-
Onde os desejos do paciente são respeitadosDespertai! — 1981 | 22 de fevereiro
-
-
usar este tratamento?” — É o que eu queria saber.
“Nem todos”, respondeu Hutchins. “Houve casos de médicos com pacientes que eram Testemunhas e que me telefonaram de muitas partes dos Estados Unidos. Alguns ficaram satisfeitos de ficarem a par de nosso tratamento. Por exemplo, recentemente um médico me telefonou de San Bernadino, Califórnia. Começou imediatamente o tratamento e na semana seguinte me telefonou novamente para dizer que seu paciente havia reagido bem.”
“Mas nem todos os médicos fariam isso”, eu sugeri. “Os médicos que cuidaram de meu pai estavam com medo de submetê-lo a tal terapia.”
“Sim, eu sei disso”, admitiu Hutchins. “Os médicos, assim como outros profissionais especializados, estão, compreensivelmente, inclinados a usar métodos ou tratamentos com os quais estão familiarizados, os que são geralmente aceitos em seus campos. No caso de hemorragia, os médicos foram adestrados a dar transfusões de sangue. Relativamente pouca pesquisa tem sido feita sobre algum hematopoético alternativo.”
“Mas, pelo que eu sei, a maioria dos médicos estão bem familiarizados com todos os componentes deste tratamento”, observei.
“É verdade. No entanto, nós administramos o principal componente, o Imferon, de um modo que até agora não tem sido recomendado, em geral. O formador de sangue Imferon (dextram de ferro) é quase sempre administrado intramuscularmente, não nas veias. Pacientes com grave hemorragia, contudo, precisam dos benefícios imediatos que a alimentação intravenosa provê. E, conforme já disse, não tivemos nenhuma reação adversa a administrar o ferro diretamente nas veias.”
Achei esclarecedora a informação acima, e senti-me motivado a fazer uma pesquisa adicional sobre o Imferon, depois que voltei a Nova Iorque. Consultando literatura médica, descobri que existem, sem dúvida, precauções quanto ao uso do Imferon. De fato, um médico até me disse que houve casos de morte relacionados com sua administração intravenosa e comentou: “Poucos médicos se sentiriam à vontade para proceder contrário a tal opinião estabelecida.”
Telefonei ao Dr. Hutchins para perguntar-lhe o que achava sobre o que eu descobrira. “Eu sei dos avisos sobre o uso de Imferon”, ele disse. “Mas, por diluir uma parte de Imferon em 50 partes de solução salina normal, e por gotejá-lo lentamente na corrente sangüínea do paciente, junto com outros ingredientes, até agora simplesmente não tivemos problema de espécie alguma. Para nós aqui isto já é simplesmente um tratamento de rotina.”
Hutchins perguntou: “Que outra alternativa para aumentar o sangue existe em tal emergência médica?” Respondendo à sua própria pergunta, disse: “Não conheço nenhuma, a não ser a transfusão de sangue.”
No entanto, existem hoje milhões de pessoas que respeitam as leis de Deus que proíbem o emprego do sangue. (Gên. 9:3-5; Lev. 17:14) São cristãos que se apegam ao mandamento inspirado pelo espírito: ‘Abstenham-se de sangue.’ (Atos 15:20, 28, 29) Numa emergência médica, talvez verifiquem que têm pouca alternativa caso não aceitem os riscos do tipo de tratamento que ajudou meu pai, caso seu médico esteja disposto a administrá-lo.
Por Que Vieram Aqui
Fiquei surpreso quando soube que quase a metade dos pacientes no hospital Esperanza eram Testemunhas de Jeová. Vieram de muitas partes dos Estados Unidos porque ficaram sabendo, assim como nossa família, que seu desejo de serem tratados sem sangue seria respeitado aqui. Muitas vezes as circunstâncias de seu tratamento foram dramáticas.
Rusty Ross, de 23 anos, foi transportado de Salida, Colorado, num jatinho. Tinha uma úlcera perfurada e os médicos em Colorado estavam com medo de operá-lo sem a liberdade de usar sangue, caso julgassem necessário. Uma ambulância que estava à sua espera, no Condado de Orange, levou-o às pressas ao hospital, onde os médicos começaram a operá-lo dentro de uma hora, desde que aterrissou. Ele quase perdeu todo o sangue, sua taxa de hemoglobina chegou a 4 (a normal é de cerca de 15). Mas ele se saiu dessa, recuperou-se rapidamente e recebeu alta do hospital enquanto estivemos lá com papai.
Dorothy Wayner, dona-de-casa de 47 anos, de Phoenix, Arizona, era um caso similar. Um cólon ulceroso prostrou-a num hospital local. À medida que seu nível sangüíneo caía perigosamente, os médicos temiam operá-la sem sangue. Quando foi transportada por via aérea para a Califórnia, seu nível sangüíneo estava em torno de 4. Caiu abaixo de 3, depois da operação. Poucas pessoas sobrevivem com tão pouco sangue, mas ela sobreviveu. No dia 17 de janeiro, enquanto ainda estávamos no hospital, ela se recuperou o suficiente para receber alta.
Cuidados Médicos
Pareceu-me que os pacientes recebiam bom atendimento médico. Um dos médicos associados no estabelecimento é Ron Lapin, de cabelos escuros, porte atlético, com 38 anos, natural de Israel. Ele não é Testemunha de Jeová, mas concorda com o conceito bíblico delas quanto ao sangue.
“Jamais eu daria sangue a qualquer paciente”, explica Lapin. “Há mais de cinco anos que não dou transfusão de sangue. Contudo, uma verificação nos mais de 2.000 pacientes que tratamos neste período mostrará, creio, que sua média de sobrevivência e recuperação, em todos os aspectos, é tão boa, senão melhor, do que a dos pacientes que recebem sangue.”a
Existem também muitos médicos em outras partes que aceitam e tratam Testemunhas de Jeová, sem sangue. Em cidades ao redor do país, várias instituições médicas, em números crescentes, fazem isto. É agora possível, por exemplo, achar um médico na cidade de Nova Iorque, em muitos dos campos especializados, que concorda em tratar as Testemunhas de Jeová.
Também interessou-me ler a respeito de cirurgia sem sangue, de reposição de bacia, feitas na Universidade do Centro Médico de Arkansas (Little Rock) por um grupo de cirurgiões encabeçados pelo Dr. Carl L. Nelson. O artigo observou: “O grupo tratou de aproximadamente 100 Testemunhas de Jeová, de quase cada estado da União, de acordo com o Dr. Nelson. ‘E penso que se pode dizer positivamente que trabalhar com Testemunhas de Jeová tem sido muito bom para todos’, disse.” — The Journal of the American Medical Association, 16 de janeiro de 1978.
Similarmente, o professor Walter J. Pories, presidente do Departamento de Cirurgia (da Universidade da Carolina do Oeste, Greenville, Carolina do Norte) escreveu numa carta: “Atendemos a muitas Testemunhas de Jeová . . . e ficamos universalmente impressionados com a sinceridade e cooperação dos membros de sua igreja e tivemos, francamente, melhores resultados cirúrgicos do que com a maioria dos outros pacientes. Esperamos que não precise de uma cirurgia, mas, se precisar, teremos prazer em servir-lhe de acordo com os preceitos de sua fé.”
Atenção Amorosa ao Paciente
Eu estava interessado no ponto de vista de Vinod Malhotra, o cardiologista indiano que tratou meu pai. “Os médicos deveriam ser servidores de seus pacientes e não lhes impor os seus próprios conceitos”, disse. A maneira bondosa e branda de Malhotra era coerente com seu conceito sobre os cuidados que se deve ter com o paciente. Por exemplo, permitiu que meus sobrinhos jovens visitassem seu avô e que nós, membros mais velhos da família, pudéssemos compartilhar no cuidado constante dele, no hospital. “Quando os pacientes estão seriamente enfermos, é aí que mais necessitam de seus entes queridos”, disse. “Os membros da família devem poder tocar e segurá-lo, e não ficar isolados atrás de uma janela de vidro.”
Papai finalmente pôde voltar para casa, em Palm Springs, em 24 de janeiro, e eu voei de volta a Nova Iorque. Minha esposa ficou mais umas duas semanas para ajudar um pouco mais no tratamento e reabilitação do seu lado direito, paralisado.
Nossa família é grata de que, nesta emergência, encontramos tratamento médico administrado bondosamente, com o devido respeito aos desejos do paciente.
-
-
Avaliando-meDespertai! — 1981 | 22 de fevereiro
-
-
Avaliando-me
Como é que as pessoas se auto-avaliam em capacidades tais como a de liderança ou a habilidade de se relacionar com outros? O Conselho de Universidade perguntou isto a 10 milhões de jovens estadunidenses. “A julgar pelas, respostas, os alunos americanos do último ano do curso de 2.º Grau não sofrem de complexo de inferioridade”, escreveu o psicólogo David G. Myers. “Quanto à ‘capacidade de liderança’, 70% avaliaram-se acima da média, 2% abaixo da média. . . . Concernente à ‘habilidade de se relacionar com outros’, zero por cento dos 829.000 estudantes que responderam avaliaram-se abaixo da média; 60% no topo dos 90 a 100%; 25% enquadraram-se no 1% superior da pirâmide!
-