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O que acontece com as cidades?Despertai! — 1976 | 22 de junho
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em conseguir empréstimos, e pagam preços mais altos quando os conseguem. . . . muitos estados e cidades talvez se encontrem escorregando inexoravelmente para o dilema da cidade de Nova Iorque: ou cortam as despesas e os serviços . . . ou observam seu andaime financeiro, cada vez mais abalado, desabar em volta de si.”
Os gritos agonizantes pedindo ajuda federal suscitaram a seguinte questão em outro jornal financeiro: “O Tio Sam pode salvar Nova Iorque, mas quem é que salvará o Tio Sam?” (Revista Forbes, 1.º de julho de 1975, p. 42) O governo federal dos EUA já deve a seus credores quase o dobro do que recebe anualmente em impostos, ao passo que a cidade de Nova Iorque deve um pouco mais do que sua renda anual!
Ademais, grande parte do sistema econômico do mundo se alicerça similarmente sobre uma camada após outra de crédito. E muitos analistas crêem que Nova Iorque reflita a estrutura mundial de crédito em miniatura. “Crédito é fé”, observou uma autoridade de Nova Iorque. “A fé reside na habilidade de um cliente pagar. Se um grande cliente como Nova Iorque não paga, isso influi nas transações de crédito em toda a parte.”
Por trás deste amplo dilema financeiro há numerosos problemas municipais arraigados que se recusam a desaparecer. Apinhadas “favelas” urbanas apressam a fuga da “classe média” para os subúrbios melhores, os servidores públicos tornam-se mais combativos, aumentam em espiral as filas dos beneficiários da assistência social, a moradia se decompõe, a poluição predomina e pululam o crime e a violência. Tais problemas tendem a concentrar-se nas grandes cidades, muito além dos problemas trazidos pela população maior, e inexoravelmente se agravam em muitas delas.
Doença Mundial
“Nova Iorque foi simplesmente atingida primeiro”, disse o Prefeito Henry W. Maier, de Milwaukee. “Todas as grandes cidades seguem a tendência de Nova Iorque. É só uma questão de tempo.” E as cidades dos EUA não são as únicas. O Daily Yomiuri, do Japão, por exemplo, noticia que centenas de cidades naquela nação estão “à beira da ‘falência’, com gastos vertiginosos”. — 5 de outubro de 1975, p. 2.
A extensão dos problemas das grandes cidades do mundo é indicada pelo fato de que 116 cidades em todo o mundo entraram na categoria de um “milhão” de habitantes nos 25 anos desde 1950, ao passo que levou todos esses séculos até então para produzir apenas 75 cidades tão grandes assim. Tais metrópoles estão surgindo mais rápido nos países do “terceiro mundo”, os que menos podem mantê-las. Muitas delas refletem, não só os problemas que encaram as cidades ocidentais, mas também outros peculiares à sua própria cultura.
“Já um terço da gente que vive em Manila, Caracas, Kinshasa e no Cairo não são cidadãos, mas favelados ilegais, morando em tendas, em barracões de latas ou em barracos sem água nem esgotos”, noticia o Journal de Milwaukee. “Os peritos não vêem nenhuma alternativa para evitar que as favelas e casebres se tornem a forma dominante de vida na cidade em muitos países, antes de 1980.”
Uma espiada no passado, contudo, revela que a vida na cidade era amiúde bem diferente no passado. Kunle Akinsemoyin escreve no Sunday Times de Lagos, Nigéria: “Posso bem lembrar-me de quando a Ilha de Lagos era o orgulho da Nigéria. Isso se dava nos meus dias de rapaz, há uns 40 ou mais anos atrás. . . . as pessoas eram amigáveis, prestimosas, bem comportadas e hospitaleiras.” Agora, ele afirma com tristeza que sua cidade natal “ganha rapidamente a reputação de ser uma das capitais mais sujas do mundo”.
Muitos dos leitores, moradores de cidades, talvez verifiquem que se identificam com as reflexões do Sr. Akinsemoyin. Por que se dá que muitos anteriores centros vibrantes da civilização confrontam graves retrocessos? Existe algo de fundamentalmente errado com as grandes cidades?
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Por que as grandes cidades entram em colapsoDespertai! — 1976 | 22 de junho
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Por que as grandes cidades entram em colapso
LÁ ATRÁS, em 1913, o sociólogo inglês, Patrick Geddes propôs a teoria de que as grandes cidades atravessam cinco estágios:
1. Pólis — a cidade inicial
2. Metrópole — cidade grande, porém saudável
3. Megalópole — cidade de tamanho excessivo, insalubre, com grandes ilusões
4. Parasitópole — cidade parasita que suga a nação
5. Patópole — cidade doentia, decadente, moribunda
Muitos consideram cidades como Nova Iorque como apresentando os sintomas do quarto estágio, como já tendo iniciado a sugar o vigor da nação. Outros receiam que aspectos do estágio final também se acham evidentes. Uma doença municipal semelhante ao câncer — a furtiva decomposição urbana — mesmo agora despoja os corações de muitas cidades estadunidenses, à medida que as famílias de renda média e superior fogem para os bairros chiques.
Os habitantes dentro dos limites tributáveis de algumas cidades estadunidenses estão, em realidade, ficando reduzidos “ao seu tamanho mais baixo neste século”, segundo recente informação estatística. “As populações de Boston, Pittsburgo e a Cidade de Jérsei nunca foram tão baixas desde 1900. . . . A população de Nova Iorque baixou quase ao nível de 1940.” — U. S. News & World Report, de 1.º de setembro de 1975, p. 64.
Movidos por crescente antipatia pela vida nas grandes cidades, os cidadãos, o comércio e a indústria tributáveis fogem das zonas centrais da “grande cidade” para bairros onde não pagam impostos (nos EUA) e mais além. Um ponto sensível
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