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Ter filhos — responsabilidade e recompensaTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 7
Ter filhos — responsabilidade e recompensa
1-4. (a) Quais são alguns dos aspectos espantosos do desenvolvimento dum bebê no ventre? (b) Como lhe ajuda o conhecimento destas coisas a apreciar o Salmo 127:3?
TER FILHOS é uma perspectiva tanto emocionante como séria. É verdade que isso é uma ocorrência cotidiana na humanidade. Mas, cada nascimento é o resultado de processos espantosamente complexos. Entendendo algo sobre isso, poderemos reconhecer melhor por que o inspirado salmista se sentiu induzido a dizer: “Eis que os filhos são uma herança da parte de Jeová; o fruto do ventre é uma recompensa.” (Salmo 127:3) Considere o que acontece.
2 Um espermatozóide do homem une-se com um óvulo na mulher. As duas células tornam-se uma, e esta começa a dividir-se. Torna-se duas, essas duas tornam-se quatro, as quatro passam a ser oito, até que esta única célula, por fim, atinge o número calculado de 60.000.000.000.000 de células, num adulto! No início, todas as células novas são iguais, mas depois começam a mudar para espécies diferentes — células ósseas, células musculares, células nervosas, células do fígado, células dos olhos, células da pele, e assim por diante.
3 Alguns dos mistérios da reprodução e da diferenciação já foram descobertos, porém, muitos ainda restam. O que faz a célula original passar a dividir-se? Na continuação da divisão, o que faz as células mudar para muitas espécies diferentes? O que induz estas espécies diferentes a se agruparem em formas, tamanhos e funções especiais, para se tornarem fígado, nariz ou dedinho do pé? Estas transformações começam em tempos predeterminados. O que controla este horário? Também, este embrião em desenvolvimento no útero da mãe é um corpo de constituição genética diferente do dela. Normalmente, o corpo da mãe rejeita tecidos alheios, tais como os enxertos de pele ou transplantes de órgãos provenientes de outras pessoas. Por que não rejeita este embrião geneticamente alheio, em vez de nutri-lo por uns 280 dias?
4 Todas estas espantosas atividades ocorrem na hora certa, porque Jeová Deus as programou na única célula formada pelo espermatozóide e o óvulo. O salmista indicou isso quando disse ao Criador: “Teus olhos viram até mesmo meu embrião, e todas as suas partes estavam assentadas por escrito no teu livro, referente aos dias em que foram formadas, e ainda não havia nem sequer uma entre elas.” — Salmo 139:16.
DESENVOLVIMENTO E NASCIMENTO
5-8. Entre a quarta semana da gestação e o nascimento do bebê, quais são algumas das coisas que acontecem no ventre?
5 O embrião desenvolve-se rapidamente. Lá pela quarta semana, já tem um cérebro, um sistema nervoso e um sistema circulatório, com o coração bombeando sangue através dos vasos já colocados. O sangue é fabricado pelo saco vitelino, durante seis semanas; daí, o fígado passa a assumir esta função, que finalmente é exercida pela medula óssea. Na quinta semana, começam a formar-se braços e pernas; em mais três semanas, começam a aparecer os dedos das mãos e dos pés. Lá pela sétima semana, já se formaram os principais grupos musculares, junto com os olhos, as orelhas, o nariz e a boca.
6 “Meus ossos”, prossegue o salmista, falando a Jeová Deus, “não te estavam ocultos quando fui feito às escondidas”. (Salmo 139:15) Na nona semana, a cartilagem transforma-se em osso, ao passo que se forma o esqueleto, e o bebê em desenvolvimento passa então a ser chamado de feto, ao invés de embrião. “Tu mesmo produziste meus rins.” (Salmo 139:13) Os processos divinos que regem isso ocorrem no quarto mês, e os rins passam então a filtrar o sangue.
7 Por volta deste tempo, o bebê em desenvolvimento já se move e vira, fecha os dedos das mãos ou dos pés quando a palma da mão ou a sola dos pés sente como que cócegas. Agarra coisas com dedos e polegar, e chupa o polegar, exercitando assim os músculos que mais tarde vão ser usados para mamar nos peitos da mãe. Tem soluços, e a mãe o sente pular. Por volta do sexto mês, seus órgãos estão praticamente completos. As narinas já se abriram, as sobrancelhas já apareceram, logo se abrirão os olhos, e os ouvidos funcionarão, de modo que até mesmo no ventre o bebê pode se assustar com ruídos altos.
8 Com 40 semanas, começam os trabalhos de parto. Os músculos uterinos da mãe se contraem, e o bebê está em caminho para o mundo lá fora. Neste processo, sua cabeça muitas vezes fica comprimida e perde a forma, mas, visto que seus ossos cranianos ainda não se fundiram, a cabeça assume o formato normal após o parto. Até este momento, a mãe fez tudo para o bebê: proveu-lhe oxigênio, alimento, proteção, calor e também a eliminação de resíduos. Daí em diante, o bebê terá de trabalhar por conta própria, e depressa, senão morrerá.
9. Que mudanças precisam ocorrer depressa, para que o bebê possa viver fora do ventre?
9 Tem de começar a respirar, para que os pulmões lancem oxigênio no sangue. Mas, para fazer isso, precisa haver instantaneamente outra conversão drástica: o trajeto do sangue circulante precisa mudar! Enquanto o feto se encontrava no útero, havia um orifício na parede de seu coração. Esta parede separava o ventrículo direito do esquerdo, e impedia que o sangue do bebê passasse para os pulmões. Quanto ao sangue que passava, um grande vaso o desviava dos pulmões. No útero, apenas 10 por cento do sangue passava pelos pulmões; após o nascimento, todo ele tem de fazer isso, e imediatamente! Para conseguir isso, dentro de segundos após o nascimento, o grande vaso que ladeava os pulmões contrai-se e o sangue que passava por ele flui então pelos pulmões. No ínterim, o orifício na parede do coração fecha-se, e todo o sangue bombeado pelo lado direito do coração passa então para os pulmões, para ser oxigenizado. O bebê respira, o sangue é oxigenizado, ocorreram mudanças dramáticas e o bebê vive! Conforme o inspirado salmista o resumiu tão belamente: “Mantiveste-me abrigado no ventre de minha mãe. Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante.” — Salmo 139:13, 14.
10. Em vista do espantoso desenvolvimento do bebê no ventre, o que devem sentir os pais a respeito de seus filhos?
10 Com quanta gratidão os casais devem encarar esta dádiva de Jeová! O poder para produzir uma criatura humana, uma criança que é parte de ambos, mas diferente de cada um deles! Isto é deveras “uma herança da parte de Jeová”!
CUIDAR DA “HERANÇA”
11. Que perguntas devem fazer a si mesmos aqueles que pretendem constituir família, e por quê?
11 Foi mais do que apenas a moralidade que induziu Jeová Deus a estabelecer a lei de que as relações sexuais ficassem restritas aos que são casados. Ele pensou também na chegada de filhos. O filho precisa tanto do pai como da mãe que se amam mutuamente, e que amam e prezam sua prole. O recém-nascido precisa do calor e da segurança dum lar, sendo querido pelo pai e pela mãe, que lhe provêem o ambiente necessário para seu crescimento e desenvolvimento de sua personalidade. O marido e a mulher que pensam em ter um filho deviam perguntar a si mesmos: Queremos ter um filho? Podemos prover-lhe o necessário — não apenas em sentido físico, mas também em sentido emocional e espiritual? Vamos treiná-lo corretamente, dando-lhe exemplos corretos para seguir? Estamos dispostos a assumir as responsabilidades decorrentes da paternidade e maternidade, aceitando os sacrifícios que isso envolve? Quando éramos crianças, pode ter parecido que nossos pais nos restringiam, mas, quando nos tornamos pais, descobrimos quanto tempo o projeto de criar filhos realmente consome. Contudo, com a responsabilidade de ser pai e mãe podem vir também muitas alegrias.
12-14. Depois de a mulher ter ficado grávida, como pode ela contribuir para o desenvolvimento dum bebê sadio (a) por sua dieta, (b) pelo que faz quanto ao álcool, ao fumo e às drogas, e (c) por controlar suas emoções?
12 Então, a decisão foi tomada — quer pelos pais, quer por circunstâncias biológicas. Você, a esposa, está grávida. Começa assim seu cuidado com esta “herança da parte de Jeová”. Há certas coisas que você precisa comer, e outras que precisa evitar ou limitar. Alimentos ricos em ferroa são importantes, porque o bebê, no ventre, acumula bastante ferro para lhe durar por seis meses após o seu nascimento. Você precisa de mais leite (queijo também é bom) para prover o cálcio de que seu bebê necessita para desenvolver os ossos. E o consumo equilibrado de carboidratosb ajudará a evitar o aumento excessivo de peso. É verdade que você está comendo para os dois, mas um de vocês é muitíssimo pequeno!
13 Outros fatores talvez tenham de ser tomados em consideração, dependendo de seu modo de vida. As bebidas alcoólicas enviam álcool ao feto, e por isso é preciso usar de cautela, visto que o excesso pode produzir retardamento mental e físico. Alguns bebês nasceram bêbedos, porque sua mãe bebia muito. O fumar lança nicotina na corrente sangüínea do feto e também faz o monóxido de carbono substituir o oxigênio no seu sangue. Assim, é possível prejudicar irreparavelmente as perspectivas do bebê de ter uma saúde normal, mesmo antes de ele nascer. Abortos espontâneos e natimortos são muito mais freqüentes entre as mulheres que fumam. Drogas viciadoras ingeridas pela mãe podem fazer com que o bebê nasça viciado, e algumas drogas não viciadoras, tomadas como remédio, também podem ser perigosas, possivelmente aleijando o bebê. Até mesmo a ingestão excessiva de café é suspeita de causar algum dano.
14 Além disso, a tensão emocional da mãe pode alterar sua produção de hormônios e tornar o feto superativo, fazendo assim que o recém-nascido fique desassossegado e irritável. O bebê em desenvolvimento pode estar ‘abrigado no ventre de sua mãe’, mas seria um erro pensar que está totalmente separado do mundo que o rodeia. Pode ser afetado através da mãe; ela é seu único elo de ligação com o mundo de fora, e isto faz que primariamente ela como que “esteja no volante” quanto a se o efeito é bom ou ruim. A maneira em que cuida de si mesma e como reage às situações fará uma diferença. Nem se precisa mencionar que nisso necessita da cooperação dos que a rodeiam, e especialmente do amor e dos cuidados de seu marido. — Veja 1 Samuel 4:19.
DECISÕES QUE TERÁ DE TOMAR
15, 16. Que decisões talvez tenham de ser tomadas sobre o lugar e a maneira do parto?
15 Vai ter seu bebê num hospital ou em casa? Em alguns casos, talvez haja pouca escolha. Em muitas regiões, não há hospitais disponíveis. Em outras, ter o bebê em casa pode ser uma raridade, e pode constituir um risco, em vista da falta de ajuda experiente, tal como a duma parteira. Sempre que possível, convém ela ser examinada por um médico durante a gestação, para saber se pode esperar um parto normal, ou acompanhado por complicações.
16 Vai dar à luz sob anestesia ou por parto natural? Isto precisa ser decidido por você e seu marido, depois de pesarem as vantagens e as desvantagens. O parto natural pode envolver o marido no evento momentoso. O bebê fica imediatamente junto à mãe. Alguns acham que estas são vantagens que devem ser consideradas seriamente, se os exames indicarem que o parto será sem complicações. Certos pesquisadores afirmam que os bebês nascidos sob as condições mais pacíficas do parto natural têm menos problemas emocionais e doenças psicossomáticas.
17-19. O que tem revelado a pesquisa a respeito da prudência de o bebê estar com a mãe o mais breve possível após o nascimento?
17 A revista Psychology Today (Psicologia de Hoje), no número de dezembro de 1977, declarou:
“Os psicólogos já sabem por décadas que o primeiro ano de vida do bebê pode causar um impacto duradouro sobre o seu posterior desenvolvimento mental e físico. Parece, agora, que o primeiro dia do bebê — talvez até mesmo seus primeiros 60 minutos — é igualmente decisivo. O vínculo emocional da mãe para com o filho, e a espécie de cuidado que ela começa a dar-lhe, são especialmente importantes após o parto. Estudos recentes também demonstram que as primeiras horas podem ter muito que ver com a formação da atitude da mãe para com o filho, a força de seu compromisso com ele e sua capacidade de ser mãe.”
18 Se a mãe não receber anestesia geral durante o parto, o bebê estará atento, com os olhos abertos, olhando em volta, acompanhando os movimentos, virando-se em direção às vozes humanas, e estará especialmente apercebido da voz feminina de diapasão mais alto. Pode-se estabelecer prontamente o contato visual entre mãe e filho. Isto parece ser importante, e, em alguns estudos, as mães relataram que, uma vez que o bebê olhou para elas, sentiram-se muito mais achegadas a ele. O contato físico, pele contra pele, entre mãe e bebê, logo após o parto, é considerado vantajoso para ambos.
19 Os pesquisadores afirmam que os problemas dos bebês tratados em centros médicos podem às vezes ser atribuídos às primeiras horas de vida. Comparações feitas entre filhos que receberam o tratamento padrão de parto no hospital e outros, imediatamente colocados junto à mãe, indicaram que, após um mês, os bebês que nasceram por parto natural estavam em melhores condições. “Ainda mais notável”, disse Psychology Today, “é que, à idade de cinco anos, os filhos que tiveram prolongado contato com a mãe tiveram QI [quociente (evidência) de inteligência] significativamente superiores e notas mais elevadas em provas de língua do que as crianças tratadas segundo as normas de hospitais.”
20. O que mais precisa ser tomado em consideração, para se fazer uma decisão sábia nestes assuntos’
20 Em tudo isso, porém, as circunstâncias precisam ser tomadas seriamente em consideração. Não devemos perder de vista o fato de que nossos primeiros pais humanos nos deixaram um legado de imperfeição. Isto inevitavelmente priva o “parto natural”, hoje, de parte de sua naturalidade, e nossos defeitos herdados podem causar complicações. (Gênesis 3:16; 35:16-19; 38:27-29) Deixe sua decisão ser governada pela sua situação pessoal e pelo que crê ser mais sábio no seu caso, quer se ajuste ao parto “ideal” pretendido por outros, quer não.
21, 22. Quais são alguns dos benefícios da lactação?
21 Vai amamentar seu bebê? Há muitas vantagens, tanto para você como para seu bebê. O leite materno é o alimento perfeito para o recém-nascido. É de digestão fácil e protege contra infecções, desarranjos intestinais e problemas respiratórios. Durante os primeiros dias, os seios segregam colostro, um líquido amarelo que é especialmente bom para os bebês, porque (1) contém pouca gordura e carboidratos, e, por isso, é mais fácil de digerir, (2) é mais rico em fatores imunizantes do que o leite materno que virá após alguns dias, e (3) tem um efeito ligeiramente laxativo, que ajuda a eliminar células, mucos e bílis, que se acumularam nos intestinos do bebê antes do nascimento.
22 Amamentar o bebê é de benefício para a mãe. Reduz a hemorragia da mãe, porque o amamentar do bebê estimula a contração do útero. A amamentação também estimula os seios a produzirem mais leite, e as mães que temem que talvez não tenham leite suficiente descobrem que não há falta dele. Em alguns casos, a lactação regular adia o recomeço da ovulação e do ciclo menstrual, e até tal ponto tende a ser um contraceptivo natural. A Sociedade Americana do Câncer diz que “as mães que amamentam revelam menos casos de câncer do seio”. A lactação é também proveitosa para o orçamento da família!
O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA — COMO APONTARÁ VOCÊ A FLECHA?
23. Que princípios sobre o treinamento do filho ou filha são subentendidos no Salmo 127:4, 5?
23 “Como flechas na mão dom homem valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava.” (Salmo 127:4, 5,Imprensa Bíblica Brasileira)O valor duma flecha depende de quão bem ela é apontada quando parte do arco. A flecha tem de ser apontada com cuidado e perícia, para que atinja o alvo. Da mesma maneira, é vital que vocês, como pais, ponderem sabiamente e com oração a espécie de começo de vida que darão ao seu filho ou filha. Quando ele ou ela sair de sob os seus cuidados, tornar-se-á adulto equilibrado e maduro, respeitado pelos outros e uma honra para Deus?
24. (a) Que espécie de ambiente domiciliar devem os pais esforçar-se a prover aos seus filhos? (b) Por que é isso importante?
24 As decisões devem ser tomadas antes da chegada do bebê, com respeito ao cuidado e à instrução que receberá. Os pais são basicamente todo o mundo do bebê recém-nascido. Como será este mundo? Mostrará que os pais tomaram a peito o seguinte conselho da Palavra de Deus: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade. Mas, tornai-vos benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando-vos liberalmente uns aos outros, assim como também Deus vos perdoou liberalmente por Cristo”? (Efésios 4:31, 32) Qualquer que seja a vida doméstica, refletir-se-á na criancinha. Esforce-se a tornar o mundo do bebê um de paz e segurança, de calor humano e amor. O bebê que é querido absorverá estas qualidades e amoldará concordemente as suas emoções. Perceberá os sentimentos que você tem e seguirá seu exemplo. As leis genéticas de nosso Criador fizeram maravilhosas provisões para o desenvolvimento do bebê no ventre; como será modelado fora do ventre? Muito dependerá das condições domésticas que você provê. Estas, tanto quanto os genes, determinarão que espécie de adulto o bebê se tornará. “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” — Provérbios 22:6.
25, 26. Por que é razoável que os pais dediquem muito tempo e atenção aos seus filhos?
25 Nem o homem, nem a mulher, pode produzir uma única folha de grama, mas, juntos, podem produzir outro humano, de infinita complexidade e diferente de todas as outras pessoas na terra! Esta é uma realização espantosa, tão espantosa que é difícil de crer que tantos, hoje, deixam de reconhecer a santidade da responsabilidade que a acompanha! As pessoas plantam flores, regam-nas, adubam-nas, mantêm-nas livres de ervas daninhas — tudo para ter um belo jardim. Não devemos tomar ainda mais tempo e exercer maior empenho para fazer que os filhos se tornem belos?
26 Os casais têm o direito de ter filhos. Seus filhos têm o direito correspondente de ter pais, não apenas de nome, mas de fato. O cristão dedicado a Deus pode gastar muito tempo e energia em divulgar conhecimento bíblico, na esperança de fazer um discípulo, e, ainda assim, nem sempre é bem sucedido. Não devem os pais cristãos gastar ainda mais tempo para ‘criar seus próprios filhos na disciplina e na regulação mental de Jeová’? (Efésios 6:4) Se criarem um filho para ser bom servo do Dador da vida, Jeová Deus, não é isso motivo de alegria? Assim, de fato, terem tido este filho ou esta filha mostrar-se-á altamente recompensador. — Provérbios 23:24, 25.
27. Na orientação do desenvolvimento do filho, por que se deve tomar em consideração a própria personalidade dele?
27 O Salmo 128:3 compara os filhos a mudas de oliveiras: “Tua esposa será como uma videira frutífera, nas partes mais recônditas da tua casa. Teus filhos serão como mudas de oliveiras ao redor da tua mesa.” As árvores podem ser modeladas de diversas maneiras por serem dirigidas assim. Algumas são levadas a crescer rentes a um muro. Outras se espalham baixo sobre o solo. Mais outras até mesmo são feitas pequenas e ananicadas, pela poda e constrição de suas raízes, como no caso do bonsai. Um velho ditado enfatiza como o treinamento inicial também amolda a criança: ‘Conforme se dobra o galho, assim cresce a árvore.’ Precisa haver um senso de equilíbrio. Por um lado, a criança precisa de orientação, para que se ajuste a normas justas. Ao mesmo tempo, não se deve esperar que se conforme a algum ideal preconcebido dos pais quanto à exata personalidade que deve ter. Não se pode fazer a oliveira produzir figos. Eduque a criança de modo certo, mas não a force num molde predeterminado, que não lhe permita exprimir normalmente sua personalidade distinta e seus dons herdados. Dê-se tempo para chegar a conhecer este filho que produziu. Daí, assim como se dá com um raminho novo, dê ao seu filho orientação bastante forte para protegê-lo e sustentá-lo na direção certa, mas bastante suave para não inibir o seu desenvolvimento na plena capacidade para o bem.
UMA RECOMPENSA DA PARTE DE JEOVÁ
28. Que proveito tiramos do que Gênesis 33:5, 13, 14, diz sobre a preocupação de Jacó com os seus filhos?
28 Jacó da antigüidade, mostrou esta preocupação ao cuidar de seus filhos. Quando se lhe propôs fazer uma viagem, cujo passo talvez fosse demais para eles, Jacó disse ao proponente: “Meu senhor se apercebe de que os filhos são delicados, e que há ao meu cargo ovelhas e gado vacum que amamenta, e se os fizerem andar depressa demais por um só dia, então certamente morrerá o rebanho inteiro. Por favor, passe o meu senhor adiante do seu servo, mas continue eu mesmo a viagem segundo a minha conveniência, no passo do gado que está diante de mim e no passo dos filhos.” Anteriormente, ao encontrar-se com seu irmão Esaú, perguntou-se-lhe: “Quem são estes contigo?” Jacó respondeu: “Os filhos com quem Deus tem favorecido teu servo.” (Gênesis 33:5, 13, 14) Hoje, os pais não só devem mostrar consideração amorosa para com seus filhos, assim como Jacó fez, mas também encará-los assim como ele — como favor da parte de Jeová. Naturalmente, antes de se casar, o homem deve ponderar seriamente se pode sustentar esposa e filhos. A Bíblia aconselha: “Cuida dos teus negócios lá fora, põe o teu campo em condições, e depois edifica a tua casa.” (Provérbios 24:27, Brasileira) Em harmonia com este conselho prático, o homem deve fazer de antemão os preparativos para o casamento e a vida familiar. Então, até mesmo uma gestação não planejada será acolhida com alegria e não com o temor do fardo financeiro.
29. Por que se deve dar séria consideração antecipada ao assunto de ter filhos?
29 O assunto de ter filhos claramente merece ser considerado com a devida seriedade, não apenas quanto ao primogênito, mas também quanto aos que vierem depois. Acham os pais difícil alimentar, criar e educar os filhos que já têm? Então o respeito pelo seu Criador, bem como a qualidade do amor, certamente devem induzi-los a ponderar que autodomínio podem exercer para diminuir o possível aumento da família.
30. (a) Por que podemos dizer que o filho pertence realmente a Deus? (b) Como deve isso influir no conceito dos pais?
30 Na realidade, de quem é o filho? Seu, em certo sentido. Mas, em outro sentido, o filho pertence ao Criador. Confiou-se-lhe o cuidado dele, assim como se confiou aos seus pais o cuidado de você, quando criança. Mas, você não era realmente propriedade de seus pais, para ser tratado de qualquer modo que eles quisessem; tampouco seu filho é sua propriedade, neste sentido. Os pais não podem dirigir ou controlar o momento da concepção, nem o desenvolvimento da criança no ventre. Não podem nem mesmo ver ou entender plenamente os maravilhosos processos envolvidos nisso. (Salmo 139:13, 15; Eclesiastes 11:5) Se alguma imperfeição física causa um aborto ou um natimorto, não podem fazer a criança morta voltar à vida. Assim, precisamos reconhecer humildemente que Deus é o Dador da vida de todos nós e que pertencemos todos a ele: “A Jeová pertence a terra e o que a enche, o solo produtivo e os que moram nele.” — Salmo 24:1.
31, 32. (a) Que responsabilidade têm os pais perante Deus? (b) Qual é o resultado de se cuidar devidamente desta responsabilidade?
31 Você é responsável pelos filhos que traz ao mundo e também tem de prestar contas ao Criador sobre a maneira de criá-los. Ele criou a terra, intencionado que fosse habitada, e deu aos nossos primeiros pais humanos a faculdade da procriação, para alcançar este objetivo. Sua deserção dele colocou-os do lado do Adversário, que desafiara a legitimidade do exercício da soberania de Deus sobre a sua família de criaturas no céu e na terra. Se criar seus filhos para se tornarem pessoas de integridade para com seu Criador, você e sua família poderão provar que o Adversário não tem razão e que Jeová Deus é veraz. Conforme diz Provérbios 27:11: “Sê sábio, filho meu, e alegra meu coração, para que eu possa replicar àquele que me escarnece.”
32 Cumprir você com sua obrigação para com os seus filhos, junto com sua responsabilidade perante Deus, pode dar-lhe um senso de verdadeira realização na vida. Poderá acompanhar em apreço de pleno coração a declaração do Salmo 127:3: “O fruto do ventre é uma recompensa.”
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Seu papel como pai ou mãeTorne Feliz Sua Vida Familiar
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Capítulo 8
Seu papel como pai ou mãe
1-3. (a) Que efeito pode o nascimento dum bebê ter sobre os pais? (b) Por que é importante, para o pai e para a mãe que eles compreendam seu papel como genitores?
NA VIDA, muitos acontecimentos nos afetam em grau muito limitado. Outros têm efeito maior e duradouro. O nascimento dum filho claramente é um destes últimos. Depois disso, a vida nunca mais será a mesma para o marido e a mulher. Embora a nova personalidade seja muito pequena no lar, ela se fará sentir com uma voz e uma presença que não podem ser desconsideradas.
2 A vida dos pais deve tornar-se mais rica e mais feliz. Mas, apresenta um desafio, e, para se obterem os melhores resultados, ambos os genitores precisam enfrentar este desafio. Foram necessários vocês dois para produzir o filho, e ambos desempenharão um papel vital no desenvolvimento de seu bebê, a partir do nascimento. Nunca antes foi tão grande a necessidade de sincera, unida — e humilde — cooperação.
3 A compreensão do papel desempenhado por cada genitor, e como estes papéis podem ser harmonizados, deve ajudar muito em satisfazer as necessidades de seu bebê, com bons resultados. Precisa haver equilíbrio. Embora a mente se esforce a ser razoável, as emoções amiúde causam desequilíbrio. Temos a tendência de ir a extremos, do muito pouco para o excesso, e novamente de volta ao muito pouco. É desejável que o pai exerça a chefia, mas, se ele se exceder nisso, tornar-se-á autoritário. Convém que a mãe participe na educação e na disciplina dos filhos, mas, se ela assumir estes deveres e excluir o pai, minará a estrutura da família. O que é bom é bom, mas algo bom pode tornar-se mau se for levado a extremo. — Filipenses 4:5.
O PAPEL DECISIVO DA MÃE
4. Quais são algumas das coisas que o bebê precisa de sua mãe?
4 O recém-nascido é totalmente dependente da mãe quanto às suas necessidades imediatas. Se ela amorosamente suprir essas necessidades, o bebê sentir-se-á seguro. (Salmo 22:9, 10) Precisa ser bem alimentado, e mantido limpo e quente; mas, não basta suprir-lhe as necessidades físicas. As necessidades emocionais são igualmente importantes. Se o bebê não receber amor, tornar-se-á inseguro. A mãe logo pode aprender a saber quão grande é realmente esta necessidade, quando seu bebê clama por atenção. Mas, se os seus choros forem constantemente desconsiderados, poderá adoecer. Se sofrer privação emocional por um período de tempo, fica afetado seu desenvolvimento emocional pelo resto de sua vida.
5-7. Segundo uma pesquisa recente, como é o bebê afetado pelo amor e pela atenção da mãe?
5 Experiências feitas em muitos lugares diferentes confirmaram o seguinte fato: Os bebês adoecem e até mesmo morrem se forem privados de amor, conforme expresso pela fala e pelo toque, por carícias e abraços. (Veja Isaías 66:12; 1 Tessalonicenses 2:7.) Embora outros possam fazer isso, a mãe, em cujo ventre o bebê passou a viver e foi nutrido durante os primeiros meses de sua vida, além de qualquer dúvida, é a pessoa mais indicada para isso. Ocorre uma interação natural entre mãe e filho. O desejo instintivo dela, de segurar o bebê recém-nascido perto de si, é correspondido pela busca instintiva do seu seio pelo bebê.
6 As pesquisas têm demonstrado que o cérebro do bebê é muito ativo e que se promove o desenvolvimento mental quando se lhe estimulam os sentidos do tato, da audição, da visão e do olfato. Quando o bebê mama, ele percebe o calor e o cheiro da pele da mãe. Olha quase que continuamente para o rosto dela, enquanto mama. Não só ouve a voz dela, quando fala ou canta, mas também as batidas de seu coração, o som que ouvia enquanto ainda estava no ventre. Numa publicação norueguesa, a psicóloga de crianças Anne-Marit Duve observou:
“Visto que a atividade dos alunos revela claramente o grau de atividade cerebral, temos motivos para crer que um elevado grau de estímulo da pele, um alto grau de contato — não sendo um dos menos importantes o contato durante a amamentação — pode estimular a atividade mental, a qual, por sua vez, pode levar a maior capacidade intelectual na vida de adulto.”
7 Portanto, quando o bebê sente freqüentemente o toque da mãe, quando ela o apanha, abraça ou banha e seca, o estímulo que recebe desempenha um papel importante no seu desenvolvimento e no que será na vida posterior. Embora levantar-se durante a noite e gastar tempo em acalmar o bebê que chora não seja o passatempo mais agradável, o conhecimento dos benefícios posteriores pode compensar em muito a perda de sono.
APRENDER AMOR POR SER AMADO
8-10. (a) O que aprende o bebê do amor de sua mãe? (b) Por que é isso importante?
8 Ser o bebê amado é vitalmente importante para o seu desenvolvimento emocional. Aprende a amar por ser amado, pela exposição aos exemplos de amor. Falando sobre o amor a Deus, 1 João 4:19 diz: “Amamos porque ele nos amou primeiro.” As lições iniciais de amor cabem principalmente à mãe. A mãe inclina-se sobre o bebê no berço, põe a mão no peito dele e o sacode suavemente, chegando o rosto perto ao do bebê e diz: ‘Eu te vejo, meu queridinho’, ou algo assim. O bebê, naturalmente, não conhece as palavras (que na realidade talvez nem sejam muito lógicas). Mas remexe-se e arrulha de prazer, porque reconhece que a mão brincalhona e o tom da voz lhe dizem claramente: ‘Eu te amo! Eu te amo!’ Sente-se reconfortado e seguro.
9 Os bebês e as criancinhas aos quais se mostra amor apreciam isso, e, imitando o amor, praticam-no, pondo os pequenos braços em volta do pescoço da mãe e dando-lhe entusiásticos beijos. Agradam-se da acolhedora reação emocional que recebem da mãe, em resultado disso. Começam a aprender a lição vital de que há felicidade tanto em dar amor como em recebê-lo, de que, por semearem amor, também o colhem em troca. (Atos 20:35; Lucas 6:38) A evidência mostra que, se não houver logo contato com a mãe, mais adiante a criança pode achar difícil ter profundo apego e compromisso com outros.
10 Visto que as crianças começam a aprender logo após o nascimento, os primeiros anos são os mais vitais. Durante esses anos, o amor da mãe é decisivo. Se ela conseguir mostrar e ensinar amor — não indulgência — poderá causar um bem duradouro; se falhar nisso, poderá causar dano permanente. Ser boa mãe é um dos trabalhos mais desafiadores e recompensadores que a mulher pode ter. Apesar de todas as tensões e demandas que causa, que outra “carreira” que o mundo oferece pode sequer chegar perto disso em significado e satisfação duradoura?
O PAPEL VITAL DO PAI
11. (a) Como pode o pai fixar seu papel na mente do filho? (b) Por que é isso vital?
11 É natural que, na primeira infância, a mãe desempenhe o papel de maior destaque na vida da criança. Mas, a partir do nascimento do bebê, o pai também deve desempenhar um papel no mundo do bebê. Mesmo quando a criança ainda é bebê, o pai pode e deve ficar envolvido, cuidando ocasionalmente do bebê, brincando com ele e consolando-o quando chora. Deste modo, o pai se fixa na mente da criança. O papel do pai deve aos poucos assumir maior destaque, com o passar do tempo. Se ele esperar demais para começar, pode dar início a um problema que surge especialmente quando o filho se torna adolescente e a disciplina se torna mais difícil. O filho adolescente, em especial, pode necessitar da ajuda de seu pai. Mas, se não se estabeleceu já antes uma boa relação, o abismo produzido no decorrer dos anos não pode ser vencido apenas em algumas semanas.
12, 13. (a) Qual é o papel do pai na família? (b) Quando o pai se desincumbe corretamente de sua responsabilidade como tal, como pode isso afetar o conceito que os filhos têm sobre a autoridade?
12 Quer a criança seja menino, quer menina, a influência das qualidades masculinas do pai pode fazer uma contribuição vital para o desenvolvimento duma personalidade completa e equilibrada. A Palavra de Deus mostra que o pai deve ser o chefe da família. Ele é responsável por prover sustento material para ela. (1 Coríntios 11:3; 1 Timóteo 5:8) Contudo, “o homem não vive somente de pão, mas . . . o homem vive de toda expressão da boca de Jeová”. Quanto aos filhos, ao pai também é mandado prosseguir “em criá-los na disciplina e na regulação mental de Jeová”. (Deuteronômio 8:3; Efésios 6:4) Embora deva ser motivado pela afeição natural para com seus filhos, deve ser movido, acima de tudo, pelo senso de responsabilidade para com seu Criador, para fazer o melhor, a fim de se desincumbir da comissão divina que tem.
13 Junto com o calor humano, a ternura e a compaixão que a mãe expressa, o pai pode contribuir uma influência estabilizadora, de força e de orientação sábia. A maneira em que ele se desincumbe de sua tarefa dada por Deus pode ter um efeito acentuado sobre a atitude posterior dos filhos para com a autoridade, tanto humana como divina, quanto a se eles vão respeitá-la e quão bem poderão trabalhar sob a direção de outra pessoa, sem se agastarem ou rebelarem.
14. Que efeito pode ter o bom exemplo do pai sobre seu filho ou sua filha?
14 Se tiver um filho, o exemplo do pai e a maneira de ele resolver os assuntos podem contribuir muito para determinar se o rapaz se desenvolverá como pessoa fraca e indecisa, ou alguém varonil, firme, com coragem de convicção e disposto a assumir responsabilidades. Pode afetar a espécie de marido ou pai que o filho finalmente será — alguém rígido, desarrazoado, duro, ou equilibrado, compreensivo e bondoso. Se houver filha na família, a influência do pai e a relação com ele pode afetar todo o conceito dela sobre o sexo masculino, e pode contribuir para o seu futuro sucesso no casamento ou frustrá-lo. O efeito da influência paterna começa na infância.
15, 16. (a) Que responsabilidade de ensino lança a Bíblia sobre o pai? (b) Como se pode desincumbir dela?
15 A extensão da responsabilidade do pai para ensinar é mostrada nas instruções de Deus ao seu povo, em Deuteronômio 6:6, 7: “Estas palavras que hoje te ordeno têm de estar sobre o teu coração; e tens de inculcá-las a teu filho, e tens de falar delas sentado na tua casa e andando pela estrada, e ao deitar-te e ao levantar-te.”
16 Não apenas as palavras em si encontradas na Palavra de Deus, mas também a mensagem que transmitem precisam ser incutidas cada dia na mente da criança. Sempre há oportunidades para isso. As flores no jardim, os insetos no ar, os pássaros ou os esquilos nas árvores, as conchas na praia, as pinhas nos montes, as estrelas cintilantes no céu noturno — todas estas maravilhas falam sobre o Criador, e você deve interpretar aos seus filhos o significado da linguagem delas. O salmista disse: “Os céus declaram a glória de Deus; e a expansão está contando o trabalho das suas mãos. Um dia após outro dia faz borbulhar a fala, e uma noite após outra noite exibe conhecimento.” (Salmo 19:1, 2) Por estar atento a usar essas coisas, e especialmente recorrendo às coisas diárias da vida para ilustrar e enfatizar princípios corretos, e para mostrar a sabedoria e os benefícios do conselho de Deus, o pai pode edificar na mente e no coração de seu filho a base mais essencial para o futuro: a convicção de que Deus não somente existe, mas também que ‘ele recompensa os que seriamente o buscam’. — Hebreus 11:6.
17, 18. (a) Como deve o pai disciplinar seus filhos? (b) O que é mais eficiente do que estabelecer muitas regras?
17 A aplicação da disciplina também faz parte do papel do pai. “Que filho há a quem o pai não disciplina?” é a pergunta feita em Hebreus 12:7. Mas, cabe a ele a obrigação de fazer isso dum modo que não vá a extremos, corrigindo demais a ponto de causar irritação ou até mesmo molestação. A Palavra de Deus diz aos pais: “Não estejais exasperando os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” (Colossenses 3:21) Restrições são necessárias, mas, às vezes, podemos multiplicar e aumentar regras até que se tornem opressivas e desanimadoras.
18 Os fariseus, da antigüidade, amavam as regras; acumulavam montões delas e produziam safras de hipócritas. É falha humana pensar que os problemas podem ser resolvidos simplesmente por se estabelecerem regras adicionais; mas as experiências da vida tornam claro que a chave real é atingir o coração. Portanto, seja econômico com regras; procure antes incutir princípios, objetivando o que o próprio Deus faz: “Porei as minhas leis na sua mente e as escreverei nos seus corações.” — Hebreus 8:10.
O PAI E A MÃE SÃO SÓCIOS
19. O que se pode fazer para garantir boa comunicação no lar?
19 O pai costuma ganhar o sustento, e quando volta para casa, depois do trabalho, talvez esteja cansado, e talvez ainda tenha outros deveres a cumprir. Mas, deve arranjar tempo para gastar com sua esposa e seus filhos. Precisa comunicar-se com a sua família, reservando tempo para palestras familiares e projetos da família, para diversões e excursões da família. Assim se edifica a união e a solidariedade da família. Pode ser que, antes de virem os filhos, ele e sua esposa passavam muito tempo fora de casa. Mas, continuarem assim, correndo para cá e para lá, e possivelmente até altas horas da noite, não seria viver à altura da responsabilidade da paternidade e maternidade. Não seria justo para com os seus filhos. Mais cedo ou mais tarde, os pais teriam de pagar o preço pela sua falta de regularidade e responsabilidade. Iguais aos adultos, os filhos se dão muito melhor quando a vida tem uma estabilidade e regularidade básica; isto contribui para a saúde mental, física e emocional. A rotina diária da vida familiar terá seu pleno complemento de altos e baixos, sem que os pais ainda os aumentem. — Veja Mateus 6:34; Colossenses 4:5.
20. No que se refere a disciplinar os filhos, o que podem os pais fazer para estarem unidos nos seus esforços?
20 O pai e a mãe devem cooperar em lidar com os filhos, ensinando-os, estabelecendo limites para eles, disciplinando-os e amando-os. ‘Uma casa dividida contra si mesma não pode ficar de pé.’ (Marcos 3:25) Os pais farão bem em considerar a disciplina que se deve adotar; poderão assim evitar que os filhos presenciem qualquer desunião com respeito à disciplina. Senão, franqueariam aos filhos tentar ‘dividir e vencer’. De fato, ocasionalmente pode acontecer que um dos genitores reaja de modo precipitado, ou se ire, e administre disciplina extrema, ou, considerando-se todos os fatores, que talvez realmente não era necessária. Talvez seja possível que os genitores falem sobre isso em particular, e, então, aquele que agiu de modo imprudente talvez queira pessoalmente endireitar a situação com o filho. Ou, caso uma palestra particular não seja possível, o genitor que acha que dar apoio ao cônjuge significaria confirmar uma injustiça talvez possa dizer algo assim: ‘Entendo por que você se zangou, e o mesmo aconteceria comigo. Mas, parece haver algo que você não percebeu, que . . .’, esclarecendo depois o que talvez tenha sido despercebido. Isto pode exercer uma influência calmante, sem revelar divisão ou desacordo na presença do filho disciplinado. Conforme diz o provérbio inspirado: “Pela presunção só se causa rixa, mas há sabedoria com os que se consultam mutuamente.” — Provérbios 13:10; veja também Eclesiastes 7:8.
21. Deve a aplicação da disciplina caber apenas a um dos genitores? Por que sim ou por que não?
21 As Escrituras Hebraicas mostram que a aplicação da disciplina é um papel duplo: “Escuta, meu filho, a disciplina de teu pai e não abandones a lei de tua mãe.” As Escrituras Gregas Cristãs fazem o mesmo: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo.” Às vezes, o pai acha que aplicar a disciplina é trabalho de sua esposa. Ou a esposa talvez adote o conceito oposto, não fazendo mais do que apenas advertir o filho travesso com: ‘Espere só o seu pai chegar!’ Mas, se há de haver felicidade na família, e se cada genitor há de receber o amor e o respeito dos filhos, então deve ser compartilhado o dever. — Provérbios 1:8; Efésios 6:1.
22. O que deve ser evitado ao se lidar com um pedido do filho, e por quê?
22 Os filhos precisam ver a cooperação unida de seus pais, neste respeito, e a disposição de cada um de arcar com sua responsabilidade. Se o filho que quer alguma coisa sempre ouve o pai dizer: ‘Vá perguntar à sua mãe’, ou se a mãe invariavelmente transfere a decisão novamente de volta para o pai, então o genitor que verifica que terá de dizer “não” ao pedido é lançado no papel de vilão. Naturalmente, pode haver circunstâncias em que o pai talvez diga: ‘Sim, pode ir para fora, por um pouco — mas fale primeiro com mamãe para ver quando o jantar vai estar pronto.’ Ou a mãe talvez ache, ocasionalmente, que, embora não objete a certo pedido, seu marido devia expressar-se sobre o assunto. Ambos, contudo, devem estar atentos a não incentivar ou permitir que o filho jogue um genitor contra o outro, para obter o que quer. A esposa também se prevenirá para não usar sua parte na autoridade de maneira competitiva, procurando por meio da indulgência obter a maior parte do afeto do filho, às custas do marido.
23. Na família, limita-se tomar decisões necessariamente apenas ao pai?
23 Na realidade, em decisões de família, cada membro pode ter pontos em que sua decisão merece consideração especial. O pai tem a responsabilidade de decidir as questões que envolvem o bem-estar geral da família, amiúde tomando as decisões depois de palestrar com os outros e de dar consideração aos desejos e às preferências deles. A mãe talvez tome decisões a respeito da cozinha e de muitos outros assuntos domésticos. (Provérbios 31:11, 27) Os filhos, ao passo que crescem, poderão ser permitidos fazer certas decisões sobre onde vão brincar, alguma escolha na roupa ou em outras coisas pessoais. Mas, deve haver suficiente supervisão parental para cuidar de que se siga princípios sadios, que a segurança dos filhos não fique em perigo e que não se infrinjam os direitos de outros. Isto pode dar aos filhos um início gradual em tomar decisões.
É FÁCIL HONRAR A VOCÊS, PAIS?
24. Terem os filhos que honrar pai e mãe lança que responsabilidade sobre os genitores?
24 Diz-se aos filhos: “Honra a teu pai e a tua mãe.” (Efésios 6:2; Êxodo 20:12) Fazendo isso, também honram o mandamento de Deus. Será que você torna isso fácil para eles? Esposa, você deve honrar e respeitar seu marido. Não é isso muito difícil quando ele faz pouco ou nenhum esforço de acatar o que a Palavra de Deus requer dele? Marido, você deve prezar e honrar sua esposa como sua ajudadora amada. Não é isso difícil, quando ela não coopera? Então, facilitem aos seus filhos obedecerem à ordem de Deus, de que devem honrar a vocês, seus pais. Granjeiem o respeito por proverem um lar pacífico, uma boa série de normas, bons exemplos na sua própria conduta, ensino e instrução sadios, e disciplina amorosa, quando necessária.
25. Que problemas podem surgir quando os pais não estão unidos quanto a como os filhos devem ser instruídos?
25 “Melhor dois do que um”, observou o Rei Salomão, “porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo”. (Eclesiastes 4:9) Quando dois andam juntos e um fraqueja, o outro está presente para ajudá-lo. Assim também na família, o marido e a esposa podem apoiar-se e animar-se mutuamente nos seus respectivos papéis. Em muitos campos da paternidade e maternidade esses papéis coincidem, e isto é bom para a união da família. Os filhos deviam achegar os pais ainda mais um ao outro, unindo-os no trabalho comum de prover instrução. Mas, às vezes, podem surgir questões divisórias sobre como o filho deve ser instruído e disciplinado. Às vezes acontece que a esposa dá tanta atenção ao filho, que o marido se sente negligenciado e até mesmo fica ressentido. Isto pode afetar sua atitude para com o filho. Pode esfriar-se para com ele, ou, em vez disso, cumular o filho de atenções, porém, dando menos atenção à sua esposa. Paga-se um elevado preço quando o marido ou a mulher perde este equilíbrio.
26. O que se pode fazer para impedir que o filho mais crescido fique ciumento quando a mãe precisa devotar mais tempo ao novo bebê?
26 Ainda outro problema poderá surgir quando chega um novo bebê e já houver um filho mais crescido. A mãe tem de gastar muito tempo com o novo bebê. Para impedir que o filho mais velho se sinta negligenciado e ciumento, o pai pode dar atenção extra ao mais crescido.
27. Quando um dos cônjuges é incrédulo, como se pode ajudar aos filhos em sentido espiritual?
27 É certo que melhor dois do que um, mas um é melhor do que nenhum. Pode ser que seja a mãe que, pelas circunstâncias, tem de criar os filhos sem a ajuda do pai. Ou pode ser o pai quem tenha de enfrentar o mesmo desafio. Muitas vezes, os lares são divididos em questão religiosa, no sentido de que um genitor, como servo de Jeová Deus, tem plena fé no conselho da Bíblia, mas o outro não. Quando o marido é o cristão dedicado, então ele, como chefe da família, tem mais controle sobre o rumo a seguir na instrução e disciplina dos filhos. Não obstante, talvez precise de muita paciência, autodomínio e perseverança; deve ser firme quando existe uma questão séria, contudo, razoável e bondoso, mesmo sob provocação, e deve ser flexível quando as circunstâncias permitem. Se a esposa for a crente, estando por isso sujeita ao marido, a maneira de seu proceder dependerá em grande parte da atitude dele. Será que ele apenas não se interessa na Bíblia, ou está oposto a que sua esposa pratique suas crenças e que se empenhe em ensiná-las aos filhos? Se ele se opuser a ela, a esposa terá de depender do proceder delineado pelo apóstolo: Pela maneira exemplar com que a esposa cuida dos seus deveres e pela sua atitude respeitosa, o marido talvez ‘seja ganho sem palavra’. Ela aproveitará também as oportunidades disponíveis para instruir seus filhos em princípios bíblicos. — 1 Pedro 3:1-4.
O AMBIENTE NO LAR
28, 29. Que espécie de ambiente no lar é desejável, e por quê?
28 O papel de ambos os genitores é prover um ambiente de amor no lar. Se isto for sentido pelos filhos, suas incertezas ou erros não se acumularão no seu íntimo por causa do medo de falar aos seus pais. Saberão que podem comunicar-se com eles e ser entendidos, e que os assuntos serão tratados com preocupação amorosa. (Veja 1 João 4:17-19; Hebreus 4:15, 16.) O lar não se tornará apenas um abrigo, mas um refúgio. A afeição parental fará o espírito dos filhos desenvolver-se e florescer.
29 Não se pode colocar uma esponja dentro de vinagre e esperar que ela absorva água. Ela pode absorver apenas o que há em sua volta. A esponja absorve água apenas se for colocada nela. Os filhos, também, absorvem seu ambiente. Eles sentem as atitudes e observam o que se pratica em volta deles, e absorvem essas coisas como se fossem esponja. Os filhos percebem os sentimentos que você tem, quer seja tensão nervosa, quer sossego pacífico. Até mesmo os bebês absorvem as qualidades do ambiente no lar, de modo que o ambiente de fé, amor, espiritualidade e confiança em Jeová Deus é inestimável.
30. Que perguntas poderão os pais fazer a si mesmos para saber se estão provendo boa orientação aos filhos?
30 Pergunte-se: Que normas espera que seu filho satisfaça? Será que vocês dois, os pais, estão à altura delas? O que representa sua família? Que espécie de exemplo é você para o filho? Queixa-se, acha defeitos, critica os outros e remói pensamentos negativos? É esta a espécie de filhos que quer? Ou tem elevadas normas para sua família, vivendo à altura delas e esperando que seus filhos também o façam? Entendem eles que pertencer a esta família requer satisfazer certos requisitos, que certa conduta é aceitável, e que certas ações e atitudes não o são? Os filhos querem sentir a segurança de fazer parte dela; por isso, deixe-os sentir sua aprovação e aceitação, quando satisfazem as normas da família. As pessoas têm o jeito de viver à altura do que se espera delas. Classifique seu filho como mau, e ele provavelmente o confirmará nisso. Espere dele o bem, e o estará encorajando a viver à altura disso.
31. Como deve sempre ser apoiada a orientação parental?
31 As pessoas são julgadas mais pelas suas ações do que pelas suas palavras. Os filhos, também, talvez não dêem tanta atenção a palavras como a ações, e amiúde estão atentos para descobrir qualquer hipocrisia. Palavras demais confundem as crianças. Certifique-se de apoiar suas palavras por colocá-las em prática. — 1 João 3:18.
32. O conselho de quem se deve seguir sempre?
32 Quer você seja pai, quer mãe, seu papel é desafiador. Mas o desafio pode ser enfrentado com bons resultados, por se seguir o conselho do Dador da vida. Cumpra conscienciosamente seu papel designado, como a Ele. (Colossenses 3:17) Evite os extremos, mantenha seu equilíbrio e ‘deixe a sua razoabilidade ser conhecida de todos’, inclusive de seus filhos. — Filipenses 4:5.
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