Observando o Mundo
Viagem de Barril
● Eric Peters, um londrino de 43 anos, reivindica para si o recorde de ter navegado na menor embarcação para cruzar o Atlântico — um barril de 1,8 metro de comprimento. O barril, adaptado com os costumeiros quilha, leme e vela, fez a viagem de 4.000 quilômetros em 46 dias. Ele partiu das ilhas Canárias, viveu à base de óleo de oliva, nozes, farelo de trigo e cerca de meio litro de água por dia, e aportou na ilha de Guadalupe, no Caribe. “Eu tinha uma bússola, mas não me dirigia a nenhum lugar em especial”, disse Peters. “Sabia que se mantivesse o rumo oeste eu ia dar em terra em algum lugar.”
“Queda na População” das Aves
● Cerca de 14 milhões de andorinhas-do-mar pardas, 1,5 milhão de pardelas de cauda cuneiforme e cerca de um milhão de pássaros de 16 outras espécies ou morreram ou abandonaram a ilha Christmas, uma ilha de coral no Pacífico central, abandonando milhares de filhotes à morte. Embora não se saiba a causa exata, os entendidos presumem que El Niño, o sistema anormal de clima que castigou recentemente a Califórnia e a América do Sul, fez com que tanto o nível como a temperatura da área do mar se elevassem. Isso, por sua vez, tem afastado os peixes e os calamares que são a principal fonte de alimentação das aves. “A ‘queda de população’ é provavelmente a maior de sua espécie que já se registrou, e é o primeiro desaparecimento quase total de uma população grande de aves que já se registrou numa ilha tropical”, diz The Washington Post.
“Brincadeira de Mau Gosto”
● “Fico surpresa de que essa brincadeira de mau gosto pudesse acontecer”, disse Wanda Ishmael, professora de 55 anos, depois de receber cinco horas de tratamento de emergência no hospital. “Meu rosto queimava e eu não conseguia focalizar os olhos. Percebia que não conseguiria sair da sala de aula caminhando. Percebi então a horrível realidade. Fui drogada por um dos meus alunos.” Os médicos confirmaram que ela havia comido bolinhos de chocolate misturados com maconha servidos pelos seus alunos da 10ª. série. Qual foi a ocasião? Uma festa de boas-vindas para a professora que acabava de retornar depois de ter sofrido uma grande intervenção cirúrgica por câncer.
Suicídio no “Paraíso”
● Embora as ilhas idílicas da Micronésia possam representar a idéia que muitos têm do paraíso, há um lado mais sinistro delas. Ali, “rapazes matam-se num dos mais elevados índices do mundo”, informa o jornal The New York Times Rapazes entre as idades de 15 e 25 anos na ilha Truk têm um índice de suicídio de 250 em 100.000, o que é 20 vezes mais do que o índice para os jovens nos Estados Unidos. Os suicídios foram precipitados amiúde por “coisinhas bobas”. Um rapaz de 16 anos se enforcou porque seu pai não quis dar-lhe um dólar, e um rapaz de 13 anos fez o mesmo depois de sua mãe ralhar com ele. Embora os pesquisadores tenham dificuldade de encontrar uma explicação para tais atos, notam “padrões deficientes de relação familiar” e “uma situação intolerável a longo prazo”.
Antes Sóbrio do Que Morto?
● Parece haver um empenho nacional nos Estados Unidos para elevar a idade mínima permissível para bebidas alcoólicas. Vinte estados já elevaram em um a três anos a idade mínima de 18, e este ano 26 estados considerarão restaurar o limite para 21. A razão? Em média, 5.000 adolescentes morrem anualmente em acidentes de automóvel nos Estados Unidos, em que o álcool está relacionado, e o Relatório Semanal de Morbidez e Mortalidade indica que “motoristas jovens (de 16 a 24 anos), constituindo 17% da população dos EUA, estavam envolvidos em acidentes que resultaram em 48% dos casos fatais. O empenho de elevar a idade mínima permissível para bebidas alcoólicas tem tido resultados “dramáticos” até o presente, relata a revista Time. “Em pelo menos oito estados, uma elevação da idade permissível para bebidas foi seguida de uma diminuição de 28% de acidentes noturnos fatais relacionados com jovens de 18 a 21 anos”, diz o relatório.
‘Honrados’ Sonegadores de Impostos
● “Num grupo de 400 enfermeiros [autônomos], mais de 90% deixaram de declarar toda a sua renda [ao IRS (Internal Revenue Service)]”, diz a revista Time. “O enfermeiro deve, em média, US$ 3.500 [Cr$ 2,7 milhões] em impostos não pagos.” Que tipo de pessoas são essas? “Falamos de pessoas laboriosas numa profissão honrosa”, disse uma autoridade do IRS da cidade de Nova Iorque. Este ano, muitos desses ‘honrados’ cidadãos dos EUA, junto com os não tão honrados, sonegarão impostos de renda estimados em 100 bilhões de dólares (Cr$ 77 trilhões).
“Na Suécia, diz o Serviço de Notícias londrino do Observer, “a imagem internacional de um honesto, fidedigno, trabalhador . . . cidadão sueco recebeu um sério golpe” com as recentes revelações de desonestidade. Informa-se que os suecos adultos sonegam, em média, US$ 720 (Cr$ 554 mil) em imposto de renda, e informa-se que as autoridades se queixam de uma “onda de crime econômico”.
Crimes Não Relatados da Inglaterra
● “O índice de crimes da Grã-Bretanha é, assustadoramente, quatro vezes maior do que os números oficiais”, diz o Daily Post de Liverpool. Segundo recente Enquête Britânica Sobre Crimes, as pessoas realmente informam à polícia apenas um entre cinco casos de agressões, assaltos ou ataques sexuais. Muitos dos entrevistados achavam que a polícia poderia fazer muito pouco por eles.
Médicos Aprendem
● “Especialistas em trauma estão aprendendo”, diz um artigo no The Medical Post do Canadá, que os valores do sangue “não precisam estar nos níveis normais para que os pacientes reajam bem ao se restabelecerem de um trauma ou de uma cirurgia”. O artigo, intitulado “Testemunhas de Jeová Dão Lições”, cita o dr. Robert Darrow, diretor do Colégio Americano de Cirurgiões, que disse: “As Testemunhas de Jeová, por exemplo, que se recusam a tomar transfusões de sangue, muitas vezes se recuperam surpreendentemente bem mesmo com hematócritos extremamente baixos.”
O dr. Darrow explicou: “Enquanto o volume existe e a força cardíaca circula esse volume, aparentemente não necessitamos realmente do que consideramos ser uma contagem sangüínea normal. Podemos nos safar com espantosamente pouco sangue, se existir volume.” Em entrevista à Despertai!, o dr. Darrow também disse que “estão emergindo resultados do hospital infantil em Seattle [EUA], onde trabalham com hematócritos baixíssimos e obtêm assim melhores resultados porque quanto menos denso é o sangue tanto mais rapidamente ocorre a circulação, e as crianças reagem satisfatoriamente”.
‘Desprezo à Vida Humana’
● Pelo menos dois milhões de pessoas foram executadas nos últimos 15 anos sem o devido processo de lei — o direito de escolher seu próprio advogado, de ter um julgamento Justo e o direito de apelar — revelou um informe recente da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. Segundo o The New York Times, o informe dizia que “execuções oficiosas, desde assassinatos esporádicos a expurgos em massa de adversários políticos, têm sido relatadas em 37 países”. Falando do “crescente desprezo à vida humana”, o relator especial da comissão, Amos Wako, disse que se atingiu um ponto em que “isso se pode tornar um problema internacional e que os países devem agir rapidamente para enfrentá-lo”.
Exportação de Bebês
● “Bebês se transformaram no mais novo produto de exportação em muitos países em desenvolvimento nos quais organizações empenhadas em inescrupulosas práticas de adoção têm proliferado”, diz a revista India Today. “Casais da classe média sem filhos em muitos países europeus ocidentais, notadamente na República Federal da Alemanha, descobriram um modo conveniente de realizar sua ambição vitalícia de ter um filho — simplesmente adotam um de países pobres como Índia, Sri Lanka, Bangladesh e Tailândia.” A população órfã da Índia sozinha, diz o artigo, é “suficientemente grande para atender às necessidades de casais sem filhos no inteiro Ocidente” e “exibir uma criança de pele escura numa foto de um grupo familiar virou moda em muitos países nórdicos”. O que também contribui para o “florescente tráfico de bebês”, diz India Today, é a facilidade de se obter uma criança através de agências não oficiais — algumas semanas, comparado a dois anos e uma “montanha de papelada”.
Dignitários Exemplares?
● Num artigo intitulado “São os MPs [Membros do Parlamento] suficientemente sóbrios para julgar?”, o dr. Colin Brewer, do Hospital Westminster, de Londres, diz que a Câmara dos Comuns está “a boiar no álcool” e que se “alguns Membros bebessem menos” eles se comportariam melhor na Câmara. Um MP denunciou o artigo como sendo “grosseiramente ofensivo” e enviou uma cópia dele ao presidente da Câmara. Depois disso, o dr. Brewer, pronto para defender seu artigo, recebeu resposta do presidente dizendo que “o dr. Brewer não tem nada do que se justificar”, diz o Daily Telegraph, de Londres.
● “O chefe do comando policial de repressão às drogas, de Montreal, Canadá, foi preso sob acusação de tráfico de drogas”, diz o jornal Star, de Toronto. O oficial preso é um policial veterano de 25 anos de carreira, que também era chefe do crime organizado e de quadrilhas de assalto à mão armada. Diz-se que era muito respeitado como um dos mais experientes detetives da polícia. A prisão se deu após uma investigação de duas semanas, ordenada pelo chefe de polícia de Montreal. Não se espera nenhuma contestação.
● A revista Panorama, de Milão, falou recentemente sobre o que um livro de regulamentos para juízes e magistrados italianos, de três volumes, tem a dizer sobre sua conduta moral. Segundo a reportagem, o código diz que “é ofensa punível tentar abraçar a estenógrafa, tentar vencer a resistência dela a força, [ou] empenhar-se em comportamento similar com qualquer outra mulher atraída ao gabinete sob qualquer pretexto”. Também proíbe “iniciar um relacionamento amoroso com uma pessoa que instaure um processo de falência”, e “ir freqüentemente a um bordel municipal no seu distrito judicial, usando seu cargo para entrar de graça”.
“Terra Prometida”?
● “Não usem a Suécia como exemplo”, diz um editorial no Detroit News, dos EUA. Afirma que muitos “especialistas”, “contrários a que se diga aos pais que os filhos usam contraceptivos”, amiúde apontam para a Suécia, com suas leis liberais e contraceptivos “disponíveis aos jovens livre e confidencialmente”, como a “Terra Prometida”. Mas o editorial prossegue: “Que mais tem a Suécia? A Suécia tem um dos mais altos índices de aborto do mundo. Uma de cada duas gravidezes é abortada. Um terço de todos os nascimentos suecos são ilegítimos. Isso é cerca de três vezes a ilegitimidade nos Estados Unidos. O índice de divórcio na Suécia é agora 60 por cento maior do que o dos Estados Unidos, já chocantemente alto para os padrões históricos.” O editorial conclui com um alerta para “encarar desconfiadamente os ‘especialistas’, ainda mais quando suas noções estranhas, embora sejam a tendência, representam uma grosseira e destrutiva intrusão na vida familiar”.
Examine Aqueles Óculos de Sol!
● Muitos dos óculos escuros vendidos nas lojas não filtram bem os raios ultravioletas do sol, diz Anthony Cullen, professor de optometria da Universidade de Waterloo, em Ontário, Canadá. Segundo Cullen, especialista em perigos de radiação óptica, isso pode levar à formação de cataratas e outros problemas de visão mais tarde na vida. Em geral, as pessoas semicerram os olhos para protegê-los da luz forte do sol. Mas, visto que os óculos de sol fazem a luz parecer menos brilhante, os usuários tendem a manter os olhos bem abertos, permitindo a entrada da invisível luz ultravioleta, possivelmente prejudicando os olhos.
Moralidade ou Medo?
● Para justificar sua entrada nos debates recentes sobre armas nucleares, muitos líderes religiosos afirmam que a guerra nuclear é imoral porque tem supostamente uma “nova qualidade”. Mas, a colunista londrina Gwynne Dyer, membro do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, discorda. “Isso é um completo contra-senso, naturalmente. A qualidade — a moralidade — do ato de matar na guerra é exatamente a mesma que sempre foi; o que mudou é a quantidade de mortos que resultará. As igrejas, que têm justificado e abençoado quase todas as guerras na história (em ambos os lados), simplesmente reagem às mesmas circunstâncias que inquietaram o resto da população.” Sua própria pele está em perigo.