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O dilema que confronta os solteirosDespertai! — 1977 | 8 de julho
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O dilema que confronta os solteiros
PRECISA-SE DUM MARIDO — Procura-se um homem amoroso, voltado para o casamento, de temperamento brando, que seja bom provisor, entre 27 e 40 anos, queira mandar foto. Sincera e solitária. N.º 312.456.
AO PASSO que poucos mandaram publicar um anúncio de “precisa-se” como o acima, muitos podem compreender o doloroso dilema aqui descrito. De modos mais sutis, também “anunciaram” e verificaram que encontrar um cônjuge no mundo atual é com freqüência um processo frustrador e complexo.
Elaine, mulher solitária de seus trinta e poucos anos, fala do ponto de desespero a que chegou: “Não havia ninguém com quem eu realmente pudesse conversar. Parei de comer e começava a chorar sem nenhum motivo. E não podia fazer confidências a ninguém, porque meus sentimentos eram tão intensos que eu ficava envergonhada. . . . Acho que as pessoas já desistiram de mim quanto ao casamento.” — Post de Nova Iorque.
Embora preocupados, os milhares de homens e mulheres iguais a Elaine usualmente não estudaram o porquê de suas circunstâncias. Com freqüência, não estão a par dos estudos de sociólogos que indicam a crescente dificuldade de se encontrar um bom cônjuge. Não sabem que tal pesquisa põe a culpa em fatores tais como a maciça mudança da vida rural para a citadina, e a acompanhante “revolução moral” que questiona quase todo aspecto do relacionamento entre o homem e a mulher.
Entretanto, a maioria está a par do rápido aumento do fracasso matrimonial completo, polidamente chamado “divórcio”. Sabem que muitos, hoje, largam cruel e abruptamente um amante em troca de outro. Estão cônscios do dilúvio de conselhos conflitantes que recebem e dos meios drasticamente diferentes adotados por seus amigos solteiros para obter uma companhia. Sentem a confusão reinante.
Há um meio de se sair de tudo isso? A escolha dum cônjuge é de natureza intensamente pessoal, mas, será que há orientações ou princípios que tanto os jovens como os mais velhos podem seguir? Há armadilhas definidas que devem ser evitadas?
Confronte os ‘Mitos Matrimoniais’
Naturalmente as circunstâncias e as necessidades duma viúva com filhos pequenos, de um homem mais velho e divorciado e dum jovem adulto diferem grandemente. Todavia, os solteiros de todas as idades confrontam certos “mitos” populares sobre o matrimônio que aprofundam grandemente seu dilema. Investigar o valor de alguns deles poderia ajudar a acabar com parte da confusão.
Um mito comum é que, visto que os ‘pólos se atraem’, alguém muito diferente de você dará graça a um casamento. Há, por certo, muita curiosidade sobre alguém que venha dum ambiente, duma religião ou nacionalidade contrastantes. Todavia, os estudos científicos até à data indicam sobrepujantemente que tais uniões apresentam maior incidência de divórcio. Exemplificando: O Dr. Dominion, em seu livro Marriage Breakdown (Dissolução do Casamento), comenta: “A conclusão de todos os principais estudos parece indicar que casamentos [religiosamente] mistos . . . correm deveras maior risco de dissolução matrimonial.”
É difícil crer nisso? Realmente, não lhe indica o bom senso que seus amigos são aqueles com quem partilha interesses similares? Como pode dar-se com alguém que constantemente caminha em outra direção ou que talvez despreze as coisas que você aprecia? A Bíblia, em Gênesis, capítulo dois, refere-se à criação da mulher para ser “ajudadora” do homem. Bem, se você e sua ajudadora hão de dar-se bem em feliz harmonia, não deviam os dois ter interesses, alvos e padrões morais similares?
Em realidade, quanto mais um casal concordar naquilo que ambos sustentam ser os aspectos mais importantes da vida, tanto mais suave será sua vida diária. Aquilo que é diferente talvez, de início, seja excitante, mas, dentro em breve pode tornar-se fonte de tensão.
Quanto a outros mitos matrimoniais, sem dúvida o maior número deles relaciona-se à paixão. Tem-se definido a paixão como “admiração tola”, a idealização duma pessoa a quem realmente não conhece. O mito de ‘pares perfeitos’ e o mito do ‘amor à primeira vista’ são ambos sintomas de paixão.
Quando alguém procura um cônjuge em termos de Sr. Certinho e Srta. Perfeita, há a expectativa de que, subitamente, surja o cônjuge perfeitamente talhado para ele. Por certo, a pessoa é, de início, naturalmente mais atraente para alguns do que para outros — sua aparência, seus modos, a disposição da pessoa na ocasião, influem todos sobre isso. O que é muito perigoso é atribuir a tal pessoa as qualidades místicas de Príncipe (ou de Princesa) Encantado, formando rápido um anseio por tal pessoa, e então esperando ‘viverem felizes para sempre’.
Mas, poderia dizer, embora tal possa acontecer, de início, no processo do namoro sério, a pessoa apaixonada com o tempo verá deveras como a ‘pessoa é realmente’. Infelizmente, isto nem sempre acontece. A paixão pode continuar até o casamento. Como assim? Quando um relacionamento é tão “repleto” de emoções desde o início, com freqüência leva a um relacionamento muito físico. Tais pessoas apaixonadas não raro suavizam as diferenças com carinhos apaixonados. O resultado desastroso é que dois virtuais estranhos entram no vínculo mais íntimo da vida.
“A idéia de que, em alguma parte do universo, há um ‘par perfeito’ para todos acha-se profundamente arraigada na ficção e na tradição”, afirma o livro Making the Most of Marriage (Aproveitando ao Máximo o Casamento). Continua: “Um conceito mais prático é o de que a pessoa bem ajustada pode casar-se com qualquer uma dentre várias pessoas e ser feliz, ao passo que a pessoa desajustada e infeliz não pode casar-se com ninguém com êxito.” A verdade disto parece ser apoiada pelas viúvas e pelos viúvos que, com o tempo, casaram-se de novo e encontraram a felicidade.
Será “Anormal” Ficar Solteiro?
Infelizmente, alguns mitos matrimoniais exercem grande pressão sobre os solteiros. Dois destes mitos, amiúde advogados por parentes e amigos, são de que ‘há algo de errado com alguém que não se casa’ e que ‘alguém é melhor do que ninguém’. Tais ditados proclamam, assim, que ficar solteiro é algo inerentemente ruim. Faz-se que a pessoa se sinta “anormal”, ou, talvez, até mesmo latentemente homossexual.
Uma coisa é a pessoa sentir necessidade de casar-se e não se casar por ter medo do casamento. Outra muito diferente é o solteiro reconhecer que não precisa casar-se. Afirma o educador, Dr. Henry Bowman: “Caso [a pessoa] sinta que permanecer solteiro é o modo de obter maior felicidade na vida, ele [ou ela] deve, a todo transe, permanecer solteiro. . . . Há solteiros bem ajustados; há ‘solteironas’ e ‘solteirões’ casados.”
Sim, ao invés de ser, com medo, “atirado” a um casamento não desejado, é melhor reconhecer o que o mestre sábio, Jesus Cristo, conhecia sobre as pessoas. Ele disse que alguns tinham o “dom” ou a habilidade de ser felizes por permanecerem solteiros, e incentivou os cristãos que tinham tal “dom” a apegar-se a ele e usá-lo para servir a Deus. — Mat. 19:10-12.
Um mito é uma fantasia, uma mentira popular. E podemos, com certeza, ver como seguir a quaisquer de tais mitos que consideramos aumentaria a confusão daquele que contempla a questão de casar-se ou ficar solteiro. No entanto, muitos jovens modernos gostariam de dizer-nos que não há nada a temer de qualquer fantasia. Siga as suas emoções, afirmam. Não se preocupe em cometer algum erro. Antes, vivam juntos por algum tempo e então se ‘continuarem se amando’, casem-se. Bem, será o “casamento experimental” um modo de sair do dilema, ou se trata de ainda outro mito?
“Casamento Experimental” — Solução Satisfatória?
Naturalmente, não há nada de novo na idéia de duas pessoas viverem juntas sem primeiro se casarem. O que é novo é o número dos que fazem isso abertamente. Nos Estados Unidos, certo relatório do governo indicava que, entre 1960 e 1970, houve um aumento de 700 por cento em casais amigados. Relatórios mais recentes indicam um salto ainda maior.
Além do óbvio conflito para a consciência cristã, a questão é: Será que tais casais usufruem o “casamento”? Será que coabitarem os remove da confusão e os coloca num relacionamento significativo e permanente?
A verdade é que, embora alguns casais amigados possam viver juntos a vida inteira, em geral tais ligações têm vida curta. O fruto delas é amargo e, não raro, tão emocionalmente desastroso quanto o divórcio. Por quê?
Reflita honestamente um instante. Que espécie de relacionamento é esse que dá mais valor à ‘liberdade de partir’ do que ao verdadeiro compromisso mútuo? Embora um casal talvez afirme que não está egoistamente apenas ‘recebendo’ mas está ‘partilhando’ o prazer, será razoável dar algo tão precioso e íntimo sem haver um compromisso?
Uma definição de “experimental” é “fundado na experiência”. Pode alguém dar-se ao luxo dum casamento experimental? Afinal de contas, não estamos considerando uma peça de roupa. Se esta for rasgada ao meio ou jogada fora, a pessoa simplesmente sai e compra outra roupa. Mas, as ‘cicatrizes’ emocionais dum relacionamento íntimo cortado são de muito maior alcance; têm levado alguns ao ponto de se suicidarem.
Até mesmo os casais que genuinamente se interessam um pelo outro enfrentam o problema abalador: a insegurança. Conforme um casal amigado respondeu a um parente que perguntou por que se iriam casar agora: “Por que queremos — queremos o compromisso.”
Outrossim, que dizer do argumento de que ‘realmente a gente não sabe com certeza como será o casamento com outra pessoa até que o experimente’? Certo autor comentou sabiamente a respeito de casais amigados: “Os ajustes do casamento não podem ser testados na condição de solteiro. Os que procuram fazer um teste, mesmo quando parece ser bem sucedido, não provam que conseguem viver juntos e felizes no casamento.” E pessoas que viveram sexualmente amigadas com vários parceiros não entram num novo relacionamento com grande visão. Comparado ao pouco que tenham aprendido, o preço emocional as deixou menos capazes de enfrentar os problemas, menos prontas a dar de si mesmas e menos prontas a confiar.
Naturalmente, a virtude antiquada do “autodomínio” não é popular hoje em dia. É considerada repressiva, inibidora, prejudicial à personalidade. Todavia, em resposta à pergunta: “É perigosa a restrição sexual?”, o livro Marriage for Moderns (Casamento Para a Gente Moderna), declara: “O controle sexual antes do casamento abrange menos riscos fisiológicos, psicológicos e sociais do que a gratificação sexual.”
Assim, o “casamento experimental”, como se dá com outros mitos matrimoniais, é um alicerce perigoso e frágil sobre o qual edificar. “Bem”, talvez arrazoe, “isso me ajuda a conhecer alguns conceitos a evitar, mas será que restam quaisquer princípios ‘positivos’? Como posso saber se estou preparado para o casamento? Como posso escolher sabiamente um cônjuge?”
Simplesmente não há ‘respostas-lemas’ para tais perguntas difíceis. No entanto, existem realmente orientações para o benefício daqueles que têm visão para ‘verem bem onde pisam’. Vamos explorá-las no artigo seguinte.
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Achar um cônjuge adequadoDespertai! — 1977 | 8 de julho
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Achar um cônjuge adequado
DISSE certo poeta: “Se quer casar-se sabiamente, case-se com alguém semelhante a você”. ‘Mas, quem é semelhante a mim?’ bem que poderia perguntar. Assim, a resposta começa, não com uma espiada ao redor da pista de dança, mas com uma espiada honesta em si mesmo. Também tem falhas, falhas de personalidade; não oferece a perfeição. Por outro lado, possui certas crenças, talentos, gostos e necessidades. Tente com empenho observá-los.
Ademais, precisa determinar a sua própria preparação para o casamento. Não pode simplesmente dispor-se a dizer “Aceito”. Tem de estar preparado e poder “amar, honrar e prezar”, como exige o matrimônio. Possui bom entendimento do que está envolvido nos papéis de marido e de esposa? Tem um conceito realístico sobre a vida, inclusive sobre o matrimônio?
Com efeito, poder avaliar honestamente a si próprio constitui bom sinal de maturidade emocional. E é esta qualidade que tem de ver tanto em si mesmo como em alguém com quem deseje casar-se. Quando se pensa numa criancinha casada com um adulto, isso é ridículo, risível. Todavia, quão triste é casar-se com alguém e descobrir que, dentro dum corpo de adulto, acham-se a mente e as emoções duma criança.
Como se avalia o nível emocional de outrem? Eis aqui a chave para se achar um bom cônjuge. Quer o chame de faculdade de raciocínio, de bom senso, ou de discernimento — significa poder observar outros, de forma objetiva, sem permitir que suas emoções ‘colorem’ a verdade. Para exemplificar: Se nota que alguém sempre quer fazer as coisas do seu modo, fica facilmente desanimado e larga tudo, empenha-se em ser o centro das atenções, de quem isso o faz lembrar-se? Sim, de uma criança. “Oh, mas ele (ou ela) é tão lindo!” talvez exclame. Daí, a pessoa não passa de uma criança muito atraente. Pense um pouco mais sobre isso.
Muitos gostariam de zombar desta ênfase à faculdade de raciocínio. Afirmam que a base para se gostar de outrem é a pura atração sexual — ‘essa é a verdadeira vida’. Não resta dúvida de que a atração sexual é, usualmente, um grande fator. Todavia, a verdadeira vida, a vida diária, envolve muito mais do que o sexo. Com efeito, como se dão bem o dia inteiro vai desempenhar um papel principal em sua compatibilidade sexual. Também, os “adultos”, em sentido emocional, reconhecem que é possível sentir-se sexualmente atraídos por muitos, até mesmo simultaneamente, mas que existem comparativamente poucas pessoas com as quais faria um par feliz.
Assim, para os que procuram um relacionamento permanente e feliz, a faculdade de raciocínio e a madureza emocional são essenciais. Por causa disso, os jovens enfrentam uma barreira especialmente difícil. Considere a razão.
“Idade Adulta Emocional” — Quando?
Realmente não existe nenhuma idade fixa em que a pessoa possa ser declarada emocionalmente madura. Alguns jamais crescem. No entanto, pode estar certo de uma coisa, casar-se com alguém não fará com que tal pessoa cresça instantaneamente. Assim, os jovens que desejam casar-se têm de considerar uma questão séria: Qual é a probabilidade de seu prospectivo cônjuge ser suficientemente adulto em sentido emocional? Gostaria de enfrentar circunstâncias como estas . . . ?
“Não entendo o que aconteceu conosco, mas simplesmente não amo mais o Bill. Não posso fazer nada. Ele não é o homem com quem me casei.”
“Eu ultrapassei em muito a minha esposa. Ela não me pode dar aquilo de que eu preciso. Ela não o possui e jamais possuirá. Quem dera que tivesse visto isso antes de nos casarmos.” — The Marriage Gap (O Conflito Matrimonial).
O que se deu aqui? Há, sem dúvida, vários elementos. É provável, porém, que quando se casaram, um deles, ou ambos, ainda estava no que se chama de ‘fase de crescimento’ mental ou emocional. Muitos psicólogos concordam com o Dr. Bowman (Marriage for Moderns), que, ao passo que os humanos normalmente param de crescer fisicamente em fins da adolescência, “às vezes até mesmo no início dos seus vinte anos, muitos indivíduos ainda se acham no processo de mudanças um tanto rápidas de atitudes, gostos e escolhas. Em muitos casos, o que parece ser, na época, uma escolha permanente prova-se, mais tarde, ter sido apenas uma escolha experimental.”
Pense, agora, no impacto sobre dois adolescentes no início de seu casamento. Em sentido muito real, as duas pessoas talvez mudem tanto que mostram, no casamento, personalidades diferentes das esperadas. Por certo, o casal pode esforçar-se de vencer tal obstáculo. Não precisam assumir a atitude negativa das pessoas supracitadas. No entanto, tudo isso ilustra a sabedoria da Bíblia ao considerar que a pessoa faça uma decisão quanto ao casamento quando já estiver “além da flor da juventude” — assim já estando mais emocionalmente estabilizada. — 1 Cor. 7:36.
Sem embargo, mesmo entre os plenamente desenvolvidos, em sentido emocional, há muitos aspectos que exigem discernimento por parte de quem busca um cônjuge. Um destes é seu círculo de amigos.
Suas Relações com Outros
Todos precisam de amigos. Todavia, em especial se deseja casar-se, precisa cuidar de suas associações. Por quê? Porque, a menos que viva onde os casamentos são “arranjados”, é provável que se case com alguém a quem conheceu através de amigos mútuos. E seu grupo social ditará o calibre de pessoas com quem está constantemente. Assim, antes que fique romanticamente envolvido, avalie seus amigos.
É “amigo” deles porque lhes oferece algo em sentido financeiro? Mantém relações significativas com eles? Realmente partilha com eles as mesmas crenças e interesses? Será que a influência deles o tornou uma pessoa melhor? Examinar este círculo talvez pareça irrelevante, mas não é. Talvez veja a necessidade de fazer ajustes em suas associações, quer abandonando algumas quer cautelosamente ‘ampliando’ o círculo.
Também, talvez verifique que um dos melhores modos de chegar a conhecer melhor uma nova conhecida é convidar a “recém-chegada” ao grupo a passar uma noitinha com você e seus amigos. Isto é muito mais seguro do que imediatamente marcar um encontro com alguém, isolando tal relação e permitindo que a emoção distorça a realidade.
Neste ponto, contudo, talvez esteja pensando: “Que círculo de amigos?” Para muitos, é realmente difícil formar amizades e, assim, até mesmo chegar a conhecer possível cônjuge. O problema talvez seja de acanhamento e insegurança. Às vezes, é ser sensível demais. No caso de outros, há o sentimento de que ninguém é suficientemente bom — uma atitude de superioridade.
Em qualquer caso, seja honesto consigo mesmo sobre tal problema e esforce-se em resolvê-lo. Se precisar, obtenha conselhos maduros. Mas, não se isole. Certo provérbio bíblico diz que “quem se isola procurará o seu próprio desejo egoísta”. (Pro. 18:1) Seja qual for a causa, quanto mais fechada dentro de si mesma, tanto mais egotista se tornará, tanto menos oferecerá aos outros como base para amizade.
A felicidade provém de dar de si, de colocar-se à disposição dos outros. Comunicar-se bem com outros, pensar em termos de como ajudar e amar outros, são valiosos predicados a trazer para o casamento. Fechar-se em si mesmo, num mundo de sonhos, mesmo que se case, não o preparará para a vida diária com outro humano imperfeito.
Quando for convidado a alguma parte, demonstre que realmente o aprecia. Por sua vez, só porque é solteiro, não crie a atitude de que os outros sempre devem entretê-lo. Esteja pronto a mostrar hospitalidade, não importa quão modesta seja.
Aqui, contudo, é necessária uma palavra de cautela. Não é sábio transmitir aos outros a idéia de que seu único objetivo na vida é participar duma festa e ‘divertir-se’. Esforce-se de cultivar interesses práticos, de aprimoramento mental. Cuide de si mesmo em sentido físico, pois sua aparência deveras reflete o que pensa de si mesmo. Também, demonstrar uma personalidade atraente é, amiúde, uma questão de equilíbrio. Tente não ser tão introvertido que nada contribua para uma palestra ou atividade grupal, ao passo que evite o extremo oposto de ser extrovertido demais, sempre falando.
Se deveras decidir marcar um encontro com alguém, é extremamente insensato sair com diferentes pessoas ao mesmo tempo. Ficará tão emocionalmente confuso que uma escolha inteligente é virtualmente impossível. Não só isso, mas realmente comete fraude, visto que só pode casar-se com uma pessoa. E, além de ferir a outrem, poderá adquirir a reputação de “flertador” ou de ‘namorador insincero’. Se está tão incerto quanto a determinada pessoa ser o que deseja, por que tornar-se íntimo dela?
Ora, suponhamos que verifique que aumenta a atração mútua entre você e uma ‘amiga especial’. Como podem a faculdade de raciocínio e a madureza emocional orientá-lo no namoro sério?
Namoro Sério Realístico
O namoro sério deve ser um tempo feliz. Todavia, se a árvore florescente da primavera der, mais tarde, maus frutos, pouco adiantará lembrar as suas flores.
É bom poderem rir e divertir-se juntos. Andar à beira da praia e simplesmente “conversar e conversar” pode ser muito significativo. Ainda assim, precisa lembrar-se de que o namoro sério tem outra finalidade — a preparação para o casamento. Se seu namoro inclui coisas práticas, tais como fazer juntos as compras, ou estudar juntos, estará melhor preparado para a transição crucial para o casamento.
E ao passo que há grande desejo de agradar seu namorado ou sua namorada, tente fortemente não “aparentar” ou ser aquilo que não é. Muitos, temendo perder um prospectivo cônjuge, acabam virtualmente atuando fora de seu papel. A questão é: Por quanto tempo poderá continuar encenando? Esta é uma das razões de ser aconselhável um período suficientemente longo do namoro sério.
Todavia, mesmo que o namoro decorra suavemente, como pode realmente estar seguro de seus sentimentos e de que é “correta” a escolha de seu futuro par? Amiúde, quando os jovens propõem tal pergunta aos casados, obtêm uma resposta tal como: “Simplesmente se sabe.” Sabe-se o quê?
Bem, compreende-se que, além de um querer o outro, chega-se ao ponto de sentir confiança mútua. Cada um deseja fazer algo pelo outro, dar ao outro. Vê-se claramente as muitas crenças e interesses que se partilham em comum. E reconhece-se não só a atual profundeza do relacionamento, mas também seu potencial. Tudo isto faz parte do genuíno amor.
Com freqüência, hoje em dia, os jovens fazem o que querem e, de repente, trazem para casa, para sua família, um estranho com o qual estão “noivos”. Mas, há muita sabedoria no enfoque “antiquado” de conversar com os mais velhos sobre a pessoa com quem contempla casar-se, e sobre seus próprios sentimentos. Amiúde, os que não estão emocionalmente envolvidos podem ajudá-lo a fazer uma decisão mais realística.
O cristão sincero também reconhece a necessidade de dirigir-se à maior fonte de sabedoria, o Criador do casamento. Um servo de Deus compreende que tal decisão de longo alcance merece muitas orações e meditação. Lembra-se do provérbio bíblico: ‘Achou uma boa esposa [ou esposo]? Achou uma coisa boa e obtém a boa vontade de Jeová.’ (Pro. 18:22) Considerando os obstáculos para um casamento bem sucedido, por certo deve-se buscar fervorosamente a “boa vontade” de Deus.
Uma vez estabeleça um compromisso firme de casar-se, não poderá dar-se ao luxo de reduzir seus empenhos de vir a conhecer seu noivo ou sua noiva. Em certo estudo universitário, tirou-se a conclusão de que “a maioria dos noivos, hoje, gasta muito de seu tempo de noivado preocupando-se com suas bodas — e não planejando o suficiente com o tipo de vida de casados que terão depois das bodas”. Realmente, é vital que, ao entrar no casamento, se tenha a atitude de ansiar conhecer seu cônjuge e ajustar-se a ele. É um “investimento” em harmonia e felicidade.
No entanto, alguns talvez leiam com desespero estas orientações para se achar um cônjuge adequado. Tentaram muitas destas sugestões e ainda se acham sozinhos.
“Não Consigo Achar Ninguém”
Atualmente, muitas pessoas solteiras confrontam dificílima realidade. Devido a circunstâncias — defeitos físicos, idade, responsabilidades familiares — sabem que são poucas as oportunidades de casar-se, se ainda existirem. Como expressou-se certa viúva idosa: “Há menos homens de minha idade do que mulheres, e muitos deles estão interessados em mulheres mais jovens.” Se estiver em tal situação, o que pode fazer?
Bem, talvez, considere que a maior parte do que declaramos não se aplica ao seu caso. Mas, reflita por um instante. Incentivamos uma honesta avaliação de si mesma, cuidadosa ampliação de suas amizades. Instamos a que forme relações significativas com outros, ao invés de se fechar num mundo de sonhos. Verificará ser verdade que há mais felicidade em dar, e, se com o tempo se casar ou não, não se arrependerá de ter um conceito positivo da vida. Oferece-lhe muito mais.
Infelizmente, alguns se deixaram cair em tal condição mental que, ao surgir uma oportunidade inesperada de um bom casamento, não estão preparados. Por outro lado, ficar obsedado com aquilo que não possui é emocionalmente insalubre. É exatamente tão perigoso como quando um casado constantemente medita nas liberdades que ele ou ela teria se fosse solteiro. Isso não lhe trará felicidade.
Muitas pessoas solitárias sentem que o modo de alcançarem a felicidade é por criarem profunda relação com seu Criador. Compreender que existe um Deus amoroso, descobrir quanto Ele se importa e que vida significativa podem levar ao servi-lo, trouxe-lhes um contentamento que jamais imaginavam que poderiam obter. — Sal. 55:22; 73:28.
Isto também os tem conduzido à agradável associação com outros que podem ajudá-los. Como expressou-se certa senhora: “Uma das coisas que mais me atraíram para as Testemunhas de Jeová foi o calor humano e o espírito genuíno de bondade que mostravam. E a recepção que tive no Salão do Reino foi muito impressionante. Eu era uma pessoa muito egotista, só me preocupando comigo mesma. A verdade bíblica me ajudou a ver que é melhor dar do que receber.” E, por certo, entre tais cristãos fidedignos a pessoa tem muito melhor oportunidade de encontrar um cônjuge honesto e equilibrado.
Assim, ao passo que a vereda para o matrimônio, hoje em dia, apresenta suas dificuldades e perigos, pode usar sua faculdade de raciocínio para evitar a inclinação dos “solteiros” modernos, que com tanta freqüência, é simplesmente para uma série de desastres. Por rejeitar os mitos e as práticas emocionalmente prejudiciais da maioria, por seguir os princípios bíblicos, terá muito melhor oportunidade de formar um bom par matrimonial. Ainda continuam a ser formadas uniões sólidas. Isto acontece porque ainda existem pessoas dispostas a dar de si no âmbito desta instituição divina do casamento, que ainda abarca toda possibilidade de duradoura alegria.
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