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CidadeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Roboão fortificara essa aldeia) falou dela como cidade. — João 7:42; Luc. 2:4; 2 Crô. 11:5, 6.
O construtor da primeira cidade parece ter sido Caim, o filho assassino de Adão, que deu a ela o nome de seu filho, Enoque. (Gên. 4:17) Caso tenha havido outras cidades antes do Dilúvio, seus nomes desapareceram junto com elas no Dilúvio, em 2370 A.E.C. Após o Dilúvio, as cidades de Babel, Ereque, Acade e Calné, na, terra de Sinear, formaram o núcleo inicial do reino de Ninrode. Ele então o expandiu por construir Nínive, Reobote-Ir, Calá e Resem (descritas coletivamente como “a grande cidade”) ao N, no vale mesopotâmico. (Gên. 10:10-12) Por outro lado, os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó não construíram cidade alguma, mas viveram em tendas, como residentes temporários, mesmo quando visitavam pequenas cidades e aldeias em Canaã e no Egito; Abraão, desprovido de terras, teve até de comprar o campo de Macpela para enterrar a sua morta. (Heb. 11:9; Gên. 23:10-13) Os espias que entraram em Canaã relataram que havia muitas cidades tremendamente fortificadas naquela terra. — Núm. 13:28; Deut. 9:1.
ESCOLHA DE LOCAIS
A escolha do local para uma cidade dependia de vários fatores. Visto que a defesa era geralmente de capital importância, as cidades antigas costumeiramente se situavam em grandes elevações. Embora isto as expusesse à ampla visão, eram difíceis de alcançar. (Mat. 5:14) As cidades costeiras, e as situadas às margens dos rios, constituíam exceções. Além das barreiras naturais, muitas vezes se construíam muros maciços, ou um complexo de muros e torres, e, em alguns casos, rodeava-se a cidade de fossos. (2 Reis 9:17; Nee. 3:1 a 4: 23; 6:1-15; Dan. 9:25) À medida que as cidades cresciam, tornava-se por vezes necessário ampliar os muros para abranger maiores perímetros. As entradas por estes muros eram guarnecidas de fortes portas que podiam agüentar um prolongado sítio. Do lado de fora e além dos muros havia os campos, os pastos e os subúrbios que amiúde ficavam desguarnecidos durante os ataques. — Núm. 35:1-8; Jos. 21:41, 42.
Um bom suprimento de água nas proximidades era absolutamente essencial, e não devia ser despercebido ao se escolher o local para uma cidade. Por este motivo, considerava-se ideal quando as cidades possuíam fontes ou poços dentro de seus limites. Em certos casos, notavelmente em Megido, Gezer e Jerusalém, havia túneis para água, aquedutos e canalizações subterrâneos que traziam água de fontes externas para dentro dos muros da cidade. (2 Sam. 5:8; 2 Reis 20:20; 2 Crô. 32:30) Não raro se construíam reservatórios e cisternas para captar e armazenar água durante a estação chuvosa, para ser usada numa época posterior. Em alguns casos, os terrenos estavam repletos de cisternas, à medida que cada família se empenhava em ter seu próprio suprimento de água. — 2 Crô. 26:10.
Alvos e propósitos comuns na construção das cidades antigas levavam a grandes similaridades em seu formato e em sua disposição geral. E, visto que a passagem dos séculos fez pouquíssimas alterações, certas cidades atuais são bem parecidas com o que eram há dois ou três milênios. Ao entrar por suas portas, a pessoa chegava a um grande local aberto, a praça do mercado da cidade, a praça pública, onde se realizava todo o tipo de compra e venda, e onde se firmavam contratos, selados perante testemunhas. (Gên. 23:10-18; 2 Reis 7:1; Naum 2:4) Aqui se situava o foro público, onde se recebiam e transmitiam as novidades (Nee. 8:1, 3; Jer. 17:19), onde os anciãos e juízes da cidade efetuavam julgamentos (Rute 4:1-10), e onde o viajante talvez passasse a noite, se, por acaso, não lhe fosse demonstrada nenhuma hospitalidade pessoal. (Juí. 19:15-21) Às vezes havia, na cidade, outras acomodações disponíveis para o visitante. — Jos. 2:1; Juí. 16:1; Luc. 2:4-7; 10:35.
O tamanho de muitas cidades antigas pode ser calculado à base do que restou de seus muros, mas as estatísticas demográficas podem apenas ser estimadas. O arqueólogo W. F. Albright calculou que Debir abrangia 3 hectares, possuindo de 150 a 250 casas. Caso se tome isto como base, Megido, com mais de 5 hectares poderia ter tido uma população entre 3.500 a 5.000, e Laquis, com mais de 7 hectares, entre 6.000 e 7.500 habitantes. Por outro lado, diz-se-nos que Nínive era uma metrópole imensa: “Nínive, a grande cidade, em que há mais de cento e vinte mil homens que absolutamente não sabem a diferença entre a sua direita e a sua esquerda.” — Jonas 4:11; 3:3.
O nome dado às cidades mencionadas na Bíblia geralmente tinha significado e propósito — muitos de seus nomes revelam a localização, o caráter ou os ancestrais dos habitantes, e até mesmo significado profético. (Gên. 11:9; 21:31; Juí. 18:29) Às vezes, para diferençar uma cidade de outra, que tinha o mesmo nome, adicionava-se a localização tribal, como no caso de “Belém, em Judá”, pois havia também uma Belém em Zebulão. (Juí. 17:7; Jos. 19:10, 15) As cidades encravadas eram as que pertenciam a uma tribo, mas que se situavam no território de outra tribo. — Jos. 16:9.
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Cidades-armazéns.Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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CIDADES-ARMAZÉNS.
Cidades especialmente destinadas a servir de centros governamentais de armazenagem. Estoques de provisões, tais como cereais, bem como de outras coisas, eram mantidos em depósitos e celeiros construídos nesses locais.
Sob a opressão egípcia, os israelitas se viram obrigados a construir “cidades como lugares de armazenagem para Faraó, a saber, Pitom e Ramsés”. (Êxo. 1:11) Salomão também construiu cidades-armazéns. (1 Reis 9:17-19; 2 Crô. 8:4-6) Mais tarde, à medida que o Rei Jeosafá prosperou, “ele prosseguiu, construindo em Judá fortes e cidades-armazéns”. — 2 Crô. 17:12; 1 Crô. 27:25; 2 Crô. 16:4; 32:27-29, veja Celeiro (Depósito).
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Cidades De RefúgioAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CIDADES DE REFÚGIO
A lei de Jeová sobre a santidade do sangue era bem explícita. O derramamento do sangue humano poluía a terra em que Jeová residia, e só podia ser expiado com o sangue de quem o derramara. (Gên. 9:5, 6; Núm. 35:33, 34) Assim, no caso dum homicida intencional, ou qualificado, o sangue de sua vítima era vingado, e a lei de ‘vida por vida’ era satisfeita quando o homicida qualificado era morto “sem falta” pelo vingador de sangue. (Êxo. 21:23; Núm. 35:21) Mas, que dizer do homicida simples, não-premeditado, aquele que, para exemplificar, matasse seu irmão quando a cunha do machado escapasse acidentalmente enquanto ele cortava lenha? (Deut. 19:4, 5) Para tais desafortunados, Jeová proveu amorosamente cidades de refúgio, seis ao todo, onde o derramador acidental de sangue podia obter proteção e asilo do vingador de sangue. — Núm. 35:6-32; Jos. 20:2-9.
LOCALIZAÇÃO DELAS
Moisés, antes de morrer, designou três destas cidades a E do Jordão. A primeira, Bezer, ao S do planalto do território da tribo de Rubem, situava-se a E do extremo N do mar Morto; a segunda, Ramote, em Gileade, pertencia à tribo de Gade e situava-se mais ou menos no meio da área oriental da Palestina; a terceira, Golã, em Basã, estava na parte N, no território de Manassés. (Deut. 4:43; Jos. 21:27, 36, 38) Depois que os israelitas atravessaram para o lado O do Jordão, Josué designou outras três cidades de refúgio: Hébron, na parte S do território de Judá; Siquém, nas regiões montanhosas centrais de Efraim; e, para o N, Quedes, no território de Naftali, que mais tarde se tornou conhecido como a região da Galiléia. (Jos. 21:13, 21, 32) Todas estas cidades eram cidades levitas, e uma delas, Hébron, era uma cidade sacerdotal. Em aditamento, por terem sido colocadas à parte como cidades de refúgio, obtiveram uma categoria sagrada. — Jos. 20:7.
NORMAS PROCESSUAIS
Ao chegar à cidade de refúgio, o fugitivo devia expor sua causa perante os anciãos na porta da cidade, para ser recebido hospitaleiramente. Para impedir que homicidas premeditados se ocultassem sob o manto desta provisão, o fugitivo, ao entrar na cidade, tinha de ser julgado, nas portas da cidade, lá na cidade que tinha jurisdição sobre o local onde ocorreu o homicídio, a fim de provar sua inocência. Se comprovada sua inocência, era devolvido à cidade de refúgio. No entanto, sua segurança só podia ser resguardada se ele permanecesse nessa cidade pelo resto de sua vida, ou até a morte do sumo sacerdote. Não se podia aceitar nenhum resgate que alterasse esses termos. (Núm. 35:22-29, 32; Jos. 20:4-6) Nem mesmo o altar sagrado de Jeová fornecia proteção para os homicidas premeditados ou qualificados, como foi ilustrado no caso de Joabe. — Êxo. 21:14; 1 Reis 1:50; 2:28-34; veja Vingador de Sangue.
[Mapa na página 315]
Cidades de Refúgio
Quedes
Golã
Ramote
Siquém
Bezer
Hébron
Rio Jordão.
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CilíciaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CILÍCIA
Uma região relativamente pequena e estreita do SE da Ásia Menor. Ao S situava-se o mar Mediterrâneo, ao O estava a Panfília, ao N a cadeia dos montes Tauro a separava da Licaônia e da Capadócia, e ao E a cadeia dos montes Amanus ou Alma Dag (que forma o ramo S dos Tauro) a dividia da Síria. Estes, pelo menos, eram limites em grande parte de sua história antiga. Crê-se que seu nome provém do assírio Hilakku, encontrado em inscrições que datam do nono século A.E.C.
Basicamente, esta região se dividia em duas partes naturais: a ocidental, chamada Cilícia Traquéia (Cilícia, a Rugosa) e a oriental, chamada Cilícia Pedias (Cilícia Plana). A Cilícia Traquéia era uma região de planalto agreste dos montes Tauro, rica em terras florestais. Sua faixa litorânea acidentada, dividida por promontórios rochosos, provia numerosas baías e enseadas abrigadoras. Desde priscas eras servia de abrigo para ladrões e piratas, que pilhavam as mercadorias despachadas pela costa. A Cilícia Pedias abrangia a ampla planície costeira, uma área bem regada, extremamente fértil. Nos tempos romanos, esta planície estava pontilhada de umas 16 cidades semi-autônomas, a mais destacada das quais era Tarso, terra natal de Saulo (Paulo). — Atos 21:39; 22:3; 23:34.
Além de produtos tais como o trigo, o linho e as frutas, um dos principais produtos da Cilícia era seu famoso pêlo de cabra, conhecido como cilicium (cilício) nos tempos romanos. Sua utilização na fabricação de tendas pode, parcialmente, explicar a experiência inicial de Paulo como fabricante de tendas.
A Cilícia ocupava uma posição estratégica, tanto em sentido militar como comercial. A principal rota comercial da Síria passava pelas Portas Siro-Cilicianas, alto desfiladeiro da cadeia Amanus, cerca de 32 km ao N de Antioquia, cruzava então a Cilícia até Tarso, e
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