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GibeáAjuda ao Entendimento da Bíblia
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pelo que parece, perto da estrada principal entre Jebus (Jerusalém) e Ramá. (Juí. 19:11-15) Graças à sua posição em uma das elevações da cordilheira central da Palestina, Gibeá servia bem como posto de observação no tempo de guerra. (1 Sam. 14:16) Os geógrafos, em geral, identificam esta cidade com Tel el-Ful, situada a c. 5 km ao N de Jerusalém.
A grafia hebraica de Geba (forma masculina da palavra que significa “colina”) e de Gibeá (forma feminina do vocábulo que significa “colina”) são quase que idênticas. Muitos acreditam que isto tenha resultado em erros de cópia no Texto Massorético e, por conseguinte, recomendam que se mudem certos textos para que rezem “Geba”, ao invés de “Gibeá”, e vice-versa. A respeito disso, certo comentário com referência a Primeiro Samuel, capítulos 13 e 14, observa: “Os comentaristas, porém, discordam muito com respeito a onde tais substituições devem ser feitas (e.g., Smith lê Geba em lugar de Gibeá em todas as vezes; Kennedy lê Geba em lugar de Gibeá no [capítulo treze] versículo 2, Gibeá, em lugar de Geba, no versículo 3, e Geba, em lugar de Gibeá, no xiv. 2); e não é impossível entender o progresso da campanha sem tais alterações.” [Soncino Books of the Bible, Samuel (Livros da Bíblia, de Soncino, Samuel), de S. Goldman, p. 69] No entanto, em Juízes 20:10, 33, o contexto definitivamente sugere que se tenciona “Gibeá”, e, por conseguinte, muitos tradutores abandonam aqui a leitura do Texto Massorético e empregam “Gibeá”, ao invés de “Geba”.
No período dos juízes, a cidade de Gibeá figurou num incidente que quase levou ao extermínio de toda a tribo de Benjamim. Um homem idoso convidou um levita de Efraim e sua concubina a pernoitarem com ele. Logo depois, homens imprestáveis de Gibeá cercaram a casa, exigindo que o levita lhes fosse entregue, de modo a terem relações sexuais com ele. Depois de o levita ter entregue sua concubina nas mãos deles, tais homens cometeram tamanhos abusos contra ela a noite toda que ela morreu na manhã seguinte. (É a este pecado chocante que talvez se faça alusão em Oséias 9:9 e 10:9.) Visto que a tribo de Benjamim protegeu os culpados de Gibeá, as outras tribos travaram guerra contra Benjamim. Elas, por duas vezes, sofreram pesadas perdas antes de, por fim, derrotarem os benjamitas e consignarem Gibeá ao fogo. — Juí. 19:15 a 20:48.
Gibeá era o lar de Saul, o primeiro rei de Israel (1 Sam. 10:26; 15:34), e, aparentemente, também de Itai, um dos homens poderosos de Davi (2 Sam. 23:8, 29; 1 Crô. 11:26, 31), bem como de Aiezer e Joás, dois guerreiros que se juntaram a Davi em Ziclague. (1 Crô. 12:1-3) Evidentemente Gibeá também serviu como a primeira capital do reino israelita, sob Saul. Em Gibeá, mensageiros de Jabes (Jabes-Gileade) solicitaram ajuda quando confrontados com um sítio pelos amonitas, e dali o Rei Saul imediatamente convocou Israel para a guerra, a fim de enfrentar tal ameaça. (1 Sam. 11:1-7) Mais tarde, as operações bélicas de Saul contra os filisteus foram lançadas na vizinhança de Gibeá. (1 Sam. 13:2-4, 15; 14:2, 16) Também, em duas ocasiões, homens de Zife relataram a Saul, em Gibeá, sobre o esconderijo do proscrito Davi. — 1 Sam. 23:19; 26:1.
Durante o reinado de Davi, sete dos filhos e netos de Saul foram mortos em Gibeá (“Gibeão”, segundo os manuscritos de Áquila, de Símaco, o Vaticano N.° 1209 e o Alexandrino), devido à culpa de sangue que sobreviera à casa de Saul por este ter matado a muitos gibeonitas. E a concubina enviuvada de Saul ficou vigiando os homens mortos, de modo que as aves e os animais necrófagos não se alimentassem dos corpos deles. — 2 Sam. 21:1-10.
Na oitava centúria A.E.C., mediante o profeta Isaías, Jeová falou profeticamente sobre Gibeá como tendo fugido do exército assírio que avançava rumo a Jerusalém. (Isa. 10:24, 29-32) E, por meio de Oséias, Deus representa de forma profética uma situação que faz parecer como se o reino setentrional de dez tribos já tivesse sido conquistado, com o inimigo ameaçando Gibeá e Ramá, em Benjamim (no reino meridional de Judá). — Osé. 5:8-10.
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GibeãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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GIBEÃO
[duma palavra que significa “colina”],
GIBEONITAS. A cidade de Gibeão é atualmente ligada a el-Jib, c. 10 km a N-NO de Jerusalém. Foram encontrados ali numerosos cabos de jarros de barro, trazendo o nome “Gibeão” em antigos caracteres hebraicos. Situada numa colina que ascende uns 60 m acima da planície circunvizinha, o antigo sítio abrange uma área de c. 6,5 hectares.
Nos anos recentes, tal sítio tem sido cenário de escavações arqueológicas. Os escavadores limparam um túnel de 51 m, que fora cortado na rocha maciça. Este túnel era antigamente iluminado por meio de lâmpadas colocadas em nichos a intervalos regulares, ao longo de suas paredes. Tal túnel, com sua escadaria de noventa e três degraus talhados na rocha, conduzia logo da entrada de Gibeão a uma caverna-reservatório escavada pelo homem, alimentada por uma fonte situada a c. 25 m abaixo do muro da cidade. Isto garantia aos gibeonitas uma reserva segura de água, mesmo numa época de sítio. Os escavadores também descobriram um poço ou reservatório escavado na rocha com um diâmetro de mais de 11 m. Uma escadaria circular, com degraus que medem c. 1,5 m de largura, leva ao fundo, no sentido dos ponteiros do relógio, girando junto às beiradas do poço. Do fundo do poço, a uma profundidade um pouco inferior a 11 m, os degraus continuam por cerca de 14 m, através duma escadaria em forma de galeria, até a câmara da água.
ENTENDIMENTOS COM JOSUÉ
No tempo de Josué, Gibeão era habitada pelos heveus, uma das sete nações cananéias que iriam ser destruídas. (Deut. 7:1, 2; Jos. 9:3-7) Os gibeonitas também eram chamados “amorreus”, uma vez que tal designação parece, às vezes, ter-se aplicado em geral a todos os cananeus. (2 Sam. 21:2; compare com Gênesis 10:15-18; 15:16.) Diferente dos outros cananeus, os gibeonitas compreenderam que, apesar de sua força militar e da grandeza de sua cidade, a resistência deles fracassaria, visto que Jeová lutava por Israel. Por conseguinte, após a destruição de Jericó e de Ai, os homens de Gibeão, pelo que parece também representando as três outras cidades hevéias de Quefira, Beerote e Quiriate-Jearim (Jos. 9:17), enviaram uma delegação de paz a Josué, em Gilgal. Os embaixadores gibeonitas, vestidos com roupas gastas e calçando sandálias surradas e levando odres de vinho estragados, sacolas gastas, e pão seco e em migalhas, apresentaram-se como sendo de uma terra distante, assim, não estando no caminho das conquistas de Israel. Reconheceram a mão de Jeová em tudo que antes sobreviera ao Egito e aos reis amorreus, Síon e Ogue. Mas, sabiamente, não mencionaram o que tinha acontecido a Jericó e a Ai, visto que tais notícias não podiam ter chegado à sua “terra mui distante” antes de sua suposta partida. Os representantes de Israel examinaram e aceitaram tal evidência, e pactuaram com eles para deixá-los viver. — Jos. 9:3-15.
Pouco depois, esse ardil foi descoberto. Mas o pacto permanecia em vigor; violá-lo teria questionado a fidedignidade de Israel e lançado descrédito sobre o nome de Jeová entre as outras nações. Quando Josué confrontou os gibeonitas a respeito da astúcia deles, eles novamente reconheceram o modo como Jeová lidava com Israel e então se colocaram à sua mercê, afirmando: “Agora, eis que estamos na tua mão. O que for bom e direito aos teus olhos fazer conosco, faze.” Foram então constituídos ajuntadores de lenha e tiradores de água para a assembléia e para o altar de Jeová. — Jos. 9:16-27.
Embora Josué e os outros maiorais tivessem sido engodados a concluir um pacto com os gibeonitas, isto estava evidentemente em harmonia com a vontade de Jeová. (Jos. 11:19) Tem-se prova disso no fato de que, quando cinco reis amorreus procuraram destruir os gibeonitas, Jeová abençoou a operação de resgate de Israel, até mesmo fazendo cair grandes saraivas sobre o inimigo, estendendo miraculosamente a luz do dia para a batalha prosseguir. (Jos. 10:1-14) Também, os gibeonitas, tanto ao procurarem fazer um pacto de paz com Israel como ao apelarem a Josué para socorrê-los quando ameaçados, manifestaram fé na capacidade de Jeová de cumprir sua palavra e libertá-los, algo pelo qual Raabe, de Jericó, foi elogiada, e que resultou na preservação de sua vida e dos de sua casa. Ademais, os gibeonitas nutriam saudável temor do Deus de Israel. — Compare com Josué 2:9-14; 9:9-11, 24; 10:6; Hebreus 11:31.
SOB O CONTROLE DE ISRAEL
Depois disso, Gibeão passou a ser uma das cidades do território de Benjamim que foram designadas aos sacerdotes arônicos. (Jos. 18:21, 25; 21:17-19) O benjamita Jeiel, pelo que parece, ‘tornou-se pai’ ou fundador duma casa ali. (1 Crô. 8:29; 9:35) Um dos homens poderosos de Davi, Ismaías, era gibeonita (1 Crô. 12:1, 4), e o falso profeta Hananias, contemporâneo de Jeremias, procedia de Gibeão. — Jer. 28:1
No século XI A.E.C., Gibeão e sua vizinhança testemunharam um conflito entre o exército de Is-Bosete, sob o comando de Abner, e o de Davi, sob a liderança de Joabe. Inicialmente, sem dúvida para decidir a questão de quem seria o rei de todo o Israel, travou-se um combate de doze homens de cada lado. Mas isto nada resolveu, pois cada guerreiro atravessou seu oponente com a espada, de modo que pereceram todos os vinte e quatro. Depois disso, irrompeu feroz combate, Abner perdendo dezoito vezes mais homens do que Joabe. Ao todo houve 380 mortos, incluindo Asael, irmão de Joabe, morto por Abner em legítima defesa. (2 Sam. 2:12-31) Joabe, vingando-se de Abner por este ter matado Asael, mais tarde o matou. (2 Sam. 3:27, 30) Algum tempo depois, perto da grande pedra de Gibeão, Joabe também matou o seu próprio primo, Amasa, sobrinho de Davi, a quem Davi designara como chefe do exército. — 2 Sam. 20:8-10.
No decurso dos séculos, os gibeonitas originais continuaram a existir como povo, embora o Rei Saul tramasse destruí-los. Contudo, os gibeonitas esperaram pacientemente em Jeová para revelar tal injustiça. Ele fez isto por meio de uma fome de três anos no reinado de Davi. Ao indagar de Jeová e saber que estava envolvida a culpa de sangue, Davi entrevistou os gibeonitas para assegurar-se do que devia ser feito para expiar a culpa. Os gibeonitas responderam corretamente que não era uma “questão de prata ou de ouro”, porque, segundo a Lei, não se podia aceitar nenhum resgate para o assassino premeditado. (Núm. 35:30, 31) Também reconheceram que não podiam matar um homem sem autorização legal. Por conseguinte, não foi senão depois de adicionais indagações feitas por Davi que solicitaram que sete “filhos” de Saul lhes fossem entregues. Serem tanto Saul como sua casa culpados de sangue sugere que, embora Saul provavelmente assumisse a liderança nas medidas assassinas, os “filhos” de Saul podem ter compartilhado disso, quer direta quer indiretamente. (2 Sam. 21:1-9) Assim sendo, não seria o caso de os filhos morrerem pelos pecados dos pais (Deut. 24:16), mas envolveria a administração da justiça retributiva, em harmonia com a lei de “alma por alma”. — Deut. 19:21.
Durante a vida de Davi, o tabernáculo foi transferido para Gibeão. (1 Crô. 16:39; 21:29, 30) Foi ali que Salomão ofereceu sacrifícios no início de seu reinado. Também, em Gibeão, Jeová lhe apareceu num sonho, convidando-o a solicitar qualquer coisa que desejasse. — 1 Reis 3:4, 5; 9:1, 2; 2 Crô. 1:3, 6, 13.
Anos depois, o profeta Isaías (28:21, 22), ao predizer o ato estranho e a obra incomum de Jeová de levantar-se contra Seu próprio povo, compara isto ao que aconteceu na baixada de Gibeão. Provavelmente, a alusão feita é à vitória sobre os filisteus, que Deus concedeu a Davi (1 Crô. 14:16), se não for também à derrota bem anterior da liga amorréia, no tempo de Josué. (Jos. 10:5, 6, 10-14) A profecia teve um cumprimento em 607 A.E.C., quando Jeová permitiu que os babilônios destruíssem Jerusalém e seu templo.
Em Mispá, não muito depois da destruição predita, Ismael assassinou Gedalias, o governador designado por Nabucodonosor, rei de Babilônia. O assassino e seus homens também levaram cativas as pessoas remanescentes de Mispá. Mas Joanã, junto com seus homens, alcançaram Ismael, junto às abundantes águas de Gibeão, e reouveram os cativos. — Jer. 41:2, 3, 10-16.
Os homens de Gibeão achavam-se entre os que retornaram do exílio em Babilônia, em 537 A.E.C., e certas pessoas dentre eles mais tarde participaram na restauração do muro de Jerusalém. — Nee. 3:7; 7:6, 7, 25.
[Foto na página 673]
Poço escavado na rocha, às vezes identificado com o “reservatório de Gibeão”.
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GideãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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GIDEÃO
[derrubador, abatedor].
Um dos notáveis juízes de Israel; o filho de Joás, da família de Abiezer, da tribo de Manassés. Gideão morava em Ofra, povoado evidentemente situado a O do Jordão. A divisão tribal a que pertencia era a mais insignificante de Manassés, e ele era “o menor na casa de [seu] pai”. — Juí. 6:11, 15.
Gideão viveu numa época muito turbulenta da história de Israel. Devido à sua infidelidade a Jeová, os israelitas não usufruíam os frutos de sua labuta. Por vários anos, as nações pagãs vizinhas, especialmente os midianitas, invadiam Israel na época da colheita com hostes ‘tão numerosas como os gafanhotos’. A mão de Midiã provou-se pesada sobre eles por sete anos, tanto assim que os israelitas fizeram para si locais subterrâneos de estocagem, a fim de ocultar dos invasores as suas reservas alimentares. — Juí. 6:1-6.
CHAMADO PARA SERVIR COMO LIBERTADOR
Para evitar que os midianitas o descobrissem, Gideão malhava o trigo, não num lugar aberto, mas num lagar de vinho, quando um anjo lhe apareceu, dizendo: “Jeová está contigo, ó valente, poderoso.” Isto moveu Gideão a perguntar-lhe como tal poderia ser verídico, em vista da opressão midianita sobre sua nação. Quando lhe foi dito que ele seria a pessoa que libertaria Israel, Gideão mencionou de forma modesta a sua própria insignificância. Mas, foi-lhe assegurado que Jeová provaria estar com ele. Assim sendo, Gideão pediu um sinal, de modo que soubesse que o mensageiro era realmente um anjo de Jeová. — Juí. 6:11-22.
Nessa mesma noite, Jeová pôs Gideão à prova por ordenar-lhe que derrubasse o altar erguido por seu pai para o deus Baal. Com a devida cautela, Gideão fez isto, de noite, com a ajuda de dez servos. Quando os homens da cidade se levantaram pela manhã e viram o que tinha acontecido, e então souberam que Gideão era o responsável por isso, exigiram a vida dele. Joás replicou no sentido de que Baal devia fazer sua própria defesa contra Gideão. — Juí. 6:25-32.
Quando os midianitas, junto com os amalequitas e os orientais, invadiram novamente Israel, o espírito de Jeová envolveu Gideão. Empenhando-se em obter garantia do apoio divino, ele solicitou e obteve dois sinais. Trinta e dois mil combatentes vieram apoiar Gideão, em resposta à sua convocação de lutarem contra Midiã. No entanto, esta força foi finalmente reduzida só a 300 homens, deixando claro que apenas Jeová lhes podia conceder a vitória. — Juí. 6:33 a 8:21.
FEITO O ÉFODE
Depois de Gideão ter derrotado os midianitas pelo poder divino, os israelitas gratos lhe solicitaram que estabelecesse sua família como dinastia governante. No entanto, Gideão reconhecia que Jeová era o legítimo Rei de Israel e,
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