BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • O que acontece com as cidades?
    Despertai! — 1976 | 22 de junho
    • O que acontece com as cidades?

      “GREVE! Greve! Greve!” As vozes masculinas que enchiam em coro a câmara legislativa de São Francisco eram de policiais que jamais antes, na história da cidade, tinham feito isso.

      Antes dessa nublada segunda-feira de agosto de 1975 ter dado lugar ao amanhecer de outro dia, dois oficiais foram atropelados pelo carro de um motorista irado, e outro foi agredido com um bastão de beisebol. Fogo de franco-atiradores choveu sobre outros, precipitando o espetáculo de policiais atirando nas luzes das ruas para evitarem ser alvos fáceis. E, de estacionamentos proibidos a assassínios, houve gente que se aproveitou da ausência da polícia.

      Por trás deste tumulto, e de uma greve igualmente ameaçadora dos bombeiros, havia maciço desacordo de alto nível entre o prefeito, os vereadores, os oficiais da polícia e dos bombeiros: Que quinhão de avolumantes salários municipais e outros custos deveriam os policiais obter, e deveriam os oficiais encarregados da segurança pública ter direito a uma greve nessa questão?

      “Toda uma cidade foi seqüestrada e detida para a obtenção de resgate”, comentou o colunista William Safire, do Times de Nova Iorque. “O resgate foi pago, e agora os extorsores patrulham as mas da cidade, certificando-se de que ninguém mais viole a lei.”

      Por outro lado, os sindicatos de funcionários públicos, em crescente número de cidades, afirmam que, lamentavelmente, não existe outro meio de alcançarem aquilo a que acham ter direito. Assim, greves prejudiciais de empregados municipais, embora sejam ilegais em muitos lugares, atingem uma cidade após outra, quando chega a hora dos contratos coletivos.

      Aperto Financeiro

      Sublinhando estes sintomas visíveis, há problemas muito mais profundos. Muitas cidades grandes nos EUA e em outros países estão num aperto no que se tem denominado de “torno financeiro”: Por um lado, crescentes exigências salariais por parte de servidores públicos altamente organizados, somadas aos custos vertiginosos de tudo que uma cidade precisa comprar, e, por outro lado, avolumantes números de moradores pobres das cidades que exigem cada vez mais serviços, muito embora a renda da cidade esteja decrescendo.

      Este “torno financeiro”, no início do ano passado, apertou de modo mortífero a chamada “capital financeira do mundo”, Nova Iorque. Os gastos municipais mais do que triplicaram em dez anos. Mesmo depois de demitir milhares de empregados municipais e de frenético levantamento de fundos pela Sociedade de Ajuda Municipal (abreviada MAC, em inglês), formada às pressas, a cidade continuou sob a ameaça de colapso financeiro de semana em semana. E, quando o Estado de Nova Iorque resolveu ajudar, sua própria integridade financeira começou imediatamente a desintegrar-se.

      As ondas de choque econômico começaram a espalhar-se rápido. O periódico financeiro, Business Week, declarou:

      “Os problemas da cidade de Nova Iorque envenenam o poço para todos. . . . Já agora, estados e cidades — mesmo os que não estão em angústia financeira — encontram dificuldades em conseguir empréstimos, e pagam preços mais altos quando os conseguem. . . . muitos estados e cidades talvez se encontrem escorregando inexoravelmente para o dilema da cidade de Nova Iorque: ou cortam as despesas e os serviços . . . ou observam seu andaime financeiro, cada vez mais abalado, desabar em volta de si.”

      Os gritos agonizantes pedindo ajuda federal suscitaram a seguinte questão em outro jornal financeiro: “O Tio Sam pode salvar Nova Iorque, mas quem é que salvará o Tio Sam?” (Revista Forbes, 1.º de julho de 1975, p. 42) O governo federal dos EUA já deve a seus credores quase o dobro do que recebe anualmente em impostos, ao passo que a cidade de Nova Iorque deve um pouco mais do que sua renda anual!

      Ademais, grande parte do sistema econômico do mundo se alicerça similarmente sobre uma camada após outra de crédito. E muitos analistas crêem que Nova Iorque reflita a estrutura mundial de crédito em miniatura. “Crédito é fé”, observou uma autoridade de Nova Iorque. “A fé reside na habilidade de um cliente pagar. Se um grande cliente como Nova Iorque não paga, isso influi nas transações de crédito em toda a parte.”

      Por trás deste amplo dilema financeiro há numerosos problemas municipais arraigados que se recusam a desaparecer. Apinhadas “favelas” urbanas apressam a fuga da “classe média” para os subúrbios melhores, os servidores públicos tornam-se mais combativos, aumentam em espiral as filas dos beneficiários da assistência social, a moradia se decompõe, a poluição predomina e pululam o crime e a violência. Tais problemas tendem a concentrar-se nas grandes cidades, muito além dos problemas trazidos pela população maior, e inexoravelmente se agravam em muitas delas.

      Doença Mundial

      “Nova Iorque foi simplesmente atingida primeiro”, disse o Prefeito Henry W. Maier, de Milwaukee. “Todas as grandes cidades seguem a tendência de Nova Iorque. É só uma questão de tempo.” E as cidades dos EUA não são as únicas. O Daily Yomiuri, do Japão, por exemplo, noticia que centenas de cidades naquela nação estão “à beira da ‘falência’, com gastos vertiginosos”. — 5 de outubro de 1975, p. 2.

      A extensão dos problemas das grandes cidades do mundo é indicada pelo fato de que 116 cidades em todo o mundo entraram na categoria de um “milhão” de habitantes nos 25 anos desde 1950, ao passo que levou todos esses séculos até então para produzir apenas 75 cidades tão grandes assim. Tais metrópoles estão surgindo mais rápido nos países do “terceiro mundo”, os que menos podem mantê-las. Muitas delas refletem, não só os problemas que encaram as cidades ocidentais, mas também outros peculiares à sua própria cultura.

      “Já um terço da gente que vive em Manila, Caracas, Kinshasa e no Cairo não são cidadãos, mas favelados ilegais, morando em tendas, em barracões de latas ou em barracos sem água nem esgotos”, noticia o Journal de Milwaukee. “Os peritos não vêem nenhuma alternativa para evitar que as favelas e casebres se tornem a forma dominante de vida na cidade em muitos países, antes de 1980.”

      Uma espiada no passado, contudo, revela que a vida na cidade era amiúde bem diferente no passado. Kunle Akinsemoyin escreve no Sunday Times de Lagos, Nigéria: “Posso bem lembrar-me de quando a Ilha de Lagos era o orgulho da Nigéria. Isso se dava nos meus dias de rapaz, há uns 40 ou mais anos atrás. . . . as pessoas eram amigáveis, prestimosas, bem comportadas e hospitaleiras.” Agora, ele afirma com tristeza que sua cidade natal “ganha rapidamente a reputação de ser uma das capitais mais sujas do mundo”.

      Muitos dos leitores, moradores de cidades, talvez verifiquem que se identificam com as reflexões do Sr. Akinsemoyin. Por que se dá que muitos anteriores centros vibrantes da civilização confrontam graves retrocessos? Existe algo de fundamentalmente errado com as grandes cidades?

  • Por que as grandes cidades entram em colapso
    Despertai! — 1976 | 22 de junho
    • Por que as grandes cidades entram em colapso

      LÁ ATRÁS, em 1913, o sociólogo inglês, Patrick Geddes propôs a teoria de que as grandes cidades atravessam cinco estágios:

      1. Pólis — a cidade inicial

      2. Metrópole — cidade grande, porém saudável

      3. Megalópole — cidade de tamanho excessivo, insalubre, com grandes ilusões

      4. Parasitópole — cidade parasita que suga a nação

      5. Patópole — cidade doentia, decadente, moribunda

      Muitos consideram cidades como Nova Iorque como apresentando os sintomas do quarto estágio, como já tendo iniciado a sugar o vigor da nação. Outros receiam que aspectos do estágio final também se acham evidentes. Uma doença municipal semelhante ao câncer — a furtiva decomposição urbana — mesmo agora despoja os corações de muitas cidades estadunidenses, à medida que as famílias de renda média e superior fogem para os bairros chiques.

      Os habitantes dentro dos limites tributáveis de algumas cidades estadunidenses estão, em realidade, ficando reduzidos “ao seu tamanho mais baixo neste século”, segundo recente informação estatística. “As populações de Boston, Pittsburgo e a Cidade de Jérsei nunca foram tão baixas desde 1900. . . . A população de Nova Iorque baixou quase ao nível de 1940.” — U. S. News & World Report, de 1.º de setembro de 1975, p. 64.

      Movidos por crescente antipatia pela vida nas grandes cidades, os cidadãos, o comércio e a indústria tributáveis fogem das zonas centrais da “grande cidade” para bairros onde não pagam impostos (nos EUA) e mais além. Um ponto sensível na greve da polícia de São Francisco, por exemplo, era que mais da metade dos que exigiam maiores salários moravam fora dos limites de sua comunidade de contribuintes. E, muito embora a população tributável de Nova Iorque tenha caído para bem menos de oito milhões, alguns calculam que até outros dez milhões que moram fora da cidade se beneficiam de algum modo dela economicamente.

      Círculo Vicioso

      Por isso, criou-se um “círculo vicioso” autogêneo de contribuintes perdidos, maiores impostos, mais contribuintes perdidos, e assim por diante. Quando as famílias e as indústrias mais prósperas se mudam, levando com elas os impostos e os empregos, ficam os pobres, os desempregados, os idosos e as minorias menos capazes de pagar impostos. Disse o Prefeito Maier, de Milwaukee: “Nós, junto com outras cidades, somos parte de uma tendência aprofundante . . . para uma concentração cada vez maior de pobres e dos relativamente pobres nas partes centrais das cidades dos Estados Unidos.”

      No ínterim, os serviços municipais regulares, bem como os programas para o número avolumante de pobres e desempregados, continuam a subir vertiginosamente de custo. A medida que os gastos de Nova Iorque para todos os fins triplicaram, durante os últimos dez anos, os custos da previdência social aumentaram a um ritmo quase sextuplicado!

      Para compensar, as cidades elevaram os impostos sobre os donos das propriedades, lojas e indústrias restantes — o que significou um incentivo para que eles também se mudassem. São Francisco se viu obrigada a mais do que quadruplicar os impostos prediais médios desde 1950 — um ritmo dobrado do aumento do custo de vida.

      Mas, tais impostos elevados fazem com que não valha a pena que alguns possuam prédios, e isto, por sua vez, apressa a decomposição urbana. Os donos dos prédios de apartamentos em Nova Iorque, segundo relatado, abandonarão calculadamente 50.000 moradias em 1976, depois de terem abandonado cerca de 35.000 unidades por ano nos anos recentes! Não só a cidade perde os impostos destas propriedades, mas também desaparecem os antigos moradores de um quarteirão após outro de terrenos cobertos de lixo e de prédios condenados — alimentando assim o “círculo vicioso”.

      Quando o comércio e a indústria altamente tributáveis resolvem partir também, os impostos não são a única coisa que levam. Desde 1969, por exemplo, relata-se que a cidade de Nova Iorque perdeu continuamente meio milhão de empregos manufatureiros — e de trabalhadores contribuintes — devido às mudanças de firmas. Mas, a alternativa para os impostos mais elevados, afirmam as autoridades municipais, é a redução nos serviços municipais. Tais cortes tornam as grandes cidades ainda menos desejáveis — expulsando mais contribuintes da “classe média” e industriais.

      Assim, os problemas urbanos tendem a concentrar-se nas grandes cidades e atingem proporções bem mais altas do que as que seriam ocasionadas só pelo aumento das populações. Mas, há outras pressões que também entram neste “círculo vicioso” de problemas econômicos das grandes cidades. Entre eles acham-se . . .

      . . . As Minorias

      As grandes cidades tendem a empilhar juntas as minorias e as pessoas economicamente carentes em moradias velhas e decadentes e em “casas de cômodos”, ou, em alguns países, em favelas construídas por elas mesmas. Os efeitos de se concentrar minorias deste modo são bem conhecidos. Uma notícia da Suécia, por exemplo, observa que a área que cerca seus projetos de “renovação urbana” da grande cidade são “tradicionalmente uma decadente zona de favelas, onde os social e economicamente destituídos e os imigrantes recém-chegados têm permissão de viver. Estas áreas se tornam covis de alcoólatras e toxicômanos” — bem como escoadouro dos recursos municipais.

      O crescimento de comunidades étnicas de cor e outras nas cidades estadunidenses criaram problemas de moradia difíceis de sanar. Preconceitos e receios arraigados aceleram o êxodo de brancos para os subúrbios chiques, criando outro problema da grande cidade: a segregação de facto. Esforços bem intencionados de dar aos pretos iguais oportunidades educacionais por “transportar de ônibus” alunos entre as duas comunidades só conseguiram êxito limitado, ao passo que levam muitos brancos para os subúrbios e ainda mais longe.

      . . . Crime

      As más habitações e populações apinhadas tendem a gerar muito mais crimes, em média, nas grandes cidades, do que aqueles que normalmente atingem as áreas adjacentes. A Alemanha Ocidental, por exemplo, relata uma média de cerca de o dobro de pessoas atingidas pelo crime em áreas densamente habitadas do que no país como um todo. Todavia, quase três vezes mais policiais, em média, são designados a proteger estas mesmas pessoas das cidades! Pode ver por que muitos preferem “escapar” das grandes cidades?

      Sobrecarregados tribunais das grandes cidades provocaram realmente o “círculo vicioso” de problemas metropolitanos de crime. A concentração do crime produz tantos casos que o processo de “ajuste para obter uma confissão” veio a ser considerado necessidade absoluta de muitas cidades dos EUA. Permite-se que os criminosos se declarem culpados de ofensas menores do que foram inicialmente acusados, de modo que se possam evitar números maciços de julgamentos que consomem tempo. Em resultado, os criminosos — até mesmo assassinos — amiúde retornam dentro de curto tempo às ruas da cidade.

      . . . Servidores Municipais Combativos

      À medida que o crime se avoluma e as cidades se decompõem, são necessários mais policiais e bombeiros, bem como mais empregados para cuidar dos avolumantes programas de previdência social e outros. Antes dos recentes cortes, por exemplo, o número de servidores de Nova Iorque cresceu de cerca de 200.000 para mais de 300.000 em quinze anos — todavia, a população da cidade dificilmente mudou!

      Os empregados da segurança pública, tais como policiais e bombeiros, e até os lixeiros, a fim de compensar os crescentes perigos que enfrentam, bem como contrabalançar o aumento do custo de vida, utilizam a absoluta necessidade de

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar