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Por que as grandes cidades entram em colapsoDespertai! — 1976 | 22 de junho
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seus serviços como poderoso instrumento de barganha a fim de obter maiores salários e benefícios. A simples ameaça de caos sem seus serviços usualmente fez subir seus salários muito mais rápido do que os da maioria de outros servidores. Por exemplo, ao passo que o custo de vida ascendeu, em 25 anos, a cerca de duas vezes e um quarto do seu nível de 1950, os salários e os benefícios da polícia e dos bombeiros de São Francisco se multiplicaram sete vezes do seu nível de 1950! Muitas outras cidades têm sido igualmente liberais — mas alguém tem de pagar as contas.
. . . Poluição
Aqueles que fogem para os subúrbios chiques a fim de escapar da poluição e outros problemas da cidade, realmente agravaram o problema. O trânsito nas grandes cidades, em direção ao trabalho, torna-se “cada vez mais pesado, movimentando-se cada vez mais devagar”, observa um relatório recente da Suécia, típico de muitas cidades. Projetos de transporte em massa pouco contribuíram para frear a poluição. “Os persistentes congestionamentos de trânsito abalam um sonho dos planejadores urbanos — que o transporte rápido ‘faria com que as pessoas deixassem seus carros e saíssem das vias expressas’.” — Times Magazine, Nova Iorque, 19 de outubro de 1975, p. 84.
Um relatório da Academia Nacional de Ciências observa que muito embora os padrões federais dos EUA tenham trazido melhoras, o ar do interior ainda continua ‘muito superior à maioria do ar da cidade’. A concentração das indústrias agrava a poluição das grandes cidades. Mas as cidades precisam de indústrias para ter empregos e renda. A fim de sobreviver, muitos negócios afligidos pela recessão procuram uma redução dos padrões onerosos de boa qualidade do ar, mantendo assim a poluição no “círculo vicioso” da decomposição das cidades.
. . . Desumanização das Pessoas
Apinhar a humanidade em grandes massas parece acentuar o que há de pior em muitos. Ao invés de instalações apertadas as unirem em calorosas relações pessoais, justamente o oposto acontece, com freqüência. Uma notícia de Londres fala de “doentes e idosos morrerem sozinhos em seus apartamentos, e não serem achados senão semanas depois, porque ninguém jamais os visitava”. A notícia acrescenta: “Isto seria algo absolutamente impossível há 25 anos.” Outros moradores das grandes cidades sabem que Londres não é a única nesta questão.
Encerrados em apartamentos apertados e estreitas ruas das cidades, as crianças também sofrem. Perdem muito da alegria do espaço livre, da descoberta e da interação com a natureza que se consegue nos ambientes mais rurais. Destruir, esmagar e quebrar coisas são amiúde o modo de satisfazer a necessidade de excitamento e de experiências. O vandalismo e o grafito resultantes provocam maior deterioração das cidades, e mais sementes do crime são plantadas.
Assim, muitas das grandes cidades do mundo vêem-se envolvidas num círculo vicioso de forças degenerativas que parecem alimentar-se de si mesmas, cada vez se agravando mais. Mas, não estão os governos das grandes cidades trabalhando para melhorar as coisas?
Governo Municipal
“Nenhuma grande cidade estadunidense é bem governada atualmente”, assevera Milton Rakove, professor de ciência política na Universidade de Ilinóis, “e é improvável que qualquer grande cidade possa ser, dadas as espécies de problemas que confrontam nossas cidades, as demandas feitas a seus sistemas políticos e governamentais, e a incapacidade de tais sistemas de satisfazer tais demandas”. — Times de Nova Iorque, 23 de outubro de 1975, p. 39.
A falta de liderança permanente e estável prejudica muitos governos das grandes cidades. Afirma Business Week sobre uma cidade que se debate para sobreviver: “Ela é dirigida por autoridades eleitas que, devido à natureza da política, amiúde dispõem duma filosofia administrativa de ‘hoje estamos aqui, amanhã desapareceremos’.”
Tal liderança transitória pode até exercer um efeito corrosivo sobre os hábitos dos servidores municipais, cuja produtividade, diz-se, está abaixo da dos outros trabalhadores. É preciso pagar a funcionários extras para se conseguir fazer o mesmo trabalho, drenando ainda mais as finanças municipais. Por quê? Um diretor de um dos maiores sindicatos de servidores municipais dos EUA expressa-se da seguinte forma: “Quando o servidor municipal descobre que a cidade não se interessa pelo modo como desempenha seu trabalho, ele também perde o interesse. . . . Desejamos sentir que somos disciplinados. A disciplina significa que alguém se importa. O que precisamos é de liderança.”
Antes de verdadeiramente importar-se, a tendência de muitas autoridades politicamente motivadas é “aplicar dinheiro” nos problemas municipais na esperança de que desapareçam. Deixando de atingir o âmago dos problemas, seus programas superficiais, orientados pelo dinheiro, amiúde atingem enormes proporções e sugam o sangue vital das cidades. As conseqüências desastrosas de tais diretrizes são agora sentidas em várias das grandes cidades do mundo.
Mesmo assim, a maioria dos governos nacionais está pronta para “resgatar” as cidades em dificuldades, transferindo assim a tensão para a nação inteira. De modo que seria um exagero afirmar que todas as grandes cidades enfrentam iminente colapso econômico. Algumas até mesmo parecem estar resolvendo tais problemas. Mas, o tempo não está do seu lado.
A luta de muitas cidades, atualmente, poderia ser bem descrita no seguinte relatório sobre a condição dos na Grã-Bretanha:
“Seu tecido está estragado e rompido. Seus serviços em geral diminuem de âmbito e efetividade, numa época em que se exige mais delas. É improvável que o governo nacional se recuse a ‘resgatar’ as cidades que fiquem tão falidas quanto Nova Iorque. Assim, parece provável que as cidades continuem a lutar, apresentando serviços cada vez menos eficazes, a um custo cada vez maior. Os padrões de vida continuarão a cair, como também os valores da vida nas cidades. A vida nas cidades, como o trânsito, provavelmente se arraste cada vez mais lentamente.”
Significa isso que a patópole da teoria de Patrick Geddes — a cidade decadente e moribunda — é o único proceder que resta no fim da estrada para as metrópoles da atualidade? Não existe solução alguma para as grandes cidades?
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O único remédio para as dificuldades das cidadesDespertai! — 1976 | 22 de junho
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O único remédio para as dificuldades das cidades
NÃO, o remédio para as dificuldades das cidades não é mais dinheiro e programas dadivosos. Esse tipo de “ajuda” só apressa as cidades para sua ruína. Não atinge os problemas subjacentes. Os líderes municipais mui amiúde vêm a
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