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O retorno da astrologia!Despertai! — 1986 | 8 de maio
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O retorno da astrologia!
A amada de Sua Majestade estava morta. O rei, assolado pelo pesar, convocou à sua presença o astrólogo que tinha predito esta tragédia. Cheio de intenções assassinas, o rei lhe disse: “Pretendes ser tão esperto e entendido. Dize-me, qual será a tua sina?” “Senhor”, respondeu, “prevejo que vou morrer três dias antes de Vossa Majestade”. O raciocínio rápido salvou a vida deste astrólogo!
QUER esta história seja verídica, quer não, ilustra deveras que, em séculos passados, os astrólogos eram levados bem a sério, mesmo por reinantes monarcas. No tocante a Luís XI, da França, certo historiador escreveu: “Um enxame de astrólogos . . . aproveitava-se dos temores e também da bolsa dele.” Nos séculos 15 e 16, a popularidade da astrologia atingiu o auge na Europa. Mesmo cientistas de destaque criam na astrologia.
A boa estrela da astrologia, contudo, logo começou a cair. “Bastou uma única espiada pelo telescópio”, admite o livro Astrology — The Celestial Mirror (Astrologia O Espelho Celeste), “e toda uma cosmologia foi para o espaço. . . . A astrologia foi rejeitada pela crescente autoridade do raciocínio científico”. As universidades européias a baniram. E, no dealbar do século 20, o historiador Bouché-Leclercq descreveu a astrologia ocidental como estando “definitivamente morta”.
Mais de 30 anos atrás, uma pesquisa Gallup realizada na Inglaterra revelava que apenas 6 por cento dos entrevistados criam na astrologia. Atualmente, 80 por cento alegadamente crêem nela! E revistas, programas de TV, e jornais informam sobre o crescente interesse do público pela astrologia, em outros países. “A primeira coisa que leio ao receber meu jornal”, declarou um senhor africano a um correspondente de Despertai!, “são os astros”.
Por que tal renascimento? Quando indagada por que ela e outros consultavam astrólogos, uma senhora italiana disse: “São demasiadas as coisas nesse mundo que andam mal.” Sim, vivemos em “tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1) E há pessoas que acham que a astrologia lhes dá a orientação necessária. A estrela da astrologia, assim, subiu de novo. Livros sobre o assunto proliferam. A expressão “Qual é seu signo?” tornou-se um tópico popular de começo de conversa. Há pessoas que chegam até a recusar-se a ter um encontro com alguém se não tiverem “signos” compatíveis.a
Apesar de toda a sua popularidade, porém, as predições astrológicas ainda se baseiam numa premissa um tanto dúbia: de que as posições do sol, da lua e dos planetas por ocasião do nascimento duma pessoa revelam tanto a sua personalidade como o seu futuro. Todavia, os astrólogos profissionais não hesitam em fazer horóscopos que vão desde algumas linhas a muitas páginas — dependendo de quanto a pessoa está disposta a pagar. Segundo a revista Psychology Today: “Milhões de dólares são gastos em horóscopos.” Deveras, o cientista americano, John Wheeler, lamentou-se recentemente de que seu país podia “dar-se ao luxo de ter 20.000 astrólogos, e apenas 2.000 astrônomos”.
Tão forte é o retorno da astrologia nas nações ocidentais que o falecido psiquiatra suíço, Carl Jung, escreveu: “Está batendo à porta das universidades das quais foi banida há uns 300 anos.” Com efeito, há algumas universidades ocidentais que oferecem agora cursos de astrologia. ‘Poderia haver alguma verdade na astrologia?’, talvez alguém pergunte.
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Seu futuro — está escrito nos astros?Despertai! — 1986 | 8 de maio
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Seu futuro — está escrito nos astros?
É uma manhã de outubro na antiga cidade de Babilônia. Do alto dum majestoso zigurate, um sacerdote contempla importante sinal no horizonte oriental! A constelação de Escorpião ascende brevemente, antes de lentamente desaparecer diante do romper da aurora.
PARA os supersticiosos babilônios, isto era muitíssimo significativo. Seus astrólogos há muito tinham notado que as estrelas de certa constelação pareciam assemelhar-se a um escorpião, com grande cauda curva. Foi assim chamada de girtab, ou Escorpião. Imaginavam que este grupo de estrelas tinha realmente as características dum escorpião. Visto que o escorpião é uma criatura noturna, o termo Escorpião parecia um símbolo apropriado da escuridão. Seu breve aparecimento, sempre nas auroras de outubro, marcava a aproximação do inverno setentrional.
Em seu livro The Truth About Astrology (A Verdade Sobre a Astrologia), o Dr. Michel Gauquelin explica: “Projetaram o escorpião terrestre no céu, e isso, por sua vez, devia supostamente ter influência sobre os nascidos sob aquela constelação. Este tipo de inversão versão astrológica ainda prossegue hoje em dia. Modernos compêndios declaram que, quando o Sol entra em Escorpião, por ocasião do nascimento, isso confere ao recém-nascido algumas das características do escorpião — um inseto [aracnídeo] perigoso, agressivo e corajoso, dotado de temível ferrão.”
Será Científica?
O sol não mais surge com Escorpião em outubro. Com o passar dos séculos, alterou-se de forma gradual a relação da Terra com as constelações. Agora, em outubro, o sol entra, em vez disso, na constelação de Libra (termo para “balança”, em latim), que se diz conferir qualidades tais como charme e tranqüilidade. Bem diferentes das de Escorpião!
Ao passo que os astrólogos orientais se mantiveram em dia com tais mudanças celestes, a maioria de seus colegas ocidentais não o fizeram. Estes baseiam assim as predições deles num esquema celeste que já tem uns 2.000 anos! A respeito disto, os Drs. H. J. Eysenck e D. K. B. Nias declaram: “Caso os astrólogos ocidentais estejam certos ao fazerem qualquer interpretação específica, os astrólogos orientais estão errados, e vice-versa. Todavia, ambos os lados afirmam ser extremamente bem-sucedidos!”
Bastaria isto para lançar muitas dúvidas sobre a fidedignidade da astrologia. Ademais, certo psicólogo examinou os registros de casamento e de divórcio de 3.456 casais. Será que a compatibilidade de seus signos astrológicos tinha algo que ver com o êxito ou o fracasso de seu casamento? De acordo com a revista Science 84: “Pessoas de signos incompatíveis casaram-se — e divorciaram-se — com tanta freqüência quanto os compatíveis.”
Os astrólogos contra-atacam por dizer que o signo do sol, por si só, tem pouco significado, e tem de ser considerado junto com as influências planetárias. Mas isto também gera problemas, porque os babilônios só criam na influência de cinco deuses planetários — Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. O telescópio, porém, revelou três outros — Urano, Netuno e Plutão. Isto provocou confusão entre os astrólogos. “Há astrólogos”, escreve Louis MacNeice em seu livro Astrology (Astrologia), “que apresentaram isto como desculpa para as inexatidões de seus predecessores; mas outros . . . argumentaram que estes novos planetas não poderiam influenciar os seres humanos porque não podiam ser vistos a vista desarmada”. A maioria dos astrólogos orientais, portanto, ignora os planetas distantes. Os astrólogos ocidentais, todavia, atribuem grande significado a eles.
A ocasião escolhida como base do horóscopo também suscita perguntas. A maioria dos astrólogos utiliza a ocasião do nascimento. Mas a lei da genética prova que as características hereditárias são transmitidas aos descendentes na concepção, e não no nascimento. De acordo com o livro Astrology: Science or Superstition? (Astrologia: Ciência ou Superstição?), o antigo astrólogo Ptolomeu “jeitosamente contornava isto por afirmar que o nascimento se dará sob a mesma constelação dominante na época da concepção, embora não exista realmente nenhum motivo para se supor que isto aconteça”.
Reagem os Cientistas
Muitos cientistas, por conseguinte, ficam alarmados diante da crescente aceitação da astrologia. Em 1975, 19 Prêmios Nobel, junto com outros cientistas, lançaram um manifesto intitulado: “Objeções à Astrologia — Declaração de 192 Destacados Cientistas.” Este declarava:
“Nos tempos antigos, as pessoas . . . se voltavam para os corpos celestes como moradas ou presságios dos Deuses, e, assim, ligavam-nos intimamente com eventos ocorridos aqui na Terra; não tinham nenhum conceito das amplas distâncias entre a Terra e os planetas e estrelas. Agora que tais distâncias podem ser calculadas, e têm sido calculadas, podemos depreender quão infinitesimamente pequenos são os efeitos gravitacionais e outros, produzidos pelos planetas distantes, e pelas estrelas, ainda mais longínquas. É simplesmente um erro imaginar que as forças exercidas pelas estrelas e pelos planetas, no momento do nascimento, possam, de algum modo, moldar nosso futuro.”
É interessante que um grupo de pessoas antigas não precisava da ciência moderna para explicar-lhes que a astrologia era um erro. Há mais de 2.500 anos, Jeová Deus disse à nação de Israel: “Não peguem o mau costume que outros povos têm, de fazer horóscopos e tentar descobrir o futuro pela posição das estrelas e dos planetas! Não se assustem com ‘esses sinais do céu’; deixem o medo [superstição, Byington, em inglês] para os outros povos.” (Jeremias 10:2, 3, A Bíblia Viva) Ou, como a Tradução do Novo Mundo o expressa: Os “sinais dos céus . . . são apenas uma exalação”. Em outras palavras, os signos ou sinais astrológicos têm tanta substância como o sopro exalado por seus pulmões.
‘E que importa se a astrologia é anticientífica?’, alguns objetam. ‘Não pode ser considerada um simples divertimento inofensivo?’
[Destaque na página 5]
“Modernos compêndios declaram que, quando o Sol entra em Escorpião, por ocasião do nascimento, isso confere ao recém-nascido algumas das características do escorpião — um inseto [aracnídeo] perigoso, agressivo e corajoso, dotado de temível ferrão.”
[Foto na página 4]
Estela babilônica, estampando a constelação de Escorpião, do Museu Nacional da França.
[Quadro na página 5]
Quão Distantes Estão as Estrelas?
Os astrólogos antigos achavam que as estrelas deviam estar bem próximas da Terra — alguns quilômetros, no máximo — para exercerem o que imaginavam ser uma forte influência sobre a vida dos homens. Mas, com o aperfeiçoamento do telescópio, tornou-se óbvio que isso dificilmente poderia ser o caso. Pois, mesmo quando vistas por meio de potente telescópio, as estrelas continuam sendo diminutos focos de luz.
Na década de 1830, contudo, o astrônomo alemão, Friedrich Bessel, desenvolveu os meios de se calcular exatamente a que distância acham-se algumas destas estrelas. Utilizando simples trigonometria, conseguiu calcular que a estrela chamada 61 Cygni estava a mais de dez anos-luz de distância! (A luz viaja a 300.000 quilômetros por segundo.) Todavia, a 61 Cygni é uma das estrelas mais próximas!
Assim, embora pareçam estar próximas umas das outras, as estrelas numa constelação podem distar centenas de anos-luz umas das outras! “É somente por acaso”, afirma o livro Astrology: Science or Superstition?, “que, vistas de nossa Terra, pareçam um conglomerado”. Por conseguinte, parece-lhe razoável crer que uma constelação, tal como a de Escorpião, possa influenciar a sua vida?
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A astrologia, os aniversários e a BíbliaDespertai! — 1986 | 8 de maio
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A astrologia, os aniversários e a Bíblia
Segundo os autores Ralph e Adelin Linton, existe uma conexão definida entre a astrologia e os aniversários. Eles comentam em seu livro The Lore of Birthdays (A Doutrina dos Aniversários Natalícios): “A Mesopotâmia e o Egito, berços da civilização, foram também as primeiras terras em que os homens se lembravam e honravam seus aniversários natalícios. A guarda de registros de aniversários natalícios era importante, nos tempos antigos, principalmente porque a data do nascimento era essencial para se fazer um horóscopo.”
Na verdade, os israelitas também guardavam registros de nascimento. Mas isto era feito de modo a determinar a idade dos homens para os serviços sacerdotal, militar e outros. (Números 1:2, 3; 4:2, 3; 2 Reis 11:21) A Bíblia, contudo, não registra as datas de nascimento nem mesmo de homens de destaque, tais como Noé, Abraão, Moisés, Davi — nem de Jesus Cristo! “Sem dúvida”, os autores supracitados admitem, “há celebrações natalícias mencionadas na Bíblia, mas apenas para comemorar o natalício de hereges iníquos, como Faraó e Herodes. Quando os cristãos primitivos tentavam fixar a data do nascimento de Cristo, muitos dos Pais da Igreja consideraram isso um sacrilégio . . . Eles proclamaram que não devia haver nenhuma tentativa de celebrá-lo, visto que isto era um costume pagão ímpio”.
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