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A campanha da união soviética para esmagar a religiãoDespertai! — 1973 | 22 de outubro
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igrejas, em especial a Igreja Ortodoxa, eram elementos-chaves da opressão ao povo por parte dos czares. A bem de seu próprio proveito egoísta, o clero, durante séculos, agradava os regentes, ignorava as necessidades do povo e o mantinha ignorante. A maioria do povo era mantida em virtual escravidão aos regentes e às classes abastadas. O clero se empenhava em manter as coisas assim. Muitos dentre o clero se tornaram gananciosos, imorais e famintos de poder.
Os historiadores reconhecem que a Igreja Ortodoxa, em especial, era crassamente corrupta. Em House Without a Roof (Casa sem Telhado), Maurice Hindus escreve:
“O batushka [pároco] era amiúde um homem ignorante, viciado em vodca, e não era avesso a seduzir uma atraente paroquiana. . . .
“O muzhik [camponês] . . . aprendia mais sobre o bem e o mal dos contos e das baladas dos mendigos ambulantes e dos peregrinos do que do pároco. . . .
“O risco fatal da Igreja Russa era sua completa subordinação e subserviência ao estado czarista, que, nas palavras de Milyukov, ‘paralisava todos os botões vivos da religião’.”
Este autor também observou as palavras do crítico literário russo, Vissarion Byelinsky, que escreveu: “Aos olhos dos russos, não é o sacerdote o símbolo vivo da glutonaria, da avareza, da bajulação, da sem-vergonhice?”
Comentando o uso que a Igreja Ortodoxa fez do poderio armado dos czares para promover seus próprios fins, o falecido filósofo russo, N. Berdyaev escreveu no livro The Origin of Russian Communism (A Origem do Comunismo Russo):
“Podem os hierarcas justificar tal ‘política’ anticristã? Por que recorrem à força, ao invés de às obras de amor? . . . Observamos com espanto a união da Igreja com o Estado nesta obra detestável. É este próprio servilismo da Igreja ao Estado que resultou na perda da fé por parte de tantas pessoas.”
Que os pecados da religião foram grandemente culpados pelo que aconteceu na Rússia é admitido até pelos próprios líderes religiosos. Um teólogo dum país comunista disse, num relatório impresso pela revista Harpers:
“Não sou comunista, sou cristão. Mas, sei que somos nós, somente nós, os cristãos, os responsáveis pelo comunismo. Tínhamos uma tarefa a desincumbir no mundo, e Jesus Cristo não deixou nenhuma dúvida quanto a qual ela era. Fracassamos. Nós ‘falamos, mas não agimos’. . . . Lembre-se de que os comunistas eram certa vez cristãos. Se não crêem em um Deus justo, de quem é a culpa?
Sem dúvida, a corrupção das igrejas na Rússia alienou muitas pessoas de Deus, da Bíblia e do Cristianismo. Raciocinaram: ‘Se esta é a religião de Deus, então preferimos crer que não existe Deus algum.’
Assim, houve razões para a oposição feroz dos líderes da União Soviética contra a religião. Mas, infelizmente, não diferençaram a verdadeira fé em Deus da religião hipócrita. Em sua amargura, resolveram derrubar toda religião.
Clero Transige
De início, muitos clérigos resistiram às incursões dos comunistas contra a religião. Mas, com o passar do tempo, cada vez mais clérigos transigiram e tornaram-se instrumentos do governo comunista. Mas, visto que o governo visava enterrar a religião, estes clérigos transigentes estavam, efetivamente, cavando as suas próprias covas!
Exemplo disto foi o patriarca Tikhon. Diferente de Jesus Cristo, que se dispunha a morrer antes que transigir, quanto à verdade, Tikhon transigiu. Em 1923, depois de ser solto da prisão, assinou uma declaração em que prometia não se empenhar em nada prejudicial aos interesses do Estado. Pouco antes de sua morte, em 1925, concitou todos os russos a “colocar-se sinceramente a favor do poder soviete e a trabalhar pela riqueza comum e condenar qualquer agitação aberta ou secreta contra a nova ordem do Estado”.
Após sua morte, a Igreja não teve permissão de eleger outro patriarca. Mas, outras altas autoridades eclesiásticas em geral seguiam sua liderança. Isto se tornou claro quando, em 1927, Sergei, um metropolita (logo abaixo do patriarca, em hierarquia), fez uma proclamação. O livro The First Fifty Years (Os Primeiros Cinqüenta Anos) observa que, na mesma, Sergei “prometeu o apoio e a cooperação política da Igreja e de seus seguidores”. Instou com o clero a que fornecesse garantias escritas de sua lealdade ao governo soviético ou encarasse a expulsão da Igreja.
Apesar de todas as transigências dos clérigos, os comunistas continuaram sua campanha múltipla contra a religião. Em especial, durante os expurgos políticos de 1936 a 1938, as igrejas foram selvagemente atacadas. Ao passo que, em 1930, Sergei afirmara ter o apoio leal de 163 bispos, restavam menos de 12 em 1939. Dizia-se que 40 bispos haviam sido fuzilados. E calculadamente 10.000 igrejas foram fechadas. Como afirma The First Fifty Years: “A Igreja, em 1939, estava perto do colapso.”
Mas, em 1939, aconteceu algo que produziria uma mudança. Irrompeu a Segunda Guerra Mundial. Afetou as relações entre o governo soviético e a religião.
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Segunda Guerra Mundial produz certa mudançaDespertai! — 1973 | 22 de outubro
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Segunda Guerra Mundial produz certa mudança
A SEGUNDA Guerra Mundial irrompeu em setembro de 1939. Dentro de dois anos, os exércitos de Hitler invadiram a Polônia ocidental, a França e vários outros países europeus e grande parte dos Bálcãs. Daí, em 1941, os vitoriosos nazistas voltaram sua atenção para o leste.
Em junho daquele ano, os exércitos alemães mergulharam na União Soviética. Por volta de dezembro, já haviam capturado toda a parte ocidental do país e tinham chegado aos arredores de Moscou. A sobrevivência daquela nação pendia na balança.
No entanto, péssimo tempo de inverno e a resistência determinada das tropas e dos guerrilheiros soviéticos estancaram a onda alemã no fim do ano. Mas, era óbvio que, na primavera setentrional seguinte, mais ataques seriam efetuados. O governo soviético sabia que seu povo tinha de ser estimulado para o que estava à frente. Era necessário um esforço máximo.
Algo que tornou mais fácil esta tarefa foi a perversidade dos invasores alemães. A devastação que causaram, a matança de milhões de pessoas, suas pretensões de superioridade racial e sua clara intenção de exterminar muitos dos eslavos, enfureceu os soviéticos.
Todavia, precisava-se de ainda maior motivação. A fim de captar todos os recursos daquela nação e granjear a cooperação integral de todo o povo, o governo tinha de ter o apoio dos líderes religiosos. Por que isto se dava?
O governo precisava do apoio dos líderes religiosos porque ainda havia dezenas de milhões de pessoas religiosas no país. Na verdade, o comunismo obtivera
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