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Olhe para além do dia do casamentoDespertai! — 1970 | 8 de julho
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Olhe para além do dia do casamento
Está Realmente Preparado Para Dar o Grande Passo?
FORME um quadro mental do lar duma prospectiva noiva adolescente. Sim, há muita emoção e preocupação. Os pais, embora preocupados com o custo, se esforçam em fazer que o dia momentoso seja bem sucedido. A moça talvez fique alternadamente deprimida e risonha. Sabe que está para se dar uma grande mudança na sua vida. Mas sabe realmente quão grande irá ser esta mudança?
E depois há o jovem. Ele também é adolescente e também se sente emocionado com o grande dia. Fizeram-se planos para estabelecer um novo lar logo após o casamento. Mas, neste ponto, toda a atenção se fixa no dia de casamento. Tanto o rapaz como a moça já presenciaram casamentos e se sentiram arrebatados pela excitação e o encanto de tais ocasiões. Já podem ver até mesmo os convidados ao casamento rodeando-os para congratulá-los e trazer-lhes presentes.
Mas, estão estes dois jovens prontos para dar este grande passo? Conhecem-se realmente um ao outro? Falando sobre estes primeiros dias do amor de adolescentes, certa autoridade declara: “Cada um do par forma no início um quadro idealístico do outro. Se o casamento ocorrer durante o primeiro fulgor do entusiasmo, é provável que ambos depois serão acordados rudemente.” Como podem ter a certeza de que não se trata apenas duma paixonite juvenil que acabaria dentro de poucos meses?
Talvez seja adolescente e ainda não se comprometeu a casar-se. Talvez pense nisso, porém. Quão sábio é encarar os fatos agora, refreando-se de se apressar a um casamento sem o devido preparo ou ajuste antecipado! A vida de casado pode dar alegria, paz, um ambiente de estabilidade e contentamento. Mas há também fracassos. E quer evitar estes.
Algo em Que Pensar
O que torna desejável a reflexão ponderada e antecipada de todas as armadilhas no casamento? É que se contrai um compromisso permanente quando se prende no vínculo do casamento cristão. Perante Deus não pode haver desculpa pelo rompimento deste vínculo por qualquer razão a não ser a infidelidade marital da parte de um dos cônjuges. ‘Até que a morte nos separe’ é um voto solene que os cônjuges fazem. — Mat. 5:31, 32.
Portanto, o encanto do dia de casamento não deve desviar a mente das questões vitais que dizem respeito àqueles dias, meses e anos que os aguardam depois da cerimônia do casamento. Todo aquele que pretende casar-se devia perguntar-se sobriamente: Estou adequadamente preparado para este novo papel na vida, pronto a desincumbir-me das responsabilidades? Os jovens solteiros certamente podem observar o que os pais têm de fazer. Podem observar que o marido sustenta a sua família financeiramente e que ele cuida da manutenção dos pertences da casa. Podem ver que o papel da esposa é o de cuidar do lar — cozinhar, limpar, costurar e cuidar dos filhos. Mas o que podem fazer para preparar-se para isso?
Se o jovem não tiver um ofício ou não tiver emprego adequado para cuidar de si mesmo e da sua futura esposa, e talvez dentro em pouco dum filho, pode-se dizer que está bem preparado para o casamento? Também, cooperou com o pai em cuidar das coisas práticas na casa? A jovem também precisa participar em todos os deveres domésticos com a sua mãe, tornando-se eficiente e tendo sempre em mente as qualidades excelentes da “esposa capaz” delineadas no livro bíblico de Provérbios, capítulo 31. Já fez realmente tais coisas? O casamento bem sucedido não é uma lua-de-mel prolongada. Antes, é uma associação firme, profundamente satisfatória, em que cada um contribui generosamente para o bom êxito do empreendimento.
A religião é de consideração vital quando se trata de se preparar para um casamento bem sucedido. A menos que os cônjuges se entendam mutuamente na questão dos requisitos de Deus para os seus adoradores, como podem esperar obter bom êxito? Como podem colaborar em ensinar aos seus filhos o que é certo e verdadeiro? A Bíblia aconselha sabiamente: “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos”, quer dizer, com os que não aceitam a verdade dos ensinos bíblicos em que confia como seu guia na vida. — 2 Cor. 6:14, 15.
Não basta que um dos prospectivos cônjuges tolere os conceitos religiosos do outro. Não, porque podem surgir questões que podem desfazer tal tolerância — a questão de quem decide assuntos vitais que afetam a família, por exemplo. Pode a moça ver no jovem com quem planeja casar-se alguém que ela pode aceitar como sua “cabeça”, alguém pelo qual sempre terá “profundo respeito”? (Efé. 5:23, 33) Pode o homem ver na sua prospectiva esposa alguém que sempre será submisso, não competidor pelo lugar de liderança na família? — 1 Ped. 3:1.
Há muitas desilusões no casamento prematuro. Segundo certas autoridades no campo do conselho matrimonial, “dois de cada três casamentos de adolescentes acabam naufragando”. Os jovens cônjuges descobrem tarde demais que tinham apenas uma paixonite infantil. Tarde demais descobrem que não são compatíveis. Desejam tarde demais que tivessem olhado para além do dia de casamento e se preparado para os papéis de marido e mulher. Sua paixão os induziu a uma ação precipitada.
Que Dizer do Impulso Sexual?
No entanto, crê-se muitas vezes que o impulso sexual implantado em nós deve determinar quando se deve tomar um cônjuge. Isto talvez seja assim com os animais, mas o homem é superior aos animais, ou o devia ser. Os humanos inteligentes sabem muito bem que nunca se deve permitir que o impulso sexual tome as rédeas na mão e dirija o curso da vida da pessoa. É verdade que os sentimentos constituem um elemento essencial na nossa vida, mas a mente deve supervisionar, controlar, sim, até mesmo dominar os sentimentos, quando isso é necessário para o nosso bem-estar. Se as pessoas sempre fizessem o que têm vontade de fazer, este mundo estaria ainda em pior situação do que está hoje.
O impulso sexual é um fator a ser considerado no casamento. (1 Cor. 7:9) Mas existem também outros fatores, os quais, se desconsiderados, podem privar o matrimônio do bom êxito. Por exemplo, poderia deixar-se de lado o bom juízo. Pense no que acontece quando alguém compra um objeto sem verificar a sua qualidade. De início, talvez pareça bastante bom, mas quando examinado quanto à qualidade, talvez se mostre inferior. Tal descoberta no que se refere ao cônjuge, depois do dia de casamento, é tarde demais, como no caso em que alguém se vê casado com um queixoso crônico. O tempo de se pensar em tal possibilidade é agora.
‘Mas o impulso sexual é forte demais’, é o que têm afirmado alguns. Mas por quê? É porque lêem livros ou vêem filmes que glorificam o sexo e o elevam a uma posição que não merece? É porque ficaram íntimos demais com os do sexo oposto, excitando a sua paixão a um nível perigoso? É assim que muitas vezes os rapazes e as moças ficam obsedados com a idéia de que precisam casar-se logo.
O Modo Melhor
Quanto melhor, quanto mais sábio é não se deixar levar apressadamente a tal decisão de longo alcance, tal como a que envolve a sua escolha dum cônjuge! Em primeiro lugar, é proveitoso ter passado pela experiência de se manter sozinho como pessoa, depois de ter passado o estágio da adolescência, dependendo dos seus próprios recursos, físicos, mentais e espirituais. Os adolescentes que passam imediatamente do cuidado dos pais para o estado de casados perdem esta oportunidade. Nunca chegam a conhecer a realidade da vida de solteiro. Tudo o que sabem é depender do cônjuge ou do pai, para ter proteção e felicidade.
Depois há a extrema seriedade do voto que se precisa fazer para aceitar alguém em casamento, ‘aconteça o que acontecer’. Um voto feito apressadamente, sem plena consideração de tudo o que está envolvido, oferece pouca promessa, pois lemos em Provérbios 29:20: “Observaste o homem que é precipitado com as suas palavras? Há mais esperança para o estúpido do que para ele.”
O prospectivo cônjuge precisa ser observado tanto em condições desfavoráveis como nas favoráveis. E isto leva tempo. Ajuda também travar conhecimento com os pais do prospectivo cônjuge. Um conselheiro matrimonial, médico, observou que ‘ver a mãe do seu noivo servir a refeição, observar pai e mãe juntos, é um modo em que a moça pode ter alguma idéia do que seu futuro esposo provavelmente espere dela’. Do mesmo modo, o jovem pode obter alguma idéia da espécie de esposa que sua noiva será por observar a mãe dela por algum tempo.
Leva também algum tempo para os respectivos pais chegarem a conhecer aquele ou aquela com quem seu filho ou sua filha pretende casar-se. Alguns talvez digam: ‘Isto não é importante.’ Mas então, se o casamento tiver dificuldades, a quem vão recorrer os recém-casados para obter atenção compassiva ou alguma ajuda e conselho, para sanar as diferenças? Pode ser que os pais talvez não selecionem os cônjuges para os seus filhos, como se fazia antigamente, mas podem dar conselho útil à base de sua experiência, especialmente se forem bem versados nos excelentes princípios da Bíblia.
Naturalmente, quando se compreendem os benefícios derivados do período de espera antes de se lançar no casamento, então ele ou ela precisa compreender que a associação íntima com o sexo oposto ou ler livros e ver filmes que têm o sexo por tema não são para eles. Hábitos de leitura e associações edificantes precisam tomar o lugar disso.
Adotar o modo melhor resultará em muitos benefícios. Haverá maior estabilidade na sua vida. Poderá pensar mais calma e lucidamente sobre as questões vitais, inclusive o amor e o matrimônio. Olhará bem para além do dia de casamento, preparando-se de antemão para o seu papel de marido ou mulher. Tem mais probabilidades de usufruir uma vida feliz e duradoura de casado com as ricas bênçãos de Deus.
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Ajudando outros a se tornar espiritualmente fortesDespertai! — 1970 | 8 de julho
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Ajudando outros a se tornar espiritualmente fortes
UM MINISTRO viajante das testemunhas de Jeová no Colorado, EUA, teve o privilégio de ajudar uma pessoa interessada a se tornar espiritualmente forte. Como o fez? Considere o que diz na seguinte experiência:
“Em certa congregação, eu e o ministro-presidente revisitamos uma senhora que estava muito interessada na Bíblia. Iniciamos um estudo bíblico com ela, e ela fez rápido progresso. Pouco depois, ela e a família toda começaram a freqüentar as reuniões no Salão do Reino. Seu filho, João, parecia especialmente ansioso de fazer rápido progresso à madureza espiritual.
“João desejava comentar nas reuniões, mas não sabia como. Mostrei-lhe como eu estudava a lição de A Sentinela, e o método de sublinhar os pontos básicos em resposta às perguntas impressas ao pé da página. Ficou entusiasmado com a idéia. Quando voltei para a minha próxima visita, fiquei maravilhado de ver João tomar plena parte nas reuniões.
“Em seguida, desejei ajudar João a ter parte de todo o coração na obra de pregação e a criar a atitude correta para com ela. Destaquei certas coisas de que ele precisava lembrar-se. Uma delas era que Jeová dirige este trabalho e que não devemos ficar desencorajados se houver pouca acolhida. Estamos publicando o nome e o propósito de Jeová e agindo como Suas testemunhas. Ilustrei isso com um mensageiro telegráfico. Quer as pessoas apreciem quer não o que o telegrama contém, o mensageiro cumpriu sua tarefa ao entregar o telegrama.
“Na minha seguinte visita, pude ajudar João a revisitar os que mostravam interesse na Bíblia. Expliquei o valor de preparar-se para tais visitas e o principal propósito delas, a saber, iniciar estudos bíblicos com tais pessoas. Ele acatou bem tal ajuda, pois, ao voltar a visitar sua congregação, ele dirigia três estudos bíblicos domiciliares.
“Cerca de um ano depois de João começar a freqüentar às reuniões, deu o corajoso passo do batismo. Destaquei-lhe a necessidade de apegar-se de perto a Jeová e Sua organização, e de estudar regularmente sua preciosa Palavra, a Bíblia. Também disse a João que esperasse oposição e que precisava esforçar-se continuamente para se manter espiritualmente forte e crescer à madureza.
“Mais tarde, tive o indizível prazer de ouvir João contar algumas de suas experiências no programa da assembléia de circuito. Sim, tinha progredido bastante, a fim de se tornar espiritualmente forte. Talvez, o que mais surpreenda e emocione nesta experiência é que João só tem dez anos de idade.”
Outra Testemunha nos conta como ajudou uma pessoa interessada a crescer rapidamente em vigor espiritual: “Comecei a estudar com uma senhora que mostrava vívido interesse em aprender a Bíblia. À medida que estudávamos, ela anotava pontos extensivos num caderninho, anotando pontos chaves e textos que os apoiavam. Depois de sua segunda lição, falou com velha amiga todas as coisas que aprendia. Impressionada, sua amiga lhe pediu que lhe ensinasse todas estas coisas. Ela então afirmou não estar habilitada, porque apenas aprendia, de modo que mandaria outra pessoa. ‘Não’, replicou-lhe a amiga, ‘Quero que seja você. Quanto tempo demorará até ficar habilitada?’ A nova estudante disse que não sabia, mas que me perguntaria.
“Em nosso seguinte estudo, tal senhora estava num dilema de como cuidar da necessidade espiritual de sua amiga. Afirmava não poder ensinar nada a ninguém. Perguntei-lhe por que não, e expliquei que Jeová, pelo Seu espírito, habilita a pessoa a ensinar. Ademais, disse-lhe que o que importava não era tanto quanto a pessoa sabe, mas quanto ama aquilo que sabe e se dispõe a usá-lo que resulta na bênção de Jeová. Expliquei-lhe que, quanto mais usamos as coisas aprendidas, tanto mais realmente as aprendemos.”
“Encorajei-a a usar o mesmo folheto que estudávamos e a mesma matéria que abrangêramos nas semanas anteriores. Ela concordou com tal método. Dentro em pouco, iniciou outro estudo, além do estudo com sua velha amiga. Ambas as pessoas com quem estuda já vieram à reunião no Salão do Reino e uma delas até mesmo assistiu à assembléia de distrito. Esta zelosa senhora tem dito que Jeová a abençoou além de todas as expectativas, de modo que se dedicou a fazer a Sua vontade. Depois de apenas cinco meses foi mergulhada em água, simbolizando sua dedicação pelo batismo em água. Agora, aguarda a oportunidade de gastar todo o seu tempo no serviço de Deus.”
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