Por que ser cientista?
Esta foi a pergunta a ser respondida num concurso de ensaios para jovens pretendentes a cientistas. A revista inglesa, “New Scientist”, de 8 de setembro de 1979, publicou o ensaio vencedor, feito por Gabrielle Horne, de 15 anos, de Blackheath, Londres, Inglaterra.
“CONFORME vejo as coisas, a ciência hoje, apesar de todos os seus avanços frontais, carece dum senso íntimo de direção.” Ela encara esta falta como exigindo novo tipo de cientista: “Os cientistas não mais podem continuar a trilhar o caminho do ‘progresso científico’ sem relacioná-lo — de forma imaginativa e vívida — aos efeitos que os aspectos negativos de seu trabalho exercem sobre o nosso planeta. Precisamos de nova variedade de cientista/filósofo.” Daí, alista alguns dos aspectos negativos.
“O homem, embriagado de ciência, tornou-se o touro na loja de porcelana da natureza.” Por queimar combustíveis fósseis, o homem aumentou o bióxido de carbono na atmosfera, que poderia acumular o calor e o “efeito de estufa” que, por fim, tornariam inabitável a terra
“O homem ocidental se comporta coletivamente como um marujo embriagado. Pior ainda — dissemos, efetivamente, que enquanto pudermos guiar hoje nossos carros motorizados, não nos preocuparemos se nossos filhos e netos passarão fome, ou se congelarão até morrer, ou se explodirão com reatores nucleares amanhã!”
Com o uso de certos inseticidas, os venenos se acumularão nas minhocas, que as aves comerão, e perecerão às centenas de milhares. “Outro exemplo”, diz ela, “de nossa cegueira quanto à relação de causa e efeito tem acompanhado o desflorestamento das áreas tropicais para a agricultura: este processo também produziu condições favoráveis à mosca tsé-tsé que como resultado disso, proliferou e espalhou epidemias da doença do sono.”
A lista de tais exemplos poderia continuar até enjoarmos. A calejada indiferença do homem para com seu meio ambiente se torna cada vez mais destrutiva graças aos instrumentos postos pela ciência em suas mãos, chegando mesmo ao ponto de exterminar o próprio homem. Ela ilustra eficazmente tal perigo:
“Poder-se-ia dizer que, por obtermos o incrível poder — que a ciência colocou em nossas mãos, inevitavelmente semeamos as sementes de nossa própria destruição; que qualquer espécie que domine a Terra ao ponto em que coloque em perigo a sobrevivência de seus co-habitantes, inclina-se para a autodestruição, nisso consistindo a válvula de segurança da natureza. Assim como um câncer destrói a si mesmo ao matar seu hospedeiro, assim o homem coloca em perigo a si mesmo mediante a espoliação dos próprios recursos de que precisa a fim de sobreviver.”
Ela considera a urgência de novo enfoque que dê direção moral à ciência, e acha que envolver-se neste esforço é forte incentivo para ser cientista. Eis como ela se expressa sobre isso:
“É para satisfazer este ominoso aspecto do futuro que nova variedade de cientista precisa evoluir. Um especialista que não se limite à ciência pura, mas que esteja cônscio de que, acima de tudo, a ciência precisa de direção moral. Tornar-se um cientista agora é assumir o desafio moral mais extremo que a humanidade já enfrentou.”
É elogiável que Gabrielle Horne esteja cônscia do perigo de uma ciência amoral. Isto é partilhado por multidões. Mas a história mostra que a percepção de perigos distantes tem muito menos que ver com o curso dos eventos humanos do que os oportunismos do momento. Enquanto a ameaça pairar sobre uma geração futura, a atual será mais influenciada por aquilo que a atinge. Em realidade, esta geração já está sendo atingida adversamente pela poluição, mas, até que os danos se tornem mais obviamente catastróficos, esta verdade será convenientemente obscurecida pelo amor ao dinheiro e a mania de confortos carnais.
Há cerca de 19 séculos atrás, a Bíblia predisse não só a atual poluição da terra, mas também o fim da poluição. Este virá, não por meio de “cientistas/filósofos” ou por outros homens, mas da parte do próprio Deus. É Ele a pessoa predita que vai “arruinar os que arruínam a terra”. — Rev. 11:18.