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Página doisDespertai! — 1990 | 22 de janeiro
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Página dois
NESTE SÉCULO, a ciência tem ampliado imensamente o nosso conhecimento sobre o mundo natural que nos cerca. Seus telescópios têm revelado as assombrosas maravilhas dos céus estrelados, assim como seus microscópios têm desvendado as surpreendentes complexidades das moléculas e dos átomos. As maravilhas do design das plantas e dos animais, a sabedoria refletida em nossos próprios corpos, feitos assombrosa e maravilhosamente — este conhecimento também nos chega através das descobertas de laboriosos cientistas. Nós não somos pessoas sem apreço.
Mas existe um outro lado da ciência. Nem todos os seus membros se enquadram na imagem dos buscadores objetivos e amantes da verdade, não importa ao que ela possa conduzir. Há um número demasiadamente grande de cientistas que selecionam o material que apóia sua teoria e rejeitam o que não apóia. Eles informam ter feito estudos que jamais conduziram e experimentos que jamais realizaram, e forjam o que não conseguem confirmar. Plagiam os trabalhos de seus colegas. Muitos afirmam ser autores de artigos para os quais jamais contribuíram e que talvez jamais tenham visto!
A fraude óbvia pode ser rara, mas são comuns algumas das manipulações de dados acima mencionadas. Ainda mais comum, porém, são dois tipos adicionais de fraude, ambos envolvendo a propaganda enganosa. Os quatro artigos que seguem examinam esse problema.
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Fraude na ciência — ganha manchetesDespertai! — 1990 | 22 de janeiro
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Fraude na ciência — ganha manchetes
A imagem dos cientistas, como invariavelmente dedicados à verdade, está sendo maculada, como demonstram as seguintes manchetes.
“Ética na Ciência”
“Começa a surgir uma luta, na Câmara dos Deputados dos EUA, devido às fraudes, à conduta errada e aos conflitos de interesse na ciência.” — Revista Science, 7 de julho de 1989.
“Será que os Cientistas Trapaceiam?”
“Depois dos inquéritos iniciais realizados por esta comissão [do congresso] sobre este assunto, a comissão tem tido crescentes motivos de crer que estamos vendo apenas a ponta de um mui infeliz, perigoso e importante iceberg.” — Programa televisivo de NOVA pelo PBS (“Public Broadcasting Service”), de 25 de outubro de 1988.
“Dois Novos Estudos Perguntam Por Que os Cientistas Trapaceiam”
“Era uma pergunta bastante inocente: como é que os cientistas se comportam quando ninguém está olhando? Mas isso produziu uma resposta incendiária: não tão bem, diz um informe publicado este mês na revista inglesa Nature.” — Revista Newsweek, 2 de fevereiro de 1987.
“Uma Nação de Mentirosos? Cientistas Falsificam Pesquisa”
“Um estudo publicado no mês passado acusou 47 cientistas das faculdades de medicina das Universidades de Harvard e de Emory de produzirem trabalhos científicos enganadores.” — Revista U.S.News & World Report, 23 de fevereiro de 1987.
“NIH Vêem Plágio num Ensaio Sobre Visão”
“Painel diz que pesquisador obteve dados dum ensaio que ele revisou para um colega, e usou-os em seu próprio trabalho;. . . os NIH [sigla, em inglês, dos Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA] recomendam um processo judicial de exclusão.” — Science, 14 de Julho de 1989.
“‘Comportamento Permissivo’ Gera Fraude em Laboratório”
“Os cientistas biomédicos dos Estados Unidos têm realizado pesquisas descuidadas e, às vezes, fraudulentas, no esforço de aumentar sua produção científica e ganhar mais dinheiro.” — Revista New Scientist, 25 de fevereiro de 1989.
“Pesquisadores Expõem as Fronteiras da Fraude”
“A fraude científica e o descuido entre os pesquisadores poderiam ser bem amplos, avisa um estudo publicado na edição da semana passada de Nature.” — New Scientist, 22 de janeiro de 1987.
“Demite-se um Pesquisador Acusado de Plágio”
“Um bioquímico acusado de plagiar um informe da Academia Nacional de Ciências [dos EUA], para um livro sobre nutrição e câncer, demitiu-se de seu posto na Fundação da Clínica Cleveland.” — Science, 4 de setembro de 1987.
“A Pílula: Os Testes de Segurança do Professor Eram Forjados”
“O logro que ele cometeu coloca uma interrogação nos testes de segurança feitos em pílulas tomadas por até 2 m[ilhões] de mulheres na Grã-Bretanha e 10 m[ilhões] em todo o mundo.” — Jornal The Sunday Times, 28 de setembro de 1986.
“Pesquisador Sênior de Fármacos Demite-se em Desonra”
“Ele se demitiu na semana passada, depois que uma comissão de inquérito independente o julgou culpado de fraude científica.” — New Scientist, 12 de novembro de 1988.
“NIMH Julga Tratar-se de ‘Grave Conduta Errada’”
“Um caso surpreendentemente longo, flagrante e deliberado de fraude científica, segundo um informe redigido após uma investigação para o Instituo Nacional de Saúde Mental [NIMH, dos EUA].” — Science, 27 de março de 1987.
“‘Fraude’ nas Pesquisas Suja a ‘Ivy League’ [Grupo de famosas faculdades do leste dos EUA]”
“Um psiquiatra bostoniano de destaque demitiu-se da chefia dum hospital psiquiátrico afiliado à Universidade de Harvard, depois de ser acusado de plágio.” — New Scientist, 10 de dezembro de 1988.
“O Caso dos Fósseis ‘Mal Situados’”
“Destacado cientista australiano tem examinado duas décadas de trabalhos da geologia do antigo Himalaia e alega que esta pode ser a maior fraude paleontológica de todos os tempos.” — Science, 21 de abril de 1989.
“Agora É a Vez das Revistas Ficarem sob Fogo”
“[Ele falava] especificamente sobre quão deficientemente muitas revistas [científicas] têm tratado das fraudes científicas. . . . A mesma mensagem previamente enviada a outros membros da comunidade científica está agora sendo dirigida às revistas: ou vocês se expurgam ou podem estar certos de que os legisladores cuidarão disso.” — Suplemento de revista The AAAS Observer, 7 de Julho de 1989.
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Fraude na ciência — por que está aumentandoDespertai! — 1990 | 22 de janeiro
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Fraude na ciência — por que está aumentando
“A COMPETIÇÃO é selvagem. Os vencedores, colhem monumentais recompensas; os perdedores enfrentam o esquecimento. É uma atmosfera em que um atalho ilícito é, às vezes, irresistível — nem se mencionando que as Instituições se mostram freqüentemente relutantes em confrontar o erro.” Era assim que começava o artigo “Publicar ou Perecer — ou Forjá-lo”, em U.S.News & World Report. Muitos pesquisadores científicos, para não perecerem, estão forjando trabalhos.
A pressão sobre os cientistas para publicar trabalhos em revistas científicas é esmagadora. Quanto maior a lista de ensaios publicados em nome do pesquisador, tanto melhores são as possibilidades de emprego, de promoção, de um cargo na universidade, e de dotações governamentais para financiar sua pesquisa. O governo federal dos EUA “controla a maior fonte de fundos para pesquisa, US$ 5,6 [bilhões] por ano dos Institutos Nacionais de Saúde”.
Visto que “a comunidade científica mostra pouca disposição de confrontar seu dilema ético”, “tem sido estranhamente relutante em pesquisar a fundo os dados reais sobre sua conduta ética”, e “não está propensa a limpar sua casa ou sequer a examinar mais de perto se há alguma conduta ilegal”, as comissões do Congresso dos EUA têm realizado audiências e considerado propor leis para fazer o trabalho de policiá-la. (New Scientist; U.S.News & World Report) Esta perspectiva suscita nos cientistas muito choro e ranger de dentes. Todavia, uma revista de ciência propõe e também responde a pergunta: “Está limpa e em ordem a casa da ciência? O punhado de evidência que chega ao público suscita sérias dúvidas.”
Alguns pesquisadores eliminam dados que não apóiam o que desejam provar (chama-se a isto de “distorção”); informam ter feito mais testes ou provas do que realmente fizeram (chama-se “aparar”); apropriam-se, para uso próprio, de dados ou de idéias de outros pesquisadores (chama-se plágio); e forjam experimentos ou dados que jamais realizaram nem produziram (chama-se “forjar”). Uma caricatura publicada numa revista científica zombava desta última tática, um cientista falava com outro, e dizia, a respeito dum terceiro: ‘Ele tem publicado muita coisa desde que fez aquele curso de redação criativa.’
“Qual é o principal produto das pesquisas científicas dos dias atuais? Resposta: Os ensaios”, disse U.S.News & World Report. “Todo ano são fundadas centenas de novas revistas para cuidar do dilúvio dos trabalhos de pesquisa produzidos mecanicamente pelos cientistas que sabem que o caminho para o sucesso acadêmico é uma longa lista de artigos publicados, de sua autoria.” O alvo é a quantidade, e não a qualidade. Quarenta mil periódicos editados anualmente produzem um milhão de artigos, nos EUA, e parte deste dilúvio “é sintoma dos males fundamentais, inclusive duma ética, entre os pesquisadores, de ou se publica ou perece, que é mais forte do que nunca atualmente, e incentiva os trabalhos de qualidade inferior, repetitivos, inúteis e até mesmo fraudulentos”.
Um editor sênior de The Journal of the American Medical Association (Revista da Associação Médica Americana), o Dr. Drummond Rennie, comentou a falta de qualidade: “Parece não haver nenhum estudo fragmentado demais, nenhuma hipótese trivial demais, nenhuma citação literária preconceituosa demais ou egotista demais, nenhum design deformado demais, nenhuma metodologia confusa demais, nenhuma apresentação de resultados inexatos demais, obscuros demais, e contraditórios demais, nenhuma análise interesseira demais, nenhum argumento evasivo demais, nenhuma conclusão frívola ou injustificada demais, e nenhuma gramática ou sintaxe ofensiva demais para que um ensaio acabe sendo impresso.”
Transformar Montículos em Montanhas
A síndrome do publicar ou perecer tem feito com que muitos pesquisadores se tornem bem engenhosos em transformar uma modesta produção de artigos editados em totais fenomenais. Eles escrevem um só artigo, daí o dividem em quatro menores — o que se chama, no jargão profissional, de “salame fatiado”. Desta forma, em vez de receber o crédito pela publicação de um artigo, acrescentam quatro artigos à sua lista de trabalhos publicados. Então, eles talvez enviem o mesmo artigo a várias publicações, e, toda vez que ele é publicado, é contado de novo. Mui freqüentemente, um artigo pode apresentar vários cientistas como autores, e cada autor acrescenta o artigo à sua lista de artigos publicados. Um artigo de duas ou três páginas pode apresentar 6, 8, 10, 12 ou mais autores.
No programa de NOVA, intitulado “Será que os Cientistas Trapaceiam?”, transmitido pela TV em 25 de outubro de 1988, um cientista comentou sobre este costume: “As pessoas estão tentando fazer com que seus nomes sejam ligados a tantas publicações quantas for possível, de modo que é muito comum encontrar-se agora enormes equipes, em que todas as 16 pessoas assinam seu nome em determinado artigo publicado, que provavelmente já de início nem valia a pena ser publicado. Mas isso faz parte duma espécie de corrida de ratos, duma competição, duma mentalidade vulgar de valorização da quantidade, que é totalmente incentivada pela atual estrutura da ciência nos Estados Unidos.” Alguns dos alistados como co-autores talvez tenham tido muito pouco que ver com o artigo, talvez nem sequer o tenham lido, todavia, eles acrescentam esse artigo à sua lista de trabalhos publicados. Tal lista inchada influencia a concessão de pedidos de dotações para pesquisa que envolvem centenas de milhares de dólares de fundos públicos, nos EUA.
Revisão por Colegas, Uma Garantia Contra a Fraude?
Os editores de revistas de ciência muitas vezes — mas nem sempre — submetem os estudos a outros cientistas para que os revisem, antes de publicá-los. Este costume, chamado de revisão por colegas, teoricamente elimina os artigos errôneos e fraudulentos. “A ciência corrige a si mesma dum modo que nenhum outro campo de esforço intelectual pode igualar”, diz Isaac Asimov. “A ciência policia a si mesma dum modo que nenhum outro campo o faz.” Ele se admirava de “o escândalo ser tão pouco freqüente”.
Mas muitos outros não partilham este conceito. A revisão por colegas é “um péssimo modo de detectar a fraude”, disse o Dr. Drummond Rennie, já citado. O jornal-revista American Medical News disse: “As revistas que adotam a revisão por colegas, outrora consideradas quase que infalíveis, tem tido de admitir que são incapazes de erradicar a fraude.” “Tem-se supervalorizado a revisão por colegas”, disse um escritor sobre assuntos médicos e colunista do The New York Times.
A revista Science noticia que um pesquisador designado a revisar o estudo de outro pesquisador foi acusado de plágio. Ele “obteve dados dum ensaio que revisou para um colega, e usou-os em seu próprio trabalho”, de acordo com os NIH (sigla, em inglês, dos Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA). Tal conduta é uma “violação da confiança que devia supostamente constituir o cerne do sistema da revisão por colegas”, e, neste caso específico, o revisor foi declarado “inelegível de receber futuros fundos federais”.
A revista New Scientist disse: “Graças ao seu desplante em proclamar sua pureza ética, a comunidade científica há muito tem sido a vencedora disparada na frente.” Muitos consideram uma farsa o sistema altamente elogiado de revisão por colegas, que teoricamente peneira todas as trapaças. “A realidade”, disse New Scientist, “é que poucos salafrários científicos são apanhados; quando são, descobre-se que eles, freqüentemente, já estavam agindo à solta por muitos anos, publicando dados falsos em respeitáveis revistas, sem serem questionados”.
Anteriormente, uma alta funcionária dos NIH já tinha dito, segundo noticiado pelo The New York Times: “Acho que acabou uma era da inocência. No passado, as pessoas presumiam que os cientistas não faziam tal coisa. Mas as pessoas estão começando a se dar conta de que os cientistas não são moralmente superiores aos outros.” A notícia do Times acrescentava: “Embora, há alguns anos, fosse raro os Institutos Nacionais de Saúde receberem uma reclamação por ano de alegada fraude, disse ela, recebem-se atualmente pelo menos duas sérias alegações por mês.” A revista Science comentou: “Os cientistas têm garantido repetidas vezes ao público que são raras a fraude e a má conduta nas pesquisas. . . . Todavia, casos significativos parecem surgir com persistência.” O presidente de uma das comissões de inquérito do Congresso dos EUA, John Dingell, certa vez disse aos cientistas: “Eu direi aos senhores que acho irremediavelmente inadequados os seus mecanismos de imposição da lei, e que a patifaria parece estar triunfando sobre a virtude, em muitos incidentes, dum modo que eu acho ser totalmente inaceitável. Espero que os senhores também achem.”
O programa de NOVA sobre “Será que os Cientistas Trapaceiam?” concluiu com a admissão feita por um dos cientistas presentes: “É preciso remover os esqueletos dos armários, é preciso, se necessário, prejudicar as carreiras de burocratas, e não existe outra alternativa. A ética o exige, a lei o exige, e certamente a moral o exige.”
[Destaque na página 6]
“Todas as dezesseis pessoas assinam seu nome em determinado artigo publicado.”
[Destaque na página 7]
“A ética o exige, a lei o exige, e certamente a moral o exige.”
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Fraude na ciência — uma fraude maiorDespertai! — 1990 | 22 de janeiro
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Fraude na ciência — uma fraude maior
Define-se fraude como “um ato de lograr ou de apresentar algo em falsa luz”. É a “perversão intencional da verdade, a fim de induzir outrem a despojar-se de algo de valor”. — Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary.
“A EVOLUÇÃO é um fato.” Trata-se duma confissão-padrão de fé que assegura a comunidade científica da ortodoxia do leitor. E, para consumo público, adiciona-se freqüentemente a afirmação: ‘Isso já foi provado tantas vezes que não existe mais necessidade de se repetir a prova.’ É muito conveniente, especialmente porque o evolucionista não tem prova alguma para repetir. Todavia, durante muitos anos, tal declaração tem sido repetida, vez após vez, como uma cantilena mística: “A evolução é um fato.”
Em abril do ano passado, numa crítica literária publicada na revista The New York Times Book Review, o biólogo Richard Dawkins escreveu: “Falamos aqui do fato da própria evolução, fato este que já está inteiramente provado além de qualquer dúvida razoável.” Ele disse então que considerar a criação “em aulas de biologia é quase tão sensato quanto pretender ter tempo igual para expor a teoria de que a Terra é plana nas aulas de astronomia. Ou, como alguém indicou, bem que se poderia solicitar tempo igual, nas aulas de educação sexual, para expor a teoria da cegonha. É absolutamente seguro dizer que, se encontrar alguém que afirme não crer na evolução, essa pessoa é ignorante, tola ou insana (ou perversa, mas prefiro não considerar isto)”.
Stephen Jay Gould escreveu um ensaio sobre a evolução na revista de ciência Discover, de janeiro de 1987. Visando arrasar os oponentes, ele, neste artigo de cinco páginas, declarou 12 vezes que a evolução era um fato! Seguem-se trechos desse artigo:
O trabalho vitalício de Darwin foi “confirmar o fato da evolução”. “O fato da evolução é tão bem confirmado quanto qualquer outra coisa na ciência (tão seguro como a revolução da Terra ao redor do sol)”. Já por volta da época da morte de Darwin, “quase todas as pessoas refletivas vieram a aceitar o fato da evolução”. Gould a mencionou como um “fato seguro” e “o fato da transmutação”. “A evolução é também um fato da natureza.” “A evolução está tão bem confirmada quanto qualquer fato científico.” “Nossa confiança no fato da evolução repousa sobre copiosos dados.” Ele fala da concordância entre os biólogos “sobre o fato da evolução”. “Os teólogos não se têm afligido com o fato da evolução.” “Conheço centenas de cientistas que partilham da convicção sobre o fato da evolução.”
Em certo ponto do artigo, Gould disse: “Não quero parecer um estridente dogmático que brada ‘juntem-se à nossa causa, rapazes’, mas os biólogos chegaram a um consenso. . . sobre o fato da evolução”. Realmente, porém, não é isto parecido com “um estridente dogmático que brada ‘juntem-se à nossa causa, rapazes’”?
O biólogo molecular Michael Denton referiu-se a este palavreado solto de a evolução ser um fato, e rejeitou-o com as seguintes palavras: “Bem, naturalmente que tais afirmações são simples tolices.” São muito mais do que tolices. São uma fraude. Logram e colocam algo em luz falsa. Pervertem a verdade a fim de induzir outrem a despojar-se de algo de valor. Os jornais, o rádio, a TV, os seriados sobre a natureza, os programas de ciência, os compêndios escolares a partir da segunda série [nos EUA] — todos repetem esta litania de que a evolução é um fato, na mente do público. Recentemente contudo, o The New York Times noticiou que a junta de educação da Califórnia, EUA, enviou orientações para os compêndios de ciência que, pelo visto, retira a ênfase dada ao ensino da evolução como um fato. — 10 de novembro de 1989.
Isto imita as táticas dos principais sacerdotes e dos fariseus dos dias de Jesus. Quando oficiais que foram mandados prender Jesus voltaram sem ele, os fariseus exigiram: “‘Por que é que não o trouxestes para cá?’ Os oficiais responderam: ‘Nunca homem algum falou como este.’ Os fariseus responderam, por sua vez: ‘Será que também vós fostes desencaminhados? Será que um só dos governantes ou dos fariseus depositou fé nele? Mas esta multidão, que não sabe a Lei, são pessoas amaldiçoadas.’” (João 7:45-49) A tirania da autoridade: ‘Nenhuma das pessoas importantes, nenhuma das pessoas instruídas, aceita Jesus como Messias. Apenas os tolos amaldiçoados o aceitam.’
Os evolucionistas, hoje em dia, utilizam o mesmo enfoque farisaico: ‘Creiam como nós’, dizem eles. ‘Todos os cientistas competentes crêem na evolução. Todas as pessoas inteligentes crêem nela. Apenas os iletrados e os ignorantes não crêem nela.’ Por meio de tal intimidação e pressão mental, as massas são arrebanhadas para o campo dos evolucionistas. Elas nada sabem das fraquezas e das inadequabilidades da teoria da evolução, ou de suas especulações sem base e de suas hipotéticas impossibilidades — tais como a origem da vida derivar-se de substâncias químicas inanimadas.a Assim, são levadas pelas repetitivas mantras dos propagandistas da evolução. A teoria se torna um dogma, seus pregadores tornam-se arrogantes, e os que discordam dela recebem desdenhosas agressões verbais. Essa tática dá certo. Deu certo nos dias de Jesus; dá certo atualmente.
Esta frase propagandística de cinco palavras: ‘A evolução é um fato’, é pequena (pequena no conteúdo), é uma frase simples (facilmente dita) e é repetida com persistência (até mesmo 12 vezes num curto ensaio). Ela se qualifica como eficaz propaganda de lavagem cerebral, e, com a repetição, atinge a condição de lema — e os lemas repetidos em toda a parte logo ficam gravados nos cérebros e são papagueados, com pouco exame crítico ou dissecação céptica. Uma vez uma teoria se transforme num lema no pensamento comunitário, ela não mais precisa de prova, e quaisquer pessoas que discordem serão alvo de zombaria. Se tais pessoas discordantes apresentam uma refutação racional da validez do lema, elas se tornam especialmente irritantes e são submetidas à única reação disponível, a saber, à zombaria.
Os evolucionistas que se especializam na Grande Mentira de que ‘A evolução é um fato’, também se valem de outra página do livro de Hitler, pois nele ele disse a respeito da massa popular que ele controlava: “Devido à simplicidade do seu caráter, é mais freqüentemente vítima de grandes mentiras do que de pequenas. Em pequeninas coisas ela também mente, enquanto que das grandes mentiras ela se envergonha.” Um livro de citações populares alista a seguinte: “Se contar uma mentira bastante grande, e repeti-la com bastante freqüência, muitos crerão nela.” A mentira que os evolucionistas contam é, pelo visto, bastante grande, e certamente é repetida com bastante freqüência, pois milhões de pessoas crêem nela.
É uma mentira que é também uma fraude, porque é “um ato de lograr ou de apresentar algo em falsa luz”, uma “perversão intencional da verdade, a fim de induzir outrem a despojar-se de algo de valor”. Os evolucionistas, ao ensinar que os ancestrais do homem são animais, começando com alguns micróbios e acabando com algum símio, “trocaram a verdade de Deus pela mentira”. Por meio desta mentira, induzem muitos a despojar-se de algo de grande valor — a sua fé em Deus como seu Criador. — Romanos 1:25.
Esta fraude causa terríveis danos. As suas vítimas se sentem liberadas das leis do Criador, e elas se tornam uma lei para si mesmas: ‘Não existe certo ou errado. Satisfaça todos os desejos carnais. Faça o que bem quiser. Não há necessidade de nenhum sentimento de culpa.’ Surge o colapso moral, irrestrito e a pleno vapor. Afastados de seu Criador e dos verdadeiros valores da Bíblia, as pessoas se tornam espiritualmente empobrecidas e terminam “iguais a animais irracionais, nascidos naturalmente para serem apanhados e destruídos”. — 2 Pedro 2:12.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?, capítulo 4, editado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
[Quadro na página 9]
Com “uma propaganda não se conseguirá sucesso, se não se levar em consideração sempre e intensamente um postulado fundamental. Ela tem de se contentar com pouco, porém, esse pouco terá de ser repetido constantemente. A persistência, nesse caso, é, como em muitos outros deste mundo, a primeira e a mais importante condição para o êxito. . . . A massa. . . somente depois de repetidos milhares de vezes os mais simples conceitos, é que sua memória entrará em funcionamento. Qualquer digressão que se faça não deve nunca modificar o sentido do fim visado pela propaganda, que deve acabar sempre afirmando a mesma coisa. O estribilho pode assim ser iluminado por vários lados, porém o fim de todos os raciocínios deve sempre visar o mesmo estribilho.” — Minha Luta, de Adolf Hitler, tradução da Editora Moraes, Ltda.
[Quadro na página 10]
A propaganda da Grande Mentira
“Quanto ao fato da evolução, existe consenso universal.” — Limitations of Science (Limitações da Ciência), 1933.
“A evolução, como fato histórico, foi provada além de qualquer dúvida razoável, o mais tardar nas décadas finais do século dezenove.” — The Biological Basis of Human Freedom (A Base Biológica da Liberdade Humana), 1956.
“A evolução da vida não é mais uma teoria. Ela é um fato.” — Julian Huxley, 1959.
“Todos os biólogos de renome concordam que a evolução da vida na terra é um fato estabelecido.” — Biology for You (Biologia Para Você), 1963.
“Todo aquele que é exposto à evidência em apoio da evolução tem de reconhecê-la como fato histórico.” — Jornal Times-Picayune, de Nova Orléans, 1964.
“Atualmente, a teoria da evolução é um fato aceito por todos, exceto uma minoria fundamentalista.” — James D. Watson, 1965.
“A evolução já adquiriu, na atualidade, a condição de fato.” — Science on Trial (Ciência em Julgamento), 1983.
“O que deveras dispomos é prova incontestável do fato da evolução.” — Ashley Montagu, 1984.
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Fraude na ciência — a maior de todas as fraudesDespertai! — 1990 | 22 de janeiro
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Fraude na ciência — a maior de todas as fraudes
Os evolucionistas dizem: ‘A evolução é um fato; Deus é um mito.’ Não conseguem provar nenhuma das duas, mas o preconceito não precisa de provas.
PROPRIEDADE PARTICULAR. Entrada Proibida. Isto se Refere a Você, Deus! Os evolucionistas abordam o tema da biologia e mandam que Deus se afaste disso. ‘Todos os cientistas competentes crêem na evolução’, afirmam eles. O que também quer dizer, efetivamente: ‘Os cientistas que não crêem nela são incompetentes; falta-lhes a nossa perícia.’ Quanto a Deus, eles afirmam que ele não tem lugar no modo de pensar científico. Ademais, até mesmo sua existência não é passível de prova.
Esta infundada rejeição de Deus é a maior de todas as fraudes.
The New Biology (A Nova Biologia), de Robert Augros e George Stanciu, sublinha na página 188 algumas das declarações feitas por destacados cientistas que põem Deus de lado: “A opinião comum sustenta que Darwin livrou a biologia da necessidade de Deus, de uma vez por todas. Eldredge afirma: Darwin ‘ensinou-nos que podemos entender a história da vida em termos puramente naturalísticos, sem recorrer ao sobrenatural ou divino’. Disse Julian Huxley: ‘O darwinismo removeu, da esfera da discussão racional, a inteira idéia de Deus como criador de organismos.’ Jacob escreve: ‘Darwin demoliu a idéia de que cada espécie foi projetada separadamente por um Criador.’ E Simpson escreve sobre a origem do primeiro organismo: ‘Não existe, de qualquer modo, nenhum motivo para postular um milagre. Nem é necessário supor que a origem do novo processo de reprodução e de mutação fosse outra coisa que não materialística.’”
‘Mas, não deixa isto a vida na Terra sem um Criador-Projetista?’, talvez pergunte. ‘Não se precisa de nenhum’, respondem os evolucionistas. ‘Isso cabe ao acaso. O acaso cego é o projetista. Nós o chamamos de Seleção Natural.’
Mas, quanto mais aprendemos, mais projeto vemos. É assombrosa a dose de inteligência e de sabedoria envolvida. Isso não é demais para o acaso cego, que não pensa nem possui cérebro? Considere apenas alguns das centenas de dispositivos existentes na natureza que refletem sabedoria criativa — que os inventores humanos freqüentemente copiaram.
A aerodinâmica das asas das aves antecedeu, em milênios, o projeto inferior das asas dos aviões. O argonauta dotado de câmaras e a siba possuem tanques de flutuação para manter-se flutuando em qualquer profundidade em que nadem, com muito mais eficiência do que os submarinos modernos. O polvo e o calamar são mestres na propulsão a jato. Os morcegos e os golfinhos são peritos no sonar. Vários répteis e aves marinhas possuem suas próprias “usinas de dessalinização” inatas que os habilitam a beber a água do mar. Algumas bactérias microscópicas possuem motores rotativos que podem operar para ir à frente ou de marcha a ré.
Por meio de ninhos engenhosamente projetados, e pela utilização de água, as térmites refrigeram suas casas. Alguns insetos, plantas microscópicas, peixes e árvores utilizam sua própria forma de “anticongelantes”. Pequenas frações de graus de mudanças de temperatura são sentidas por termômetros inatos de algumas cobras, mosquitos, leipoas e perus-de-matagal-de cabeça-vermelha. Vespas, vespas malhadas de amarelo e vespões fabricam papel. Algumas esponjas, fungos, bactérias e larvas de certos besouros, insetos e peixes — todos produzem luz fria, não raro colorida. Muitas aves migradoras pelo visto possuem, na cabeça, bússolas, mapas e relógios biológicos. Certos besouros-d’água e aranhas utilizam escafandros autônomos e sinos de mergulhador.a — Veja ilustrações na página 15.
O aparecimento de todos estes projetos e toda esta sabedoria instintiva exige uma inteligência bem superior à do homem. (Provérbios 30:24) Mas, alguns dos exemplos mais surpreendentes podem ser encontrados no mundo do infinitesimamente pequeno — em que os evolucionistas esperavam ver o começo simples da vida, a fim de colocar a evolução em sua escala ascendente até os projetos obviamente complexos existentes em toda a parte — inclusive nós. Um começo simples? Não existe tal coisa! Considere as complexidades que refletem um projeto inteligente na mais diminuta das células.
The New Biology diz, na página 30: “A célula mediana executa centenas de reações químicas a cada segundo, e pode reproduzir-se a cada vinte minutos, mais ou menos. Todavia, tudo isto ocorre numa escala bem diminuta: mais de 500 bactérias poderiam caber no espaço ocupado pelo ponto no fim desta frase. [O biólogo François] Jacob se admira com o minúsculo laboratório da célula bacterial, que ‘executa cerca de duas mil reações distintas com incomparável perícia, no menor espaço imaginável. Estas duas mil reações divergem e convergem à velocidade máxima, sem jamais se misturarem’.”
The Center of Life—A Natural History of the Cell (O Centro da Vida — Uma História Natural da Célula), de L. L. Larison Cudmore, afirma nas páginas 13, 14: “Apenas uma única célula poderia fabricar armas, apanhar alimentos, digeri-los, livrar-se dos resíduos, mover-se de uma parte para outra, construir casas, empenhar-se em atividades sexuais diretas ou excêntricas. Tais criaturas ainda estão por aí. Os protistas — organismos completos e inteiros, todavia, constituem-se de apenas uma única célula, dotada de muitos talentos, mas sem nenhum tecido, nenhum órgão, nenhum coração e nenhuma mente — realmente têm tudo o que nós temos.
The Blind Watchmaker (O Relojoeiro Cego), de Richard Dawkins, na página 116, comenta a quantidade de informações acumulada numa única célula: “Existe bastante capacidade de armazenagem no DNA de uma única semente de lírio ou de um único espermatozóide de salamandra para armazenar por 60 vezes a Encyclopædia Britannica. Algumas espécies de amebas injustamente chamadas de ‘primitivas’ possuem tantas informações em seu DNA quantas 1.000 Encyclopædia Britannicas.”
O biólogo molecular Michael Denton escreve em Evolution: A Theory in Crisis (Evolução: Uma Teoria em Crise), página 250: “A biologia molecular tem mostrado que, mesmo o mais simples de todos os sistemas de vida existentes hoje na Terra, as células bacteriais, são objetos extraordinariamente complexos. Embora a menor das células bacteriais seja incrivelmente pequena, pesando menos de [um trilionésimo de um grama], cada uma, com efeito, é uma verdadeira fábrica micro-miniaturizada que contém milhares de peças de design requintado de intrincados mecanismos moleculares, compostos ao todo de cem bilhões de átomos, muito mais complicados do que qualquer mecanismo construído pelo homem e absolutamente sem paralelo no mundo das coisas não-vivas.
“A biologia molecular também tem mostrado que o design básico do sistema celular é essencialmente o mesmo para todos os organismos vivos na Terra, desde as bactérias aos mamíferos. Em todos os organismos, os papéis do DNA, do RNAm e das proteínas são idênticos. O significado do código genético é também virtualmente idêntico em todas as células. O tamanho, a estrutura e o design componente do mecanismo sintético das proteínas é praticamente o mesmo em todas as células. Em termos de seu design bioquímico básico, por conseguinte, não se pode pensar em nenhum sistema vivo como sendo primitivo ou ancestral com respeito a qualquer outro sistema, nem existe o mínimo indício empírico de uma seqüência evolucionária entre todas as células incrivelmente diversificadas existentes na Terra.”
George Greenstein reconhece toda esta inteligência envolvida na estrutura da Terra. Em seu livro The Symbiotic Universe (O Universo Simbiótico), ele fala da série misteriosa e incrível de coincidências que estão além de explicação, coincidências estas sem as quais a vida na Terra seria impossível. As seguintes declarações, que se acham nas páginas 21-8, refletem a agonia que ele sentiu diante das condições que revelam a necessidade de um Deus inteligente e dotado dum propósito:
“Creio que nos confrontamos com um mistério — um grande e profundo mistério, e um de imenso significado: o mistério da habitabilidade do cosmos, da adequabilidade do meio ambiente.” Ele se propõe “a pormenorizar o que só pode ser visto como uma seqüência estonteante de acidentes estupendos e improváveis que pavimentaram o caminho para que a vida surgisse.b Existe uma lista de coincidências, todas elas essenciais à nossa existência.” Todavia, “a lista continuou aumentando. . . Tantas coincidências! Quanto mais eu lia, tanto mais eu ficava convencido de que tais ‘coincidências’ dificilmente poderiam ter acontecido por acaso”. Um fato abalador de ser confrontado por um evolucionista, como ele admite a seguir:
“Mas, à medida que esta convicção crescia, outra coisa também crescia. Até mesmo agora me é difícil traduzir esta ‘outra coisa’ em palavras. Era uma intensa revolta, e, às vezes, era quase que de natureza física. Eu me contorcia realmente de desconforto. A própria idéia de que a adequabilidade do cosmos para a vida poderia ser um mistério que exigia solução me parecia ridícula, absurda. Eu achava difícil entreter tal idéia sem fazer careta. . . . Nem esta reação desapareceu com o passar dos anos: Tenho tido de lutar contra ela incessantemente durante a escrita deste livro. Estou seguro de que a mesma reação está operando no íntimo de todo outro cientista, e que é isto que explica a ampla indiferença para com tal idéia, no presente. E, mais do que isso: Creio agora que aquilo que aparenta ser indiferença, de fato esconde um intenso antagonismo.”
Antagonismo a quê? Antagonismo à idéia de que a explicação pode estar num Criador dotado dum propósito. Como Greenstein o expressa: “Ao examinarmos toda a evidência, surge insistentemente a idéia de que alguma agência sobrenatural — ou, antes, a Agência — tem de estar envolvida. É possível que, subitamente, sem intenção, tenhamos deparado com a prova científica da existência dum Ser Supremo? Será que foi Deus quem interveio, e assim, providencialmente, esquematizou o cosmos para o nosso benefício?” Mas Greenstein se recupera de tal pensamento herético e confirma sua ortodoxia quanto à religião evolucionista, recitando um de seus dogmas-credos: “Deus não é uma explicação.”
O astrofísico Fred Hoyle, em seu livro The Intelligent Universe (O Universo Inteligente) fala, na página 9, daqueles que, como Greenstein, temem que Deus entre nesse quadro: “Os cientistas ortodoxos estão mais preocupados em impedir o retorno aos excessos religiosos do passado do que em olhar para a frente, para a verdade [e esta preocupação] tem dominado o pensamento científico por todo o último século.”
Em seu livro, ele então discute estas mesmas características misteriosas que afligem Greenstein. “Tais propriedades”, diz ele, “parecem fazer parte do tecido do mundo natural, como um fio de felizes acidentes. Mas existem tantas dessas estranhas coincidências, essenciais à vida, que parece ser necessária alguma explicação para justificá-las.” Tanto Hoyle como Greenstein afirmam que o acaso não consegue explicar estas muitas “coincidências fortuitas”. Hoyle então diz que, para explicá-las, ‘a origem do universo requer uma inteligência’, uma ‘inteligência dum plano mais elevado’, ‘uma inteligência que nos precedeu e que levou a um ato deliberado de criação de estruturas adequadas à vida’.
Nada disso deve ser considerado como uma afirmativa de que Hoyle está pensando no Deus da Bíblia, mas ele deveras entende que, por trás do universo, e da Terra e da vida nela, tem de haver uma tremenda inteligência sobrenatural. Ao passo que ele diz que ” ‘Deus’ é uma palavra proibida na ciência”, ele admite que poderíamos “definir uma inteligência superior a nós mesmos como uma deidade”. Ele especula que “através da condição pré-programada de nossa mente” é possível que haja “uma cadeia conectora de inteligência, estendendo-se para baixo. . . até os humanos sobre a Terra”.
“Existem abundantes indícios”, diz ele, “de que isto poderia ser assim. A inquietação dentro de nós é um de tais indícios. É como se nós tivéssemos a percepção instintiva de que existe algo de importante para nós executarmos. A inquietação surge porque ainda não conseguimos descobrir exatamente qual é a sua natureza.” Em outro lugar, ele diz: “O impulso religioso parece ser ímpar ao homem. . . Despojado dos muitos adornos fantasiosos com que a religião tradicionalmente se tem cercado, não equivale isso a uma instrução dentro de nós que expressa de forma um tanto simples poderia rezar como segue: Você se deriva de algo ‘de lá’ do céu. Procure-o, e encontrará muito mais do que espera.”
O homem está tateando em busca de algo. O que ele busca tateando, sem o compreender, é a verdade bíblica de que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, querendo dizer que temos certa medida de tais atributos de Deus, como sabedoria, amor, poder, justiça, objetivo e outras qualidades que explicam o grande abismo existente entre as pessoas e os animais. Nossa mente acha-se pré-programada para tais atributos divinos e para a adoração verdadeira de Deus. A inquietação continuará até que estes vários atributos estejam em devido equilíbrio e se faça uma conexão com Deus, através da oração e de sua adoração verdadeira. Uma vez satisfeitas estas carências espirituais com as quais fomos criados, a inquietação cede lugar à “paz de Deus, que excede todo pensamento”. — Filipenses 4:7; Gênesis 1:26-28.
Atos 17:27, 28 recomenda este tatear, a saber, “para buscarem a Deus, se tateassem por ele e realmente o achassem, embora, de fato, não esteja longe de cada um de nós. Pois, por meio dele temos vida, e nos movemos, e existimos”. É graças a ele, o Criador do universo, inclusive da Terra e de nós, sobre ela, que vivemos, e nos movemos, e existimos. Despojados dos adornos e das doutrinas falsas das religiões ortodoxas — religiões estas que afastaram milhões de pessoas de Deus, inclusive muitos cientistas — e seguindo a adoração verdadeira de Jeová Deus, ganharemos a vida eterna numa terra paradísica, que, desde o início, era o propósito de Jeová ao criar a Terra. — Gênesis 2:15; Isaías 45:18; Lucas 23:43; João 17:3.
É preciso tremenda credulidade para pensar que uma inteligência desta magnitude resida no acaso cego e descerebrado. Isto é uma fé comparável à dos fanáticos religiosos pagãos dos tempos do profeta Isaías: “Mas vós sois os que abandonais a Jeová, os que vos esqueceis do meu santo monte, os que pondes em ordem uma mesa para o deus da Boa Sorte e os que estais enchendo vinho misturado para o deus do Destino.” (Isaías 65:11) Os evolucionistas se voltam para os milhões de probabilidades “sortudas” para produzir o homem da rocha, mas eles não conseguem alçar-se sequer ao primeiro degrau de sua escada evolucionista. Seu “deus da Boa Sorte” é uma cana rachada.
Fred Hoyle sente que, em tudo isso, há um ominoso presságio: “Outro ponto que me atormenta é a convicção de que a janela da oportunidade para a espécie humana pode ser bem estreita no que se refere ao tempo. Precisa-se de alta tecnologia para se abrir tal janela, mas a alta tecnologia, por si só, sem estabelecer uma relação entre nossa espécie e o mundo de fora da Terra, bem que pode ser uma vereda para a autodestruição. Se, em certas ocasiões neste livro, minha oposição à teoria darwiniana parece veemente, isso se dá por eu julgar que uma sociedade orientada por tal teoria acha-se, mui provavelmente, voltada para um curso de autodestruição.”
Alice, no conto Através do espelho, incrédula diante da lógica estranha da Rainha Branca, só conseguia rir. “Não adianta tentar”, disse. “Não se pode crer em coisas impossíveis.” A rainha respondeu: “Ouso dizer que você não tem muita experiência. Quando eu tinha a sua idade, eu fazia isso meia hora por dia. Ora, às vezes, eu já tinha crido em até seis coisas impossíveis antes do desjejum.”
Os evolucionistas são as Rainhas Brancas da atualidade. Eles têm uma experiência infinita de crer em coisas impossíveis.
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