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CativeiroAjuda ao Entendimento da Bíblia
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que foram realmente incluídos na lista dos exilados que foram levados, o número fornecido sendo de apenas 832, provavelmente cabeças das famílias, não se contando as esposas e os filhos deles. — Jer. 52:29.
Cerca de dois meses depois, após o assassinato de Gedalias, o restante dos judeus deixados em Judá fugiu para o Egito, levando Jeremias e Baruque. (2 Reis 25:8-12, 25, 26; Jer. 43:5-7) Alguns dos judeus talvez também tenham fugido para outras nações circunvizinhas. É provável que procedessem dessas nações e do Egito os 745 cativos, como cabeças das famílias, que foram exilados cinco anos mais tarde, quando Nabucodonosor, como a clava simbólica de Jeová, espatifou as nações fronteiriças de Judá. (Jer. 51:20; 52:30) Josefo afirma que cinco anos após a queda de Jerusalém, Nabucodonosor conquistou, por rápido avanço, Amom e Moabe, e então foi avante e se vingou do Egito. — Antiguidades Judaicas, em inglês, Livro X, cap. 9, par. 7.
A situação de Jerusalém diferia da de outras cidades conquistadas. Diferente de Samaria, que foi de novo habitada por cativos trazidos de outras partes do Império Assírio, e, como era a política usual dos babilônios para com as cidades conquistadas, Jerusalém e sua vizinhança — neste caso específico — foram esvaziadas e deixadas desoladas, assim como Jeová predeterminara. Os críticos da Bíblia talvez questionem que a terra de Judá, outrora próspera, se tenha tornado subitamente “um baldio desolado, sem habitante”, mas não existe admitidamente nenhuma evidência histórica, nenhum registro desse período, que prove o contrário. (Jer. 9:11; 32:43) Declara o arqueólogo G. E. Wright: “A violência que sobreveio a Judá torna-se clara . . . pelas pesquisas arqueológicas que mostram que cidade após cidade ficou desabitada naquele tempo, muitas jamais sendo reocupadas.” [Biblical Archaeology (Arqueologia Bíblica), 1957, p. 179] W. F. Albright concorda: “Não existe um único caso conhecido de uma cidade de Judá propriamente dita ter sido continuamente ocupada durante todo o período do exílio.” — The Archaeology of Palestine (A Arqueologia da Palestina), 1949, p. 142.
SITUAÇÃO DOS EXILADOS
O cativeiro foi considerado, em geral, como período de opressão e de escravização. Jeová disse que, ao invés de mostrar misericórdia a Israel, ‘[Babilônia] fez muito pesado o seu jugo sobre o homem idoso’. (Isa. 47:5, 6) Sem dúvida eles eram obrigados a fazer certos pagamentos (de imposto, tributo, pedágio), baseados no que conseguiam produzir ou ganhar, da mesma forma que estes eram exigidos de outros cativos. (Esd. 4:20) Também, certamente constituía um estado de opressão o próprio ato de que o grande templo de Jeová em Jerusalém tinha sido despojado e destruído, seu sacerdócio sendo morto ou levado para o exílio, seus adoradores sendo levados para o cativeiro e se tornando súditos duma potência estrangeira.
Outrossim, ser exilado para uma terra estrangeira não era tão ruim quanto ser vendido à cruel escravidão perpétua, ou ser executado da forma sádica que era típica das conquistas feitas pelos assírios e babilônios. (Isa. 14:4-6; Jer. 50:17) Os judeus cativos, pelo que parece, gozavam de certa medida de liberdade de locomoção, e exerciam certo grau de administração interna de seus assuntos. — Esd. 8:1, 16, 17; Jer. 29:4-7; Eze. 1:1; 14:1; 20:1.
Alguns deles cultivaram sua perícia em várias profissões que resultaram úteis quando terminou o cativeiro. (Nee. 3:8, 31, 32) Especializaram-se em empreendimentos comerciais e na comercialização em geral. Descobertas sobre certa família judaica bem-conhecida em Nipur indicam florescente empresa bancária, imobiliária e seguradora; muitos nomes judaicos foram achados entre seus registros comerciais. Tal intercâmbio comercial e contato social com não-judeus tenderam, com o tempo, a infiltrar a língua hebraica de aramaísmos.
O período de cativeiro, que chegou a 80 anos para alguns, influiu naturalmente sobre a adoração comunitária de Jeová, o verdadeiro Deus. Sem dispor de nenhum templo, de nenhum altar e de nenhum sacerdócio organizado, não era possível ofertar os sacrifícios diários. No entanto, a prática da circuncisão, a abstenção de alimentos impuros, a observância do sábado e a constância na oração eram coisas que os fiéis podiam manter, apesar da zombaria e do vitupério de outros. O fato de o cativo Daniel ‘servir com constância’ a seu Deus era bem-conhecido por parte do Rei Dario e de outros. Mesmo quando se legalizou um interdito que proibia, sob pena de morte, se fizesse uma petição a qualquer pessoa sem ser ao rei, “[Daniel] foi pôr-se de joelhos, até mesmo três vezes por dia, e orava e oferecia louvor perante seu Deus, assim como havia feito regularmente antes disso”. (Dan. 6:4-23) Tal fidelidade em sua adoração limitada ajudou a impedir que tais exilados perdessem sua identidade nacional. Podiam também tirar proveito do contraste que observavam entre a simplicidade pura da adoração de Jeová e o ostentoso materialismo idólatra de Babilônia. Sem dúvida também se beneficiaram da presença dos profetas de Jeová, Ezequiel e Daniel. — Eze. 8:1; Dan. 1:6; 10:1, 2.
Ao se desenvolver entre os judeus o arranjo duma sinagoga local, intensificou-se a necessidade de cópias das Escrituras para as comunidades dos exilados judeus em toda a Média, Pérsia e Babilônia. Esdras era conhecido como “copista destro da lei de Moisés”, indicando que cópias da lei de Jeová tinham sido trazidas de Judá, sendo feitas reproduções delas. (Esd. 7:6) Sem dúvida, estes preciosos rolos de gerações passadas incluíam o livro de Salmos, com a probabilidade de que o Salmo 137, e talvez também o Salmo 126, fossem compostos durante o cativeiro, ou pouco depois. Os seis chamados Salmos Hallel [(Louvor) 113 a 118] eram entoados nas grandes festas da Páscoa, depois da volta do restante de Babilônia.
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CaudaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CAUDA
Uma ilha ao largo da costa SO de Creta, pela qual passaram o apóstolo Paulo e Lucas em sua viagem para Roma, no outono setentrional de 58 E.C. Tendo levantado âncora em Bons Portos, seu barco contornou a costa S de Creta até que, provavelmente depois de rodear o cabo Matala, foi apanhado e impulsionado por tempestuoso vento que podia ter empurrado o barco sobre as areias movediças ao largo das praias da África do Norte. No entanto, chegaram a um abrigo de “certa ilha pequena chamada Cauda”, e a posição dessa ilha evidentemente rompeu a força do vento, fornecendo-lhes águas mais tranqüilas, provavelmente ao longo de sua costa SO. Isto forneceu à tripulação tempo suficiente para içarem o escaler, amarrarem o barco com cabos e baixarem sua palamenta. — Atos 27:13-17.
A Cauda da narrativa de Lucas é atualmente chamada Gávdhos, sendo uma ilha de 11 km de comprimento por 5 km de largura, que dista cerca de 64 km a O-SO de Bons Portos.
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CaudilhoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CAUDILHO
(PRÍNCIPE, IBB, PIB) [Heb., nasíkh). Um homem que é designado, empossado e investido como príncipe ou pessoa principal. — Jos. 13:21; Sal. 83:11; Eze. 32:30; Miq. 5:5.
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Causa Jurídica (Processo Legal)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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CAUSA JURÍDICA (PROCESSO LEGAL)
As audiências de instrução e julgamento, ou os julgamentos propriamente ditos, são amiúde designados na Bíblia pelas expressões hebraicas que significam “processo legal” ou “causa jurídica”, “questão em juízo”, “controvérsia”, “causa” e “argumento”. Um processo legal, entre os servos de Deus, tinha como objetivo primário satisfazer os requisitos divinos e, acessoriamente, fazer justiça à pessoa ou às pessoas envolvidas, junto com compensação, quando devida. Deus se considerava envolvido até mesmo em ofensas pessoais entre os humanos, como se observa das palavras de Moisés aos juízes israelitas em Deuteronômio 1:16, 17.
Um processo legal foi conduzido no Jardim do Éden, para trazer a lume os fatos desse processo e as questões envolvidas, e para fundamentá-los como uma questão de registro público, também para proferir a sentença contra os ofensores. Jeová convocou Adão e Eva à presença dele para interrogá-los. Embora Ele soubesse de tudo, realizou uma audiência de instrução, deixou bem claras quais eram as acusações, tornou claros os fatos por interrogá-los e lhes deu a oportunidade de se expressarem em sua própria defesa. Obteve uma confissão dos ofensores. Jeová então fez sua decisão sobre o assunto e, com justiça e benignidade imerecida, aplicou a lei, exercendo misericórdia para com a descendência ainda por nascer de Adão e Eva, adiando por algum tempo a execução da sentença de morte dos ofensores. — Gên. 3:6-19.
Jeová Deus, o Juiz Supremo, fixou aqui o padrão para todos os outros processos legais entre seu povo. (Gên. 3:1-24) Os processos legais conduzidos segundo os regulamentos judiciais de Deus visavam descobrir os fatos e discuti-los, com o intuito de se fazer justiça e, quando possível, a justiça temperada com misericórdia. (Deut. 16:20; Pro. 28:13; compare com Mateus 5:7; Tiago 2:13.) Todo esse procedimento visava manter incontaminada a nação de Israel, e resguardar o bem-estar individual de seus membros, bem como dos residentes estrangeiros e colonos entre eles. (Lev. 19:33, 34; Núm. 15:15, 16; Deut. 1:16, 17) A Lei fornecida àquela nação continha a processualística a ser seguida nos processos civis e também nos casos de contravenções ou de crimes (inclusive os perpetrados contra Deus e o Estado), de mal-entendidos, de disputas pessoais, e de problemas nos níveis individual, familiar, tribal e nacional.
PROCESSUALÍSTICA
Se as disputas eram de natureza pessoal, incentivava-se os litigantes a evitar altercações e a resolver em particular tais assuntos. (Pro. 17:14; 25:8, 9) Se não pudessem chegar a um acordo, podiam recorrer aos juízes. (Mat. 5:25) Jesus ofereceu esse conselho. (Mat. 18:15-17) Não havia nenhum procedimento formal ou complicado ao se conduzirem os processos legais, quer durante o período pré-mosaico, quer sob a Lei, embora se infiltrasse certo formalismo depois do estabelecimento do Sinédrio. Todavia, os processos eram conduzidos de modo ordeiro e objetivo. Os tribunais estavam franqueados às mulheres, aos escravos e ao residente forasteiro, para que a justiça fosse administrada a todos. (Jó 31:13, 14; Núm. 27:1-5; Lev. 24:22) O acusado estava presente quando se apresentava testemunho contra ele, e podia apresentar sua defesa. Nos tribunais patriarcais, ou nos dos israelitas, não surge nenhum equivalente a um promotor público; nem era necessário um advogado de defesa. Os trâmites legais não impunham nenhumas custas aos litigantes.
A pessoa que tinha uma causa cível ou uma queixa de ordem criminal apresentava sua ação ou argumentos aos juízes. (Luc. 18:1-8) Convocava-se a outra parte, juntavam-se as testemunhas, e a audiência de instrução e julgamento era realizada geralmente num local público, com mais freqüência nas portas da cidade. (Deut. 21:19; Rute 4:1) Os juízes interrogavam os litigantes e examinavam a evidência e o testemunho. Proferiam seu veredicto de forma expedita, a menos que lhes faltasse evidência, ou, se o assunto era complicado demais, os juízes transferiam o processo para
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