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Problemas na vida familiarDespertai! — 1974 | 8 de outubro
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Problemas na vida familiar
NAS famílias que conhece, como se dão os membros? Mostram marido e mulher genuíno amor e interesse um pelo outro? São os filhos bem comportados e felizes? Qual é a situação em sua própria família?
Embora algumas famílias gozem duma vida feliz em comum, muitas não gozam. O que acontece em muitas famílias fornece motivos de séria preocupação. Como relata o Times de Los Angeles, EUA:
‘‘Virtualmente em cada quarteirão, em todo bairro, cidade e subúrbio chique, os casais dão pontapés, cotoveladas, tapas e socos. Os ricos e os da boa criação lutam tanto quanto os pobres e incultos, e a escolha das armas varia das latas de cerveja, garrafas, e facas de pão, às frigideiras e peças de mobília.” — 18 de outubro de 1973.
A maioria das agressões com agravantes, e muitas mortes, provém destas guerras familiares. Ora, um de cada cinco oficiais de polícia mortos no cumprimento do dever, nos EUA, morreu, segundo relatado, ao atender um chamado para acabar com uma disputa marital!
A maioria das brigas familiares não se evidenciam fora do lar. Todavia, mesmo assim são extremamente danosas. Tanto assim que os problemas nas famílias se tornaram uma preocupação do governo. Ao comentar os relatórios apresentados a um painel do Senado dos EUA, o Beacon Journal de Akron noticiou: “A família estadunidense se está rompendo nas costuras.”
É algo realmente assim tão sério? Veja as seguintes estatísticas de divórcios.
Desintegração dos Vínculos Maritais
Em 1962, houve 413.000 divórcios nos EUA. Dez anos depois, esse número mais do que dobrara, subindo para 839.000! E o rompimento das famílias ganha ímpeto.
Nos primeiros nove meses de 1973, houve um aumento de 9% de divórcios em comparação com o mesmo período de 1972. A essa taxa de aumento, mais de 2.000.000 de estadunidenses se divorciarão em 1974.
Presentemente há dois divórcios para cada cinco casamentos. Mas, em muitos estados, o divórcio atinge mais que a metade dos casamentos! Eis aqui algumas estatísticas para 1972, tiradas do World Almanac and Book of Facts de 1972:
ESTADO CASAMENTOS DIVÓRCIOS
Alasca 3.682 2.096
Arkansas 24.949 13.762
Califórnia 173.563 111.162
Flórida 81.322 51.688
Oregon 18.824 12.435
Washington 40.814 20.702
Quais são as conseqüências dessa estonteante taxa de divórcios? Por um lado, cerca de um em cada quatro filhos vive sem um dos genitores, quase o dobro do número dos em tal situação há dez anos atrás. Os efeitos têm longo alcance e são trágicos. Relata uma professora do primeiro ano em Massachusetts:
“É muito difícil se ter uma sala de aula em que as crianças todas se sentam e fazem algo juntas, o que se podia fazer, se não há cinco, pelo menos há dez anos atrás. As crianças de hoje tendem a ser muito mais perturbadas. A professora tem de ser muito compreensiva quanto aos problemas que as crianças têm de enfrentar em casa.”
Em outros países, a situação é similar. Sob o título “Vida Familiar em Perigo”, o Daily Mail de Londres noticiou:
“A amplitude dos colapsos matrimoniais na Grã-Bretanha, com 110.000 divórcios em 1971 — o dobro da taxa de 1968 — é agora um dos principais problemas sociais, afirma o Dr. [Jacobus] Dominian. Ultrapassa o alcoolismo, os crimes graves, as DV e as ofensas sexuais.” — 18 de junho de 1973.
Na Indonésia, cerca de um terço de todos os casamentos acabam em divórcio. A Austrália experimentou um aumento de 20% no número de divórcios num ano recente. No Egito, onde se pratica a poligamia, houve 700.000 divórcios em 1970, em comparação com apenas 325.000 casamentos.
Estatísticas Contam Apenas Parte da História
Muitos cônjuges simplesmente vão embora. Nem sequer se incomodam em divorciar-se. O Times de Nova Iorque disse sobre essa situação nos EUA:
“O número de esposas que fogem de casa, ou que abandonam o casamento, subiu dramaticamente nos últimos 10 anos.
“As agências de detetives especializadas em procurar pessoas desaparecidas relatam que a proporção entre esposas e maridos desaparecidos, em especial nas grandes cidades do leste subiu de cerca de 1 em 100, há uma década, para mais de 1 em 3.” Outra fonte afirma que em 1973 a proporção já era quase igual.
Milhões de outros casais permanecem juntos, todavia, seu relacionamento é muito ruim. “Até mesmo o divórcio físico entre o marido e a mulher, sem uma declaração dum tribunal, não é incomum”, explica o Juiz dum Circuito dos EUA, Marvin J. Sternberg. “Vivem vidas separadas e distantes, às vezes até na mesma casa, às vezes até no mesmo quarto de dormir, mas suas emoções, ações e conduta de um para com o outro indicam que são separados e distintos.”
Em tais casamentos, os cônjuges amiúde obtêm satisfação emocional e sexual de outros. Calcula-se que três de cada cinco maridos, e talvez até mesmo uma de cada três esposas, nos EUA, tenham casos extramaritais. O adultério por consentimento mútuo — chamado “swinging” — também se tornou popular. Cerca de oito milhões de estadunidenses, crê-se, são ocasionais “swingers” (trocadores de esposas).
Esta falta de respeito pelos vínculos maritais tem tido efeitos trágicos, em especial sobre os jovens.
Jovens em Dificuldades
A zombaria que os mais velhos têm feito do casamento moveu muitos jovens a pôr completamente de lado os padrões morais. “Faça o que achar melhor”, ou: “Consiga isso enquanto pode”, é seu lema. O Daily News, de Nova Iorque, explica:
“Relacionamentos sexuais sem casamento são agora amplamente reconhecidos pelos pais, pelas faculdades e pelo público em geral. Há uma espécie de tolerância quieta da imoralidade, como se fosse fútil opor-se à nova onda irresistível.”
As milhões de jovens que fazem abortos refletem esta onda avolumante de imoralidade tolerada. O número crescente de filhos ilegítimos é outra evidência dela. Em 1970, a Califórnia alcançou um recorde de 46.600 filhos ilegítimos. Em toda a nação, em 1969, houve mais de 200.000 jovens com menos de 18 anos que se tornaram mães.
Na Suécia, um de cada cinco bebês nasce fora do casamento. Cada oitavo bebê neo-zelandês é ilegítimo; uma de cada dez crianças nasce fora do casamento no Canadá, e uma em cada doze é ilegítima na Austrália. Noticia o Daily Mail de Londres: “Um terço de todas as noivas adolescentes já estavam grávidas no dia de seu casamento.”
E o que se passa nas famílias que não se divorciam? Por um lado, muitos pais pouco ou nenhum controle exercem sobre seus filhos. Amiúde, há constantes discussões quanto à conduta. Ou talvez exista silenciosa resignação, os pais e os filhos seguindo cada um seus caminhos separados. Milhões de famílias precisam desesperadamente de ajuda para resolver seus problemas.
Indicando isto, um psicólogo bem-conhecido comentou o ano passado: “Durante a hora em que estou na rádio, cada manhã, a estação WMCA, de Nova Iorque, é inundada com a média de 5.000 telefonemas. A maioria é de mulheres — sobre problemas matrimoniais.”
Talvez não esteja entre esses milhares que telefonariam, mas, também, apreciaria obter ajuda nos problemas familiares. Há muitas coisas que as esposas, os maridos e os pais podem fazer para melhorar a situação na família, e estas são consideradas nos artigos seguintes desta revista.
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O que pode fazer a esposa?Despertai! — 1974 | 8 de outubro
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O que pode fazer a esposa?
AS ESPOSAS com freqüência fazem essa pergunta em tom de desespero. A solução de seus problemas maritais simplesmente, parece estar além de seu alcance.
Tais esposas, infelizmente, não constituem exceções. Hoje parecem ser a maioria — resultado do que o psicólogo Israel Charny chama de “o estado quase desastroso da maioria dos casamentos”.
Portanto, para muitas serão notícias felizes ouvir dizer que, apesar da gravidade dos problemas familiares, há um meio de resolvê-los com êxito. Considerarmos a origem do casamento lança muita luz sobre os problemas, e a solução.
Onde Se Originou o Casamento
Muitos crêem que o casamento tenha origem humana, que, de algum modo, foi inventado no passado distante pelos homens. Esta idéia é a própria raiz do desastroso colapso familiar atual. Por que dizemos isso?
Porque põe de lado, como não sendo importantes, os mais excelentes conselhos para os problemas maritais. O casamento é realmente duma origem mais elevada. O próprio Deus Onipotente criou o primeiro homem e a primeira mulher, deu-lhes poderes reprodutivos, e uniu-os em casamento. Deus também forneceu instruções, registradas na Bíblia, sobre como ter êxito no casamento. Quando se segue de perto estas instruções, usufrui-se o êxito matrimonial.
Pode a Bíblia Realmente Ajudar?
Alguns objetam, dizendo que há pessoas que há muito têm a Bíblia, e mesmo assim seus casamentos fracassaram. A taxa aumentada de divórcios, afirmam, deve-se a que menos casais agüentam casamentos infelizes.
Há considerável verdade neste argumento. Milhões de casais infelizes deveras possuem a Bíblia. Mas, leram-na? Mais importante: aplicaram seus princípios nas vidas deles? O fato simples é que os conselhos da Bíblia já ajudaram a muitos casais a cuidar com êxito de seus problemas familiares.
Se deseja ter um casamento feliz, é sábio examinar, pelo menos, os problemas familiares à luz do que diz este livro, a Bíblia.
Quando o Sexo É Problema
O sexo é comumente citado como um dos principais problemas no casamento. Isto se dá amiúde devido a conceitos irrealísticos patrocinados pelos veículos noticiosos. Livros, revistas e filmes populares apresentam casais que ‘se apaixonam’ e vivem ‘felizes para sempre’. As publicações também sublinham os prazeres sexuais, amiúde suscitando expectativas muito além da realidade.
Para ilustrar, explicava uma jovem esposa: “Acho que eu queria que o sexo fosse uma espécie de sorte grande psicodélica que fizesse o mundo inteiro se iluminar como uma máquina de pinball. Eu quero dizer, tudo estava certo, mas eu continuava pensando: ‘Será que isso é tudo? Será que é realmente tudo?’”
A preocupação dominante da esposa era seu próprio prazer sexual. Não estava satisfeita. Esta é a queixa de muitas mulheres — a de que seus maridos não as satisfazem sexualmente. Nesse caso, o que pode a esposa fazer? Será possível ela obter maior satisfação? Diz a Bíblia algo de útil?
Note o encorajamento direto que fornece: “O marido renda à esposa o que lhe é devido; mas faça a esposa também o mesmo para com o marido. Não vos priveis um ao outro disso, exceto por consentimento mútuo.” — 1 Cor. 7:3, 5.
Segundo este conselho bíblico, a quem o cônjuge deve preocupar-se primariamente em agradar? A si mesmo, como era o interesse principal da esposa acima-mencionada? Não, antes, porém, ao cônjuge. O princípio sublinhado aqui na Bíblia é o de render, dar. O bem-estar e prazer do cônjuge, e não o seu próprio, é devidamente o predominante. Isto se harmoniza com outros princípios bíblicos: “Que cada um persista em buscar, não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa.” “O amor . . . não procura os seus próprios interesses.” — 1 Cor. 10:24; 13:4, 5.
Mas, como pode aumentar a satisfação duma esposa por ela procurar agradar seu marido? Bem, o prazer das relações sexuais depende principalmente da mente e do coração. Assim, quando as esposas consideram as relações sexuais como oportunidade de demonstrar seu profundo amor por seus maridos, mais freqüentemente, como resultado indireto, verificam que elas mesmas apreciam em maior grau tais relações. Quando a mente da esposa não se fixa principalmente em suas próprias sensações, amiúde se descontrai. Qualquer ressentimento que talvez tenha se desfaz, e o prazer pessoal que realmente deseja do ato matrimonial é alcançado como conseqüência natural.
O maior mestre que já andou pela terra, Jesus Cristo, indicou que dar de si, por sua vez, traz satisfação à pessoa. Disse ele: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” Vez após vez, este princípio resultou veraz em conexão com as íntimas relações maritais. — Atos 20:35.
Ademais, a aplicação do conselho bíblico provavelmente resulte na satisfação da esposa, por causa do efeito disso sobre o marido. Fará mais do que qualquer outra coisa em movê-lo a começar a agir altruistamente para com ela, sendo mais considerado para com as necessidades e desejos dela. Já aconteceu isto em muitos casamentos. Quem toma a iniciativa em dar é retribuído com a mesma coisa. — Luc. 6:38.
Assim, a Bíblia insta a que se mostre altruísmo e amor ao render os deveres maritais. Tente praticar isto. Veja se não a levará, por fim, a obter maior satisfação marital.
Quando os Maridos não Têm Iniciativa
A Dra. Rebecca Liswood, conselheira matrimonial com mais de vinte anos de experiência, observou outro grande problema matrimonial, explicando: “Muitas de minhas clientes queixam-se da fraqueza e irresolução de seus maridos.”
Esta talvez seja sua queixa. Seu marido talvez deixe de assumir suas responsabilidades familiares como acha que deveria. O que pode fazer a respeito?
De novo, a Bíblia fornece ajuda. Mostra que o homem e a mulher foram criados com qualidades e responsabilidades um tanto diferentes, visando que sua união contribuísse para a felicidade mútua. Depois de criar o homem, disse o Criador: “Vou fazer-lhe uma ajudadora como complemento dele.” — Gên. 2:18.
Os dois foram assim criados para ficar juntos; suas qualidades equilibravam ou complementavam um ao outro. Cada um foi criado com uma necessidade que o outro satisfazia. Assim, a mulher foi feita como ajudadora do marido, e, em harmonia com tal papel, a Bíblia insta: “As esposas estejam sujeitas aos seus maridos . . . porque o marido é cabeça de sua esposa.” (Efé. 5:22, 23) Isto é prático, pois, não havendo cabeça na família, usualmente há discórdia e confusão.
‘Mas, esse é que é o problema’, talvez diga. ‘Meu marido não assume a chefia; não lidera.’ Todavia, já considerou por que ele não o faz? Poderia a sua própria atitude, como esposa, ser parte do problema?
Hoje, a agressividade e a competição femininas com os homens se tornaram comuns. Não terá sido contaminada por parte desse espírito, como o foram outras esposas? Exemplificando: A Dra. Liswood disse que, muito embora deixem de reconhecê-lo, as “próprias táticas agressivas” das clientes dela amiúde são uma fonte dos problemas familiares.
Muitos maridos sentem-se repelidos quando as esposas tomam a dianteira. Sua reação talvez seja: ‘Se ela quer mandar, então que mande.’ Talvez não seja sua intenção agir de forma independente de seu marido, mas ele talvez pense que é.
Todavia, talvez ache que é obrigada a liderar, visto que seu marido simplesmente não o fará. Mas, poderia fazer mais empenho em encorajá-lo a cumprir seu papel correto na família? Pede as sugestões e orientações dele? Indica que o respeita quanto à liderança? Evita, de qualquer modo, menosprezar o que ele faz? Quando, em pequena escala, ele manifesta a disposição de fazer decisões ou liderar os assuntos familiares, expressa apreço por isso? Ou argumenta contra as decisões dele?
Se realmente se empenhar em cumprir seu papel designado por Deus no casamento, é provável que seu marido comece a assumir o dele. E isto contribuirá para a genuína paz e felicidade familiares.
Quando Há o Colapso das Comunicações
Outra queixa, talvez a mais comum expressa pelas esposas, é mais ou menos a seguinte: ‘Meu marido foi muito considerado durante o nosso namoro, mas não é mais agora. Dificilmente pára em casa, e, quando está, não faz nenhum esforço de conversar comigo.’
Será que um problema de comunicação ameaça o bem-estar de sua família? Não precisa ameaçar, pois a Bíblia ajuda os cônjuges a considerar realisticamente os assuntos.
Para exemplificar: a Bíblia sublinha que todos somos imperfeitos. “Todos nós tropeçamos muitas vezes”, diz. “Se alguém não tropeçar em palavra, este é homem perfeito.” (Tia. 3:2) Assim, então, será realístico esperar perfeita harmonia marital em palavras e ações? Reflita: Antes de casar-se, gozava de relações perfeitas com seus irmãos e irmãs, colegas de escola ou possíveis companheiras de quarto, sem jamais trocarem uma palavra áspera? Se não, por que esperar relações impecáveis com seu cônjuge?
Não fique surpresa se diferenças de opiniões ou expressões causarem problemas. Não conclua, como algumas esposas aparentemente fazem, que uma disputa ou conflito seja evidência de que ‘ele não me ama mais’. Tente lidar com o problema de forma objetiva. Na verdade, talvez se sinta emocionalmente ferida, mas tente não pensar principalmente em seus próprios sentimentos feridos, ou em como vingar-se. Isto somente ampliará o problema. Antes, considere o que pode fazer para resolver a dificuldade. Faça isso imediatamente. Lembre-se do conselho da Bíblia: “O amor . . . não fica encolerizado. Não leva em conta o dano.” — 1 Cor. 13:4, 5.
Analise sua própria conduta. Poderia ter certa medida de culpa? Poderia, por exemplo, de alguma forma, ter falhado em acatar a esta admoestação bíblica: “A esposa deve ter profundo respeito pelo seu marido”? (Efé. 5:33) “Profundo respeito” fará com que a esposa evite tudo que resulte no desagrado do marido. Deixar de mostrar tal respeito amiúde é responsável pela indiferença do marido.
Muitos maridos se afastam devido às amolações da esposa contenciosa. (Pro. 25:24; 27:15) Em certo caso, um senhor divorciado disse: “Sabe o que pôs um ponto final entre eu e Estela? Foi a necessidade que ela tinha de estar certa a todo o custo. . . . sempre que algo saía errado, sua ladainha era ‘Eu bem que lhe avisei!’” Tem cuidado em evitar tais expressões que mostrariam desrespeito por seu marido?
“Profundo respeito” também pode ser mostrado pela aparência da esposa. Tenta ser atraente ao seu marido? Teria ele continuado a visitá-la antes de se casarem se não desse mais atenção à sua aparência e higiene pessoal do que dá agora? O que dizer de sua casa? É mantida limpa e asseada? São as refeições preparadas com bom gosto? Quando ele chega em casa, dá-lhe boas-vindas com genuíno afeto? O respeito ao seu marido inclui dar atenção de perto a todos esses assuntos.
Quanto à queixa muitas vezes ouvida: ‘Ele não conversa mais comigo’, disse certa senhora: “A razão especial por que os homens não conversam com suas esposas é simplesmente que somos tão péssimas ouvintes.” Dá-se isso com a leitora? Quando seu marido fala, intromete-se, folheia uma revista ou volta seus ouvidos para algum outro assunto? A falta de interesse nas opiniões e nos sentimentos dele certamente não revela “profundo respeito”.
Por analisar sua conduta à luz dos conselhos da Bíblia, talvez veja coisas que possa fazer para melhorar o modo de cuidar dos problemas familiares. A aplicação da instrução de Deus trouxe contentamento e felicidade a milhares de lares atribulados.
Quando os Maridos não Correspondem
Todavia, o que fazer se, apesar dos esforços duma esposa, o marido dela continua a tornar difícil a vida? Para a esposa cristã ainda há considerável satisfação, pois, como observa a Bíblia: “Se perseverais quando estais fazendo o bem e sofreis, isto é algo agradável a Deus.” — 1 Ped. 2:20.
Em tal sofrimento, o próprio Jesus Cristo deu o exemplo, como prossegue a indicar o relato da Bíblia: “Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide. Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele que julga justamente. . . . Da mesma maneira vós, esposas, estai sujeitas aos vossos próprios maridos.” — 1 Ped. 2:23-3:1.
Admitidamente, isto não é fácil de fazer, assim como não foi fácil Jesus suportar submissamente a perseguição. Todavia, ter um “marido incrédulo” não é base para divórcio. (1 Cor. 7:13) Mas, como no caso de Cristo, a esposa pode manter-se em seu proceder justo graças ao contentamento e à satisfação advindos de saber que ela faz o que é agradável ao Deus Onipotente. E pode ter certeza de que sua fidelidade será lembrada e recompensada por Deus em seu novo sistema justo. — 2 Ped. 3:13; Rev. 21:3, 4.
Assim, há um limite no que a esposa possa fazer para resolver com êxito os problemas familiares. Para a solução mais completa dos problemas, ela precisa da cooperação do marido.
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O que os maridos podem fazerDespertai! — 1974 | 8 de outubro
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O que os maridos podem fazer
O ÊXITO no casamento depende dos esforços de ambos os cônjuges. Todavia, o marido tem a maior responsabilidade pelas condições existentes na família. Isto se dá por causa de sua posição. A Palavra de Deus, a Bíblia, diz: “O marido é cabeça de sua esposa.” — Efé. 5:23.
O marido talvez ache que sua esposa é a causa básica dos problemas. Mas, se for, não seria sinal de boa chefia se pudesse resolver com êxito os problemas dos que estão sob seus cuidados?
Alguém talvez objete: ‘Lidar com minha mulher é diferente. É mais fácil dirigir cem homens na minha firma do que viver pacificamente com ela.’
Talvez haja um pouco de verdade nisto, pois, via de regra, os problemas familiares são os mais difíceis para os homens lidarem. Sem dúvida, é por isso que o Criador da família forneceu aos maridos bastantes conselhos sobre como tratar corretamente suas esposas. Tendo-as feito, certamente Deus conhece melhor como os maridos deveriam tratar suas esposas.
A Chave Para Calorosa Intimidade Marital
O Criador propôs que calorosa intimidade fosse usufruída no casamento, e, assim, fez a mulher “como complemento” do homem. Os cônjuges, portanto, não deviam ser simplesmente conhecidos que partilham a mesma habitação; deviam ser “uma só carne”. (Gên. 2:18, 24) Suas respectivas qualidades seriam equilibradas, complementadas, tão bem que seria possível uma relação verdadeiramente deleitosa. Todavia, é um tanto raro encontrar essa calorosa intimidade entre os cônjuges.
Os maridos, por exemplo, com freqüência se queixam de que as esposas são frias demais para ser companheiras sexuais adequadas. Mas, por quê? Onde está o problema? Como chefe da família, o marido devia certamente lidar com o problema de forma inteligente.
A Bíblia Sagrada declara: “Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio, pois nenhum homem jamais odiou a sua própria carne; mas ele a alimenta e acalenta.” (Efé. 5:28, 29) Quão importante é tal conselho? Precisam as esposas ser realmente amadas pelos maridos?
Precisam, sim. Os conselheiros matrimoniais amiúde sublinham isto. Por exemplo, o Dr. David Reuben observou: “A esposa precisa especialmente dessa forma especial de atenção que envolve a ternura, o entendimento e a confirmação.”
É uma verdade cardeal: Para que as esposas se sintam genuinamente felizes, precisam sentir que são amadas. Assim, a chave para calorosa intimidade marital é os maridos satisfazerem tal necessidade. A Bíblia insta com os maridos: “Cada um de vós, individualmente, ame a sua esposa como a si próprio.” — Efé. 5:33.
Por Que o Amor Precisa Expressar-se
No entanto, os homens amiúde consideram desnecessário expressar seu amor pelas esposas, achando aparentemente que sustentá-las em sentido material é evidência suficiente de seu amor. Mas, quando se retêm expressões de afeto, como é atingida a esposa? A seguinte carta duma esposa talvez lhe dê alguma idéia. Ela escreveu:
“O meu problema é o seguinte: Sinto grande necessidade . . . duma conversinha doce, dum elogio, a sensação de ter o seu braço na minha cintura quando estou cozinhando — ou a oportunidade de sentar no colo dele. Trocaria todas as coisas materiais que eu tenho por um abraço afetuoso.”
Sim, as esposas necessitam que se lhes mostre amor. Florescem quando o recebem, tornando-se mais contentes e, amiúde, até mais fisicamente atraentes. Foram criadas com tal carência de amor. É por isso que Deus insta com os maridos a que amem suas esposas. Deixar de acatar este conselho tem tido trágicas conseqüências. É, com efeito, um motivo principal da infelicidade que se encontra em tantos casamentos hoje. Por quê?
Porque a esposa faminta de ternura e de afeto do marido provavelmente se sentirá insegura e perderá a confiança em sua feminilidade. Até mesmo pode criar ressentimento contra o marido, inclusive, talvez, um desejo subconsciente de vingar-se dele por tê-la negligenciado. Como se pode esperar que a esposa que nutra tais sentimentos seja uma companheira sexual calorosa e íntima?
Expressar Amor
Com freqüência, os maridos realmente amam suas esposas, mas acham difícil expressá-lo. Novamente nesse caso a Bíblia pode ser de ajuda, pois mostra como devemos tratar os outros. Afirma: “Revesti-vos das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade. Continuai a suportar-vos uns aos outros e a perdoar-vos uns aos outros liberalmente.” — Col. 3:12, 13.
Alguns homens, contudo, acham que não seria másculo tratar suas esposas dessa forma. Todavia, é realmente a forma pela qual as esposas devem ser tratadas. Com efeito, as relações sexuais podem ser insatisfatórias, e até desagradáveis, para a esposa, se o marido deixa de avaliar que ela foi feita por Deus para corresponder a um homem bondoso e considerado, e não a um duro e exigente.
O Criador compreendia que os maridos, confrontados como estão por muitas idéias errôneas, precisariam de instrução sobre como amar suas esposas. É por isso que Ele os incentiva a serem tenros e considerados, dizendo: “Vós, maridos, continuai a morar com [suas esposas] da mesma maneira, segundo o conhecimento, atribuindo-lhes honra como a um vaso mais fraco, o feminino.” — 1 Ped. 3:7.
Quando se trata de relações sexuais, é especialmente importante que o marido acate esta instrução. Deve agir segundo o conhecimento de como Deus fez as mulheres. Usualmente não são tão fortes fisicamente quanto os homens, e, emocionalmente, são em geral mais delicadas e sentimentais do que os homens. Assim, Deus manda aos maridos que honrem suas esposas como um vaso mais fraco, que respeitem sua constituição, suas limitações e suas vicissitudes.
Assim, é provável que haja ocasiões em que as esposas estejam muito cansadas e não se sintam com vontade de ter relações sexuais. O marido poderia ser exigente, impondo-se à esposa. Talvez considere isto como demonstração de sua chefia máscula, achando que seria fraqueza ceder ao desejo dela para que esperassem outra ocasião. No entanto, honrar aos sentimentos da esposa nesta questão não é sinal de fraqueza, antes, de vigor. É preciso ter masculinidade para se exercer o domínio de si e não ficar pessoalmente ofendido pelos desejos da esposa.
Também, é importante que o marido aja de acordo com conhecimento ao preparar-se para as relações sexuais e durante elas. Deve compreender que a esposa não fica imediatamente pronta, em sentido sexual, para recebê-lo. Ela é mais vagarosa em corresponder, em sentido sexual.
Por conseguinte, o marido que segue a instrução de Deus de honrar a esposa, levará isto em conta. Terna e pacientemente a ajudará a recebê-lo, de modo que o ato matrimonial possa ser igualmente agradável e satisfatório para ambos. O que amiúde ocorre quando a esposa sente tal amor altruísta por parte do marido? O caloroso amor que ela, por sua vez, sente por ele suaviza a fricção que talvez se crie em outras áreas da vida marital.
Na realidade, o sexo é apenas uma pequena parte do casamento em que as instruções de Deus precisam ser aplicadas. O marido não deve esquecer-se de tratar sua esposa segundo o conhecimento e com honra em outras ocasiões também. Por exemplo, precisa compreender que o ciclo biológico dela talvez, às vezes, influa adversamente sobre ela de modo físico, mental e emocional. Ela talvez faça e diga então coisas que comumente não faria nem diria. O marido precisa levar isto em conta, e não ser sensível demais se ela falar de modo ríspido ou agir duramente, mas deve continuar a tratá-la com bondade.
Todavia, há muito mais envolvido. O casamento bem sucedido exige a cooperação e a comunicação. Embora o marido seja chefe da família, antes de fazer decisões, deve considerar as opiniões, os gostos e as aversões da esposa, dando-lhe a preferência quando não há nenhuma questão em jogo. Desta forma, mostra-lhe honra.
Por assim acatar o conselho de Deus, haverá paz e felicidade no casamento. Mas, se os cônjuges não cooperarem nos vários aspectos do seu casamento, o que poderá acontecer quando se chega às relações sexuais? Uma esposa escreveu bem francamente sobre isto, dizendo:
“Os homens se queixem de que suas esposas são ‘frias’. Posso contar-lhe algo sobre o meu casamento? . . . Tenho tentado envolver [meu marido] numa conversa sobre meu trabalho . . . E ele jamais diz uma palavra sobre o trabalho dele, embora eu faça uma porção de perguntas, esperando gerar um pouco de conversa entre nós. . . .
“Domingo de noite é sua noite de ‘descontração’, de modo que não vamos a parte alguma. Vou deitar-me às 21,30, visto que passei meu dia cozinhando e limpando. Ele vai deitar-se depois do último filme. Daí, começa a procurar uma afetuosa companheira de cama.
“Fico pensando em quantas mulheres casadas estão prontas a fazer amor com um estranho que não conversou com elas a semana toda”.
Realmente, isto é algo em que os maridos devem pensar. Se no seu casamento não existe calorosa intimidade, poderia ser que lhe caiba considerável responsabilidade por isso? É preciso ser humilde para reconhecer suas próprias falhas e dar os passos para corrigi-las. Fazer isto, contudo, certamente trará maior contentamento e satisfação ao leitor e sua esposa.
Mas, talvez o problema em sua família seja de natureza inteiramente diversa. O marido deseja mais de uma esposa do que uma companheira sexual satisfatória.
Cuidar de Outros Problemas
Cuidar da casa e preparar refeições gostosas e nutritivas também fazem parte integral do casamento. Certo marido expressou sem rodeios a sua queixa: “Talvez outros maridos discordem de mim, mas eu prefiro ter uma casa mais limpa e filhos bem alimentados do que uma esposa que deixa tudo de lado de modo a descansar para a hora da cama.”
Sua esposa, também, talvez deixe consideravelmente a desejar quanto a ser a “esposa capaz” descrita na Bíblia. (Pro. 31:10-31) O que pode fazer?
Alguns maridos, só para amolar, talvez façam comparações com as casas bem cuidadas e os dotes culinários de outras esposas. Mas, isto provavelmente só fará com que suas esposas sintam ressentimento. Quão melhor é o marido apelar para sua esposa dum modo que ela sinta desejo de melhorar seu cuidado da casa e seus dotes culinários!
Com jeito, pode-se trazer, à atenção dela a impressão ruim que os outros terão se a casa for desarrumada, ou a família mal alimentada. E, se houver filhos, poder-se-ia observar que sofrerão mais tarde na vida devido ao mau exemplo parental dado então. Se tais pontos forem destacados com amor e bondade, isso dará à sua esposa o incentivo para melhorar.
Se sua esposa jamais aprendeu prendas domésticas, incentive-a e ajude-a a aprender. Demonstre quanto aprecia os esforços dela. Mesmo quando a melhora for pequena, elogie-a com sinceridade. Daí, em seu dia de folga, ou à noite, por que não a ajuda a lavar a louça e a limpar os tapetes e assoalhos? Trata-se duma aplicação prática do conselho bíblico de ‘amar sua esposa’, e com certeza produzirá resultados recompensadores.
O marido, também, precisa ser razoável, evitando ser exigente demais. Certo marido, que amiúde apoquentava a esposa quanto a ela ser asseada, estava de férias quando a esposa precisou ser hospitalizada por curto tempo. Depois de cuidar da casa e dos filhos por alguns dias, e assim compreender, pela primeira vez, tudo o que estava envolvido, sinceramente pediu desculpas à esposa por suas exigências.
Assim, seja compreensivo e alerta a elogiar, ao invés de ser exigente ou crítico. Daí, se fizer uma sugestão para melhora, é provável que seja bem recebida.
Sem considerar que problema surja entre o leitor e sua esposa, se apenas lembrar-se de que os “maridos devem estar amando as suas esposas”, será ajudado a resolver com êxito a situação. — Efé. 5:28.
No entanto, em muitas famílias hoje, os maiores problemas são com os filhos. O que pode ser feito para resolvê-los com êxito?
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