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Terremoto assola FriuliDespertai! — 1976 | 22 de novembro
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Terremoto assola Friuli
Relatório duma testemunha ocular do nordeste da Itália
Do correspondente de “Despertai!” na Itália
“O CHÃO de cimento começou a tremer violentamente. Tentei permanecer de pé, mas, por fim, caí ao chão, como os outros. O barulho tornou-se cada vez mais ensurdecedor, como se os destroços caíssem sobre nós. De súbito, as luzes se apagaram e houve certo pânico entre nós. Crianças pequenas começaram a gritar: ‘Papai! Papai!’”
Foi assim que Anacleto Martin, descreveu o tremor principal dum devastador terremoto que assolou a localidade de Friuli, na noite de 6 de maio de 1976. Friuli abrange uma área de cerca de 7.166 quilômetros quadrados do norte da Itália. É parte da província de Udine.
O terremoto abalou 117 comunidades. Centenas de pessoas morreram e a destruição de propriedades foi trágica. Cerca de 100.000 pessoas perderam suas casas. Algumas das casas ruíram; outras ficaram em tão péssima condição que tiveram de ser demolidas. Um senhor foi observado em pé, diante de sua casa semi-destruída, com a cabeça entre as mãos, soluçando: “Vinte e cinco anos! Vinte e cinco anos!” Ele trabalhara por todo esse tempo para conseguir construir seu lar. Agora, estava destruído.
Se sobrevivesse a um terremoto, quando os estrondos cessassem, o que lhe passaria pela mente? Depois de agradecer a Deus por permanecer vivo, é provável que seus pensamentos se voltassem para os seus entes queridos e outros companheiros. Será que também sobreviveram? Essa pergunta pairava na mente das Testemunhas de Jeová, depois do terremoto. Um ministro viajante que serve a várias congregações na área de Friuli relata:
“Por volta das 6 horas da manhã seguinte, o noticiário indicava que o terremoto tinha atingido proporções catastróficas. Fui de carro às cidades em que nossos irmãos moravam. Às 8 horas, cheguei à capital provincial de Udine. Na maior parte, a cidade estava deserta; seus habitantes se refugiaram nas áreas adjacentes. Udine não foi seriamente atingida. Depois de verificar que todas as Testemunhas de Jeová ali tinham sobrevivido e passavam bem, dirigi-me para San Daniele.
“Ali encontrei Lino Culotta, ancião da congregação local. Ele me assegurou que todas as Testemunhas naquela cidade estavam vivas, embora algumas perdessem suas casas e se vissem obrigadas a viver ao ar livre. A caminho de Gemona, mais para o norte, passei por Osoppo, onde sabia haver quatro famílias de Testemunhas. Esta cidade tinha sido isolada pelas autoridades. Todavia, tive êxito em chegar à casa de Amabile Tandoi. Embora danificada, a casa não havia ruído. Tandoi, contudo, não estava lá, e isto me deu a idéia de que ele sobrevivera.
“Por toda a volta, testemunhei cenas de romper o coração. Foi horrível ver homens retirando das ruínas pessoas semivivas. Muitos outros não foram tão felizes assim.
“Prossegui até a cidade de Gemona, um dos lugares mais duramente atingidos pelo tremor. Como passavam meus concristãos nesta área? Era impossível chegar de carro à cidade, pois as ruínas bloqueavam todas as ruas. Deixei o carro e continuei indo a pé. Meu ponto de referência para encontrar o Salão do Reino era uma igreja católica vizinha. Esta igreja, contudo, jazia em ruínas. Uma casa ao lado da igreja foi parcialmente destruída, e a casa seguinte ruíra.
“Eu sabia que o Salão do Reino, onde as Testemunhas de Jeová realizavam uma reunião quando o terremoto assolou, estava na próxima esquina. Parecia-me improvável que muitos tivessem sobrevivido. Prossegui andando com o coração quase a saltar pela boca. Daí, eu o vi! O prédio que abrangia o Salão do Reino ainda estava de pé, ao passo que tudo em sua volta ruíra. Até mesmo os livros na vitrina da janela ainda estavam ali. Não havia nenhuma Testemunha ali. Mas, isto indicava que também aqui elas tinham sobrevivido!”
Quando o Terremoto Assolou
O epicentro do terremoto foi em Tolmezzo. Renato Abramo, ancião presidente da congregação das Testemunhas de Jeová naquela cidade, relata: “Nosso Salão do Reino acha-se situado no andar térreo de um novo condomínio de três pavimentos. Quando o terremoto assolou, realizávamos nossa costumeira reunião de quinta-feira à noite, com 24 pessoas presentes.
“A reunião já havia começado quando passamos a sentir o primeiro tremor. Foi brando. Quando passou, Maurizio Rossi gritou: ‘Venham para cá!’, indicando uma viga apoiada por uma coluna de cimento armado.
“O segundo tremor foi bem pior. Subitamente, as luzes se apagaram. Idéias de morrer, ou, pelo menos, de ser enterrado vivo no meio de ruínas, passaram pela minha mente. Perguntei a mim mesmo: ‘Onde é que me atingirá o primeiro objeto? Na cabeça? No ombro esquerdo ou direito? De lado? Fechei os olhos e orei a Jeová. Com efeito, todos nós fizemos a mesma coisa. A oração proferida em voz alta era mutuamente confortadora. Embora corrêssemos claro perigo de morte, derivamos conforto da promessa bíblica de ressurreição. — João 5:28, 29; Atos 24:15.
“Mas, exatamente quando parecia que tudo iria desabar sobre nós, o tremor terminou. Contentíssimos de estar vivos, fugimos para a rua e conseguimos chegar a um acampamento próximo. Ali acendemos uma fogueira e passamos a noite.”
Chega Abundante Ajuda
No dia seguinte começou a chegar abundante ajuda para a área devastada. Não só os italianos, mas pessoas das nações vizinhas da Itália ofereceram seus serviços. Quanto às Testemunhas de Jeová, os de Trieste fizeram arranjos de fornecer alimentos, roupas e dinheiro aos concristãos que sofreram perdas com a catástrofe. Foi montado um centro de coordenação dos socorros, em Udine, onde um dos anciãos ofereceu sua casa. A filial de Roma da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA) formou uma comissão para apressar este trabalho. “Era comovente”, observa um dos voluntários. “Testemunhas de todas as congregações vizinhas e até mesmo da Áustria e da Alemanha vieram ajudar-nos.”
De Gemona, duramente atingida, Anacleto Martin relata: “O irmão Montori voltou ao apartamento em cima do Salão do Reino. Ajudou o pai do senhorio, de 80 anos, a descer até à rua e ir para um lugar seguro no interior. Outras Testemunhas se empenharam em tentar salvar as pessoas soterradas sob as ruínas das casas vizinhas. Na manhã seguinte, cada um de nós se separou para verificar o que, se é que algo, havia sobrado de nossas casas. No dia depois desse, começou a chegar ajuda de nossos irmãos cristãos que moravam próximo dessa área. As provisões incluíam tendas, muito necessitadas.”
Renato Abramo, de Tolmezzo, relata: “Devido aos tremores repetidos, parecia sábio que permanecêssemos sob céu aberto. Finquei minha tenda e, pouco depois, conseguimos outra tenda. Alguns de nós dormíamos em tendas; outros nos carros. Na segunda-feira seguinte, ficamos deleitados com a chegada dum caminhão que trazia as palavras: ‘Ajuda da Torre de Vigia.’ Nele as Testemunhas nos traziam alimentos, tendas, remédios, cobertores. Assim, conseguimos armar outras tendas para nós mesmos e outras Testemunhas de povoados vizinhos, e também para alguns de nossos vizinhos, com quem nos sentíamos felizes de partilhar o que tínhamos.”
Um representante viajante diz sobre o centro coordenador do socorro, das Testemunhas, em Udine: “Tenho visto tantas coisas chegarem a esta casa que seria difícil fazer um inventário delas. A prontidão de ajudar, por parte das Testemunhas de Jeová de outras cidades e de outros países, foi deveras comovedora. Os itens que chegavam em abundância incluíam até mesmo fraldas para bebês. Duas irmãs serviam de intérpretes para vencermos a barreira lingüística para os voluntários da Áustria e Alemanha. Transbordando de apreço, perguntamos o que nós, por nossa vez, poderíamos fazer por aqueles que tinham vindo de tão grandes distâncias para ajudar-nos. Que tal um prato de espaguete? Era o mínimo que poderíamos fazer por eles.”
Algo Mais Importante
No meio da azáfama de cuidar dos alimentos, roupas, abrigos e outras necessidades materiais uns dos outros, as Testemunhas de Jeová da área de Friuli se preocupavam com algo que consideravam ainda mais importante. De Gemona veio o seguinte relatório:
“Fizemos arranjos de transferir as cadeiras e outra mobília do Salão do Reino para San Daniele, e, em 16 de maio, num grande galpão construído pelos irmãos, realizamos nosso discurso público bíblico e o estudo da Sentinela.” Renato Abramo relata a respeito da área de Tolmezzo: “Já no domingo depois do terremoto, estávamos em condições de realizar nossa primeira reunião na tenda.” Um relatório da filial de Roma da Sociedade Torre de Vigia (EUA), relata: “Quase todas as congregações atingidas conseguiram realizar suas reuniões regulares no domingo depois do terremoto. Em uma localidade, quatro tendas grandes, que comportavam cerca de 100 pessoas, serviam não só de dormitórios, mas também de Salões do Reino.”
Qual foi o efeito geral do terremoto sobre as Testemunhas de Jeová na área de Friuli? As acomodações representaram um problema. As casas de cerca de sessenta e quatro famílias ruíram ou ficaram tão danificadas que precisavam ser demolidas.
Do lado positivo, nenhuma das Testemunhas de Jeová morreu ou ficou gravemente ferida. Sua atitude para com o acontecido foi bem expressa por um ancião envolvido na obra de socorro: “Minha esperança é que não aconteça de novo aquilo que aconteceu. Por outro lado, foi um prazer trabalhar para diminuir o sofrimento de minhas concriaturas humanas. Aguardamos o estabelecimento da nova ordem de Deus, no futuro próximo, em que o sofrimento, a calamidade e a morte não mais existirão.” — Rev. 21:3-5.
[Destaque na página 26]
“Foi horrível ver homens retirando das ruínas pessoas semivivas. Muitos outros não foram tão felizes assim.”
[Destaque na página 26]
“O prédio que abrangia o Salão do Reino ainda estava de pé, ao passo que tudo em sua volta ruíra.”
[Destaque na página 27]
“Era comovente ver como Testemunhas de todas as congregações vizinhas e até mesmo da Áustria e da Alemanha vieram ajudar-nos.”
[Mapa na página 25]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
ÁUSTRIA
TOLMEZZO
GEMONA
OSOPPO
SAN DANIELE
UDINE
ONDE O TERREMOTO ASSOLOU.
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A Bíblia ajuda a promover a união familiarDespertai! — 1976 | 22 de novembro
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A Bíblia ajuda a promover a união familiar
ATUALMENTE, muitas famílias encaram graves problemas por não aplicarem o conselho bíblico em sua vida. No entanto, uma vez passem a fazê-lo, há surpreendentes mudanças para melhor.
Um senhor que mora na Espanha relata: “Minha situação econômica no mundo era bem próspera. Eu era dono duma agência de publicidade que estava indo muito bem. No entanto, meu casamento era abalado pelo adultério. Cada um de nós vivia sua vida separada a ponto de ter um dia específico para a ‘infidelidade marital’. No dia em que era a vez de minha esposa, eu ficava em casa e cuidava de nossos dois filhos, e vice-versa. Todavia, eu compreendia que as coisas não poderiam continuar daquele jeito. Eu queria colocar minha vida em ordem. Pedi a Deus que me ajudasse, e a ajuda veio de uma forma muitíssimo inesperada.
“Eu estava no atelier dum pintor, no sótão, junto com outros amigos, quando um deles olhando para o relógio, disse: ‘Tenho que ir. Há uma Testemunha esperando por mim em casa.’ Eu lhe perguntei: ‘Que é isso?’ Sua resposta estimulou meu interesse e, assim, fui com ele para escutar. Entrei em contato com as Testemunhas de Jeová na minha vizinhança, e eu e minha esposa começamos a estudar. Pouco a pouco, fizemos mudanças em nós mesmos, não apenas em sentido moral, mas também ao ponto de eu deixar a firma de publicidade para evitar contatos indesejáveis. Graças a Jeová, a família está agora unida”.
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