobre si mesmo aquele que pretende casar-se? Como poderá descobrir isso? (b) O que diz a Bíblia sobre a validez dos motivos para alguém se casar?
7 O que espera do casamento? Quais são suas necessidades — em sentido físico, emocional e espiritual? Quais são os seus valores, seus objetivos e seus métodos para alcançá-las? Para responder a estas perguntas, terá de conhecer a si mesmo. Isto não é tão fácil como se possa pensar. Requer madureza emocional para examinarmos a nós mesmos, e nem mesmo então é possível vermos a nós mesmos assim como realmente somos, em cada pormenor. O apóstolo cristão Paulo indicou isso quando escreveu, em 1 Coríntios 4:4: “Não estou cônscio de nada contra mim mesmo. Contudo, não é por isso que eu seja mostrado justo, mas quem me examina é Jeová.”
8 Em certa ocasião, o Criador quis que o homem Jó se apercebesse de certos fatos que deixava de discernir, e Deus lhe disse: “Deixa-me perguntar-te, e faze-me saber.” (Jó 38:3) As perguntas podem ajudar-nos a conhecer a nós mesmos e a descobrir motivações. Portanto, interrogue a si mesmo sobre seus interesses no casamento.
9 Quer casar-se para satisfazer necessidades físicas — alimento, roupa, abrigo? Todos nós temos essas necessidades básicas, conforme diz a Bíblia: “Tendo sustento e com que nos cobrir, estaremos contentes com estas coisas.” E a necessidade do sexo? Este também é um desejo normal. “É melhor casar-se do que estar inflamado de paixão.” (1 Timóteo 6:8; 1 Coríntios 7:9) É a de ter companheirismo? Este foi um dos principais motivos de Deus estabelecer o arranjo marital. Outro foi o de duas pessoas cooperarem entre si no trabalho. (Gênesis 2:18; 1:26-28) A realização dum bom trabalho dá satisfação e deve ter sua recompensa: “Todo homem coma e deveras beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus.” — Eclesiastes 3:13.
10 Os que amam já por muito tempo têm considerado o coração como símbolo de seus sentimentos. A Bíblia, porém, faz uma pergunta perturbadora sobre o coração: “Quem o pode conhecer?” (Jeremias 17:9) Tem certeza de que você sabe o que tem no coração?
11. Que necessidades emocionais, básicas, devem ser satisfeitas pelo casamento?
11 Muitas vezes, a atração física cega-nos quanto a outras necessidades emocionais. Na procura dum cônjuge, será que você toma suficientemente em consideração a necessidade de receber compreensão, bondade e compaixão? Todos nós temos essas necessidades básicas: alguém que nos seja íntimo, a quem fazer confidências e revelar-nos sem medo de ser prejudicados; alguém que não feche “a porta das suas ternas compaixões” para conosco. (1 João 3:17) Será que você pode prover tudo isso ao seu cônjuge, e será que ele ou ela lhe corresponderá do mesmo modo?
12. Por que não basta a satisfação das necessidades físicas e emocionais para haver um casamento feliz?
12 Jesus disse: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual” (Mateus 5:3) Qual é a sua necessidade espiritual? Relaciona-se com a busca duma carreira? Riquezas? Bens materiais? Ora, será que tais empenhos trazem paz no íntimo e contentamento? Usualmente, não. Por isso, precisamos reconhecer que no íntimo de todos há uma fome do espírito que remanesce, mesmo depois de se satisfazerem todas as necessidades físicas. Nosso espírito anseia uma identidade — saber quem somos, o que somos, por que existimos e para onde vamos. Está você cônscio de tais necessidades espirituais e de como satisfazê-las?
COMPATIBILIDADE
13. O que precisará discernir, além de suas próprias necessidades, para ter um matrimônio feliz?
13 Se você compreende todas essas necessidades do corpo, da mente e do espírito, sabe se o seu prospectivo cônjuge também as entende? Você não só precisa conhecer suas próprias necessidades específicas de felicidade no matrimônio, mas tem de discernir também as necessidades de seu cônjuge. Certamente quer que seu cônjuge também seja feliz. A infelicidade de um significará infelicidade para ambos.
14. Em muitos casamentos, por que descobrem os cônjuges que há incompatibilidade entre eles?
14 Muitos casamentos acabam em infelicidade ou divórcio por motivo de incompatibilidade. Incompatibilidade é uma palavra grande, mas a sua importância no casamento ainda é maior. Se duas pessoas não se ajustam bem como equipe, a vida pode tornar-se difícil. Essa situação faz lembrar a provisão da lei mosaica, que proibia, misericordiosamente, pôr sob o mesmo jugo dois animais de constituição e força diferentes, por causa da dificuldade que isso criaria. (Deuteronômio 22:10) Assim se dá também com um homem e uma mulher que não estão bem ajustados um ao outro e ainda assim estão juntos no matrimônio. Quando os cônjuges têm interesses diferentes, preferências diferentes quanto aos amigos e às atividades recreativas, e têm poucas coisas em comum, o vínculo matrimonial sofre grande tensão.
15, 16. Quais são alguns dos assuntos que deveriam ser discutidos com o prospectivo cônjuge, e como?
15 “Há frustração de planos quando não há palestra confidencial”, nos diz a Bíblia. (Provérbios 15:22) Ao pensarem em casar-se, consideraram assuntos práticos? Como se enquadrará o trabalho do homem no matrimônio? Isso influirá no lugar onde vão morar e em quanto dinheiro receberão para satisfazer necessidades práticas. Quem cuidará do orçamento? Será preciso que a esposa trabalhe fora, e é isso desejável? Qual será a relação com os parentes, especialmente com os sogros de ambos? O que acha cada um sobre o sexo, ter filhos e a educação destes? Será que um quer dominar o outro, ou será a sua relação governada pela bondosa consideração mútua?
16 Poderão todas estas questões, bem como outras, ser discutidas calma e logicamente, e ser resolvidas dum modo que ambos possam viver com elas confortavelmente? Conseguem juntos enfrentar e solucionar problemas, mantendo sempre aberto o canal de comunicação? Este é o salva-vidas do casamento bem sucedido.
17-19. Por que tem a formação da família algo que ver com a compatibilidade no casamento?
17 Costuma existir maior compatibilidade entre duas pessoas que têm a mesma formação. O livro Ajuda ao Entendimento da Bíblia, publicado em inglês, na página 1114, diz sobre o casamento nos tempos bíblicos:
“Parece ter sido o costume geral que o homem procurasse esposa dentro do círculo de seus parentes ou de sua tribo. Este princípio é indicado pela declaração de Labão a Jacó: ‘É melhor para mim dá-la [i. e., minha filha] a ti do que dá-la a outro homem.’ (Gên. 29:19) Isto se observava especialmente entre os adoradores de Jeová, conforme exemplificado por Abraão, que mandou alguém a seus parentes, no seu próprio país, para obter uma esposa para seu filho Isaque, em vez de tomar uma das filhas dos cananeus, entre os quais morava. (Gên. 24:3, 4)”
18 Naturalmente, isto não significa que hoje seja aconselhável uma pessoa casar-se com alguém de parentesco muito chegado, porque isso pode causar problemas genéticos, resultando em filhos defeituosos. Mas a formação das famílias tem muito que ver com a norma de valores que as pessoas têm. Durante a infância e a juventude, a conduta e os sentimentos da pessoa são naturalmente influenciados pelo ambiente familiar. Quando a formação de ambos os cônjuges é similar, usualmente acham melhor ‘crescer no mesmo solo e florescer no mesmo clima’. Entretanto, os de formação e origem diferentes também podem fazer bons ajustes no casamento, especialmente se ambos forem maduros em sentido emocional.
19 Evidentemente, é proveitoso você poder saber algo sobre a família de seu prospectivo cônjuge. Mas, veja também como ele ou ela se relaciona com a família — com pais, irmãos e irmãs. Como trata as pessoas mais velhas ou como se dá com as crianças?
20, 21. Na escolha do cônjuge, que conceito deve ser adotado a respeito das falhas individuais?
20 Apesar de todas as precauções tomadas, ainda terá de lembrar-se do seguinte: A compatibilidade entre duas pessoas nunca será perfeita. Ambas terão falhas. Algumas delas talvez sejam discernidas por elas antes do casamento; de outras se aperceberão depois. O que se fará então?
21 Não são as falhas, em si mesmas, que fazem o casamento fracassar, mas é como o cônjuge as encara. É você capaz de ver que as coisas boas superam as falhas, ou concentra-se nas coisas ruins e repisa-as constantemente? É você bastante flexível para fazer concessões, assim como também precisa e quer que se lhe façam concessões? O apóstolo Pedro disse: “O amor cobre uma multidão de pecados.” (1 Pedro 4:8) Ama você de tal maneira a pessoa com quem pretende casar-se? Do contrário, seria melhor não se casar com essa pessoa.
‘EU CONSEGUIREI MUDÁ-LO’
22-24. Por que não é sábio casar-se com alguém à base da promessa de que vai mudar seus modos ou com a intenção de tentar mudar essa pessoa?
22 Diz você: ‘Eu conseguirei mudá-lo’, ou ‘mudá-la’, conforme seja o caso? Mas, de quem é que se enamorou? Da pessoa que ele ou ela é, ou daquela que se tornará após os seus empenhos de remodelagem? É difícil mudarmos a nós mesmos, quanto mais ainda mudar outros. Entretanto, as poderosas verdades da Palavra de Deus podem fazer que a pessoa mude. Alguém pode ‘pôr de lado a velha personalidade’, sendo renovado na força que ativa a mente. (Efésios 4:22, 23) Mas, seja bem céptico quanto à promessa do prospectivo cônjuge, de fazer uma repentina mudança por causa de você! Embora maus hábitos possam ser corrigidos ou modificados, isto talvez leve tempo, até mesmo anos. Nem podemos fazer pouco caso das tendências inerentes e dos fatores ambientais que nos deram temperamentos específicos e nos amoldaram de certo modo, tornando-nos pessoas distintas. O verdadeiro amor pode induzir-nos a ajudarmo-nos mutuamente a melhorar e a vencer fraquezas, mas não nos induzirá a tentar obrigar o cônjuge a meter-se num molde novo e desnatural, que esmague a personalidade dele ou dela.
23 Alguns têm na mente uma imagem de seu ideal, e procuram enquadrar cada paixão passageira nesta imagem. Naturalmente, ninguém pode estar à altura dum sonho impossível, mas o apaixonado apega-se a ele tenazmente e procura obrigar a outra pessoa a satisfazê-lo. Quando isto fracassa, ele ou ela fica desiludido(a) e passa a procurar o ideal imaginário em outra parte. Mas, tais pessoas nunca encontram seu ideal. Vão atrás duma pessoa imaginária que não existe, exceto nas suas próprias fantasias. Os que pensam assim não são bons prospectivos cônjuges.
24 É possível que você tenha tido tais sonhos. A maioria de nós já os tivemos ocasionalmente em nossa vida; muitos jovens os têm. Mas, com o crescimento da madureza emocional, apercebemo-nos de que tais fantasias precisam ser deixadas de lado como não sendo práticas. O que conta no matrimônio é a realidade, não a mera imaginação.
25. Qual é a diferencia entre o verdadeiro amor e a paixão?
25 O verdadeiro amor não é tão cego como muitos imaginam. Cobre uma multidão de falhas, mas o verdadeiro amor não está despercebido delas. É a paixão, não o amor, que é cego, negando-se a encarar os problemas que os outros podem prever. Até mesmo sufoca suas próprias dúvidas persistentes; mas, pode ter a certeza de que surgirão depois. Se fechar os olhos aos fatos desagradáveis, durante seu namoro, certamente terá de enfrentá-los após o casamento. Temos a inclinação natural de apresentar o melhor aspecto à pessoa que esperamos agradar ou atrair, mas, com o tempo, vê-se o quadro pleno e real. Tome o tempo para ver a outra pessoa assim como realmente é, e seja honesto em se apresentar assim como você realmente é. A exortação do apóstolo, em 1 Coríntios 14:20, também poderia ser aplicada à busca dum cônjuge: “Não vos torneis criancinhas . . . ficai plenamente desenvolvidos na capacidade de entendimento.”
COMPROMISSOS ASSUMIDOS NO CASAMENTO
26. Segundo as Escrituras, quão obrigatório é o vínculo matrimonial? (Romanos 7:2, 3)
26 Deve-se considerar sobriamente os compromissos assumidos no casamento. Se o compromisso de qualquer dos cônjuges não for forte e sólido, o casamento basear-se-á num alicerce instável. Hoje, em muitas partes do mundo, realizam-se casamentos que depois são rapidamente dissolvidos. Muitas vezes, isto se dá porque os que contraem núpcias não encaram o compromisso como moralmente obrigatório, adotando, antes, a atitude de que, ‘se não funcionar, vou acabar com ele’. Quando prevalece tal conceito, o casamento está condenado quase desde o começo, e, em vez de trazer felicidade, geralmente só produz mágoa. A Bíblia, em contraste, mostra que o casamento deve ser uma relação vitalícia. Deus disse, sobre o primeiro casal, que os dois “têm de tornar-se uma só carne”. (Gênesis 2:18, 23, 24) Para o homem, não devia haver outra mulher, nem para a mulher, outro homem. O Filho de Deus confirmou isso, dizendo: “Não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus pôs sob o mesmo jugo, não o separe o homem.” Apenas a infidelidade sexual constituiria um motivo justo para o rompimento do vínculo marital. — Mateus 19:3-9.
27-29. (a) O que fará bem, a moça ou mulher, em procurar no prospectivo cônjuge? (b) O que poderá o homem sabiamente procurar no prospectivo cônjuge?
27 Em vista da seriedade do casamento, a moça ou mulher que quiser ser bem sucedida nele fará bem em se casar apenas com um homem a quem possa respeitar — alguém estável e equilibrado, de bom senso, capaz de assumir responsabilidades e bastante maduro para aceitar uma crítica útil. Pergunte-se: Será ele bom provedor, bom pai para os filhos que talvez abençoem a união? Possui ele elevadas normas de moral, para que ambos possam estar firmemente decididos a manter o leito marital honroso e imaculado? Mostra ele humildade e modéstia, ou é orgulhoso e convencido, alguém que quer ostentar sua chefia, que acha que sempre tem razão e que não está disposto a arrazoar sobre os assuntos ? Pela associação com o homem, por tempo suficiente antes do casamento, essas coisas podem ser discernidas, especialmente quando há apego aos princípios bíblicos como norma de critério.
28 De modo similar, o homem que toma a sério o bom êxito de seu casamento procurará por esposa alguém a quem possa amar como a sua própria carne. Ela deve complementá-lo como parceira na constituição dum lar (Gênesis 2:18) Ser boa dona-de-casa é uma carreira de responsabilidades diversas. Requer a demonstração de talentos tais como de cozinheira, decoradora, economista, mãe, professora, e muitos outros. Seu papel pode ser criativo e desafiador, oferecendo muitas oportunidades para desenvolvimento e satisfação pessoais. A boa esposa, igual ao marido digno, é trabalhadora: “Ela está vigiando os andamentos dos da sua casa e não come o pão da preguiça” — Provérbios 31:27.
29 Sim, ambos farão bem em refletir no que vêem — a evidência ou a falta de limpeza e esmero pessoal; de diligência ou, então, de preguiça; de razoabilidade e consideração, em contraste com a obstinação e o egotismo; de economia ou de desperdício; de faculdade de raciocínio, que produz conversação agradável e enriquecimento espiritual, em contraste com a preguiça mental, que torna a vida uma rotina monótona com o cuidado das necessidades físicas, diárias, e de pouco mais.
30, 31. Por que pode a conduta imoral durante o namoro ou cortejo servir de impedimento a que se usufrua um bom matrimônio?
30 O sincero respeito mútuo é um dos principais ingredientes para um casamento bem sucedido. E isto aplica-se também às expressões de afeto durante o namoro ou cortejo. A indevida familiaridade ou a desenfreada paixão podem degradar a relação antes de começar o matrimônio. A imoralidade sexual não é um bom alicerce em que começar a edificar o matrimônio. Revela desconsideração egoísta pela felicidade futura da outra pessoa. O fervor da paixão, que momentaneamente parece forjar um elo inquebrantável, pode esfriar rapidamente, e, dentro de semanas, ou mesmo dias, o matrimônio pode transformar-se em cinzas. — Veja a narrativa da paixão que Amnom teve por Tamar, contada em 2 Samuel 13:1-19.
31 Demonstrações de paixão durante o namoro ou cortejo podem lançar sementes de dúvida, que posteriormente podem dar margem à incerteza sobre o verdadeiro motivo do casamento. Foi apenas para prover uma válvula de escape para a paixão, ou foi para compartilhar uma vida com alguém que é genuinamente apreciado e amado como pessoa? A falta de autodomínio antes do casamento amiúde pressagia a falta dele depois, com a resultante infidelidade e infelicidade. (Gálatas 5:22, 23) As péssimas lembranças deixadas pela imoralidade pré-marital podem impedir um suave ajuste emocional para o casamento nos seus primeiros estágios.
32. Como pode a conduta imoral durante o namoro ou cortejo afetar a relação da pessoa com Deus?
32 Ainda mais sério, essa imoralidade prejudica a relação da pessoa com nosso Criador, de cuja ajuda necessitamos seriamente. “Pois isto é o que Deus quer, a vossa santificação, que vos abstenhais de fornicação; . . . que ninguém vá ao ponto de prejudicar e de usurpar os direitos de seu irmão [ou, razoavelmente, de sua irmã] neste assunto . . . Assim, pois, quem mostra falta de consideração, não desconsidera o homem, mas a Deus, que pôs em vós o seu espírito santo.” — 1 Tessalonicenses 4:3-8.
UM ALICERCE DE ROCHA
33, 34. Na escolha dum cônjuge, que qualidades as Escrituras mostram como muito mais importantes do que a aparência física?
33 Fundar-se-á sua casa, sua família, num alicerce de rocha ou de areia? Isto depende, em parte, do grau de sabedoria usada na escolha do cônjuge. A beleza e o sexo não bastam. Estes não apagam a incompatibilidade mental e espiritual. O conselho da Palavra de Deus é que fornece o alicerce de rocha para o casamento.
34 A Bíblia mostra que o íntimo da pessoa é mais importante do que sua aparência externa. “O encanto talvez seja falso e a lindeza talvez seja vã”, diz o inspirado provérbio, “mas a mulher que teme a Jeová é a que procura louvor para si”. (Provérbios 31:30) O apóstolo Pedro, que era homem casado, fala sobre “a pessoa secreta do coração” e o “espírito quieto e brando” como sendo “de grande valor aos olhos de Deus”. (1 Pedro 3:4) Deus ‘não olha para a aparência externa dum homem’, e nós podemos tirar proveito de seu exemplo por prevenir-nos contra ficarmos indevidamente influenciados apenas pela aparência externa dum prospectivo cônjuge. — 1 Samuel 16:7.
35, 36. (a) Por que é importante casar-se com alguém que tem fé em Deus e na sua Palavra? (b) Até que ponto deveria esperar que seu prospectivo cônjuge manifeste tal fé?
35 O sábio Rei Salomão contemplou a vida e chegou à seguinte conclusão: “Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem.” (Eclesiastes 12:13) Os israelitas, em pacto para obedecer à lei de Deus, receberam ordens específicas de não se casarem com alguém que não compartilhava sua forma de adoração, para não serem afastados do verdadeiro Deus. “Não deves formar com elas nenhuma aliança matrimonial. Não deves dar tua filha ao seu filho e não deves tomar sua filha para teu filho. Pois, ele desviará teu filho de seguir-me e certamente servirão a outros deuses.” — Deuteronômio 7:3, 4.
36 Por motivos similares, deu-se aos que estão no “novo pacto” de Deus, os da congregação cristã, a admoestação de se casarem “somente no Senhor”. (Jeremias 31:31-33; 1 Coríntios 7:39) Em vez de isso revelar intolerância, é motivado pela sabedoria e pelo amor. Nada poderia dar mais vigor aos vínculos matrimoniais do que a devoção mútua ao Criador. Se você se casar com alguém que tem fé em Deus e na sua Palavra, e que a entende assim como você, então os dois terão uma autoridade comum para receber conselho. Talvez ache que isso não é vital, mas, ‘não seja desencaminhado. Más associações estragam hábitos úteis’. (1 Coríntios 15:33) Até mesmo dentro da congregação cristã, porém, convém certificar-se de que o prospectivo cônjuge realmente sirva de todo o coração a Deus, não sendo alguém que procura viver à beira dos limites do cristianismo, ao passo que se inclina fortemente para as atitudes e práticas do mundo. Não poderá andar com Deus e ao mesmo tempo correr com o mundo. — Tiago 4:4.
37, 38. (a) Por que se deve evitar a precipitação, quer no namoro quer no casamento? (b) O conselho de quem farão bem em acata’ os que pretendem casar-se?
37 “Quem de vós, querendo construir uma torre”, perguntou Jesus, “não se assenta primeiro e calcula a despesa, para ver se tem bastante para completá-la? Senão, ele talvez lance o alicerce dela, mas não a possa completar”. (Lucas 14:28, 29) O mesmo princípio aplica-se ao casamento. Visto que Deus encara o casamento como união vitalícia, a escolha dum cônjuge certamente não deve ser apressada. E certifique-se de que você mesmo esteja pronto para terminar o que começou. Nem mesmo o namoro é algo a ser encarado levianamente, como brincadeira. Brincar com as afeições de outra pessoa é um esporte cruel, e os ferimentos emocionais e a mágoa que isso causa podem ter longa duração. — Provérbios 10:23; 13:12
38 Os jovens prudentes que pensam em casar-se farão bem em acatar o conselho dos mais velhos, especialmente dos que têm mostrado que pensam nos melhores interesses deles. Jó 12:12 nos relembra o valor disso por perguntar: “Não há sabedoria entre os idosos e entendimento na extensão dos dias?” Escute essas vozes experientes. Acima de tudo, “confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão. Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas”. — Provérbios 3:5, 6.
39. Como pode a Bíblia ajudar os que já estão casados?
39 Muitos dos que lêem estas palavras talvez já estejam casados. Embora seu alicerce, de certo modo, já tenha sido lançado, a Bíblia pode ajudar a você a fazer os ajustes necessários, com resultados satisfatórios. Não importa qual o estado de seu matrimônio, pode ser melhorado pela reflexão adicional no conselho do Criador para a felicidade da família.
[Foto na página 12]
Pode seu casamento suportar ocasiões tempestuosas?
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Após o dia do casamentoTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 3
Após o dia do casamento
1. De que proveito para o casamento pode ser a espécie de relação que é descrita em Eclesiastes 4:9, 10?
DEPOIS do dia de seu casamento, você e seu cônjuge se acomodam como nova unidade familiar. Está completa a sua felicidade? Não está mais sozinho, mas tem alguém em quem confiar, para compartilhar suas alegrias e também seus problemas. Acha que Eclesiastes 4:9, 10, se aplica no seu caso? — “Melhor dois do que um, porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo. Pois, se um deles cair, o outro pode levantar seu associado. Mas, como será com apenas aquele um que cai, não havendo outro para levantá-lo?” Floresce seu casamento nesta espécie de cooperação? Usualmente requer algum tempo e esforço para esta fusão feliz de duas vidas. Em muitos casamentos, porém, é lamentável dizer, isto nunca acontece.
2, 3. (a) Que realidades da vida precisam ser encaradas após o dia do casamento? (b) Por que é somente razoável que se espere ter de fazer ajustes após casar-se?
2 Nas novelas românticas, o problema costuma ser unir os dois que se amam. Depois, eles costumam viver felizes para sempre. Na vida real, o verdadeiro desafio é viver feliz depois, dia após dia. Após os deleites do dia do casamento, vem a rotina diária da vida: levantar-se cedo, ir trabalhar, fazer compras, preparar refeições, lavar pratos, limpar a casa, e assim por diante.
3 A relação marital exige ajustes. Ambos entram nela pelo menos com algumas expectativas e ideais não muito práticos e realísticos. Quando estes não são satisfeitos, pode surgir o desapontamento já após as primeiras semanas. Lembre-se, porém, de que você fez uma grande mudança na sua vida. Não mais vive sozinho, nem com a família com que passou toda a sua vida. Está agora com uma nova pessoa, alguém que talvez descubra não conhece tão bem como pensava. Tem um novo horário, seu trabalho talvez seja novo, seu orçamento é diferente, e há novos amigos e parentes aos quais precisa acostumar-se. O sucesso de seu casamento e de sua felicidade depende de sua disposição de se ajustar.
É VOCÊ FLEXÍVEL?
4. Que princípios bíblicos poderão ajudar a pessoa casada a fazer ajustes? (1 Coríntios 10:24; Filipenses 4:5)
4 Alguns, por causa do orgulho, acham difícil ser flexíveis. Mas, conforme diz a Bíblia, “a soberba é prelúdio de ruína, e a altivez do espírito é precursora da queda”. Persistir na obstinação pode ser calamitoso. (Provérbios 16:18, Pont. Inst. Bíblico) Jesus recomendou que se esteja disposto a acomodar e ceder, quando disse que, se alguém quiser tirar-lhe ‘sua roupa interior, deixe-o ter também a sua roupa exterior’ e se alguém quiser que ande ‘mil passos, vai com ele dois mil’. Em vez de você discutir com alguém que lhe é achegado, o apóstolo Paulo perguntou: “Por que não deixais antes que se vos faça injustiça?” (Mateus 5:40, 41; 1 Coríntios 6:7) Se os cristãos podem ir a tais extremos para manter a paz com os outros, então, certamente, os casais que se amam devem poder ajustar-se, a fim de tornar bem sucedida a sua nova relação.
5. De que maneira se poderia pensar de modo positivo ou negativo sobre o cônjuge?
5 Em toda a parte há oportunidades para se ser feliz, ou então infeliz. A quais delas deve estar atento? Concentrar-se-á nas positivas ou remoerá as negativas? A esposa novata talvez pense: ‘Agora que já somos casados, onde é que está aquele homem romântico que me levava a lugares interessantes e passava o tempo comigo? Ele está ficando acomodado. Presume tudo como automático. Ora, ele não é mais aquele homem que eu conhecia!’ Ou entende e reconhece que ele trabalha agora arduamente para ser bom provedor para a família? E será que este marido novato observa que sua esposa trabalha arduamente em cozinhar e limpar, às vezes estando muito cansada, nem tendo muito tempo para procurar fazer-se bonita? Ou será que ele diz para si mesmo: ‘O que aconteceu com aquela moça atraente com quem me casei? Ela mudou, agora que já agarrou o seu homem’?
6. Quando marido e mulher realmente procuram fazer com que seu casamento seja bem sucedido, como afeta isso a relação entre eles?
6 Ambos devem ser maduros e dar-se conta de que nenhum deles tem o tempo ou a energia para fazer tudo o que faziam antes do casamento. Agora é o tempo de mostrar flexibilidade e aceitar a responsabilidade, profundamente satisfatória, de fazer o casamento funcionar. Uma pessoa pode arruinar o casamento, mas requer duas para fazê-lo funcionar. Fazer o casamento funcionar é uma façanha. A façanha subentende realizar algo apesar de dificuldades. Quando os dois se juntam neste empenho, parte de ambos se funde nesta façanha. Este esforço conjunto, num objetivo mútuo, une vocês dois; vincula-os intimamente; faz dos dois uma só pessoa. Com o tempo, isto cria um vínculo de amor que supera tudo o que se esperava do casamento, e em tal felicidade unificadora dá prazer se ajustar às diferenças do outro.
7. Se for preciso fazer decisões, quando convém estar disposto a ceder?
7 O orgulho se desvanece ao passo que o amor aumenta, e não só há felicidade em dar, mas também em ceder, em consentir, quando a preferência pessoal, não princípios, está envolvida. Pode tratar-se da compra de algum objeto para a casa, ou de como passar as férias. Quando mostra preocupação com a felicidade do outro, o casal começa a ajustar-se às palavras de Paulo: “Não visando, em interesse pessoal, apenas os vossos próprios assuntos, mas também, em interesse pessoal, os dos outros.” — Filipenses 2:4.
CONCEITO EQUILIBRADO SOBRE O SEXO
8, 9. Qual é o conceito bíblico sobre as intimidadas maritais?
8 A Bíblia não tem falso pudor ao considerar as relações sexuais. Usando de retórica poética, ela mostra o êxtase que elas devem dar ao marido e à mulher; enfatiza também que o sexo deve ser restrito ao esposo e esposa. Esta passagem se encontra em Provérbios 5:15-21:
“Bebe água da tua própria cisterna e filetes de água do meio do teu próprio poço. Porventura se deviam espalhar teus mananciais portas afora, tuas correntes de água nas próprias praças públicas? Que mostrem ser somente para ti e não para os estranhos contigo. Mostre-se abençoada a tua fonte de água e alegra-te com a esposa da tua mocidade, gama amável e encantadora cabra montesa. Inebriem-te os seus próprios seios todo o tempo. Que te extasies constantemente com o seu amor. Portanto, meu filho, por que te devias extasiar com uma mulher estranha ou abraçar o seio duma mulher estrangeira? Porque os caminhos do homem estão diante dos olhos de Jeová e ele contempla todos os seus trilhos.”
9 Todavia, seria erro dar ênfase demais ao sexo, a ponto de fazer parecer que o bom êxito do casamento depende da vida sexual do par, ou que ela devia compensar as falhas sérias em outros campos de sua relação. A onda de matéria sexual em livros, filmes e anúncios comerciais — que em grande parte se destina a incitar desejos eróticos — faz com que o sexo pareça vital. Entretanto, a Palavra de Deus discorda disso, recomendando o autodomínio em todos os aspectos da vida. Até mesmo no casamento, abandonar todos os freios pode levar a práticas que aviltam a relação marital. — Gálatas 5:22, 23; Hebreus 13:4.
10. Quais são algumas das coisas a considerar, que podem ajudar os casais a se ajustarem na questão sexual?
10 O ajuste sexual freqüentemente é difícil e pode requerer tempo após o casamento. Deve-se usualmente à falta de conhecimento e a não se discernirem as necessidades do cônjuge. Talvez ajude conversar antes com um respeitado amigo casado. Não somente foram o homem e a mulher feitos diferentes, mas eles também têm sentimentos diferentes. É importante a consideração da necessidade, por parte da mulher, de ternura. Mas, não deve existir nenhum sentimento negativo de falsa modéstia, ou falso pudor, ou a idéia de que o sexo é algo vergonhoso. Tampouco deve tornar-se uma ocasião de conquista, como é para certos homens. “O marido renda à esposa o que lhe é devido”, diz a Bíblia, e “faça a esposa também o mesmo para com o marido”. E, ao procederem assim, é apropriado o seguinte princípio bíblico: “Que cada um persista em buscar, não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa.” Se houver tal amor e desejo de agradar por parte de ambos, conseguirão fazer um bom ajuste. — 1 Coríntios 7:3; 10:24.
DESACORDO SEM DESAGRADO
11-13. Quando houver desacordos, o que deveremos ter em mente para que as diferenças não se desenvolvam em sérias brechas?
11 Não há duas pessoas na terra que sejam exatamente iguais. Cada pessoa é nitidamente diferente. Isto significa também que não há duas pessoas que concordem em tudo. A maioria dos desacordos podem ser triviais, mas alguns deles podem ser sérios. Há lares em que os desacordos logo chegam ao ponto de gritaria, empurrões, bofetadas e atirar coisas; um ou outro dos cônjuges talvez vá embora por uns dias ou semanas, ou eles simplesmente deixam de conversar entre si. É bem possível discordar sem que surja tal situação. Como? Por se encarar certa verdade básica.
12 Todos nós somos imperfeitos, todos temos falhas, e, apesar das melhores intenções, as fraquezas costumam manifestar-se. O apóstolo Paulo achou isso no seu próprio caso: “O bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, este é o que pratico.” (Romanos 7:19) Herdamos o pecado de nossos primeiros pais. A perfeição está além de nossa capacidade. Por isso, “quem pode dizer: ‘Purifiquei meu coração; fiquei limpo do meu pecado’?” — Provérbios 20:9; Salmo 51:5; Romanos 5:12.
13 Aceitamos nossas próprias fraquezas e as desculpamos. Não podemos aceitar e desculpar as de nosso cônjuge? Sem dúvida, admitimos prontamente que somos pecadores, mas, ficamos na defensiva e somos relutantes em admitir um pecado específico? E temos a perspicácia de entender que esta relutância de admitir estar errado é típica das pessoas, inclusive de nosso cônjuge, e fazemos concessões? “A perspicácia do homem certamente torna mais vagarosa a sua ira, e é beleza da sua parte passar por alto a transgressão”, diz o provérbio inspirado. Indubitavelmente você, assim como quase todos os outros, adota o princípio da “regra áurea”. Jesus declarou-a no seu famoso Sermão do Monte: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” A maioria das pessoas professam-na da boca para fora; poucos a praticam. Sua sincera aplicação resolveria os problemas das relações humanas, inclusive das maritais. — Provérbios 19:11; Mateus 7:12.
14, 15. (a) O que poderá resultar de alguém comparar desfavoravelmente seu cônjuge com outra pessoa? (b) A respeito de que assuntos se fazem às vezes imprudentemente tais comparações?
14 Cada um de nós gosta de ser considerado e tratado como pessoa. Quando alguém nos compara desfavoravelmente com outro, talvez encarando nossas qualidades ou capacidades como inferiores, como reagimos? Em geral, sentimo-nos magoados ou ressentidos. Na realidade, dizemos: ‘Mas eu não sou aquela pessoa. Eu sou EU.’ Tais comparações, em geral, não são motivadoras, porque queremos ser tratados com compreensão.
15 Para ilustrar este ponto: Será que você, o marido, expressa seu agrado pela comida que sua esposa prepara, ou queixa-se de que ela não sabe cozinhar assim como sua mãe? Como é que sabe quão bem sua mãe sabia cozinhar quando era recém-casada? Talvez a sua esposa se saia melhor do que ela fazia. Dê à sua esposa a oportunidade de se desenvolver nos seus novos deveres e se tornar eficiente neles. E será que você, esposa, se queixa que seu marido novato não traz para casa o ordenado que seu pai trazia? Quanto é que seu pai ganhava quando se casou? Nem mesmo isto importa. O que importa é a ajuda que você pode dar ao seu marido. Levanta-se e prepara o café da manhã antes de ele ir trabalhar, para que ele sinta que você o apóia e que aprecia os esforços dele? Será que um de vocês discute com o outro por causa dos sogros ou cunhados, ou discorda das amizades que deviam cultivar ou da recreação a que se deviam entregar? Estes e outros desacordos podem surgir. Como vão resolvê-los?
16. O que há de errado na teoria de que brigas violentas ajudam a resolver dificuldades?
16 Alguns psicólogos modernos afirmam que as brigas são úteis para resolver dificuldades. A teoria deles é que as frustrações aumentam, criando pressões, e finalmente explodem numa violenta briga. No calor de tal altercação acesa, expressam-se, ventilam-se e eliminam-se ressentimentos retidos por muito tempo — segundo esta teoria. Até que isto aconteça, as frustrações ficam fervendo e cozinhando por dentro, e depois transbordam numa ocasião posterior. Mas, há o grave perigo de que tais acessos violentos façam você dizer coisas que não pretende dizer, e pode causar ferimentos além de cura. Pode ofender a outra pessoa tão severamente, que se cria uma barreira que depois não poderá vencer. Conforme adverte Provérbios 18:19: “Um irmão contra quem se transgride é mais do que uma vila fortificada; e há contendas que são como a tranca duma torre de habitação.” O conselho sadio da Bíblia é: “Desiste . . . antes que haja rixas.” — Provérbios 17:14, Almeida, atualizada.
COMUNIQUE-SE!
17. O que se pode fazer para impedir que os desacordos se criem no íntimo e atinjam proporções explosivas?
17 Muito melhor do que deixar que os desacordos se desenvolvam no seu íntimo até atingirem proporções explosivas é falar sobre eles conforme surgirem. Remoer um mal quase sempre faz com que pareça pior do que realmente é. Fale sobre ele desde já, ou esqueça-o. Foi apenas uma observação passageira? Deixe-a passar. Precisa ser considerada? Fez o seu cônjuge algo que aflige você? Não o condene logo; procure levantar a questão em forma de pergunta, ou faça uma sugestão que a apresente à consideração. Por exemplo, poderá dizer: ‘Querido (a), há algo que não entendo. Pode ajudar-me?’ Daí, escute. Procure entender o ponto de vista da outra pessoa. Acate a advertência de Provérbios 18:13: “Quando alguém replica a um assunto antes de ouvi-lo, é tolice da sua parte e uma humilhação.” Nenhum de nós gosta quando outro tira conclusões precipitadas sobre nós. Portanto, em vez de reagir apressadamente, procure discernir o intento ou motivo por detrás do ato. Faça como aconselha Provérbios 20:5: “O conselho no coração dum homem é como águas profundas, mas o homem de discernimento é quem o puxará para fora.”
18. O que nos poderá ajudar a dissipar os momentos melancólicos?
18 Está inclinado a ter momentos melancólicos? É difícil viver com uma pessoa melancólica. Alguns afirmam que as disposições de ânimo estão além de controle, sendo governadas por substâncias químicas no cérebro. Quer seja assim, quer não, os sentimentos são contagiosos. Podemos ser alegrados ou desanimados pelos em nossa volta. A música pode criar diversas disposições de ânimo em nós. Também histórias podem fazer isso. Os pensamentos que abrigamos na mente afetam o modo como nos sentimos. Se você remoer coisas negativas, ficará deprimido; por um ato de sua vontade poderá obrigar a mente a ter pensamentos positivos, otimistas. Pense neles. (Filipenses 4:8) Se achar isso difícil, procure alguma vigorosa atividade física — algum trabalho árduo, mesmo que seja capinar ou encerar o soalho; saia e corra ou ande pelo mato, ou, melhor ainda, encontre algo útil para fazer a alguém — tudo o que possa fixar sua atenção e suas energias em outra direção. É muito melhor desenvolver uma disposição de ânimo boa, do que uma péssima. E é muito mais divertido, para você e certamente também para seu cônjuge!
19. Como se pode lidar de maneira compreensiva com os momentos melancólicos do cônjuge?
19 Entretanto, há ocasiões em que os acontecimentos magoam você profundamente, ou quando sofre de severa doença ou dor. Ou, no caso de sua esposa, os períodos mensais e a gravidez alteram grandemente a secreção de fortes hormônios, os quais afetam o sistema nervoso e as emoções. A mulher pode sofrer de tensão pré-menstrual sem se aperceber disso. Este é um dos grandes fatores que o marido precisa levar em conta, para que, em vez de ficar exasperado, possa mostrar compreensão. Em tais circunstâncias especiais, tanto o marido como a mulher devem reconhecer o que é responsável por qualquer mudança de temperamento e reagir de maneira edificante. “O coração do sábio faz que a sua boca mostre perspicácia e acrescenta persuasão aos seus lábios.” E: “O verdadeiro companheiro está amando todo o tempo e é um irmão nascido para quando há aflição.” — Provérbios 16:23; 17:17.
20-22. (a) Por que se deve evitar o ciúme indevido? (b) O que se pode fazer para dar ao cônjuge a sensação de segurança?
20 É seu cônjuge ciumento? É correto alguém ter ciúmes de sua reputação e também de seu casamento. Assim como a adrenalina faz o coração bater outra vez, assim o ciúme incita a alma à defesa de algo que é prezado. O oposto do ciúme é a indiferença, e não devemos ser indiferentes para com o nosso casamento.
21 Mas, há outra espécie de ciúme que é causado pela insegurança e nutrido pela imaginação. Tal ciúme desarrazoado e excessivamente possessivo transforma o matrimônio numa prisão desagradável, na qual a confiança e o verdadeiro amor não podem sobreviver. “O amor não é ciumento” desta maneira, e o ciúme obsessivo “é podridão para os ossos”. — 1 Coríntios 13:4; Provérbios 14:30.
22 Se o seu cônjuge tiver motivo justo para sentir-se inseguro por causa do ciúme, elimine imediatamente a causa. Se não houver causa real, faça todo o possível para fortalecer a confiança da pessoa ciumenta, por palavras e, ainda mais importante, por suas ações. Toque-lhe o coração!
23. O que se poderá considerar com proveito, quando alguém está inclinado a procurar a ajuda dos de fora para resolver problemas maritais?
23 Podem pessoas de fora ajudar a resolver desacordos entre os casais? Possivelmente, mas não deviam ser convocadas a menos que ambos os cônjuges concordem com isso. Primeiro, “pleiteia a tua própria causa com o teu próximo e não reveles a palestra confidencial de outrem”. (Provérbios 25:9) Há um risco especial envolvido quando se pede que os parentes sejam os árbitros. É provável que eles não sejam imparciais. A Bíblia diz sabiamente: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa.” (Gênesis 2:24) O mesmo se aplica à esposa com relação aos seus pais e a seu marido. Em vez de pedir que os pais ou parentes arbitrem, tomando partido de um cônjuge contra o outro, marido e mulher devem apegar-se um ao outro, reconhecendo que os problemas são seus e que precisam resolvê-los juntos. Apelar para os de fora, sem o consentimento do cônjuge, rebaixa ambos aos olhos dos outros. Se houver comunicação franca, honesta e amorosa, não haverá motivo para não poderem solucionar seus problemas entre si. Podem consultar outras pessoas maduras, em busca de conselho, mas a solução, por fim, recai sobre você e seu cônjuge.
24, 25. O que talvez faça a pessoa, se o orgulho interferir na solução dum problema marital?
24 “Ninguém tenha de si uma estima maior do que a que deve ter”, aconselhou o apóstolo Paulo. (Romanos 12:3, Matos Soares) Depois acrescentou: “Tomai a dianteira em dar honra uns aos outros.” (Romanos 12:10) Às vezes, quando nosso orgulho fica ferido, convém refletir em que não somos realmente tão grandes assim. Certamente, não somos grandes em comparação com a terra, e a própria terra é pequena no sistema solar, o qual, por sua vez, é minúsculo no universo. Aos olhos de Jeová, “todas as nações são . . . como algo inexistente . . . como nada e como irrealidade para ele”. (Isaías 40:17) Tais pensamentos ajudam a manter as coisas em perspectiva, para se ver que os desacordos talvez não envolvam, afinal, questões tão vitais assim.
25 Às vezes, o senso de humor também nos pode ajudar a não nos tomarmos demasiadamente a sério. Saber rir de si mesmo é sinal de madureza e aplaina muitos pontos escabrosos na vida.
“LANÇA O TEU PÃO SOBRE AS ÁGUAS”
26, 27. Que princípios bíblicos devem ser aplicados, quando o cônjuge não corresponde aos esforços de resolver pacificamente as diferenças, e por quê?
26 Que deve fazer quando seu cônjuge não corresponde aos seus esforços de solucionar pacificamente as diferenças? Siga o conselho da Bíblia: “Não retribuais a ninguém mal por mal.” Jesus é o modelo que devemos imitar: “Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide.” É comum entre as pessoas pagarem na mesma moeda. Mas, se você adotar este proceder, então está deixando os outros amoldá-lo, transformá-lo no que você é. Realmente, transformam-no naquilo que eles são. Deixar isso acontecer significa negar a si mesmo, negar aquilo que você representa e os princípios que preza. Em vez disso, copie Jesus, que se apega ao que ele é, sem ser alterado pelas fraquezas dos em volta dele: “Se formos infiéis, ele permanece fiel, pois não se pode negar a si mesmo.” — Romanos 12:17; 1 Pedro 2:23; 2 Timóteo 2:13.
27 Se você for bastante forte para interromper um ciclo do mal com o bem, talvez inicie um ciclo do bem. “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor.” (Provérbios 15:1) Uma resposta branda não provém de fraqueza, mas de força, e seu cônjuge sentirá isso. Visto que são tantos os que pagam na mesma moeda, sua investida com o bem pode mudar o ciclo do mal para o bem. Isto é indicado por certos textos. “Aquele que rega liberalmente os outros também será regado liberalmente.” “Com a medida com que medis, medirão a vós em troca.” “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.” (Provérbios 11:25; Lucas 6:38; Eclesiastes 11:1, Almeida) Pode levar tempo para a sua bondade produzir uma safra de bem da parte de seu cônjuge. Não se lança semente num dia e se colhe logo no dia seguinte. Não obstante, “o que o homem semear, isso também ceifará; . . . Assim, não desistamos de fazer aquilo que é excelente, pois ceifaremos na época devida, se não desfalecermos”. — Gálatas 6:7-9.
28. Quais são alguns dos princípios excelentes encontrados no livro bíblico de Provérbios, que podem ajudar a promover uma vida feliz de casado, e como?
28 Seguem-se alguns textos bíblicos e perguntas para os casais tomarem em consideração:
Provérbios 14:29: “Quem é vagaroso em irar-se é abundante em discernimento, mas aquele que é impaciente exalta a tolice.” Se você dá tempo a si mesmo para pensar, não descobre muitas vezes que não há bom motivo para se irar?
Provérbios 17:27: “Quem refreia as suas declarações é possuído de conhecimento e o homem de discernimento é de espírito frio.” Mantém-se calmo e refreia-se de usar palavras que irritariam seu cônjuge?
Provérbios 25:11: “Como maçãs de ouro em esculturas de prata é a palavra falada no tempo certo para ela.” A palavra que é certa em determinada ocasião pode estar errada em outra. Está você apercebido de qual é a palavra certa na ocasião certa?
Provérbios 12:18: “Existe aquele que fala irrefletidamente como que com as estocadas duma espada, mas a língua dos sábios é uma cura.” Antes de você falar, pára e pensa no efeito que suas palavras terão sobre o seu cônjuge?
Provérbios 10:19: “Na abundância de palavras não falta transgressão, mas quem refreia seus lábios age com discrição.” Às vezes, quando perturbados, dizemos mais do que pretendemos, e depois o lamentamos. Previne-se você contra isso?
Provérbios 20:3: “Para o homem é uma glória desistir duma disputa, mas todo tolo estourará nela.” Requer dois para haver uma discussão. É você bastante maduro para ser aquele que pára com ela?
Provérbios 10:12: “O ódio é o que incita contendas, mas o amor encobre mesmo todas as transgressões.” Continua você a repisar antigas disputas, ou ama seu cônjuge o bastante para deixá-las de lado?
Provérbios 14:9, “Nova Bíblia Inglesa”: “O tolo é arrogante demais para se corrigir; os homens retos sabem o que a reconciliação significa.” É você orgulhoso demais para fazer concessões e procurar a paz com seu cônjuge?
Provérbios 26:20: “Onde não há lenha, apaga-se o fogo.” Consegue parar com a discussão, ou precisa ter a última palavra?
Efésios 4:26: “Não se ponha o sol enquanto estais encolerizados.” Insiste você nas diferenças e assim prolonga a aflição tanto para você como para seu cônjuge?
29. Quais são algumas das coisas básicas que se deve ter em mente quando se procura manter o casamento feliz?
29 O conselho sábio só é de proveito quando posto em prática. Experimente-o. De modo similar, esteja disposto a experimentar a sugestão feita pelo seu cônjuge. Veja se funciona. A quem cabe a culpa quando algo sai errado? Isto não importa. O que é importante é como endireitar as coisas. Seja flexível, ventile as diferenças, fale sobre elas e não seja convencido. Comunique-se! Se ‘amar o seu cônjuge como a si mesmo’, não deve ser difícil demais ajustar-se à relação marital e torná-la feliz. — Mateus 19:19.
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O marido que obtém profundo respeitoTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 4
O marido que obtém profundo respeito
1, 2. Como se obtém respeito, e como é isso bem ilustrado pelo caso de Jesus Cristo?
O RESPEITO não é obtido apenas por mandar que outro o respeite. Você precisa merecer o respeito pela sua maneira de falar e agir, e pelo que é.
2 Isto é ilustrado no caso de Cristo Jesus. Ele obteve o respeito, como instrutor, pela sua maneira de ensinar. Após o seu Sermão do Monte, “o efeito foi que as multidões ficaram assombradas com o seu modo de ensinar”. O que lhe granjeou este respeito? Estribar-se na palavra de Deus, a Bíblia, em vez de nas opiniões de outros homens. Sua autoridade exclusiva era Jeová Deus e Sua palavra de verdade. Jesus obteve o respeito tanto de amigos como de inimigos, por merecê-lo. — Mateus 7:28, 29; 15:1-9; João 7:32, 45, 46.
3. Que obrigação impõe Efésios 5:33 à esposa, e o que requer isso do marido?
3 “A esposa deve ter profundo respeito pelo seu marido”, é a instrução dada em Efésios 5:33. Mas o marido deve fazer empenho diligente para merecer este respeito; senão, será muito difícil para a esposa acatar esta instrução. Como pode o marido desempenhar seu papel, conforme delineado na Bíblia, a fim de obter tal respeito?
PELO EXERCÍCIO DA CHEFIA CORRETA
4. Que papel atribui a Bíblia ao marido?
4 A Bíblia atribui ao marido o papel da chefia no arranjo marital, dizendo: “As esposas estejam sujeitas aos seus maridos como ao Senhor, porque o marido é cabeça de sua esposa, assim como também o Cristo é cabeça da congregação, sendo ele salvador deste corpo. De fato, assim como a congregação está sujeita ao Cristo, também as esposas estejam sujeitas aos seus maridos, em tudo.” (Efésios 5:22-24) Será que tal arranjo realmente contribuirá para a felicidade na família? Algumas mulheres falam abertamente contra o que descrevem como sendo chauvinismo masculino, quer dizer, o conceito vanglorioso ou exagerado que alguns homens têm quanto à sua posição com relação às mulheres. Mas, digamos logo de início, que os ensinos bíblicos não endossam tal chauvinismo masculino.
5. O que deve o marido reconhecer sobre a chefia, e os exemplos de quem deve seguir?
5 A Bíblia enfatiza o fato de que não só a mulher, mas também o homem está sob uma chefia. Recorrendo ao livro bíblico de 1 Coríntios, capítulo 11, versículo 3, encontramos que o apóstolo Paulo escreveu as seguintes palavras à congregação de Corinto: “Quero que saibais que a cabeça de todo homem é o Cristo; por sua vez, a cabeça da mulher é o homem; por sua vez, a cabeça do Cristo é Deus.” O homem tem Cristo por cabeça, e é de Deus e de Cristo, como exemplos e instrutores, que você, o marido, deve aprender como exercer a chefia.
6. O que podem os maridos aprender de Jeová Deus e Jesus Cristo sobre a chefia?
6 A chefia de Jeová sobre Cristo foi exercida em benevolência, e a reação de Cristo era: “Agradei-me em fazer a tua vontade, ó meu Deus.” (Salmo 40:8; Hebreus 10:7) Também a chefia de Jesus Cristo é amorosa. Ele disse aos que tornar-se-iam seus discípulos: “Sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas.” (Mateus 11:29) Os que são membros de sua congregação, que as Escrituras comparam com uma noiva, deveras têm encontrado tal revigoramento sob a sua chefia. Ele não os tem explorado, mas tem sido abnegado no seu amor. Esta é também a espécie de chefia que o marido deve exercer sobre sua esposa: “Maridos, continuai a amar as vossas esposas, assim como também o Cristo amou a congregação e se entregou por ela . . . Deste modo, os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio, pois nenhum homem jamais odiou a sua própria carne; mas ele a alimenta e acalenta, assim como também o Cristo faz com a congregação . . . cada um de vós, individualmente, ame a sua esposa como a si próprio; por outro lado, a esposa deve ter profundo respeito pelo seu marido.” (Efésios 5:25-29, 33) Se você der o exemplo de sujeição à chefia de Cristo, então não deve ser algo difícil — de fato, pode ser um prazer — para sua esposa ter profundo respeito pela sua chefia como marido dela.
7, 8. Mencione algumas das maneiras em que certos maridos deixam de exercer a devida chefia.
7 O grande problema é que, devido à imperfeição e ao inerente egoísmo, há ocasiões em que o marido, embora querendo ser respeitado como chefe da família, deixa de mostrar o necessário amor e consideração para com sua esposa. A esposa, amiúde, dirá que não se sente amada pelo seu marido, que ele só se preocupa com o seu próprio prazer e satisfação. Também, algumas esposas queixam-se de que seu marido é mandão. Pode ser que isso seja resultado de a esposa tentar usurpar a chefia dele, sendo que ele resiste a tal usurpação. Ou pode ser que o homem tenha sido criado num ambiente em que os maridos são arrogantes e mandões. Não importa qual a causa, tal abuso da chefia não granjeia o respeito de ninguém.
8 Por outro lado, em vez de abusarem da chefia, alguns maridos renunciam a ela. Deixam todas as decisões para sua esposa. Ou, dizendo à esposa que ‘não os apresse’, procrastinam tanto, que os interesses da família sofrem. Talvez não sejam fisicamente preguiçosos ou ociosos, mas, esquivando-se do esforço mental, o resultado pode ser o mesmo que o descrito em Provérbios 24:33, 34: “Um pouco para dormir, um pouco para toscanejar, um pouco para cruzar os braços em repouso; assim sobrevirá a tua pobreza como um salteador, e a tua necessidade como um homem armado.” — Imprensa Bíblica Brasileira.
9, 10. Ao fazer decisões que afetam a família as opiniões de quem deve o marido tomar em consideração?
9 Obterá o respeito de sua esposa, se você se mostrar firme e forte, capaz de tomar decisões. Mas isto não significa que não se deva consultar a ninguém mais na família ou que a opinião de sua esposa não deva receber séria consideração, só porque não concorda com a sua própria. Logo cedo, no registro bíblico, lemos sobre um sério problema na família de Abraão e Sara, envolvendo seu filho Isaque e o filho de sua serva Agar. Sara recomendou uma solução que não coincidiu com os sentimentos de Abraão sobre o assunto. Mas, Deus disse a Abraão: “Escuta a sua voz.” — Gênesis 21:9-12.
10 Não devemos concluir disso que o marido sempre deva ceder aos desejos de sua esposa. Mas, pode ser proveitoso considerar com ela as decisões que afetam a família, animando-a a que expresse livremente suas idéias e seus sentimentos. Mantenha abertas as linhas de comunicação, sendo sempre acessível, e avalie cuidadosamente as preferências dela nas decisões que tomar. Nunca seja mandão ou tirânico no exercício da chefia, porém, mostre humildade. Você não é perfeito e cometerá erros, e quando os fizer, desejará ter a compreensão de sua esposa. Surgindo situações assim, a esposa, cujo marido é humilde, achará mais fácil respeitar a chefia dele, do que aquela cujo marido é orgulhoso.
POR SER BOM PROVISOR
11, 12. (a) Qual é a responsabilidade do marido quanto a prover as necessidades materiais da vida? (b) De que modo é realmente por um esforço conjunto que se fazem tais provisões?
11 O marido tem a responsabilidade de prover as necessidades materiais da vida para sua família. Isto é mostrado em 1 Timóteo 5:8: “Certamente, se alguém não fizer provisões para os seus próprios, e especialmente para os membros de sua família, tem repudiado a fé e é pior do que alguém sem fé.” A vida atual, em muitos países, requer muito dinheiro, e você, como marido, terá de tomar as decisões que governam a maneira de satisfazer esta necessidade. Provavelmente verificará que, além de ter de levar para casa o dinheiro que ganha, precisará elaborar com sua esposa um orçamento que ambos entendam. Isto significa simplesmente ter um arranjo para controlar os gastos. Ajudá-lo-á a viver dentro dos seus recursos e pode evitar em muito a espécie de discussão que às vezes surge quando o dinheiro acaba antes do dia do pagamento.
12 Embora, na maioria dos casos, seja o marido quem traz o dinheiro para o sustento da família, não se deve esquecer que é ganho por um esforço conjunto. Se você, como marido, acha que está fazendo tudo sozinho, então pare e calcule quanto lhe custaria contratar um agente de compras, uma cozinheira, uma lavadora de pratos, uma arrumadeira, uma decoradora, uma babá, e assim por diante. Normalmente, sua esposa lhe poupa estas despesas por fazer o trabalho que, naturalmente, é sua parte como sócia matrimonial. E se ela guardar uma porção de registros sobre as despesas do lar, você poderá acrescentar uma “contadora” à lista já mencionada. Provérbios 18:22 é bem veraz: “Achou alguém uma boa esposa? Achou uma coisa boa.”
13. No que se refere a coisas materiais, que conceito devem evitar os casais, e de que proveito pode ser isso para eles?
13 Ao providenciarem-se as coisas materiais, há um sempre-presente perigo — para você e sua esposa — o de vir a adotar o conceito materialista sobre a vida. Poucas coisas podem ‘corroer’ tanto o alicerce da felicidade familiar como isso. “Não trouxemos nada ao mundo, nem podemos levar nada embora”, disse o escritor bíblico Paulo. “Assim, tendo sustento e com que nos cobrir, estaremos contentes com estas coisas. No entanto, os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos, que lançam os homens na destruição e na ruína. Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais, e alguns, por procurarem alcançar este amor, foram desviados da fé e se traspassaram todo com muitas dores.” Não importa que possessões o modo materialista de vida possa trazer, nunca pode compensar a dor de se ver as relações familiares enfraquecerem e romperem. O lucro material é ultrapassado em muito pela perda espiritual e emocional. — 1 Timóteo 6:7-10.
14. O que determina se as coisas materiais são demasiado importantes na vida da pessoa?
14 O materialismo é o amor às coisas materiais, não a mera posse de bens materiais. Alguém pode ser pobre e materialista, ou rico e de mentalidade espiritual. Depende de em que fixa o coração. Jesus disse: “Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. Antes, armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, ali estará também o teu coração.” — Mateus 6:19-21.
15, 16. Além de cuidar bem das necessidades materiais, que mais deve o marido fazer, para manter a família feliz?
15 O marido que é bom provisor das necessidades materiais pensará nesta admoestação bíblica, e, além de prover as coisas necessárias em sentido material, devotará tempo a fazer provisões espirituais para a sua família. Que adianta gastar muito tempo no trabalho secular para obter as coisas materiais da vida, quando não lhe sobra tempo suficiente nem energia para edificar sua família em sentido espiritual? Para ter a sabedoria de lidar com bom êxito com os problemas da vida, precisa gastar tempo para edificar na família uma forte devoção a princípios corretos. Poderá fazer isso por dar lugar na sua vida à leitura da Palavra de Deus e à palestra sobre ela, assim como orarem juntos. Como chefe da família, cabe a você, o marido, tomar a dianteira nisso. O custo disso, em tempo e esforço, será superado em muito pelos benefícios. Não falhará a promessa de Deus: “Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas.” — Provérbios 3:6.
16 O marido que recorre ao Criador para endireitar seus passos reconhece o equilíbrio do conselho encontrado em Eclesiastes 7:12: “A sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.” Portanto, como bom provisor, ele trabalha arduamente para suprir as necessidades físicas dos de sua casa. Não obstante, não baseia sua esperança “nas riquezas incertas, mas em Deus”. Dá exemplo em colocar a ênfase primária nos interesses espirituais, a fim de que tanto ele como sua esposa “se apeguem firmemente à verdadeira vida”. (1 Timóteo 6:17-19) Os esforços do marido, para fazer tais provisões, tanto físicas como espirituais, obter-lhe-ão o respeito da esposa que teme a Deus.
POR DAR-LHE HONRA
17-19. Como se pode aplicar às relações sexuais o conselho bíblico sobre atribuir “honra” a esposa?
17 O apóstolo Pedro falou aos maridos sobre suas esposas e disse-lhes que lhes ‘atribuíssem honra como a um vaso mais fraco, o feminino’. (1 Pedro 3:7) Neste mesmo versículo, Pedro salientou que você, como marido, que vive com sua esposa, deve atribuir-lhe esta honra “segundo o conhecimento”.
18 Isto, por certo, aplica-se às relações sexuais. Grande parte da frigidez de esposas deve-se aos maridos que são ignorantes com respeito à constituição física e emocional da mulher. “O marido renda à esposa o que lhe é devido”, mas ‘segundo o conhecimento, atribuindo-lhe honra como a um vaso mais fraco’, aconselha a Palavra de Deus. (1 Coríntios 7:3) Se você realmente lhe ‘atribuir honra’, não será ríspido, nem exigente, insistindo na satisfação de suas próprias paixões, mesmo que ela esteja muito cansada, ou durante as ocasiões difíceis do mês. (Veja Levítico 20:18.) E quando tiver relações com ela, não ficará tão atento ao seu próprio prazer, que desconsidere as necessidades dela. Neste campo da vida, a mulher costuma reagir de modo mais vagaroso do que o homem. Ela tem necessidade especial de ternura e afeto. Ao dizer ao marido que “renda à esposa o que lhe é devido”, a Bíblia dá ênfase ao dar, não ao receber.
19 Esta espécie de dar, naturalmente, é reservada ao próprio cônjuge. É verdade que muitos homens, hoje, têm “casos” com outras mulheres. Mas, no fim, o que é que ganham? Simplesmente minam a felicidade de seu próprio lar. Deixam de ‘atribuir honra’ à sua esposa, e assim não dão à esposa motivo para respeitá-los. Além disso, desonram o próprio matrimônio, arranjo que foi originado por Deus. Em vista de todas as mágoas que isso causa, é compreensível que Hebreus 13:4 exorte: “O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros.”
20. Conforme indica Efésios 5:28, de que outras maneiras se deve mostrar honra à esposa?
20 Dar honra à esposa não termina com as relações sexuais. Também em outros assuntos, o marido que é deveras respeitoso mostra que tem a esposa em alta estima. Não é o caso de ele a colocar num pedestal e tornar-se escravo dela. Antes, é como já lemos, em Efésios 5:28: “Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio.” O homem que fizer isso certamente não tratará sua esposa como alguém inferior. Na hora da refeição, certamente não acharia que seu corpo merece todos os petiscos seletos, deixando para ela apenas as sobras — não, se ele a amar ‘como a seu próprio corpo’. Em vez de ser egocêntrico quanto à sua própria aparência, preocupar-se-á tanto, ou mais, quanto à de sua esposa, fazendo o que poder para que ela fique contente com a roupa que tem. O homem não bate em si mesmo, quando deixa de fazer as coisas tão bem como gostaria. Nem fará isso o marido cristão à sua esposa, só porque ela, às vezes, deixa de satisfazer às suas expectativas. Bem ao contrário, se alguém a tratasse rudemente, iria lealmente em auxílio dela. Ama-a assim como ao seu próprio corpo.
21, 22. Como pode o marido ajudar à esposa a ter prazer no desempenho de seu papel?
21 Embora reconheça em que pontos suas necessidades são iguais, também precisa entender as diferenças psicológicas entre vocês dois, se quer ‘atribuir honra’ à sua esposa. Basicamente, as mulheres gostam de trabalhar sob o teto duma autoridade, desde que esta seja exercida corretamente. Foi assim que Jeová Deus as criou. A mulher foi feita ‘ajudadora do homem, como complemento dele’. (Gênesis 2:18) Mas, se a supervisão for exercida com muita minúcia, se não houver margem para que ela tome a iniciativa e use suas próprias habilidades, a mulher poderá começar a sentir que se elimina da sua vida o prazer, e poderá surgir ressentimento.
22 Outro fator vital que precisa de atenção é o desejo natural da mulher de sentir-se necessitada. O marido prestativo é apreciado pela maioria das mulheres, mas aquele que simplesmente relega a esposa ao segundo plano e passa a tomar conta da situação pode descobrir que causa mais dano do que bem. Você fará muito para granjear a lealdade de sua esposa, se for bondoso e apreciativo, e se a deixar saber que ela é necessária, que lhe atribui honra, que os dois trabalham como equipe, que o caso é “nós” e “nosso”, não “eu” e “você”, ou “meu” e “seu”. Será que você deixa realmente sua esposa saber quanto gosta e precisa dela? Não fará isso por pagar-lhe um salário; terá de demonstrá-lo de outras maneiras.
RECONHEÇA SUAS QUALIDADES FEMININAS
23. Falando-se de modo geral, em que diferem os homens e as mulheres quanto às emoções?
23 Uma psicóloga escreveu: “Basicamente, as mulheres sentem, ao passo que os homens pensam.” Determinada caraterística, por si só não é melhor do que outra; são simplesmente diferentes. Não gostamos de pessoas que são insensíveis; nem daquelas que são desatenciosas. É evidente que as mulheres têm tanto a capacidade de sentir como de pensar, e o mesmo se dá com os homens. Mas, falando-se de modo geral, as emoções da mulher manifestam-se com maior prontidão, ao passo que o homem costuma estar mais inclinado a tentar sufocar a emoção a favor do que ele considera ser a maneira mais lógica de encarar o assunto. Naturalmente, embora haja exceções, esta é outra diferença que faz com que o marido e a mulher se complementem mutuamente. Junto com a constituição basicamente mais emocional da mulher, o forte interesse que ela mostra nas pessoas fazem-na falar mais do que o homem. E ela precisa de alguém com quem conversar. É nisto que os maridos falham.
24. Por que é importante que o marido escute sua esposa e converse com ela?
24 Conversa você com a sua esposa? Não só sobre o seu trabalho, mas também sobre o dela? Está interessado nele e revela-lhe isso? Como passou ela o dia? O que aconteceu com os filhos? Não volte para casa perguntando: ‘O que temos para o jantar?’, ocultando-se depois da refeição atrás do jornal e resmungando em resposta aos esforços dela de conversar. Esteja interessado na sua esposa, nos pensamentos dela, nas suas atividades e nos seus sentimentos a respeito das coisas. Incentive-a nos planos que ela tem, elogiando-a pelas suas realizações. Se ela for elogiada no que está fazendo, talvez comece a fazer outras tarefas que havia negligenciado. A crítica pode ser um veneno sutil e ser deprimente, mas o genuíno louvor dado quando merecido é um curativo e um estimulante, que lhe dará muito ânimo! — Provérbios 12:18; 16:24.
25, 26. (a) Que mensagem transmite à esposa um presente para ela? (b) Que espécie de presente é mais importante para ela?
25 Será que você lhe traz ocasionalmente um presente? Não precisa ser algo caro — talvez apenas uma coisa pequena que lhe diz: ‘Lembrei-me de você.’ E faz isso, não necessariamente numa ocasião específica, mas apenas espontaneamente, sem outro motivo exceto o de querer fazer isso? Surpresas agradáveis sempre dão prazer. Não se agrada quando ela o surpreende com um prato especial de que você gosta? Retribua surpresa com surpresa, e dê-lhe prazer. Pequenas lembranças, induzidas pelo amor, significam mais do que presentes caros dados de modo rotineiro — talvez até mesmo com ressentimento — por um senso de dever. “Deus ama o dador animado.” (2 Coríntios 9:7) As esposas também. Mesmo que as refeições não sejam especiais, lembre-se de que “melhor um prato de verduras onde há amor, do que um touro cevado e com ele ódio”. — Provérbios 15:17.
26 O presente mais importante é você dar de si mesmo — seu tempo, sua energia, sua atenção e seus pensamentos, especialmente os mais chegados ao seu coração. Muitos homens acham isso difícil. Fazer expressões de carinho pode parecer-lhe sentimentalismo tolo e nada varonil. Mas, se você amar sua esposa, terá em mente quanto um olhar, um toque, uma palavra pode significar para uma mulher. Mas, a ausência deles pode contribuir muito para ela se sentir contrariada, cansada e infeliz. Portanto, siga o exemplo registrado no Cântico de Salomão, na Bíblia. Expressar estima e afeto pelos outros é bom para quem o faz. As pessoas se sentem irresistivelmente atraídas aos que são cordiais. E como é a pessoa cordial? É alguém que revela seus sentimentos e seu entusiasmo aos com quem se importa. Tal cordialidade é contagiosa; será retribuída ao que a tem. — Cântico de Salomão 1:2, 15; Lucas 6:38.
27, 28. (a) O que poderá perguntar a si mesmo o marido, para saber se exerce a chefia de modo correto? (b) Por que convém preocupar-se com este assunto?
27 Marido, pergunte-se: Pode minha esposa facilmente respeitar minha chefia? Amo-a assim como a mim mesmo? Ou estou principalmente interessado apenas na minha própria satisfação e desejos? Quanto tomo em consideração as necessidades dela? Antes de eu tomar decisões para a família, escuto as opiniões dela e considero os seus desejos? Faço minhas decisões pensando no bem-estar dela? Atribuo-lhe honra como a um vaso mais fraco, o feminino? Comunico-me com ela, e abro-lhe meu coração?
28 Não poderá satisfazer isso perfeitamente. Mas, se fizer empenho coerente e humilde, poderá confiar em que isto contribuirá muito para tornar você um marido que obtém o profundo respeito da esposa e a aprovação de Deus.
[Foto na página 49]
Pequenas coisas significam muito.
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A esposa muito amadaTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 5
A esposa muito amada
1-4. Que queixa fazem às vezes as mulheres sobre o seu marido lhes afiançar seu amor?
UMA mulher queixou-se a outra: ‘Sei que meu marido me ama, mas ele nunca o diz. Ora, ocasionalmente, consigo arrancar isso dele, mas, significaria muito mais para mim se me dissesse que me ama sem eu o induzir a isso.’
2 A outra mulher respondeu: ‘Eu sei. Os homens são assim mesmo. Certa vez, perguntei a meu marido se me amava, e ele disse: “Eu me casei com você, não casei? Eu sustento você e vivo com você; não o faria se não a amasse.”’
3 Ela pausou por um momento e depois continuou: ‘Mas, há umas noitinhas atrás, aconteceu algo muito tocante. Durante o dia, eu estava limpando o escritório dele e vi numa das gavetas da escrivaninha um retrato. Era uma fotografia que eu lhe havia mostrado e que vinha dum velho álbum de família que eu tinha. Era um retrato meu, de maiô, quando eu tinha sete anos de idade. Ele o havia tirado do álbum e colocado na gaveta da escrivaninha.’
4 Ela sorriu ao se lembrar disso, depois olhou para sua amiga. ‘À noitinha, quando voltou para casa após o trabalho, confrontei-o com isso. Ele me tirou o retrato da mão, sorriu e disse: “Eu gosto muito desta menininha.” Depois o pôs de lado e tomou o meu rosto entre as suas mãos, dizendo: “Também gosto muito do que ela se tornou.” E beijou-me com ternura. Fiquei com lágrimas nos olhos.’
5. Para ser muito amada pelo marido, como deve a esposa comportar-se?
5 A esposa que sabe que é muito querida por seu marido sente-se bem e segura, no íntimo. A Palavra de Deus aconselha os homens a terem tal amor por sua esposa. “Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio, pois nenhum homem jamais odiou a sua própria carne; mas ele a alimenta e acalenta, . . . os dois se tornarão uma só carne.” (Efésios 5:28, 29, 31) Conforme já consideramos, a esposa deve ter profundo respeito pelo seu marido, mas o marido deve comportar-se de modo a merecer tal respeito. O mesmo também se aplica ao caso em que seu marido é aconselhado a amá-la e acalentá-la: Comporte-se de modo que ele se sinta impelido a fazer isso de coração.
DÁ-LHE APOIO?
6, 7. (a) Em Gênesis 2:18, para que papel, disse Jeová, fez ele a mulher? (b) Para a esposa ser verdadeira ajudadora para seu marido, o que se requer dela?
6 Para a esposa ser muito amada, requer-se mais do que mera sujeição à chefia do marido. Ele poderia ter um cavalo ou um cão bem treinado e sujeito a ele. Adão tinha animais consigo, no jardim do Éden, e estes estavam em sujeição a ele. Mas, ele ainda assim era o único de sua espécie. Precisava duma inteligente companheira humana, que fosse complemento dele e ajudadora dele no trabalho: “Não é bom que o homem continue só”, disse Jeová Deus. “Vou fazer-lhe uma ajudadora como complemento dele.” — Gênesis 2:18.
7 O que o marido necessita é de uma esposa que não só o ame e respeite, mas que também seja verdadeira ajudadora, apoiando-o nas decisões que toma. Isto não é difícil, quando as decisões são por acordo mútuo, depois de terem sido consideradas em conjunto. Mas, pode não ser fácil, se você não tiver sido consultada, ou se você não concordar. Em tal caso, poderia você apoiar lealmente seu marido — fazer o melhor para que a decisão dele funcione, desde que não se trate de atividade ilegal ou antibíblica? Ou ficaria inclinada a refrear-se obstinadamente, esperando que ele falhe, para poder dizer: ‘Eu não lhe disse?’ Se ele observar você empenhar-se arduamente para o sucesso do projeto, apesar de seus receios, não acha que tal apoio leal da sua parte fará com que ele a ame mais ainda?
8. Como pode a esposa estimular seu marido a exercer a devida chefia?
8 Acima de tudo, não tente usurpar a chefia dele! Se você conseguisse fazer isso, não ia mais gostar dele; e ele não ia gostar nem de você, nem de si mesmo. Pode ser que ele não assuma a chefia assim como devia. Pode você incentivá-lo nisso? Expressa-lhe você seu apreço pelos esforços que ele faz em tomar a dianteira? Coopera com ele e anima-o quando ele mostra um pouco de iniciativa, ou diz-lhe que está errado, que seu plano não vai funcionar? Às vezes, a esposa precisa compartilhar a culpa, se seu marido não toma a dianteira — por exemplo, se ela faz pouco das idéias dele ou se opõe aos seus empenhos, ou quando lhe dá a resposta do tipo ‘eu lhe disse que não ia dar certo’, caso algum projeto não saia conforme planejado. Isto, por fim, pode produzir um marido incerto e indeciso. Por outro lado, sua lealdade e apoio, sua confiança e fé nele, vão fortalecê-lo e contribuir para o seu bom êxito.
“UMA ESPOSA CAPAZ”
9. O que diz Provérbios 31:10 sobre a esposa capaz?
9 Para ser esposa muito amada, precisa também cuidar com esmero de suas responsabilidades no lar. A Bíblia diz sobre tal mulher: “Seu valor é muito maior do que o de corais.” (Provérbios 31:10) É você tal esposa? Quer sê-la?
10, 11. Como pode a esposa mostrar que ela se enquadra na descrição de Provérbios 31:15?
10 Ao tratar das atividades duma “esposa capaz”, o livro de Provérbios diz: “Ela se levanta também enquanto ainda é noite, e dá comida aos da sua casa.” (Provérbios 31:15) Muitas mulheres jovens iniciam a vida de casada com um impedimento, porque sua mãe não lhes ensinou a cozinhar; mas, elas podem aprender. E a mulher sábia aprenderá a fazê-lo bem! Cozinhar é uma arte. Quando a refeição foi bem preparada, não só encherá o estômago, mas trará também uma reação do coração.
11 Há muita coisa que se pode aprender sobre preparar refeições. É proveitoso informar-se sobre os elementos básicos da nutrição, a fim de que se possa proteger a saúde de sua família. Mas, só apresentar alimento nutritivo ao marido não necessariamente granjeará o louvor dele. A Bíblia informa-nos que a esposa de Isaque, Rebeca, sabia preparar o alimento de maneira ‘gostosa’, assim como seu marido gostava. (Gênesis 27:14) Muitas esposas poderiam tirar proveito do exemplo dela.
12. O que pode estar incluído em a mulher agir em harmonia com Provérbios 31:14?
12 Em algumas partes do mundo, as mulheres vão de manhã à feira para comprar as coisas necessárias para o dia. Em outras partes, fazem as compras talvez uma vez por semana e mantêm os gêneros perecíveis em refrigerador. Qualquer que seja o caso, o homem não pode deixar de apreciar a esposa que usa o dinheiro da família com cuidado e que respeita o orçamento doméstico. Se ela aprender a identificar alimentos e roupa de boa qualidade, e souber seu valor, nem sempre comprará a primeira coisa que vê. Antes, conforme diz Provérbios 31:14: “Ela tem mostrado ser como os navios de um mercador. De longe ela traz para dentro o seu alimento.”
13. De acordo com Provérbios 31:27, o que se pode esperar da esposa capaz, com relação ao cuidado com o lar?
13 Esta preocupação conscienciosa com o seu trabalho também precisa revelar-se na condição de seu lar. Comentando ainda mais o que identifica a esposa capaz, Provérbios 31:27 diz: “Ela está vigiando os andamentos dos da sua casa e não come o pão da preguiça.” Tomar por hábito dormir até tarde e gastar um tempo excessivo em conversa ociosa com as vizinhas — estas coisas não são para ela. Embora doença ou imprevistos possam às vezes fazer que ela se atrase nos afazeres domésticos, seu lar, em geral, será esmerado e limpo. Seu marido pode estar certo de que, caso amigos venham visitá-los, ele não ficará embaraçado pela aparência de seu lar.
14, 15. Que conselho dá a Bíblia às mulheres a respeito da vestimenta e do adorno?
14 A maioria das mulheres não precisa ser informada de que também é importante dar atenção à sua aparência pessoal, mas algumas delas precisam de ser lembradas disso. Não é fácil sentir afeição por alguém, cuja aparência mostra que não dá muita importância a si mesma. A Bíblia recomenda que as mulheres “se adornem em vestido bem arrumado, com modéstia e bom juízo”. Mas, ela aconselha também que não se dê ênfase demais ao penteado, a jóias e a vestidos caros, que atraem indevida atenção a quem os usa. — 1 Timóteo 2:9.
15 De valor muito superior a tal maneira de se vestir é a disposição de ânimo de quem se arruma assim. O apóstolo Pedro disse às esposas cristãs que um “espírito quieto e brando . . . é de grande valor aos olhos de Deus”. (1 Pedro 3:3, 4) E Provérbios, enumerando as caraterísticas da esposa capaz, acrescenta que ela “estendeu as suas mãos ao pobre” e que “a lei da benevolência está sobre a sua língua”. Ela não é nem egoísta, nem “ferina”, mas generosa e bondosa. (Provérbios 31:20, 26) “O encanto talvez seja falso”, continua a descrição, “e a lindeza talvez seja vã; mas a mulher que teme a Jeová é a que procura louvor para si”. — Provérbios 31:30.
16. Como considerará o marido apreciativo tal esposa?
16 Sim, tal mulher será muito amada pelo marido que compartilha o ponto de vista do Criador. Considerará a sua esposa assim como expresso pelo escritor de Provérbios: “Há muitas filhas que demonstraram capacidade, mas tu — tu sobrepujaste a todas elas.” (Provérbios 31:28, 29) E sem muito induzimento, ele se sentirá movido a deixar sua esposa saber que pensa assim.
SEU CONCEITO SOBRE O SEXO FAZ DIFERENÇA
17, 18. Como pode o conceito que a esposa tem sobre o sexo afetar os sentimentos de seu marido por ela?
17 Relações sexuais insatisfatórias são a raiz de muitos problemas conjugais. Em alguns casos, isto se deve à falta de consideração e de compreensão do marido quanto às necessidades físicas e emocionais de sua esposa, e, em outros casos, deve-se à falha da esposa, de participar física e emocionalmente na sensação do marido. O ato sexual, em que tanto o marido como a mulher participam voluntária e afetuosamente, deve ser uma expressão íntima do amor que sentem um pelo outro.
18 A frigidez da mulher talvez se deva à falta de consideração de seu marido, mas a indiferença da mulher também fere o marido, e alguma demonstração de repugnância pode acabar com a potência dele ou mesmo fazê-lo sentir-se atraído por outra pessoa. Se a esposa apenas se sujeita, com a atitude de não se importar, o marido pode interpretar isso como evidência de que a esposa não gosta dele. As emoções é que governam a reação sexual, e, se a esposa for impassível, ela talvez tenha de revisar sua própria atitude para com o sexo.
19. (a) Como mostra a Bíblia que seria errado negar as relações sexuais ao cônjuge por períodos prolongados? (b) Por que não deve ser necessário pedir que pessoas de fora da união marital decidam sobre a propriedade da conduta do casal em questões de sexo?
19 A Bíblia aconselha tanto ao marido como a mulher a não ‘se privarem um ao outro disso’. A Palavra de Deus não admite o uso do sexo como meio de punir o cônjuge ou expressar ressentimento, como no caso de a esposa o negar ao marido durante semanas, ou mesmo meses. Assim como ele deve ‘render à esposa o que lhe é devido’, ela ‘também deve fazer o mesmo para com o marido’. (1 Coríntios 7:3-5) Isto não significa que se deva esperar que a esposa se sujeite a algum ato anormal, que ela acha moralmente repugnante, e o marido que ama e respeita sua esposa não exigirá isso dela. “O amor . . . não se comporta indecentemente.” (1 Coríntios 13:4, 5) Não deve ser necessário pedir que alguém de fora da união marital decida sobre a propriedade ou impropriedade da conduta do casal. A Bíblia, em 1 Coríntios 6:9-11, cita claramente as práticas proibidas aos adoradores de Jeová Deus: fornicação, adultério, homossexualismo. (Veja também Levítico 18:1-23.) Alguns liberais modernos, praticando uma “nova moralidade” — na realidade, imoralidade — reivindicam a aceitação de alguns destes atos sexuais proibidos, ao passo que outros, muito conservadores, acrescentariam mais algumas proibições. A Bíblia apresenta o conceito equilibrado. Falando-se de modo geral, se todas as outras relações no casamento forem boas, se houver amor, respeito, boa comunicação e compreensão, então o sexo raras vezes será problema.
20. Qual é o resultado, quando a esposa usa o sexo para fins de negociata?
20 A esposa muito amada não usará o sexo para fins de negociata. É certo que nem todas as esposas barganham com o sexo, mas algumas o fazem. De maneira talvez sutil, usam o sexo para obter concessões de seu marido. Com que resultado? Bem, você não precisa sentir afeto pela pessoa que lhe vende algum vestido, não é? Assim tampouco o marido precisa sentir terna afeição pela esposa que negocia o sexo para obter concessões dele. A mulher que faz isso talvez obtenha alguma vantagem material, mas ela perde em sentido emocional e espiritual.
AS CHORAMINGAS, AS IMPLICANTES
21-23. Conforme ilustrado no caso de Sansão, como pode o choro e a implicância da mulher destruir a felicidade?
21 Sansão era homem forte, mas não podia suportar a pressão de mulheres que costumavam chorar e implicar para obter o que queriam. Em certa ocasião, ele se viu confrontado com um assédio de choradeira da mulher que devia tornar-se sua esposa. Conforme registra Juízes 14:16, 17, ela “começou a chorar junto dele e a dizer: ‘Tu deveras somente me odeias e não me amas. Propuseste um enigma aos filhos do meu povo, mas não mo declaraste.’ A isto ele lhe disse: ‘Ora, não o declarei nem ao meu próprio pai nem à minha própria mãe, e devia eu declará-lo a ti?”’ O apelo de Sansão à lógica não adiantou. Raras vezes funciona, quando as emoções ficam agitadas. “Ela chorava junto dele durante os sete dias que o banquete durou para eles, e sucedeu que no sétimo dia por fim lho declarou, porque ela o havia assediado. Ela declarou então o enigma aos filhos do seu povo.”
22 Não pense que seu marido não a ama, só porque nem sempre acede ao que você quer. A noiva de Sansão o acusou de não a amar, mas, na realidade, era ela quem não o amava. Ela o assediou até que ele não o suportou mais. Quando ele lhe contou seu enigma, ela logo o traiu, correndo para contar o segredo aos inimigos dele. No fim, ela se tornou esposa de outro homem.
23 Posteriormente, Sansão sentiu-se atraído a outra mulher, chamada Dalila. Ela pode ter sido fisicamente atraente, mas, mostrou ser uma mulher que ele pudesse amar muito? A fim de extrair de Sansão uma informação que pudesse usar para obter uma vantagem egoísta, Dalila recorreu à implicância como seu instrumento. O relato diz: “Sucedeu que, assediando-o ela todo o tempo com as suas palavras e instando com ele, a alma dele ficou impaciente até à morte.” O resultado final foi trágico. — Juízes 16:16.
24-27. (a) O que diz o livro de Provérbios sobre o efeito da implicância da esposa? (b) Por que escolheu as mulheres para dar tal conselho? (c) O que é mais verossímil para induzir o marido a fazer algo de bom para sua esposa?
24 Choro e implicância não são sábios. Prejudicam o casamento. Afastam o marido. A Bíblia adverte contra tais práticas, conforme indicam os seguintes textos, citados de Salmos e Provérbios Vivos: “A implicância no assunto separa os melhores amigos.” “Uma esposa implicante atiça os nervos como um constante alfinetar.” “Seria melhor ir morar no deserto, do que ficar com uma mulher briguenta e cheia de queixas.” “O constante gotejar num dia de chuva e uma mulher implicante têm muita coisa em comum; suas queixas são tão difíceis de terminar, como é difícil parar o vento, ou segurar alguma coisa com as mãos cheias de óleo!” — Provérbios 17:9; 19:13; 21:19; 27:15, 16.
25 Por que escolhem as Escrituras a esposa para dar este conselho? Provavelmente, porque as mulheres, em geral, são mais emotivas e estão mais inclinadas a dar vazão aos seus sentimentos, especialmente quando ficam perturbadas com alguma coisa. Também, talvez pensem que é a única arma que possuem. O marido, como chefe da casa, pode atuar arbitrariamente, de modo que a esposa talvez ache que precisa recorrer à pressão emocional. Você, como esposa, não deve usar tais táticas, e seu marido não deve fazê-la sentir-se obrigada a isso.
26 É verdade que pode haver ocasiões em que não se sente bem, e talvez passe a chorar, mesmo que não queira. Mas, isso é bastante diferente de usar cenas cheias de expressões emotivas só para conseguir o que quer.
27 A maioria dos maridos, realmente amando sua esposa, favorecerão mais a ela do que a si mesmos, no que se refere a preferências pessoais. Agrade a seu marido, e ele provavelmente procurará ocasiões para agradar a você.
“TEMPO PARA FICAR QUIETO E TEMPO PARA FALAR”
28-35. (a) Descreva os hábitos de conversar que talvez dificultem para o marido palestrar com a esposa. (b) O que se pode fazer, para melhorar a conversação entre marido e mulher?
28 Muitas esposas se queixam: ‘Meu marido nunca fala comigo.’ A culpa pode ser dele. Mas, muitas vezes o marido gostaria de falar com sua esposa, porém, ela não lhe facilita isso. De que modo? Nem todas as mulheres são iguais. Pergunte-se, porém, se você se enquadra numa destas descrições:
29 A primeira refere-se a uma mulher que não tem nenhuma dificuldade em falar com outras mulheres na vizinhança. Mas, qual é o estilo dela? Quando a outra mulher pára para tomar fôlego, ela já começa a falar. Talvez faça algumas perguntas, ou talvez passe para outro assunto, inteiramente diferente. Daí a pouco, a que foi interrompida corta a conversa e de novo passa a liderar a palestra por um tempo. Nenhuma das duas parece importar-se com esta “luta livre” conversacional.
30 Daí, o marido dela volta para casa, e ele tem algo para contar. Assim que entra pela porta, passa a dizer: ‘Você nunca imaginaria o que aconteceu no trabalho . . .’ Mas, não vai mais longe. Ela o interrompe, dizendo: ‘Onde é que conseguiu esta mancha no paletó? Deve ter cuidado para ver onde vai pisar. Acabo de limpar o chão.’ Ele talvez hesite em reiniciar a sua história.
31 Ou talvez estejam conversando com amigos, e ele esteja contando uma experiência, mas deixa fora alguns pormenores ou talvez não os relate exatamente certo. Sua esposa o interrompe, primeiro para corrigir as falhas, e depois para completar a história. Não demora muito até ele tomar fôlego e dizer: ‘Por que você não conta o resto?’
32 Outra mulher é da espécie que incentiva seu marido a falar. Procurando não dar na vista, mas cheia de curiosidade, ela pergunta: ‘Onde esteve?’ ‘Quem estava lá?’ ‘O que aconteceu?’ Não pergunta sobre as coisas rotineiras da vida, mas sobre as que parecem mais confidenciais, aquelas que a intrigam. Ela reúne os pedaços de informação que consegue e preenche as lacunas com um pouco de imaginação. Pode ser que parte da informação seja algo que seu marido não devia ter divulgado. Outras coisas podem ter sido apropriadas para uma palestra com a esposa, mas foram ditas em confidência. Então, se ela passar a falar sobre isso a outros, romperá o sigilo “Não reveles a palestra confidencial de outrem”, adverte Provérbios 25:9. Mas, se ela fizer isso, poderá causar problemas. Sentir-se-á ele à vontade para conversar com ela no futuro?
33 Ainda um terceiro tipo de mulher não é grande conversadora. Ela sabe cuidar do trabalho necessário na casa, mas raras vezes diz mais do que apenas algumas palavras. Quem quiser conversar com ela, terá de manter a palestra sozinho. Pode ser que ela seja tímida, ou talvez tenha tido pouca oportunidade de receber instrução, quando menina. Não importa qual a causa, os esforços de conversar com ela são em vão.
34 Mas, mudanças podem ser feitas. A arte de conversar pode ser aprendida. Se ela se empenhar não só no seu serviço doméstico, mas também em leitura proveitosa e em atos de bondade para com outros, terá algo de edificante para contar ao seu cônjuge. E a conversa bem sucedida significa participação. Também requer respeito — bastante respeito para deixá-lo terminar de falar, para deixá-lo contar a história ao seu próprio modo, e para saber quando manter algo confidencial. Conforme diz Eclesiastes 3:7, há “tempo para ficar quieto e tempo para falar”.
35 Portanto, em vez de se queixar que seu marido raras vezes fala com você, por que não procura tornar prazeroso para ele fazer isso? Esteja interessada no que ele faz. Escute com atenção quando ele fala. Faça com que sua resposta mostre o afetuoso amor e profundo respeito que tem por ele. Certifique-se de que as coisas sobre as quais você fala sejam positivas e edificantes. Poderá logo descobrir que a palestra é um prazer para ambos.
“GANHOS SEM PALAVRA”
36-38. Quais são algumas das maneiras para se atingir o coração do cônjuge que não é concrente?
36 Às vezes, as ações falam mais alto do que as palavras, e isso se dá especialmente com os maridos que não são concrentes na Palavra de Deus. Sobre eles disse o apóstolo Pedro: “Sejam ganhos sem palavra, por intermédio da conduta de suas esposas, por terem sido testemunhas oculares de sua conduta casta, junto com profundo respeito.” (1 Pedro 3:1, 2) Muitos maridos incrédulos já se queixaram que sua esposa sempre está “pregando” para eles, e se ressentem disso. Em contraste, outros tornaram-se crentes por verem a mudança que a verdade da Palavra de Deus fez na sua esposa. As pessoas costumam ficar mais impressionadas por verem um sermão, do que por ouvirem um.
37 Quando você fala com seu cônjuge incrédulo, sua “pronunciação seja sempre com graça”, de bom gosto, ou “temperada com sal”, conforme o texto o expressa. Há tempo para falar. “Como maçãs de ouro em esculturas de prata é a palavra falada no tempo certo para ela”, diz a Bíblia. Sente-se ele desanimado por alguma coisa? Talvez as coisas não andaram bem no trabalho. Algumas palavras de compreensão talvez sejam então muito prezadas por ele. “Declarações afáveis são . . . doces para a alma e uma cura para os ossos.” (Colossenses 4:6; Provérbios 25:11; 16:24) Ou, dependendo da situação, por apenas você pegar na mão dele já lhe dirá tudo isso: Eu compreendo, estou do seu lado, ajudarei se puder.
38 Embora não esteja unido com você na sua fé, a Palavra de Deus mostra que você ainda deve estar sujeita a ele. Sua boa conduta talvez o convença, com o tempo, ao ponto de compartilhar a sua fé. Quão feliz seria este dia! E quando este tempo chegar, ele se dará conta de que tem tanto maior razão para amá-la mais do que nunca. Porque sua devoção, junto com a firmeza a favor do que você sabia ser correto, ter-lhe-á ajudado a se apegar à verdadeira vida”. — 1 Coríntios 7:13-16; 1 Timóteo 6:19.
39, 40. Que qualidade, alistada em Tito 2:4, 5, tornam a esposa preciosa, não só para seu marido, mas também para Jeová?
39 As Escrituras incentivam as esposas cristãs, quer seu marido seja crente, quer não, “para amarem seus maridos, para amarem seus filhos, para serem ajuizadas, castas, operosas em casa, boas, sujeitando-se aos seus próprios maridos, para que não se fale da palavra de Deus de modo ultrajante”. — Tito 2:4, 5.
40 Se você, como esposa, fizer isso do melhor modo possível, será muito amada, não só por seu marido, mas também por Jeová Deus.
[Foto na página 57]
“Uma esposa capaz . . . seu valor é muito maior do que o de corais.” — Provérbios 31:10.
[Foto na página 64]
As mulheres na vida de Sansão.
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O amor, “perfeito vínculo de união”Torne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 6
O amor, “perfeito vínculo de união”
1-6. (a) O que pode acontecer quando os cônjuges estão envolvidos demais com os próprios sentimentos? (b) O acatamento de que princípios bíblicos pode impedir que se desenvolva uma séria discussão?
POR que é que nunca podemos jantar na hora?’ perguntou-lhe asperamente o marido, cansado de esperar e esgotado após um dia de trabalho árduo.
2 ‘Deixe de se queixar. Já está quase pronto’, retrucou ela. O dia dela tampouco fora fácil.
3 ‘Mas, você está sempre atrasada. Por que é que nunca pode ser pontual?’
4 ‘Isto não é verdade!’ gritou ela. ‘Mas, se você tentasse algum dia tomar conta das crianças, não se queixaria tanto. Afinal, são também seus filhos!’
5 Assim se desenvolve uma tempestade em copo de água, entre marido e mulher, deixando ambos irados e sem se falarem. Cada um reage às respostas do outro, até que ambos se sentem magoados e ressentidos, e sua noitinha fica assim estragada. Qualquer dos dois poderia ter evitado este desenvolvimento. Acontece que ambos estavam envolvidos demais com os seus próprios sentimentos e despercebidos dos de seu cônjuge. Os nervos irritados reagiram.
6 Tais problemas podem surgir em muitas situações. Podem envolver o dinheiro. Ou o marido talvez ache que sua esposa é demasiado possessiva, nem lhe permitindo usufruir a companhia de outras pessoas. Ela talvez se sinta negligenciada e marginalizada. Pode surgir tensão por causa dum grande problema ou de vários menores. Não importa qual o caso, nossa preocupação agora é ver como se deve lidar com tal situação. Qualquer dos cônjuges pode impedir que se desenvolva alguma dificuldade por estar disposto a ‘oferecer a outra face’, por estar disposto a não ‘retribuir mal por mal’, mas, em vez disso, “vencer o mal com o bem”. (Mateus 5:39; Romanos 12:17, 21) Isso requer controle e madureza. Requer amor cristão.
O QUE O AMOR REALMENTE SIGNIFICA
7-9. (a) Que descrição se faz do amor, em 1 Coríntios 13:4-8? (b) De que espécie de amor se trata?
7 Jeová Deus inspirou a definição do amor, em termos do que ele é e do que não é, em 1 Coríntios 13:4-8: “O amor é longânime e benigno. O amor não é ciumento, não se gaba, não se enfuna, não se comporta indecentemente, não procura os seus próprios interesses, não fica encolerizado. Não leva em conta o dano. Não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. O amor nunca falha.”
8 O amor pode basear-se em muitas coisas — a atração física, a relação familiar ou o deleite mútuo do companheirismo. Mas a Bíblia mostra que, para ser de verdadeiro valor, o amor precisa ir além da afeição ou da atração mútua, e precisa ser governado por aquilo que constitui o maior bem para o ente amado. Esta espécie de amor até mesmo pode requerer que se dê repreensão ou disciplina, como o genitor faria com o filho, ou como Jeová Deus faz com seus adoradores. (Hebreus 12:6) Naturalmente, há sentimentos e emoções, mas não se permite que se sobreponham ao bom senso ou aos princípios corretos nos tratos com os outros. Esta espécie de amor induz a pessoa a tratar todos segundo os excelentes princípios de consideração e eqüidade.
9 A fim de apreciarmos mais plenamente como ele pode beneficiar nossa vida familiar, consideremos em mais pormenores a definição dada em 1 Coríntios 13:4-8.
10, 11. O que podemos esperar do cônjuge que é longânime e benigno?
10 “O amor é longânime e benigno.” É você longânime com seu cônjuge? Mesmo que certa situação crie provocação, e talvez haja acusações injustas, será que você se controla? Jeová é longânime com todos nós, e ‘a qualidade benévola de Deus está tentando levar as pessoas ao arrependimento’. Tanto a longanimidade como a benignidade são frutos do espírito de Deus. — Romanos 2:4; Gálatas 5:22
11 O amor não aprova a transgressão, mas não é “exigente”. Não é impaciente. Toma em consideração circunstâncias atenuantes. (1 Pedro 4:8; Salmo 103:14;130:3, 4) E até mesmo em assuntos sérios está pronto para perdoar. O apóstolo Pedro, sem dúvida, achava que era longânime quando perguntou a Jesus: “Quantas vezes há de pecar contra mim o meu irmão e eu lhe hei de perdoar? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Eu não te digo: Até sete vezes, mas: Até setenta e sete vezes.” (Mateus 18:21, 22; Lucas 17:3, 4) O amor perdoa repetidas vezes, e é infindavelmente benigno. Você também?
12, 13. Como pode o ciúme manifestar-se, e por que se devam fazer esforços para mantê-lo, sob controle?
12 O amor não é ciumento.” É difícil viver com um cônjuge que é ciumento sem motivo genuíno. Tal ciúme é suspeitoso e excessivamente possessivo. É infantil e inibe a outra pessoa de ser natural e amigável na presença de outros. A felicidade está em dar voluntariamente, não em satisfazer exigências ciumentas.
13 “Quem pode manter-se de pé diante do ciúme?” pergunta a Bíblia. Ele é uma das obras da carne imperfeita. (Provérbios 27:4; Gálatas 5:19, 20) É você capaz de descobrir em si mesmo quaisquer indícios da espécie de ciúme que provém duma sensação de insegurança e que é nutrido pela imaginação? Não costuma ser difícil ver falhas em outra pessoa, mas tiramos mais proveito quando examinamos a nós mesmos “Onde há ciúme e briga, ali há desordem e toda coisa ruim.” (Tiago 3:16) O ciúme pode estragar o matrimônio. Seu cônjuge não ficará seguro pelas restrições ciumentas, mas pela atenção amorosa, pela consideração e confiança
14, 15. (a) De que modo é o gabar-se indício de falta de amor? (b) Em vez de rebaixar o cônjuge, o que se deve fazer?
14 O amor “não se gaba não se enfuna”. É verdade que muitas pessoas fazem isso, mas poucas gostam de ouvir gabações. De fato, pode ser embaraçoso para quem conhece bem o jactancioso. Embora alguns se gabem por falar sobre si mesmos de maneira jactanciosa, outros conseguem o mesmo de outra maneira. Criticam e rebaixam os outros, e isso, pela comparação, tende a elevá-los acima de suas vítimas. Portanto, alguém pode enaltecer-se por rebaixar os outros. Fazer pouco do cônjuge é realmente um modo de se gabar.
15 Já se viu alguma vez falando em público sobre as faltas de seu cônjuge? O que acha sobre como se sentiu seu cônjuge? Que diria se tivesse sido você cujas falhas se expuseram? Como se teria sentido? Amado ou amada? Não, o amor “não se gaba”, nem por louvar a si mesmo, nem por rebaixar os outros. Quando fala sobre o seu cônjuge, seja edificante; isso fortalecerá o vínculo entre vocês. E quanto ao que se diz sobre você mesmo, aplique o conselho sábio encontrado em Provérbios 27:2: “Seja outro o que te louve, e não a tua boca, o estrangeiro e não os teus lábios” — Almeida, atualizada
16. Quais são algumas das coisas indecentes que a pessoa amorosa evita?
16 O amor “não se comporta indecentemente” Há muitas coisas que são nitidamente indecentes, tais como o adultério, a bebedice e acessos de ira (Romanos 13:13) Em contraste com o amor, todas estas causam dano ao vínculo marital. Grosseria, linguagem e atos vulgares, bem como o descuido para com a limpeza pessoal, tudo isso mostra falta de decência humana. Quanto cuidado exerce você em não ofender seu cônjuge neste respeito? Trata-o com consideração, boas maneiras e respeito? Todas essas coisas contribuem para um matrimônio feliz, duradouro
17. Como pode alguém evitar brigas por não procurar seus próprios interesses?
17 O amor “não procura os seus próprios interesses, não fica encolerizado”. Não é egocêntrico. Quanto melhor teria sido se o casal mencionado no início deste capítulo tivesse sido assim. O marido não teria sido áspero com a esposa, porque o jantar estava atrasado, e ela não teria retrucado exaltada. Se a esposa tivesse discernido que a irritação dele se devia em parte porque estava cansado, em vez de ter ficado encolerizada, poderia ter respondido: ‘O jantar já está quase pronto. Você deve ter tido um dia difícil hoje no trabalho. Vou dar-lhe um refresco para beber, enquanto ponho a mesa.’ Ou, se o marido tivesse sido mais compreensivo, não pensando apenas em si mesmo, poderia ter perguntado se podia ajudar em alguma coisa.
18. Como pode o amor impedir que se fique encolerizado?
18 Fica você facilmente encolerizado por alguma coisa que seu cônjuge diz ou faz, ou procura discernir o que há por detrás da palavra ou da ação? Pode ser que tenha sido uma expressão inocente, apenas irrefletida, sem querer ofender. Se você tiver amor, ‘o sol não se porá estando você encolerizado’. (Efésios 4:26) E se o seu cônjuge se sentiu frustrado, realmente intencionado dizer ou fazer algo que fira? Poderá você esperar até que os ânimos esfriem, e depois cuidar do assunto? Tratar da situação visando os melhores interesses de ambos ajudará a que diga o que é certo. “O coração do sábio faz que a sua boca mostre perspicácia.” “Quem encobre uma transgressão está procurando amor”, não criando mais altercação. (Provérbios 16:23; 17:9) Se você combater o impulso de continuar a discutir e provar que tem razão, poderá ganhar uma vitória a favor do amor.
19. (a) O que pode estar incluído em ‘alegrar-se com a injustiça?’ (b) Por que se deve evitar isso?
19 O verdadeiro amor “não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade”. Não acha ser esperto enganar o cônjuge — quer quanto ao uso do tempo, a gastar dinheiro ou à companhia que mantém. Não usa de meias-verdades para parecer justo. A desonestidade destrói a confiança. Para haver genuíno amor, ambos precisam alegrar-se de comunicar a verdade.
O VERDADEIRO AMOR TEM FORÇA E PERSEVERANÇA
20. De que modo o amor (a) “suporta todas as coisas”, (b) “acredita todas as coisas”, (c) “espera todas as coisas”, e (d) “persevera em todas as coisas”?
20 “Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas.” Suporta as pressões e tensões impostas ao matrimônio, ao passo que os dois, nesta relação íntima, aprendem a ser flexíveis e a se ajustar um ao outro. Acredita em todo o conselho exposto na Palavra de Deus e aplica-o seriamente, até mesmo quando as circunstâncias parecem ser desfavoráveis. E embora não seja crédulo no trato com os que recorrem à desonestidade, não é indevidamente suspeitoso. Antes, demonstra ter confiança. Além disso, espera o melhor. Tal esperança baseia-se na confiante garantia de que a aplicação do conselho bíblico produzirá os melhores resultados possíveis. Assim, o amor pode ser positivo, otimista e fica na expectativa. Também, não é volúvel, nem é uma paixão passageira. O verdadeiro amor persevera, enfrentando os problemas quando as coisas são difíceis. Tem poder sustentador. É forte; mas, com toda a sua força, é benigno, meigo, dócil, fácil de conviver.
21, 22. Quais são algumas das circunstâncias ilustrando que o amor nunca falha?
21 Tal “amor nunca falha”. Quando tempos difíceis levam o casal a apuros financeiros, o que acontece? Em vez de pensar em achar uma vida mais fácil em outra parte, a esposa que tem tal amor leal apega-se ao cônjuge, procurando economizar e talvez suplementar a renda de seu marido. (Provérbios 31:18, 24) Mas, o que acontece quando a esposa passa a ter uma enfermidade que se prolonga por anos? O marido que tem tal espécie de amor faz tudo o que pode para providenciar o cuidado de que ela precisa, para ajudar no trabalho do lar, que ela então não pode fazer, e para assegurar-lhe sua contínua devoção. O próprio Deus dá o exemplo neste respeito. Não importa quais as circunstâncias em que seus servos fiéis passem a encontrar-se, ‘nada pode separá-los do amor de Deus’. — Romanos 8:38, 39.
22 Que problemas poderiam vencer um amor assim? Existe ele no seu casamento? Pratica-o você mesmo?
FAÇA O AMOR CRESCER
23. O que determina se vamos fazer o que é amoroso?
23 O amor, igual a um músculo, é fortalecido pelo uso. Por outro lado, o amor, igual à fé, está morto sem obras. Diz-se que palavras e atos, motivados por sentimentos profundos, provêm do coração, o qual representa a nossa motivação mais íntima. “É da abundância do coração que a boca fala. O homem bom, do seu bom tesouro, envia coisas boas.” Mas, se os sentimentos no nosso íntimo forem iníquos, então “do coração vêm raciocínios iníquos, assassínios, adultérios, fornicações, ladroagens, falsos testemunhos, blasfêmias”. — Mateus 12:34, 35; 15:19; Tiago 2:14-17
24, 25. Como pode você fortalecer sua motivação para mostrar amor?
24 Que pensamentos e sentimentos cultiva no seu coração? Se meditar diariamente nas maneiras em que Deus tem demonstrado amor e se procurar imitar seu exemplo, fortalecer-se-ão as motivações excelentes. Quanto mais exercer tal amor, quanto mais agir e falar em harmonia com ele, tanto mais profundamente se gravará no seu coração. O exercício diário dele em pequenas coisas tornará esse amor habitual. Daí, ao surgirem ocasionalmente grandes questões, este amor estará presente, fortemente entrincheirado, para ajudá-lo a lidar com elas. — Lucas 16:10.
25 Observa alguma coisa elogiável em seu cônjuge? Expresse isso! Sente impulso de fazer alguma bondade? Obedeça a este impulso! Temos de mostrar amor para recebê-lo. A prática de tais coisas achegará você mais ao seu cônjuge, fazendo dos dois apenas um e fazendo crescer o amor entre vocês.
26, 27. Como é o amor aumentado por se compartilharem as coisas?
26 Para aumentar o amor, compartilhe-o. O primeiro homem, Adão, viveu num paraíso. Todas as suas necessidades físicas foram abundantemente supridas. Desde o começo, ele ficou cercado de beleza. Não só havia prados e flores, florestas e rios mas também havia uma abundante variedade da vida animal, sujeita ao seu domínio como guardião da terra. Contudo, apesar de tudo isso, uma necessidade ainda não fora satisfeita: alguém humano com quem compartilhar este paraíso de beleza. Já esteve alguma vez sozinho, observando com espanto um espetacular pôr-do-sol, e desejando que um ente querido estivesse ali presente para compartilhá-lo com você? Ou já soube de emocionantes boas notícias, sem que houvesse alguém a quem contá-las? Jeová Deus discerniu a necessidade de Adão e proveu-lhe uma companheira, com quem pudesse compartilhar seus pensamentos e sentimentos. O compartilhar une duas pessoas, e ajuda a arraigar e aumentar o amor.
27 Casamento é compartilhar. Talvez um olhar afetuoso através da sala, um toque, uma palavra suave, e até mesmo sentarem-se pacificamente juntos, sem falar. Cada ato pode mostrar amor: fazer a cama, lavar a louça, economizar para comprar algo que ela quer, mas não pede, por causa do orçamento, ajudar ao outro no trabalho quando ele ou ela está atrasado. O amor significa compartilhar o trabalho e a diversão, as dificuldades e as alegrias, as realizações e os fracassos, os pensamentos da mente e os sentimentos do coração. Compartilhem alvos comuns e atinjam-nos juntos. Isto é o que faz de duas pessoas uma só; isto é o que faz o amor crescer.
28. De que modo é o amor promovido por se servir?
28 Servir seu cônjuge pode ajudar ao amadurecimento de seu amor por ele. A esposa costuma servir por preparar as refeições, arrumar as camas, limpar a casa, lavar a roupa e cuidar dos afazeres domésticos. O marido costuma servir por prover o alimento que ela cozinha, as camas que ela arruma, a casa que ela limpa, e a roupa que ela lava. É esta espécie de serviço, este dar, que traz felicidade e nutre o amor. Conforme Jesus disse, há mais felicidade em dar do que há em receber. Ou, há mais felicidade em servir do que em ser servido. (Atos 20:35) Ele disse aos seus discípulos que “o maior dentre vós será vosso servo”. (Mateus 23:11, Almeida) Tal conceito eliminará qualquer espírito de competição e contribuirá para a felicidade. Quando servimos, sentimo-nos necessários, satisfazemos uma finalidade, e isto nos dá amor-próprio e nos faz contentes. O casamento dá tanto ao marido como à mulher ampla oportunidade para servir e achar contentamento, consolidando assim seu casamento de modo mais forte no amor.
29. Por que o amor agradará mesmo aos que não são servos de Deus?
29 O que acontece quando um dos cônjuges é servo (ou serva) cristão de Deus, praticando esses princípios bíblicos, mas o outro não o é? Muda isso a maneira de agir do que é cristão? Basicamente, não. Pode não haver tanta palestra sobre os propósitos de Deus, por parte do cônjuge cristão, mas a conduta é igual. O cônjuge incrédulo tem as mesmas necessidades básicas como o adorador de Jeová, e, em certos sentidos, reage do mesmo modo. Isto é declarado em Romanos 2:14, 15: “Sempre que pessoas das nações, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, tais pessoas, embora não tenham lei, são uma lei para si mesmas. Elas é que são quem demonstra que a matéria da lei está escrita nos seus corações, ao passo que a sua consciência lhes dá testemunho e nos seus próprios pensamentos são acusadas ou até mesmo desculpadas.” A conduta cristã exemplar usualmente será apreciada e fará o amor crescer.
30. Revela-se o amor apenas em situações dramáticas? Por que responde assim?
30 O amor não espera até que surjam situações dramáticas para se revelar. Em alguns sentidos, o amor é como a roupa. O que conserva a sua roupa inteira? Alguns grandes nós feitos de corda? Ou milhares de pequenos pontos de linha? Os milhares de pequenos pontos de costura, e isto se dá quer falemos sobre roupa literal, quer sobre a “vestimenta” espiritual. É o contínuo acúmulo de pequenas palavras e atos, manifestados diariamente, que nos ‘reveste’ e revela o que somos. Tal “roupa” espiritual não se gasta, nem se torna sem valor, assim como a roupa física. Ela é, conforme diz a Bíblia, uma “vestimenta incorruptível”. — 1 Pedro 3:4.
31. Que belo conselho sobre o amor é provido em Colossenses 3:9, 10, 12, 14?
31 Quer que seu matrimônio permaneça unido pelo “perfeito vínculo de união”? Então faça o que é recomendado em Colossenses 3:9, 10, 12, 14: “Desnudai-vos da velha personalidade com as suas práticas e revesti-vos da nova personalidade . . . revesti-vos das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade . . . revesti-vos de amor, pois é o perfeito vinculo de união.”
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Ter filhos — responsabilidade e recompensaTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 7
Ter filhos — responsabilidade e recompensa
1-4. (a) Quais são alguns dos aspectos espantosos do desenvolvimento dum bebê no ventre? (b) Como lhe ajuda o conhecimento destas coisas a apreciar o Salmo 127:3?
TER FILHOS é uma perspectiva tanto emocionante como séria. É verdade que isso é uma ocorrência cotidiana na humanidade. Mas, cada nascimento é o resultado de processos espantosamente complexos. Entendendo algo sobre isso, poderemos reconhecer melhor por que o inspirado salmista se sentiu induzido a dizer: “Eis que os filhos são uma herança da parte de Jeová; o fruto do ventre é uma recompensa.” (Salmo 127:3) Considere o que acontece.
2 Um espermatozóide do homem une-se com um óvulo na mulher. As duas células tornam-se uma, e esta começa a dividir-se. Torna-se duas, essas duas tornam-se quatro, as quatro passam a ser oito, até que esta única célula, por fim, atinge o número calculado de 60.000.000.000.000 de células, num adulto! No início, todas as células novas são iguais, mas depois começam a mudar para espécies diferentes — células ósseas, células musculares, células nervosas, células do fígado, células dos olhos, células da pele, e assim por diante.
3 Alguns dos mistérios da reprodução e da diferenciação já foram descobertos, porém, muitos ainda restam. O que faz a célula original passar a dividir-se? Na continuação da divisão, o que faz as células mudar para muitas espécies diferentes? O que induz estas espécies diferentes a se agruparem em formas, tamanhos e funções especiais, para se tornarem fígado, nariz ou dedinho do pé? Estas transformações começam em tempos predeterminados. O que controla este horário? Também, este embrião em desenvolvimento no útero da mãe é um corpo de constituição genética diferente do dela. Normalmente, o corpo da mãe rejeita tecidos alheios, tais como os enxertos de pele ou transplantes de órgãos provenientes de outras pessoas. Por que não rejeita este embrião geneticamente alheio, em vez de nutri-lo por uns 280 dias?
4 Todas estas espantosas atividades ocorrem na hora certa, porque Jeová Deus as programou na única célula formada pelo espermatozóide e o óvulo. O salmista indicou isso quando disse ao Criador: “Teus olhos viram até mesmo meu embrião, e todas as suas partes estavam assentadas por escrito no teu livro, referente aos dias em que foram formadas, e ainda não havia nem sequer uma entre elas.” — Salmo 139:16.
DESENVOLVIMENTO E NASCIMENTO
5-8. Entre a quarta semana da gestação e o nascimento do bebê, quais são algumas das coisas que acontecem no ventre?
5 O embrião desenvolve-se rapidamente. Lá pela quarta semana, já tem um cérebro, um sistema nervoso e um sistema circulatório, com o coração bombeando sangue através dos vasos já colocados. O sangue é fabricado pelo saco vitelino, durante seis semanas; daí, o fígado passa a assumir esta função, que finalmente é exercida pela medula óssea. Na quinta semana, começam a formar-se braços e pernas; em mais três semanas, começam a aparecer os dedos das mãos e dos pés. Lá pela sétima semana, já se formaram os principais grupos musculares, junto com os olhos, as orelhas, o nariz e a boca.
6 “Meus ossos”, prossegue o salmista, falando a Jeová Deus, “não te estavam ocultos quando fui feito às escondidas”. (Salmo 139:15) Na nona semana, a cartilagem transforma-se em osso, ao passo que se forma o esqueleto, e o bebê em desenvolvimento passa então a ser chamado de feto, ao invés de embrião. “Tu mesmo produziste meus rins.” (Salmo 139:13) Os processos divinos que regem isso ocorrem no quarto mês, e os rins passam então a filtrar o sangue.
7 Por volta deste tempo, o bebê em desenvolvimento já se move e vira, fecha os dedos das mãos ou dos pés quando a palma da mão ou a sola dos pés sente como que cócegas. Agarra coisas com dedos e polegar, e chupa o polegar, exercitando assim os músculos que mais tarde vão ser usados para mamar nos peitos da mãe. Tem soluços, e a mãe o sente pular. Por volta do sexto mês, seus órgãos estão praticamente completos. As narinas já se abriram, as sobrancelhas já apareceram, logo se abrirão os olhos, e os ouvidos funcionarão, de modo que até mesmo no ventre o bebê pode se assustar com ruídos altos.
8 Com 40 semanas, começam os trabalhos de parto. Os músculos uterinos da mãe se contraem, e o bebê está em caminho para o mundo lá fora. Neste processo, sua cabeça muitas vezes fica comprimida e perde a forma, mas, visto que seus ossos cranianos ainda não se fundiram, a cabeça assume o formato normal após o parto. Até este momento, a mãe fez tudo para o bebê: proveu-lhe oxigênio, alimento, proteção, calor e também a eliminação de resíduos. Daí em diante, o bebê terá de trabalhar por conta própria, e depressa, senão morrerá.
9. Que mudanças precisam ocorrer depressa, para que o bebê possa viver fora do ventre?
9 Tem de começar a respirar, para que os pulmões lancem oxigênio no sangue. Mas, para fazer isso, precisa haver instantaneamente outra conversão drástica: o trajeto do sangue circulante precisa mudar! Enquanto o feto se encontrava no útero, havia um orifício na parede de seu coração. Esta parede separava o ventrículo direito do esquerdo, e impedia que o sangue do bebê passasse para os pulmões. Quanto ao sangue que passava, um grande vaso o desviava dos pulmões. No útero, apenas 10 por cento do sangue passava pelos pulmões; após o nascimento, todo ele tem de fazer isso, e imediatamente! Para conseguir isso, dentro de segundos após o nascimento, o grande vaso que ladeava os pulmões contrai-se e o sangue que passava por ele flui então pelos pulmões. No ínterim, o orifício na parede do coração fecha-se, e todo o sangue bombeado pelo lado direito do coração passa então para os pulmões, para ser oxigenizado. O bebê respira, o sangue é oxigenizado, ocorreram mudanças dramáticas e o bebê vive! Conforme o inspirado salmista o resumiu tão belamente: “Mantiveste-me abrigado no ventre de minha mãe. Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante.” — Salmo 139:13, 14.
10. Em vista do espantoso desenvolvimento do bebê no ventre, o que devem sentir os pais a respeito de seus filhos?
10 Com quanta gratidão os casais devem encarar esta dádiva de Jeová! O poder para produzir uma criatura humana, uma criança que é parte de ambos, mas diferente de cada um deles! Isto é deveras “uma herança da parte de Jeová”!
CUIDAR DA “HERANÇA”
11. Que perguntas devem fazer a si mesmos aqueles que pretendem constituir família, e por quê?
11 Foi mais do que apenas a moralidade que induziu Jeová Deus a estabelecer a lei de que as relações sexuais ficassem restritas aos que são casados. Ele pensou também na chegada de filhos. O filho precisa tanto do pai como da mãe que se amam mutuamente, e que amam e prezam sua prole. O recém-nascido precisa do calor e da segurança dum lar, sendo querido pelo pai e pela mãe, que lhe provêem o ambiente necessário para seu crescimento e desenvolvimento de sua personalidade. O marido e a mulher que pensam em ter um filho deviam perguntar a si mesmos: Queremos ter um filho? Podemos prover-lhe o necessário — não apenas em sentido físico, mas também em sentido emocional e espiritual? Vamos treiná-lo corretamente, dando-lhe exemplos corretos para seguir? Estamos dispostos a assumir as responsabilidades decorrentes da paternidade e maternidade, aceitando os sacrifícios que isso envolve? Quando éramos crianças, pode ter parecido que nossos pais nos restringiam, mas, quando nos tornamos pais, descobrimos quanto tempo o projeto de criar filhos realmente consome. Contudo, com a responsabilidade de ser pai e mãe podem vir também muitas alegrias.
12-14. Depois de a mulher ter ficado grávida, como pode ela contribuir para o desenvolvimento dum bebê sadio (a) por sua dieta, (b) pelo que faz quanto ao álcool, ao fumo e às drogas, e (c) por controlar suas emoções?
12 Então, a decisão foi tomada — quer pelos pais, quer por circunstâncias biológicas. Você, a esposa, está grávida. Começa assim seu cuidado com esta “herança da parte de Jeová”. Há certas coisas que você precisa comer, e outras que precisa evitar ou limitar. Alimentos ricos em ferroa são importantes, porque o bebê, no ventre, acumula bastante ferro para lhe durar por seis meses após o seu nascimento. Você precisa de mais leite (queijo também é bom) para prover o cálcio de que seu bebê necessita para desenvolver os ossos. E o consumo equilibrado de carboidratosb ajudará a evitar o aumento excessivo de peso. É verdade que você está comendo para os dois, mas um de vocês é muitíssimo pequeno!
13 Outros fatores talvez tenham de ser tomados em consideração, dependendo de seu modo de vida. As bebidas alcoólicas enviam álcool ao feto, e por isso é preciso usar de cautela, visto que o excesso pode produzir retardamento mental e físico. Alguns bebês nasceram bêbedos, porque sua mãe bebia muito. O fumar lança nicotina na corrente sangüínea do feto e também faz o monóxido de carbono substituir o oxigênio no seu sangue. Assim, é possível prejudicar irreparavelmente as perspectivas do bebê de ter uma saúde normal, mesmo antes de ele nascer. Abortos espontâneos e natimortos são muito mais freqüentes entre as mulheres que fumam. Drogas viciadoras ingeridas pela mãe podem fazer com que o bebê nasça viciado, e algumas drogas não viciadoras, tomadas como remédio, também podem ser perigosas, possivelmente aleijando o bebê. Até mesmo a ingestão excessiva de café é suspeita de causar algum dano.
14 Além disso, a tensão emocional da mãe pode alterar sua produção de hormônios e tornar o feto superativo, fazendo assim que o recém-nascido fique desassossegado e irritável. O bebê em desenvolvimento pode estar ‘abrigado no ventre de sua mãe’, mas seria um erro pensar que está totalmente separado do mundo que o rodeia. Pode ser afetado através da mãe; ela é seu único elo de ligação com o mundo de fora, e isto faz que primariamente ela como que “esteja no volante” quanto a se o efeito é bom ou ruim. A maneira em que cuida de si mesma e como reage às situações fará uma diferença. Nem se precisa mencionar que nisso necessita da cooperação dos que a rodeiam, e especialmente do amor e dos cuidados de seu marido. — Veja 1 Samuel 4:19.
DECISÕES QUE TERÁ DE TOMAR
15, 16. Que decisões talvez tenham de ser tomadas sobre o lugar e a maneira do parto?
15 Vai ter seu bebê num hospital ou em casa? Em alguns casos, talvez haja pouca escolha. Em muitas regiões, não há hospitais disponíveis. Em outras, ter o bebê em casa pode ser uma raridade, e pode constituir um risco, em vista da falta de ajuda experiente, tal como a duma parteira. Sempre que possível, convém ela ser examinada por um médico durante a gestação, para saber se pode esperar um parto normal, ou acompanhado por complicações.
16 Vai dar à luz sob anestesia ou por parto natural? Isto precisa ser decidido por você e seu marido, depois de pesarem as vantagens e as desvantagens. O parto natural pode envolver o marido no evento momentoso. O bebê fica imediatamente junto à mãe. Alguns acham que estas são vantagens que devem ser consideradas seriamente, se os exames indicarem que o parto será sem complicações. Certos pesquisadores afirmam que os bebês nascidos sob as condições mais pacíficas do parto natural têm menos problemas emocionais e doenças psicossomáticas.
17-19. O que tem revelado a pesquisa a respeito da prudência de o bebê estar com a mãe o mais breve possível após o nascimento?
17 A revista Psychology Today (Psicologia de Hoje), no número de dezembro de 1977, declarou:
“Os psicólogos já sabem por décadas que o primeiro ano de vida do bebê pode causar um impacto duradouro sobre o seu posterior desenvolvimento mental e físico. Parece, agora, que o primeiro dia do bebê — talvez até mesmo seus primeiros 60 minutos — é igualmente decisivo. O vínculo emocional da mãe para com o filho, e a espécie de cuidado que ela começa a dar-lhe, são especialmente importantes após o parto. Estudos recentes também demonstram que as primeiras horas podem ter muito que ver com a formação da atitude da mãe para com o filho, a força de seu compromisso com ele e sua capacidade de ser mãe.”
18 Se a mãe não receber anestesia geral durante o parto, o bebê estará atento, com os olhos abertos, olhando em volta, acompanhando os movimentos, virando-se em direção às vozes humanas, e estará especialmente apercebido da voz feminina de diapasão mais alto. Pode-se estabelecer prontamente o contato visual entre mãe e filho. Isto parece ser importante, e, em alguns estudos, as mães relataram que, uma vez que o bebê olhou para elas, sentiram-se muito mais achegadas a ele. O contato físico, pele contra pele, entre mãe e bebê, logo após o parto, é considerado vantajoso para ambos.
19 Os pesquisadores afirmam que os problemas dos bebês tratados em centros médicos podem às vezes ser atribuídos às primeiras horas de vida. Comparações feitas entre filhos que receberam o tratamento padrão de parto no hospital e outros, imediatamente colocados junto à mãe, indicaram que, após um mês, os bebês que nasceram por parto natural estavam em melhores condições. “Ainda mais notável”, disse Psychology Today, “é que, à idade de cinco anos, os filhos que tiveram prolongado contato com a mãe tiveram QI [quociente (evidência) de inteligência] significativamente superiores e notas mais elevadas em provas de língua do que as crianças tratadas segundo as normas de hospitais.”
20. O que mais precisa ser tomado em consideração, para se fazer uma decisão sábia nestes assuntos’
20 Em tudo isso, porém, as circunstâncias precisam ser tomadas seriamente em consideração. Não devemos perder de vista o fato de que nossos primeiros pais humanos nos deixaram um legado de imperfeição. Isto inevitavelmente priva o “parto natural”, hoje, de parte de sua naturalidade, e nossos defeitos herdados podem causar complicações. (Gênesis 3:16; 35:16-19; 38:27-29) Deixe sua decisão ser governada pela sua situação pessoal e pelo que crê ser mais sábio no seu caso, quer se ajuste ao parto “ideal” pretendido por outros, quer não.
21, 22. Quais são alguns dos benefícios da lactação?
21 Vai amamentar seu bebê? Há muitas vantagens, tanto para você como para seu bebê. O leite materno é o alimento perfeito para o recém-nascido. É de digestão fácil e protege contra infecções, desarranjos intestinais e problemas respiratórios. Durante os primeiros dias, os seios segregam colostro, um líquido amarelo que é especialmente bom para os bebês, porque (1) contém pouca gordura e carboidratos, e, por isso, é mais fácil de digerir, (2) é mais rico em fatores imunizantes do que o leite materno que virá após alguns dias, e (3) tem um efeito ligeiramente laxativo, que ajuda a eliminar células, mucos e bílis, que se acumularam nos intestinos do bebê antes do nascimento.
22 Amamentar o bebê é de benefício para a mãe. Reduz a hemorragia da mãe, porque o amamentar do bebê estimula a contração do útero. A amamentação também estimula os seios a produzirem mais leite, e as mães que temem que talvez não tenham leite suficiente descobrem que não há falta dele. Em alguns casos, a lactação regular adia o recomeço da ovulação e do ciclo menstrual, e até tal ponto tende a ser um contraceptivo natural. A Sociedade Americana do Câncer diz que “as mães que amamentam revelam menos casos de câncer do seio”. A lactação é também proveitosa para o orçamento da família!
O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA — COMO APONTARÁ VOCÊ A FLECHA?
23. Que princípios sobre o treinamento do filho ou filha são subentendidos no Salmo 127:4, 5?
23 “Como flechas na mão dom homem valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava.” (Salmo 127:4, 5,Imprensa Bíblica Brasileira)O valor duma flecha depende de quão bem ela é apontada quando parte do arco. A flecha tem de ser apontada com cuidado e perícia, para que atinja o alvo. Da mesma maneira, é vital que vocês, como pais, ponderem sabiamente e com oração a espécie de começo de vida que darão ao seu filho ou filha. Quando ele ou ela sair de sob os seus cuidados, tornar-se-á adulto equilibrado e maduro, respeitado pelos outros e uma honra para Deus?
24. (a) Que espécie de ambiente domiciliar devem os pais esforçar-se a prover aos seus filhos? (b) Por que é isso importante?
24 As decisões devem ser tomadas antes da chegada do bebê, com respeito ao cuidado e à instrução que receberá. Os pais são basicamente todo o mundo do bebê recém-nascido. Como será este mundo? Mostrará que os pais tomaram a peito o seguinte conselho da Palavra de Deus: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade. Mas, tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros, assim como também Deus vos perdoou liberalmente por Cristo”? (Efésios 4:31, 32) Qualquer que seja a vida doméstica, refletir-se-á na criancinha. Esforce-se a tornar o mundo do bebê um de paz e segurança, de calor humano e amor. O bebê que é querido absorverá estas qualidades e amoldará concordemente as suas emoções. Perceberá os sentimentos que você tem e seguirá seu exemplo. As leis genéticas de nosso Criador fizeram maravilhosas provisões para o desenvolvimento do bebê no ventre; como será modelado fora do ventre? Muito dependerá das condições domésticas que você provê. Estas, tanto quanto os genes, determinarão que espécie de adulto o bebê se tornará. “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” — Provérbios 22:6.
25, 26. Por que é razoável que os pais dediquem muito tempo e atenção aos seus filhos?
25 Nem o homem, nem a mulher, pode produzir uma única folha de grama, mas, juntos, podem produzir outro humano, de infinita complexidade e diferente de todas as outras pessoas na terra! Esta é uma realização espantosa, tão espantosa que é difícil de crer que tantos, hoje, deixam de reconhecer a santidade da responsabilidade que a acompanha! As pessoas plantam flores, regam-nas, adubam-nas, mantêm-nas livres de ervas daninhas — tudo para ter um belo jardim. Não devemos tomar ainda mais tempo e exercer maior empenho para fazer que os filhos se tornem belos?
26 Os casais têm o direito de ter filhos. Seus filhos têm o direito correspondente de ter pais, não apenas de nome, mas de fato. O cristão dedicado a Deus pode gastar muito tempo e energia em divulgar conhecimento bíblico, na esperança de fazer um discípulo, e, ainda assim, nem sempre é bem sucedido. Não devem os pais cristãos gastar ainda mais tempo para ‘criar seus próprios filhos na disciplina e na regulação mental de Jeová’? (Efésios 6:4) Se criarem um filho para ser bom servo do Dador da vida, Jeová Deus, não é isso motivo de alegria? Assim, de fato, terem tido este filho ou esta filha mostrar-se-á altamente recompensador. — Provérbios 23:24, 25.
27. Na orientação do desenvolvimento do filho, por que se deve tomar em consideração a própria personalidade dele?
27 O Salmo 128:3 compara os filhos a mudas de oliveiras: “Tua esposa será como uma videira frutífera, nas partes mais recônditas da tua casa. Teus filhos serão como mudas de oliveiras ao redor da tua mesa.” As árvores podem ser modeladas de diversas maneiras por serem dirigidas assim. Algumas são levadas a crescer rentes a um muro. Outras se espalham baixo sobre o solo. Mais outras até mesmo são feitas pequenas e ananicadas, pela poda e constrição de suas raízes, como no caso do bonsai. Um velho ditado enfatiza como o treinamento inicial também amolda a criança: ‘Conforme se dobra o galho, assim cresce a árvore.’ Precisa haver um senso de equilíbrio. Por um lado, a criança precisa de orientação, para que se ajuste a normas justas. Ao mesmo tempo, não se deve esperar que se conforme a algum ideal preconcebido dos pais quanto à exata personalidade que deve ter. Não se pode fazer a oliveira produzir figos. Eduque a criança de modo certo, mas não a force num molde predeterminado, que não lhe permita exprimir normalmente sua personalidade distinta e seus dons herdados. Dê-se tempo para chegar a conhecer este filho que produziu. Daí, assim como se dá com um raminho novo, dê ao seu filho orientação bastante forte para protegê-lo e sustentá-lo na direção certa, mas bastante suave para não inibir o seu desenvolvimento na plena capacidade para o bem.
UMA RECOMPENSA DA PARTE DE JEOVÁ
28. Que proveito tiramos do que Gênesis 33:5, 13, 14, diz sobre a preocupação de Jacó com os seus filhos?
28 Jacó da antigüidade, mostrou esta preocupação ao cuidar de seus filhos. Quando se lhe propôs fazer uma viagem, cujo passo talvez fosse demais para eles, Jacó disse ao proponente: “Meu senhor se apercebe de que os filhos são delicados, e que há ao meu cargo ovelhas e gado vacum que amamenta, e se os fizerem andar depressa demais por um só dia, então certamente morrerá o rebanho inteiro. Por favor, passe o meu senhor adiante do seu servo, mas continue eu mesmo a viagem segundo a minha conveniência, no passo do gado que está diante de mim e no passo dos filhos.” Anteriormente, ao encontrar-se com seu irmão Esaú, perguntou-se-lhe: “Quem são estes contigo?” Jacó respondeu: “Os filhos com quem Deus tem favorecido teu servo.” (Gênesis 33:5, 13, 14) Hoje, os pais não só devem mostrar consideração amorosa para com seus filhos, assim como Jacó fez, mas também encará-los assim como ele — como favor da parte de Jeová. Naturalmente, antes de se casar, o homem deve ponderar seriamente se pode sustentar esposa e filhos. A Bíblia aconselha: “Cuida dos teus negócios lá fora, põe o teu campo em condições, e depois edifica a tua casa.” (Provérbios 24:27, Brasileira) Em harmonia com este conselho prático, o homem deve fazer de antemão os preparativos para o casamento e a vida familiar. Então, até mesmo uma gestação não planejada será acolhida com alegria e não com o temor do fardo financeiro.
29. Por que se deve dar séria consideração antecipada ao assunto de ter filhos?
29 O assunto de ter filhos claramente merece ser considerado com a devida seriedade, não apenas quanto ao primogênito, mas também quanto aos que vierem depois. Acham os pais difícil alimentar, criar e educar os filhos que já têm? Então o respeito pelo seu Criador, bem como a qualidade do amor, certamente devem induzi-los a ponderar que autodomínio podem exercer para diminuir o possível aumento da família.
30. (a) Por que podemos dizer que o filho pertence realmente a Deus? (b) Como deve isso influir no conceito dos pais?
30 Na realidade, de quem é o filho? Seu, em certo sentido. Mas, em outro sentido, o filho pertence ao Criador. Confiou-se-lhe o cuidado dele, assim como se confiou aos seus pais o cuidado de você, quando criança. Mas, você não era realmente propriedade de seus pais, para ser tratado de qualquer modo que eles quisessem; tampouco seu filho é sua propriedade, neste sentido. Os pais não podem dirigir ou controlar o momento da concepção, nem o desenvolvimento da criança no ventre. Não podem nem mesmo ver ou entender plenamente os maravilhosos processos envolvidos nisso. (Salmo 139:13, 15; Eclesiastes 11:5) Se alguma imperfeição física causa um aborto ou um natimorto, não podem fazer a criança morta voltar à vida. Assim, precisamos reconhecer humildemente que Deus é o Dador da vida de todos nós e que pertencemos todos a ele: “A Jeová pertence a terra e o que a enche, o solo produtivo e os que moram nele.” — Salmo 24:1.
31, 32. (a) Que responsabilidade têm os pais perante Deus? (b) Qual é o resultado de se cuidar devidamente desta responsabilidade?
31 Você é responsável pelos filhos que traz ao mundo e também tem de prestar contas ao Criador sobre a maneira de criá-los. Ele criou a terra, intencionado que fosse habitada, e deu aos nossos primeiros pais humanos a faculdade da procriação, para alcançar este objetivo. Sua deserção dele colocou-os do lado do Adversário, que desafiara a legitimidade do exercício da soberania de Deus sobre a sua família de criaturas no céu e na terra. Se criar seus filhos para se tornarem pessoas de integridade para com seu Criador, você e sua família poderão provar que o Adversário não tem razão e que Jeová Deus é veraz. Conforme diz Provérbios 27:11: “Sê sábio, filho meu, e alegra meu coração, para que eu possa replicar àquele que me escarnece.”
32 Cumprir você com sua obrigação para com os seus filhos, junto com sua responsabilidade perante Deus, pode dar-lhe um senso de verdadeira realização na vida. Poderá acompanhar em apreço de pleno coração a declaração do Salmo 127:3: “O fruto do ventre é uma recompensa.”
[Nota(s) de rodapé]
a Tais como carnes, verduras e legumes.
b Envolvendo alimentos que contêm amido e os que contêm muito açúcar.
[Foto na página 93]
A intimidade agora evita o posterior conflito de gerações.
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Seu papel como pai ou mãeTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 8
Seu papel como pai ou mãe
1-3. (a) Que efeito pode o nascimento dum bebê ter sobre os pais? (b) Por que é importante, para o pai e para a mãe que eles compreendam seu papel como genitores?
NA VIDA, muitos acontecimentos nos afetam em grau muito limitado. Outros têm efeito maior e duradouro. O nascimento dum filho claramente é um destes últimos. Depois disso, a vida nunca mais será a mesma para o marido e a mulher. Embora a nova personalidade seja muito pequena no lar, ela se fará sentir com uma voz e uma presença que não podem ser desconsideradas.
2 A vida dos pais deve tornar-se mais rica e mais feliz. Mas, apresenta um desafio, e, para se obterem os melhores resultados, ambos os genitores precisam enfrentar este desafio. Foram necessários vocês dois para produzir o filho, e ambos desempenharão um papel vital no desenvolvimento de seu bebê, a partir do nascimento. Nunca antes foi tão grande a necessidade de sincera, unida — e humilde — cooperação.
3 A compreensão do papel desempenhado por cada genitor, e como estes papéis podem ser harmonizados, deve ajudar muito em satisfazer as necessidades de seu bebê, com bons resultados. Precisa haver equilíbrio. Embora a mente se esforce a ser razoável, as emoções amiúde causam desequilíbrio. Temos a tendência de ir a extremos, do muito pouco para o excesso, e novamente de volta ao muito pouco. É desejável que o pai exerça a chefia, mas, se ele se exceder nisso, tornar-se-á autoritário. Convém que a mãe participe na educação e na disciplina dos filhos, mas, se ela assumir estes deveres e excluir o pai, minará a estrutura da família. O que é bom é bom, mas algo bom pode tornar-se mau se for levado a extremo. — Filipenses 4:5.
O PAPEL DECISIVO DA MÃE
4. Quais são algumas das coisas que o bebê precisa de sua mãe?
4 O recém-nascido é totalmente dependente da mãe quanto às suas necessidades imediatas. Se ela amorosamente suprir essas necessidades, o bebê sentir-se-á seguro. (Salmo 22:9, 10) Precisa ser bem alimentado, e mantido limpo e quente; mas, não basta suprir-lhe as necessidades físicas. As necessidades emocionais são igualmente importantes. Se o bebê não receber amor, tornar-se-á inseguro. A mãe logo pode aprender a saber quão grande é realmente esta necessidade, quando seu bebê clama por atenção. Mas, se os seus choros forem constantemente desconsiderados, poderá adoecer. Se sofrer privação emocional por um período de tempo, fica afetado seu desenvolvimento emocional pelo resto de sua vida.
5-7. Segundo uma pesquisa recente, como é o bebê afetado pelo amor e pela atenção da mãe?
5 Experiências feitas em muitos lugares diferentes confirmaram o seguinte fato: Os bebês adoecem e até mesmo morrem se forem privados de amor, conforme expresso pela fala e pelo toque, por carícias e abraços. (Veja Isaías 66:12; 1 Tessalonicenses 2:7.) Embora outros possam fazer isso, a mãe, em cujo ventre o bebê passou a viver e foi nutrido durante os primeiros meses de sua vida, além de qualquer dúvida, é a pessoa mais indicada para isso. Ocorre uma interação natural entre mãe e filho. O desejo instintivo dela, de segurar o bebê recém-nascido perto de si, é correspondido pela busca instintiva do seu seio pelo bebê.
6 As pesquisas têm demonstrado que o cérebro do bebê é muito ativo e que se promove o desenvolvimento mental quando se lhe estimulam os sentidos do tato, da audição, da visão e do olfato. Quando o bebê mama, ele percebe o calor e o cheiro da pele da mãe. Olha quase que continuamente para o rosto dela, enquanto mama. Não só ouve a voz dela, quando fala ou canta, mas também as batidas de seu coração, o som que ouvia enquanto ainda estava no ventre. Numa publicação norueguesa, a psicóloga de crianças Anne-Marit Duve observou:
“Visto que a atividade dos alunos revela claramente o grau de atividade cerebral, temos motivos para crer que um elevado grau de estímulo da pele, um alto grau de contato — não sendo um dos menos importantes o contato durante a amamentação — pode estimular a atividade mental, a qual, por sua vez, pode levar a maior capacidade intelectual na vida de adulto.”
7 Portanto, quando o bebê sente freqüentemente o toque da mãe, quando ela o apanha, abraça ou banha e seca, o estímulo que recebe desempenha um papel importante no seu desenvolvimento e no que será na vida posterior. Embora levantar-se durante a noite e gastar tempo em acalmar o bebê que chora não seja o passatempo mais agradável, o conhecimento dos benefícios posteriores pode compensar em muito a perda de sono.
APRENDER AMOR POR SER AMADO
8-10. (a) O que aprende o bebê do amor de sua mãe? (b) Por que é isso importante?
8 Ser o bebê amado é vitalmente importante para o seu desenvolvimento emocional. Aprende a amar por ser amado, pela exposição aos exemplos de amor. Falando sobre o amor a Deus, 1 João 4:19 diz: “Amamos porque ele nos amou primeiro.” As lições iniciais de amor cabem principalmente à mãe. A mãe inclina-se sobre o bebê no berço, põe a mão no peito dele e o sacode suavemente, chegando o rosto perto ao do bebê e diz: ‘Eu te vejo, meu queridinho’, ou algo assim. O bebê, naturalmente, não conhece as palavras (que na realidade talvez nem sejam muito lógicas). Mas remexe-se e arrulha de prazer, porque reconhece que a mão brincalhona e o tom da voz lhe dizem claramente: ‘Eu te amo! Eu te amo!’ Sente-se reconfortado e seguro.
9 Os bebês e as criancinhas aos quais se mostra amor apreciam isso, e, imitando o amor, praticam-no, pondo os pequenos braços em volta do pescoço da mãe e dando-lhe entusiásticos beijos. Agradam-se da acolhedora reação emocional que recebem da mãe, em resultado disso. Começam a aprender a lição vital de que há felicidade tanto em dar amor como em recebê-lo, de que, por semearem amor, também o colhem em troca. (Atos 20:35; Lucas 6:38) A evidência mostra que, se não houver logo contato com a mãe, mais adiante a criança pode achar difícil ter profundo apego e compromisso com outros.
10 Visto que as crianças começam a aprender logo após o nascimento, os primeiros anos são os mais vitais. Durante esses anos, o amor da mãe é decisivo. Se ela conseguir mostrar e ensinar amor — não indulgência — poderá causar um bem duradouro; se falhar nisso, poderá causar dano permanente. Ser boa mãe é um dos trabalhos mais desafiadores e recompensadores que a mulher pode ter. Apesar de todas as tensões e demandas que causa, que outra “carreira” que o mundo oferece pode sequer chegar perto disso em significado e satisfação duradoura?
O PAPEL VITAL DO PAI
11. (a) Como pode o pai fixar seu papel na mente do filho? (b) Por que é isso vital?
11 É natural que, na primeira infância, a mãe desempenhe o papel de maior destaque na vida da criança. Mas, a partir do nascimento do bebê, o pai também deve desempenhar um papel no mundo do bebê. Mesmo quando a criança ainda é bebê, o pai pode e deve ficar envolvido, cuidando ocasionalmente do bebê, brincando com ele e consolando-o quando chora. Deste modo, o pai se fixa na mente da criança. O papel do pai deve aos poucos assumir maior destaque, com o passar do tempo. Se ele esperar demais para começar, pode dar início a um problema que surge especialmente quando o filho se torna adolescente e a disciplina se torna mais difícil. O filho adolescente, em especial, pode necessitar da ajuda de seu pai. Mas, se não se estabeleceu já antes uma boa relação, o abismo produzido no decorrer dos anos não pode ser vencido apenas em algumas semanas.
12, 13. (a) Qual é o papel do pai na família? (b) Quando o pai se desincumbe corretamente de sua responsabilidade como tal, como pode isso afetar o conceito que os filhos têm sobre a autoridade?
12 Quer a criança seja menino, quer menina, a influência das qualidades masculinas do pai pode fazer uma contribuição vital para o desenvolvimento duma personalidade completa e equilibrada. A Palavra de Deus mostra que o pai deve ser o chefe da família. Ele é responsável por prover sustento material para ela. (1 Coríntios 11:3; 1 Timóteo 5:8) Contudo, “o homem não vive somente de pão, mas . . . o homem vive de toda expressão da boca de Jeová”. Quanto aos filhos, ao pai também é mandado prosseguir “em criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová”. (Deuteronômio 8:3; Efésios 6:4) Embora deva ser motivado pela afeição natural para com seus filhos, deve ser movido, acima de tudo, pelo senso de responsabilidade para com seu Criador, para fazer o melhor, a fim de se desincumbir da comissão divina que tem.
13 Junto com o calor humano, a ternura e a compaixão que a mãe expressa, o pai pode contribuir uma influência estabilizadora, de força e de orientação sábia. A maneira em que ele se desincumbe de sua tarefa dada por Deus pode ter um efeito acentuado sobre a atitude posterior dos filhos para com a autoridade, tanto humana como divina, quanto a se eles vão respeitá-la e quão bem poderão trabalhar sob a direção de outra pessoa, sem se agastarem ou rebelarem.
14. Que efeito pode ter o bom exemplo do pai sobre seu filho ou sua filha?
14 Se tiver um filho, o exemplo do pai e a maneira de ele resolver os assuntos podem contribuir muito para determinar se o rapaz se desenvolverá como pessoa fraca e indecisa, ou alguém varonil, firme, com coragem de convicção e disposto a assumir responsabilidades. Pode afetar a espécie de marido ou pai que o filho finalmente será — alguém rígido, desarrazoado, duro, ou equilibrado, compreensivo e bondoso. Se houver filha na família, a influência do pai e a relação com ele pode afetar todo o conceito dela sobre o sexo masculino, e pode contribuir para o seu futuro sucesso no casamento ou frustrá-lo. O efeito da influência paterna começa na infância.
15, 16. (a) Que responsabilidade de ensino lança a Bíblia sobre o pai? (b) Como se pode desincumbir dela?
15 A extensão da responsabilidade do pai para ensinar é mostrada nas instruções de Deus ao seu povo, em Deuteronômio 6:6, 7: “Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.”
16 Não apenas as palavras em si encontradas na Palavra de Deus, mas também a mensagem que transmitem precisam ser incutidas cada dia na mente da criança. Sempre há oportunidades para isso. As flores no jardim, os insetos no ar, os pássaros ou os esquilos nas árvores, as conchas na praia, as pinhas nos montes, as estrelas cintilantes no céu noturno — todas estas maravilhas falam sobre o Criador, e você deve interpretar aos seus filhos o significado da linguagem delas. O salmista disse: “Os céus declaram a glória de Deus; e a expansão está contando o trabalho das suas mãos. Um dia após outro dia faz borbulhar a fala, e uma noite após outra noite exibe conhecimento.” (Salmo 19:1, 2) Por estar atento a usar essas coisas, e especialmente recorrendo às coisas diárias da vida para ilustrar e enfatizar princípios corretos, e para mostrar a sabedoria e os benefícios do conselho de Deus, o pai pode edificar na mente e no coração de seu filho a base mais essencial para o futuro: a convicção de que Deus não somente existe, mas também que ‘ele recompensa os que seriamente o buscam’. — Hebreus 11:6.
17, 18. (a) Como deve o pai disciplinar seus filhos? (b) O que é mais eficiente do que estabelecer muitas regras?
17 A aplicação da disciplina também faz parte do papel do pai. “Que filho há a quem o pai não disciplina?” é a pergunta feita em Hebreus 12:7. Mas, cabe a ele a obrigação de fazer isso dum modo que não vá a extremos, corrigindo demais a ponto de causar irritação ou até mesmo molestação. A Palavra de Deus diz aos pais: “Não estejais exasperando os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” (Colossenses 3:21) Restrições são necessárias, mas, às vezes, podemos multiplicar e aumentar regras até que se tornem opressivas e desanimadoras.
18 Os fariseus, da antigüidade, amavam as regras; acumulavam montões delas e produziam safras de hipócritas. É falha humana pensar que os problemas podem ser resolvidos simplesmente por se estabelecerem regras adicionais; mas as experiências da vida tornam claro que a chave real é atingir o coração. Portanto, seja econômico com regras; procure antes incutir princípios, objetivando o que o próprio Deus faz: “Porei as minhas leis na sua mente e as escreverei nos seus corações.” — Hebreus 8:10.
O PAI E A MÃE SÃO SÓCIOS
19. O que se pode fazer para garantir boa comunicação no lar?
19 O pai costuma ganhar o sustento, e quando volta para casa, depois do trabalho, talvez esteja cansado, e talvez ainda tenha outros deveres a cumprir. Mas, deve arranjar tempo para gastar com sua esposa e seus filhos. Precisa comunicar-se com a sua família, reservando tempo para palestras familiares e projetos da família, para diversões e excursões da família. Assim se edifica a união e a solidariedade da família. Pode ser que, antes de virem os filhos, ele e sua esposa passavam muito tempo fora de casa. Mas, continuarem assim, correndo para cá e para lá, e possivelmente até altas horas da noite, não seria viver à altura da responsabilidade da paternidade e maternidade. Não seria justo para com os seus filhos. Mais cedo ou mais tarde, os pais teriam de pagar o preço pela sua falta de regularidade e responsabilidade. Iguais aos adultos, os filhos se dão muito melhor quando a vida tem uma estabilidade e regularidade básica; isto contribui para a saúde mental, física e emocional. A rotina diária da vida familiar terá seu pleno complemento de altos e baixos, sem que os pais ainda os aumentem. — Veja Mateus 6:34; Colossenses 4:5.
20. No que se refere a disciplinar os filhos, o que podem os pais fazer para estarem unidos nos seus esforços?
20 O pai e a mãe devem cooperar em lidar com os filhos, ensinando-os, estabelecendo limites para eles, disciplinando-os e amando-os. ‘Uma casa dividida contra si mesma não pode ficar de pé.’ (Marcos 3:25) Os pais farão bem em considerar a disciplina que se deve adotar; poderão assim evitar que os filhos presenciem qualquer desunião com respeito à disciplina. Senão, franqueariam aos filhos tentar ‘dividir e vencer’. De fato, ocasionalmente pode acontecer que um dos genitores reaja de modo precipitado, ou se ire, e administre disciplina extrema, ou, considerando-se todos os fatores, que talvez realmente não era necessária. Talvez seja possível que os genitores falem sobre isso em particular, e, então, aquele que agiu de modo imprudente talvez queira pessoalmente endireitar a situação com o filho. Ou, caso uma palestra particular não seja possível, o genitor que acha que dar apoio ao cônjuge significaria confirmar uma injustiça talvez possa dizer algo assim: ‘Entendo por que você se zangou, e o mesmo aconteceria comigo. Mas, parece haver algo que você não percebeu, que . . .’, esclarecendo depois o que talvez tenha sido despercebido. Isto pode exercer uma influência calmante, sem revelar divisão ou desacordo na presença do filho disciplinado. Conforme diz o provérbio inspirado: “Pela presunção só se causa rixa, mas há sabedoria com os que se consultam mutuamente.” — Provérbios 13:10; veja também Eclesiastes 7:8.
21. Deve a aplicação da disciplina caber apenas a um dos genitores? Por que sim ou por que não?
21 As Escrituras Hebraicas mostram que a aplicação da disciplina é um papel duplo: “Escuta, meu filho, a disciplina de teu pai e não abandones a lei de tua mãe.” As Escrituras Gregas Cristãs fazem o mesmo: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo.” Às vezes, o pai acha que aplicar a disciplina é trabalho de sua esposa. Ou a esposa talvez adote o conceito oposto, não fazendo mais do que apenas advertir o filho travesso com: ‘Espere só o seu pai chegar!’ Mas, se há de haver felicidade na família, e se cada genitor há de receber o amor e o respeito dos filhos, então deve ser compartilhado o dever. — Provérbios 1:8; Efésios 6:1.
22. O que deve ser evitado ao se lidar com um pedido do filho, e por quê?
22 Os filhos precisam ver a cooperação unida de seus pais, neste respeito, e a disposição de cada um de arcar com sua responsabilidade. Se o filho que quer alguma coisa sempre ouve o pai dizer: ‘Vá perguntar à sua mãe’, ou se a mãe invariavelmente transfere a decisão novamente de volta para o pai, então o genitor que verifica que terá de dizer “não” ao pedido é lançado no papel de vilão. Naturalmente, pode haver circunstâncias em que o pai talvez diga: ‘Sim, pode ir para fora, por um pouco — mas fale primeiro com mamãe para ver quando o jantar vai estar pronto.’ Ou a mãe talvez ache, ocasionalmente, que, embora não objete a certo pedido, seu marido devia expressar-se sobre o assunto. Ambos, contudo, devem estar atentos a não incentivar ou permitir que o filho jogue um genitor contra o outro, para obter o que quer. A esposa também se prevenirá para não usar sua parte na autoridade de maneira competitiva, procurando por meio da indulgência obter a maior parte do afeto do filho, às custas do marido.
23. Na família, limita-se tomar decisões necessariamente apenas ao pai?
23 Na realidade, em decisões de família, cada membro pode ter pontos em que sua decisão merece consideração especial. O pai tem a responsabilidade de decidir as questões que envolvem o bem-estar geral da família, amiúde tomando as decisões depois de palestrar com os outros e de dar consideração aos desejos e às preferências deles. A mãe talvez tome decisões a respeito da cozinha e de muitos outros assuntos domésticos. (Provérbios 31:11, 27) Os filhos, ao passo que crescem, poderão ser permitidos fazer certas decisões sobre onde vão brincar, alguma escolha na roupa ou em outras coisas pessoais. Mas, deve haver suficiente supervisão parental para cuidar de que se siga princípios sadios, que a segurança dos filhos não fique em perigo e que não se infrinjam os direitos de outros. Isto pode dar aos filhos um início gradual em tomar decisões.
É FÁCIL HONRAR A VOCÊS, PAIS?
24. Terem os filhos que honrar pai e mãe lança que responsabilidade sobre os genitores?
24 Diz-se aos filhos: “Honra a teu pai e a tua mãe.” (Efésios 6:2; Êxodo 20:12) Fazendo isso, também honram o mandamento de Deus. Será que você torna isso fácil para eles? Esposa, você deve honrar e respeitar seu marido. Não é isso muito difícil quando ele faz pouco ou nenhum esforço de acatar o que a Palavra de Deus requer dele? Marido, você deve prezar e honrar sua esposa como sua ajudadora amada. Não é isso difícil, quando ela não coopera? Então, facilitem aos seus filhos obedecerem à ordem de Deus, de que devem honrar a vocês, seus pais. Granjeiem o respeito por proverem um lar pacífico, uma boa série de normas, bons exemplos na sua própria conduta, ensino e instrução sadios, e disciplina amorosa, quando necessária.
25. Que problemas podem surgir quando os pais não estão unidos quanto a como os filhos devem ser instruídos?
25 “Melhor dois do que um”, observou o Rei Salomão, “porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo”. (Eclesiastes 4:9) Quando dois andam juntos e um fraqueja, o outro está presente para ajudá-lo. Assim também na família, o marido e a esposa podem apoiar-se e animar-se mutuamente nos seus respectivos papéis. Em muitos campos da paternidade e maternidade esses papéis coincidem, e isto é bom para a união da família. Os filhos deviam achegar os pais ainda mais um ao outro, unindo-os no trabalho comum de prover instrução. Mas, às vezes, podem surgir questões divisórias sobre como o filho deve ser instruído e disciplinado. Às vezes acontece que a esposa dá tanta atenção ao filho, que o marido se sente negligenciado e até mesmo fica ressentido. Isto pode afetar sua atitude para com o filho. Pode esfriar-se para com ele, ou, em vez disso, cumular o filho de atenções, porém, dando menos atenção à sua esposa. Paga-se um elevado preço quando o marido ou a mulher perde este equilíbrio.
26. O que se pode fazer para impedir que o filho mais crescido fique ciumento quando a mãe precisa devotar mais tempo ao novo bebê?
26 Ainda outro problema poderá surgir quando chega um novo bebê e já houver um filho mais crescido. A mãe tem de gastar muito tempo com o novo bebê. Para impedir que o filho mais velho se sinta negligenciado e ciumento, o pai pode dar atenção extra ao mais crescido.
27. Quando um dos cônjuges é incrédulo, como se pode ajudar aos filhos em sentido espiritual?
27 É certo que melhor dois do que um, mas um é melhor do que nenhum. Pode ser que seja a mãe que, pelas circunstâncias, tem de criar os filhos sem a ajuda do pai. Ou pode ser o pai quem tenha de enfrentar o mesmo desafio. Muitas vezes, os lares são divididos em questão religiosa, no sentido de que um genitor, como servo de Jeová Deus, tem plena fé no conselho da Bíblia, mas o outro não. Quando o marido é o cristão dedicado, então ele, como chefe da família, tem mais controle sobre o rumo a seguir na instrução e disciplina dos filhos. Não obstante, talvez precise de muita paciência, autodomínio e perseverança; deve ser firme quando existe uma questão séria, contudo, razoável e bondoso, mesmo sob provocação, e deve ser flexível quando as circunstâncias permitem. Se a esposa for a crente, estando por isso sujeita ao marido, a maneira de seu proceder dependerá em grande parte da atitude dele. Será que ele apenas não se interessa na Bíblia, ou está oposto a que sua esposa pratique suas crenças e que se empenhe em ensiná-las aos filhos? Se ele se opuser a ela, a esposa terá de depender do proceder delineado pelo apóstolo: Pela maneira exemplar com que a esposa cuida dos seus deveres e pela sua atitude respeitosa, o marido talvez ‘seja ganho sem palavra’. Ela aproveitará também as oportunidades disponíveis para instruir seus filhos em princípios bíblicos. — 1 Pedro 3:1-4.
O AMBIENTE NO LAR
28, 29. Que espécie de ambiente no lar é desejável, e por quê?
28 O papel de ambos os genitores é prover um ambiente de amor no lar. Se isto for sentido pelos filhos, suas incertezas ou erros não se acumularão no seu íntimo por causa do medo de falar aos seus pais. Saberão que podem comunicar-se com eles e ser entendidos, e que os assuntos serão tratados com preocupação amorosa. (Veja 1 João 4:17-19; Hebreus 4:15, 16.) O lar não se tornará apenas um abrigo, mas um refúgio. A afeição parental fará o espírito dos filhos desenvolver-se e florescer.
29 Não se pode colocar uma esponja dentro de vinagre e esperar que ela absorva água. Ela pode absorver apenas o que há em sua volta. A esponja absorve água apenas se for colocada nela. Os filhos, também, absorvem seu ambiente. Eles sentem as atitudes e observam o que se pratica em volta deles, e absorvem essas coisas como se fossem esponja. Os filhos percebem os sentimentos que você tem, quer seja tensão nervosa, quer sossego pacífico. Até mesmo os bebês absorvem as qualidades do ambiente no lar, de modo que o ambiente de fé, amor, espiritualidade e confiança em Jeová Deus é inestimável.
30. Que perguntas poderão os pais fazer a si mesmos para saber se estão provendo boa orientação aos filhos?
30 Pergunte-se: Que normas espera que seu filho satisfaça? Será que vocês dois, os pais, estão à altura delas? O que representa sua família? Que espécie de exemplo é você para o filho? Queixa-se, acha defeitos, critica os outros e remói pensamentos negativos? É esta a espécie de filhos que quer? Ou tem elevadas normas para sua família, vivendo à altura delas e esperando que seus filhos também o façam? Entendem eles que pertencer a esta família requer satisfazer certos requisitos, que certa conduta é aceitável, e que certas ações e atitudes não o são? Os filhos querem sentir a segurança de fazer parte dela; por isso, deixe-os sentir sua aprovação e aceitação, quando satisfazem as normas da família. As pessoas têm o jeito de viver à altura do que se espera delas. Classifique seu filho como mau, e ele provavelmente o confirmará nisso. Espere dele o bem, e o estará encorajando a viver à altura disso.
31. Como deve sempre ser apoiada a orientação parental?
31 As pessoas são julgadas mais pelas suas ações do que pelas suas palavras. Os filhos, também, talvez não dêem tanta atenção a palavras como a ações, e amiúde estão atentos para descobrir qualquer hipocrisia. Palavras demais confundem as crianças. Certifique-se de apoiar suas palavras por colocá-las em prática. — 1 João 3:18.
32. O conselho de quem se deve seguir sempre?
32 Quer você seja pai, quer mãe, seu papel é desafiador. Mas o desafio pode ser enfrentado com bons resultados, por se seguir o conselho do Dador da vida. Cumpra conscienciosamente seu papel designado, como a Ele. (Colossenses 3:17) Evite os extremos, mantenha seu equilíbrio e ‘deixe a sua razoabilidade ser conhecida de todos’, inclusive de seus filhos. — Filipenses 4:5.
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O olhar, o toque e o tom da voz da mãe dizem ao bebê: “Eu te amo.”
[Foto na página 104]
Planeja atividades com seus filhos?
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Instrução dos filhos desde a infânciaTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 9
Instrução dos filhos desde a infância
1-4. Que evidência há de que a criança pequena tem uma enorme capacidade de aprender?
A MENTE dum recém-nascido tem sido comparada a uma página sem escrita. Na realidade, muitas impressões foram feitas na mente enquanto ainda estava no ventre de sua mãe. E certos traços de personalidade já se acham indelevelmente gravados nele por herança genética. Mas, existe uma enorme capacidade de aprender, a partir do momento do nascimento. Em vez de se tratar duma única página, é como se toda uma biblioteca estivesse à espera de receber a impressão de informações nas suas páginas.
2 O cérebro do bebê, por ocasião do nascimento, pesa apenas uma quarta parte do que pesará em adulto. Mas o cérebro cresce tão velozmente, que, em apenas dois anos, já atinge três quartas partes de seu peso adulto! O desenvolvimento intelectual acompanha o passo. Os pesquisadores dizem que a inteligência da criança aumenta tanto nos primeiros quatro anos da vida, como durante os próximos treze. De fato, alguns declaram que “os conceitos que a criança aprende antes de seu quinto aniversário estão entre os mais difíceis que há de encontrar”.
3 Conceitos básicos tais como a direita e a esquerda, o alto e o baixo, cheio e vazio, bem como graus comparativos de tamanho e peso, todos parecem muito naturais para nós. Mas, a criança precisa aprendê-los, bem como uma multidão de outros. O próprio conceito da fala precisa ser gravado e fixado na mente do bebê.
4 A linguagem é classificada por alguns como “provavelmente a realização intelectual mais difícil que se exige do ser humano”. Se você já tiver lutado para aprender um novo idioma, é provável que concorde com isso. Mas, você teve pelo menos a vantagem de saber como uma língua funciona. O bebê não sabe; contudo, sua mente é capaz de aprender conceitos de linguagem e pô-los a funcionar. Não só isso, mas crianças de tenra idade, que vivem em lares ou regiões bilíngües, podem falar facilmente até mesmo os dois idiomas — antes mesmo de terem começado a freqüentar a escola! De modo que a inteligência está presente, esperando para ser desenvolvida.
O TEMPO PARA COMEÇAR É AGORA MESMO!
5. Quão cedo deve começar a educação do filho?
5 O apóstolo Paulo, escrevendo ao seu companheiro Timóteo, lembrou-lhe que ele havia conhecido os escritos sagrados “desde a infância”. (2 Timóteo 3:15) Sábios são os pais que reconhecem a fome natural da criancinha de aprender. Os bebês são muito observadores, são todo olhos e ouvidos. Quer os pais se apercebam disso, quer não, os pequeninos estão atarefadíssimos em assimilar informações, em arquivá-las, em suplementá-las e em tirar conclusões. Na realidade, se os pais não forem cautelosos, a criancinha aprenderá muito bem, em pouco tempo, como manipulá-los segundo os seus desejos. Por isso, a admoestação dada na Palavra de Deus aplica-se desde o nascimento: “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22:6) As primeiras lições, naturalmente, são as de amar, com muito carinho e afeição. Mas, junto com isso, precisa haver a necessária correção, aplicada suave, mas firmemente.
6. (a) Em que espécie de linguagem é melhor falar com o filho? (b) Que ponto de vista se deve adotar a respeito das muitas perguntas que a criança talvez faça?
6 Fale ao bebê, não em “linguagem infantil”, mas em linguagem simples de gente grande, que é aquela que deseja que aprenda. Quando a criancinha aprender a falar, vai inundá-lo com uma enxurrada de perguntas: ‘Por que chove? Donde vim eu? Aonde vão as estrelas durante o dia? O que está fazendo? Por que isso? Por que aquilo?’ E assim continua, infindavelmente! Escute-as, porque as perguntas estão entre os melhores instrumentos que a criança tem para aprender. Sufocar as perguntas pode significar sufocar o desenvolvimento mental.
7. Como se pode responder melhor às perguntas duma criança pequena, e por quê?
7 Mas, lembre-se, assim como o apóstolo Paulo, de que, “quando eu era pequenino, costumava falar como pequenino, pensar como pequenino, raciocinar como pequenino”. (1 Coríntios 13:11) Responda às perguntas do melhor modo possível, mas de maneira simples e breve. Quando a criança pergunta: ‘Por que chove?’ ela não quer uma resposta complicada e detalhada. Alguma resposta tal como: ‘As nuvens ficam cheias de água e então a água cai’, talvez a satisfaça. O período de atenção da criança é curto; ela passa logo para outros campos. De modo que, assim como você dá à criança leite, até que passe a comer alimentos sólidos, dê-lhe informações simples, até que possa compreender o conhecimento mais pormenorizado. — Veja Hebreus 5:13, 14.
8, 9. O que se pode fazer para ensinar o filho progressivamente a ler?
8 A aprendizagem deve ser progressiva. Conforme já mencionado, Timóteo conhecia as Escrituras desde a infância. Evidentemente, suas mais primitivas recordações da infância incluíam ter sido ensinado a Bíblia. Isto, por certo, foi progressivo, assim como pai ou mãe, hoje, ensinaria primeiro o filho a ler. Leia para ele. Quando ainda é pequeno, ponha-o no colo, abrace-o e leia com uma voz agradável. Ele se sentirá bem, em segurança e alegre, e a leitura será uma experiência agradável, não importa quão pouco entenda. Mais tarde, poderá ensinar-lhe o alfabeto, talvez como brincadeira. Daí, formule palavras, e, finalmente, componha sentenças das palavras. E faça com que o processo do aprendizado seja algo alegre, tanto quanto for possível.
9 Um casal, por exemplo, lia em voz alta para seu menino de três anos, indicando à criança cada palavra, para acompanhá-los enquanto liam. Em certas palavras, eles paravam, e o menino completava a palavra, tal como “Deus”, “Jesus”, “homem”, “árvore”. Aos poucos, aumentavam as palavras que sabia ler, e, aos quatro anos de idade, já lia a maioria das palavras. Junto com a leitura vem a escrita, primeiro, de letras individuais, e depois, palavras inteiras. Saber escrever seu próprio nome emociona a criança!
10. Por que é sábio ajudar cada filho a desenvolver seu próprio potencial?
10 Cada criança é diferente tendo personalidade exclusiva, e deve ser ajudada a se desenvolver em harmonia com seu potencial e dons individuais, herdados. Se instruir seu filho para que desenvolva forças e habilidades herdadas, ele não precisará sentir inveja diante das consecuções de outras crianças. Cada criança deve ser amada e apreciada pelo que é. Embora você a ajude a vencer ou controlar inclinações erradas, não deve tentar obrigar a criança a se ajustar a um molde predeterminado. Antes, guie-a no melhor uso de suas próprias caraterísticas boas de personalidade.
11. Por que não é sábio comparar um filho desfavoravelmente com outro?
11 O pai ou a mãe pode fomentar o espírito de competição egoísta por dar a entender a superioridade ou a inferioridade de um filho em comparação com outro. Ao passo que as crianças pequenas, logo cedo na vida, dão indícios de egoísmo inerente, elas estão inicialmente livres de idéias de classe, superioridade e sentimentos de sua própria importância. Foi por isso que Jesus pôde usar uma criancinha como exemplo, para corrigir o espírito de ambição e de preocupação com a própria importância, que seus discípulos mostraram em certa ocasião. (Mateus 18:1-4) Portanto, evite comparar um filho com o outro, de maneira desfavorável. A criança pode tomar isso como indício de rejeição. Primeiro, ela vai sentir-se magoada, e se este tratamento continuar, ela vai tornar-se hostil. Por outro lado, a criança apresentada como superior poderá tornar-se orgulhosa e passar a incorrer na antipatia dos outros. Você, como pai ou mãe, nunca deve fazer seu amor e sua aceitação dependente de como uma criança se compara com outra. A variedade é agradável. Uma orquestra possui muitos instrumentos diferentes que dão variedade e plenitude, mas tudo é harmonioso. As diferenças de personalidade dão sabor e interesse ao círculo familiar, contudo, a harmonia não será prejudicada quando todos se ajustam aos princípios corretos de seu Criador.
AJUDE SEU FILHO A CRESCER
12. Que fatos sobre os adultos demonstram que a criança precisa de orientação correta?
12 A Palavra de Deus diz que “não é do homem que anda o dirigir o seu passo”. (Jeremias 10:23) Os homens dizem que é. Por isso, rejeitam a orientação divina, aceitam a direção humana, entram em uma dificuldade após outra e acabam provando que Deus tinha mesmo razão. Jeová Deus diz que há um caminho que parece certo ao homem, mas no fim acaba na morte. (Provérbios 14:12) Os homens, já por muito tempo, têm tomado o caminho que para eles parece certo, e isto tem levado a guerras, fome, doenças e morte. Se o caminho que parece direito aos olhos dum homem adulto, experiente, acaba na morte, como é que pode acontecer outra coisa com o caminho que parece a uma criança? Se não é do homem que anda o dirigir o seu passo, como pode ser da criança cambaleante o dirigir seu caminho na vida? O Criador provê orientação tanto para os pais como para os filhos por intermédio de Sua Palavra.
13, 14. Como podem os pais instruir os filhos em harmonia com a admoestação encontrada em Deuteronômio 6:6, 7?
13 Deus diz aos pais: “Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6:6, 7) A qualquer hora, sempre que se apresentem oportunidades adequadas, deve-se prover instrução, quando a família toma junto o café da manhã, embora para muitos a manhã seja uma hora de pressa, para se aprontar para o trabalho ou para a escola, uma expressão de agradecimento pelo alimento dirigirá os pensamentos para o Criador e poderá incluir outros pontos de valor espiritual para a família. O tempo talvez permita alguns comentários sobre as atividades do dia que se inicia, ou sobre a escola, e conselho sábio sobre como lidar com problemas que possam surgir. A hora de ir para a cama, ‘ao deitar-se’, pode ser uma ocasião feliz para as crianças, se os pais lhes derem alguma atenção extra. Histórias contadas para dormir podem significar muito para os pequeninos e podem ser um meio excelente de ensino. A Bíblia está cheia de matéria, que só precisa de inventividade parental e de cordialidade para torná-la agradável à criança. Experiências pessoais de sua própria vida terão atrativo especial para seus filhos, e podem incutir boas lições. E embora possa parecer difícil achar novas histórias para contar, amiúde verificará que a criança gosta de ouvir as mesmas, vez após vez. Poderá descobrir que, por tomar este tempo extra, as linhas de comunicação com seus filhos ficarão muito mais abertas. Orar junto com os pequeninos na hora de deitar pode ainda afirmar desde cedo a comunicação com Aquele que pode fazer o máximo para guiá-los e protegê-los. — Efésios 3:20; Filipenses 4:6, 7.
14 Não importa onde esteja, ‘sentado em casa’ ou viajando “pela estrada”, tem oportunidades para instruir seu filho de maneira interessante e eficiente. Para as crianças, parte disso pode ser na forma duma brincadeira. Certo casal contou o seguinte, sobre como isto contribuiu para ajudar os filhos a se lembrarem dos pontos duma reunião de estudo bíblico:
‘Certa noitinha, levamos conosco nosso menininho, que tem seis anos de idade e não costuma prestar muita atenção nas reuniões. Indo ao salão eu disse: “Vamos fazer uma brincadeira. Quando voltarmos para casa, vejamos se conseguimos lembrar os cânticos que entoarmos e alguns dos pontos principais da reunião.” No retorno, ficamos espantados. O menino mais novo, que não costuma prestar atenção, recebeu a primeira oportunidade para falar e lembrou-se de muitos pontos. Nossos filhos acrescentaram então seus comentários, e, por fim, nós, adultos, comentamos. Em vez de ser tarefa, foi divertido para eles.’
15. Como pode a criança ser incentivada a melhorar suas realizações?
15 Ao passo que o filho fica mais velho, aprenderá a expressar idéias, desenhar coisas, fazer algum trabalho e tocar alguma música num instrumento. Ele sentirá que está realizando alguma coisa. Seu trabalho, em certo sentido, é uma extensão dele. É muito pessoal para ele. Se você o examinar e disser: ‘Está muito bom’, a animação do filho aumentará vertiginosamente. Encontre algo no trabalho dele que você pode sinceramente elogiar, e ele se sentirá encorajado. Critique-o rudemente, e ele provavelmente se acabrunhará e perderá o ânimo. Faça uma pergunta sobre certos aspectos do trabalho, se quiser, mas que não seja algo que indique rejeição do trabalho dele. Por exemplo, em vez de tomar o desenho dele e começar a refazê-lo, poderá demonstrar uma melhora em outro pedaço de papel. Isto lhe permitirá corrigir seu próprio desenho, se quiser. Por incentivar seu esforço, estimulará o desenvolvimento dele; se você o criticar rudemente, poderá desanimá-lo ou sufocar seu desejo de continuar a tentar. Sim o princípio em Gálatas 6:4 também se pode aplicar às crianças: “Prove cada um quais são as suas próprias obras, e então terá causa para exultação, apenas com respeito a si próprio e não em comparação com outra pessoa.” A criança precisa de incentivo, especialmente nos seus primeiros esforços. Se o trabalho for bom para a sua idade, elogie-o! Se não for, elogie o esforço dela, e anime-a a tentar outra vez. Afinal, não aprendeu a andar logo na primeira tentativa.
COMO POSSO EXPLICAR SOBRE O SEXO?
16. Em vista do que a Bíblia diz, que espécie de respostas devem ser dadas às perguntas que a criança faz sobre o sexo?
16 Você responde às perguntas de seu filho e incentiva-o a se comunicar. Mas, então, de repente, lhe faz perguntas sobre o sexo. Responde-lhe francamente, ou dá-lhe uma resposta enganosa, tal como dizer que o irmãozinho ou a irmãzinha foi obtido no hospital? Fornecerá a informação correta, ou deixará que os filhos obtenham respostas inadequadas ou mesmo erradas, talvez num contexto obsceno de crianças mais velhas? A Bíblia contém referências francas a bastante coisas relacionadas com o sexo ou os órgãos genitais. (Gênesis 17:11; 18:11; 30:16, 17; Levítico 15:2) Quando Deus instruiu seu povo sobre as reuniões em que se devia ler a sua Palavra, ele disse: “Congrega o povo, os homens e as mulheres, e os pequeninos, . . . para que escutem e para que aprendam.” (Deuteronômio 31:12) De modo que os pequeninos ouviam tais referências num ambiente sério e respeitoso, não na forma de “conversa de rua”.
17-19. Como se pode dar progressivamente explicações sobre o sexo?
17 Realmente, a explicação sobre o sexo não precisa ser tão difícil como muitos imaginam. As crianças apercebem-se de seu corpo desde bem cedo, descobrindo as suas diversas partes. Dê os nomes para seu filho: mãos, pés, nariz, barriga, nádegas, pênis, vulva. A criança não fica embaraçada, a menos que você de repente mude e fique “furtivo” sobre os órgãos genitais. O que apavora os pais é que pensam que terão de explicar tudo, uma vez que as perguntas comecem. Na realidade, as perguntas vêm aos poucos, conforme a criança atinge diversos estágios de desenvolvimento. Ao atingir os diversos estágios, você lhe precisa suprir apenas o vocabulário correto e explicações muito simples e gerais.
18 Por exemplo, certo dia se lhe pergunta: ‘Donde vêm os bebês?’ Você poderá simplesmente dizer algo assim: eles crescem dentro da mãe.’ Usualmente, isto é tudo o que se precisa para o momento. Mais tarde, seu filho poderá perguntar: ‘Como é que o bebê sai?’ ‘Há uma abertura especial para isso.’ E, para o momento, isto costuma bastar.
19 Algum tempo depois, pode vir a pergunta: ‘Como é que o bebê começa?’ Sua resposta poderá ser: ‘Quando o papai e a mamãe querem ter um filho, uma semente do pai encontra-se com uma célula ovular na mãe, e então começa a crescer um bebê, igual a uma semente lançada no chão que se torna uma flor ou uma árvore.’ De modo que se trata duma história que prossegue, cada parte sendo suficiente para satisfazer a criança naquele momento. Mais tarde, o filho poderá perguntar: ‘Como é que a semente do pai entra na mãe?’ Você poderá simplesmente dizer: ‘Você sabe como é um rapaz. Ele tem um pênis. A moça tem uma abertura no corpo, na qual ele se ajusta. Assim se lança a semente. As pessoas foram feitas assim, para que os bebês possam ter início e crescer na mãe, e finalmente sair como criancinhas.’
20. Por que convém que sejam os pais quem dê aos seus filhos explicações sobre o sexo?
20 Esta conversa honesta certamente é melhor do que histórias falsas ou uma reação “furtiva”, que fazem o assunto parecer repugnante. (Veja Tito 1:15.) Também é melhor que a criança ouça os fatos da boca dos pais, que podem acompanhar suas explicações com os motivos pelos quais os bebês devem vir corretamente apenas dos casados entre si, que se amam e que aceitam a responsabilidade de amar o bebê e cuidar dele. Isto coloca o assunto num plano sadio e espiritual, em vez de ser aprendido em circunstâncias que parecem dar a tudo um aspecto impuro.
A TRANSMISSÃO DAS LIÇÕES MAIS IMPORTANTES DA VIDA
21. Em vista de que tendência dos filhos é importante que os pais dêem bons exemplos aos seus descendentes?
21 Certa vez, Jesus comparou as pessoas do seu tempo às “criancinhas sentadas nas feiras, que gritam para seus companheiros de folguedos, dizendo: ‘Nós tocamos flauta para vós, mas não dançastes; lamuriamos, mas não vos batestes em lamento.’” (Mateus 11:16, 17) As brincadeiras das crianças imitavam os adultos nas suas festas e nos seus enterros. Visto que a criança tem a tendência natural de imitar, o exemplo dos pais desempenha um grande papel na educação do filho.
22. Que efeito pode a conduta dos pais ter sobre os seus filhos?
22 A partir do nascimento, seu bebê aprende de você — não só por aquilo que você diz, mas também como o diz, pelo tom da voz que usa no falar: ao próprio bebê, a seu cônjuge e a outras pessoas. Observa a maneira de os pais lidarem um com o outro, com outros membros da família e com os visitantes. O exemplo que lhe dá, neste respeito, pode começar a transmitir lições muito mais vitais do que seu filho aprender a andar, a contar ou a soletrar. Pode lançar a base para o conhecimento e a compreensão, que levam à genuína felicidade no viver. Este exemplo pode tornar a criança receptiva à comunicação de normas justas, quando já tiver bastante idade para ser ensinada por palavra e pela leitura.
23, 24. Se os pais quiserem que seus filhos se ajustem a certas normas, o que eles mesmos precisam estar dispostos a fazer?
23 “Tornai-vos imitadores de Deus, como filhos amados, e prossegui andando em amor”, é a exortação do apóstolo aos cristãos. Pouco antes disso, ele mostrou o que a imitação exigia, dizendo: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade. Mas, tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros, assim como também Deus vos perdoou liberalmente por Cristo. Portanto, tornai-vos imitadores de Deus, como filhos amados . . .” (Efésios 4:31, 32; 5:1, 2) Se as vozes que a criança ouve, ou as ações que observa, transmitirem lições de irritabilidade, como fazem a conversa alta e estridente, as queixas choramingadas, a arrogância ou a ira explosiva, causará uma impressão que é difícil de apagar. Se você for bondoso e tiver consideração para com todos, se as suas normas de moral forem elevadas e seus princípios forem bons, então seu filho tenderá a imitá-lo nisso. Aja do modo que quer que seus filhos ajam; seja assim como quer que eles sejam.
24 Os pais não devem ter dois tipos de princípios, um para pregar e outro para praticar, um para seus filhos e outro para si mesmos. Que adianta mandar aos filhos não mentir, quando você mesmo mente? Se você não cumpre as promessas que lhes fez, pode esperar que eles cumpram as que fizeram a você. Se os pais não são respeitosos um para com o outro, como podem esperar que seu filho aprenda a ter respeito? Se o filho nunca ouvir o pai ou a mãe expressar humildade, como pode adotar a humildade qual norma? Um perigo sério de o pai ou a mãe darem a idéia de sempre estarem certos é que o filho pode pensar que tudo o que eles fazem está certo — mesmo quando os pais fazem coisas que revelam a natureza imperfeita e pecaminosa, e que são erradas. Dizer mas não fazer é ser igual aos fariseus hipócritas, dos quais Jesus disse: “Todas as coisas que eles vos dizem, fazei e observai, mas não façais segundo as ações deles, pois dizem, mas não realizam.” Portanto, pais, se não quiserem ter pequenos fariseus na sua família, não sejam grandes fariseus! — Mateus 23:3.
25. Como se deve ensinar o amor aos filhos?
25 As crianças aprendem sobre o amor primeiro por observarem-no, e aprendem a dar amor por receberem-no. O amor não pode ser comprado. Os pais podem cumular seus filhos de presentes. Mas o amor é principalmente um assunto espiritual, do coração, não da carteira de dinheiro, e os presentes, por si só, nunca podem substituir o genuíno amor. Tentar comprar o amor avilta-o. Mais do que dar presentes materiais dê de si mesmo de seu tempo, sua energia e seu amor. Receberá na mesma medida. (Lucas 6:38) Conforme diz 1 João 4:19 sobre o amor que Deus nos tem: “Amamos porque ele nos amou primeiro.”
26, 27. Como se pode ensinar aos filhos a alegria proveniente do dar?
26 As crianças podem aprender a ação de dar pela ação de receber. Podem ser ajudadas a aprender as alegrias de dar, de servir e de compartilhar. Ajude-as a ver que há felicidade em dar a você, a outras crianças e a adultos. Os adultos, amiúde, não querem aceitar presentes de crianças, pensando erroneamente que mostram amor por deixarem as crianças ficar com os presentes que querem dar. Certo homem declarou:
“Eu costumava recusar quando uma criança me oferecia seu doce. Pensava ser bondoso, não aceitando o que eu sabia que ela queria muito. Mas, quando não o aceitei e a deixei ficar com ele, não vi a alegria que pensava que ela ia demonstrar. Então, dei-me conta de que estava rejeitando a sua generosidade, rejeitando o seu presente e rejeitando a ela. Depois disso, sempre aceito tais presentes, para deixá-la conhecer a alegria de dar.”
27 Os pais em certa família, queriam ajudar seu menino a tornar-se como os descritos na Bíblia, em 1 Timóteo 6:18, “liberais, prontos para partilhar”. Assim, ao irem a um lugar para o estudo bíblico, tomavam o dinheiro que iam contribuir e o entregavam ao seu filho, deixando que ele o pusesse na caixa de contribuição. Isto ajudou a incutir nele o valor de se dar apoio a assuntos espirituais e de ajudar a suprir as necessidades materiais que isto talvez envolvesse.
28, 29. Como se pode ensinar às crianças a importância de se pedir desculpas pelos erros?
28 Assim como os filhos podem aprender a amar e a ser generosos, se a instrução correta for acompanhada pelo bom exemplo, assim também podem aprender a pedir desculpas, quando apropriado. Certo pai disse: “Quando cometo um erro com os meus filhos, eu o admito. Digo-lhes de modo bem breve por que cometi o engano e que errei. Isto lhes torna mais fácil admitirem seus erros a mim, sabendo que não sou perfeito e que compreendo.” Este conceito foi ilustrado em certa ocasião, quando um estranho visitou uma família e o pai lhe apresentou os membros dela. O visitante comentou:
“Todos os presentes foram apresentados, e então entrou na sala um menino sorridente. O pai disse: ‘E este é o nosso filho caçula, o que tem a mancha de geléia na camisa.’ O sorriso do menino desapareceu e sua fisionomia mostrou mágoa. Vendo que o embaraço ia fazê-lo chorar, o pai puxou rapidamente o menino para si e disse: ‘Eu não devia ter dito isso; desculpe.’ O menino soluçou por um momento, e depois saiu da sala, mas logo voltou, com um sorriso ainda maior e com uma nova camisa limpa.”
29 Os vínculos da afeição, certamente, são fortalecidos por tal humildade. Naturalmente, mais tarde, o pai ou a mãe pode explicar à criança como ter um conceito equilibrado sobre os problemas da vida, grandes e pequenos. Pode ajudar os filhos a aprender a não tomarem muito a sério as coisas menores, a poderem rir de si mesmos e a nunca esperarem a perfeição dos outros, assim como não querem que se espere deles.’
PROVEJA UMA SÉRIE DE VALORES REAIS
30-32. Por que é vital que os pais comecem desde cedo a ajudar seus filhos a reconhecerem os valores reais na vida?
30 Atualmente, muitos pais estão confusos sobre quais são os valores reais da vida. Em resultado, muitos filhos nunca recebem uma série de valores a tomarem por base. Alguns pais até mesmo duvidam de seu direito de modelar as atitudes de seus filhos. Se os pais não fizerem isso, outras crianças, os vizinhos, os filmes e a televisão o farão. O conflito de gerações, a revolta dos jovens, as drogas, a nova moralidade e as revoluções sexuais — tudo isso amedronta os pais. Mas a verdade é que a personalidade do filho já está bastante desenvolvida antes de começarem a surgir essas questões na sua vida.
31 Os estudos noticiados num periódico científico disseram que “a grande parte da personalidade da pessoa já é fixada antes de se iniciar na escola. Naturalmente, é do conhecimento comum que as crianças em idade pré-escolar são extremamente impressionáveis e maleáveis. . . . Entretanto, descobrimos que aquilo que elas encontraram na sua infância, em termos de atitudes e experiências, amiúde fixou normas de comportamento duradouras e às vezes imutáveis”.
32 Normas erradas podem ser mudadas, mas, outro pesquisador explicou o que acontece quando se deixam passar preciosos anos: “A criança permanece maleável durante os seus primeiros sete anos, mas quanto mais você espera, tanto mais radicalmente terá de mudar-lhe o ambiente — e a probabilidade da mudança torna-se menor em cada ano sucessivo.”
33. Quais os conceitos mais importantes que se devem ensinar aos filhos?
33 As crianças pequenas têm de aprender muitos conceitos básicos, mas os de maior importância são os do que é verdadeiro e do que é falso, o que é certo e o que é errado. Escrevendo aos cristãos efésios, o apóstolo Paulo exortou-os a obterem conhecimento exato, dizendo: “Não sejamos mais pequeninos, jogados como que por ondas e levados para cá e para lá por todo vento de ensino, pela velhacaria de homens, pela astúcia em maquinar o erro. Mas, falando a verdade, cresçamos pelo amor em todas as coisas naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:13-15) Se os pais forem vagarosos quanto a ajudarem seus pequeninos a desenvolver o amor à verdade e à honestidade, o amor ao que é direito e bom, os filhos ficarão indefesos contra o erro e o mal. Os anos pré-escolares passam antes de os pais se aperceberem disso. Não os deixe passar despercebidos; use esses primeiros poucos anos vitais e formativos de seus filhos para dar-lhes uma série de valores reais a que se apegarem. Poderá poupar-se assim de mágoas em anos posteriores. — Provérbios 29:15, 17.
34. Por que são importantes as normas estáveis, e qual é a melhor fonte de tais normas?
34 “Está mudando a cena deste mundo”, escreveu o inspirado apóstolo, e isto certamente é verdade quanto às suas normas materiais, emocionais e morais. (1 Coríntios 7:31) Há pouca estabilidade no mundo. Os pais precisam reconhecer que eles mesmos, por serem humanos, também podem falhar neste respeito. Se pensarem nos melhores interesses de seus filhos e realmente estiverem preocupados com a felicidade futura deles, indicarão aos seus filhos uma série de normas que são realmente estáveis. Podem fazer isso por incutir nos filhos, desde a infância, que, não importa que questões surjam, não importa que problemas requeiram solução, a Palavra escrita de Deus, a Bíblia, é onde devem buscar as respostas decisivas e mais úteis. Não importa quão confusa ou obscura as situações às vezes fazem a vida parecer, esta Palavra continuará a ser ‘lâmpada para o seu pé e luz para a sua senda’. — Salmo 119:105.
35. Quão importante é instruir os próprios filhos?
35 Sim, este é o período de sua mais valiosa oportunidade para começar a desenvolver nos seus filhos uma série de valores que possam sustentá-los durante a vida deles. Nenhuma carreira é maior, nenhum trabalho mais importante, do que instruir seus filhos. O tempo de começar é assim que nascem, desde a sua infância!
[Foto na página 117]
Faça com que o ensino seja agradável.
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O valor da disciplina dada com amorTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 10
O valor da disciplina dada com amor
1. De que se precisa, se os filhos hão de ser obedientes?
FILHOS obedientes, amorosos, de boas maneiras, não surgem por acaso. São amoldados e produzidos pelo exemplo e pela disciplina.
2. Em que conflitam os conceitos de muitos psicólogos de crianças com o conselho bíblico?
2 Muitos psicólogos de crianças a bem dizer colocam nas crianças um letreiro de “não toque”, como disse um deles: “Será que vocês, mães, se dão conta de que, cada vez que dão umas palmadas no filho estão dizendo que o odeiam?” Mas, Deus diz na sua Palavra: “Aquele que poupa a vara, odeia o seu filho, o que o ama, corrige-o sem demora.” (Provérbios 13:24, Missionários Capuchinhos) Há algumas décadas, especialmente em países ocidentais, o mercado foi inundado de livros sobre a educação das crianças, com teorias sobre a permissividade. Os psicólogos diziam que a disciplina inibiria o filho e atrofiaria seu desenvolvimento; e quanto a bater nele, já a mera idéia disso os horrorizava. As teorias deles entravam em choque frontal com o conselho de Jeová Deus. A sua Palavra diz que você ‘ceifa o que semeia’. (Gálatas 6:7) O que provaram algumas décadas de semear a permissividade?
3, 4. O que resultou da falta de disciplina correta no lar, e, por isso, o que recomendam muitos?
3 É bem conhecida a safra de crime e delinqüência. Os crimes juvenis constituem mais de 50 por cento dos crimes dolosos em muitos países industrializados. Em algumas partes do mundo, os campus das instituições de ensino são viveiros de perturbações, conduzindo a suspensão de aulas, brigas, ultrajes verbais e obscenidades, vandalismo, ataques, extorsões, incêndios premeditados, roubos, estupros, drogas e assassinatos. O porta-voz duma federação de professores, num grande país, atribuiu o problema da disciplina ao fracasso da escola em estabelecer contato com a criança logo cedo na vida, e atribuiu a delinqüência à degeneração da família e à falta de disposição dos pais de estabelecer normas razoáveis de comportamento para seus filhos. Sobre a questão de ‘por que alguns membros da família se tornam criminosos e outros não’, a Encyclopædia Britannica diz: “A orientação disciplinar da família ou é frouxa demais, ou severa demais, ou incoerente demais. A pesquisa americana tem sugerido que a disciplina imprópria pode ser relacionada com cerca de 70 por cento dos criminosos.”
4 Os resultados obtidos têm levado a uma inversão de opinião entre muitos e à volta da disciplina.
A VARA DA DISCIPLINA
5. Qual é o conceito da Bíblia sobre dar palmadas?
5 Dar umas palmadas no filho pode salvar-lhe a vida, porque a Palavra de Deus diz: “Não retenhas a disciplina do mero rapaz. Não morrerá se lhe bateres com a vara. Tu mesmo lhe deves bater com a vara, para que livres a sua alma do próprio Seol”, a sepultura. Novamente: “A tolice está ligada ao coração do rapaz; a vara da disciplina é a que a removerá para longe dele.” (Provérbios 23:13, 14; 22:15) Se os pais prezarem os interesses espirituais de seus filhos, não permitirão por fraqueza ou descuido que lhes escape a ação disciplinar. O amor os motivará a agirem de modo sábio e justo, sempre que necessário.
6. O que está incluído na disciplina?
6 No que se refere à própria disciplina, ela não se limita ao castigo. Disciplina significa, basicamente, ‘instrução e treinamento que segue certa ordem ou estrutura’. Este é o motivo de Provérbios 8:33 não dizer ‘sentir a disciplina’, mas ‘escutar a disciplina e tornar-se sábio’. O cristão, de acordo com 2 Timóteo 2:24, 25, “precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar, restringindo-se sob o mal, instruindo com brandura os que não estiverem favoravelmente dispostos”. A palavra ‘instruir’, aqui, traduz a palavra grega para disciplina. A mesma palavra é traduzida assim em Hebreus 12:9: “Dávamos o devido respeito aos pais terrenos que nos disciplinavam; não devemos sujeitar-nos ainda mais prontamente ao nosso Pai espiritual, e assim obter a vida?” — Nova Bíblia Inglesa.
7. Que benefícios resultam da disciplina dada pelos pais?
7 O genitor que deixa de prover a disciplina não obterá o respeito do filho, do mesmo modo que os governantes não obtêm o respeito dos cidadãos, quando permitem que a transgressão passe sem punição. A disciplina, quando dada corretamente, dá evidência ao filho de que seus pais se importam com ele. Isso contribui para um lar pacífico, pois, “dá fruto pacífico, a saber, a justiça, aos que têm sido treinados por ela”. (Hebreus 12:11) Filhos desobedientes e de mau comportamento são fonte de irritação em qualquer lar, e tais filhos nunca são realmente felizes, nem mesmo com si próprios. “Castiga teu filho e ele te trará descanso e dará muito prazer à tua alma.” (Provérbios 29:17) Depois de alguma correção firme, mas amorosa, a criança pode obter de algum modo um novo conceito e um novo início, e amiúde constitui companhia muito mais agradável. A disciplina, deveras, “dá fruto pacífico”.
8. Como podem os pais dar disciplina com amor?
8 “Jeová disciplina aquele a quem ama.” (Hebreus 12:6) O mesmo se dá com os pais que realmente se preocupam com os melhores interesses de seus filhos. A disciplina deve ser dada com amor. A ira pode ser normal quando se fica encolerizado com a transgressão do filho, mas, conforme mostra a Bíblia, deve ‘restringir-se sob o mal’. (2 Timóteo 2:24) Depois de se ter acalmado, o pecado infantil talvez não lhe pareça tão grande assim: “A perspicácia do homem certamente torna mais vagarosa a sua ira, e é beleza da sua parte passar por alto a transgressão.” (Provérbios 19:11; veja também Eclesiastes 7:8, 9.) Pode haver circunstâncias atenuantes: Talvez a criança esteja excessivamente cansada ou não se sinta bem. Talvez tivesse realmente esquecido o que se lhe disse; isso acontece também com os adultos, não acontece? No entanto, mesmo que não se possa passar por alto alguma transgressão, a disciplina não deve ser dada num acesso incontrolado ou num golpe que simplesmente alivia a tensão emocional do pai ou da mãe. A disciplina envolve instrução, e, com um acesso de ira, a criança não aprende uma lição de autodomínio, mas da ausência dele. Falta a sensação de ser bem cuidada, que a criança tem na disciplina bem administrada. Portanto, o equilíbrio é essencial e promove a paz.
ESTABELECIMENTO DE LIMITES FIXOS
9. Em harmonia com Provérbios 6:20-23, o que devem os pais prover aos filhos?
9 Os pais devem prover orientações para seus filhos. “Observa, filho meu, o mandamento de teu pai e não abandones a lei de tua mãe. Ata as declarações constantemente ao teu coração; enrola-as em volta da tua garganta. Ao andares, isso te guiará; ao te deitares, isso ficará de guarda sobre ti; e quando tiveres acordado, isso mesmo se ocupará de ti. Pois o mandamento é uma lâmpada e a lei é uma luz, e as repreensões da disciplina são o caminho da vida.” Estes preceitos parentais devem orientar e proteger a criança, e refletem a preocupação dos pais com o bem-estar e a felicidade do filho. — Provérbios 6:20-23.
10. O que pode acontecer quando os pais deixam de disciplinar seus filhos?
10 O pai que falha neste respeito leva a responsabilidade por isso. Eli, sumo sacerdote no antigo Israel, deixou seus filhos entregues à ganância, ao desrespeito e à imoralidade; fez algum protesto a eles, mas não tomou nenhuma ação real para coibir sua transgressão Deus disse: “Estou julgando a sua casa por tempo indefinido pelo erro de que tem sabido, porque os filhos dele estão invocando o mal sobre Deus e ele não os reprovou.” (1 Samuel 2:12-17, 22-25; 3:13) De modo similar, se a mãe falha no seu dever, ela sofre vergonha: “A vara e a repreensão é que dão sabedoria; mas, o rapaz [ou a moça] deixado solto [ou solta] causará vergonha à sua mãe.” — Provérbios 29:15.
11. Por que é preciso que se estabeleçam limites para os filhos?
11 É preciso que se estabeleçam limites para os filhos. Eles não se sentem à vontade quando não os têm. Terem e acatarem tais limites faz os filhos sentirem-se parte do grupo; pertencem a ele e são aceitos por ele, porque se ajustam aos seus requisitos. A permissividade deixa os jovens entregues a si mesmos e a se debaterem por conta própria. Os resultados mostram que os filhos precisam de adultos que têm firmes convicções sobre os limites, e que os transmitem a outros. Os filhos precisam reconhecer que há limites para todos na terra, e que isto resulta em felicidade pessoal e em bem. A liberdade só pode ser usufruída quando os outros reconhecem nosso campo de liberdade e nós reconhecemos o deles. Ultrapassar os devidos limites inevitavelmente significa que o transgressor está indo “ao ponto de prejudicar e de usurpar os direitos de seu irmão”. — 1 Tessalonicenses 4:6.
12. Por que é importante a autodisciplina, e como podem os pais ajudar os filhos a desenvolvê-la?
12 Quando os filhos aprendem que não acatarem os devidos limites resulta em disciplina de uma espécie ou de outra, passam a reconhecer seus próprios limites, e, pela firmeza e orientação parentais, desenvolvem a autodisciplina necessária para levar uma vida satisfatória. Ou nos disciplinamos no íntimo, ou seremos disciplinados por alguma fonte externa. (1 Coríntios 9:25, 27) Se desenvolvermos a disciplina íntima e ajudarmos nossos filhos a fazer o mesmo, nossa vida e a vida deles serão mais felizes, mais livres de dificuldades e mágoas.
13. Quais são alguns fatores importantes que os pais precisam ter em mente quando estabelecem orientações para seus filhos?
13 As orientações e as limitações devem ser claras e justas para os filhos, com concessões misericordiosas. Não espere deles nem de mais, nem de menos. Lembre-se da idade deles, pois agirão de acordo com ela. Não espere que sejam adultos em miniatura. O apóstolo disse que, quando era bebê, agia como tal. (1 Coríntios 13:11) Mas, uma vez que se estabeleceram regras razoáveis e seus filhos as entenderam, faça-as valer pronta e coerentemente. “Que a vossa palavra Sim signifique Sim, e o vosso Não, Não.” (Mateus 5:37) Os filhos realmente gostam dos pais que cumprem a sua palavra, que são coerentes e previsíveis, porque sentem que a força dos pais os apóia e sentem que podem confiar nela quando surgem dificuldades e precisam de auxílio. Se os pais forem justos, mas positivos, em corrigir a transgressão, os filhos terão a sensação de segurança e estabilidade. Os filhos gostam de saber qual a sua situação, e, no caso de pais assim, eles sabem.
14. Por que é importante a firmeza quando os filhos não reagem corretamente à orientação dos pais?
14 Requer determinação da parte dos pais mostrar firmeza quando o filho é obstinado em não obedecer a uma ordem parental. Alguns pais recorrem então a ameaças duma possível punição, empenham-se em discussões infrutíferas com o filho ou recorrem a tentativas de suborná-lo, para que faça o que eles haviam dito. Muitas vezes, tudo do que se precisa é simplesmente ser bem firme e dizer à criança, com convicção, que tem de fazer o que se lhe mandou, e já. Se o filho estivesse prestes a passar diante dum carro que se aproxima, os pais falariam com ele em termos nada incertos. Conforme salientou certo pesquisador, sobre este assunto: “Quase todos os pais fazem seus filhos ir para a escola, . . . escovar os dentes, não subir no telhado, tomar banho, e assim por diante. Os filhos, amiúde, resistem. Mas, não obstante, acatam isso, porque sabem que seus pais não estão brincando.” Você só poderá esperar que seus filhos ‘atem as suas orientações e mandamentos constantemente ao seu coração’ se os reforçar coerentemente. — Provérbios 6:21.
15. Quando os pais são incoerentes na aplicação das orientações, como pode isso afetar os filhos?
15 Quando os pais impõem orientações esporadicamente, segundo o capricho ou a disposição do momento, ou quando se adia muito a disciplina por uma desobediência, os filhos se afoitam a arriscar algumas violações, para ver até onde podem ir e com quanto se podem safar. Quando parece faltar a retribuição, os filhos são como os adultos em ficar atrevidos na transgressão. “Por não se ter executado prontamente a sentença contra um trabalho mau é que o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal.” (Eclesiastes 8:11) Portanto, diga o que quer dizer e cumpra o que diz. Assim, seu filho reconhecerá que é assim mesmo e se dará conta de que não adiantará fazer beicinho, nem discutir, nem agir como se achasse que você é cruel e desamoroso.
16. Para evitar dar ordens desarrazoadas, o que devem fazer os pais?
16 Isto requer pensar antes de falar. Regras ou ordens dadas com precipitação costumam ser desarrazoadas. “[Seja] rápido no ouvir, vagaroso no falar, vagaroso no furor.” (Tiago 1:19) Se a disciplina não for justa e coerente, o senso natural de justiça, que os filhos têm, ficará ofendido e se desenvolverá ressentimento.
CONTROLE A DIVERSÃO
17. Que conceito sobre o trabalho e o brincar devem os filhos chegar a reconhecer?
17 Brincar é parte natural da vida duma criança. (Zacarias 8:5) Os pais precisam reconhecer isso, ao passo que gradualmente introduzem na vida da criança apreço pelo trabalho e senso de responsabilidade. Daí, quaisquer tarefas que a criança talvez tenha, em geral, devem ser feitas primeiro; o brincar vem depois.
18. Que efeito podem os companheiros ter sobre os filhos?
18 Alguns filhos tornam-se “crianças de rua” ou virtualmente estranhos no lar, porque procuram diversões em outra parte. Se as associações forem impróprias, os efeitos serão impróprios. (1 Coríntios 15:33) Naturalmente, algum companheirismo fora do lar é benéfico para a criança, a fim de que desenvolva uma compreensão mais ampla das pessoas. Mas, quando há demasiada associação com os de fora, ou quando fica sem controle, o círculo familiar se enfraquece ou mesmo se desfaz.
19. Quais são algumas das coisas que os pais poderão examinar para saber se estão tornando o lar um lugar agradável para seus filhos?
19 Os pais, junto com a disciplina que aplicam para corrigir isso, poderão muito bem perguntar-se o que poderiam fazer para tornar o lar mais agradável para seus filhos; se estão gastando suficiente tempo na companhia deles, não apenas para instruí-los ou discipliná-los, mas também para serem verdadeiros amigos e companheiros de seus filhos. Costuma você estar “ocupado demais” para gastar tempo com os seus filhos, para brincar com eles? As oportunidades perdidas, para fazer isso com uma criança, nunca mais voltarão. O tempo é unidirecional, e a criança não fica parada, mas continua crescendo e mudando. As estações passam, e, como se fosse apenas ontem que seu filho era bebê, aprendendo a andar, você de repente se dá conta de que ele se transforma num jovem, e sua menina já se transformou numa moça. Apenas se você mantiver bom equilíbrio e se disciplinar no seu próprio uso do tempo, poderá evitar desperdiçar as oportunidades que este precioso período oferece — ou impedir ver os filhos afastaram-se de você, enquanto ainda são novos. — Provérbios 3:27.
20, 21. Quando houver televisão no lar, que responsabilidade devem os pais assumir, e por quê?
20 Onde a televisão é uma fonte comum de recreação, precisam fixar-se limites ao seu uso. Alguns pais usam a TV como babá. Isso talvez seja conveniente e pareça ser barato; mas, na realidade, pode mostrar-se muito dispendioso. Os programas de televisão amiúde estão saturados de violência e sexo. A impressão que se dá é que a violência é um modo aceitável de resolver problemas; o sexo ilícito aparece como parte aceitável da vida diária. Muitas pesquisas têm mostrado que isto pode dessensibilizar a pessoa para com tais práticas, especialmente os jovens. Você se preocupa que seus filhos comam alimentos salutares e não contaminados. Deve preocupar-se ainda mais com o que alimenta a mente deles. Conforme Jesus mostrou, o alimento não vai para o coração, mas o que pomos na mente pode penetrar no coração. — Marcos 7:18-23.
21 Controlar a espécie de programas a que se assiste e também quanto tempo se gasta na frente do televisor pode fazer uma grande diferença no desenvolvimento da criança. A televisão pode prover algum entretenimento agradável e até mesmo educação; mas, se não for controlada, pode tornar-se um vício, consumindo enorme quantidade de tempo. O tempo é vida, e parte deste tempo, certamente, poderia ser gasto com algo mais proveitoso. Isto se dá porque a televisão substitui o agir pelo ver. Não só toma o lugar da atividade física, mas também da leitura e da conversação. A família precisa de comunicação e união, e estarem todos simplesmente sentados juntos, calados, na mesma sala, vendo televisão, não irá satisfazer esta necessidade. Quando o problema é ver excessivamente televisão, os pais podem desenvolver nos filhos apreço por outras atividades, em vez de ver televisão — brincadeiras salutares, leitura, atividades familiares — em especial, se os próprios pais tomarem a dianteira e derem o exemplo.
AO DAR DISCIPLINA, COMUNIQUE-SE!
22. Por que é importante que os filhos entendam as palavras usadas pelos pais?
22 Certo pai conta a seguinte experiência:
“Quando meu filho tinha apenas três anos de idade, eu lhe dei um sermão bastante forte sobre o mentir, sobre como Deus odeia os mentirosos, usando Provérbios 6:16-19 e outros textos. Ele escutou e pareceu ter a reação certa. Mas, eu tinha a impressão de que não havia entendido o ponto. Por isso, perguntei: ‘Filho, sabe o que é uma mentira?’ Ele disse: ‘Não.’ Depois disso, sempre me certifico de que ele saiba o significado das palavras e por que está sendo disciplinado.”
23. O que poderá estar envolvido em ajudar os filhos a compreender que certo proceder é correto?
23 Quando os filhos ainda são pequenos, os pais talvez apenas possam indicar certas coisas como “não, não”, tais como não tocar num fogão quente. Mas, mesmo junto com tais primeiros avisos simples, podem apresentar-se razões. Pode apenas dizer que o fogão é “quente” e tocar nele “dói”. Desde o começo, porém, mantenha diante no não o princípio de que aquilo que está envolvido é para o bem dele; daí, saliente quão desejáveis são as qualidades tais como benignidade, consideração e amor. Ajude a criança a reconhecer que estas qualidades são a base de todos os requisitos ou restrições corretos. Saliente também por que certa ação expressa ou não essas características desejáveis. Se fizer isso coerentemente, poderá não só atingir a mente da criança, mas também seu coração. — Mateus 7:12; Romanos 13:10.
24. Por que é importante que o filho respeite a autoridade?
24 Do mesmo modo, deve-se inculcar progressivamente a necessidade de obediência e respeito pela autoridade. Durante o primeiro ano da vida, começará a manifestar-se a disposição, ou não, da criança de acatar as demandas dos adultos. Assim que o desenvolvimento da criança o permitir, incuta nela um apreço pela responsabilidade dos pais perante Deus. Isto pode fazer uma grande diferença na reação do filho. Sem isso, os filhos podem encarar a obediência como algo que têm de expressar apenas porque seus pais são maiores e mais fortes do que eles. Se, em vez disso, a criança for ajudada a entender que os pais não apresentam suas próprias idéias, mas transmitem ao filho o que o Criador diz, o que a Sua Palavra diz, então isso reforçará mais do que qualquer outra coisa o conselho e a orientação que os pais dão. Pode ser verdadeira fonte da força necessária quando dificuldades começarem a aparecer na vida da criança, e ele ou ela sentir a pressão e tensão de se apegar a princípios corretos diante da tentação ou da coação. — Salmo 119:109-111; Provérbios 6:20-22.
25. Como pode o conselho de Provérbios 17:9 ajudar os pais a disciplinar os filhos de modo correto?
25 “Quem encobre uma transgressão está procurando amor, e aquele que continua falando sobre um assunto separa os que estão familiarizados uns com os outros.” (Provérbios 17:9) Isto se dá também na relação entre pais e filhos. Uma vez que a criança se apercebe de seu erro e compreende por que precisa ser disciplinada, e se aplica a disciplina, o amor deve induzir os pais a evitar repisarem a transgressão. Não importa o que se faça, deixe claro que você odeia o erro, não a criança. (Judas 23) A criança talvez ache que ‘já pagou pelo erro’ e pode encarar freqüentes referências a ele como humilhação desnecessária. Pode resultar em alheá-la dos pais e de outros filhos na família. Se os pais se preocuparem com o desenvolvimento num padrão errado, então poderão tratar disso numa posterior palestra em família. Não recite e repasse simplesmente atos passados, mas considere em vez disso os princípios envolvidos, como se aplicam e por que são tão importantes para a felicidade duradoura.
MODOS DIFERENTES DE DISCIPLINAR
26. Por que não reagem todos os filhos de maneira desejável à mesma espécie de disciplina?
26 “Uma censura penetra mais em quem tem entendimento do que golpear cem vezes um estúpido.” (Provérbios 17:10) Filhos diferentes podem necessitar disciplina diferente. O temperamento e a disposição de cada filho individual precisam ser tomados em consideração. Uma criança pode ser muito sensível, e a punição física, tal como dar palmadas, talvez nem sempre seja necessária. Para outra criança, dar palmadas pode ser ineficaz. Ou uma criança pode ser igual ao servo descrito em Provérbios 29:19, que “não se deixará corrigir por meras palavras, pois ele compreende, mas não atende”. Em tal caso, o filho precisa de punição física.
27. Como ajudou certo pai seu menino a não fazer mais rabiscos na parede?
27 Certa mãe relatou:
“Meu filhinho mal tinha dois anos de idade, quando rabiscou a parede — pequenos rabiscos vermelhos perto do chão. O pai mostrou-os a ele e perguntou sobre isso. Tudo o que conseguiu foram olhos arregalados, não um Sim ou um Não. Finalmente, o pai disse: ‘Sabe, meu filho, quando eu tinha a tua idade, rabisquei a parede. É divertido não é?’ Bem, o menino aclamou-se então, todo sorrisos, e começou a falar animadamente de quão divertido era. Sabia que papai o compreendia! Mas, foi-lhe explicado que, embora fosse divertido, as paredes não eram o lugar para fazer rabiscos. Estabeleceu-se assim comunicação, e no caso desta criança, só foi preciso arrazoar mais um pouco com ela.”
28. Como pode o pai ou a mãe evitar discutir com o filho?
28 Ao dar disciplina, apresentar razões, para ensinar e instruir, é muito bom, mas usualmente não convém discutir com uma criança. Certa mãe, quando seu filho discutiu sobre fazer certo trabalho, simplesmente disse: “Quando você tiver acabado com isso, iremos ao parque”, como recompensa para ele naquele dia. Até que a tarefa designada fosse cumprida, negava-se-lhe certo prazer ou passeio. Quando ela olhava e encontrava o trabalho ainda sem acabar, dizia: “Ah! ainda não está pronto? Vamos quando você tiver acabado.” Não discuta, mas obtenha resultados.
29. O que se pode fazer para que o filho sinta as conseqüências indesejáveis de sua transgressão?
29 Sentir as conseqüências indesejáveis de atos errados pode ajudar a criança a aprender a sabedoria dos princípios corretos. Será que o filho fez alguma sujeira? Talvez fazê-lo limpar tudo cause a mais forte impressão nele. Será que ele foi injusto ou rude? Aprender a pedir desculpas pode contribuir o máximo para corrigir uma tendência errada. Ele pode ter quebrado alguma coisa num acesso de ira. Se já tiver idade bastante, talvez se requeira dele ganhar dinheiro para substituir o objeto. No caso de alguns filhos, negarem-se-lhes certos privilégios por algum tempo pode fazê-los entender a lição necessária. Na congregação cristã, privar alguém da associação amigável é um modo usado para envergonhar certos transgressores. (2 Tessalonicenses 3:6, 14, 15) No caso dos jovens, a privação temporária do companheirismo familiar pode ser mais eficiente do que dar palmadas. No entanto, os extremos, tais como deixar o filho de castigo fora da casa, vão além do que o amor ditaria. Qualquer que seja o método usado, precisa-se mostrar aos filhos que eles têm de levar as conseqüências pelo seu comportamento. Isto lhes ensina a ter responsabilidade.
DISCIPLINA DADA COM AMOR
30. Por que é importante o equilíbrio quando os pais provêem orientação para os filhos?
30 ‘Certifique-se das coisas mais importantes’, lembrando-se de que “a sabedoria de cima é razoável”. (Filipenses 1:10; Tiago 3:17) Lembre-se de que as crianças estão cheias de energia que procura uma saída, e que estão ávidas de aprender e explorar, e experimentar novas coisas. Quando você fixa limitações e fornece orientação, mostre bom senso e seja criterioso. Precisa haver um equilíbrio entre o que é essencial e o que não é. Tendo esclarecido os limites, então, em vez de tentar controlar cada minúcia, permita que a criança se locomova livre e confiantemente dentro destes limites. (Provérbios 4:11, 12) Senão, seus filhos poderão ficar ‘exasperados’ e “desanimados”, e você se esgotará, por criar questões por motivo de coisinhas que realmente não são muito importantes. — Colossenses 3:21.
31. Que exemplo tem dado Jeová Deus quanto a dar disciplina?
31 Portanto, pais, ‘castiguem seu filho ou filha enquanto há esperança’, mas façam-no do modo de Deus, com amor. Imitem-no: “Jeová repreende aquele a quem ama, assim como o pai faz com o filho em quem tem prazer.” Faça com que sua disciplina seja tanto valiosa como amorosa, assim como a de seu Criador, pois, tais “repreensões da disciplina são o caminho da vida”. — Provérbios 19:18; 3:12; 6:23
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Mantenha abertas as linhas de comunicaçãoTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 11
Mantenha abertas as linhas de comunicação
1, 2. O que é comunicação, e por que é importante?
COMUNICAÇÃO é mais do que apenas conversar. Conforme o expressou o apóstolo Paulo: Se as suas palavras não forem compreendidas pelo ouvinte, ‘estará, de fato, falando ao ar’. (1 Coríntios 14:9) Será que seus filhos compreendem o que você diz, e entende você realmente o que eles procuram transmitir-lhe?
2 Para haver verdadeira comunicação, precisa haver transmissão de pensamentos, idéias e sentimentos de uma mente para outra. Se o amor pode ser chamado de coração da vida feliz em família, então a comunicação pode ser classificada como o sangue vital. Interrupções nas comunicações entre cônjuges significam dificuldades; são igualmente sérias, se não ainda mais, quando ocorrem entre pais e filhos.
ADOTE UM CONCEITO DE LONGO ALCANCE
3. Durante que período, na vida da criança, devem os pais esperar problemas na comunicação?
3 A maior sobrecarga nas linhas de comunicação entre pais e filhos não vem durante os primeiros anos da vida da criança, mas durante a adolescência — entre os 13 e os 19 anos de idade. Os pais devem reconhecer que vai ser assim. Não é realístico esperarem que, por terem sido os primeiros anos da vida de seus filhos relativamente livres de dificuldades, que os anos posteriores serão iguais. Problemas surgirão definitivamente, e a comunicação clara e eficiente pode ser um fator chave na solução ou redução deles. Reconhecendo isso, os pais precisam olhar para o futuro, pensar no futuro, pois, “melhor é o fim posterior dum assunto do que o seu princípio”. — Eclesiastes 7:8.
4. Devem todas as comunicações na família ser na forma de conversação? Explique isso.
4 Há muitas coisas envolvidas no estabelecimento, no desenvolvimento e na manutenção das linhas de comunicação da família. No decorrer dos anos, o homem e a mulher podem desenvolver profunda confiança, fé e entendimento mútuo, que tornam a comunicação possível mesmo sem palavras — apenas um olhar, um sorriso ou um toque já lhes podem dizer muito. Eles devem objetivar desenvolver a mesma base forte de comunicação com seus filhos. Antes de o bebê entender a fala, os pais lhe comunicam a sensação de segurança e amor. Enquanto os filhos crescem, se a família trabalhar, brincar e, acima de tudo, adorar em conjunto, fixar-se-ão fortes linhas de comunicação. Manter abertas tais linhas, porém, requer verdadeiro esforço e sabedoria.
INCENTIVE SEU FILHO A SE EXPRESSAR
5-7. (a) Por que convém que os pais tenham cuidado quanto a impedirem que a criança fale? (b) Como podem os pais ensinar aos filhos boas maneiras e cortesia?
5 Há um antigo ditado que diz: “Crianças devem ser vistas, mas não ouvidas.” Isto é verdade — às vezes. Os filhos precisam aprender que, conforme diz a Palavra de Deus, há “tempo para ficar quieto e tempo para falar”. (Eclesiastes 3:7) Mas os filhos estão ávidos de receber atenção, e os pais precisam precaver-se para não atrofiarem desnecessariamente a livre expressão. Não espere que a reação duma criança diante duma experiência seja a mesma que a dum adulto. O adulto vê um simples incidente como meramente parte do panorama da vida. A criança pode ficar muito agitada e tão absorta em algum assunto de interesse imediato, que se esquece quase de tudo o mais. A criança pequena pode irromper na sala e começar emocionada a contar algum acontecimento a papai e mamãe. Se os pais interromperem a criança com um irritado: “Fique quieta!” ou fizerem outra expressão irada, poderão esmagar o entusiasmo da criança. A conversa infantil talvez não pareça dizer muita coisa. Mas, por estimular a expressão natural de seus filhos, poderá impedir que mais adiante na vida guardem para si as coisas que você quer e precisa saber.
6 A polidez e a cortesia contribuem para a boa comunicação. Os filhos devem ter boas maneiras, e os pais devem dar o exemplo na sua própria comunicação com eles, bem como em outros sentidos. A repreensão será necessária e deve ser dada quando preciso, até mesmo com severidade. (Provérbios 3:11, 12; 15:31, 32; Tito 1:13) Entretanto, se os filhos forem habitualmente interrompidos, continuamente corrigidos ou, pior ainda, rebaixados e mesmo ridicularizados pelo pai ou pela mãe, quando falam, é provável que fiquem retraídos — ou vão falar com outro quando querem conversar. Quanto mais velho fica o filho ou a filha, tanto mais acentuado isso se tornará. Por que não faz o seguinte: no fim deste dia, pare e reexamine suas palestras com seu filho ou sua filha, e então pergunte-se: Quantas vezes eu disse algo que expressou apreço, encorajamento, elogio ou louvor? Por outro lado, quantas vezes eu disse coisas que deram a entender o contrário, que tenderam a ‘rebaixá-lo ou rebaixá-la’, que demonstraram dessatisfação, irritação ou exaspero? Talvez fique surpreso com o que seu exame revelar. — Provérbios 12:18.
7 Freqüentemente, precisa haver paciência e autodomínio parentais. Os jovens estão inclinados a ser impetuosos. Podem simplesmente dizer o que lhes vem à mente, talvez interrompendo a palestra de adultos. O pai ou a mãe poderia repreender rudemente o jovem. Mas, às vezes é mais sábio escutar cortesmente, dando assim exemplo de autodomínio, e depois dar uma breve resposta, lembrando à criança a necessidade de ser cortês e ter consideração. Portanto, nisso se aplica novamente o conselho de ser “rápido no ouvir, vagaroso no falar, vagaroso no furor”. — Tiago 1:19.
8. Como poderiam os pais encorajar os filhos a se dirigirem a eles em busca de orientação?
8 Você quer que seus filhos se sintam induzidos a procurar sua orientação quando têm problemas. Pode animá-los a fazer isso por mostrar que você também está procurando orientação na vida e tem alguém a quem olha com sujeição. Certo pai, comentando a maneira em que mantém boa comunicação com seus filhos enquanto ainda são pequenos, disse o seguinte:
“Quase cada noite faço orações com os filhos na hora de irem para a cama. Em geral, já estão na cama, e eu me ajoelho ao lado dela, segurando-os nos braços. Profiro a oração e amiúde eles depois fazem uma. Não é incomum me beijarem e dizerem: ‘Papai eu te amo’, revelando então algo que têm no coração. No aconchego de sua cama e na segurança do abraço de seu pai, eles podem falar sobre algum problema pessoal em que querem ajuda ou talvez apenas expressem afeição.”
Nas refeições e em outras ocasiões, se as suas orações não forem rotineiras, mas expressivas, proferidas de coração e mostrando relação genuína com seu Criador e Pai celestial, isto poderá contribuir imensamente para uma relação sadia com seus filhos. — 1 João 3:21; 4:17, 18.
OS ANOS DE TRANSIÇÃO
9. O que se pode dizer sobre os problemas e as necessidades dos adolescentes, em comparação com os de filhos mais novos?
9 A adolescência é um tempo de transição, um período em que seu filho ou sua filha não é mais criança, mas ainda não é adulto. Os corpos dos adolescentes sofrem mudanças, e estas afetam as emoções. Os problemas e as necessidades dos adolescentes diferem daqueles do período precedente. De modo que os pais precisam ajustar seu modo de tratar desses problemas e necessidades, porque aquilo que funcionava para uma criança antes da adolescência, nem sempre funcionará para o adolescente. Há necessidade de se apresentarem mais razões, e isto requer mais comunicação, não menos dela.
10. (a) Por que não bastam para os adolescentes as explicações simples sobre o sexo? (b) Como poderiam os pais entrar numa palestra com o seu filho sobre o sexo?
10 A explicação simples que você deu ao seu filho pequeno sobre o sexo, por exemplo, não satisfará as necessidades dos adolescentes. Eles sentem impulsos sexuais, mas o embaraço muitas vezes faz com que se refreiem de se dirigir ao pai ou à mãe com perguntas. Os pais precisam tomar a iniciativa, e isto não será fácil, a menos que se tenham criado e mantido boas linhas de comunicação, em especial por serem cordiais companheiros de seus filhos, no trabalho e na diversão. O começo da ejaculação seminal no rapaz ou da menstruação na moça será menos aflitivo se tiverem sido explicados com antecedência. (Levítico 15:16, 17; 18:19) O pai, talvez num passeio com o filho, possa levantar a questão da masturbação, mencionando que a maioria dos jovens tem pelo menos algum problema com ela, e perguntar: ‘O que se dá com você, neste respeito?’ ou: ‘Acha que isto é problema?’ Até mesmo algumas palestras em família podem tratar de problemas relacionados com a adolescência, contribuindo tanto o pai como a mãe com seu conselho de modo descontraído, mas franco.
ENTENDIMENTO DAS NECESSIDADES DOS ADOLESCENTES
11. Em que diferem os adolescentes dos adultos?
11 “Adquire sabedoria; e com tudo o que adquirires, adquire compreensão.” (Provérbios 4:7) Vocês, pais, devem entender o jeito dos jovens; mostrem que compreendem seus sentimentos. Não se esqueçam de como vocês eram quando jovens. Lembrem-se, também, de que, embora todos os mais velhos já foram jovens e sabem o que significa isso, nenhum jovem jamais foi idoso. O jovem adolescente não quer mais ser tratado como criança, mas ainda não é adulto e ainda não tem muitos dos interesses dos adultos. Ainda quer muita diversão e precisa de tempo para ela.
12. Como querem os adolescentes ser tratados pelos pais?
12 Há certas coisas que os jovens querem em especial de seus pais, neste estágio da vida. Querem ser compreendidos; querem ser tratados mais do que nunca como indivíduos; querem orientação e direção coerentes, e que tomem em consideração que eles estão-se tornando adultos; e querem muito sentir-se necessários e apreciados.
13. Como talvez reajam os adolescentes às restrições parentais, e por quê?
13 Os pais não devem ficar surpresos por começar a surgir no adolescente certa medida de resistência às restrições. Isto se deve a que os jovens aproximam-se, por fim, da independência e do desejo normal de terem maior amplitude de movimento e escolha. Os bebês indefesos precisam do constante cuidado dos pais, os filhos pequenos precisam de cuidadosa proteção, mas ao passo que se tornam mais velhos, o campo de atividade se amplia, e os vínculos com os de fora do círculo familiar começam a aumentar e a ser fortalecidos. As tentativas de independência podem tornar o filho ou a filha um pouco difícil de se lidar. Os pais não podem permitir que sua autoridade seja desconsiderada ou anulada — para o próprio bem de seus filhos. Mas, podem lidar com isso sabiamente e manter a comunicação, se se lembrarem do que motiva esta conduta, possivelmente perturbadora.
14. Como poderão os pais lidar com bom êxito com o desejo de maior independência que o filho tem?
14 O que devem os pais fazer, quando se vêem confrontados com o impulso de maior independência de seu filho ou de sua filha? Este impulso é como uma mola comprimida que se segura na mão. Solte-a de repente, e ela sairá pulando sem controle, numa direção imprevisível. Segure-a demais, e você se esgotará e também a enfraquecerá. Mas, solte-a aos poucos, de modo controlado, e ela ficará no seu devido lugar.
15. O que mostra que o desenvolvimento de Jesus em adulto se deu sob orientação parental?
15 Encontramos um exemplo de tal desenvolvimento controlado em direção à independência no caso de Jesus, como menino. O relato histórico de Lucas 2:40 diz a respeito de seus anos pré-adolescentes que “o menino continuava a crescer e a ficar forte, estando cheio de sabedoria e o favor de Deus continuava com ele”. Seus pais, sem dúvida, desempenhavam um grande papel neste seu desenvolvimento, pois, embora ele fosse perfeito, sua sabedoria não veio automaticamente. Proveram-lhe regularmente o clima espiritual para sua instrução, conforme o relato continua a contar. À idade de 12 anos, enquanto a família estava em Jerusalém, assistindo à festividade de Pentecostes, Jesus entrou no templo e passou a conversar com os instrutores religiosos que havia ali. Pelo visto, seus pais permitiram a seu filho de 12 anos certo grau de liberdade de movimento. Partiram de Jerusalém sem se darem conta de que ele ficara para trás, talvez presumindo que estivesse com outros amigos ou parentes. Três dias depois, encontraram-no no templo, não tentando ensinar os mais velhos, mas “escutando-os e interrogando-os”. Sua mãe fez-lhe ver a angústia mental que haviam sofrido e Jesus, sem desrespeito, na realidade respondeu ter pensado que eles seguramente sabiam onde encontrá-lo antes de partirem. Embora usasse de certa liberdade de movimento, o relato diz que Jesus, depois, “continuou a estar-lhes sujeito”, ajustando-se à orientação e às restrições deles, ao se tornar adolescente, e “progredia em sabedoria e em desenvolvimento físico, e no favor de Deus e dos homens”. — Lucas 2:41-52.
16. Quando os pais têm problemas com um adolescente, de que devem lembrar-se?
16 De modo similar, os pais devem permitir que filhos e filhas adolescentes tenham certo grau de independência, aumentando-a aos poucos conforme se chegam à idade adulta, e deixando-os tomar cada vez mais decisões pessoais, sob a orientação e a supervisão dos pais. Ao surgirem dificuldades, a compreensão do motivo ajudará aos pais a evitarem criar um grande caso de incidentes menores. Muitas vezes, o adolescente não é deliberadamente rebelde contra seus pais, mas procura estabelecer certo grau de independência, sem saber como fazê-lo. Portanto, os pais podem cometer enganos, talvez criando questão com coisas erradas. Se o assunto não for muito sério, deixe-o passar. Mas, quando é sério, seja firme. Não ‘coe mosquitos’, nem ‘engula camelos’. — Mateus 23:24.
17. Que fatores devem os pais tomar em consideração, quando impõem restrições a filhos adolescentes?
17 Os pais podem ajudar a promover uma boa relação com seus filhos e filhas adolescentes, por mostrarem bom equilíbrio nas restrições que lhes impõem. Lembre-se de que, embora “a sabedoria de cima é primeiramente casta”, ela é também “razoável” e “cheia de misericórdia”, “sem hipocrisia”. (Tiago 3:17) Há algumas coisas que a Bíblia mostra serem totalmente inaceitáveis, incluindo furto, fornicação, idolatria e outros graves erros similares. (1 Coríntios 6:9, 10) Com respeito a muitas outras coisas, o certo ou o errado pode depender do alcance ou do grau a que o assunto foi levado. O alimento é bom, mas, se estamos comendo demais, ficamos sendo glutões. O mesmo se dá também com algumas formas de recreação, tais como danças, jogos, festas, ou atividades similares. Muitas vezes, não é o que se faz, mas a maneira em que é feito e na companhia de quem é feito. Portanto, assim como não condenaríamos o comer, quando realmente nos referimos ao que é glutonaria, os pais não devem estabelecer uma proibição total a algumas atividades juvenis, se a verdadeira objeção é à forma extrema ou ao grau a que alguns as levam, ou a algumas circunstâncias indesejáveis que poderiam introduzir-se. — Veja Colossenses 2:23.
18. Como podem os pais acautelar os filhos sobre seus companheiros?
18 Todos os jovens sentem a necessidade de ter amigos. Poucos podem ser considerados “ideais”, mas, não têm seus próprios filhos também seus pontos fracos? Talvez queira restringir a associação deles com certos jovens, por encará-los como potencialmente prejudiciais. (Provérbios 13:20; 2 Tessalonicenses 3:13, 14; 2 Timóteo 2:20, 21) No caso de outros, talvez veja algumas coisas de que gosta, e outras de que não gosta. Em vez de excluir alguém completamente, por causa de alguma falha, talvez queira expressar apreço aos seus filhos pelas boas qualidades de seu amigo, ao mesmo tempo salientando a necessidade de cautela nos pontos fracos, exortando seu filho ou sua filha a serem uma força para o bem, nestes pontos, para o benefício duradouro do amigo.
19. Em harmonia com o princípio apresentado em Lucas 12:48, como se pode ajudar os filhos a terem o conceito correto sobre a liberdade?
19 Um modo de ajudar seu filho ou filha adolescente a desenvolver um conceito correto sobre maior liberdade é ajudá-lo ou ajudá-la a ver que a maior liberdade vem acompanhada de maior responsabilidade. “A quem muito foi dado, muito se reclamará dele.” (Lucas 12:48) Quanto mais responsáveis os filhos se mostrarem, tanto maior confiança os pais podem ter neles. — Gálatas 5:13; 1 Pedro 2:16.
COMUNICAÇÃO DE CONSELHO E CORREÇÃO
20. Além de poder e autoridade sobre os filhos, de que mais se precisa para impedir o colapso das comunicações?
20 Quando alguém o aconselha, mas não entende a sua situação, você acha que o conselho dele não é realístico. Se ele tiver o poder de obrigá-lo a satisfazer suas demandas, você talvez se ressinta disso como sendo injusto. Os pais devem ter em mente que “o coração entendido é o que procura conhecimento”, e que “o homem de conhecimento está reforçando o poder”. (Provérbios 15:14; 24:5) Você pode ter poder sobre seus filhos, mas, se este for reforçado pelo conhecimento e pelo entendimento, você será mais eficiente em se comunicar com eles. Não mostrar entendimento quando se corrige os jovens pode levar a um “conflito de gerações” e ao colapso das comunicações.
21. Como devem os pais lidar com os filhos que se envolveram em séria transgressão?
21 O que fará, se o seu filho entrar em dificuldades, cometendo um sério erro ou algum mal que toma você de surpresa? Nunca deve tolerar o mal. (Isaías 5:20; Malaquias 2:17) Mas, aperceba-se de que então, mais do que nunca, é a hora em que seu filho ou sua filha precisa de ajuda compreensiva, e de orientação perita. Igual a Jeová Deus, poderá na realidade dizer: ‘Venha, e resolvamos as questões; a situação é séria, mas não está além de remédio’. (Isaías 1:18) Acessos de ira ou condenações rudes podem sufocar a comunicação. São demasiados os jovens, que ao cometerem um erro, disseram: ‘Eu não podia falar com os meus pais — eles teriam ficado furiosos comigo.’ Efésios 4:26 diz: “Se você ficar com raiva, não deixe que isto o faça pecar.” (A Bíblia na Linguagem de Hoje) Controle suas emoções, ouvindo o que seu filho ou sua filha tem a dizer. Então, a sua justeza em escutar fará a correção mais fácil de aceitar.
22. Por que os pais nunca devem dar a entender que se desinteressaram de seus filhos?
22 Talvez não se trate apenas de um incidente, mas de um período de dificuldades, um padrão que evidencia alguma tendência indesejável. Embora a disciplina seja essencial, os pais nunca devem dar a entender, por palavra ou no espírito, que se desinteressaram de seu filho. Sua longanimidade será uma medida da profundeza de seu amor. (1 Coríntios 13:4) Não combata o mal com o mal, mas vença-o com o bem. (Romanos 12:21) Só se causa dano quando o jovem é humilhado diante dos outros, com declarações de que ele é “preguiçoso”, “rebelde”, “não presta” ou “sem esperança”. O amor não deixa de esperar. (1 Coríntios 13:7) O jovem pode ir ao ponto de que se torna delinqüente e parte de casa. Sem expressarem qualquer aprovação, contudo os pais podem manter aberto o caminho para seu retorno. Como? Por mostrarem que não rejeitam a ele, mas o seu proceder. Podem continuar a expressar-lhe sua crença de que ele tem boas qualidades e que esperam que estas vençam. Se vier a ser assim, é provável que ele, igual ao filho pródigo da ilustração de Jesus, possa voltar para casa com a garantia de que sua volta penitente não será recebida com rudeza ou frieza. — Lucas 15:11-32.
O SENSO DE VALOR INDIVIDUAL
23. Por que é importante que os adolescentes sintam que são membros valiosos da família?
23 Todas as criaturas humanas necessitam de algum reconhecimento, de serem aceitas e aprovadas, de sentirem que fazem parte de algo. Naturalmente, para alguém receber a aceitação e a aprovação necessárias, ele não pode tornar-se independente demais. Precisa ficar dentro dos limites de conduta aprovados pelo grupo a que pertence. Os jovens adolescentes acham que precisam fazer parte da família. Faça-os sentir que são membros valiosos do círculo familiar, contribuindo para o seu bem-estar, e deixe-os ter alguma participação no planejamento e nas decisões da família.
24. O que devem os pais evitar, para que um filho não passe a invejar outro filho?
24 “Não fiquemos egotistas”, disse o apóstolo, “atiçando competições entre uns e outros, invejando-nos uns aos outros”. (Gálatas 5:26) O louvor dos pais, quando o filho ou a filha se sai bem em alguma coisa, ajudará a impedir que surja tal espírito; mas, comparar um jovem desfavoravelmente com outro, que é freqüentemente apresentado como superior, criará inveja ou ressentimento. O apóstolo disse que cada um deve provar “quais são as suas próprias obras, e então terá causa para exultação, apenas com respeito a si próprio e não em comparação com outra pessoa”. (Gálatas 6:4) O jovem quer ser aceito pelo que é, e por quem ele é, e pelo que consegue fazer, sendo amado pelos pais por essas coisas.
25. Como podem os pais ajudar seus filhos a desenvolver um senso de valor?
25 Os pais podem ajudar seu filho ou sua filha a desenvolver um senso de valor por instruí-los a assumirem as responsabilidades da vida em todos os campos. Eles têm instruído seus filhos desde a infância, em honestidade, veracidade e no tratamento correto dos outros; edificam sobre esta base anterior por mostrarem como estas qualidades se aplicam na sociedade humana. Isto inclui como assumir a responsabilidade dum emprego e ser fidedigno nele. Jesus, ao ‘progredir em sabedoria’, como adolescente, pelo visto aprendeu o ofício de seu pai adotivo, José, pois, mesmo quando já tinha a idade de 30 anos e iniciou a sua obra pública do Reino, as pessoas se referiam a ele como sendo “o carpinteiro”. (Marcos 6:3) Os rapazes, durante a adolescência, deviam especialmente aprender o que significa trabalhar e satisfazer um patrão ou freguês, mesmo que o trabalho seja tão simples como o de levar recados. Deve-se mostrar-lhes que, por serem diligentes, sérios e de confiança, granjeiam amor-próprio, e o respeito e apreço dos outros; que assim não somente dão crédito aos pais e à família, mas também ‘adornam o ensino de nosso Salvador, Deus, em todas as coisas’. — Tito 2:6-10.
26. Que costume antigo corrobora que a filha era membro valioso da família?
26 As filhas, também, podem aprender prendas domésticas e como cuidar da casa, granjeando apreço e louvor tanto dentro como fora da família. O valor potencial duma filha para a família é ilustrado pela prática, nos tempos bíblicos, de exigir um dote ou um preço pela noiva, quando a filha era entregue em casamento. Isto, sem dúvida, era encarado como compensação pela perda de seus serviços para a família. — Gênesis 34:11, 12; Êxodo 22:16.
27. Por que devem ser bem aproveitadas as oportunidades de educação?
27 As oportunidades de educação devem ser bem aproveitadas para habilitar os jovens a enfrentarem os desafios da vida no atual sistema de coisas. Esses jovens estão incluídos na exortação do apóstolo, de que “os nossos aprendam também a manter obras excelentes [um emprego honesto, Nova Bíblia Inglesa], a fim de satisfazer as suas necessidades prementes, para que não sejam infrutíferos”. — Tito 3:14.
A PROTEÇÃO DO CÓDIGO MORAL DA BÍBLIA
28, 29. (a) Que conselho dá a Bíblia sobre as associações? (b) Como podem os pais ajudar os filhos a acatar este conselho?
28 Os pais estão compreensivelmente preocupados quando as circunstâncias, talvez o bairro em que moram ou a escola que seus filhos freqüentam, os obrigam a se associar com alguns jovens que são delinqüentes e autodestrutivos. Os pais podem dar-se conta da veracidade da declaração bíblica, de que “más associações estragam hábitos úteis”. Por isso, não estão dispostos a aceitar o argumento do filho que pede: ‘Todos os outros podem fazer isso; por que eu não posso?’ É provável que nem todos os outros o façam, mas isto não é motivo suficiente para seu filho fazê-lo, se for errado ou imprudente. “Não invejes os homens maus [ou as crianças más] e não te mostres almejante de ficar com eles. Porque seu coração está meditando a assolação e seus próprios lábios estão falando desgraça. Os da casa serão edificados pela sabedoria, e serão firmemente estabelecidos pelo discernimento.” — 1 Coríntios 15:33; Provérbios 24:1-3.
29 Você não pode acompanhar os filhos durante a escola ou através da vida. Entretanto, por edificar sua família com sabedoria, pode dar-lhe um bom código de moral e princípios corretos para sua orientação. “As palavras dos sábios são como aguilhadas.” (Eclesiastes 12:11) Na antigüidade, essas aguilhadas eram paus compridos com ponta. Eram usadas para cutucar os animais, a fim de que andassem na direção certa. As palavras sábias de Deus nos manterão avançando no caminho certo, e, caso nos desviemos, farão nossa consciência aferroar-nos, para mudarmos de rumo. Para o bem-estar eterno de seus filhos, faça-os acompanhar de tal sabedoria. Comunique-a a eles por palavra e por exemplo. Incuta neles uma série de valores reais, e isto é o que seus filhos procurarão nos outros, ao escolherem companheiros pessoais. — Salmo 119:9, 63.
30. Como podem os pais prover aos filhos um código de moral dado por Deus?
30 Em tudo isso, lembre-se de que os valores morais são incutidos com mais probabilidade, se houver um ambiente no lar em que esses princípios são respeitados e seguidos. Tenha as atitudes que quer que seus filhos tenham. No seu próprio lar, dentro do círculo familiar, certifique-se de que seus filhos encontrem entendimento adulto, amor, perdão, um grau seguro de liberdade e independência, junto com justiça e eqüidade, e o sentimento de aceitação e de pertencerem, de que necessitam. Desta maneira, comunique-lhes um código de moral dado por Deus, para levarem consigo além do círculo familiar. Não lhes poderá dar herança melhor. — Provérbios 20:7.
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Alegre o coração de seus paisTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 12
Alegre o coração de seus pais
1. Por que é correto que se honre os pais?
QUER sejamos ainda bem jovens, quer sejamos já quase adultos, quer sejamos agora homens e mulheres crescidos, todos nós somos filhos de alguém. Seria difícil de calcular o valor de todos os 20 ou mais anos de cuidados, trabalho, dinheiro e esforço abnegado gastos com a maioria de nós, desde a infância até a vida de adulto. E, na realidade, nossos pais deram-nos algo que é impossível lhes devolvermos. Pois, além de tudo o mais que devemos a eles, deram-nos a nossa vida atual. Sem eles, não existiríamos. Já esta verdade óbvia devia ser motivo bastante para acatarmos a ordem divina: “‘Honra a teu pai e a tua mãe’; que é o primeiro mandado com promessa: ‘Para que te vá bem e perdures por longo tempo na terra.’” — Efésios 6:2, 3.
2. Por que devemos sentir-nos endividados com nossos pais?
2 Embora tenhamos em primeiro lugar uma dívida para com o nosso Criador, como verdadeira Fonte de toda a vida, devemos sentir-nos profundamente endividados com os nossos pais. O que podemos dar-lhes em troca do que eles nos deram? O Filho de Deus disse que todos os bens do mundo não podem comprar a vida, porque simplesmente não se pode colocar uma etiqueta de preço na vida. (Marcos 8:36, 37; Salmo 49:6-8) A Palavra de Deus nos diz: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto que vos ameis uns aos outros.” (Romanos 13:8) Devemos sentir-nos induzidos, de modo especial, a amar nossos pais como algo que lhes devemos enquanto eles e nós vivermos. Embora não possamos dar-lhes vida como nos deram, podemos contribuir para eles algo que faça a vida valer a pena ser vivida. Podemos contribuir para a alegria deles e sua profunda satisfação. Podemos fazer isso dum modo especial que não é possível a ninguém mais, pois somos seus filhos.
3. Segundo Provérbios 23:24, 25, que qualidades dum filho podem contribuir para a alegria dos pais?
3 Conforme diz Provérbios 23:24, 25: “O pai de um justo sem falta jubilará; quem se torna pai de um sábio também se alegrará dele. Teu pai e tua mãe se alegrarão, e aquela que te deu à luz jubilará.” Os pais têm o desejo natural de poderem orgulhar-se do que seus filhos fazem, de terem prazer neles. Dá-se isso com os seus pais?
4. O que manda Colossenses 3:20 que os filhos devem fazer?
4 Em grande medida, isso depende de se nós respeitamos genuinamente sua posição e escutamos seu conselho. O conselho de Deus aos que são jovens é: “Filhos, em tudo sede obedientes aos vossos pais, pois isso é bem agradável no Senhor.” (Colossenses 3:20) “Tudo” claramente não significa que os pais tenham a autoridade de exigir coisas fora da harmonia com a Palavra de Deus, mas, mostra que, enquanto ainda somos jovens, eles têm a responsabilidade de nos guiar em todos os aspectos da vida. — Provérbios 1:8
5. O que poderá uma pessoa perguntar a si mesma sobre o que esperaria de seus próprios filhos?
5 É você, agora, jovem? Algum dia pode ser pai, ou mãe. Gostaria de ter filhos que o tratassem com respeito, ou filhos que o desafiassem, talvez até mesmo fingindo escutar, mas que lhe desobedecessem quando estivessem fora da sua vista? Em vez de darem alegria, Provérbios 17:25 diz: “O filho insensato é tristeza para o pai, e amargura para quem o deu à luz.” (Almeida, atualizada) Assim como você tem capacidade especial de tornar seus pais felizes, também, mais do que qualquer outra pessoa, pode causar-lhes profunda tristeza e desapontamento. Sua conduta é que determinará o que lhes causará.
ADQUIRIR SABEDORIA REQUER TEMPO
6. Que ilustração mostra que a sabedoria usualmente vem com a idade?
6 Convém que os jovens reconheçam que a idade é um fator importante na aquisição de sabedoria. Tem você agora 10 anos de idade? Então compreende que sabe mais agora do que quando tinha cinco anos, não é? Tem 15 anos? Você sabe mais do que quando tinha 10, não sabe? Já está chegando aos 20 anos? Deve reconhecer que sabe ainda mais do que quando tinha 15. É fácil olhar para trás e ver que a idade o tornou mais sábio, mas é difícil de olhar à frente e aceitar esta verdade. Não importa quão sábio o jovem ou a jovem se sinta, ele ou ela deve dar-se conta de que o futuro pode trazer e trará maior sabedoria.
7. Que lição sobre a sabedoria podemos aprender do conselho dado ao Rei Roboão?
7 Qual é o ponto em tudo isso? Que seus pais, por serem mais velhos do que você e terem mais experiência, razoavelmente também devem ser mais sábios do que você para lidar com os problemas da vida. Muitos jovens têm dificuldade em aceitar isso. Talvez se refiram aos mais idosos como sendo “velhos caducos”. Pode ser que alguns sejam assim, muitos, porém, não o são, assim como tampouco todos os jovens são irresponsáveis, só porque alguns o são. Não é incomum que os jovens se julguem mais sábios do que os idosos. Um rei de Israel cometeu este engano, com resultados desastrosos. Quando Roboão, de 41 anos de idade, sucedeu ao seu pai Salomão como rei, o povo pediu-lhe que lhe aliviasse os fardos. Roboão consultou os homens mais velhos, que lhe aconselharam brandura e bondade. Ele dirigiu-se então aos mais jovens e eles lhe aconselharam medidas duras. Aceitou o conselho destes. Com que resultado? Dez das 12 tribos rebelaram-se e Roboão ficou com apenas um sexto do seu reino. Os idosos, não os jovens, haviam dado o conselho sábio. “Não há sabedoria entre os idosos e entendimento na extensão dos dias?” — Jó 12:12; 1 Reis 12:1-16; 14:21.
8. Que atitude para com os mais velhos, inclusive os pais, incentiva a Bíblia?
8 Não considere o conselho de seus pais como antiquado, só porque eles não são mais jovens. Antes, como diz a Palavra de Deus: “Escuta teu pai que causou o teu nascimento e não desprezes a tua mãe só porque ela envelheceu.” A idade merece respeito. “Deves levantar-te diante do cabelo grisalho e tens de mostrar consideração para com a pessoa dum homem idoso, e tens de ter temor de teu Deus. Eu sou Jeová.” Deveras, muitos jovens não fazem caso destas ordens. Mas, procederem assim não traz felicidade — nem para eles, e certamente não para seus pais. — Provérbios 23:22; Levítico 19:32.
FAÇA A SUA PARTE
9. Como fica a família afetada quando um de seus membros se queixa desnecessariamente ou é rebelde?
9 Não é possível negar — o que você faz afeta outras pessoas. Se um membro da família sofre, todos os outros ficam perturbados. Também, se um é queixoso ou rebelde, a paz da família inteira fica perturbada. Para haver uma vida feliz em família, cada um precisa fazer a sua parte. — Veja 1 Coríntios 12:26.
10. Por que é proveitoso que os filhos aprendam a fazer bom trabalho?
10 Você pode fazer coisas positivas e construtivas. Os pais trabalham arduamente para cuidar das necessidades da família. Se você é jovem e mora em casa, então pode ajudar. Grande parte da vida é gasta no trabalho. Alguns se queixam disso. Mas, se você aprender a fazer bom trabalho e o fizer com boa motivação, então lhe trará genuína satisfação. Por outro lado, quem não faz a sua parte, mas espera que os outros façam tudo para ele, nunca conhece essa satisfação, e causa irritação aos outros, como diz a Bíblia, por ser “como a fumaça para os olhos”. (Provérbios 10:26; Eclesiastes 3:12, 13) Assim, quando se lhe dão tarefas para fazer no lar, cumpra-as e faça isso bem. E se você realmente quiser dar prazer aos seus pais, faça algo extra, sem lhe ser pedido. Provavelmente vai descobrir que este trabalho é o mais prazeroso de todos — porque o faz simplesmente pelo desejo de coração, para fazê-los feliz.
11. Como podem as palavras e os atos do filho lançar reflexos favoráveis sobre os pais?
11 Quando as pessoas ficam impressionadas com alguém jovem, quase que invariavelmente querem saber de quem é filho ou filha. Quando o jovem Davi demonstrou notável coragem e fé, o Rei Saul logo perguntou: “Filho de quem é o rapaz?” (1 Samuel 17:55-58) Você leva o nome de sua família. O que você faz e a espécie de pessoa que é afeta o modo em que as pessoas encaram este nome e os pais que lho deram. Há muitas maneiras em que você pode honrar seus pais — na sua vizinhança e na escola — por ser bondoso, prestimoso, respeitoso e amigável com os outros. E ao mesmo tempo, desse modo, honra seu Criador. — Provérbios 20:11; Hebreus 13:16.
12. Por que é bom que os filhos cooperem com os pais nos seus esforços de educá-los?
12 A felicidade de seus pais está ligada à sua própria. Os esforços deles em educá-lo destinam-se a dar-lhe um bom começo no caminho da vida. Coopere com eles, e dar-lhes-á muito prazer, porque eles querem o melhor para você. Conforme o expressou o escritor inspirado: “Filho meu, se teu coração se tiver tornado sábio, alegrar-se-á meu coração.” (Provérbios 23:15) Se os seus pais reconhecerem sua responsabilidade perante Deus, de orientá-lo no caminho da verdadeira sabedoria, ajude-os a se desincumbirem fielmente desta responsabilidade. “Escuta o conselho e aceita a disciplina, para que te tornes sábio no teu futuro.” — Provérbios 19:20.
13. O que poderá ajudar ao filho a ter o conceito correto sobre as restrições que os pais lhe impõem?
13 Pode haver ocasiões em que acha que seus pais exigem demais de você, ou que há demasiadas restrições. Não é fácil encontrar o equilíbrio certo em matéria de disciplina. Algum dia, quando tiver a sua própria família, ver-se-á confrontado com o mesmo problema. Se os seus pais restringirem sua associação com certos jovens, ou protegerem você contra o uso de drogas, ou limitarem sua associação, até certo ponto, com os do sexo oposto, pare e pense quanto melhor é ter pais que podem disciplinar, do que ter pais que nem se importam! (Provérbios 13:20; 3:31) Acate sua disciplina. Tirará proveito disso e alegrará o coração deles. — Provérbios 6:23; 13:1; 15:5; Hebreus 12:7-11.
14, 15. Ao surgirem problemas entre membros da família, a aplicação de que princípios bíblicos poderá ajudar ao filho a preservar a paz?
14 Naturalmente, muitas situações que surgem no lar não foram criadas por você. Mas, a sua reação influencia o ambiente na família. A Bíblia aconselha: “Se possível, no que depender de vós, sede pacíficos para com todos os homens.” (Romanos 12:18) Nem sempre é fácil fazer isso. Todos nós somos diferentes; encaramos as coisas de modo diferente e reagimos de maneira diversa. Haverá conflito de opiniões e desejos. Suponhamos que o conflito seja com seu irmão ou sua irmã. Talvez ache que ele ou ela é egoísta. O que deve fazer?
15 Alguns filhos prontamente bradariam acusações e exigiriam que um dos pais interviesse. Ou talvez passassem a agir por conta própria, empurrando e batendo, para conseguir o que querem. Mas, o provérbio inspirado diz: “A perspicácia do homem certamente torna mais vagarosa a sua ira.” (Provérbios 19:11) De que modo? Por fazê-lo considerar as circunstâncias atenuantes. (Talvez não tenha sido deliberado.) Faz com que se lembre das muitas vezes em que ele mesmo esteve errado. (E como ficou grato pelo perdão de Deus!) Pode também fazê-lo reconhecer que, mesmo que seu irmão ou sua irmã esteja errado, ainda seria errado da sua parte deixar sua ira perturbar a paz da família inteira. O provérbio prossegue, dizendo sobre tal pessoa perspicaz: “É beleza da sua parte passar por alto a transgressão.” — Veja também Colossenses 3:13, 14.
16. Que proceder por parte dos filhos faz com que os pais tementes a Deus se alegrem?
16 Basicamente, o que faz com que os pais tementes a Deus se alegrem é o mesmo que alegra o coração de Jeová. O que os magoa é o mesmo que magoa a ele. (Salmo 78:36-41) Os pais que não conhecem o modo de pensar de Jeová Deus talvez se alegrem de que seus filhos fiquem populares no mundo, obtendo fama, ganhando muito dinheiro, e assim por diante. Todavia, os pais que têm a Jeová por seu Deus sabem que este mundo e seus desejos estão passando, mas que “aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. (1 João 2:15-17) Assim, o que realmente lhes dá felicidade é ver que seus filhos obedecem ao seu Criador, que fazem a Sua vontade e refletem as Suas qualidades. É verdade que os pais piedosos se alegram quando seus filhos se saem bem nos estudos, na escola. Mas, sentem-se ainda mais felizes quando a conduta deles na escola e em outra parte reflete lealdade às normas de Deus e o desejo de agradar a ele. E deleitam-se especialmente quando esses filhos continuam a ter prazer nos caminhos de Jeová durante a sua vida adulta.
A RESPONSABILIDADE DE CUIDAR DOS PAIS
17-19. Como podem filhos e filhas adultos mostrar que apreciam seus pais?
17 Nossa preocupação com os nossos pais não deve esfriar ao sairmos de casa quando já ficamos adultos. Queremos que sejam felizes durante toda a sua vida. Durante muitos anos, eles cuidaram de nossas necessidades, amiúde com bastante sacrifício para si mesmos. O que podemos agora fazer para mostrar nosso apreço?
18 Podemos lembrar-nos do requisito divino: “Honra teu pai e tua mãe.” (Mateus 19:19) Talvez estejamos atarefados. Mas precisamos dar-nos conta de que significa muito para os nossos pais ter notícias nossas e que os visitemos.
19 Com o passar dos anos, a “honra” pode ser demonstrada de outras maneiras. Se houver necessidade de ajuda material, mostre apreço por tudo o que fizeram por você, e também pelos requisitos justos de Jeová. O apóstolo Paulo escreveu sobre os idosos: “Se alguma viúva tiver filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a praticar a devoção piedosa na sua própria família e a estar pagando a devida compensação aos seus pais e avós, pois isto é aceitável à vista de Deus.” — 1 Timóteo 5:3, 4.
20, 21. (a) Segundo Mateus 15:1-6, o que está incluído na honra dada aos pais? (b) Existe alguma escusa para alguém não honrar os pais assim?
20 O fato de que a “honra” aos pais pode incluir sustento material é claramente indicado nas Escrituras. Em certa ocasião, os fariseus haviam chegado a Jesus e acusado os discípulos dele de violarem as tradições. Jesus replicou: “Por que é que vós infringis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Por exemplo, Deus disse: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’; e: ‘Quem injuriar pai ou mãe, acabe na morte.’ Mas vós dizeis: ‘Quem disser ao seu pai ou à sua mãe: “Tudo o que eu tenho, que da minha parte te poderia ser de proveito, é uma dádiva dedicada a Deus”, este absolutamente não deve mais honrar a seu pai.’ E assim invalidastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição.” — Mateus 15:1-6.
21 Por declararem que seu dinheiro ou sua propriedade era “uma dádiva dedicada a Deus”, eles, segundo a tradição, estavam livres da responsabilidade de cuidar de seus pais. Mas, Jesus não concordou com isso. E nós, hoje, temos de tomar isso a peito. É verdade que, em resultado da “assistência social”, em muitos países, algumas das necessidades dos pais idosos estão sendo cuidadas. Mas, será que tal provisão é realmente suficiente? Se não for, ou se não houver nenhuma provisão assim, os filhos que honram seus pais farão o que puderem para suprir qualquer falta real. De fato, cuidar dos pais idosos em necessidade é, como disse o apóstolo Paulo, uma evidência de “devoção piedosa”, da devoção que se tem ao próprio Jeová Deus, o Originador do arranjo da família.
22. Além de coisas materiais, que mais devemos dar aos nossos pais?
22 Nunca devemos pensar, porém, que, se os pais, nos seus anos avançados, tiverem o necessário alimento, roupa e abrigo, que não precisam de mais nada. Eles têm também necessidades emocionais e espirituais. Precisam de amor e de atenção reconfortante, muitas vezes de maneira desesperada. Em toda a nossa vida, precisamos saber que alguém nos ama, que pertencemos a alguém, que não estamos sozinhos. Os filhos não se devem afastar de seus pais idosos, quer quanto às necessidades físicas, quer quanto às emocionais deles. “Aquele que maltrata o pai e que põe em fuga a mãe é filho que age de modo vergonhoso e ignominioso.” — Provérbios 19:26.
23. Como pode o filho ser motivo de alegria para seus pais?
23 Desde a infância e até a vida adulta, os filhos ocupam um lugar importante na vida de seus pais. Muitos filhos são motivo de amargura e desapontamento. Mas, se você respeitar a posição de seus pais e escutar seu conselho, se você expressar genuíno amor e afeição por eles, poderá alegrar-lhes diariamente o coração. Sim, “dê a teu pai e à tua mãe motivo de deleite, faça com que aquela que te deu à luz se alegre”. — Provérbios 23:25, Nova Bíblia Inglesa.
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Os anos posterioresTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 13
Os anos posteriores
1, 2. (a) Que problemas podem surgir depois de os filhos terem saído de casa? (b) Como procuram alguns lidar com o problema do envelhecimento?
SE NOSSA vida não estiver cheia de alguma atividade, física ou mental, ficaremos entediados. A vida parece vazia e ficamos desassossegados. Este problema surge às vezes entre os casais, quando seus filhos já cresceram e saíram do lar. Durante os muitos anos passados, a vida estava cheia das responsabilidades da paternidade e maternidade. Agora, de repente, acaba toda esta atividade e responsabilidade de constituir família.
2 Além disso, com o passar dos anos, começam a ocorrer mudanças físicas. Aparecem rugas, o cabelo fica grisalho, pode aparecer a calvície, e passam a manifestar-se dores que nunca antes se notaram. O fato é que estamos ficando mais velhos. Alguns, recusando encarar este fato, fazem esforços frenéticos para provar que são tão jovens como antes. De repente, tornam-se muito ativos em sentido social — correndo para festas e entregando-se vigorosamente a esportes. Esta atividade febril lhes dá algo para fazer, mas, será que dá satisfação duradoura? Fará com que a pessoa se sinta genuinamente necessária, para que sua vida tenha verdadeiro sentido?
3. Embora a recreação possa ser agradável, o que deve ser evitado?
3 Naturalmente, a recreação pode ser agradável. E, nos seus anos posteriores na vida, talvez ache que tem tempo para fazer algumas das coisas que não podia fazer antes, quando seus filhos eram mais novos. Mas, deixar-se dominar pela busca de prazeres pode causar sérios problemas. — 2 Timóteo 3:4, 5; Lucas 8:4-8, 14.
A BELEZA DE SE MOSTRAR LEAL
4, 5. O que pode resultar quando alguém mais idoso acha que tem de provar que ainda é atraente para o sexo oposto?
4 Neste tempo da vida, não são poucos os que parecem achar que têm de provar que ainda são atraentes para o sexo oposto. Talvez comecem a namoricar alguém numa reunião social, ou em outra parte. Os homens, em especial, têm “casos” com mulheres mais jovens, e, nesta época da “nova moralidade”, há também muitas mulheres que procuram renovar a confiança própria por terem “casos” extramaritais. Embora talvez já estejam casados por muitos anos, alguns começam a nutrir a idéia de começar uma “vida nova” com um cônjuge novo. Talvez tentem justificar isso por salientarem as falhas de seu cônjuge — ao mesmo tempo, em geral, minimizando os seus próprios defeitos, inclusive a falta de lealdade, tanto ao seu cônjuge como a princípios justos.
5 Talvez saibam que Jesus disse: “Todo aquele que se divorciar de sua esposa, exceto em razão de fornicação [porneia: grave imoralidade sexual], e se casar com outra, comete adultério.” Embora Jesus estivesse ali mostrando que não é direito divorciar-se do cônjuge “por qualquer motivo”, estão dispostos a usar qualquer motivo para o divórcio, que a lei secular permita. (Mateus 19:3-9) Daí, passam a arranjar um novo cônjuge, muitas vezes alguém com quem estiveram envolvidos antes de iniciar o processo do divórcio. Embora soubessem o que a Palavra de Deus diz sobre tal conduta, talvez raciocinem que Deus, em sua grande misericórdia, “entenderá”.
6. Como encara Jeová Deus o desrespeito pelo pacto matrimonial?
6 Para evitarmos ser levados a tal pensamento imoral, faremos bem em considerar o que Jeová disse ao povo de Israel, por meio de seu profeta Malaquias: “‘Esta é a . . . coisa que fazeis, resultando em que o altar de Jeová esteja coberto de lágrimas, de choro e de suspiros, de modo que não mais se olha [com aprovação] para a oferenda, nem se tem prazer em qualquer coisa procedente da vossa mão. E dissestes: “Por que razão?” Por esta razão: que o próprio Jeová deu testemunho entre ti e a esposa de tua mocidade, para com a qual tu mesmo agiste traiçoeiramente . . . E vós tereis de guardar-vos quanto ao vosso espírito, e que nenhum de vós aja traiçoeiramente com a esposa da sua mocidade. Pois ele tem odiado o divórcio’, disse Jeová, o Deus de Israel.” (Malaquias 2:13-16) Sim, a traição nos tratos com o cônjuge, o desrespeito pelo pacto matrimonial — estas coisas são condenadas por Deus; prejudicam a relação da pessoa com o Dador da vida.
7. Por que o desrespeito pelo pacto matrimonial não traz felicidade?
7 É este o caminho para uma vida melhor? Dificilmente. Qualquer novo casamento de tais pessoas basear-se-á num alicerce instável. Em primeiro lugar, elas mostram que, mesmo nesta relação tão preciosa, não se pode confiar nelas. É verdade que talvez vejam algo atraente na personalidade do novo cônjuge, que o anterior não tinha. Mas, para conseguir isso, procuram seu próprio prazer, sem tomar em conta o dano e a mágoa que causam. Esta, por certo, não é uma qualidade que produz felicidade conjugal.
8. No casamento, o que tem mais valor do que a beleza física?
8 A beleza de permanecer fiel ao cônjuge ultrapassa em muito a beleza física. Esta inevitavelmente se desvanece com o passar dos anos, mas a beleza da devoção leal aumenta a cada ano que passa. Procurar a felicidade da outra pessoa, e estar disposto a colocar os interesses dele ou dela à frente dos próprios, pode dar satisfação duradoura, porque há realmente “mais felicidade em dar do que há em receber”. (Atos 20:35) Se duas pessoas já estão casadas por muitos anos, e se se têm comunicado entre si e confiado um no outro, se têm compartilhado obras, objetivos e esperanças, tanto em tempos ruins como em bons — e se têm feito isso por amor — suas vidas estarão genuinamente unidas, entrelaçadas. Eles terão muita coisa em comum — em sentido mental, emocional e espiritual. O amor romântico, que talvez tenha cegado alguns para com as faltas do outro, antes do casamento, cederá lugar a uma devoção de coração, que fará cada um encarar as falhas do outro como oportunidade de ajudar, de preencher uma necessidade. Haverá entre eles um sentimento de genuína confiança, uma sensação de segurança, sabendo que se apegarão um ao outro não importa que problemas possam surgir. Conforme diz Miquéias 6:8: “Ele te informou, ó homem terreno, sobre o que é bom. E o que é que Jeová pede de volta de ti senão que exerças a justiça, e ames a benignidade [o amor leal], e andes modestamente com o teu Deus?” — Variante marginal da Tradução do Novo Mundo em inglês.
FILHOS CRESCIDOS — UMA NOVA RELAÇÃO
9-11. (a) É do propósito de Deus que a relação entre pais e filhos permaneça inalterada durante toda a vida? (b) Que relação tem isso com o conselho que os pais possam dar aos seus filhos crescidos? (c) Quando os filhos já estão casados, a chefia de quem devem os pais respeitar?
9 Embora marido e mulher devam permanecer juntos durante toda a vida, este não é o arranjo para pais e filhos. É verdade que, quando seus filhos estavam crescendo, precisavam de você todos os dias. Não só precisavam de que se cuidasse de suas necessidades físicas, mas também tinham de receber orientação. Quando não correspondiam prontamente, é possível que você tenha insistido em certas coisas para o próprio bem deles. Mas, quando constituem sua própria família, a relação entre você e eles muda em certo sentido. (Gênesis 2:24) Isto não significa que seus sentimentos para com eles mudem, mas há uma alteração na responsabilidade. Por isso, precisa mudar a maneira em que faz alguma coisa para eles.
10 Ocasionalmente, talvez ainda precisem de conselho. E é evidência de sabedoria se eles aceitarem o conselho sadio dos que têm mais experiência na vida. (Provérbios 12:15; 23:22) Mas, ao dar conselho a filhos ou filhas, que já estão por sua própria conta, é sábio fazê-lo de maneira a mostrar que você reconhece o fato que as decisões cabem agora a eles.
11 Isto é muito importante, se forem casados. Há alguns países, em que um costume de longa data coloca a noiva sob a supervisão de sua sogra. Em outras partes, os sogros e cunhados exercem forte influência nos assuntos familiares. Mas, será que isso traz verdadeira felicidade? O Criador da família sabe o que é melhor, e diz: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa.” (Gênesis 2:24) A responsabilidade pelas decisões recai então, não sobre os pais do marido, nem sobre os pais da esposa, mas sobre o marido. “O marido é cabeça de sua esposa, assim como também o Cristo é cabeça da congregação”, diz a Palavra de Deus. (Efésios 5:23) O prazer de fazer algo para seus filhos crescidos, e, depois, para seus netos, pode ser aumentado grandemente quando há respeito a este arranjo.
TENHA PRAZER EM FAZER ALGO PELOS OUTROS
12. (a) Depois de os filhos terem constituído um lar próprio, como podem os pais aprofundar seu amor mútuo? (b) O que mais podem fazer para tornar a vida mais significativa?
12 Todos nós temos a necessidade de sentir que nossa vida é útil, que tem significado. É importante satisfazer esta necessidade para seu próprio bem-estar. Além de seus filhos, há muitos outros em cuja vida você pode ajudar a satisfazer uma necessidade. Que dizer de seu próprio cônjuge? Enquanto seus filhos cresciam, grande parte de sua atenção se fixava neles. Agora, vocês têm a oportunidade de fazerem mais, em sentido pessoal, um pelo outro. Isto pode ajudar a aprofundar a relação que têm entre si. Mas, por que deve você limitar seus atos de bondade à sua própria família? Pode ‘alargar-se’ por dar ajuda a vizinhos que adoeceram ou por passar tempo com pessoas idosas, que se sentem solitárias, ou por prover ajuda material, dentro de suas possibilidades, àqueles que, sem terem culpa, passam a sofrer necessidade material. (2 Coríntios 6:11, 12) A Bíblia fala-nos sobre Dorcas, mulher que granjeara muito amor, porque “abundava em boas ações e nas dádivas de misericórdia que fazia” a favor de viúvas. (Atos 9:36, 39) Elogia os que são bondosos para com os atribulados. (Provérbios 14:21) As Escrituras incluem “cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação” como parte vital da adoração que agrada a Deus. (Tiago 1:27) E a Bíblia exorta a todos nós: “Não vos esqueçais de fazer o bem e de partilhar as coisas com outros, porque Deus se agrada bem de tais sacrifícios.” — Hebreus 13:16.
13. Que motivação dá valor a se ajudar a outros?
13 Significa isso que a chave para a felicidade está em se enfronhar em atividades puramente humanitárias? Na realidade, a menos que a motivação seja espiritual, o desejo de imitar a Deus em mostrar amor pode levar a frustrações. (1 Coríntios 13:3; Efésios 5:1, 2) Por quê? Porque pode haver desapontamentos quando as pessoas não apreciam sua bondade ou quando procuram aproveitar-se injustamente de sua generosidade.
14, 15. O que dá à vida verdadeira felicidade e satisfação?
14 Por outro lado, quando alguém realmente usa sua vida no serviço de Deus, sua maior satisfação vem de saber que aquilo que faz agrada bem ao seu Criador. E sua capacidade de fazer algo para os outros não é limitada pelos recursos materiais. Possui “as gloriosas boas novas do Deus feliz”, Jeová, e o privilégio de compartilhá-las com outros. (1 Timóteo 1:11) À base da Bíblia, sabe como lidar agora com os problemas da vida, e conhece a grande esperança que Deus oferece para o futuro. E que prazer é transmitir tais boas novas a outros e depois trazer à atenção deles a Fonte delas, Jeová Deus! Conforme disse o escritor inspirado do Salmo 147:1: “Louvai a Já, pois é bom entoar melodias ao nosso Deus; porque é agradável — louvor é apropriado.”
15 Quando entendemos a vontade de Jeová em conexão com a vida e quando o honramos é que a nossa própria vida fica cheia de significado. (Revelação 4:11) Você pode ter genuína satisfação se, ao alcance de sua situação, participar plenamente em transmitir as verdades bíblicas a outros. Embora seus próprios filhos já tenham crescido, você poderá ajudar ‘filhos espirituais’ a se desenvolverem. E ao passo que vê seu desenvolvimento em cristãos maduros, sentir-se-á assim como o apóstolo Paulo, quando escreveu a alguns aos quais havia ajudado desse modo: “Qual é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa de exultação — ora, não sois de fato vós? . . . Vós, certamente, sois a nossa glória e alegria.” — 1 Tessalonicenses 2:19, 20,
SEJA FLEXÍVEL QUANDO A SITUAÇÃO MUDA
16, 17. (a) No que se refere a problemas, o que se deve evitar? (b) Mesmo que alguém perca seu cônjuge na morte, o que pode ajudá-lo a não enfrentar sozinho os novos desafios?
16 Naturalmente, com o tempo, a maioria das pessoas descobre que não pode mais fazer tanto quanto antes. Precisam ser flexíveis e estar dispostas a fazer ajustes. Quando há problemas de saúde, estes requerem atenção. Mas é sábio ser equilibrado, não ficar envolvido demais nestes assuntos, a ponto de deixar de ver as oportunidades que cada dia da vida oferece. Problemas surgirão, e caso se possa fazer alguma coisa construtiva sobre eles, é sábio fazer isso. Mas, a preocupação não consegue nada, e desejar que as coisas fossem diferentes não muda nada. Portanto, em vez de desejar que o passado volte, aproveite as oportunidades do presente.
17 O mesmo se aplica, anos depois na vida, quando você se encontra novamente sozinho, sem cônjuge. Se tiver tido um casamento feliz, sem dúvida prezará as lembranças dele. Mas, a vida prossegue, e este é então um tempo em que é preciso fazer ajustes. Há novos desafios a enfrentar, e se você viver dum modo que demonstre fé em Deus, não estará sozinho ao enfrentá-los. — Salmo 37:25; Provérbios 3:5, 6.
18-20. Que fatores podem dar à vida um sentido, mesmo em anos posteriores?
18 Apesar dos aspectos desagradáveis da vida, há muita coisa que nos pode dar prazer — bons amigos, oportunidades de fazer algo pelos outros, saborear uma boa refeição, deleitar-se com um esplêndido pôr-do-sol e com o canto dos pássaros. Além disso, embora nossa situação atual não seja ideal, temos a garantia de Deus de que ele acabará com a iniqüidade e tirará da humanidade toda a tristeza, angústia, doença e até a própria morte. — Revelação 21:4.
19 É verdade que aquele que adotou um conceito mormente materialista sobre a vida talvez a encontre muito vazia nos anos posteriores. O escritor de Eclesiastes descreve o resultado de tal vida ao dizer: “Tudo é vaidade.” (Eclesiastes 12:8) Mas, a respeito de homens de fé, tais como Abraão e Isaque, a Bíblia diz que atingiram o fim de sua vida ‘idosos e saciados’. (Gênesis 25:8; 35:29) Qual era a diferença? Esses homens tinham fé em Deus. Estavam convencidos de que, no tempo devido de Deus, os mortos viveriam novamente, e eles aguardavam a época em que o próprio Deus estabeleceria um governo justo para toda a humanidade. — Hebreus 11:10, 19.
20 Também na sua situação, se você não deixar que os problemas atuais o ceguem para com as muitas coisas boas que tem em volta de si e para com o maravilhoso futuro que Deus reserva para os seus servos, sua vida terá sentido, e cada dia lhe dará satisfação, mesmo durante os anos posteriores.
[Foto na página 176]
Quanto mais duas vidas se justapõem, tanto mais os dois se tornam como um.
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Edificação como família para um futuro eternoTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 14
Edificação como família para um futuro eterno
1. Na promoção da felicidade da família, por que convém pensar no futuro?
O TEMPO avança. O passado pode ter para nós muitas lembranças agradáveis, mas não podemos viver no passado. Podemos aprender do passado, inclusive dos erros cometidos, mas só podemos viver no presente. E, ainda assim, embora a família, atualmente, talvez se dê bem, é preciso encarar o fato de que o presente é apenas temporário, que o hoje logo se torna o ontem, e que o presente torna-se rapidamente o passado. Por isso, é vital para a felicidade da família que continuemos a olhar para o futuro, que nos preparemos para ele e planejemos para ele. Como será para nós, e para os achegados a nós, dependerá em grande parte das decisões que agora tomarmos.
2. (a) Por que é que muitos não querem pensar no futuro? (b) Se quisermos ter um futuro feliz, a quem devemos escutar?
2 Quais são as perspectivas? Para a maioria da humanidade, as idéias que se tem sobre o futuro amiúde abrangem apenas uns poucos anos. Muitos nem preferem olhar muito longe no futuro, porque tudo o que podem prever é um fim desagradável, com o rompimento do círculo familiar pela morte. Para muitos, seus momentos de felicidade são prontamente ofuscados pelas ansiedades da vida. Mas, quando se escuta Aquele “a quem toda família no céu e na terra deve o seu nome”, a vida pode ser muito, muito mais. — Efésios 3:14, 15.
3. (a) Que perspectivas apresentou Deus aos primeiros humanos? (b) Por que saíram as coisas de modo diferente?
3 Quando o primeiro casal humano foi criado, Deus não teve por objetivo que eles e seus futuros filhos vivessem apenas alguns poucos anos atribulados e depois morressem. Ele lhes deu um lar paradísico e lhes apresentou a perspectiva de vida infindável. (Gênesis 2:7-9, 15-17) Mas, eles perderam esta perspectiva para si mesmos e para seus descendentes, por violarem deliberadamente a lei de Deus, Daquele de quem depende a vida. A Bíblia explica isso assim: “Por intermédio de um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Romanos 5:12.
4. Que arranjos fez Jeová Deus para que se cumpra o propósito original para com a humanidade?
4 Entretanto, Deus fez a provisão amorosa de remir a família humana. Seu próprio Filho, Jesus Cristo, depôs a sua vida humana perfeita a favor de todos os descendentes de Adão. (1 Timóteo 2:5, 6) Jesus comprou assim de volta ou resgatou o que Adão perdeu para nós, e abriu-se o caminho, para os que queriam exercer fé nesta provisão, para terem a mesma oportunidade de vida que Deus apresentara ao primeiro casal humano. Hoje, quando não sobrevém uma séria doença ou um acidente mais cedo na vida, pode-se viver uns 70 ou 80 anos, e alguns um pouco mais. “Mas o dom dado por Deus é a vida eterna por Cristo Jesus, nosso Senhor.” — Romanos 6:23.
5-7. (a) Se fizermos agora a vontade de Deus, o que poderemos aguardar no futuro? (b) Que pergunta você talvez faça sobre ajudar sua família?
5 O que pode significar isso para a sua família? Para os que escutam os mandamentos de Deus e obedecem a eles pode significar um futuro eterno. (João 3:36) Deus, na sua Palavra infalível, promete que removerá o atual sistema opressivo de coisas e fará com que todos os assuntos da humanidade sejam administrados por um governo perfeito e justo, que ele mesmo provê. (Daniel 2:44) Indicando isso, sua Palavra nos diz que ele intenciona “ajuntar novamente todas as coisas no Cristo, as coisas nos céus e as coisas na terra”. (Efésios 1:10) Sim, então haverá harmonia universal, e a família humana estará unida em toda a terra, livre de lutas raciais, divisões políticas, crimes impiedosos e da violência da guerra. As famílias morarão em segurança, “e não haverá quem os faça tremer”. (Salmo 37:29, 34; Miquéias 4:3, 4) Será assim porque todos os que então viverem serão os que se tornarem “imitadores de Deus, como filhos amados”, e prosseguirão “andando em amor”. — Efésios 5:1, 2
6 Sob a direção do Reinado de Deus, a família humana trabalhará unida no projeto agradável de levar a terra ao estado paradísico que o Criador intencionou, um lar ajardinado, provendo abundância de alimentos para toda a humanidade. A imensa variedade de aves, peixes e animais, em toda a terra, passará a estar sob o domínio bondoso dos homens e servirá para seu prazer, porque este é o propósito declarado de Deus. (Gênesis 2:9; 1:26-28) O usufruto da vida pela família humana não será mais estragado pela doença, pela dor, pelos efeitos debilitantes da velhice ou pelo medo da morte. Mesmo os que estão “nos túmulos memoriais” retornarão para participar nas grandiosas oportunidades que a vida então oferecerá. — João 5:28, 29; Revelação 21:1-5
7 O que poderá você fazer para ajudar sua família a alcançar o cumprimento destas perspectivas?
O QUE PRECISAMOS FAZER?
8. Para obtermos a aprovação de Deus, o que se requer de nós?
8 Nenhum de nós deve concluir erroneamente que estará entre os que obterão a vida no novo sistema de coisas de Deus só por levarmos o que consideramos ser uma “vida correta”. Não cabe a nós decidir quais os requisitos; Deus é quem faz isso corretamente. Certo dia, quando Jesus estava ensinando na Judéia, um homem lhe perguntou: “Por fazer o que hei de herdar a vida eterna?” A resposta foi: “‘Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força, e de toda a tua mente’, e, ‘o teu próximo como a ti mesmo’.” (Lucas 10:25-28) É evidente que há muito mais envolvido do que apenas dizermos que cremos em Deus, ou de irmos periodicamente às reuniões em que se considera a Bíblia, ou de ocasionalmente fazermos algo para certas pessoas. Antes, a fé que professamos deve influenciar profundamente nossos pensamentos, desejos e ações, cada dia, o dia inteiro.
9. Que princípios bíblicos nos podem ajudar a sermos equilibrados no nosso conceito sobre os assuntos comuns da vida?
9 Termos em mente e prezarmos nossa relação com Deus nos ajudará a agir com sabedoria e nos garantirá sua aprovação e ajuda. (Provérbios 4:10) Encarando todos os assuntos da vida conforme se relacionam com ele e seus propósitos, poderemos manter bom equilíbrio no modo em que usamos a nossa vida. Temos de trabalhar para cuidar de nossas necessidades físicas. Mas, o Filho de Deus nos lembra que a ansiedade e o ávido empenho pelas coisas materiais não prolongará nossa vida nem um pouco; buscarmos primeiro o reino de Deus e a Sua justiça a prolongará infindavelmente. (Mateus 6:25-33; 1 Timóteo 6:7-12; Hebreus 13:5) O propósito de Deus é que usufruamos cabalmente a vida familiar. Todavia, ficarmos tão enfronhados nos assuntos familiares, que deixemos de mostrar genuíno amor aos de fora do círculo familiar, seria contraproducente, daria à nossa família um conceito estreito sobre a vida e nos privaria da bênção de Deus. A diversão e recreação familiar trazem grande alegria quando mantidas no seu devido lugar, não se permitindo que releguem o amor a Deus a segundo plano. (1 Coríntios 7:29-31; 2 Timóteo 3:4, 5) Por fazermos tudo isso, como família ou individualmente, em harmonia com os princípios sadios da Palavra de Deus, nossa vida será profundamente satisfatória, dando um senso de realização, e lançaremos um sólido alicerce para o futuro eterno. Portanto, ‘o que for que fizer, trabalhe nisso de toda a alma como para Jeová . . . pois sabe que é de Jeová que receberá a devida recompensa da herança’. — Colossenses 3:18-24.
EDIFICAÇÃO COMO FAMÍLIA
10. Quão importante é a consideração regular da Bíblia no lar?
10 Se os membros duma família hão de continuar a se empenhar em prol dos mesmos objetivos, a consideração da Palavra de Deus no lar é muito valiosa e realmente essencial. Cada dia oferece muitas oportunidades para se relacionarem com os propósitos do Criador as coisas que se vêem e fazem. (Deuteronômio 6:4-9) Convém reservar tempo regular para todos participarem na leitura e na consideração da Bíblia em conjunto, talvez com a ajuda de publicações que explicam a Bíblia. Isto tem um efeito unificador sobre a família. Os membros da família podem então usar a Palavra de Deus para ajudar-se mutuamente a lidar com os problemas que possam surgir. Quando os pais dão bom exemplo, não deixando que outros interesses se interponham neste período de palestras bíblicas em família, isto incute nos filhos a importância vital do profundo respeito e do apreço pela Palavra de Deus. Seu Filho disse: “O homem tem que viver, não somente de pão, mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová.” — Mateus 4:4.
11. No que se refere ao progresso espiritual, que tendência se deve evitar na família?
11 Num corpo, ‘não deve haver divisões’, mas ‘os seus membros devem ter o mesmo cuidado uns para com os outros’. (1 Coríntios 12:25) O mesmo se deve dar com o corpo da família. Um cônjuge não deve estar tão preocupado com o seu próprio progresso espiritual em conhecimento e entendimento que deixe de mostrar sincero interesse no do outro cônjuge. Por exemplo, se o marido não der suficiente atenção às necessidades espirituais de sua esposa, ela, com o tempo, talvez não preze mais os mesmos objetivos que ele. Se os pais não tomarem suficiente interesse no desenvolvimento espiritual de seus filhos, ajudando-os a compreender como os princípios da Palavra de Deus se aplicam e podem trazer a maior felicidade na vida, talvez verifiquem que o coração e a mente de seus filhos podem ser desviados pelo espírito materialista do mundo em sua volta. Para o bem eterno de toda a sua família, faça com que a assimilação do conhecimento da Palavra de Deus seja uma parte regular e vital de sua vida familiar.
12. Com quem não devemos deixar de nos associar?
12 Se, de fato, ‘o amor começa em casa’, não deve terminar ali. A Palavra de Deus predisse que seus verdadeiros servos se tornariam, até mesmo neste atual sistema de coisas, uma família global de irmãos e irmãs. Ele nos diz que, “enquanto tivermos tempo favorável para isso”, devemos fazer “o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé”, os que são ‘da associação inteira de nossos irmãos no mundo’. (Gálatas 6:10; 1 Pedro 5:9) Reunir-se regularmente como família, com os que são desta “família” maior, deve ser uma alegria, que não se perde facilmente a favor de outros interesses. — Hebreus 10:23-25; Lucas 21:34-36.
13. Que responsabilidade temos para com os de fora da congregação cristã?
13 Mas, o nosso amor não deve ficar limitado apenas aos que já são da “família de Deus”, sua congregação. (1 Timóteo 3:15) Conforme disse o Filho de Deus, se amarmos apenas os que nos amam, só os nossos irmãos, ‘que fazemos de extraordinário’? Para sermos iguais ao nosso Pai celestial, temos de empenhar-nos de todo o coração a favor de todos, e mostrar bondade e prestimosidade a qualquer um e a todos, sempre procurando transmitir-lhes as boas novas do reino de Deus, tomando a iniciativa. Quando assim expressamos amor piedoso como família, nossa vida assume verdadeiro sentido e objetivo. Todos nós, pais e filhos, sentimos o que significa mostrar amor no seu alcance mais pleno, da maneira como Deus o mostrou (Mateus 5:43-48; 24:14) Compartilhamos também da plena felicidade que só o dar de todo o coração pode trazer. — Atos 20:35.
14. A aplicação de que conselho promove uma vida familiar feliz?
14 Quão grandiosas são as perspectivas diante das famílias que manifestam tal amor! Aprenderam que a maneira de tornarem feliz a sua vida familiar é aplicar o conselho da Palavra de Deus. Apesar dos problemas e das pressões da vida, que afetam a todos, tais famílias sentem agora mesmo quantos bons resultados advêm disso. Mas, eles olham para mais além do presente, e não pensam em termos de apenas uns poucos anos de vida, antes de a morte acabar com tudo. Com confiança na fidedignidade das promessas de Deus, cada membro da família edificará alegremente para um futuro eterno.
15. Que perguntas poderá fazer a si mesmo sobre os benefícios das orientações bíblicas apresentadas neste livro?
15 Este livro tem mostrado à base da Bíblia que o propósito de Deus em criar a terra era que fosse habitada. Ele estabeleceu a família para realizar isso. Jeová Deus deu também orientações aos pais, às mães e aos filhos, e estas foram consideradas. Já conseguiu aplicar alguns destes princípios na sua família? Ajudaram-no a tornar sua vida familiar mais feliz? Esperamos que sim. Mas o que reserva o futuro para você e sua família?
16-18. Que grandiosas condições são do propósito de Jeová Deus para com esta terra?
16 Gostaria de ajudar em cuidar da terra, em tornar seus campos produtivos com safras abundantes e fazer seus desertos florescerem? Gostaria de ver os espinhos e os abrolhos darem lugar a pomares e a majestosas florestas? Teriam você e sua família prazer em exercer domínio sobre os animais, não com armas, chicotes e grades de ferro, mas por meio do amor e da confiança mútua?
17 Se o seu coração almejar o tempo em que das espadas se forjarão relhas de arados e das lanças, podadeiras, quando não houver mais fabricantes de bombas, nem fomentadores de guerras, então se alegrará com o novo sistema de coisas de Jeová. Domínios políticos opressivos, ganância comercial e hipocrisia religiosa serão coisas do passado. Cada família habitará em paz debaixo de sua própria videira e figueira. A terra estará cheia dos brados felizes das crianças ressuscitadas e do canto emocionante dos pássaros. E o ar será estimulantemente fragrante com o perfume das flores, em vez de ser sufocante por causa de poluição industrial. — Miquéias 4:1-4.
18 Se você tiver, de coração, a esperança de ver o coxo pular assim como o veado, de ouvir o mudo cantar, de ver os olhos do cego se abrirem, de saber que os ouvidos do surdo ficaram desimpedidos, de presenciar como suspiros e lamentos dão lugar a sorrisos, e como as lágrimas e o pranto dão lugar ao riso, a dor e a morte cederem diante da saúde e da vida eterna, então faça o máximo para ajudar a si mesmo e à sua família a tomar a ação necessária para viver para sempre no novo sistema de Jeová, onde tais condições existirão para sempre. — Revelação 21:1-4.
19. Como poderão você e sua família estar entre os que usufruirão as bênçãos do novo sistema de Deus?
19 Estará a sua família no meio da multidão feliz que encherá a terra naquele tempo? Isso depende de você. Siga agora as instruções de Jeová para a vida familiar. Como família, façam empenho para provar agora que se enquadrariam no estilo de vida daquele novo sistema. Estude a Palavra de Deus, aplique-a na sua vida, e fale aos outros sobre a esperança à frente. Fazendo assim, sua família terá um “bom nome” diante de Deus. “Deve-se escolher antes um [bom] nome do que riquezas abundantes; o favor é melhor do que mesmo a prata e o ouro.” Jeová não se esquecerá de tal nome: “A recordação do justo está para ser abençoada.” (Provérbios 22:1, margem em inglês; 10:7) Pela benignidade imerecida de Jeová, você e sua família poderão ser abençoados com um futuro eterno de suprema felicidade.
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