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Uma quase tragédia produz felizes recordaçõesDespertai! — 1970 | 22 de julho
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Uma quase tragédia produz felizes recordações
Do correspondente de “Despertai!” no Equador
ACONTECEU em Cuenca, Equador, na tarde de 20 de janeiro de 1969. Um caminhão carregado de lixo recuava para entrar numa viela estreita ao lado de uma escola primária. Uma meninazinha de dez anos, pensando talvez que o caminhão passaria por ela, permaneceu na viela. À medida que as rodas trazeiras do enorme veículo passaram, pegaram o vestido da garotinha e observadores horrorizados viram-na ser arrastada para debaixo das rodas.
Ouvindo gritos, o motorista parou e saltou para investigar as coisas. Imagine o seu choque ao ver a garotinha esmagada sob seu caminhão! Parara bem em cima dela! A única coisa que poderia fazer era mover o caminhão de novo para a frente, o grande peso pairando de novo sobre as partes feridas. Verificou-se depois que as rodas passaram em cima da perna esquerda, daí, sobre seu estômago. Foi levada prontamente a uma clínica, surpreendentemente ainda em estado consciente.
Quando sua mãe ansiosa chegou ao seu lado, o que acha que foram as primeiras palavras que sua filhinha proferiu? “Mamãe, não posso morrer ainda. Ainda não dirigi nem mesmo um estudo bíblico!” E, segundo sua própria vontade, a criança dizia às enfermeiras que nenhum sangue deveria ser usado ao tratá-la. O quê? Uma garotinha terrivelmente ferida não querer morrer porque deseja ensinar a alguém a Bíblia? Para tais enfermeiras, isso era simplesmente inacreditável!
Médico Respeitoso
Quando chegou o médico, prontamente recomendou uma operação para se descobrir a extensão dos ferimentos internos. O pai da criança consentiu, mas indicou que a operação teria de ser sem sangue. Jamais tendo feito tal operação séria sem sangue, o médico ficou chocado. No entanto, os pais explicaram-lhe seu respeito pela lei de Deus relativa ao sangue. (Lev. 17:14; Atos 15:20) Suplicaram ao médico que fizesse tudo que pudesse pela criança, mas deixasse a eles toda a responsabilidade de agir assim sem sangue.
O médico passou a fazer o que podia. “Visto que tenho minhas próprias crenças religiosas e quero que os outros as respeitem”, disse, “eu respeitarei as suas”.
Pouco antes de ser transportada para a sala de operação, a criança disse ao seu pai: “Não se preocupe, papai.” As horas se arrastaram — cinco horas — e durante todo este tempo de espera ansiosa, o que observara o grupo reunido de parentes e pessoas amigas? Os pais explicavam-lhes calmamente que, se por acaso a criança morresse, tinham a certeza de vê-la de novo na ressurreição. Tratava-se certamente de uma cena inesquecível!
A confiança dos pais impressionou, não só o médico, mas também muitos dos que se ajuntaram para saber o resultado da operação. “Eu também sou pai”, disse uma pessoa, “mas o senhor mostra mais calma neste assunto do que eu jamais poderia mostrar”.
Disse outrem: “Se pudesse ter a fé que essas pessoas têm, seria o homem mais feliz da vida.”
Uma vizinha do lado, recentemente enviuvada, veio confortar os pais, mas, ao ir embora, ela mesma testificou: “Nos dois anos desde que meu marido morreu tenho-me sentido deprimida; mas, ao ver vocês e a sua fé em Deus, e a esperança que têm, isso me habilitou a me sentir feliz pela primeira vez.”
E Depois da Operação . . .
Chegou então a hora para o relatório do médico. Não se quebrou nenhum osso mas os órgãos sofreram graves ferimentos internos. A principal artéria que chega ao diafragma havia sido secionada e se perdera mais da metade do sangue da criança. Mas, por volta do tempo da operação começar, a artéria havia parado de sangrar, a coagulação havia impedido o fluxo. Uma artéria havia sido secionada apenas a uns dez centímetros do coração, e, ainda assim, a garota não sangrou até morrer! O cirurgião simplesmente não conseguia entender por quê.
O fígado também havia sido fendido. E, devido à tremenda pressão, o estômago havia sido empurrado através do diafragma, rompendo-o em dois lugares. Isto, por sua vez, havia desabado e despedaçado o pulmão esquerdo, ao passo que, ao mesmo tempo, rompera o pericárdio que envolve o coração. Em outras palavras, o caminhão parara pouco antes de rebentar o coração — eventualidade que teria sido instantaneamente fatal.
O médico expressou satisfação em como se processara a operação. Apreciara também a atitude calma dos pais — nada de gritos ou choro descontrolado para deixá-lo nervoso. Pôde fazer a tarefa delicada numa disposição mental bem mais firme.
Mas, ainda havia perigo. O que dizer da perda de sangue? E o que dizer do perigo de infecção? Qualquer uma dessas coisas poderia provar-se fatal. Durante a longa operação, cada centímetro dos intestinos teve de ser examinado para ver se havia rupturas. Também, se teve de fazer cabal exame de quaisquer órgãos que pudessem ter sido afetados. Poder-se-ia ainda ver os efeitos que a grande pressão exercera sobre o corpo da criança — vasos sangüíneos diminutos que romperam do lado do pescoço e no olho.
Na manhã seguinte Mimi (é esse seu apelido) ficou desperta, com a mente bem clara e, surpreendentemente, sem queixar-se de dor dos resultados da operação. O período perigoso de quarenta e oito horas passara e ainda não havia nenhum sinal de infecção. A inteira equipe da clínica ficou atônita de ver como a garotinha sobrevivera à operação sem transfusão de sangue e estava rapidamente retornando ao normal, apenas cinco dias depois do ordálio.
Uma semana depois do acidente, Mimi foi liberada da clínica e continuou fazendo excelente progresso. Daí, surgiu seríssima complicação. Certo tipo de líquido se formava em torno do coração dela, possivelmente devido à ruptura de sua membrana circundante, protetora. O que poderia acontecer agora? Foi certamente um tempo de ansiedade. Se o líquido não se dissipasse naturalmente, a criança poderia bem ter de sofrer outra operação crítica, envolvendo o coração.
No dia seguinte, um cardiologista examinou Mimi. Nem ele nem o próprio médico dela podiam ocultar sua surpresa. Durante a noite, o líquido se dissipara, e tudo funcionava normalmente.
Cinco semanas e meia depois do acidente, Mimi retornara à escola, brincando com suas amiguinhas, com os órgãos feridos já curados, e sem quaisquer efeitos evidentes da terrível experiência.
Agradáveis Recordações
Como podia um acontecimento quase trágico produzir agradáveis recordações? Ouça! “Eu fiquei surpreso com minhas próprias reações”, disse o pai. “Não sabia que podia receber notícias tão chocantes sem ficar arrasado. Mas, logo de imediato sabia que Jeová estava plenamente cônscio de nossas necessidades. Assim, quer Mimi vivesse quer morresse, simplesmente saber da supervisão bondosa de Deus sobre todas as coisas me deu uma calma que jamais senti antes. Temos lido a respeito de como Jeová fortalece seus servos quando sob prova. Agora eu sei que ele fortalece mesmo.”
E eis o que a mãe disse: “Quando vi pela primeira vez minha filha deitada lá, senti calafrios pelo corpo todo. Mas, no momento seguinte algo bem quente veio sobre mim, à medida em que eu pensava em nossa completa dependência de Jeová para tudo. O espírito de Jeová certamente nos dá força e fortaleza.”
E o que dizer do cirurgião? Esta tinha sido a operação mais crítica que já fora feita na clínica, e fora bem sucedida sem sangue. Disse o médico: “Aprendi algo com esta experiência.” O que aprendeu?
Pouco depois, um universitário teve de ser operado de apendicite. Quando se sugeriu que uma transfusão de sangue seria apropriada, este mesmo médico recusou-a, dizendo: “Desde janeiro eu aprendi que é muito melhor não se usar transfusões.” O paciente que sofria de apendicite voltava pouco depois às aulas, e estava passando bem.
O superintendente da congregação local das testemunhas de Jeová, sendo ele mesmo da América do Norte, ficou profundamente impressionado também. “Fiquei surpreso”, disse, “pela diferença em se cuidar de tal emergência aqui em comparação com o que se poderia esperar nos Estados Unidos ou em outros países assim. Não houve manchetes escandalosas na imprensa, como ‘A CRENÇA DO CULTO PODERÁ CUSTAR A VIDA DA CRIANÇA’. Antes, o noticiário radiofônico mencionou a fé notável e a tranqüilidade desta família sob prova. Ao invés de roubar dos pais o seu direito de determinar que espécie de tratamento seria ministrado à filha ferida, e fazer isso por meio de mandados judiciais arbitrários, o cirurgião mostrou o devido respeito pela posição dos pais e suas crenças conscienciosas.”
Certo médico de destaque declarou: “Os senhores precisam saber que este caso é mencionado entre os homens do círculo médico como verdadeiro milagre.” Dezenas de folhetos explicando a lei de Deus no tocante ao sangue foram colocados, muitos deles com médicos que desejavam mais informações sobre tal assunto vital.
Por fim, a própria Mimi disse: “Agradeço a Jeová por me ter ajudado, porque, se eu tivesse morrido naquela ocasião muitas pessoas teriam pensado que isso era devido a não tomar uma transfusão. Mas, agora, muitos saberão que é sempre melhor obedecer à lei de Deus, até mesmo sob condições críticas.”
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Atravessando a neve para aprender a BíbliaDespertai! — 1970 | 22 de julho
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Atravessando a neve para aprender a Bíblia
● Numa seção de Oregon, EUA, que ficava sob a neve durante dois meses, um jovem casal queria tanto aprender a Bíblia que iam até onde podiam de carro e então andavam o resto do caminho até a casa das testemunhas de Jeová que os ajudavam a aprender sobre Deus. Bill, o marido, punha seu saco de viagem nas costas, com todos os seus compêndios e Bíblias dentro dele. Daí, colocava seu garoto de um ano e meio em cima do saco de viagem sobre os seus ombros, e se ia arrastando através da neve.
Em certa ocasião, Bill encontrou-se com um vizinho, a quem já conhecia por algum tempo, na casa das Testemunhas. Bill lhe disse: “Sabe, se você ou quem quer que seja há alguns meses atrás me dissesse que eu andaria tanto para receber um estudo bíblico, eu lhe diria que você estava louco!”
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