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  • O que acontece com as cidades?
    Despertai! — 1976 | 22 de junho
    • O que acontece com as cidades?

      “GREVE! Greve! Greve!” As vozes masculinas que enchiam em coro a câmara legislativa de São Francisco eram de policiais que jamais antes, na história da cidade, tinham feito isso.

      Antes dessa nublada segunda-feira de agosto de 1975 ter dado lugar ao amanhecer de outro dia, dois oficiais foram atropelados pelo carro de um motorista irado, e outro foi agredido com um bastão de beisebol. Fogo de franco-atiradores choveu sobre outros, precipitando o espetáculo de policiais atirando nas luzes das ruas para evitarem ser alvos fáceis. E, de estacionamentos proibidos a assassínios, houve gente que se aproveitou da ausência da polícia.

      Por trás deste tumulto, e de uma greve igualmente ameaçadora dos bombeiros, havia maciço desacordo de alto nível entre o prefeito, os vereadores, os oficiais da polícia e dos bombeiros: Que quinhão de avolumantes salários municipais e outros custos deveriam os policiais obter, e deveriam os oficiais encarregados da segurança pública ter direito a uma greve nessa questão?

      “Toda uma cidade foi seqüestrada e detida para a obtenção de resgate”, comentou o colunista William Safire, do Times de Nova Iorque. “O resgate foi pago, e agora os extorsores patrulham as mas da cidade, certificando-se de que ninguém mais viole a lei.”

      Por outro lado, os sindicatos de funcionários públicos, em crescente número de cidades, afirmam que, lamentavelmente, não existe outro meio de alcançarem aquilo a que acham ter direito. Assim, greves prejudiciais de empregados municipais, embora sejam ilegais em muitos lugares, atingem uma cidade após outra, quando chega a hora dos contratos coletivos.

      Aperto Financeiro

      Sublinhando estes sintomas visíveis, há problemas muito mais profundos. Muitas cidades grandes nos EUA e em outros países estão num aperto no que se tem denominado de “torno financeiro”: Por um lado, crescentes exigências salariais por parte de servidores públicos altamente organizados, somadas aos custos vertiginosos de tudo que uma cidade precisa comprar, e, por outro lado, avolumantes números de moradores pobres das cidades que exigem cada vez mais serviços, muito embora a renda da cidade esteja decrescendo.

      Este “torno financeiro”, no início do ano passado, apertou de modo mortífero a chamada “capital financeira do mundo”, Nova Iorque. Os gastos municipais mais do que triplicaram em dez anos. Mesmo depois de demitir milhares de empregados municipais e de frenético levantamento de fundos pela Sociedade de Ajuda Municipal (abreviada MAC, em inglês), formada às pressas, a cidade continuou sob a ameaça de colapso financeiro de semana em semana. E, quando o Estado de Nova Iorque resolveu ajudar, sua própria integridade financeira começou imediatamente a desintegrar-se.

      As ondas de choque econômico começaram a espalhar-se rápido. O periódico financeiro, Business Week, declarou:

      “Os problemas da cidade de Nova Iorque envenenam o poço para todos. . . . Já agora, estados e cidades — mesmo os que não estão em angústia financeira — encontram dificuldades em conseguir empréstimos, e pagam preços mais altos quando os conseguem. . . . muitos estados e cidades talvez se encontrem escorregando inexoravelmente para o dilema da cidade de Nova Iorque: ou cortam as despesas e os serviços . . . ou observam seu andaime financeiro, cada vez mais abalado, desabar em volta de si.”

      Os gritos agonizantes pedindo ajuda federal suscitaram a seguinte questão em outro jornal financeiro: “O Tio Sam pode salvar Nova Iorque, mas quem é que salvará o Tio Sam?” (Revista Forbes, 1.º de julho de 1975, p. 42) O governo federal dos EUA já deve a seus credores quase o dobro do que recebe anualmente em impostos, ao passo que a cidade de Nova Iorque deve um pouco mais do que sua renda anual!

      Ademais, grande parte do sistema econômico do mundo se alicerça similarmente sobre uma camada após outra de crédito. E muitos analistas crêem que Nova Iorque reflita a estrutura mundial de crédito em miniatura. “Crédito é fé”, observou uma autoridade de Nova Iorque. “A fé reside na habilidade de um cliente pagar. Se um grande cliente como Nova Iorque não paga, isso influi nas transações de crédito em toda a parte.”

      Por trás deste amplo dilema financeiro há numerosos problemas municipais arraigados que se recusam a desaparecer. Apinhadas “favelas” urbanas apressam a fuga da “classe média” para os subúrbios melhores, os servidores públicos tornam-se mais combativos, aumentam em espiral as filas dos beneficiários da assistência social, a moradia se decompõe, a poluição predomina e pululam o crime e a violência. Tais problemas tendem a concentrar-se nas grandes cidades, muito além dos problemas trazidos pela população maior, e inexoravelmente se agravam em muitas delas.

      Doença Mundial

      “Nova Iorque foi simplesmente atingida primeiro”, disse o Prefeito Henry W. Maier, de Milwaukee. “Todas as grandes cidades seguem a tendência de Nova Iorque. É só uma questão de tempo.” E as cidades dos EUA não são as únicas. O Daily Yomiuri, do Japão, por exemplo, noticia que centenas de cidades naquela nação estão “à beira da ‘falência’, com gastos vertiginosos”. — 5 de outubro de 1975, p. 2.

      A extensão dos problemas das grandes cidades do mundo é indicada pelo fato de que 116 cidades em todo o mundo entraram na categoria de um “milhão” de habitantes nos 25 anos desde 1950, ao passo que levou todos esses séculos até então para produzir apenas 75 cidades tão grandes assim. Tais metrópoles estão surgindo mais rápido nos países do “terceiro mundo”, os que menos podem mantê-las. Muitas delas refletem, não só os problemas que encaram as cidades ocidentais, mas também outros peculiares à sua própria cultura.

      “Já um terço da gente que vive em Manila, Caracas, Kinshasa e no Cairo não são cidadãos, mas favelados ilegais, morando em tendas, em barracões de latas ou em barracos sem água nem esgotos”, noticia o Journal de Milwaukee. “Os peritos não vêem nenhuma alternativa para evitar que as favelas e casebres se tornem a forma dominante de vida na cidade em muitos países, antes de 1980.”

      Uma espiada no passado, contudo, revela que a vida na cidade era amiúde bem diferente no passado. Kunle Akinsemoyin escreve no Sunday Times de Lagos, Nigéria: “Posso bem lembrar-me de quando a Ilha de Lagos era o orgulho da Nigéria. Isso se dava nos meus dias de rapaz, há uns 40 ou mais anos atrás. . . . as pessoas eram amigáveis, prestimosas, bem comportadas e hospitaleiras.” Agora, ele afirma com tristeza que sua cidade natal “ganha rapidamente a reputação de ser uma das capitais mais sujas do mundo”.

      Muitos dos leitores, moradores de cidades, talvez verifiquem que se identificam com as reflexões do Sr. Akinsemoyin. Por que se dá que muitos anteriores centros vibrantes da civilização confrontam graves retrocessos? Existe algo de fundamentalmente errado com as grandes cidades?

  • Por que as grandes cidades entram em colapso
    Despertai! — 1976 | 22 de junho
    • Por que as grandes cidades entram em colapso

      LÁ ATRÁS, em 1913, o sociólogo inglês, Patrick Geddes propôs a teoria de que as grandes cidades atravessam cinco estágios:

      1. Pólis — a cidade inicial

      2. Metrópole — cidade grande, porém saudável

      3. Megalópole — cidade de tamanho excessivo, insalubre, com grandes ilusões

      4. Parasitópole — cidade parasita que suga a nação

      5. Patópole — cidade doentia, decadente, moribunda

      Muitos consideram cidades como Nova Iorque como apresentando os sintomas do quarto estágio, como já tendo iniciado a sugar o vigor da nação. Outros receiam que aspectos do estágio final também se acham evidentes. Uma doença municipal semelhante ao câncer — a furtiva decomposição urbana — mesmo agora despoja os corações de muitas cidades estadunidenses, à medida que as famílias de renda média e superior fogem para os bairros chiques.

      Os habitantes dentro dos limites tributáveis de algumas cidades estadunidenses estão, em realidade, ficando reduzidos “ao seu tamanho mais baixo neste século”, segundo recente informação estatística. “As populações de Boston, Pittsburgo e a Cidade de Jérsei nunca foram tão baixas desde 1900. . . . A população de Nova Iorque baixou quase ao nível de 1940.” — U. S. News & World Report, de 1.º de setembro de 1975, p. 64.

      Movidos por crescente antipatia pela vida nas grandes cidades, os cidadãos, o comércio e a indústria tributáveis fogem das zonas centrais da “grande cidade” para bairros onde não pagam impostos (nos EUA) e mais além. Um ponto sensível na greve da polícia de São Francisco, por exemplo, era que mais da metade dos que exigiam maiores salários moravam fora dos limites de sua comunidade de contribuintes. E, muito embora a população tributável de Nova Iorque tenha caído para bem menos de oito milhões, alguns calculam que até outros dez milhões que moram fora da cidade se beneficiam de algum modo dela economicamente.

      Círculo Vicioso

      Por isso, criou-se um “círculo vicioso” autogêneo de contribuintes perdidos, maiores impostos, mais contribuintes perdidos, e assim por diante. Quando as famílias e as indústrias mais prósperas se mudam, levando com elas os impostos e os empregos, ficam os pobres, os desempregados, os idosos e as minorias menos capazes de pagar impostos. Disse o Prefeito Maier, de Milwaukee: “Nós, junto com outras cidades, somos parte de uma tendência aprofundante . . . para uma concentração cada vez maior de pobres e dos relativamente pobres nas partes centrais das cidades dos Estados Unidos.”

      No ínterim, os serviços municipais regulares, bem como os programas para o número avolumante de pobres e desempregados, continuam a subir vertiginosamente de custo. A medida que os gastos de Nova Iorque para todos os fins triplicaram, durante os últimos dez anos, os custos da previdência social aumentaram a um ritmo quase sextuplicado!

      Para compensar, as cidades elevaram os impostos sobre os donos das propriedades, lojas e indústrias restantes — o que significou um incentivo para que eles também se mudassem. São Francisco se viu obrigada a mais do que quadruplicar os impostos prediais médios desde 1950 — um ritmo dobrado do aumento do custo de vida.

      Mas, tais impostos elevados fazem com que não valha a pena que alguns possuam prédios, e isto, por sua vez, apressa a decomposição urbana. Os donos dos prédios de apartamentos em Nova Iorque, segundo relatado, abandonarão calculadamente 50.000 moradias em 1976, depois de terem abandonado cerca de 35.000 unidades por ano nos anos recentes! Não só a cidade perde os impostos destas propriedades, mas também desaparecem os antigos moradores de um quarteirão após outro de terrenos cobertos de lixo e de prédios condenados — alimentando assim o “círculo vicioso”.

      Quando o comércio e a indústria altamente tributáveis resolvem partir também, os impostos não são a única coisa que levam. Desde 1969, por exemplo, relata-se que a cidade de Nova Iorque perdeu continuamente meio milhão de empregos manufatureiros — e de trabalhadores contribuintes — devido às mudanças de firmas. Mas, a alternativa para os impostos mais elevados, afirmam as autoridades municipais, é a redução nos serviços municipais. Tais cortes tornam as grandes cidades ainda menos desejáveis — expulsando mais contribuintes da “classe média” e industriais.

      Assim, os problemas urbanos tendem a concentrar-se nas grandes cidades e atingem proporções bem mais altas do que as que seriam ocasionadas só pelo aumento das populações. Mas, há outras pressões que também entram neste “círculo vicioso” de problemas econômicos das grandes cidades. Entre eles acham-se . . .

      . . . As Minorias

      As grandes cidades tendem a empilhar juntas as minorias e as pessoas economicamente carentes em moradias velhas e decadentes e em “casas de cômodos”, ou, em alguns países, em favelas construídas por elas mesmas. Os efeitos de se concentrar minorias deste modo são bem conhecidos. Uma notícia da Suécia, por exemplo, observa que a área que cerca seus projetos de “renovação urbana” da grande cidade são “tradicionalmente uma decadente zona de favelas, onde os social e economicamente destituídos e os imigrantes recém-chegados têm permissão de viver. Estas áreas se tornam covis de alcoólatras e toxicômanos” — bem como escoadouro dos recursos municipais.

      O crescimento de comunidades étnicas de cor e outras nas cidades estadunidenses criaram problemas de moradia difíceis de sanar. Preconceitos e receios arraigados aceleram o êxodo de brancos para os subúrbios chiques, criando outro problema da grande cidade: a segregação de facto. Esforços bem intencionados de dar aos pretos iguais oportunidades educacionais por “transportar de ônibus” alunos entre as duas comunidades só conseguiram êxito limitado, ao passo que levam muitos brancos para os subúrbios e ainda mais longe.

      . . . Crime

      As más habitações e populações apinhadas tendem a gerar muito mais crimes, em média, nas grandes cidades, do que aqueles que normalmente atingem as áreas adjacentes. A Alemanha Ocidental, por exemplo, relata uma média de cerca de o dobro de pessoas atingidas pelo crime em áreas densamente habitadas do que no país como um todo. Todavia, quase três vezes mais policiais, em média, são designados a proteger estas mesmas pessoas das cidades! Pode ver por que muitos preferem “escapar” das grandes cidades?

      Sobrecarregados tribunais das grandes cidades provocaram realmente o “círculo vicioso” de problemas metropolitanos de crime. A concentração do crime produz tantos casos que o processo de “ajuste para obter uma confissão” veio a ser considerado necessidade absoluta de muitas cidades dos EUA. Permite-se que os criminosos se declarem culpados de ofensas menores do que foram inicialmente acusados, de modo que se possam evitar números maciços de julgamentos que consomem tempo. Em resultado, os criminosos — até mesmo assassinos — amiúde retornam dentro de curto tempo às ruas da cidade.

      . . . Servidores Municipais Combativos

      À medida que o crime se avoluma e as cidades se decompõem, são necessários mais policiais e bombeiros, bem como mais empregados para cuidar dos avolumantes programas de previdência social e outros. Antes dos recentes cortes, por exemplo, o número de servidores de Nova Iorque cresceu de cerca de 200.000 para mais de 300.000 em quinze anos — todavia, a população da cidade dificilmente mudou!

      Os empregados da segurança pública, tais como policiais e bombeiros, e até os lixeiros, a fim de compensar os crescentes perigos que enfrentam, bem como contrabalançar o aumento do custo de vida, utilizam a absoluta necessidade de seus serviços como poderoso instrumento de barganha a fim de obter maiores salários e benefícios. A simples ameaça de caos sem seus serviços usualmente fez subir seus salários muito mais rápido do que os da maioria de outros servidores. Por exemplo, ao passo que o custo de vida ascendeu, em 25 anos, a cerca de duas vezes e um quarto do seu nível de 1950, os salários e os benefícios da polícia e dos bombeiros de São Francisco se multiplicaram sete vezes do seu nível de 1950! Muitas outras cidades têm sido igualmente liberais — mas alguém tem de pagar as contas.

      . . . Poluição

      Aqueles que fogem para os subúrbios chiques a fim de escapar da poluição e outros problemas da cidade, realmente agravaram o problema. O trânsito nas grandes cidades, em direção ao trabalho, torna-se “cada vez mais pesado, movimentando-se cada vez mais devagar”, observa um relatório recente da Suécia, típico de muitas cidades. Projetos de transporte em massa pouco contribuíram para frear a poluição. “Os persistentes congestionamentos de trânsito abalam um sonho dos planejadores urbanos — que o transporte rápido ‘faria com que as pessoas deixassem seus carros e saíssem das vias expressas’.” — Times Magazine, Nova Iorque, 19 de outubro de 1975, p. 84.

      Um relatório da Academia Nacional de Ciências observa que muito embora os padrões federais dos EUA tenham trazido melhoras, o ar do interior ainda continua ‘muito superior à maioria do ar da cidade’. A concentração das indústrias agrava a poluição das grandes cidades. Mas as cidades precisam de indústrias para ter empregos e renda. A fim de sobreviver, muitos negócios afligidos pela recessão procuram uma redução dos padrões onerosos de boa qualidade do ar, mantendo assim a poluição no “círculo vicioso” da decomposição das cidades.

      . . . Desumanização das Pessoas

      Apinhar a humanidade em grandes massas parece acentuar o que há de pior em muitos. Ao invés de instalações apertadas as unirem em calorosas relações pessoais, justamente o oposto acontece, com freqüência. Uma notícia de Londres fala de “doentes e idosos morrerem sozinhos em seus apartamentos, e não serem achados senão semanas depois, porque ninguém jamais os visitava”. A notícia acrescenta: “Isto seria algo absolutamente impossível há 25 anos.” Outros moradores das grandes cidades sabem que Londres não é a única nesta questão.

      Encerrados em apartamentos apertados e estreitas ruas das cidades, as crianças também sofrem. Perdem muito da alegria do espaço livre, da descoberta e da interação com a natureza que se consegue nos ambientes mais rurais. Destruir, esmagar e quebrar coisas são amiúde o modo de satisfazer a necessidade de excitamento e de experiências. O vandalismo e o grafito resultantes provocam maior deterioração das cidades, e mais sementes do crime são plantadas.

      Assim, muitas das grandes cidades do mundo vêem-se envolvidas num círculo vicioso de forças degenerativas que parecem alimentar-se de si mesmas, cada vez se agravando mais. Mas, não estão os governos das grandes cidades trabalhando para melhorar as coisas?

      Governo Municipal

      “Nenhuma grande cidade estadunidense é bem governada atualmente”, assevera Milton Rakove, professor de ciência política na Universidade de Ilinóis, “e é improvável que qualquer grande cidade possa ser, dadas as espécies de problemas que confrontam nossas cidades, as demandas feitas a seus sistemas políticos e governamentais, e a incapacidade de tais sistemas de satisfazer tais demandas”. — Times de Nova Iorque, 23 de outubro de 1975, p. 39.

      A falta de liderança permanente e estável prejudica muitos governos das grandes cidades. Afirma Business Week sobre uma cidade que se debate para sobreviver: “Ela é dirigida por autoridades eleitas que, devido à natureza da política, amiúde dispõem duma filosofia administrativa de ‘hoje estamos aqui, amanhã desapareceremos’.”

      Tal liderança transitória pode até exercer um efeito corrosivo sobre os hábitos dos servidores municipais, cuja produtividade, diz-se, está abaixo da dos outros trabalhadores. É preciso pagar a funcionários extras para se conseguir fazer o mesmo trabalho, drenando ainda mais as finanças municipais. Por quê? Um diretor de um dos maiores sindicatos de servidores municipais dos EUA expressa-se da seguinte forma: “Quando o servidor municipal descobre que a cidade não se interessa pelo modo como desempenha seu trabalho, ele também perde o interesse. . . . Desejamos sentir que somos disciplinados. A disciplina significa que alguém se importa. O que precisamos é de liderança.”

      Antes de verdadeiramente importar-se, a tendência de muitas autoridades politicamente motivadas é “aplicar dinheiro” nos problemas municipais na esperança de que desapareçam. Deixando de atingir o âmago dos problemas, seus programas superficiais, orientados pelo dinheiro, amiúde atingem enormes proporções e sugam o sangue vital das cidades. As conseqüências desastrosas de tais diretrizes são agora sentidas em várias das grandes cidades do mundo.

      Mesmo assim, a maioria dos governos nacionais está pronta para “resgatar” as cidades em dificuldades, transferindo assim a tensão para a nação inteira. De modo que seria um exagero afirmar que todas as grandes cidades enfrentam iminente colapso econômico. Algumas até mesmo parecem estar resolvendo tais problemas. Mas, o tempo não está do seu lado.

      A luta de muitas cidades, atualmente, poderia ser bem descrita no seguinte relatório sobre a condição dos na Grã-Bretanha:

      “Seu tecido está estragado e rompido. Seus serviços em geral diminuem de âmbito e efetividade, numa época em que se exige mais delas. É improvável que o governo nacional se recuse a ‘resgatar’ as cidades que fiquem tão falidas quanto Nova Iorque. Assim, parece provável que as cidades continuem a lutar, apresentando serviços cada vez menos eficazes, a um custo cada vez maior. Os padrões de vida continuarão a cair, como também os valores da vida nas cidades. A vida nas cidades, como o trânsito, provavelmente se arraste cada vez mais lentamente.”

      Significa isso que a patópole da teoria de Patrick Geddes — a cidade decadente e moribunda — é o único proceder que resta no fim da estrada para as metrópoles da atualidade? Não existe solução alguma para as grandes cidades?

      [Foto na página 6]

      Os proprietários abandonam milhares de unidades residenciais devido aos impostos altos.

  • O único remédio para as dificuldades das cidades
    Despertai! — 1976 | 22 de junho
    • O único remédio para as dificuldades das cidades

      NÃO, o remédio para as dificuldades das cidades não é mais dinheiro e programas dadivosos. Esse tipo de “ajuda” só apressa as cidades para sua ruína. Não atinge os problemas subjacentes. Os líderes municipais mui amiúde vêm a “considerar a favela como enclave murado no qual se pode lançar algum dinheiro para mantê-lo quietinho”, escreve Sol Linowitz, presidente do Conselho Federal das Cidades dos EUA. “Esse conceito somente pode levar ao desastre.”

      Então, qual é o remédio? Bem, os peritos afirmam ser necessárias algumas mudanças fundamentais. “Apólices [municipais] podem ajudar-nos a evitar o aperto financeiro”, afirma o Sr. Linowitz. “Mas, não lidaremos com os problemas centrais de nossas cidades a menos que aprendamos como inventar outro tipo de apólice — uma que una as pessoas . . . em confiança e respeito mútuos.” — Times de Nova Iorque, 25 de outubro de 1975.

      Adicionalmente, recente conferência de várias centenas de cientistas, eruditos e outras pessoas de destaque em Houston, Texas, sugeriu outra mudança básica. Vários peritos, segundo relatado, instaram que, para evitar um “futuro sombrio e catastrófico . . . as pessoas deveriam obter o incentivo para retornar dos enormes centros urbanos para as zonas rurais e ser empregados em tarefas menores, de trabalho mais intenso”. — U. S. News & World Report, 3 de novembro de 1975, p. 88.

      Mas, quão em breve acha que a maioria dos habitantes das cidades ‘aprenderão a inventar apólices de confiança e respeito mútuos’? Ou, pode imaginar a maioria dos comerciantes, industriais, e pessoas da cidade voltando para um modo de vida menos orientado para a produção, menos voltado para as conveniências modernas? Mesmo se os líderes políticos tentassem tais inovações, seriam bloqueados por forças além de seu controle. Pode-se achar em alguma parte o tipo de liderança e de poder, de visão ampla, necessários para se efetuar tais mudanças de longo alcance?

      Necessária a Orientação Superior

      Bem, considere a Fonte dos ciclos naturais maravilhosamente equilibrados e complexos da terra. Tais ciclos funcionam sem falhas quando os homens não mexem com eles. Não são o poder e a inteligência por trás destes sistemas obviamente bem sucedidos exatamente o tipo de orientação de que os humanos e suas cidades carecem terrivelmente? Tal Pessoa pode trazer êxito também à condição humana, porque Ele é “o Formador da terra e Aquele que a fez, . . . que não a criou simplesmente para nada, que a formou mesmo para ser habitada”. — Isa. 45:18.

      Não pode haver dúvida de que o Criador da terra visava que ela fosse um lar feliz e confortável para seus habitantes. No entanto, rejeitaram os padrões do Criador e se desviaram de padrões de vida, que se harmonizavam com os ciclos naturais de Sua criação, para estilos de vida cada vez mais artificiais. Mas, como podem estes padrões de vida das grandes cidades, aparentemente “arraigados” ser modificados alguma vez?

      Bem, visto que o modo de vida da grande cidade é parte dum sistema mundial de coisas que não funciona, o único remédio é substituí-lo por um sistema global que deveras funcione para o proveito de todos. O Criador do homem propôs tal sistema novo de administração, com o tipo de liderança e poder, de visão ampla, necessários para torná-lo bem sucedido. A Bíblia o chama de “reino de Deus” e é executado por meio de seu Filho, Jesus Cristo. — Mar. 1:15.

      Mas, tal orientação dos assuntos da terra desde o céu, obviamente, não será bem recebida, quer pelos atuais chefes de estado quer pelos orgulhosos governos municipais, ávidos de poder. É por isso que a Bíblia afirma que o Reino, pelo qual oramos, “não passará a qualquer outro povo”. Antes, “esmiuçará e porá termo a todos estes reinos” antes de, com êxito, assumir o comando dos assuntos da terra. — Dan. 2:44.

      Novo Modo de Vida

      Assim, o reino de Deus fará completa limpeza de todos os vestígios do modo de este decadente sistema fazer as coisas. A terra será administrada de forma tão diferente que a profecia bíblica representa a sociedade humana mudada como sendo uma inteiramente “nova terra” Afirma que “não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram”. — 2 Ped. 3:7, 13; Rev. 21:1-5.

      Podemos estar seguros de que, entre as causas anteriores de clamor e dor que passarão, estão as gigantescas metrópoles que apinham as pessoas em uma fileira após outra de edifícios de apartamentos de muitos andares, negando-lhes a luz solar, o ar fresco e a privatividade, e cercando-as de ruído e de irritação. Embora não saibamos a medida em que a vida comunitária prevalecerá naquela “nova terra”, deveras sabemos que jamais se permitirá que se torne de novo uma causa de opressão. Há alguns indícios disto através dos tratos passados de Deus com os humanos.

      Depois de a terra ser purificada pelo dilúvio dos dias de Noé, Deus repetiu sua declaração original de intenções quanto aos humanos na terra: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra.” Mais tarde, esse propósito foi testado quando os homens decidiram, ao invés, concentrar-se numa grande cidade. “Construamos para nós uma cidade”, disseram, e “façamos para nós um nome célebre para que não sejamos espalhados por toda a superfície da terra”. Deus registrou seu desacordo com esse modo de fazer as coisas por meio de ações que deveras espalharam os perspectivos construtores da cidade “por toda a superfície da terra”. — Gên. 9:1; 11:4, 8.

      Adicionalmente, a lei inspirada que mais tarde governou a nação de Israel continha provisões que não incentivavam o modo de vida das grandes cidades. Qualquer pessoa que morasse nos pequenos povoados, sem muros, de Israel e que vendesse sua casa, talvez devido à necessidade econômica, sempre tinha o imutável direito de comprá-la de novo. E, se o vendedor não pudesse comprar de novo sua casa, ela voltava para a família, de qualquer modo, quando chegasse o ano do Jubileu, a cada cinqüenta anos. Por outro lado, os que viviam nas cidades muradas maiores retinham o direito de compra por apenas ano, depois do que o novo dono tinha todos os direitos sobre a propriedade. Assim, a localidade mais rural era vantajosa. — Lev. 25:29-34.

      Em vista de tais expressões do ponto de vista de Deus, um modo de vida mais agrícola sem dúvida predominará na “nova terra” que em breve se concretizará. A profecia bíblica ilustra o tipo de existência que Deus pode prover, nas seguintes palavras:

      “Hão [certamente] de construir casas e as ocuparão; e hão [certamente] de plantar vinhedos e comer os seus frutos. . . . Meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos.” — Isa. 65:17, 21, 22.

      Daí, também, até mesmo as atitudes das pessoas refletirão seu novo meio ambiente e as normas de procedimento de seu governo justo, quando Deus ‘fizer novas todas as coisas’. Prevalecerão a confiança e o respeito mútuos, “pois a terra se encherá do conhecimento da glória de Jeová assim como as próprias águas cobrem o mar”. Este é o único remédio verdadeiro para as atribuladas grandes cidades da atualidade. — Rev. 21:5; Hab. 2:14.

      [Fotos na página 11]

      O Reino de Deus varrerá por completo este sistema decadente, transformando a terra num paraíso global.

  • A água que bebe
    Despertai! — 1976 | 22 de junho
    • A água que bebe

      ‘ÁGUA POTÁVEL’, escreveu certa vez Leonardo da Vinci, ‘pode ser saudável, insalubre, laxativa, sulfurosa, lamuriosa, irada, vermelha, amarela, verde, preta, azul, oleosa, gorda e magra’.

      A água que bebe hoje provavelmente tem poucas destas qualidades. Mas, mesmo em nossos dias, cerca de meio milhão de pessoas, segundo se diz, ficam constantemente doentes por causa da água que bebem. Dez milhões delas podem morrer cada ano.

      Surpreendentemente, até mesmo as nações desenvolvidas, que se orgulham de sua água “segura”, têm problemas agora. A lavoura e a indústria modernas introduzem crescente lista de substâncias químicas difíceis de remover e potencialmente perigosas nas fontes de água potável. “Parece que tudo que torna a vida mais fácil torna a água mais suja”, comentou um perito dos EUA, em audiências do Senado sobre esse problema.

      A Vida Depende Dela

      Apesar desses problemas, a água permanece sendo uma das substâncias mais maravilhosas e absolutamente essencial que se conhece. A própria existência da vida mesma na terra se baseia nela. Com efeito, a água constitui o ingrediente principal da maioria das coisas vivas. O corpo humano tem sido descrito como “virtual saco ambulante de fluidos precariamente contidos”. Cerca de dois terços de seu peso total é constituído de água, ao passo que até três quartos de seu cérebro e músculos o são.

      Disto torna-se óbvio que a vida funciona

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